Bem-Estar dos Santos e Testemunho dos Líderes da Igreja
Heber J. Grant
Regozijo-me por ter novamente a oportunidade de reunir-me com os Santos em conferência geral. Tenho apreciado as observações que até agora se fizeram, e, em humildade, oro para que o mesmo bom Espírito que inspirou tudo o que foi dito continue durante o restante da reunião de hoje, e por toda a conferência. Desejo um interesse em vossa fé e em vossas orações, para que as observações que eu venha a fazer sejam feitas sob a inspiração do Espírito do Senhor. Ao estar diante do povo, jamais tive nem desejei, e espero e oro para que nunca venha a ter, outro desejo senão o de poder dizer algo que os inspire a viver a vida de Santos dos Últimos Dias. ¶
Há cinquenta e quatro anos, quando eu era uma criancinha, andei de trenó com o Presidente Brigham Young, isto é, corri e segurei-me na traseira do trenó, com a intenção de andar um quarteirão e depois descer e caminhar para casa; mas o Presidente Young conduzia uma parelha tão boa, ou pelo menos seu cocheiro a conduzia, que não ousei soltar-me, e assim segui até chegarmos ao Cottonwood, e então, quando o trenó diminuiu a marcha para atravessar aquele riacho, saltei fora, e o Presidente me viu. Ele disse: "Parai, Irmão Isaac, parai. O menino está quase congelado. Ponde-o debaixo da manta de búfalo e aquecei-o." Isaac Wilson era seu cocheiro. Depois que me aqueci, ele perguntou meu nome, e falou-me de meu pai, e do amor que lhe tinha. Disse-me que dissesse a minha mãe que desejava que ela me enviasse ao seu escritório dali a seis meses, para uma visita com ele; e dali a seis meses fui fazer a visita. Desde então, há cinquenta e quatro anos, até o dia de sua morte, fui intimamente relacionado com o Presidente Brigham Young, e o mesmo posso dizer a respeito de John Taylor, e de todas as autoridades gerais d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Por trinta e quatro anos e meio tenho sido uma das autoridades gerais. Tenho estado associado a eles em todos os seus conselhos. Conheço o coração desses homens. Conheço seus desejos. Conheço sua devoção a Deus e a tudo o que é para a elevação e o melhoramento da humanidade. Posso testemunhar que sei, tão certamente quanto sei que vivo, que cada palavra proferida aqui esta manhã pelo Presidente Joseph F. Smith, testificando da honra, da virtude, da integridade e da retidão dos homens que presidiram esta Igreja, é verdadeira. Regozijo-me por, em todas as minhas associações com as autoridades gerais da Igreja desde os seis anos de idade, jamais ter ouvido sair dos lábios desses homens, em público ou em particular, uma só palavra que não fosse para o benefício, a elevação, o melhoramento moral e intelectual, físico e espiritual dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Regozijo-me por, em todas as minhas viagens, dentro ou fora do país, jamais ter encontrado, em todo o mundo, nada nos ensinamentos de homens não inspirados que tivesse para mim a menor atração. Regozijo-me por, quanto mais entro em contato com o mundo e os povos do mundo, mais me regozijo na força e no poder do evangelho de Jesus Cristo. Regozijo-me, além da minha capacidade de exprimir, por o Senhor ter dado aos Santos dos Últimos Dias, como indivíduos, um testemunho, um conhecimento próprio da divindade desta obra em que estamos empenhados, de modo que nós, como indivíduos, não precisamos depender do testemunho de outros. Regozijo-me por todas as manifestações de poder, juntamente com os dons e graças do evangelho que havia na Igreja quando o Salvador esteve na terra, ou imediatamente após a sua crucificação, serem hoje desfrutados em plenitude pelos Santos dos Últimos Dias fiéis, leais, verdadeiros e patrióticos. Regozijo-me no fato, e muitas vezes tenho falado disso nas várias conferências por toda a Igreja, de que, à medida que este evangelho tem sido pregado por todo o mundo, homens e mulheres de toda denominação e de todo clima lhe têm prestado obediência. Regozijo-me por, na pregação do evangelho, homens com toda a sua sabedoria mundana jamais terem conseguido capturar nenhum dos jovens leais e fiéis que saíram para proclamá-lo. O mundo sustenta que o chamado "mormonismo" não é verdadeiro, que nossa religião é um engano, uma armadilha e uma fraude, e que Joseph Smith foi um falso profeta. Quereis dizer-me que os jovens de nossa Igreja, doces, limpos, puros, retos e honestos, que jamais ouviram senão o bem em todos os dias de sua vida, seriam de tal modo negligenciados pelo Senhor, que ele não fosse suficientemente bom, em oitenta e tantos anos, para mostrar a um deles o erro de seu caminho e apontar-lhe a vereda estreita e apertada que leva de volta a ele? ¶
Os ministros das diferentes seitas, com toda a sua sabedoria mundana, jamais conseguiram converter nenhum de nossos fiéis jovens missionários, muitos dos quais saíram para proclamar o evangelho restaurado sem experiência, educação ou instrução, no que se refere ao saber dos livros; mas, por outro lado, com um testemunho ardente em seu coração da divindade desta obra. ¶
Contudo, alguns desses jovens sem experiência têm conseguido converter homens que estudaram para as várias denominações religiosas. Homens têm abandonado seu ministério, seu púlpito, e até seu salário, para abraçar o evangelho de Jesus Cristo, que lhes foi levado por homens humildes e fracos, no que dizia respeito ao conhecimento mundano, mas poderosos no conhecimento do evangelho e do plano de vida e salvação, que foi novamente restaurado à terra por meio do instrumento do Profeta Joseph Smith. Alega-se que Joseph Smith foi um falso profeta, mas quero testificar aqui hoje que o mesmo poder, a mesma inspiração, o mesmo espírito que acompanha os élderes ao proclamarem a divindade da missão de nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo, como Salvador do mundo, acompanha os homens quando proclamam que Joseph Smith foi seu Profeta e seu representante em restaurar novamente à terra o plano de vida e salvação. ¶
Quero testificar que o dom de línguas, o dom de cura e a inspiração de Deus Todo-Poderoso têm acompanhado a proclamação deste evangelho por todo o vasto mundo. As evidências, os frutos do evangelho de Jesus Cristo, têm acompanhado a sua pregação em toda terra e em todo clima. ¶
Enquanto presidia a missão europeia, tive ocasião, repetidas vezes, de dar instruções a jovens que ali chegavam para pregar o evangelho — jovens que não tinham educação, que não tinham experiência, e muitos dos quais se levantaram pela primeira vez em sua vida e prestaram seu testemunho no escritório de Liverpool. Eu lhes dizia que estudassem o evangelho e orassem pela inspiração do Espírito do Senhor; e prometia-lhes que, se apenas abrissem a boca e testificassem que Jesus Cristo era o Redentor do mundo, e que Joseph Smith era seu profeta, Deus lhes daria algo a dizer, ainda que sua mente estivesse, a princípio, em branco. Não apenas vinte, mas muitas dezenas de élderes têm-me testificado que essa promessa se cumpriu, e que Deus, de fato, os abençoou sempre que testificaram da divindade da missão de Joseph Smith, o fundador, sob Deus, da Igreja de Cristo novamente sobre a terra. ¶
Regozijo-me em saber, por mim mesmo e não por outrem, que os líderes deste povo foram e são os servos de Deus, homens que amaram e amam a Deus, homens dispostos a fazer sacrifícios pela difusão do evangelho, dentro e fora do país. ¶
Sinto hoje testemunhar diante de vós da energia incansável, dos trabalhos incessantes do falecido Presidente Francis M. Lyman, que presidiu o Conselho dos Doze em nossa última conferência geral. Lembro-me, quando menino, de que sempre procurava sentar-me a cerca de dois terços do caminho para trás, ao vir a este tabernáculo. Sempre me sentava no corredor, e lembro-me de quando o Presidente Lyman regressou de sua primeira e de sua segunda missão. Lembro-me de ouvir as palavras ardentes de seu conhecimento do evangelho. Lembro-me de sua pregação sobre a Palavra de Sabedoria, e da impressão tão forte que causou em meu coração, para que eu continuasse a viver a Palavra de Sabedoria, tão forte quanto a de qualquer homem que jamais ouvi. Lembro-me de quando ele disse que um Santo dos Últimos Dias deveria amar a obra de Deus mais do que uma xícara de café, ou uma xícara de chá, ou uma mascada de fumo, ou um trago de bebida alcoólica; que, quando Deus lhe houvesse revelado que esta era a sua obra, qualquer converso deveria mostrar gratidão suficiente para deixar de lado aquelas coisas que Deus disse não serem boas para o homem. Lembro-me de como ele me inspirou com a determinação de continuar a ser absolutamente honesto com Deus no pagamento do meu dízimo. Lembro-me de como ele disse que era dever dos Santos dos Últimos Dias manter registro, e ser tão absolutamente honestos em pagar a Deus um décimo de tudo o que ganhassem como se estivessem em sociedade com o Senhor; que, assim como nenhum Santo dos Últimos Dias honesto roubaria de seu sócio terreno, por que então não seria honesto com Deus? Testifico que ele era honesto. Testifico que Francis M. Lyman era um pagador de dízimo honesto — honesto até a medula. Testifico que ele observava a Palavra de Sabedoria, e em toda ala e em toda estaca, onde quer que sua voz se erguesse, ele nada ensinava senão o que ele mesmo praticava. Ele se foi de nós. Estive quase tão intimamente associado a ele quanto um menino a seu pai, durante trinta e seis anos — dois anos em Tooele e trinta e quatro anos no Conselho dos Doze, e em todas as ocasiões, em público e em particular, dentro e fora do país, ele estava sempre repleto do espírito de ensino e admoestação, e mostrava bom exemplo ao povo. Tenho ouvido muita gente testificar de seu amor por ele. ¶
Provavelmente todos vós já ouvistes o som de sua voz; e permiti-me exortar-vos a lembrar não apenas os ensinamentos de Francis M. Lyman, mas também a seguir seu esplêndido exemplo de honestidade, integridade, diligência e energia incansável em trabalhar pelo avanço do reino de Deus. Se fizerdes isso, posso prometer-vos que, quando a batalha da vida terminar, e tiverdes o privilégio de encontrar o Presidente Lyman além do véu, tereis a mesma alegria, quando ele vos receber, que experimentastes aqui na terra quando ele vos pôs o braço ao redor e disse: "Deus te abençoe, meu irmão," ou "minha irmã." Esta é a minha oração, que Deus a conceda; peço-a em nome de Jesus Cristo. Amém, ¶