83 anos da história da Igreja
Anthony W. Ivins
"Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruir, mas para cumprir. ¶
"Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota nem um só til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido." ¶
Tenho pensado nestas palavras do Salvador, meus irmãos e irmãs, desde o início desta conferência, e as tenho aplicado ao estabelecimento e ao desenvolvimento da Igreja. Mais de oitenta e três anos se passaram desde que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi estabelecida. ¶
Em sua organização, no dia 6 de abril de 1830, havia apenas seis pessoas presentes que eram reconhecidas como membros da Igreja, e que participaram dos negócios então transacionados. Agora, após o decorrer desses anos, centenas de milhares de pessoas professam a filiação à Igreja. Muitos milhares dessas pessoas estão aqui nesta cidade, e participam dos exercícios desta conferência. Na época de seu estabelecimento, homens que não estavam familiarizados com as forças que agiam em seu desenvolvimento, e que a haviam trazido à existência, incrédulos, poderiam com certo grau de coerência ter pensado, ou dito, que era apenas mais um movimento em que uma nova denominação religiosa estava sendo estabelecida por um homem que descobrira erros nas organizações religiosas existentes, ou que era a obra de um simples entusiasta que acreditava que o Senhor o chamara para estabelecer uma nova igreja, ou que era o plano deliberado de um impostor que buscava tirar proveito da onda de reforma religiosa que varria o país, para a realização de seus próprios propósitos egoístas. Em qualquer dos casos, poder-se-ia ter pensado, como se dizia com frequência, que, se deixado em paz, ele, como tantos movimentos semelhantes que o precederam, cairia em nada. Não é incomum que, em seu início, o sucesso de muitos grandes movimentos que resultaram em benefício inestimável para a humanidade tenha sido posto em dúvida. Não é de todo incomum que movimentos inaugurados com todas as perspectivas de sucesso tenham se mostrado fracassos. ¶
Assim, é somente depois que a experiência nos oferece evidências pelas quais possamos chegar a conclusões, que podemos determinar com inteligência os resultados. ¶
Homens que se dirigiram a nós nesta conferência deram forte testemunho da divindade desta obra e de seu triunfo final. Esse testemunho, se não sustentado por evidência, nossa fé, mesmo a devoção àquilo em que acreditamos, se somos cristãos professos, deve ser sustentada pela palavra do Senhor. Creio nestas palavras do Salvador que li, como creio em todas as Suas palavras; e, se Ele falou a verdade, então nós e o mundo religioso devemos estar em harmonia com a lei e os profetas, pois, se hão de ser cumpridos, nem um jota nem um til há de passar. Então, se professamos fé em Cristo e afirmamos, como afirmamos, que Ele é o autor do estabelecimento da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, devemos ser capazes de mostrar que, em seu desenvolvimento tanto quanto em seu estabelecimento, ela está em harmonia com a lei e com os profetas, pois por essa medida todas as denominações religiosas hão de ser julgadas algum dia. ¶
Então tenho pensado, ao olhar para os rostos destas magníficas congregações de Santos dos Últimos Dias, que aqui se reuniram, que, se as palavras dos profetas são verdadeiras, o próprio Cristo, sendo o maior de todos eles, sabemos, temos esta certeza, que em algum momento posterior ao período em que Ele ministrou na carne, Seu evangelho deveria voltar à terra e ser novamente estabelecido entre os homens. Ele ensinou isso a Seus discípulos desde o início, que teria de deixá-los, que teria de sofrer pelos pecados do mundo, mas, assim como testificou de Sua gloriosa ressurreição dentre os mortos, também lhes disse que viria o tempo em que Seu evangelho seria novamente pregado sobre a terra para a redenção de Seu povo do convênio. Considerado em sentido geral, isso seria algo indefinido, e por isso perguntaram-Lhe qual seria o sinal de Sua vinda e do fim do mundo. Ele os advertiu que não se deixassem enganar, que muitos viriam em Seu nome e enganariam a muitos, que falsos profetas surgiriam e falsos cristos surgiriam, e que, se possível, sua sofisma seria tal que enganaria até os próprios eleitos; mas isto Ele lhes deu como guia: onde estiver o corpo, ali se ajuntarão as águias, ou, em outras palavras, onde quer que Meu evangelho seja pregado, onde quer que a Igreja de Cristo exista, ali se manifestarão os frutos do evangelho entre o povo. Essa restauração seria nos últimos dias. ¶
Seria numa época em que reinos se dividiriam, uns contra os outros; seria numa época em que haveria confusão religiosa, quando uns clamariam eis aqui e outros eis ali, uma época em que haveria guerra na terra, e contenda, e terremotos, e quando o mar se levantaria além de seus limites, e o povo do mundo estaria em confusão. ¶
Ora, isso não é tudo o que estava associado a esta ideia da restauração do evangelho. Ele nos disse exatamente como haveria de vir, não transmitida continuamente desde a época dos apóstolos para ser pregada aos habitantes da terra, mas viria por meio do ministério de um anjo, o qual João viu naquela gloriosa visão que lhe foi dada do Salvador, enquanto estava na ilha de Patmos, tendo o evangelho eterno para pregar àqueles que habitavam a terra, chamando os homens ao arrependimento com grande voz, advertindo-os de que os juízos do Todo-Poderoso estavam próximos. E isso não era tudo; seria numa época de restituição, a restituição de todas as coisas faladas pela boca dos santos profetas, esses profetas a que me referi, o sacerdócio, as ordenanças da Igreja, os corações dos pais seriam voltados para os filhos, e uma vigorosa obra pelos mortos seria estabelecida, inaugurado no dia do estabelecimento da Igreja de Deus. Seria uma dispensação de recolhimento, não apenas restauração no que diz respeito às doutrinas do evangelho, mas uma época em que Israel disperso seria reunido, pois os profetas lhes haviam dito que, embora fossem dispersos até as extremidades dos céus, ainda assim o Pai disse: "vos ajuntarei dali e vos trarei de volta às terras de vossa herança, e cumprirei as promessas que fiz a vossos pais." Assim, podemos esperar não apenas uma restauração do evangelho, mas uma restituição das ordenanças da Igreja e um recolhimento do povo do Senhor. ¶
E mais que isso, Ele deixou claro sob que condição esse recolhimento haveria de ocorrer: que Ele enviaria Seus mensageiros ao mundo, e eles os buscariam entre as nações, trariam um de uma cidade e dois de uma família, e viriam a algum lugar a que chamariam Sião, com cânticos de louvor eterno. Também não nos deixou em dúvida quanto a esse lugar. Seria nas montanhas. Não vos recordais de que Isaías disse que, nos últimos dias, o monte da casa do Senhor seria estabelecido, e que seria estabelecido também no cume das montanhas, e que todas as nações fluiriam a ele, que muitos povos viriam e diriam: "Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine acerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas"? Não era terra fértil, mas terra deserta, se os profetas hão de se cumprir; pois esse mesmo homem nos disse que o ermo se alegraria por causa deles, no tempo desse recolhimento, e exultaria abundantemente e floresceria como a rosa; que no deserto irromperiam correntes de água, e poços nos lugares desertos. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, não posso deter-me a continuar citações desta natureza, que me indicam, e que amo estudar e contemplar, e que foram delineadas por profetas de Deus que viveram antes de nós, e que se referem à dispensação em que vivemos. Lede a escritura, estudai-a, e vereis que mencionei apenas alguns daquela grande multidão de detalhes que hão de ser harmoniosamente reunidos onde quer que a obra do Senhor haja de se realizar. Então tenho olhado para trás, através destes oitenta e três anos, e me perguntado: a história e o desenvolvimento da Igreja se ajustam a essas profecias? Estão sendo cumpridas? Foram cumpridas? O testemunho do Espírito me diz que, em todo detalhe, desde a organização da Igreja até este ano da graça de 1913, gradual mas seguramente, a Igreja de Cristo tem justificado a declaração que fazemos ao mundo, de que foi divinamente estabelecida e de que está estabelecida para a redenção de Seu povo do convênio. O evangelho veio exatamente como o Senhor disse que viria. ¶
Joseph Smith não presumiu, como outros homens presumiram, estabelecer uma nova igreja, outra denominação cristã sectária, até que Deus o autorizasse a fazê-lo. Ele compreendia perfeitamente que não podia dar aquilo que ele mesmo não possuía. Não obstante o fato de que, naquela gloriosa visão, o Pai e o Filho se lhe haviam manifestado, não obstante o fato de lhe haver sido dito ali que havia uma grande obra para ele realizar, não obstante o fato de que Morôni o visitara e falara com ele e o instruíra, e lhe confiara as placas das quais este Livro de Mórmon foi traduzido, o que ele fez, pois tais coisas são verdadeiras e certas como qualquer verdade do céu, ainda assim ele não fez esforço algum, não deu passo algum visando o estabelecimento de uma igreja, mas, ao ler ali, descobriu, como sem dúvida já observara antes, que o batismo era essencial à salvação do homem. Cristo dissera que um homem não podia entrar no reino dos céus, salvo se fosse batizado, nascido da água e do Espírito, e, ao traduzir daquelas placas, encontrou essa doutrina reiterada ali, e, na humildade de sua alma, tal como fizera antes, foi ao Senhor. Nunca pensei que ele antecipasse aquilo que estava para ocorrer. Ele acreditava que sua oração seria ouvida e respondida, mas ele mesmo e Oliver Cowdery, que estava com ele, declararam que a mente humana não pode conceber a alegria que entrou em suas almas quando João Batista, descendo numa nuvem de luz, veio dos céus, colocou as mãos sobre suas cabeças, ordenou-os ao Sacerdócio Aarônico e lhes conferiu as chaves daquele sacerdócio, que detém o direito de pregar o evangelho do arrependimento, o batismo por imersão para a remissão dos pecados. ¶
Então esta dispensação do evangelho foi aberta; então eles tiveram autoridade para conferir a outros aquilo que o Senhor, por meio de Seu servo, lhes conferira, para pregar o evangelho, para administrar nas ordenanças da Igreja que pertencem àquela ordem menor do sacerdócio. Então veio a restauração do Sacerdócio de Melquisedeque; então vieram as chaves da conversão dos corações dos pais aos filhos e dos filhos aos pais, e que autorizam a obra que está sendo realizada nestes templos do Senhor. Então veio a autoridade de ir a todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura, e de recolher os desterrados de Israel, trazê-los aqui aos cumes destas montanhas, para que fossem ensinados na palavra do Senhor e aprendessem a andar em Suas veredas, esta terra deserta que foi feita florescer, esta terra deserta onde agora há poços de água, correntes irromperam, onde as vozes da música e das crianças se ouvem nas ruas, numa terra que outrora foi um ermo estéril, esta terra que está repleta de ouro e prata, exatamente como os profetas disseram que a terra do recolhimento haveria de ser. ¶
Assim, meus irmãos e irmãs, agradeço a Deus por, desde o próprio início, estarmos em harmonia com a lei e com os profetas, por estarem sendo cumpridos. Testifico-vos disso. Sei que Joseph Smith não foi impostor. Sei que ele não presumiu fazer nada além daquilo que fora autorizado pelo Senhor a fazer. Sei que os homens que o sucederam seguiram em seus passos, todos eles, e que hoje, na Igreja, sua força é maior e sua influência para o bem é maior do que jamais foi em sua história, e que nada debaixo do céu, exceto a transgressão do próprio povo, pode deter o progresso e o desenvolvimento desta obra do Senhor, porque a lei e os profetas hão de se cumprir, como Cristo declarou, e, se hão de se cumprir, podeis procurar em vão por todo o mundo um povo que os esteja cumprindo fora da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Meus irmãos e irmãs, familiarizai-vos com os profetas, familiarizai-vos com a escritura, compreendei, tanto quanto possível — e é possível compreender, porque Deus nos ajudará se o desejarmos — a importância desta grande obra em que estamos empenhados, e que ainda há muitas dessas sagradas e preciosas promessas e profecias no futuro. Esta é a Igreja de Cristo, foi-nos confiada, somos Seus pastores, estamos a desenvolvê-la, a estabelecê-la, a recolher Seu povo do convênio e disperso, para o fim de que Ele venha à Igreja, o que fará, porque essa é mais uma das profecias, que Ele virá nas nuvens do céu a nós, para vindicar nossa obra e testemunhar ao mundo as verdades eternas das doutrinas que pregamos e da obra que realizamos. ¶
Que o Senhor nos ajude a guardar a fé, para que estejamos preparados para Seu glorioso reino e Sua vinda, quando for estabelecido em plenitude, em poder e domínio sobre a terra, é o que peço, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶