Uma Obra Maravilhosa e um Prodígio: A Igreja, o Reino e a Segunda Vinda
James E. Talmage
A presença destas multidões em cada conferência recorrente da Igreja, e particularmente o espírito de seriedade e devoção que o povo manifesta, apresentam-se a mim como evidências marcantes da obra maravilhosa e do prodígio que o Deus de Israel realizou e está realizando nestes últimos dias. Essa grande obra, que os profetas de épocas passadas predisseram como característica do dia para o qual olhavam com ansiosa e ávida expectativa, é o estabelecimento da Igreja e o desenvolvimento e crescimento desta na dispensação da plenitude. ¶
O reino de Deus foi estabelecido sobre a terra. Nos escritos antigos, tanto escriturísticos quanto de outra natureza, as expressões "Reino de Deus" e "Reino dos Céus" eram frequentemente usadas de forma intercambiável; ou pelo menos nossas traduções modernas desses escritos nos apresentam usos intercambiáveis desses nomes e títulos das grandes instituições; mas nisto, como em muitos outros casos, encontramos a luz da revelação moderna iluminando e tornando claro aquilo que de outra forma poderia ser obscuro e em parte ininteligível. Por meio das revelações dadas nesta época, reconhecemos o fato de que há uma distinção entre o reino de Deus e o reino dos Céus. A Igreja estabelecida na presente época, incorporando o Evangelho restaurado, é o Reino de Deus, é a Igreja de Jesus Cristo. ¶
Os membros dessa Igreja são frequentemente chamados de "mórmons", e a Igreja passou a ser mais conhecida como a "Igreja Mórmon" do que por seu nome próprio e título distintivo, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Nós, como povo, não mantemos um forte protesto contra o uso do termo "mórmon" e seus diversos derivados; embora lamentemos o fato de que possa surgir mal-entendido na mente de indagadores e investigadores quanto ao significado desse nome, que originalmente foi usado como apelido em sua aplicação à Igreja. Podeis chamar-nos de mórmons, se quiserdes; lembrai-vos, porém, como deveis — deveis, se tiverdes respeito à verdade — que esta não é a igreja de Mórmon. Mórmon foi um homem, um homem muito digno e um homem muito grandioso em seus dias, quando viveu na carne, e uma personagem muito grandiosa desde então; mas foi um homem entre homens, e embora seu nome seja muito propriamente aplicado ao resumo de certos registros antigos, resumo que ele fez e complementou com muitos escritos seus, agora publicados sob o nome de Livro de Mórmon, a Igreja não é sua igreja, nem é a igreja de Pedro, ou de Tiago, ou de João, nem é a igreja de Joseph Smith, nem de Brigham Young, nem de Joseph F. Smith, nem a igreja das atuais autoridades do corpo eclesiástico. É a Igreja de Jesus Cristo, e é a única Igreja sobre a face da terra que afirma autorização divina para usar o nome do Salvador da humanidade como parte de sua designação distintiva. ¶
É muito próprio que indaguemos qual mensagem particular a Igreja assim distinguida tem a dar ao mundo a respeito de seu Mestre, sua Cabeça divina, o Filho do Deus vivo, em defesa de suas pretensões a um título tão honroso quanto o que carrega. Em primeiro lugar, ela reitera toda a verdade que foi dada em eras passadas e dispensações anteriores a respeito de Jesus Cristo e de Seu ministério, e expõe com clareza, juntamente com outras questões do maior valor, um conhecimento acima de qualquer preço, que foi dado à Igreja como nova revelação na época em que vivemos. Entre as características distintivas dos ensinamentos da Igreja a respeito do Salvador e Redentor da raça humana estão estas: ¶
Primeira, a Igreja afirma a unidade e a continuidade da missão do Cristo em todas as eras. Isto envolve, necessariamente, a realidade, a veracidade, de Sua pré-existência e pré-ordenação, ou pré-ordenação no estado de espírito. ¶
Segunda, o fato de Sua condição divina antemortal. ¶
Terceira, a realidade de Seu nascimento na carne como fruto natural de uma paternidade divina e mortal. ¶
Quarta, a realidade de Sua morte e ressurreição física, em consequência da qual o poder da morte sobre a humanidade será, por fim, vencido. ¶
Quinta, a literalidade da expiação por Ele realizada, e a exigência absoluta do cumprimento individual das leis e requisitos de Seu Evangelho como o único meio pelo qual a salvação pode ser alcançada. ¶
Sexta, a restauração de Seu Sacerdócio e o restabelecimento de Sua Igreja na época atual, que é verdadeiramente a dispensação da plenitude dos tempos. ¶
Sétima, a certeza de Seu retorno à terra em futuro próximo, com poder e grande glória, para reinar em pessoa e em presença corporal como Senhor e Rei. ¶
No interesse da concisão, li estas várias especificações tal como foram resumidas e aparecerão na próxima edição de uma obra agora publicada pela Igreja para seus membros e para o mundo a respeito da vida e missão de Jesus, o Cristo. Convido vossa atenção para o último destes pontos especificados, a certeza do retorno de Jesus Cristo à terra em futuro próximo, para reinar sobre a terra em pessoa, em presença corporal, como legítimo Rei da terra. Tenho certeza de que já lestes sobre os maravilhosos incidentes relacionados com a convivência do Cristo ressuscitado com os apóstolos e outros, entre o tempo de Sua ressurreição e o de Sua ascensão do Monte das Oliveiras, e quando, naquele dia memorável, Ele conduziu os Onze que ainda Lhe eram fiéis, e a quem havia ordenado ao santo apostolado, em direção a Betânia. Enquanto conversava com eles e lhes dava instruções finais, e sem dúvida encorajamento, Ele Se ergueu do meio deles, e eles O viram ascender até que Se ocultou de sua vista. Em adorativo assombro, perceberam a presença de outras personagens além de si mesmos — mensageiros de branco vestidos, vindos do céu, que, notando seu espanto e assombro, dirigiram-lhes estas palavras: "Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse mesmo Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu O vistes ir." A partir daquele dia, os apóstolos pregaram o retorno do Cristo à terra, assim como os profetas, antes deles, haviam predito o grande acontecimento. Pela segunda vinda de Cristo não nos referimos a Suas manifestações a profetas escolhidos, a indivíduos ou a poucos, tais como Seu ministério a Saulo de Tarso ou Sua aparição a Joseph Smith em 1820, e novamente no templo de Kirtland após a organização da Igreja, mas a um retorno em glória do qual todo o mundo saberá. Sua vinda será como o relâmpago que fulgura de leste a oeste, para ser vista por todos os homens. ¶
Esta Igreja proclama a doutrina da iminente volta do Cristo à terra em simplicidade literal, sem reserva mental ou de qualquer outro tipo em nossa interpretação das predições escriturísticas. Ele virá com o corpo de carne e ossos no qual Seu Espírito estava tabernaculado quando ascendeu do Monte das Oliveiras. Uma das características distintivas da Igreja a respeito desse grande acontecimento, que, na linguagem das escrituras, é tanto glorioso quanto terrível, é sua proximidade. Está bem próximo. A missão da Igreja é preparar a terra para a vinda de seu Senhor. As profecias bíblicas são numerosas; as profecias do Livro de Mórmon são abundantes a respeito do retorno do Cristo. As próprias palavras dEle, tanto antes quanto depois de Sua crucificação e ressurreição, são inequívocas, definidas, convincentes e condenatórias para aqueles que não fecham voluntariamente os ouvidos à verdade. Referindo-Se a Si mesmo, o Salvador disse: "Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras." Lede o contexto no 16º capítulo de Mateus. Os profetas que viveram antes do meridiano do tempo disseram relativamente pouco, embora seu testemunho seja abundante e inteiramente suficiente, a respeito do retorno do Cristo; pois estavam dedicados a ensinar a doutrina de Sua primeira vinda na carne, para viver entre os homens, sofrer, morrer e ressuscitar dentre os mortos. Mas, depois de Sua ressurreição e ascensão, as palavras dos mestres inspirados foram definidas ao predizer a certeza de Seu retorno; e nesta época e nesta era do mundo Ele falou com Sua própria voz a Seus profetas, gravando neles o fato de que a hora de Sua vinda em juízo está próxima. Assim, poucos meses depois de a Igreja ter sido organizada, no ano de 1830, conforme registrado na 29ª seção da Doutrina e Convênios, o Senhor Jesus Cristo disse a Seu Profeta Joseph Smith: ¶
"Porque a hora está próxima e logo vem o dia em que a Terra estará madura; e todos os soberbos e os que praticam iniquidade serão como o restolho; e queimá-los-ei, diz o Senhor dos Exércitos, para que não haja iniquidade sobre a Terra; ¶
"Porque a hora está próxima e aquilo que foi dito por meus apóstolos deve ser cumprido; pois como disseram, assim há de acontecer; ¶
"Pois revelar-me-ei do céu com poder e grande glória, com todas as suas hostes, e em retidão habitarei com os homens na Terra por mil anos; e os iníquos não permanecerão." ¶
Um mês depois, ou pelo menos no mês seguinte, Ele falou de novo, admoestando Seus servos à diligência: ¶
"Portanto," disse Ele, "sede fiéis, orando sempre, mantendo vossas lâmpadas preparadas e acesas e tendo convosco óleo, para que estejais prontos na vinda do Esposo — "Porque eis que em verdade, em verdade vos digo que depressa venho. Assim seja. Amém." ¶
Referindo-Se aos ensinamentos dos apóstolos de antigamente, e particularmente a Suas próprias instruções a eles, e empregando a mesma figura pela qual havia tornado claro para eles que os homens podem saber da iminência de Sua vinda, pelos sinais que especificou, Ele disse em março de 1831, falando novamente por meio de Seu Profeta Joseph: ¶
"Olhais e vedes as figueiras e com vossos olhos as contemplais; e quando começam a brotar e suas folhas estão ainda tenras, dizeis que o verão está próximo; ¶
"Assim também será no dia em que eles virem todas essas coisas; então saberão que a hora está próxima. ¶
"E acontecerá que aquele que me teme estará esperando que venha o grande dia do Senhor, sim, os sinais da vinda do Filho do Homem; ¶
"E verão sinais e maravilhas, pois serão mostrados em cima nos céus e embaixo na Terra; ¶
"E verão sangue e fogo e vapores de fumaça; ¶
"E antes que venha o dia do Senhor, o sol se escurecerá, a lua tornar-se-á em sangue e as estrelas cairão do céu; ¶
"E o remanescente será reunido neste local; ¶
"E então me procurarão, e eis que virei; e ver-me-ão nas nuvens do céu, revestido de poder e grande glória, com todos os santos anjos; e quem não me procurar será rejeitado." ¶
Ainda mais, ao insistir junto à Igreja, nos primeiros dias de sua história, no fato de que não havia tempo a perder na preparação, pois o tempo era demasiado curto, Ele tornou claro que Sua vinda estava tão próxima que o tempo intermediário deveria propriamente ser chamado de hoje. "Eis que agora se chama hoje," disse Ele, "até a vinda do Filho do Homem; e em verdade é um dia de sacrifício e um dia para o dízimo de meu povo; pois aquele que paga o dízimo não será queimado na sua vinda, pois depois de hoje vem a queima. Isto é falado à maneira do Senhor; pois em verdade digo, amanhã todos os soberbos e os que praticam iniquidade serão como o restolho; e queimá-los-ei, pois sou o Senhor dos Exércitos; e não pouparei quem permanecer em Babilônia. Portanto, se credes em mim, trabalhareis enquanto se chama hoje." ¶
As escrituras abundam em declarações e reiterações, em afirmações repetidas e solenes do grande fato de que o dia da vinda do Senhor será um dia de glória e um dia de terror — de glória e recompensa para os que vivem retamente, e um dia de terror para os soberbos e para todos os que praticam iniquidade. Ora, muitos têm perguntado se interpretamos essa escritura como significando que, no dia da vinda do Senhor, todos os que não são membros da Igreja serão queimados, ou de outra forma destruídos, e que somente este pequeno grupo de homens e mulheres, muito reduzido em comparação com as incontáveis hostes de homens hoje vivos, será poupado da queima e escapará da destruição. Penso que não. Não creio que estejamos autorizados a impor essa interpretação à palavra do Senhor, pois Ele reconhece cada homem segundo a integridade de seu coração, e os homens que não puderam compreender o Evangelho, ou que não tiveram oportunidade de aprendê-lo e conhecê-lo, não serão contados entre os pecadores voluntariosos, próprios apenas para serem queimados como restolho; mas os soberbos, que se exaltam no orgulho de seus corações e se elevam acima da palavra de Deus e se tornam lei para si mesmos, e que voluntária e conscientemente negam as virtudes salvadoras da expiação de Cristo, e que buscam desviar outros da verdade, serão tratados por Ele conforme tanto a justiça quanto a misericórdia. ¶
Uma palavra a respeito da distinção entre o Reino e a Igreja. Como já foi dito, a expressão "Reino de Deus" é usada como sinônimo do termo "Igreja de Cristo"; mas o Senhor deixou claro que às vezes usava o termo "Reino dos Céus" em sentido distinto. Em 1832, chamou a atenção para isto nestas palavras, dirigindo-Se aos élderes da Igreja: ¶
"Escutai e ouvi uma voz como a de alguém enviado do alto, que é forte e poderoso, cujas idas chegam aos confins da Terra, sim, cuja voz se dirige aos homens: Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. ¶
"As chaves do reino de Deus foram confiadas ao homem na Terra, e dali rolará o evangelho até os confins da Terra, como a pedra cortada da montanha, sem mãos, rolará até encher toda a Terra; ¶
"Sim, uma voz clamando: Preparai o caminho do Senhor, preparai a ceia do Cordeiro, aprontai-vos para o Esposo; ¶
"Orai ao Senhor, invocai seu santo nome, divulgai suas obras maravilhosas entre o povo; ¶
"Invocai o Senhor, para que seu reino siga pela Terra e seus habitantes recebam-no e estejam preparados para os dias que virão, nos quais o Filho do Homem descerá no céu, revestido do esplendor de sua glória, para encontrar o reino de Deus que está estabelecido na Terra; ¶
"Portanto, que o reino de Deus vá avante, para que venha o reino dos céus, a fim de que tu, ó Deus, sejas glorificado no céu e na Terra; que teus inimigos sejam subjugados; pois tua é a honra, o poder e a glória, para todo o sempre. Amém." ¶
Tal era a oração, tal é a oração, prescrita para que este povo ore, não apenas para pronunciar em palavras, não apenas para dizer, mas para orar — para que o Reino de Deus siga avante na terra, a fim de preparar a terra para a vinda do Reino dos Céus. Aquela cláusula da oração do Senhor, "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu", não foi revogada. Estamos orando pela vinda do Reino dos Céus, e nos esforçamos para preparar a terra para sua vinda. O Reino de Deus, já estabelecido sobre a terra, não aspira à dominação temporal entre as nações. Não busca derrubar nenhuma forma existente de governo; não pretende exercer controle em assuntos que pertencem aos governos da terra, exceto ensinando princípios corretos e procurando levar os homens a viver de acordo com os princípios do verdadeiro governo, antes que o Reino dos Céus venha e se estabeleça sobre a terra com um Rei à frente. Mas, quando Ele vier, governará e reinará, pois esse é Seu direito. ¶
Muitos de nós tendemos a pensar que o dia de Sua vinda, o dia do estabelecimento do Reino dos Céus em seu poder e glória, ainda está muito distante. Considero que essa suposição se baseia, talvez, em nosso desejo, não menos real por hesitarmos em expressá-lo em palavras. Como vos sentiríeis se hoje aqui fosse feita uma proclamação autorizada de que, no dia seguinte, ao literalmente nascer o sol novamente a leste, o Senhor apareceria em Sua glória para tomar vingança sobre os iníquos e estabelecer Seu Reino sobre a terra? Quem entre vós se regozijaria? Os puros de coração se regozijariam, os justos de alma se regozijariam, mas muitos de nós desejaríamos que o acontecimento fosse adiado. Estamos muito inclinados a adotar, ou podemos permitir-nos cair, na disposição de espírito dos fariseus apegados às regras e dos saduceus casuísticos dos dias do Cristo na carne. Eles estavam empenhados em manter vivo o interesse do povo por um futuro Messias, por um Cristo que estava para vir, mas não por um que já estivesse entre eles. Somos muito relutantes em aceitar e crer naquilo que não desejamos crer, e o mundo hoje não deseja crer que a vinda do Cristo está próxima, e, por consequência, toda sorte de subterfúgios é inventada para explicar as palavras claras da escritura. Regozijamo-nos na simplicidade. O Evangelho de Jesus Cristo é maravilhosamente simples. Nós, como povo, valorizamos, creio eu, as realizações acadêmicas em seu pleno valor. Embora fomentemos e incentivemos o treinamento e o desenvolvimento da mente — quase, diria eu, ao limite pleno, certamente quase ao limite de nossa capacidade material, como testemunham o esforço incessante e o contínuo dispêndio de vastas somas na manutenção das escolas da Igreja, e a disposição com que os Santos dos Últimos Dias, como membros da comunidade, se sujeitam, juntamente com seus concidadãos, a impostos para a manutenção de escolas sob controle e direção estatal — nós, todavia, sustentamos que as realizações acadêmicas não são essenciais para uma plena compreensão do Evangelho de Jesus Cristo. Não cremos que um diploma de um seminário teológico seja parte essencial das credenciais de um mestre ou pregador da palavra de Deus. Não obstante, nos empenhamos em incentivar e auxiliar materialmente o treinamento da mente e o desenvolvimento de todas as faculdades que conduzam ao avanço educacional no sentido mais verdadeiro do termo, mas sustentamos que o Evangelho é simples, de modo que todos os que assim quiserem possam compreendê-lo. São os soberbos e os que praticam iniquidade que fecham os olhos, os ouvidos e os corações aos sinais dos tempos, à palavra do Evangelho e ao testemunho do Cristo. Há muito é uma desculpa favorita dos homens que não estavam prontos para a vinda do Senhor dizer: "O Senhor demora Sua vinda." Não deis importância demais ao fato de que Ele até agora tenha adiado Sua vinda, pois Ele nos disse repetidamente que o dia de Sua vinda está muito, muito próximo, mesmo às nossas portas. Há uma tendência entre os homens de explicar o que não desejam entender em sua simplicidade literal, e nós, como Santos dos Últimos Dias, não estamos inteiramente livres da mácula dessa tendência. Profecias ainda não cumpridas são, por muitos de nós, transformadas em objeto de hipóteses, teorias e interpretações forçadas. Lemos que um dos sinais característicos que precederão a segunda vinda de Cristo será o surgimento das tribos que se perderam da história, conduzidas para onde os homens ainda não as encontraram, e que nos é dito que serão trazidas por mão forte, pelo poder de Deus, e virão a Sião e receberão suas bênçãos das mãos de Efraim. Mas algumas pessoas dizem que essa predição deve ser explicada desta forma: um recolhimento está em curso, e tem estado em curso desde os primeiros dias desta Igreja; e assim as "Tribos Perdidas" estão agora sendo recolhidas; mas que não devemos esperar o retorno de nenhum grupo de pessoas hoje desconhecido quanto ao seu paradeiro. É verdade, o recolhimento está em curso, esta é uma dispensação de recolhimento; mas a profecia permanece de que as tribos serão trazidas de seu esconderijo, trazendo consigo suas escrituras, as quais se tornarão uma só com as escrituras dos judeus, a santa Bíblia, e com as escrituras dos nefitas, o Livro de Mórmon, e com as escrituras dos Santos dos Últimos Dias, tal como incorporadas nos volumes de revelação moderna. ¶
O Senhor o disse. Sou simples o bastante, meus irmãos e irmãs, para permanecer firme sobre a rocha da certeza de que nem um jota ou um til da palavra do Senhor deixará de se cumprir. Não vos permitais pensar que a vinda do Cristo significa apenas a disseminação de ideias diferentes ou mais avançadas entre os homens, ou simplesmente o progresso e o avanço da sociedade como instituição. Estes serão apenas incidentes da grande consumação, a consumação desta etapa ou época particular da obra do Senhor. O Senhor Jesus Cristo virá nas nuvens do céu, acompanhado das hostes celestiais, e Sua vinda será marcada por uma grande extensão da ressurreição dos justos, que está em curso desde aquele domingo de ressurreição em que Ele saiu do túmulo e retomou o corpo ferido e trespassado que havia deposto; e aqueles que não forem capazes de suportar a glória de Sua vinda, por causa de sua iniquidade, de sua imundícia e de seu estado voluntário de pecado, perecerão por meios naturais. Uma forte corrente elétrica passa em segurança por um condutor puro, mas onde encontra resistência, torna-se um poder destrutivo. Foi necessário que a obra pelos mortos fosse empreendida pelos vivos, que templos fossem erguidos e este trabalho vicário realizado, para que o coração dos pais falecidos se voltasse para seus descendentes ainda mortais, e o coração dos filhos mortais se voltasse para seus antepassados falecidos, para que a terra não fosse ferida com uma maldição na hora da vinda do Senhor. ¶
A Bíblia é muito simples para os que a leem com intenção sincera e honesta, como são todas as escrituras, mas é muito intrigante para os teólogos, muito intrigante, às vezes, para eruditos e intérpretes bíblicos que buscam aplicar-lhe apenas os critérios comuns entre os homens. Regozijo-me no testemunho do Salvador de que Ele é verdadeiramente o Cristo, e nós O proclamamos como tal. Grande interesse se manifesta neste momento pela obra e ministério de Jesus Cristo, não apenas entre os Santos dos Últimos Dias, mas no mundo em geral; e Ele tem sido analisado e avaliado e escrito de muitos pontos de vista, e visto de diferentes ângulos. Há volumes de publicação recente tratando do Cristo da literatura, do Cristo da história, do Cristo da razão, do Cristo da experiência. Nunca viveu homem de quem mais se disse ou cantou; e não há ninguém a quem se dedique maior parcela da literatura mundial. Mas a tendência é vê-lO por este ou aquele ângulo, e não olhar com visão direta. Sou grato por a Igreja a que pertenço pregar Cristo, e Este crucificado, e ressuscitado, o Cristo que ascendeu ao céu, o Cristo que virá novamente, o Cristo que foi a prole na carne, assim como no espírito, do próprio Pai Eterno, o Cristo que é o Salvador e Redentor da humanidade, ao lado de quem não há outro, ao lado de cujo nome não há outro nome debaixo do céu pelo qual a humanidade possa ser salva. Que Seu Espírito esteja sempre conosco, e que estejamos preparados para Sua vinda, peço humildemente, em Seu nome. Amém. ¶
"A Temple in Hawaii", letra de Ruth May Fox e música de Orson Clark, foi cantada por Ethelyn Walker, Hazel B. Neilson, James H. Neilson e Almy C. Clayton. ¶