O privilégio de assistir à Conferência
Charles W. Penrose
Sinto que é um grande privilégio poder reunir-me com meus irmãos e irmãs nesta conferência. Nunca senti tão intensamente o valor disso em minha vida como sinto hoje. Assisti a um grande número de conferências gerais da Igreja, bem como a conferências no exterior, nas diferentes missões, mas nunca me senti mais grato a Deus pelo privilégio de assistir a uma conferência do que hoje. Desfrutei plenamente das reuniões desta manhã, e presumo que a maior parte da congregação desta tarde estava presente na sessão matinal e ouviu os discursos proferidos pelo Presidente Smith e pelo Presidente Lund, e ouviu a música, o canto do coro e a canção entoada pelo Élder Ballard, que desfrutei junto com o restante da reunião. ¶
O Presidente Lund, no decorrer de suas palavras, fez a pergunta: por que nos tornamos Santos dos Últimos Dias, por que nos filiamos à Igreja apesar do vitupério lançado sobre ela, apesar da oposição do mundo e apesar do fato de que os "mórmons" eram e ainda são um povo desprezado pela grande maioria da humanidade. Pois bem, senti em meu coração que a resposta estava naquela canção que o Irmão Ballard cantou nesta manhã. Creio que o refrão dizia: "Se buscardes a Deus de todo o vosso coração, certamente O achareis." Talvez não sejam as palavras exatas, mas creio que esse era o sentimento, e podemos testificar que isso é verdade, e essa é a grande razão pela qual a maioria dos membros mais antigos desta Igreja se tornaram Santos dos Últimos Dias, recebendo a verdade nas várias nações do mundo e entre as várias denominações da Cristandade. Quando os élderes desta Igreja foram enviados nos primeiros dias de sua organização, saíram "sem bolsa nem alforje", da mesma maneira que viajavam os antigos apóstolos. Não levavam consigo dinheiro para custear sua jornada; não tinham salário, nem estipêndio, nem meios de sustento, senão aquilo que Deus levantava por meio de amigos para ministrar-lhes. Tinham de buscar ao Senhor. Encontraram-nO, e aqueles que os assistiam também recebiam essa bênção. Posso eu mesmo testificar que, quando ouvi o Evangelho pregado, já no início de 1850, fui ao Senhor. Fora educado para crer em Deus. Não sabia muito a Seu respeito, ainda que tivesse sido criado entre "cristãos", assim chamados. ¶
Aprendi que, quando Joseph Smith, o Profeta do século dezenove, desejou obter conhecimento da verdadeira Igreja, para descobrir qual era a verdadeira religião entre todas as seitas então existentes, ele seguiu o conselho de Tiago, que disse: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada; mas peça com fé." Essa é a grande chave para isso. Assim, Joseph, ainda menino, retirou-se para um bosque perto da residência de seu pai e invocou a Deus para que pudesse saber qual era a religião correta, pois grande número das religiões daquele tempo se ocupava em seus ajuntamentos de avivamento. Muitos de vós sabeis o que é isso; talvez alguns não saibam. O avivamento é uma espécie de entusiasmo religioso, com frequência uma embriaguez religiosa e espiritual; as pessoas estão "bêbadas, mas não de vinho, e cambaleiam, mas não de bebida forte", usando as palavras do profeta Isaías, e às vezes ficam delirantes e caem em todo tipo de excesso; e ele estava perplexo, sem saber qual era a religião verdadeira, e seguiu o conselho do apóstolo Tiago. Buscou ao Senhor e acreditava que Deus ouviria sua oração e lhe responderia, e em resposta à sua petição, o Pai e o Filho, Deus o Pai, Deus o Filho, Jesus Cristo, pois Ele era Deus e estava no princípio com Deus, como lemos na escritura antiga e moderna, e Deus o Pai e o Filho apareceram-lhe e falaram-lhe, e foi-lhe dito pelo Pai que ouvisse o Filho: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi." E o Filho falou a Joseph e disse-lhe que não seguisse nenhuma delas. Há um lado no caráter de Jesus de Nazaré um pouco diferente daquele em que Ele é geralmente retratado. ¶
Eu costumava cantar, quando era menino e ia à Escola Dominical: "Gentil Jesus, manso e brando, olha para mim, uma criancinha," e suponho que Ele era manso e brando em Seu caráter, e nos é ensinado que devemos manter um espírito cristão quando nos sentimos um tanto perturbados pelas falsidades de nossos inimigos. Mas Jesus tinha dois lados em Seu caráter, e um deles se manifestou nesta ocasião, embora não com tanta força quanto se manifestou em alguns períodos de Seu ministério na terra. Ele disse a Joseph: "Não sigas nenhuma delas. "Os professores de religião aproximam-se de mim com a boca, e com os lábios me honram, mas seu coração está longe de mim, e o temor que sentem por mim é ensinado pelos preceitos dos homens. Não sigas nenhuma delas; todas se desviaram." Recordai-vos, se estais familiarizados com a história de Jesus, o pouco que dela temos no Novo Testamento, que Ele tinha grande aversão àqueles fariseus autojustificados e outros de sua laia, e às demais seitas que eram hipócritas. "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito, e depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós." Ele não era muito manso e brando nessas ocasiões, nem o foi quando entrou no templo e fez um azorrague de cordas e derrubou as mesas dos cambistas e expulsou os que vendiam pombas. "A minha casa é casa de oração, mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. Saí daqui." Esse era o outro lado de Seu caráter, mas Ele era manso, brando e gentil para com todos quando eram sinceros, quando Ele sentia que professavam o que verdadeiramente sentiam. Quando os pecadores se arrependiam, Ele era bondoso e gentil para com eles e os acolhia. "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." É ali que Sua mansidão resplandece. Deveis lembrar-vos de que Jesus não era apenas o Cordeiro de Deus, morto desde a fundação do mundo, mas também o Leão da tribo de Judá, e virá o tempo em que Ele resplandecerá nesse caráter. Quando a obra estiver sendo levada à sua consumação e os reinos deste mundo se dispuserem contra Ele, Ele virá com Sua força, com o poder e a majestade de Seu poder, e os reinos deste mundo serão despedaçados diante do reino de nosso Deus e de Seu Cristo. ¶
Ora, falo assim a respeito de Jesus de Nazaré porque Ele está à frente desta obra em que estamos engajados. Isto não é seita religiosa alguma. Isto não é mera organização feita por homens. É divina, e o foi desde o princípio, e o Pai e Seu Filho apareceram e abriram a dispensação dos últimos dias. A maior de todas as dispensações da misericórdia de Deus para com o homem está aberta e lançada sobre a terra, e será levada a uma grandiosa e gloriosa consumação, pois todas as coisas Lhe serão sujeitas, e Ele, a quem pertence o direito de reinar sobre toda a terra, reinará. A promessa nos é feita como foi feita antigamente pelo Senhor ao povo: "Aproximai-vos de mim," diz o Senhor, "e eu me aproximarei de vós." Esse é o processo. Devemos aproximar-nos da Divindade, e a Divindade Se inclinará e condescenderá conosco e nos revelará aquilo que será para nosso bem, mas temos de nos aproximar dEle, como diz a canção, de todo o coração, e servir a Deus, e estar decididos a servi-Lo como Ele nos ordenou nestes últimos dias, de todo o coração, poder, mente e força. ¶
Isso é o que o Senhor ordenou antigamente e renovou novamente nestes últimos dias. Pois, por meio do Profeta Joseph Smith, a quem o Pai e o Filho falaram naquela visão celestial, Deus revelou a plenitude do evangelho eterno, e restaurou todas as ordenanças, ritos, poderes, privilégios e bênçãos a eles pertencentes, tal como foram desfrutados em tempos antigos. Deus é o mesmo "ontem, hoje e para sempre", e aqueles que se aproximam dEle de todo o coração O acharão e aprenderão dEle e O compreenderão. É claro que não esperamos compreender a Divindade em sua plenitude enquanto estivermos na mortalidade, mas há de vir o dia, segundo a escritura antiga e moderna, em que estaremos "face a face" com Ele e "O veremos como Ele é e seremos feitos semelhantes a Ele; mas todo aquele que tem esta esperança," diz o apóstolo João, "purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro." Eis aqui algo para considerarmos, meus irmãos, irmãs e amigos, se houver aqui alguém que não seja de nossa fé: há algo mais na religião do que crer na Divindade, algo mais do que receber ordenanças, cerimônias, ritos e organizações. O que é? É o Espírito e o poder de Deus. Jesus Cristo, ao explicar a Nicodemos aquele dito peculiar de que "se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus," e como Nicodemos não conseguia compreender, Ele o expôs desta maneira: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus." Isto é algo que todos devemos compreender. É necessário nascermos da água. Muitos de nossos religiosos modernos dizem que isso não importa, que a água não tem qualquer significado, e que, portanto, não importa se nascemos da água ou não. Mas Jesus Cristo estabeleceu como fundamento que "aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus." ¶
Nascer da água é muito fácil de compreender, se observarmos a vida, o caráter e o exemplo de Jesus Cristo. Ele iniciou Seu ministério, antes de entrar na pregação do Evangelho e realizar a obra que o Pai O enviou para fazer, indo a João Batista e sendo imerso no rio Jordão. Quando foi batizado por João, lemos que Ele saiu logo da água, e eis que os céus se abriram sobre Ele, e o Espírito de Deus repousou sobre Ele na forma ou sinal de uma pomba, e o Pai, dos céus, disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." Ele nasceu da água quando saiu do Jordão, e nasceu do Espírito quando o Espírito Santo repousou sobre Ele em forma visível. A voz do Pai proclamou que Ele Se comprazia nEle, e Ele "nos deixou o exemplo, para que sigamos os Seus passos." Não desejo tomar tempo com esse ponto em particular. Se lermos os Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento, notaremos o fato de que, sempre que saíam a pregar o Evangelho, proclamavam estes princípios: que, se alguém desejasse entrar na Igreja ou reino de Deus, teria de ser batizado para a remissão de pecados; e que o batismo era por imersão; era uma morte para a vida antiga e um novo nascimento para a vida nova. É ser "sepultado com Cristo no batismo", sendo levantado à semelhança da ressurreição de Cristo. ¶
Mas então impunham as mãos sobre os batizados, crentes arrependidos, e conferiam-lhes o dom do Espírito Santo. De modo que o Espírito Santo é necessário como um batismo; que o indivíduo deve ser batizado, imerso naquela influência, vivificado por ela, iluminado por ela, tornando-se assim um dos filhos de Deus por adoção no Evangelho. Verdadeiramente, disse o antigo apóstolo: "todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Ora, aqui está um duplo nascimento — o nascimento da água e o nascimento do Espírito, e desejo gravar na mente de meus irmãos e irmãs que devem ensinar isto a seus filhos, não apenas que sejam batizados na água quando tiverem oito anos, mas que "nasçam do Espírito", como o Senhor ordenou. Ele diz: "E também, se em Sião ou em qualquer de suas estacas organizadas houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado." Doutrina e Convênios 68:25. É esplêndido que, em cada mês, pouco antes do dia de jejum — para o qual o Presidente Smith chamou tão fortemente nossa atenção nesta manhã — haja, pouco antes do dia de jejum, um dia de batismos, e os pais enviam seus filhos, quando estão na idade apropriada, para serem batizados. É de esperar e crer que, antes de os enviarem, os instruam nestas coisas. O Senhor diz que, se não os ensinarem a compreender essa doutrina, o pecado recairá sobre a cabeça dos pais. No dia de jejum, geralmente, as crianças, depois de batizadas, são levadas à reunião de jejum, e sob a direção dos bispos, os élderes lhes impõem as mãos, e o Espírito Santo é confirmado e selado sobre elas de forma explícita. Mas cabe às crianças serem instruídas em como se voltar, em como se elevar a Deus de todo o coração, e, se assim o fizerem, O acharão e receberão aquele batismo e aquela inspiração do Espírito Santo do alto, sem os quais não podemos ver nem compreender as coisas de Deus. ¶
Pois, assim como o homem, pelo espírito do homem que nele está, compreende as coisas deste mundo, também ninguém pode compreender as coisas de Deus senão sob a influência e o poder do Espírito de Deus, a luz do Senhor, aquela luz divina que procede de Sua presença por toda a imensidão do espaço, aquela que está no sol, na lua, nas estrelas, na terra e em todas as coisas, e pela qual Ele operou quando fez os mundos, e pela qual Jesus, o Filho, que estava com o Pai no princípio, operou na formação deste globo. Foi Ele, Jesus o Cristo, nosso irmão mais velho em espírito, a quem o Pai falou no princípio, quando disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança", e assim por diante. Mas o Espírito Santo, o Consolador que Jesus Cristo disse que enviaria quando partisse, é "um personagem de espírito". Quando deixou Seus discípulos, disse que não os deixaria desamparados, mas lhes enviaria o Espírito da verdade da parte do Pai, o qual, quando viesse, os guiaria a toda a verdade e tomaria das coisas do Pai e do Filho e as mostraria a Seus apóstolos e àqueles que recebessem o dom do Espírito Santo. Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três personalidades separadas e distintas; cada um tem seu poder particular e sua esfera de operação, mas todos são um em mente, propósito e ação; os três são um nesse sentido. ¶
Ora, queremos que nossos filhos compreendam que podem aprender do Senhor tal como o Profeta Joseph aprendeu. Não que cada um deles deva receber manifestações visíveis como ele recebeu, pois ele foi uma testemunha especial suscitada pelo Todo-Poderoso para inaugurar a maior e mais grandiosa de todas as dispensações; mas para aprender a ser guiados pelo Espírito de Deus, a compreender seus sussurros, sua inspiração, e, se aprenderem isso e caminharem na luz, não serão desencaminhados. Quando aquelas vãs fantasias, a que o Presidente Lund aludiu nesta manhã, surgem de tempos em tempos e afastam algumas pessoas insensatas do caminho estreito e apertado, sabemos, pelo Espírito, o que elas são. Não são de Deus. Vêm para enganar, para escurecer a mente, para ofuscar o entendimento, para desviar as pessoas daquilo que Deus lhes mostrou ser a verdade. Os verdadeiros Santos dos Últimos Dias têm esta peculiaridade: nasceram de Deus, pela água e pelo Espírito. E esse Espírito é um espírito de revelação. É um espírito de inspiração: ilumina a alma, como aquilo que chamamos de luz artificial ilumina os olhos naturais. Estas lâmpadas que aqui hoje brilham dão o mesmo tipo de luz que vem do sol e da lua, e são uma propriedade e uma manifestação do espírito de verdade, a luz da verdade, a inteligência que sempre existiu, que jamais foi criada ou feita, o Espírito pelo qual Deus opera em toda a Sua criação e pelo qual Ele pode saber de nós sempre que o desejar, e nos contemplar, e pode ouvir e responder nossas orações. ¶
É um grande enigma para algumas pessoas como pode ser possível que uma pessoa, um indivíduo de forma e estatura, ocupando apenas um lugar de cada vez, possa ouvir as orações de Seu povo ou compreendê-las, como Davi disse que Ele faz. Ele disse: "Não há palavra ainda em minha língua, e eis que, ó Deus, tu já a sabes toda. Se eu subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também; e se eu tomar as asas da alva, e habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá." É claro que essas expressões são um tanto figurativas, mas há o grande fato de que Deus pode ser onipresente pelo poder de Seu espírito universalmente difundido, que procede de Sua presença por toda a imensidão do espaço, e Ele pode ver e discernir todas as coisas por esse poder, como disse a Enoque, e também a Moisés, como podeis ler na Pérola de Grande Valor. Moisés e Enoque foram, cada um, elevados de modo que pudessem ver, em certa medida, como a Divindade vê, e contemplaram a multiplicidade das criações de Deus; e quando Enoque declarou que, se um homem pudesse contar as partículas da terra, ou de um milhão de terras como esta, isso ainda não seria um começo do número das criações de Deus, então Deus lhe disse que Seu olho podia penetrar em todas elas. Pelo poder daquele Espírito, Ele vê, compreende e entende todas as coisas, e Seu cuidado vigilante e Suas misericórdias estão sobre todas as Suas obras. ¶
Há outra coisa relacionada a isso, que podeis compreender se lerdes o décimo capítulo do livro de Daniel. Não tomarei tempo para lê-lo. Não quero ocupar tempo demais. Há outros que falarão nesta tarde. Mas lede-o. Daniel, o profeta, cujas palavras estão se cumprindo, muitas delas, em nosso próprio tempo, predisse e viu em visão o surgimento do grande reino de Deus nos últimos dias, para suplantar e superar todos os reinos sobre a face da terra. Ele orou a Deus numa certa ocasião, e suas palavras não foram imediatamente respondidas, e jejuou e orou, e jejuou e orou, mas suas palavras não foram respondidas do modo que ele esperava, e, depois de passadas três semanas, um ser celestial apareceu diante dele, um anjo de Deus, e ele caiu por terra, e o anjo lhe disse: "E me disse: Daniel, homem muito amado, está atento às palavras que eu falarei contigo, e levanta-te sobre os teus pés; porque agora sou enviado a ti." E, quando ele se pôs de pé, o anjo lhe disse: "Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração para entender e para humilhar-te perante o teu Deus são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. Porém o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim por vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e agora vim por causa das tuas palavras." Três semanas haviam se passado desde que Daniel começara a orar pela bênção que desejava, e, por fim, o mensageiro veio responder-lhe e dar-lhe a informação pedida. ¶
Eis aqui algo revelado que dá uma pequena chave àqueles que desejam compreender o mundo por trás do véu, o mundo espiritual: que ele é organizado. Assim como a Igreja de Cristo está organizada aqui na terra, com quóruns, organizações e instituições em toda a sua beleza, harmonia e ordem, assim também é na esfera espiritual, e há personagens designados para diferentes posições e distritos daquela esfera, e podem proceder e agir de acordo com seu ofício, sua autoridade e a esfera de seu labor. Este anjo que veio da presença de Deus foi, evidentemente, combatido pelos poderes do mal, e foi detido no caminho por três semanas — vinte e um dias. Às vezes, então, nossas orações não são respondidas imediatamente. A de Daniel foi adiada até a hora em que o anjo veio. Ler esse capítulo e refletir um pouco pode abrir os olhos de alguns de nós quanto às operações de Deus em Seu grande universo, tanto no mundo espiritual quanto no mundo natural. ¶
E isto é uma certeza: se de todo o coração buscarmos a Deus, Deus Se aproximará de nós, e O acharemos; não esperando, é claro, que O contemplaremos visivelmente, que Ele descerá a todos e aparecerá em Sua personalidade, mas, pelo poder de Seu divino espírito, Ele Se aproximará de nós, e nós nos aproximaremos dEle, e todo Santo dos Últimos Dias que verdadeiramente nasceu do Espírito, assim como da água, compreende algo disso. Não conheço alegria ou prazer, sensação alguma deleitosa, que se compare a contemplar as visões da eternidade pelo poder do Espírito Santo, e ter a alma elevada acima das coisas sublunares e de todos os assuntos terrenos e materiais, para aproximar-se de Deus, nosso Pai Celestial. Ele é nosso Pai, o Pai de nossos espíritos. Viemos dEle. Ele nos enviou para cá. Estamos aqui com um propósito e um objetivo, e Ele planeja nosso progresso, nosso desenvolvimento até a plenitude de Sua própria imagem, semelhança, poder e glória; mas, para compreendê-Lo e a Seus caminhos, e desfrutar de Sua luz e de Sua presença, e realmente achá-Lo, devemos ser vivificados pelo poder do Espírito Santo, e aqueles que buscam ao Senhor e procuram servi-Lo de todo o coração, mente e força poderão aproximar-se dEle. ¶
Sei que isso é verdade. Quando eu era menino, aprendi este Evangelho e fui ao Senhor e indaguei-Lhe a respeito. Nenhum membro da família a que pertenço abraçou este Evangelho; nenhum de meus amigos ou associados nas diferentes seitas o recebeu, até onde soube; mas eu mesmo fui ao Senhor. Cri nEle, orei a Ele, e Ele iluminou minha mente, acendeu minha alma, deu-me a convicção da verdade desta obra, e segui adiante e recebi a ordenança do batismo e a ordenança da confirmação, pela imposição das mãos de homens designados por Deus para ministrar essas ordenanças. Recebi a remissão de meus pecados, recebi o dom do Espírito Santo, e desde então até o presente posso testificar que Deus tem estado comigo em terra e em mar, entre os ímpios e entre os Santos. Em todos os meus labores e deveres, durante os anos que se passaram, Deus tem sido "meu refúgio e minha força"; nEle prevaleceremos. Nossos inimigos podem continuar seus ataques; podem menosprezar os líderes desta Igreja como o fazem hoje; podem conspirar contra nós, mas havemos de prevalecer, não porque somos tão sábios, tão poderosos ou tão numerosos, mas porque Deus é nosso refúgio e nossa força, e Ele ouve nossas orações, e responde nossos pedidos quando aquilo que pedimos é sábio para Ele conceder. ¶
Devemos lembrar-nos disso, meus irmãos e irmãs. Às vezes, na doença, as pessoas clamam ao Senhor e se irritam porque suas orações não são imediatamente respondidas. Isso é muito insensato; somos todos insensatos, suponho, até certo ponto, fracos, pois somos humanos; mas devemos compreender que Deus é nosso Pai, e os pais nem sempre dão a seus filhos tudo o que pedem. Sabem melhor do que os filhos aquilo que estes devem ter. Peçamos, então, com fé e confiança, confiança em Deus tanto quanto fé em Deus, e guardemos Seus mandamentos, e tudo estará bem conosco, e seremos guiados por Ele e inspirados por Ele, e Ele nos conduzirá pelo caminho da vida. Irmãos e irmãs, não deixemos que as orações a Deus fiquem restritas aos tempos de dificuldade, tristeza e angústia, mas clamemos ao Senhor de manhã e à noite, todos os dias; e, quando estivermos cheios de alegria e regozijo, clamemos a Ele e ofereçamos-Lhe nossas orações de louvor. Devemos louvar ao Senhor com aleluias em nossas almas. Se não pudermos dar-lhes voz, como o coro fez tão lindamente hoje, podemos louvar a Deus na alma; podemos aproximar-nos dEle com gratidão por Suas misericórdias para conosco, pois têm sido maravilhosas e múltiplas para com esta Igreja a que pertencemos. Deus tem manifestado Seu poder desde o princípio, e continuará e prevalecerá. ¶
Ora, compreendamos outro ponto, que é este: quando oramos a Deus, o Pai Eterno, oramos a Ele em nome de Jesus Cristo, e Cristo prometeu que, se ao menos alguns de nós estivermos de acordo e clamarmos ao Pai em Seu nome, aquilo que pedirmos nos será concedido. Há poder no nome de Jesus, o Cristo. ¶
Alegro-me em dizer, antes de me sentar, que um esplêndido volume intitulado "Jesus, o Cristo" foi lançado pela imprensa. Foi pedido ao Irmão James E. Talmage, do Quórum dos Doze, pela Presidência, que escrevesse uma verdadeira história de Cristo. Ela começa lá no princípio, quando Ele, como Ele mesmo nos disse, estava com o Pai e era o primogênito. Relata Suas obras desde então em diante, mostrando que o Jeová do Antigo Testamento era o Jesus de Nazaré do Novo Testamento. Tudo isso é apresentado em estilo excelente, com citações de revelações antigas e modernas, o que faz dele uma obra muito valiosa para os Santos dos Últimos Dias em todas as suas sociedades e organizações e em seus lares particulares. Aludo novamente a este assunto para que não vos desvieis. Algumas pessoas têm noções peculiares a respeito de quem era Jesus. Compreendei, de uma vez por todas, que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três indivíduos separados e distintos. Oramos a Deus, o Pai, em nome de Jesus Cristo, o Filho, sob a influência, o poder e a orientação do Espírito Santo; e, se andarmos pelos caminhos que o Senhor apontou, não nos desviaremos. ¶
Qualquer homem imbuído do espírito deste Evangelho compreenderá que Deus estabeleceu uma ordem em Sua Igreja, para sua orientação e governo, como ouvimos nesta manhã, e quando homens se levantam aqui, ali e acolá, e pretendem ser algum grande alguém para pôr as coisas em ordem, devem compreender, e nós devemos compreender, que, logo no princípio da Igreja, bem no princípio, o Senhor revelou que, se tivesse algo a revelar à Sua Igreja, o daria por meio do homem que está à cabeça, e essa tem sido a regra desde então. O homem que está à cabeça detém as chaves e o poder de revelação para a Igreja; mas, para os indivíduos, a bênção é livre para todos; o Espírito será derramado sobre todos. Sei que Deus inspira a alma do homem. Sei que Deus qualifica Seus servos, por mais fracos que sejam, para as obras que lhes são requeridas; e agradeço-Lhe e O louvo nesta tarde por Suas misericórdias para comigo em todos os meus labores, viagens e labutas durante minha vida passada, e O louvo pelo privilégio de estar aqui com meus irmãos e irmãs nesta tarde. ¶
Invoco Suas bênçãos sobre todos. Que o Espírito Santo, o Consolador, seja nosso guia e companheiro constante, para que possamos subjugar tudo o que há em nós que seja errado e contrário à vontade divina, e sejamos guiados, conduzidos e sujeitos ao Pai de nossos espíritos, por meio de Jesus Cristo, o Filho, e da influência e do poder do Espírito Santo. Que Deus vos abençoe e nos ajude a todos a sermos fiéis e verdadeiros, e nos salve em Seu glorioso reino, por amor de Cristo. Amém. ¶
O novo hino do Prof. Evan Stephens, "Leal à Verdade e ao Direito", foi cantado pelo coro. ¶