Divindade da missão e do ministério
Hyrum M. Smith
É coisa solene e quase temível estar no meio das hostes reunidas de Israel, com a responsabilidade de dirigir-lhes a palavra sobre os princípios vivos do evangelho de Jesus Cristo; e, no entanto, é também um grande privilégio proclamar esses gloriosos princípios e testificar daquelas coisas que nós mesmos sabemos. Fui grandemente fortalecido pelas observações dos irmãos que falaram às congregações ontem. Falaram da mesma maneira como costumam falar os servos de Deus. ¶
Proclamaram o evangelho em termos inequívocos. Não houve ambiguidade, nem hesitação, mas declararam a verdade tal como o Espírito Santo lhes dava a expressar, luz e conhecimento. Sinto-me levado a repetir em minha mente as palavras daquele hino que acabamos de cantar, sempre que ouço os servos de Deus pregar o evangelho: ¶
"Que firme alicerce, ó Santos do Senhor, ¶
Está posto para vossa fé em sua excelente palavra." ¶
Os testemunhos dos Presidentes Smith e Penrose, a respeito da divindade do ministério e da missão de Jesus Cristo, e a respeito de sua vida, morte e ressurreição, são seguros. Estão de acordo com os fatos, e estão em grande contraste com as crenças do mundo sobre esses grandes princípios. Estive lendo, ontem à noite, um artigo de um dos mais proeminentes, e talvez influentes e renomados, representantes da cristandade moderna, e também um dos principais expoentes do que se conhece como alta crítica. ¶
Era um artigo sobre o mesmo tema que formou grande parte do discurso do Presidente Penrose, e ao qual também se referiu o Presidente Smith. Este ensaio é o último de uma série de ensaios escritos sobre "Os Últimos Dias de Jesus Cristo." Este ensaio intitula-se: "Vitória," e o autor diz, numa nota de rodapé referente ao seu ensaio: "Este ensaio não é, nem pretende ser, um argumento. É simplesmente uma confissão de fé, por mim muitas vezes expressa anteriormente em sermões, ensaios e livros; não peculiar a mim, mas tão antiga quanto a cristandade, e a herança comum dos discípulos de Cristo." Não obstante declarar seu ensaio uma simples confissão de fé, desejo lê-lo em contraste com o que foi dito ontem, e com a verdade sobre esta doutrina tal como exposta nas sagradas escrituras. O cavalheiro diz: ¶
"A ressurreição de Jesus Cristo não foi um acontecimento extraordinário. Foi uma evidência extraordinária de um acontecimento ordinário. Todos os homens morrem como Cristo morreu. Todos os homens, desde que Deus soprou no homem o fôlego de sua vida, têm ressuscitado dos mortos como Cristo ressuscitou. Morte e ressurreição são sinônimos. São simplesmente aspectos diferentes do mesmo fato. Ambas são a separação do espírito do corpo. Ressurreição é o brotar do espírito para fora do corpo. Morte é a decomposição do corpo quando o espírito abandonou a habitação temporária. Se eu cresse que a ressurreição de Jesus Cristo foi um acontecimento excepcional, poderia ter a dificuldade de crença que experimentam alguns de meus amigos céticos. Mas não penso que tenha sido um acontecimento excepcional. É excepcional apenas neste aspecto: que, de algum modo, os discípulos desesperados tiveram evidência da vida contínua de seu Mestre, o que baniu seu desespero, transformou seu caráter e os dotou de nova vida. Teria o espírito do Mestre retornado para reanimar o corpo que deixara? Ou teria o espírito desencarnado aparecido aos olhos desvendados de seus discípulos? Não sei. Há alguns incidentes narrados nos evangelhos que indicam uma conclusão, alguns incidentes que indicam a outra. Não é material determinar qual opinião é correta." ¶
E isso é o que este homem declara ser uma simples confissão de fé. ¶
Não sei como um homem poderia fazer uma confissão mais enfática de incredulidade, ou, talvez, uma profissão mais positiva de descrença. Morte e ressurreição sinônimas! É espantoso quão longe da verdade podem vaguear os eruditos não inspirados pelo Espírito de Deus. Morte e ressurreição são antônimos do tipo mais pronunciado. Uma é a exata e perfeita antítese da outra. Morte é a dissolução do corpo, e a ressurreição é a reanimação do corpo; sim, a real e literal reunião do Espírito com o corpo. "Não é material determinar" se o "Espírito reanimou o corpo que havia deixado"? Que loucura! É, possivelmente, a mais material, fundamental e vital questão de todo o evangelho. Pois, se Cristo não ressuscitou dos mortos, tal como relatado nas escrituras, então nossa esperança é vã, e não há salvação. Se a doutrina deste homem é verdadeira, então toda a vida e o ministério de Cristo são falsos, e Cristo não é as primícias dos que dormem, e Cristo não rompeu as cadeias da morte, nem abriu os túmulos para os que morrem. Ele diz que morte e ressurreição são ambas a separação do espírito do corpo, ou "simplesmente aspectos diferentes do mesmo fato." A separação do espírito do corpo não é de modo algum a ressurreição. A ressurreição é a ressuscitação do corpo, que há de ser retomado outra vez pelo espírito, e essa ressurreição, ou reunião do corpo e do espírito, será a redenção da alma do homem. ¶
É o corpo mortal que morre, não o espírito imortal. O espírito, que está vivo e não morre, não pode ser ressuscitado. O corpo morre quando o espírito o abandona. ¶
Ressurreição significa vir da morte para a vida, e, como é o corpo que morre, é o corpo que deve ser levantado e trazido novamente à vida. O termo ressurreição nunca é usado senão em relação ao corpo. Ora, ele declara, em sua confissão de fé, que "não sabe" se o espírito desencarnado reanimou aquele corpo que morreu quando pendia crucificado na cruz, e que foi descido e sepultado. Graças ao Senhor que as escrituras, tal como citadas ontem, estabelecem em termos inequívocos o fato de que aquele mesmo corpo foi reanimado, ressuscitado e retomado. Ele de fato ressuscitou ao terceiro dia. "Se há," como aqui se afirma, "alguns incidentes narrados nos evangelhos que indicam conclusão contrária," é apenas porque os homens que encontram tais incidentes não são iluminados pelo espírito da verdade, o qual lhes testificaria do fato de que Cristo de fato ressuscitou, e de fato se mostrou a seus servos, e de fato ministrou entre eles. E, se isso há de ser considerado incerto, se há de ser exposto pelo espírito da alta crítica à dúvida, então o que há na história bíblica, ou no relato da vida e do ministério de Jesus Cristo, em que se possa confiar? Não poderíamos igualmente pôr em dúvida todo outro incidente ali registrado a respeito do Senhor Jesus Cristo? Não poderíamos duvidar do relato de seu nascimento, e do aparecimento dos anjos naquela gloriosa ocasião, cantando aquele cântico de paz na terra e boa vontade para com os homens? Não poderíamos, e não estaríamos justificados em, duvidar da história de que seus pais o levaram ao Egito; em duvidar de que, quando menino, ele se assentou entre os doutores discutindo os grandes princípios da escritura? Não poderíamos duvidar de seu sermão do ¶
monte, e duvidar de seus milagres, duvidar de sua seleção e escolha dos doze apóstolos, e do envio deles a pregar o evangelho? Poderíamos duvidar, não, não seríamos forçados a duvidar, de toda a sua doutrina, de tudo o que disse ou fez, tal como registrado na escritura, se não pudermos confiar naquilo que é declarado a respeito de sua ressurreição dos mortos. Multidões de cristãos já rejeitaram a Bíblia como história por causa de tais "simples confissões de fé," como esta feita por este homem. Não há dúvida alguma de nenhuma dessas coisas na mente dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Temos conhecimento da verdade daquilo que está exposto na santa Bíblia, e nisso somos mais afortunados do que o mundo. Se é verdade, tal como revelado nesta dispensação, que muitas coisas grandes e preciosas foram tiradas daquele livro que foi entregue aos judeus — a Bíblia, a história de Cristo e de seus discípulos — e que, como resultado disso, o mundo anda errante em incredulidade, em descrença, em dúvida e em negação das coisas expostas nas sagradas escrituras, nós, os Santos dos Últimos Dias, somos mais afortunados do que o mundo, e é nossa missão declarar de tal modo a gloriosa verdade que o mundo possa tornar-se tão afortunado quanto os Santos dos Últimos Dias no que se refere a compreendê-la. Essas muitas coisas preciosas, que foram tiradas da palavra de Deus por homens perversos, cujo resultado foi obscurecer a verdadeira palavra de Deus tal como a encontramos nas escrituras, foram novamente reveladas nos últimos dias, com o aparecimento do Livro de Mórmon. Este é um volume de escritura de igual autoridade e igualmente divino que a Santa Bíblia. É um registro histórico no qual se preservam, em plenitude e pureza, as grandes verdades registradas na Santa Bíblia — com talvez esta diferença: que aquelas partes preciosas, que tornam clara a verdade ao entendimento de todo homem racional, não estão faltando, mas foram supridas. O Presidente Penrose expôs ontem a verdade a respeito da ressurreição do Senhor, tal como está claramente escrita no Novo Testamento. Explicou seu aparecimento diante de seus discípulos em seu corpo que fora crucificado, exibindo-lhes as feridas em suas mãos, pés e lado, convidando-os a tocá-lo e ver por si mesmos que não era um espírito, mas o próprio Cristo, que fora crucificado e sepultado, mas que ressuscitara do túmulo. Expôs a verdade de que Cristo partiu o pão com eles; de que comeu peixe e favo de mel com eles; de que ministrou entre eles e os fez compreender, não de modo incerto, mas de maneira mais segura e positiva, que ele de fato estava vivo novamente. Corroborando as escrituras, e como testemunha do Novo Testamento a respeito dessas grandes questões, está o Livro de Mórmon. Leiamos uma palavra ou duas desse sagrado registro: ¶
Jesus Cristo mostra-se ao povo de Néfi, enquanto a multidão estava reunida na terra de Abundância, e ministrou-lhes; e desta maneira mostrou-se a eles. ¶
E então aconteceu que se havia reunido uma grande multidão do povo de Néfi nos arredores do templo que ficava na terra de Abundância; e estavam maravilhados e surpresos e mostravam uns aos outros a grande e maravilhosa transformação que havia ocorrido. ¶
E também conversavam a respeito deste Jesus Cristo, de cuja ¶
morte haviam recebido o sinal. ¶
E aconteceu que enquanto estavam assim conversando uns com os outros, ouviram uma voz que parecia vir do céu; e olharam em todas as direções, porque não entendiam a voz que ouviam; e não era uma voz áspera nem forte; entretanto, apesar de ser uma voz mansa, penetrava-lhes até o âmago, de modo que não havia parte de seu corpo que não tremesse; sim, penetrou-lhes na própria alma e fez-lhes arder o coração. ¶
E aconteceu que tornaram a ouvir a voz e não a compreenderam. ¶
E novamente, pela terceira vez, ouviram a voz e aguçaram os ouvidos para escutá-la; e seus olhos estavam voltados para o lugar de onde vinha o som; e olhavam fixamente para o céu, de onde vinha o som. ¶
E eis que na terceira vez compreenderam a voz que ouviram; e ela lhes dizia: ¶
Eis aqui meu Filho Amado, em quem me comprazo e em quem glorifiquei meu nome — ouvi-o. ¶
E aconteceu que, ao entenderem, voltaram outra vez os olhos para o céu; e eis que viram um Homem descendo do céu; e ele estava vestido com uma túnica branca; e ele desceu e colocou-se no meio deles; e os olhos de toda a multidão estavam voltados para ele e não se atreviam a abrir a boca, nem sequer uns para os outros; e não sabiam o que aquilo significava, porque supunham que era um anjo que lhes aparecera. ¶
E aconteceu que ele estendeu a mão e falou ao povo, dizendo: ¶
Eis que eu sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi testificada pelos profetas. ¶
E eis que eu sou a luz e a vida do mundo; e bebi da taça amarga que o Pai me deu e glorifiquei o Pai, tomando sobre mim os pecados do mundo, no que me submeti à vontade do Pai em todas as coisas desde o princípio. ¶
E aconteceu que quando Jesus pronunciou estas palavras, toda ¶
a multidão caiu por terra; porque se lembraram de que havia sido profetizado entre eles que Cristo lhes apareceria depois de sua ascensão ao céu. ¶
E aconteceu que o Senhor lhes falou, dizendo: ¶
Levantai-vos e aproximai-vos de mim, para que possais meter as mãos no meu lado e também apalpar as marcas dos cravos em minhas mãos e em meus pés, a fim de que saibais que eu sou o Deus de Israel e o Deus de toda a Terra e fui morto pelos pecados do mundo. ¶
E aconteceu que a multidão se adiantou e meteu as mãos no seu lado e apalpou as marcas dos cravos em suas mãos e seus pés; e isto fizeram, adiantando-se um por um, até que todos viram com os próprios olhos, apalparam com as mãos e souberam com toda a certeza, testemunhando que ele era aquele sobre quem os profetas escreveram que haveria de vir. ¶
E depois de se terem todos aproximado e verificado por si mesmos, clamaram a uma só voz, dizendo: ¶
Hosana! Bendito seja o nome do Deus Altíssimo! E lançaram-se aos pés de Jesus e adoraram-no. (III Néfi 11.) ¶
Eis um registro livre de restrições e não contaminado, revelado pelo poder de Deus, traduzido pelo poder de Deus, chegado até nós como uma história que não pode ser refutada, para corroborar a história que podemos ler na Bíblia a respeito deste grande e importante, todo-importante, incidente e fato da ressurreição dos mortos, a reanimação do corpo crucificado do Senhor Jesus Cristo. ¶
Joseph Smith, na dispensação da plenitude dos tempos, quando foi indagar do Senhor por conhecimento e entendimento, teve o grande e glorioso privilégio de uma visitação do Pai e do Filho, e, pela quarta vez ¶
na história registrada, Deus testificou de seu Filho divino, por sua própria voz. Três vezes o Senhor o havia testemunhado desde os céus, mas na quarta vez ele o declarou na presença de Joseph, o profeta. Nas margens do Jordão, quando ele saíra da sepultura das águas em novidade de vida, e para cumprir toda a justiça, a voz de Deus soou dos céus, declarando: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." Novamente, num alto monte na Palestina, no momento da transfiguração, a mesma voz de Deus, vinda dos céus, foi ouvida dizendo: "Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o." De novo, à multidão reunida junto ao templo, na terra de Abundância, no hemisfério ocidental, durante o aparecimento pessoal de Cristo aos nefitas, Deus, seu Pai, testificou dele nestas palavras: "Eis aqui meu Filho Amado, em quem me comprazo e em quem glorifiquei meu nome — ouvi-o." Depois, a Joseph Smith, o Profeta, no ano de 1820, no bosque em Palmyra, Nova Iorque, acompanhado de seu Filho Jesus Cristo, e ambos na presença do Profeta Joseph, Deus, o Pai, apontando para o Filho e dirigindo-se a Joseph, disse: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" ¶
Ele foi ressuscitado; tinha um corpo de carne e ossos tão tangível quanto o do homem, e assim também o tinha o Pai. Assim também o terão todos os homens quando ressuscitarem dos mortos. A ressurreição não é a separação do espírito do corpo. A ressurreição não é sinônimo de morte. A ressurreição é a abertura dos túmulos, o chamado dos mortos que neles estão, a entrega, pelo mar, dos mortos que nele estão, a reanimação dos corpos físicos, os corpos mortais dos homens que foram "semeados em corrupção, ressuscitados em incorrupção," "semeados em ignomínia" e ressuscitados em honra e glória, semeados em mortalidade e ressuscitados em imortalidade, "semeados em fraqueza, mas ressuscitados com vigor," e glorificados à semelhança do glorioso corpo do Senhor Jesus Cristo. Não há outra ressurreição, sejam quais forem as confissões de fé dos agnósticos e incrédulos do mundo. ¶
Regozijo-me na verdade, no conhecimento da verdade tal como foi revelada aos Santos dos Últimos Dias nestes últimos dias. Regozijo-me por os homens poderem levantar-se e, pelo poder do Espírito Santo, declarar a verdade tal como Deus a declarou, como digo, em termos inequívocos, mas de maneira que traz consigo fé, convicção, conhecimento e testemunho, até a vida eterna. Deus abençoe os Santos dos Últimos Dias, torne-os verdadeiros e fiéis. Estas coisas foram novamente reveladas nestes últimos dias. Testifico de sua veracidade, e vivo na esperança da gloriosa ressurreição, para que eu, com os fiéis em Cristo, possa ter permissão de ressuscitar na ressurreição dos justos, revestido de glória, imortalidade e vida eterna, e que Deus implante esta fé em medida crescente em meu coração e no coração de todos os que tomam sobre si o nome de Cristo, o Senhor, para que permaneçamos fiéis ao testemunho até o fim. Então sei que ressuscitaremos novamente, para sermos exaltados e nos assentarmos em glória no reino celestial de nosso Deus, e louvor seja dado a Deus, o Pai, e a Jesus Cristo, o Redentor do mundo, por esta esperança para sempre, em nome de Jesus. Amém. ¶
Um solo sacro, intitulado "Ó Descansa no Senhor," foi cantado pela Irmã Lillie S. Shipp. ¶