Condição de Paz e Progresso Espiritual
Joseph F. Smith
Não tenho dúvida de que muitas das boas pessoas aqui reunidas esta manhã, não tendo ouvido, se perguntarão o que aconteceu ao grande órgão do Tabernáculo. Talvez seja apropriado que eu vos diga que o órgão está passando por reparos completos, e está em condição de não poder ser usado no momento. Talvez não esteja pronto para uso por várias semanas. Desde a última conferência realizada neste tabernáculo, o próprio tabernáculo passou por reparos bastante extensos. Um novo piso foi colocado, os bancos foram todos renovados, repintados, revernizados, e o edifício posto em excelente condição. Durante o processo de pintura e renovação do interior do edifício, foi necessário manter alto grau de calor para secar a tinta, etc., a fim de ter o edifício pronto para esta conferência. Constatou-se que esse aquecimento prolongado afetou prejudicialmente algumas partes do órgão, deixando-o realmente fora de funcionamento por ora. Pensei que apenas uma palavra de explicação a esse respeito pudesse ser apropriada neste momento. ¶
Esta é a sessão de abertura da octogésima quinta conferência geral anual da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Sinto-me deveras grato por ter tido permissão, com o restante de vós, de estar presente na abertura desta conferência, e espero que desfrutemos de um tempo abençoado juntos, durante os três dias em que muitos, senão todos nós, teremos o privilégio de nos reunir aqui, de manhã e à tarde, para sermos instruídos e para instruir, e para ouvir exortação e, se necessário, sermos repreendidos conforme o Espírito do Senhor possa dirigir aqueles que se dirigirão a nós de tempos em tempos. Estou muito feliz, de fato, sob as impressões que pesam em minha mente com referência à prosperidade da obra do Senhor por todos estes vales das montanhas, e nas várias missões da Igreja pelo mundo. Tudo parece apontar para o fato, que sustentamos em nossa fé e em nossa expectativa, de que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias continua a seguir pacificamente o seu curso, avançando e crescendo, estendendo-se e aumentando à direita e à esquerda, e por toda a frente. É realmente desnecessário, talvez, que eu repita, em certa medida, ao menos, aquilo que já foi frequentemente dito na abertura das conferências da Igreja, que nunca houve um tempo, ao menos dentro de minha lembrança, em que a Igreja estivesse em melhor condição espiritual e temporal do que está hoje. Não creio que jamais tenha havido um tempo em que as organizações dos vários quóruns do Sacerdócio estivessem mais perfeitas ou mais diligentes do que estão no presente, ou em que as estacas de Sião fossem mais devidamente guardadas, e seus interesses vigiados por aqueles que presidem sobre elas, do que o são hoje. Creio que nossas organizações gerais e auxiliares da Igreja, bem como as organizações regulares do Sacerdócio, estão desempenhando o seu dever tão bem agora, e penso que um pouco melhor, do que em qualquer período anterior da história da Igreja. Por que não haveria de ser assim? Não somos daqueles que "sempre aprendem e nunca chegam ao conhecimento da verdade." Pelo contrário, estamos sempre aprendendo e sempre nos aproximando de uma compreensão adequada da verdade, do dever e da responsabilidade que recaem sobre os membros da Igreja que são chamados a posições de responsabilidade nela. Isso não se aplica apenas aos membros que são chamados a agir em posições de responsabilidade, mas também aos que podem ser chamados "membros leigos", se pudermos usar tal termo com referência aos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Quem há, nas circunstâncias que nos rodeiam, que não esteja crescendo? Quem há de nós que não esteja aprendendo algo dia após dia? Quem há de nós que não esteja adquirindo experiência à medida que avançamos, e que atende aos deveres de membro da Igreja, e aos deveres de cidadãos de nosso estado, e cidadãos de nossa grande e gloriosa nação? Parece-me que seria um comentário muito triste sobre a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e seu povo supor, por um momento, que estamos estagnados, que deixamos de crescer, deixamos de melhorar e de avançar na escala da inteligência, e no cumprimento fiel do dever em toda condição em que somos colocados como povo e como membros da Igreja de Cristo. ¶
Tenho a maior alegria, meus irmãos e irmãs, em vos dizer aquilo que todos sabeis, que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está em paz consigo mesma, e está em paz com todo o mundo. Não temos espírito de guerra em nossos corações. Fomos ensinados e aprendemos que faz parte de nosso dever, e uma parte muito importante, abandonar o espírito de contenda, discórdia e guerra, seja entre nós mesmos, seja contra qualquer parcela dos filhos dos homens. Enviamos nossos élderes às nações da terra, não para fazer guerra às organizações religiosas existentes, não para contender com elas e criar discórdia, ¶
confusão e contenda entre os habitantes do mundo. A mensagem que temos a levar aos homens é a mensagem de vida, paz, salvação e redenção do pecado. ¶
Nossos élderes são instruídos aqui, e são ensinados desde a infância, que não devem sair e fazer guerra às organizações religiosas do mundo quando são chamados a sair para pregar o Evangelho de Jesus Cristo, mas a ir e levar consigo a mensagem que nos foi dada por intermédio do Profeta Joseph, nesta última dispensação, pela qual os homens podem aprender a verdade, se assim o quiserem. São enviados para oferecer ao mundo o ramo de oliveira da paz, para oferecer o conhecimento de que Deus falou novamente dos céus a Seus filhos na terra; que Deus, em Sua misericórdia, restaurou novamente ao mundo a plenitude do Evangelho de Seu Filho Unigênito, na carne; que Deus revelou e restaurou à humanidade o poder e a autoridade divinos que provêm dEle mesmo, pelos quais os homens são habilitados e autorizados a realizar as ordenanças do Evangelho de Jesus Cristo necessárias à sua salvação, e a realização dessas ordenanças deve necessariamente ser aceitável a Deus, que lhes deu a autoridade para realizá-las em Seu nome. Nossos élderes são enviados para pregar o arrependimento do pecado, para pregar a retidão, para pregar ao mundo o evangelho do amor, da comunhão e da amizade entre os homens, para ensinar homens e mulheres a fazer o que é justo aos olhos de Deus e na presença de todos os homens, para lhes ensinar o fato de que Deus organizou Sua Igreja, uma Igreja da qual Ele mesmo é o autor e o fundador — não Joseph Smith, ¶
não o Presidente Brigham Young, não os Doze Apóstolos, que foram escolhidos nesta dispensação — a eles não pertence a honra de estabelecer a Igreja; Deus é seu autor, Deus é seu fundador, e somos enviados, e enviamos nossos élderes, para fazer esta proclamação ao mundo, e deixamos a seu próprio juízo e discernimento se irão investigá-la, aprender por si mesmos a verdade, e aceitá-la, ou se a rejeitarão. Não fazemos guerra a eles ; se não a recebem, não contendemos com eles; se deixam de se beneficiar ao receber a mensagem que lhes damos para seu próprio bem, apenas nos compadecemos. Nossa compaixão vai para aqueles que não recebem a verdade e que não andam na luz quando a luz brilha diante deles; não ódio, não inimizade, não o espírito de condenação; é nosso dever deixar a condenação nas mãos do Deus Todo-Poderoso. Ele é o único juiz real, verdadeiro, justo e imparcial, e deixamos o juízo em Suas mãos. Não é de nossa incumbência proclamar calamidades, juízos, destruição e a ira de Deus sobre os homens, se não recebem a verdade. Que leiam a palavra de Deus, tal como registrada no Novo e no Antigo Testamentos, e, se a receberem, que leiam a palavra que foi restaurada pelo dom e poder de Deus a Joseph, o Profeta, tal como contida na Doutrina e Convênios e no Livro de Mórmon. Que leiam estas coisas, e ali aprenderão, por si mesmos, as promessas que Deus fez àqueles que não derem ouvidos quando ouvirem a verdade, mas fecharem os ouvidos e os olhos à luz. Não precisamos repetir estas coisas nem tentar impressionar os sentimentos e o juízo dos homens ameaçando-os ou advertindo-os quanto aos perigos e males que possam sobrevir aos ímpios, aos desobedientes, aos ingratos, e aos que não se renderem à verdade. Aprendê-lo-ão suficientemente cedo, ainda que não lho mencionemos. ¶
Não é de nossa incumbência deter-nos nestas coisas; nosso dever é dizer a verdade, pregar a verdade, as coisas pacíficas do Reino de Deus, o caminho da vida e da salvação, o caminho do arrependimento, o caminho da retidão, o caminho do amor e do trato mútuo, a regra áurea de fazer aos outros o que quereríamos que nos fizessem, tal como ensinada pelo Filho de Deus. O grande objetivo e dever que recai sobre os Santos dos Últimos Dias é que cada homem e cada mulher aprenda, por si e para si, o seu dever individual como membro da Igreja. Assim que um homem ou uma mulher aprende seu dever para com Deus e para com aqueles que são membros com ele na casa da fé, a paz se estabelece, o amor e a boa vontade se asseguram, sem maledicência, sem crítica, sem falso testemunho contra o próximo, sem discórdia, sem contenda. Pois, no momento em que um Santo dos Últimos Dias aprende seu dever, aprenderá que sua incumbência é fazer a paz, estabelecer a boa vontade, praticar a retidão, encher-se do espírito de bondade, amor, caridade e perdão; e, no que lhe diz respeito, não pode haver guerra, discórdia, contenda, disputa, desunião; nenhuma facção pode surgir entre o povo que conhece seu dever como Santos dos Últimos Dias. ¶
Outro grande e importante dever que recai sobre este povo é ensinar seus filhos, desde o berço até se tornarem homens e mulheres, todo princípio do Evangelho, e esforçar-se, na medida em que estiver ao alcance dos pais, por incutir em seus corações o amor a Deus, à verdade, à virtude, à honestidade, à honra, e à integridade para com tudo o que é bom. Isso é importante para todos os homens e mulheres que estão à frente de uma família na casa da fé. Ensinai vossos filhos a amar a Deus. Ensinai-os a amar os princípios do Evangelho de Jesus Cristo. Ensinai-os a amar seus semelhantes, e especialmente a amar seus companheiros de fé na Igreja, para que sejam fiéis à sua comunhão com o povo de Deus. Ensinai-os a honrar o sacerdócio, a honrar a autoridade que Deus conferiu à Sua Igreja para o devido governo de Sua Igreja. A casa de Deus é uma casa de ordem, e não uma casa de confusão; e não poderia ser assim se não houvesse aqueles que têm autoridade para presidir, dirigir, aconselhar, conduzir os assuntos da Igreja. Nenhuma casa seria uma casa de ordem se não estivesse devidamente organizada como o é a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Retirai a organização da Igreja, e seu poder cessaria. Cada parte de sua organização é necessária, e essencial à sua existência perfeita. Desprezai, ignorai, ou omiti qualquer parte, e começareis a imperfeição na Igreja; e se assim continuássemos, nos encontraríamos como os antigos, conduzidos pelo erro, pela superstição, pela ignorância, e pela astúcia e artifício dos homens. Em breve deixaríamos aqui um pouco e ali um pouco, aqui uma linha e ali um preceito, até nos tornarmos como o resto do mundo, divididos, desorganizados, confusos, e sem conhecimento, sem revelação nem inspiração, e sem autoridade nem poder Divinos. É claro que é muito necessário que aqueles que presidem na Igreja aprendam a fundo os seus deveres. Não há homem que ocupe qualquer posição de autoridade na Igreja que possa cumprir seu dever como deve senão em espírito de paternidade e fraternidade para com aqueles sobre quem preside. Aqueles que têm autoridade não devem ser dominadores, nem ditadores; não devem ser arbitrários; devem conquistar os corações, a confiança e o amor daqueles sobre quem presidem, por meio da bondade e do amor sincero, da mansidão de espírito, da persuasão, de um exemplo que esteja acima de censura e fora do alcance de crítica injusta. Deste modo, na bondade de seus corações, em seu amor por seu povo, conduzem-nos pelo caminho da retidão, e ensinam-lhes o caminho da salvação, dizendo-lhes tanto por preceito como por exemplo: Segui-me, como eu sigo nosso Chefe, o Redentor do mundo. Este é o dever daqueles que presidem. O dever dos altos conselhos da Igreja, quando são chamados a decidir questões que envolvem a filiação ou a condição de membros da Igreja, é apurar a verdade, os fatos, e então julgar segundo a verdade e os fatos que lhes são apresentados, sempre temperados com misericórdia, amor e bondade, e com o espírito em suas almas de salvar, e não de destruir e expulsar. Nossa missão é salvar, não destruir; nosso objetivo deve ser edificar, e não derrubar. Nosso chamado é transmitir o espírito de amor, verdade, paz e boa vontade à humanidade em toda a terra; para que a guerra cesse; para que a discórdia chegue ao fim, e para que a paz prevaleça. Agradeço a Deus, meu Pai Celestial, ¶
como o fazeis vós, cada um de vós aqui presente hoje, e como o faz todo o povo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que nossa terra esteja em paz na medida em que está. Lamento que haja quaisquer rupturas internas, divisão, ou contenda existentes entre as várias organizações do povo de nossa terra. Lamento que haja discórdia. Se tivessem o verdadeiro espírito do Evangelho de Jesus Cristo, não teriam discórdia; deixariam de nutrir sentimentos de contenda e de discórdia; se surgissem problemas, reunir-se-iam e deliberariam no espírito de sabedoria, mansidão e humildade, invocando a bênção e o espírito do Deus Todo-Poderoso sobre suas deliberações e conselhos, e decidiriam com calma, juntos, aquilo que fosse para o bem comum, e então iriam, como um só homem, fazer o que fosse necessário para edificar a nação e o país em que habitamos. Alegro-me por termos, até agora, permanecido fora da guerra, e espero e oro para que não sejamos obrigados a enviar nossos filhos à guerra, ou a experimentar, como nação, a angústia, o sofrimento e a tristeza que provêm de uma condição como a que existe no velho continente. Ó Deus, tem misericórdia de Teus pobres filhos na Europa, e por todo o mundo, que se acham sob as terríveis condições ali existentes por causa da ambição e do orgulho de homens que reivindicam o direito e o poder de ditar, até mesmo a vida ou a morte, a conduta do povo sobre quem governam. ¶
Meus irmãos e irmãs, Deus está convosco; o Senhor está com este povo; e se formos verdadeiramente Seus filhos, tal como Ele é verdadeiramente nosso Pai, digo-vos que Deus temperará os elementos para vosso bem ; Ele vos abençoará com saúde; Ele ¶
vos abençoará com abundância: Ele abençoará a terra e a fará frutífera. Aqueles que colhem sua colheita pelo suor de sua fronte, da terra-mãe, terão colheitas abundantes se apenas servirem a Deus em seus corações e em sua vida exterior. Sinto-me tão certo disso quanto do fato de estar diante de vós aqui. ¶
Não sinto que redundaria em vantagem, minha nem vossa, prolongar muito mais minhas observações. Não preciso, é claro, referir-me a meus sentimentos e condição pessoais; mas passei recentemente por minha parte de tristeza. Não obstante, o Senhor tem sido tão mise- ricordioso para comigo, tem-me abençoado de tantas maneiras, e multiplicado Seus favores e misericórdias sobre mim a tal ponto que seria vergonhoso da minha parte queixar-me, mesmo sob as mais severas aflições e condições e circunstâncias adversas da vida. Amo a verdade onde quer que a veja ou a encontre. Amo homens e mulheres que são virtuosos e honrados. Amaria um homem, seja quem for, se soubesse que é honesto perante Deus. Ele poderia divergir de mim em opiniões religiosas, e em muitos outros aspectos; mas, é honesto com seu próximo e com seu Deus? Se o é, honro-o, e o amo por sua honestidade. ¶
Quando penso em nossas mães, as mães de nossos filhos, e percebo que, sob a inspiração do Evangelho, vivem vidas virtuosas, puras, honradas, fiéis a seus maridos, fiéis a seus filhos, fiéis às suas convicções do Evangelho, oh, como minha alma se derrama em puro amor por elas; quão nobres e dadas por Deus, quão preciosas, quão desejáveis e quão indispensáveis são elas para a realização dos propósitos de Deus e o cumprimento de Seus desígnios. Meus irmãos, podeis maltratar vossas esposas, as mães de vossos filhos? Podeis deixar de tratá-las com amor e bondade? Podeis deixar de vos esforçar para tornar suas vidas tão confortáveis e felizes quanto possível, aliviando seus fardos ao máximo de vossa capacidade, tornando a vida agradável para elas e para seus filhos em seus lares? Como podeis deixar de fazê-lo? Como pode alguém deixar de sentir intenso interesse pela mãe de seus filhos, e também por seus filhos? Se possuímos o Espírito de Deus, não podemos agir de outra forma. É apenas quando os homens se afastam do espírito correto, quando se desviam de seu dever, que negligenciam ou desonram alguma alma que lhes foi confiada. Estão obrigados a honrar suas esposas e filhos. Homens inteligentes, homens de negócios, homens de assuntos, homens constantemente envolvidos nas labutas da vida, e que precisam dedicar suas energias e pensamentos aos seus trabalhos e deveres, talvez não desfrutem de tantas comodidades com suas famílias quanto gostariam, mas, se tiverem o Espírito do Senhor consigo no cumprimento de seus deveres temporais, jamais negligenciarão as mães de seus filhos, nem seus filhos. Não deixarão de lhes ensinar os princípios da vida, e de lhes dar bom exemplo. Não façais vós mesmos nada que tivésseis de dizer a vosso filho: "Não o faças." Vivei de tal modo que possais dizer: "Meu filho, faze como eu faço, segue-me, imita meu exemplo." É assim que os pais devem viver, cada um de nós; e é vergonhoso, é uma coisa fraca e vergonhosa, que qualquer membro da Igreja siga um curso que sabe não ser correto, e que preferiria que seus filhos não seguissem. Que coisa vergonhosa é para um homem impor a si mesmo ¶
um embaraço, um obstáculo ao pleno cumprimento de seu dever para com aqueles que o amam e a quem ele deve amar mais do que à própria vida, cedendo a apetites errados e a paixões vis, e fazendo coisas que não deveria fazer, e que de bom grado impediria seus filhos de fazer. Cumpri vosso dever, meus irmãos, e o Senhor cumprirá o Seu para convosco. ¶
Queremos que Sião cresça e se fortaleça na retidão. Desejamos que o povo de Sião se desenvolva em entendimento, cresça em conhecimento, e se fortaleça em sabedoria. Queremos que cultiveis o espírito de misericórdia, de caridade e de perdão. Queremos que sejais generosos para com os pobres; desejamos que amparaes os desvalidos, os idosos, e provejais para eles. Deus fez provisão em Sua Igreja, em sua organização completa, para que toda alma fiel nela possa ser cuidada, nutrida e amparada na hora da necessidade. O problema conosco, no presente, é que há tantos homens que são membros da Igreja e que negligenciam seu dever de tantas maneiras, que não temos os meios para prover tão amplamente quanto gostaríamos para as necessidades dos pobres. Quando olhais para um registro de dízimo, um livro de grandes dimensões, contendo os nomes de membros da Igreja que não pagam seu dízimo, não precisais vos perguntar por que a Igreja não tem mais meios para prover para os pobres. Estamos fazendo o melhor que podemos com os meios que temos. Vou ler-vos apenas algumas pequenas coisas que estamos fazendo com os meios que consagrais ao Senhor para a edificação de Sião. ¶
O Comitê Geral de Auditoria da Igreja examinou os recebimentos e desembolsos dos dízimos das estacas de Sião e das missões, bem como as contas do Escritório do Bispado Presidente, e as contas do gabinete do Fiduciário. Seu relatório será apresentado antes do encerramento da conferência, presumo. ¶
O relatório a seguir mostrará como foi desembolsado o dízimo da Igreja no ano de 1914. Ora, estou tomando uma liberdade a que não me tenho permitido com frequência; mas têm sido feitas tantas acusações falsas contra mim e contra meus irmãos por pessoas ignorantes e mal-intencionadas, que me proponho a fazer uma declaração verdadeira que, creio, ao menos terá a tendência de vos convencer de que estamos procurando cumprir nosso dever da melhor forma que sabemos: ¶
4 de abril de 1915. ¶
O relatório a seguir mostrará como foi desembolsado o dízimo da Igreja no ano de 1914: ¶
Para a construção e manutenção de tabernáculos de estaca, casas de reunião de ala, salões de recreação, e outras despesas de estaca e ¶
despesas de ala $ 730.960,00 ¶
Para a manutenção das escolas da Igreja 330.984,00 ¶
Para a manutenção de nossos Templos 64.508,00 ¶
Para a construção de casas de missão e atividades gerais de missão, e passagens de retorno de missionários 227.000,00 ¶
Para a manutenção de edifícios e instituições da Igreja, incluindo o quarteirão do Templo e o Escritório do Bispado ¶
Presidente 99.293,00 ¶
Para a conclusão e manutenção do Hospital dos Santos dos ¶
Últimos Dias 136.727,00 ¶
Para a construção do Templo de Cardston 52.647,00 ¶
Para a construção do novo Edifício dos Escritórios da Igreja 128.663,00 ¶
Pago aos pobres dignos, dos fundos de dízimo 116.238,00 ¶
$1.887.920,00 ¶
Este é todo o dízimo da Igreja em todo o mundo no ano de 1914. ¶
As despesas das Autoridades Gerais e a manutenção do gabinete da Primeira Presidência são pagas com as receitas provenientes de investimentos, e não com os dízimos da Igreja. ¶
Além da quantia paga aos pobres com os dízimos, $116.238,00, foi arrecadado e pago aos pobres pela Sociedade de Socorro 74.290,00 ¶
E foi pago aos pobres pelos Bispos, das ¶
ofertas de jejum e outros fundos de caridade de ala 76.000,00 ¶
Totalizando o pago aos pobres em 1914 $ 266.528,00 ¶
Foi arrecadado para os sofredores da guerra, sendo ¶
desembolsado sob a direção do Presidente Hyrum M. ¶
Smith, da Missão Europeia $ 33.000,00 ¶
Nossos registros mostram que 73% de todas as famílias Santos dos Últimos Dias residentes em todas as estacas de Sião são proprietárias de seus próprios lares. A taxa de natalidade da Igreja no ano de 1914 é de 39,5 por mil. A taxa de mortalidade no ano de 1914 é de 8,3 por mil. A taxa de casamentos no ano de 1914 é de 17 por mil. Durante o ano, 14.717 crianças foram abençoadas. Há 1.316 élderes e 115 mulheres trabalhando nas missões como missionários. ¶
Dos membros da Igreja residentes nas estacas de Sião, 319.000 nasceram nos Estados Unidos. ¶
Houve um aumento líquido no número de membros da Igreja nas estacas de Sião, do ano de 1901 a 1914, de 129.493 almas. ¶
Há agora 739 alas e 33 ramos independentes. Há 68 estacas de Sião e 21 missões. Durante o ano de 1914, 21 novas alas foram organizadas, e 2 estacas de Sião. ¶
Foram realizados nos Templos, durante o ano passado, 166.909 batismos pelos vivos e pelos mortos, e 72.952 investiduras pelos vivos e pelos mortos. Ao todo, 326.264 ordenanças foram realizadas nos quatro templos. Este é um aumento bastante considerável sobre qualquer ano anterior. ¶
O ensino de lar tem recebido considerável atenção dos oficiais de estaca e de ala, com o resultado de que, em algumas das estacas de Sião, o trabalho se desenvolveu tão bem que 96% de todas as famílias são visitadas pelos instrutores de lar todos os meses. ¶
Ora, algumas pessoas têm relatado que os dízimos da Igreja montam a milhões todos os anos, e que Joseph F. Smith tem o controle absoluto de todos esses milhões, e jamais presta contas deles ao mundo, nem a ninguém mais. Ora, não estamos dando isto ao mundo; estamos dando-o aos Santos dos Últimos Dias. Estas quantias que li, penso que seja apropriado declarar aqui, cobrem todo o dízimo da Igreja em todo o mundo, no ano de 1914. Ora, quando vindes a falar sobre os milhões e milhões de dólares de dízimo pagos pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, isso se reduz a $1.887.920, no ano de 1914, e aquele foi um ano médio. Seja-me permitido, talvez, dizer aqui, em benefício de quem não conheça os fatos, que a lei do dízimo é uma lei voluntária: isto é, impõe ao povo apenas um dever voluntário. A posição de ninguém como membro da ¶
Igreja é posta em risco por deixar de pagar o dízimo. Há muitos de nós que não observamos todas as leis, e é bom que o Senhor não execute justiça e juízo sobre muitos de nós por causa disso. ¶
As despesas das autoridades gerais e a manutenção da Primeira Presidência são pagas com as receitas provenientes de investimentos, e não com os dízimos da Igreja. Esses investimentos, via de regra, consistem em contribuições de ações de vários tipos feitas à Igreja a título de dízimo, que têm sido mantidas pela Igreja; e os dividendos que obtemos dessas ações e investimentos são, em todos os casos, para o benefício do povo, pois a Igreja jamais fez um investimento que não tivesse por objetivo beneficiar todo o povo, tanto quanto possível, fomentando indústrias e a colonização de nosso país. Isso tem sido feito para ¶
auxiliar os colonizadores de nosso país, de nosso estado e de nossos estados vizinhos, tanto quanto possível, ajudando-os com meios, para os auxiliar a lançar os alicerces de sua própria prosperidade. ¶
Ocorre-me agora que estamos a falar-vos no dia de Sabá, e algumas pessoas, talvez, sintam que é um tanto inadequado falarmos sobre dinheiro e temporalidades, sobre dízimo, ou sobre o dispêndio de meios e os usos que deles se fazem, no dia de Sabá; mas o Sabá foi feito para o homem, e não o homem para o Sabá. Deus fez, ou designou, o dia de Sabá para ser um dia de descanso, um dia de adoração, um dia de boas obras, e de humildade e penitência, e de adoração ao Todo-Poderoso em espírito e em verdade. ¶
Foi arrecadado para os sofredores da guerra, sendo desembolsado sob a direção do Presidente Hyrum M. Smith, da Missão Europeia, $33.000. Isso foi feito, praticamente, em um único dia, um dia separado para contribuições gerais em benefício dos sofredores, em consequência da guerra. Tenho uma lista com os nomes de todas as estacas de Sião e alas que contribuíram com esses meios, e tudo foi contribuído, manuseado e enviado para ser distribuído igual e imparcialmente — aos Santos dos Últimos Dias, notai bem, em primeiro lugar. Quero dizer-vos que seremos honestos convosco; sentimos que é o primeiro dever dos Santos dos Últimos Dias cuidar de si mesmos e de seus pobres; e então, se pudermos estendê-lo a outros, e tão ampla e tão longe quanto pudermos estender caridade e assistência a outros que não são membros da Igreja, sentimos que é nosso dever fazê-lo. Mas primeiro cuidemos dos membros de nossa própria casa. O homem que não prover para ¶
sua própria casa, como disse um dos antigos, é pior que um infiel. Assim, não nos desculpamos por dizer que arrecadamos esses meios para os Santos dos Últimos Dias sofredores que estão aflitos por causa da guerra, na Alemanha, na Áustria, na Itália, na Suíça, na Holanda e na Inglaterra, e em qualquer outro lugar onde estejam sofrendo em consequência dela. Isso não custou ao fundo um único centavo, nem mesmo um selo postal para a arrecadação. Talvez gostásseis de saber isto: não houve agências pagas, nem cobradores pagos. Ninguém recebeu um centavo sequer dos fundos contribuídos para o auxílio dos aflitos e sofredores. Foi feito por meio dos canais do santo sacerdócio, por meio da organização da Igreja, da maneira regular, e não custou nada a ninguém. A Primeira Presidência recebeu no outro dia o seguinte telegrama do Presidente da Missão Suíça e Alemã: ¶
"Fundo de socorro de dois mil dólares recebido com gratidão. Expressamos gratidão ao povo de Deus. Condições satisfatórias. — VALENTINE, Presidente da Missão Suíça e Alemã." ¶
Também recebemos diversos relatos do Presidente Hyrum M. Smith, mas em tal volume que esses relatos não puderam ser resumidos para serem apresentados aqui. ¶
Ora, temos ainda mais algumas declarações que desejo ler: nossos registros mostram que 73% de todas as famílias Santos dos Últimos Dias, residentes em todas as estacas de Sião, são proprietárias de seus próprios lares. Lamento que este número não seja tão elevado quanto foi no passado, mas nos tornamos mais numerosos do que quando 95% do povo da Igreja possuía suas pequenas casas e nada devia a ninguém por elas. Permiti-me inserir aqui, mais uma vez, minha admoestação constante aos Santos dos Últimos Dias: meus irmãos, cuidai para que não hipotequeis o teto que cobre as cabeças de vossas esposas e de vossos filhos. Não o façais. Não cubrais vossas terras de hipotecas, porque é de vossas terras que colheis vosso alimento, e os meios de prover vosso vestuário e outras necessidades da vida. Mantende vossos bens livres de dívidas. Livrai-vos das dívidas o mais depressa que puderdes, e permanecei livres delas, pois é assim que a promessa de Deus se cumprirá ao povo de Sua Igreja, de que se tornarão o mais rico de todos os povos do mundo. Mas isso não acontecerá enquanto hipotecardes vossos lares e vossas terras, ou vos endividardes além de vossa capacidade de cumprir vossas obrigações; e assim, talvez, vosso nome e crédito sejam desonrados por vos terdes excedido. "Nunca alcanceis mais do que possais recolher" é um bom lema. ¶
De cada uma das alas recém-organizadas temos recebido pedidos de auxílio para ajudar a construir novas casas de reunião; e assim a obra prossegue. Li os números das centenas de milhares que estamos destinando para auxiliar na construção de casas de reunião, tabernáculos, e locais de recreação para a juventude de Sião, a fim de mantê-la sob devida disciplina e controle. ¶
A obra nos templos tem sido a maior já registrada. Foram realizados nos templos, durante o ano passado, 166.909 batismos pelos vivos e pelos mortos — uma indicação de que estamos aumentando o número de membros da Igreja muito, muito mais depressa no mundo espiritual do que na terra. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, não desejamos cansar-vos com estatísticas. Nosso dever não é tratar particularmente de estatísticas e de assuntos financeiros. Nosso dever primordial é a pregação do Evangelho de Jesus Cristo, e a inculcação dos princípios desse Evangelho nos corações e almas de todos os nossos filhos. Este é nosso dever. Deus vos abençoe. Alegro-me em ver-vos aqui. Certamente vos dou as boas-vindas com toda a minha alma, e sinto em minha alma que Deus vos abençoará por vossa presença aqui. Por que estais aqui? Porque sois membros da Igreja de Jesus Cristo. Estais aqui porque esta é a conferência anual da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Estais aqui porque sois membros dessa Igreja, e porque sois membros do sacerdócio e das organizações auxiliares da Igreja, e todos estais interessados no bem-estar, no progresso e no desenvolvimento, espiritual, intelectual, físico e financeiro, e de todas as outras maneiras, do povo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Deus vos abençoe, oro humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Um solo de soprano, "Cristo Ressuscitou", foi cantado pela Irmã Esther Davis Stephens. ¶