O Trabalho das Aulas de Religião
Joseph W. McMurrin
É bastante uma experiência, meus irmãos e irmãs, sentar-se aqui na tribuna, hora após hora, por três dias, em maior ou menor temor o tempo todo, por causa do pensamento de que se aproxima o momento de ser chamado a ocupar esta posição tão importante como orador. É sempre um grande alívio quando o dever foi cumprido, e alguém tem permissão de voltar a sentar-se. Alguns dos irmãos têm dedicado aos membros do Primeiro Conselho o que penso poder chamar de simpatia zombeteira; foi dada com bom humor, os irmãos indicando por suas palavras que nos aguardava o cumprimento de um dever com o qual eles não tinham necessidade de se preocupar, já que sua parte havia sido cumprida. Embora seja considerável provação e ansiedade empreender estar diante de uma grande congregação desta natureza, há, não obstante, associado a isso, também um bom grau de prazer; o prazer vem do entendimento de que a obra que se defende é a obra do Senhor, e de que o testemunho a ser prestado há de ser em favor da causa que nosso Pai busca estabelecer entre os homens. É o ensinamento do Senhor Jesus Cristo de que aqueles que ouvem suas palavras e as praticam serão comparados a homens que cavaram fundo e lançaram um alicerce sobre a rocha firme; com tal alicerce, os ventos podem soprar e as chuvas descer e açoitar o edifício, e ele não cairá, porque está ¶
fundado de maneira sólida. Espero, meus irmãos e irmãs, que haja disposição, por parte de todo o povo, de receber e pôr em prática os conselhos que foram dados pelas autoridades presidentes da Igreja nas reuniões desta Conferência. ¶
Durante os meses recentes, os irmãos que têm visitado as várias estacas de Sião têm-se ocupado em cuidar do trabalho auxiliar, além do trabalho regular que exige atenção por ocasião das conferências de estaca. Nos últimos dois meses, as Associações de Melhoramentos Mútuos e as organizações das Aulas de Religião têm sido destacadas nas conferências de estaca. Sinto-me impressionado, nesta tarde, a dizer algumas palavras a respeito desta última organização. Parece ser a organização que tem o caminho mais difícil a percorrer no momento presente. Outras organizações da Igreja têm existência mais longa. Aparentemente, em muitos casos, encontraram acomodação mais completa nos corações do povo. Ainda se diz, em algumas localidades, que o apoio que deveria ser dado à organização das Aulas de Religião nem sempre é dado por completo. Espero que isto seja um engano. A organização das Aulas de Religião tem uma reivindicação justa ao apoio de todos os oficiais da Igreja, pois entrou na Igreja mediante designação apropriada. Há vinte e quatro anos, neste mês, uma carta bem enérgica foi enviada pela Primeira Presidência da Igreja aos presidentes de estaca e aos bispos das várias alas, convocando-os a buscar, nas alas, irmãos e irmãs que demonstrassem capacidade para o ensino dos jovens e que tivessem amor pelos jovens, para assumir este importante trabalho. Deveriam ser chamados como para uma missão e instruídos a dedicar atenção a esta nova organização. Aquela carta indicava que a Presidência da Igreja tinha o sentimento de que o melhor material era necessário para a realização do trabalho que tinham em mente. O fato de que a seleção cuidadosa para o trabalho, muitas vezes, não era feita, estava em minha mente quando citei a escritura: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha." Estou convencido, meus irmãos e irmãs, de que, se o conselho transmitido pela presidência da Igreja há vinte e quatro anos tivesse sido recebido pelos homens presidentes locais no espírito da comunicação então enviada, e se esforços sinceros tivessem sido feitos para encontrar homens e mulheres de espírito e capacidade próprios, e estes tivessem sido ensinados quanto à importância e necessidade de estabelecer o trabalho conforme sugerido e recomendado por esta alta autoridade, não teria havido tantos questionamentos na mente das pessoas em relação a esta, ainda incipiente, organização na Igreja de Cristo. ¶
Na carta sobre o trabalho das Aulas de Religião, há 24 anos, a Primeira Presidência declara que muitas pessoas haviam, pelo labor de ganhar a vida, perdido de vista o propósito que as trouxera a esta terra, e haviam cedido, em muitos casos, a objetivos menos nobres; disseram então: ¶
"Esta influência entorpecedora sobre nossa vida espiritual é amplamente sentida em nossos lares, e afeta mais particularmente nossos filhos, cuja fé na grande obra dos últimos dias não foi desenvolvida e fortalecida pela experiência que nossos élderes tiveram em terras além das fronteiras de Sião. Tampouco a formação que nossa juventude recebe nas escolas distritais aumenta seus sentimentos de devoção a Deus e ¶
amor por esta causa, pois, como é bem sabido, todos os ensinamentos de caráter religioso são rigorosamente excluídos dos estudos permitidos nessas instituições. ¶
"Para diminuir este grande mal, e neutralizar as tendências que decorrem de uma educação sem Deus, foram estabelecidas as Escolas da Igreja dos Santos. Mas, embora estas realizem grande bem, a esfera de sua utilidade não cobre todo o campo. Há muitos lugares onde as Escolas da Igreja não podem, no momento presente, ser estabelecidas; e também muitos Santos, nesses lugares onde tais escolas existem, que, por várias razões, não podem enviar seus filhos a elas. Por essas causas, temos julgado prudente sugerir às várias autoridades locais outras medidas que, embora não ocupem o lugar das Escolas da Igreja, trabalhem nas mesmas linhas, e ajudem na mesma obra em que as instituições educacionais da Igreja estão empenhadas. ¶
"Sugerimos que, em cada ala onde uma Escola da Igreja não esteja estabelecida, algum irmão ou irmã, ou irmãos ou irmãs, bem adaptados a tão responsável posição por sua inteligência e devoção, bem como por seu amor pelos jovens, sejam chamados, como para uma missão, pelo Bispo, após consulta com o presidente da estaca, para assumir a direção de uma escola em que os primeiros princípios do evangelho, a história da Igreja e assuntos correlatos sejam ensinados." ¶
Fiquei satisfeito e interessado, muito recentemente, ao descobrir em vários periódicos um forte espírito em harmonia com estas instruções das Autoridades Presidentes. Homens ponderados de outras denominações religiosas descobriram que há grande necessidade de que as crianças em idade escolar recebam uma formação semelhante à instrução proporcionada pela organização das Aulas de Religião. No Literary Digest de 13 de junho, lemos o seguinte: ¶
"O que parece ser o começo do fim da falta de Deus nas escolas públicas foi apontado recentemente pelo reverendo doutor Wilbur F. Crafts. Seu caráter sem Deus é o que os católicos criticam, e as escolas paroquiais existem para suprir essa lacuna. Como superintendente do International Reform Bureau, o doutor Crafts vem conferenciando, por correspondência e de outras formas, com católicos, judeus e protestantes em todas as partes do mundo. O doutor Crafts também faz parte de uma comissão nomeada pelas juntas educacionais das grandes igrejas evangélicas, representando dezenove milhões de membros, a qual tem tido conferências com comissões nomeadas pelo Conselho Federal das Igrejas e pela Associação Cristã de Moços, e tem se mantido em contato com a National Reform Association, pioneira do movimento. ¶
"O doutor Crafts recentemente contou a uma reunião de pregadores presbiterianos de Nova York sobre uma resolução que pode ter grande lugar na história. Ela previa a nomeação, em nome da igreja presbiteriana, de uma comissão para cooperar com as comissões de outras denominações protestantes e com as comissões que se pedirá aos judeus e católicos que nomeiem, com o propósito de adotar algum plano de formação religiosa em conexão com as escolas públicas. ¶
"Propõe-se que isto seja feito ou nos próprios edifícios escolares ou nas igrejas vizinhas, ou em ambos, pelo qual, durante parte do tempo escolar, ou em outra hora, pastores e mestres das várias denominações ensinarão religião aos filhos de sua própria fé como parte essencial de sua educação, em reconhecimento ao fato de que trinta minutos de ensino bíblico nas Escolas Dominicais não são suficientes, mas devem ser complementados não apenas no lar e no culto da igreja, mas também nas escolas públicas." ¶
Uma condição semelhante e trabalho de caráter similar têm sido empreendidos, descobri, na Austrália, onde a própria oportunidade que os representantes das várias denominações religiosas aqui na América estão buscando obter já foi concedida na Austrália. ¶
Um número recente do The Dominion, jornal publicado em Wellington, Nova Zelândia, dedica várias colunas a um relato dos procedimentos da Assembleia Geral Presbiteriana, ocupando-se a maior parte do tempo com uma discussão sobre se a Bíblia deveria ser lida nas escolas públicas. O sentimento geral era favorável à adoção do "sistema australiano". Foi explicado que: ¶
"O sistema consiste em (a) lições escriturísticas simples lidas durante o horário escolar pelas crianças, de um livro fornecido pelo Departamento de Instrução Pública exclusivamente para este propósito. O trabalho do professor da escola estadual limita-se a verificar se a criança compreende a lição tão inteligentemente quanto qualquer outra lição. O professor não dá ensino sectário nem dogmático. ¶
"(b) As igrejas têm a oportunidade de enviar seus ministros de religião ou outros mestres credenciados às escolas durante o horário escolar para ensinar às crianças a fé de seus pais em suas respectivas denominações. Nos centros maiores, como cidades e vilas, ministros de religião, ou substitutos credenciados, teriam oportunidade de instruir seus próprios filhos. Em muitos casos, e especialmente nos das igrejas menores, fazem-se arranjos mútuos entre as igrejas pelos quais as crianças são agrupadas e, com o consentimento de cada pai, frequentam a classe de um ministro que não é de sua própria igreja. Nas escolas menores, nos distritos rurais, essas visitas são feitas com menos frequência do que nas vilas. A diretoria da liga inclui representantes das igrejas anglicana, presbiteriana e metodista; também o Exército de Salvação." ¶
"Em apoio à ação de que este sistema seja adotado na Nova Zelândia, foi declarado que sua introdução nas escolas resolveria a controvérsia a respeito das escolas denominacionais para os católicos romanos. Sob este sistema proposto, disse-se, o clero católico romano, em igualdade com os demais, teria permissão de dar certa medida de instrução religiosa às crianças de sua própria fé. Isso encerraria de uma vez por todas o que era um problema muito difícil." ¶
É meu entendimento que, em nosso vizinho ao norte, o Domínio do Canadá, a lei prevê que as crianças de várias fés recebam instrução religiosa de ministros que tenham sido nomeados para tal propósito por, e com a aprovação de, os pais das crianças a serem assim ensinadas. ¶
Recentemente foi recebida, nos escritórios da Junta das Aulas de Religião, nesta cidade, uma carta de Gary, Indiana, pedindo que se enviasse literatura relativa ao trabalho das Aulas de Religião da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, para auxiliar na preparação de material para as crianças das escolas públicas naquela região do país. Lerei um ou dois parágrafos: ¶
"Prezados senhores: ¶
"Presumo que estejam familiarizados com o movimento em Gary para o estabelecimento de escolas eclesiásticas de dias úteis pelas denominações protestantes, desenvolvido com base na cooperação e correlação com o sistema de escolas públicas. ¶
"As várias denominações, em geral, estão começando a concentrar sua atenção e força num esforço para padronizar o currículo de toda a denominação. Desde o início, seremos levados a uma federação em várias frentes, especialmente quanto à literatura a partir da qual construiremos nossos novos cursos de estudo, para servir como biblioteca de trabalho do professor, e como lista de referência e de leitura para os alunos. Este tipo novo e inevitável de escola exigirá uma evolução minuciosa de toda a literatura religiosa. O plano que o bibliotecário e eu temos em vista mostrará ao país um novo uso e demanda para a literatura educacional religiosa, e o resultado certamente terá relação direta com os interesses editoriais. ¶
"Sou membro da Junta de Escolas Dominicais da igreja Metodista Episcopal, e fui nomeado desde abril, e estou aqui desde 1º de junho. Percebo que toda sorte de solicitações e pedidos são feitos para a cortesia de suas publicações. Se eu não soubesse que nosso objetivo é usar a literatura religiosa como nunca antes, mas de maneira que as escolas públicas usam livros de referência e didáticos, não me sentiria justificado, como representante da igreja Metodista, a pedir que coloquem à nossa disposição literatura que me ajude a construir nossos cursos de estudo, e sirva como texto padrão e referência para leitura e consulta." ¶
Devemos concluir, desta comunicação, que o trabalho das Aulas de Religião dos Santos dos Últimos Dias está atraindo atenção bem longe de nosso lar nas montanhas. ¶
Meus irmãos e irmãs, quando pensamos em dezenove milhões de almas mais ou menos interessadas na necessidade de formação religiosa nas escolas públicas, aqui em nossa própria terra, sem falar do mesmo sentimento trabalhando com tanta força na mente dos homens em outros países, devemos discernir a sabedoria de nossos líderes, tal como demonstrada em sua ação de vinte e quatro anos atrás. ¶
Refiro-me a estes assuntos simplesmente para trazer à atenção dos homens que presidem o fato de que o trabalho que foi introduzido, sob a inspiração do Espírito de Deus, pela Presidência da Igreja na ocasião mencionada, começa a abrir caminho no mundo. Levou muito tempo para que alguns homens fizessem a descoberta de que há necessidade de uma formação desta natureza, mas a luz está começando a chegar, e isso deve ser uma evidência, para os que se dedicam ao trabalho das Aulas de Religião, de que ele é da maior importância, e aqueles sobre quem recai a responsabilidade de buscar o estabelecimento do trabalho devem avançar com determinação, pois certamente o Senhor está na obra. Gostaria de trazer à atenção desta congregação o fato de que, nesta organização, temos um membro da Primeira Presidência da Igreja como superintendente geral, o Presidente Anthon H. Lund; temos dois do Conselho dos Apóstolos como seus assistentes, Rudger Clawson e Hyrum M. Smith. O Presidente Charles W. Penrose e mais da metade de todo o quórum dos apóstolos são membros da Junta das Aulas de Religião; não há melhor autoridade em nenhuma junta. Temos votado por muitos, muitos anos, nas conferências gerais da Igreja, apoiando esta organização, fazendo convênio de que apoiaremos estes irmãos que foram chamados a presidir e dirigir o trabalho. ¶
O tempo para discutir se seria aconselhável estabelecer a organização passou há muitos anos. É uma das organizações da Igreja! Há espaço abundante para ela em cada assentamento onde há filhos dos Santos dos Últimos Dias. Como este é o período do ano em que o trabalho é particularmente retomado, senti que não seria impróprio chamar a atenção das autoridades presidentes locais para a necessidade que existe, na organização, de encorajamento e de assistência da parte desses homens que presidem. Desejo dizer aos que se dedicam ao trabalho que não pode haver nada de maior importância, ou que possa ser mais honroso, nos trabalhos com os quais homens e mulheres têm de lidar, do que plantar o conhecimento da verdade nos corações da nova geração. Os homens que ocuparam esta posição durante os últimos três dias testificam que sabem que esta obra, como um todo, foi revelada do Alto, que Joseph Smith foi levantado como instrumento nas mãos de nosso Pai para introduzir a grande dispensação da plenitude dos tempos. Suponho que todos acreditamos nos solenes testemunhos que foram proferidos, e, se acreditamos, então devemos receber com todo o coração as organizações que foram dadas por nosso Pai Celestial para a educação da nova geração, para que nossos filhos, depois de nós, possam ser estabelecidos na fé do evangelho eterno, o evangelho da salvação, o evangelho do poder, o evangelho da fé viva que desceu dos céus para a bênção dos homens. Encorajo com toda a minha alma os que se dedicam a esta boa organização a emprestarem seus melhores esforços à realização do trabalho a eles designado, para que a verdade de Deus possa ser plantada nos corações das crianças que estão nas escolas públicas. Ó, quão grande é a necessidade dessa verdade, pois há muito, nas escolas de hoje, que se opõe às coisas de Deus, muito que solapa a fé na existência de nosso Pai Celestial. Precisamos levar às crianças, de todas as formas possíveis, aqueles princípios que as estabelecerão na fé e que as prepararão para as responsabilidades do futuro. ¶
Alegro-me em juntar-me a meus irmãos em testemunho a respeito da obra de Deus. O testemunho veio a mim, como veio a meus irmãos, não por nascimento, não por informação obtida apenas de livros, mas pela inspiração do Espírito Santo. Deus me fez compreender, em medida, a verdade da grande obra que Ele plantou quando o Pai e o Filho foram revelados ao Profeta Joseph Smith, quando santos anjos impuseram as mãos sobre sua cabeça e lhe conferiram a autoridade do santo Sacerdócio, o poder de ministrar em nome do Redentor. A pregação daquele evangelho encontrou os corações de meu pai e de minha mãe; eles o obedeceram enquanto estavam numa terra distante e longínqua, anos antes de meu nascimento; a verdade então recebida foi suficientemente poderosa para trazê-los a este Sião de nosso Deus. Ela encheu suas almas de paz, alegria e contentamento, enquanto viveram sobre a terra. Sei agora, melhor do que costumava saber, quão ansiosos aquele bom pai e aquela boa mãe estavam para que seus filhos e filhas recebessem a verdade e soubessem que a mensagem que se alojara em seus corações era o poder de Deus para a salvação. Quando seus filhos vieram a compreender a verdade, foi mediante a busca dela; quando manifestaram que estavam dispostos a praticar os princípios revelados e a guardar os mandamentos de Deus, descobriram, como seus pais antes deles haviam descoberto, que nosso Pai Celestial estava perto, sem acepção de pessoas. Ele revelou àqueles filhos, pelo poder do Espírito Santo, a verdade da religião do Senhor Jesus Cristo. É o poder de Deus. A verdade desceu dos céus. É o decreto de nosso Pai Celestial que ela permaneça, e seja, a obra maravilhosa e o prodígio, como o Pai disse no princípio mesmo desta dispensação, por meio da boca do Profeta Joseph. Graças a Deus, esse conhecimento entrou em minha alma. Espero conservá-lo, espero vê-lo chegar às almas de meus filhos e filhas, e que, de geração em geração, se encontrem no meio de Israel os filhos e filhas daquele bom e velho pai e mãe que tudo deram por amor ao evangelho. Deus o conceda a todos os pais e mães, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶