Pulpit

Senhor, a Quem Iremos Nós?

Joseph E. Robinson

Conferência Geral de Outubro de 1916·Reunião ao Ar Livre·1916-10-08

Meus irmãos vos têm testificado do evangelho restaurado que Joseph Smith, divinamente escolhido e ordenado por Deus, o Pai, foi instrumento em Suas mãos para revelar novamente, o convênio que traz a salvação aos filhos dos homens. Eles declararam que qualquer homem pode conhecer a doutrina, se é de Deus ou se é do homem, se ele fizer a vontade do Pai. Temos cantado a respeito destes últimos dias de salvação e graça, regozijando-nos no fato de que o testemunho de Cristo é nosso, de que tudo o que foi falado pela boca dos santos profetas de Deus, desde o princípio do mundo, foi revelado ao homem neste dia e época. Fomos admoestados de que é essencial nascer da água e do Espírito, para que possamos ver e entrar no reino dos céus. E podemos saber tudo isto com tanta certeza e segurança quanto os apóstolos de

tempos antigos. Quando o Senhor Jesus ministrava entre os filhos dos homens, e estes tinham conhecido dos milagres que Ele havia realizado — e grandes multidões O haviam seguido em Seu ministério — Ele perguntou a Seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" E eles responderam: Alguns dizem que és João ressuscitado dos mortos, ou Moisés, ou algum dos antigos profetas. Então disse Ele: "E vós, quem dizeis vós que eu sou?" Vós, com quem tenho ministrado e trabalhado em amor, vós que vos unistes a mim em serviço, que conheceis minha vida particular, meus pensamentos, minhas doutrinas? E Pedro, o membro sênior de seu quórum, respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." Esse homem, por causa de seu caráter firme, por causa de sua estabilidade e evidente inabalabilidade, havia sido chamado de Cefas, uma pedra, ou Petros em grego, Pedro como é traduzido em português. E o Mestre, sempre pronto com aquelas ilustrações tiradas da vida cotidiana do povo, disse: "Em verdade, tu és Pedro," (ou tu és uma pedra,) "e sobre esta pedra," designando algo diferente de Pedro, "edificarei a minha igreja — e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Isso, para mim, não é apenas a pedra da revelação, mas a verdade revelada naquela revelação, o testemunho de que Jesus é o Cristo. Pois "carne e sangue," disse o Mestre, "não to revelou, mas meu Pai, que está nos céus." Carne e sangue, experiência, convívio, não deram esse conhecimento a Pedro, de que Cristo era o Messias, mas Deus o revelou a ele — e contra esse testemunho do Espírito Santo, as portas do inferno não prevaleceriam.

Aprendemos que Ele atraía após Si multidões de pessoas que vinham pelos pães e peixes, que vinham por mórbida curiosidade para aprender algo de Sua doutrina, e ver os milagres que Ele realizava. Quando Ele percebeu isso certa vez, repreendeu-os severamente por sua falta de fé, por virem pelo pão, não da vida, mas da terra; que, assim como seus pais haviam sido alimentados com maná do céu, assim também eles pensavam ser alimentados naquela dispensação, mas Ele disse: "Eu sou o pão da vida;" e aqueles que quisessem ser verdadeiramente Seus discípulos deveriam participar de Sua carne e de Seu sangue. Isso lhes pareceu um dito difícil, e murmuraram a respeito, e afastaram-se dEle. Quando Ele os viu partindo, disse a Seus discípulos: "Quereis vós também retirar-vos?" Então Simão Pedro Lhe respondeu: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós cremos e sabemos que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo."

Gostaria de perguntar aos Santos dos Últimos Dias de hoje: a quem mais ireis? Somos admoestados de que precisamos de arrependimento aqui em casa. Somos informados de que somos negligentes em nossas obrigações de guardar os mandamentos de Deus, que seguimos as loucuras e a insensatez do mundo em busca de suas riquezas e prazeres. Talvez não me caiba criticar meus irmãos e irmãs em casa, se isso for verdade; mas a quem mais iremos em busca da salvação, senão ao Senhor Jesus Cristo? e "que será de nós, se negligenciarmos tão grande salvação?" Se estamos satisfeitos com a fama do mundo, se estamos contentes com suas riquezas, se deixamos de ajuntar para nós tesouros no céu, se somos egoístas em nossas vidas e não vivemos o evangelho de serviço, de que importância é a vida para nós?

Onde encontraremos uma recompensa? E de onde virá nossa recompensa?

Tenho estado no mundo tempo suficiente para conhecer algo de suas filosofias, e quero testificar-vos aqui, com toda a sobriedade, que elas são vãs, que não podem trazer conforto à alma que é provada e severamente angustiada. Quero dar testemunho de que o evangelho de Cristo, tal como é entendido pelos Santos dos Últimos Dias, é a única coisa que trará conforto e força às almas dos homens quando provados além das coisas do sofrimento mortal; e há momentos que vêm a todos nós, suponho, que nos parecem Getsêmanis, coisas que são tragédias em nossas vidas; e em tudo isso, com a experiência que tenho, ainda não encontrei um homem que pudesse extrair força e conforto das filosofias do mundo, nem dos ensinamentos pervertidos dos ministros da assim chamada religião.

Tenho visto a mãe em expectativa nas dores do parto, cumprindo o fim de sua criação, como cooperadora do Eterno, para tabernacular na carne um dos espíritos de Seus filhos. Nas profundezas de suas dores e angústia, invariavelmente ela se volta para Deus, o Pai, em busca de força, de conforto e de poder para suportar. Então, quando felizmente dá à luz, ela se regozija como Sara de outrora, porque uma alma nasceu. Novamente ela se volta ao Senhor, com o coração cheio de gratidão e louvor, exultando em sua maternidade. Enquanto observa esse pequenino crescer e desenvolver-se e aproximar-se da maturidade, desabrochando sua doçura como um botão que se torna flor no jardim do amor, novamente noto que ela busca a Deus, em sua alegria, por força, por discernimento, por sabedoria, para guardar sabiamente e bem, e dirigir corretamente as emoções daquela alma viva.

Quando o sombrio anjo da morte vem e fecha os doces olhos em silêncio, silencia os lábios, esfria a face e a mão, novamente a mãe, e também o pai, se voltam para a Fonte de toda luz, verdade e conforto, pois somente dEle pode vir o conforto e a recompensa.

Nada no que o mundo diz sobre nossas vidas, começando nesta terra, terminando com a morte, traz recompensa, traz compensação pelas dores do parto; nada que as filosofias do mundo possam nos dar, mesmo em toda a amplitude e profundidade de sua expectativa de imortalidade, pode trazer compensação pelas esperanças frustradas, pelas aspirações, ideais e desejos interrompidos pela morte. Edificamos em nossas próprias almas para a eternidade. Esperamos que nossos filhos perpetuem nossos nomes e nossa honra nas congregações de Israel para sempre. Descuidados e indiferentes, porventura, possamos ser, mas queremos que nossos filhos sejam homens honrados, corajosos e piedosos; queremos que nossas filhas sejam virtuosas, doces e recatadas em suas vidas; e em nossas esperanças, não as circunscrevemos às possibilidades desta vida, mas apenas àquilo que as eternidades podem oferecer e trazer-nos. Quando essas esperanças são esmagadas e morrem, por causa dos entes queridos que nos são tirados, não há nada que o mundo possa oferecer para compensar nossos ideais e esperanças mais caros. Devemos firmar nossa fé em Deus. Devemos olhar para Ele, o Autor da luz, da vida e da salvação, em busca de conforto, da renovação da esperança e da fé, e da realização final de tudo o que nossos corações afetuosos ousaram sonhar e desejar.

Tenho visto um povo expatriado de sua terra, despojado e

espoliado, com os pés doloridos e exaustos, carregando em suas mãos seus bens terrenos, vindos da república ao sul de nós, para esta boa terra de liberdade. Vi o espírito de fé e coragem repousar sobre eles e dar-lhes esperança quando tudo o mais neste mundo os teria despojado da confiança em Deus e os feito sentir que sua sorte era, de fato, mesquinha e miserável; foi porque eles, como Pedro, tinham o testemunho do Espírito Santo de que Jesus é o Cristo, e que com Ele estão as palavras da vida eterna; que com Deus há recompensa e galardão, e que, se os homens forem fiéis e verdadeiros, ainda que tudo lhes possa ser arrancado nesta vida, no mundo vindouro há riquezas eternas — onde nem a traça consome, nem a ferrugem corrói, nem os ladrões minam e roubam. Quando fui visitar alguns deles, uma em particular, mãe de meia dúzia de filhinhos, com o marido ausente no campo missionário, encontrei-a com mais de cem outras pessoas reunidas em uma grande casa vazia, recém-concluída, com pisos de cimento, sem conforto algum, nada com que cozinhar sua comida, sem camas e sem comida — eu esperava lágrimas e lamentações, e, talvez, dessa terna mãe e esposa, um pedido de que seu marido fosse enviado a ela. Suas primeiras palavras, depois de me cumprimentar, foram: "Oh! Cante para nós; cante 'Eu irei aonde queiras que eu vá, querido Senhor, serei o que queiras que eu seja.'" De onde vem tal fé e coragem em condições tão adversas? Somente de uma profunda convicção de que Deus está sobre todas as coisas, de que Suas providências não falharão, e de que aqueles que confiam nEle terão a vida eterna.

Vi uma cidade devastada por terremoto e incêndio, e centenas de milhares de pessoas ficaram sem lar. Nenhuma palavra do mundo exterior, exceto que rumores diziam que até mesmo nossa grande cidade havia caído em cinzas e ruínas ao chão, e que o Templo de Deus fora atingido por um raio e destruído — que as maiores cidades do Leste haviam afundado no mar. Muitos homens acreditaram que era o fim do mundo; e então, não apenas vi o santo orar; a freira rezando o rosário, e o padre com o crucifixo — mas também aqueles que se haviam declarado infiéis e incrédulos vieram de joelhos, e clamaram a Deus por livramento — pois, na hora de sua extrema necessidade, reconheceram o fato de que, à parte dEle, não há vida eterna, nem segurança neste mundo. Tenho visto o espírito de paz e conforto vir sobre os homens em condições adversas, por causa dessa fé. Se me permitirdes, contarei um incidente. Um de nossos irmãos, que fora enlutado por um doce bebê em casa, um pequenino muito promissor, veio com sua esposa e três outros filhinhos para o campo missionário, dando voluntariamente seu serviço como representante de seu quórum de Setenta, para pregar o evangelho de Jesus Cristo. O espírito de conforto veio a eles ali, em meio ao serviço. Certo dia, voltando de seu trabalho, encontrou as duas meninas, de sete e cinco anos, à porta, indo fazer um recado para a mãe. "Esperai um momento, meus amores," disse ele, "e eu irei convosco," e entrou, como pai afetuoso que era, primeiro para cumprimentar sua esposa após o labor do dia. As pequenas, em sua empolgação ou zelo, haviam seguido sem o pai, e, quando ele as procurou, um terrível pressentimento o invadiu de que algo triste lhes acontecera, e ele se virou a tempo de ver um grande automóvel atropelar as duas,

e, quando as tiraram debaixo das rodas, uma das pequenas, a mais bela, a mais velha, estava esmagada quase além de reconhecimento — não restava um único órgão de seu pequeno corpo intacto, nem sequer um osso. A outra criança estava inconsciente. Foi levada às pressas a um hospital de emergência. Os médicos trabalharam sobre ela, e sentiram que não havia esperança para sua vida. Com cinco anos de idade, ela já havia aprendido a lição da fé e da oração, e, abrindo os olhos por um breve momento para os ansiosos observadores e trabalhadores a seu redor, pediu pelos élderes; e eles a abençoaram. Ela adormeceu, e acordou na manhã seguinte inteiramente sã, no que dizia respeito aos seus membros, embora contundida da cabeça aos pés. Ela jamais admitiria que estivesse machucada. No inquérito do legista, meu bom irmão, esse Setenta, foi perguntado que acusação queria fazer, e ele respondeu que não tinha acusação a fazer. Quiseram colocar a pequena no banco das testemunhas para depor sobre a morte de sua irmã, e o pai disse: "Não! Ela é apenas uma criancinha, não entenderia. Por que a perturbaríeis com perguntas? A morte veio à minha família, eu a aceito, e beijo a mão que me castiga." E o Juiz disse: "Não desejais estabelecer algum fundamento para uma ação de indenização?" "Por que deveria? Acidentes acontecem a todos os homens. Este não foi intencional. O homem que o causou sofre mais do que eu sofro. Tenho a doçura da vida de minha filha para recordar, tenho a certeza de que a terei e a abraçarei novamente nas eternidades que hão de vir, enquanto ele terá de atravessar esta vida sempre assombrado pela lembrança deste dia terrível." E o Juiz irrompeu em lágrimas, e disse,

"Nunca, em minha vida de vinte e cinco anos de prática, ouvi tal discurso, ou senti tal espírito."

No funeral, no dia seguinte, muitos estranhos se reuniram, e esse terno pai pediu o privilégio de dizer algumas palavras sobre o corpo de sua própria filhinha. "Quero que vós, Santos," disse ele, "e vós, meus irmãos e irmãs no campo missionário, vos lembreis de que Deus está sobre todas as coisas. Não quero que questioneis Sua divina providência. Não quero que, por um único momento, permitais que isto afete vossa fé, mas cuidai, por vossas vidas, por vosso ministério e serviço, de elevar um degrau mais alto o estandarte da verdade e da equidade, para que os homens, vendo vossas boas obras, observando vossa fé e vossa lealdade, sejam constrangidos a entrar no rebanho de Cristo e receber a recompensa que só Deus pode dar em tempos como este."

De onde mais, em todo o mundo, pode vir tal força, senão do conhecimento de que Deus está sobre todas as coisas, e de que Jesus é o Cristo? E assim, os homens ali tiveram de render homenagem ao testemunho daquele homem, e foram constrangidos a sentir que havia algo na fé do Santo dos Últimos Dias que ultrapassava os limites da terra, que se estendia ao infinito, que apertava as mãos com o Eterno, e tinha comunhão com Ele, porque, sustentado sob tais circunstâncias, ele não se queixaria; não acusaria a Deus, nem O consideraria severo ou injusto, mas submeter-se-ia mansamente, e aguardaria o tempo em que, confortados, pudessem seguir seus caminhos designados até que sua vida terrena estivesse terminada, e então, novamente, pudessem reclamar e reter para a eternidade aquela doce pequenina cuja vida fora sacrificada.

Este é o mesmo espírito que esteve com Pedro, que esteve com o velho Jó, quando lhe foram arrancados sua família, suas riquezas e seu lar. Companheiros ou consoladores miseráveis o perturbavam com o pensamento de que fora algo que ele fizera ou deixara de fazer — que trouxera sobre ele essas terríveis calamidades; — sua própria esposa, voltando-se, ao que parece, contra ele, ou ao menos tão dominada pelo sofrimento e pela humilhação, sugeriu que ele amaldiçoasse a Deus e morresse. Clamando desde sua absoluta fraqueza, doença e humilhação, do pó de um lar antes feliz, ele disse: "Ainda que ele me matasse, nele esperarei.

      • Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus, a quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outro; e por isso as minhas entranhas se consomem dentro de mim." Se temos este testemunho, esta fé, tal coragem como esta, meus irmãos e irmãs, não precisamos temer pelo futuro de Sião. Mas, se formos negligentes em nossas obrigações, se formos desobedientes, ingratos e ímpios, cairemos sob o anátema daqueles que rejeitam a salvação e a Jesus Cristo contra si mesmos. Portanto, sejamos fiéis e verdadeiros, para que as promessas feitas a nossos pais, as promessas feitas a nós pelo próprio Deus, por meio da revelação e da inspiração de Seu Espírito neste dia, sejam nossas, é o que peço, em nome de Jesus. Amém.

O coro da Associação de Melhoramentos Mútuos cantou: "O Espírito de Deus, como um fogo, está ardendo."

ÉLDER JOSEPH W. McMURRIN.

Como citar este discursoJoseph E. Robinson, “Senhor, a Quem Iremos Nós?”, Conferência Geral de Outubro de 1916, Reunião ao Ar Livre (1916-10-08). Pulpit Vault, 1916-10-28-joseph-e-robinson-remarks-28. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).