Tenho ficado muito satisfeito
Don B. Colton
Tenho ficado muito satisfeito, meus irmãos e irmãs, com o espírito desta conferência. Regozijei-me com a segurança que pareceu estar na mente de cada um dos oradores até agora, a respeito do futuro. De fato, para mim é motivo de grande alegria, na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que haja um espírito de fé e segurança a respeito da obra do Senhor. Estou convencido de que, sem essa fé e esse testemunho, a obra não teria alcançado as proporções que agora alcançou na terra. O Senhor disse: «A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou; e se algum homem quiser fazer a vontade do Pai, saberá se a doutrina é de Deus ou do homem.» Parece-me que esse espírito tem caracterizado a Igreja desde o seu início; e assim, hoje, por mais tumultuados que sejam os tempos, encaramos o futuro com uma calma ¶
segurança de que, se fizermos a nossa parte, tudo estará bem quanto ao futuro, não obstante haver tempos perigosos na terra e os corações dos homens estarem tremendo dentro deles. Digo que encaramos o futuro com fé na obra de Deus, e ela há de triunfar. Qual seja a vossa missão particular, e qual seja a minha, é de pouca importância, contanto que façamos bem o nosso trabalho e confiemos o resto ao Senhor. Alguns de nós podem ser chamados a dar até mesmo a própria vida, em defesa de nosso país. Temo-nos disposto a arriscar a vida em defesa da verdade, encarando sempre o futuro com o pensamento de que Deus cuidará de nós; e se acontecer que, no desempenho desta obra, tenhamos de dar a vida, ainda assim temos a segurança de que ressuscitaremos. A Páscoa, que agora se celebra, significa para nós não somente que Jesus de Nazaré ressuscitou, mas que nós também, no tempo próprio de Deus, ressuscitaremos dentre os mortos, e que no futuro, nas eternidades que se estendem diante de nós, continuaremos a realizar tudo o que Deus planejou que realizássemos. É uma coisa esplêndida encarar o mundo com esta fé. É uma coisa esplêndida encarar os problemas da vida com esta fé. É uma coisa esplêndida saber que há um grande líder vigiando esta grande obra e dirigindo o seu destino. Aprecio esta fé e esta segurança. Agradeço a Deus todos os dias de minha vida pelo testemunho da verdade, pelo conhecimento que tenho a respeito de sua obra. ¶
Ó, quão bela é a luz dada aos Santos dos Últimos Dias! Não há muito tempo eu estava lendo um livro de um homem que, creio, é reconhecido como um dos principais teólogos da atualidade. É verdade que ele aceita a doutrina da evolução, e, em vista disso, empreendeu a tarefa de explicar a alma do homem e sua origem, pois reconhecia que, em seu grande tratado, precisava lidar com o homem como um ser de caráter duplo, que há um espírito dentro do homem, e que precisava tratá-lo sob essa luz. Assim, tentou, à luz da ciência, elaborar uma teoria compatível com a crença cristã de que há uma alma dentro do homem, uma entidade espiritual, um ser que, ao chegar a morte, vive separado e apartado deste corpo que anda sobre a terra. Isto, reparai bem, era a teoria de um homem culto que havia passado a vida estudando problemas teológicos e científicos, e ele disse que o espírito do homem permanece, e sua teoria podia ser explicada de três pontos de vista diferentes. Cremos coerentemente, disse ele, que em algum lugar daquela grande floresta primitiva, quando o homem-macaco pela primeira vez se pôs de pé e andou, Deus soprou naquele homem-macaco, que assumiu a forma que o homem tem agora, um espírito, e que todos os homens descendentes daquele primeiro progenitor primitivo herdaram esse espírito. Ou, disse ele, não é incoerente crer que nem todos os da família animal têm espíritos dentro de si; que somente aqueles que começam a pensar com retidão, que anseiam pela vida eterna, que querem viver no além, têm, cada um deles, um espírito dentro de si, um espírito que, de algum modo misterioso, viverá depois da morte. Disse ele que não há nada incoerente em crer que o homem ímpio, que não se importa em viver no além, não desenvolverá em si nada que sobreviva a esta existência mortal; e assim é enunciada, por esse homem culto, a doutrina de um número limitado de espíritos e almas. Ou, disse ele, se alguma dessas hipóteses for sustentável, é fácil e coerente ¶
crer que, no nascimento de cada homem e mulher, Deus sopra em seu corpo um espírito que vive, exceto em alguns poucos casos de idiotas que não compreendem. Em alguns casos, disse ele, pode haver acidentes, pelos quais o espírito deixa de entrar nesses corpos assim dados, os quais, por isso, carecem de algumas das faculdades naturais do homem. ¶
Quando li esse livro erudito e comparei essas teorias com o testemunho e o conhecimento dados aos Santos dos Últimos Dias, meu coração transbordou de gratidão, ao contemplar nossa crença em Jesus Cristo e as gloriosas verdades reveladas aos Santos dos Últimos Dias, nestes dias, por meio do Profeta Joseph Smith; pois nos é dado o testemunho de que conhecemos a origem do espírito do homem. Sabemos que somos filhos de Deus, o Pai eterno, não de nenhuma maneira misteriosa, mas verdadeiramente a prole, uma centelha, como alguém já disse, da chama eterna do Pai eterno. Fomos criados à sua imagem, de maneira natural, nascidos de pais celestiais. Nascidos nesta terra, vivemos e morremos, e nossos espíritos retornam a Deus, que lhes deu a vida, filhos de um grande Pai cuja glória é levar a efeito a salvação e a vida eterna de seus filhos sobre a terra. Sabemos com certeza esta grande verdade, que o homem é de natureza dupla, e que há dentro dele um espírito que há de sobreviver para sempre. Que coisa esplêndida, começar com o conhecimento de nossa origem e destino, para que não haja dúvida em nossas almas. Avançamos cada dia de nossa vida com o pensamento de que somos verdadeiramente filhos de Deus, vivendo como ele deseja que vivamos, se obedecermos aos mandamentos que nos deu. ¶
Que coisa esplêndida saber que o nosso proceder na vida é aceito por Deus; saber como ser iniciado em sua Igreja. ¶
Sabeis quantos há que aceitaram formas de batismo diferentes da nossa? Alguns creem na aspersão, outros na efusão, outros na imersão; mas a maioria diz que isso é desnecessário. Deus revelou a lei, de modo que sabemos o caminho para entrar pela porta e sentir que somos aceitos por ele, isto é, pelo batismo por imersão para a remissão dos pecados, administrado por alguém que tem autoridade. Este é, seguramente, o caminho que Deus assinalou para sermos membros de sua Igreja. Assim, eu poderia continuar apontando, se o tempo permitisse, uma série de outras coisas sobre as quais a família humana está em dúvida e dividida, mas que Deus nos revelou, de modo que sabemos. E, por fim, mas o maior de tudo, Deus nos dá uma segurança, um testemunho de sua própria vida e de seu amor por nós; e sabemos que esta obra é verdadeira, e que, se seguirmos seus ensinamentos e ouvirmos os líderes desta Igreja, não como cegos seguidores de cegos, não como adoradores ignorantes, mas como adoradores esclarecidos, tementes a Deus, temos em nossa própria alma um testemunho de que o "mormonismo" é verdadeiro, e que, se o vivermos, independentemente do que os outros façam, Deus nos recompensará com a vida eterna e a salvação. ¶
Vêm tempos difíceis sobre a terra. Vivemos um tempo difícil, em que o coração dos homens está tremendo, mas encaramos o futuro calmamente, com a segurança de que, se cumprirmos o nosso dever, Deus nos trará em segurança através dele. Qual é o nosso dever neste momento? Ora, é tão claro que não precisamos errar. «Cremos que todos os homens têm a responsabilidade de suster e apoiar ¶
«o governo do lugar em que residem, desde que protegidos em seus direitos inerentes e inalienáveis pelas leis de tal governo; e que o motim e a rebelião são inadequados a todo cidadão assim protegido e devem ser punidos convenientemente; e que todos os governos têm o direito de estabelecer leis que, a seu ver, sejam mais adequadas para assegurar os interesses públicos; ao mesmo tempo, contudo, mantendo sagrada a liberdade de consciência» (D&C 134:5). Como se nos indicou, cremos que este governo foi estabelecido sob a direção de Deus, para um grande e poderoso propósito. Cremos que a liberdade é um dos direitos inalienáveis de um povo livre. É nosso direito, é nosso dever defender o que é certo, defender a proteção daquilo que Deus nos deu, com a calma segurança de que jamais um rei governará esta terra, que é uma terra dedicada à liberdade; mas pode ser que sejam necessários atos de nossa parte para manter e sustentar essa liberdade e as bênçãos que nos são asseguradas por este governo. Pode exigir até mesmo nossa vida, mas é nosso dever encarar o futuro, fazer tudo o que nos for exigido, à medida que nos chegue pela luz que Deus nos dá; cumprir nosso dever, e deixar a consequência com aquele que, como sabemos, fará com que esta sua obra seja, em última análise, triunfante. Sabemos que não devemos ficar sentados, indolentes, sem fazer nada, porque ele fez estas grandes promessas, depois de tudo o que revelou. As leis do evangelho não podemos recusar-nos a obedecer, quando ele nos deu convênios e nos assinalou claramente o nosso dever. Não podemos ficar à espera e dizer que ele o fará. Ele espera que andemos na luz que nos foi dada, e que cumpramos bem o nosso dever, para que sejamos dignos de receber suas gloriosas bênçãos. Ele nos deu a incumbência de pregar o evangelho em toda terra e clima. ¶
Para mim, isso é uma grande bênção; traz um espírito de reconhecimento e gratidão, pois no evangelho posso encontrar uma doce segurança que me conduz a uma vida melhor; pois, em meio às condições que encontramos no mundo, nas formas de governo, Deus revelou o caminho para eu andar e ser um bom cidadão. Ser um bom membro desta comunidade significa ser um bom Santo dos Últimos Dias, significa ser um bom membro da Igreja e do reino de Deus; e assim, quanto ao futuro, com esta segurança, nas palavras do poeta, ¶
«Vencer devemos, pois nossa causa é ¶
justa, e este seja nosso lema: em Deus ¶
confiamos.» ¶
Isto, para mim, meus irmãos e irmãs, é a luz da verdade. Desejo buscar fazer a vontade de Deus e cumprir a missão que ele me deu. ¶
«A incredulidade cega certamente erra, e em vão examina as suas obras; ¶
Deus é seu próprio intérprete, e ele fará tudo claro.» ¶
Amém. ¶