A Devoção Particular e Aprender a Orar
J. Golden Kimball
No curto tempo que ocuparei, confio que o que disser possa cristalizar, e ser claro e abrangente. É claro que a grande questão é se tenho uma mensagem para vos entregar. Este chamado veio de maneira um tanto inesperada, embora eu procure, em meus trabalhos no ministério, sempre pensar em algo e depois tentar dizê-lo. Ora, se há uma única coisa em que sou normal, é a franqueza. Sempre que chegar o momento, em meus trabalhos ministeriais, em que eu não puder ser franco e honesto com o povo, sentirei que minha utilidade chegou ao fim. Não posso falar se não tenho liberdade, e, se algum dia sentir que não tenho o espírito do povo, não conseguirei falar. Muito se tem dito, durante esta conferência, sobre a terceira geração, e a quarta geração. Ora, não vou falar sobre esse assunto, porque Deus é o Pai de todos, e Jesus Cristo é o Redentor e auxiliador de todos. Mas há uma grande responsabilidade que recai sobre nós, que somos pais, e sobre as mães, e não creio que jamais tenha havido um momento em minha vida em que tenha sentido a responsabilidade tão pesada e grande sobre mim, em todos os meus trabalhos na Igreja, como no presente momento com minha própria família. Não são muitos em número, mas são suficientes, e quase mais do que consigo lidar. ¶
Penso que encontrareis em algum lugar do Antigo Testamento que "os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram." Tenho de confessar-vos que comi algumas uvas verdes em meus dias, e há um problema a respeito de meus filhos; e, embora esteja interessado em meus filhos e minha família, tenho interesse semelhante por vossos filhos e famílias. Vou ler outra escritura em que pensei hoje. Já a ouvi muitas vezes; encontra-se em Mateus, capítulo 8, versículos 11 e 12: ¶
"Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes." ¶
Tenho muito orgulho de minha ascendência. Não creio que alguém aprecie mais sua ascendência do que eu. Mas quero dizer aos Santos dos Últimos Dias que o orgulho de ascendência não vos salvará. Se obtivermos a salvação, devemos guardar os mandamentos, e servir ao Senhor. O conhecimento pertinente ao evangelho de Jesus Cristo não vem por ordenação, nem por designação, nem por linhagem, nem por meio de pai e mãe, embora eles ajudem. Mas não importa quem foram meu pai e minha mãe, ou quão devotados e fiéis foram; não importa quanto trabalho realizaram, e quanto do evangelho pregaram aos filhos dos homens, digo-vos que, se os filhos de Heber C. Kimball forem salvos no reino, terão de guardar os mandamentos de Deus, ou não serão salvos. Se não o conseguirem aqui, alegro-me em saber que terão outra oportunidade. ¶
Não quero ser radical, mas penso que estamos em grande perigo; penso que é errado sentarmo-nos tranquilamente e sentirmo-nos satisfeitos de que "Tudo vai bem em Sião", de que nossos filhos e os filhos de nossos filhos não estejam em perigo constante. Houve um tempo, nos pacíficos vales destas montanhas, em que éramos como uma grande família patriarcal, em que parecia praticamente seguro que nossos filhos corressem de um lado para outro. Quando era tão seguro nesta grande cidade de Salt Lake quanto é em vossas distantes localidades rurais deixar as portas abertas. Nasci bem aqui na colina, e conheço esta cidade toda a minha vida: já não é mais segura. ¶
Não há povo, penso eu, em todo o mundo conhecido, onde se dê tanta liberdade e frouxidão às crianças quanto entre os Santos dos Últimos Dias. Quero advertir o povo de que há grande perigo por todos os lados. Preferiria pensar em pôr minhas filhas numa cova de leões do que enviá-las a Salt Lake sem alguém para cuidar delas. Ao dizer isso, não estou dizendo nada contra o povo de Salt Lake. Não estou dizendo que não há tão boa classe de pessoas em Salt Lake, tão bons Santos dos Últimos Dias, e um povo tão puro quanto se pode encontrar no mundo. Mas digo-vos que não há mais segurança para vossos filhos, se não cuidardes deles, não me importa quem sejais, Apóstolo, ou Profeta, Evangelista, Pastor, ou Mestre. A responsabilidade recai sobre nós de cuidar de nossos filhos, e aprecio essa responsabilidade. ¶
Meu coração ainda não se partiu por causa de meus filhos, mas percebo o perigo; e sempre que um de meus filhos vai embora, fico preocupado; fico cheio de ansiedade, tenho pouca paz ou descanso do corpo. Tudo o que posso fazer por meu filho, meu filho mais velho, que agora está longe, trabalhando, porque não consigo lhe arranjar trabalho aqui — e essa é uma responsabilidade que recai sobre nós, prover emprego aqui para nossos filhos e filhas, para que não tenhamos de enviá-los para longe; deveríamos considerar isso parte de nossa religião — tudo o que posso fazer por meu filho é ensinar-lhe bons princípios. Escrevo bastante, e apenas coloco um pouco de bom conselho aqui e ali, e espero que ele o capte, e firme os pés, e perceba o perigo que o ameaça de todos os lados. ¶
Creio na adoração pública; é parte de nossa religião; é parte da revelação a este povo, que deve atender à sua adoração pública; mas não creio que a adoração pública seja a única forma de adoração aceitável a nosso Pai celestial. É nessa linha que gostaria de vos falar por mais alguns momentos, isto é, sobre a adoração particular. Tenho pensado bastante no assunto, no que me diz respeito individualmente, mas não conseguirei transmitir-vos todos os meus pensamentos. Tenho achado isso uma coisa muito difícil de fazer. Todos temos pontos de vista diferentes, e talvez não haja um único homem em Israel que veja uma coisa exatamente da mesma maneira, do mesmo ponto de vista que eu a vejo. Se eu a vir de um ponto de vista diferente do vosso, quero fazer a pergunta: estou errado? E respondo: não, a menos que pregue falsa doutrina. Agora vou fazer algumas perguntas, e depois vou responder algumas delas. ¶
Jesus dá grande ênfase à devoção particular. "Quando orares," diz nosso Mestre, "entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto." A razão pela qual esse pensamento me veio é por causa de minha própria casa. Não é porque pretendo criticar vosso lar, ou julgar a maneira como administrais vossa casa, mas porque tenho uma casa própria. A questão é a respeito da devoção particular. Ora, o aposento de Isaque era um campo, o aposento de Davi era sua alcova, o aposento do Senhor era o monte, o aposento de Pedro era o terraço. Ora, a questão é: pode Deus estar mais próximo de nós enquanto oramos em solidão do que quando oramos em congregações? Precisamos ir à igreja para encontrar Deus? Alguns dizem, por que é necessária a oração, uma vez que Deus, presumivelmente, conhece, sem que Lhe digam, os desejos de todos os homens? Deus, certamente, conhece os desejos nos corações de todos os homens. Não é o impulso de orar algo natural, que brota do amor pelo Senhor? E é dado esse impulso a todos os filhos de Deus? Sim, se a pessoa ama o Senhor terá grande desejo de se comunicar com Ele. Mas, se falta esse amor, não é quase inútil forçá-lo? Ora, aí está a questão. Estou tentando fazer meus filhos orarem. Quando eu era menino, meu pai fazia a maior parte das orações em casa, e, quando cheguei à idade adulta, não sabia orar; não sabia bem como, nem pelo que orar. De fato, não sabia muito a respeito do Senhor, porque meu pai morreu quando eu tinha quinze anos, mas posso lembrar-me de como ele orava, e tenho lamentado, muitas vezes, não conseguir orar como meu pai orava, pois ele parecia, naquelas ocasiões, estar em comunicação pessoal com Deus. Parecia haver uma amizade entre meu pai e Deus, e, quando o ouvíeis orar, realmente pensaríeis que o Senhor estava bem ali, e que meu pai estava falando com Ele. Podeis orar dessa maneira? Estais em termos tão amigáveis com o Senhor? Não quero dizer que devamos nos tornar demasiado íntimos e nos aproveitar disso, como filhos com os pais, mas que devemos manifestar reverência e amor pelo Senhor, pedir apenas o que precisamos, e não o que desejamos. Penso que, se apenas pedirdes ao Senhor o que precisais a cada dia, e crerdes que o Senhor está próximo e pode responder vossas orações, então poderá haver amizade entre vós e Deus. Pois bem, então, aprendei a amar o Senhor. ¶
(Vou ler isto para pôr diante de vós minha afirmação.) Mas, como se cultiva esse amor? Ora, aí está a questão, podemos sentar-nos e ensinar nossos filhos? Como se cultiva o amor pelo Senhor? Em outras palavras, como se obtém esse amor? Há certamente milhares dos filhos do Senhor que admitem a existência da Divindade, mas sem sentir emoção ou desejo de orar. Reconhecem que é um dever; tudo dá evidência disso, mas não têm desejo, nenhuma emoção. Talvez não lhes tenha sido ensinado a orar, e, por consequência, não oram. Assim como as crianças: vós que tendes filhos sabeis qual é vossa ansiedade, e sabeis o que pais e mães fazem por seus filhos, especialmente as mães. Aprendi uma lição com as crianças que nunca soube antes; não há nada nesta terra que me aflija e machuque pior, fora o pecado e a maldade e a rebelião, do que, quando faço tudo o que posso por um filho que ele merece, não haver evidência alguma de gratidão, nenhuma gratidão, nenhum reconhecimento, mas é considerado uma dívida que o pai deve ao filho. Alguma vez um filho vos disse: "Bem, o senhor me deve isso"? Nunca tive nenhum deles fazer isso, exceto uma vez, e fez-me sentir como se pudesse tê-lo devorado. Que eu lhe devia! Não devo nada a meus filhos, exceto amor, proteção, um lar e abrigo, e uma educação. Devo isso a eles, e a lei o exige. Mas, além disso, devem eles ser gratos? Ora, se nos sentimos tristes, e a mãe tão exausta depois de ter ido e trabalhado até as unhas dos dedos para fazer algo por um filho, e então eles não o apreciam porque veem algo do lado de fora que é maior, veem alguém fazer um presente melhor! Já fizestes alguma vez um presente de Natal a um filho, e, ao recebê-lo, ele ficou desapontado, e vosso Natal foi arruinado, e vos fizeram sentir quase com o coração partido, quando havíeis gastado afetuosamente cada dólar que tínheis, e, porque os filhos de outras pessoas tinham presentes muito melhores, o dia inteiro ficou estragado para eles, e para vós também? A ingratidão é um pecado à vista de Deus. ¶
Ora, então, temos de aprender a amar nossos pais e mães, e, a menos que aprendais a amar vossos pais e mães e a apreciar o que fizeram por vós, então não sois gratos. Se não conseguis compreender o que Deus fez por vós, e não conseguis aprender a amar a Deus, então não podeis orar a Ele. Posso estar errado em afirmar que não podeis orar. Poderíeis praticar até conseguir, mas não vos sentis satisfeitos depois de terminardes de orar, e não sentis que vossas orações ascenderam ao Pai, porque vossas orações não são construídas sobre amor e gratidão. Ora, como cultivareis o amor por Deus? Não sabeis muito a respeito dEle, Ele não vos comunicou muito. Talvez alguns de nossos filhos nunca tenham tido uma oração respondida. Devemos estudar, pensar, raciocinar, tentar compreender a bondade e a sabedoria de Deus, e o conhecimento que obtiverdes vos ajudará a apreciar o que Deus fez. Não podereis então deixar de amá-Lo, se apenas vos deixardes impressionar pelo que Deus fez por vós. ¶
Amo a Deus por uma coisa, se por nenhuma outra, que Ele dá a cada um de Seus filhos, negro ou branco, escravo ou livre, uma oportunidade igual. Gosto da igualdade de oportunidade, e sempre que os pais fazem de um filho seu favorito, sinto pena do favorito. Se quiserdes destruir vossa família, demonstrai favoritismo, e não deis a cada filho uma oportunidade igual. Nós, pais, temos de aprender essa lição. Não favorecer o filho porque o amamos, mas favorecer cada e todo filho igualmente, essa é uma obrigação sagrada. Deus faz isso com todos os Seus filhos, e, se há alguma desvantagem ou algum erro, somos nós que o fazemos uns contra os outros, Deus não. ¶
A oração pode ser feita de maneira simples e humilde, sem usar uma multidão de palavras. Uma pessoa não ama o Senhor apenas porque Ele a criou, ou porque lhe deu saúde ou riqueza; não é por manifestações externas. Vosso amor pode enfraquecer-se quando a doença e a tristeza vos vêm. Ouço pessoas orarem: "Agradeço-Te, Senhor, pela saúde." Deveriam ser gratas; é a maior bênção que podemos ter. Mas o que fazeis quando estais doentes? Esqueceis a Deus? O que fazeis quando acumulais um pouco de recursos? Não fui pobre a vida toda, e não fui criado com uma colher de prata na boca. Saí e lutei minhas batalhas no país do norte. Sei o que custa ganhar o pão pelo suor do rosto. Fui muito grato pelo que adquiri, porque trabalhei por isso, nunca fraudei ninguém por isso, mas o perdi. Ora, esqueci-me de Deus, porque o perdi? Está meu amor e minha gratidão a Deus assentados num fundamento tão pequeno que, assim que perco minha saúde, esquecerei meu Criador? Tive uma pequena experiência nessa linha, quando fui ao Sul e fui envenenado, da coroa da cabeça às solas dos pés, com malária. Agora tenho apendicite dos dois lados. Vou esquecer a Deus? Vou dizer que Deus não tem sido bom para mim? Ora, não; sinto que tenho sido favorecido acima de toda a raça Kimball; tenho oportunidades e privilégios que alguns deles nunca tiveram. Vou abandonar meu Deus? Não, aprendi a amá-Lo — não tão bem quanto meu pai O amava, talvez, mas estou aprendendo a amá-Lo. ¶
Ora, por que amais o Senhor? Deveríamos amar o Senhor por Sua justiça, por Sua perfeição e misericórdia, porque Ele manifesta Seu amor dando a Seus filhos uma oportunidade igual no trabalho da vida. Deveríamos pedir o que precisamos, e encontrar nisso prazer e satisfação espiritual. ¶
Agora vou ler-vos o que Alma diz a respeito da oração: ¶
"Comecai a invocar seu santo nome [Apenas começai — apenas dai um passo inicial]. Sim, clamai a ele por misericórdia, porque ele é poderoso para salvar. * * * Sim, clamai a ele quando estiverdes em vossos campos, sim, por todos os vossos rebanhos. Clamai a ele em vossas casas, sim, por todos os de vossa casa, tanto de manhã como ao meio-dia e à noite. Sim, clamai a ele contra o poder de vossos inimigos. Sim, clamai a ele contra o diabo, que é o inimigo de toda retidão. Clamai a ele pelas colheitas de vossos campos, a fim de que, por meio delas, prospereis. Clamai pelos rebanhos de vossos campos, para que aumentem. Mas isto não é tudo. Deveis abrir vossa alma em vossos aposentos e em vossos lugares secretos e em vossos desertos. * * * Não penseis que isto é tudo, porque, depois de haverdes feito todas estas coisas, se negardes ajuda aos necessitados e aos nus, e não visitardes os aflitos e não repartirdes o vosso sustento, se o tendes, com os que necessitam — digo-vos, se não fizerdes estas coisas, eis que vossa oração é vã e de nada vos vale, e sois como os hipócritas que negam a fé. Se não vos lembrardes de ser caridosos, sereis como o refugo que os refinadores põem fora, por não ter valor, e é pisado pelos homens." ¶
Despertemos da indiferença e do descuido, e produzamos frutos dignos de arrependimento. A prova está nisso, e outra prova que o Mestre orientou Seus discípulos a dizer é: "Pelos seus frutos os conhecereis." Reconheço que sou imperfeito, e ninguém lamenta isso mais do que eu. Cometi erros, tropeços, mas tenho fé em Deus, e sei que Deus perdoará um homem que se arrepende. Sei que temos de ensinar nossos filhos a orar. Lembro-me de um incidente que aconteceu no fatídico Titanic. Aquelas pessoas estavam em aflição naquele grande oceano — nunca vi o oceano, mas sempre tive medo dele — li a respeito de um grupo que subiu a uma jangada, alguns deles ricos e abastados, muitos deles tão boas pessoas quanto jamais existiram, e queriam orar. A banda estava tocando, e o fim estava prestes a chegar sobre eles. Queriam recitar a oração do Senhor, mas não a sabiam, e alguém teve de guiá-los, e eles seguiram dizendo a oração do Senhor. Não sabiam como nem pelo que pedir. Estavam tão assustados, talvez, e tão desacostumados à oração, que só conseguiam repetir a oração do Senhor, e alguém teve de guiá-los. Ora, gostaria de aprender a orar antes de me encontrar numa emergência dessas. Penso que deveríamos ensinar a todo o nosso povo como orar. Vou fazer-vos uma pergunta, e vou deixar que a respondais, e não vou vos criticar. Sei quais são vossas dificuldades, porque são exatamente como as minhas. Pergunto aos maridos Santos dos Últimos Dias se tendes esposas que veem tudo exatamente como vós? Não daria um estalar de dedos por uma mulher que não lutasse por seus direitos. Sou grato por minha esposa ser desse tipo; ela tem sua própria personalidade, sua própria individualidade, e nem sempre vemos as coisas exatamente da mesma maneira. ¶
Agora vou fazer-vos outra pergunta. Não vou perguntar-vos que tipo de esposa tendes, mas apostaria que nem todas veem as coisas exatamente como vós, mesmo que possuais o sacerdócio; elas não veem as coisas exatamente como nós quando se trata de lidar com os filhos. Quero perguntar-vos, Santos dos Últimos Dias, se podeis ter devoção particular no lar, a menos que estejais de acordo e tenhais tudo em ordem? Alguma vez tentastes orar de manhã quando as crianças têm apenas quinze minutos para chegar à escola? Agradeço ao Senhor que há um lugar onde meus filhos estão sempre em ponto; quer tomem o café da manhã ou não, chegam à escola. Já vistes crianças perderem o café da manhã para irem à oração? O pai quase precisa da paciência de Jó para reunir uma família para a oração matinal. Isso é uma fala bem direta, mas pareceis entender o que quero dizer. Suponho que já o tentastes. ¶
Ora, irmãos e irmãs, alguns encontram muitos defeitos na Igreja. Tenho estado associado com homens que encontravam defeitos. Não me refiro a meus companheiros no ministério, mas aconteceu de estar com outros que encontravam defeitos na Igreja, e nas autoridades. Quero dizer-vos que não há defeito na organização da Igreja, é perfeita. Não há defeito no evangelho de Cristo, se vivido à altura; ele vos torna melhores; vos torna bons em vosso lar; vos torna bons para vossa esposa, e bons para vossos filhos. Vos torna bons nas ruas; vos torna honestos; vos torna bondosos e generosos. Sei disso, ninguém o sabe melhor do que eu. É isso que a religião de Cristo faz. A Igreja está certa. Não tenho nenhum interesse pessoal a defender, não sou um dos homens que adoram homens, adoro a Deus. Não coloco minha confiança no braço de carne, mas honro o sacerdócio que os homens possuem. Tenho isto a dizer a respeito das autoridades da Igreja: tenho trabalhado com esses homens por vinte anos, e os homens que trabalham mais arduamente, de todos os homens com quem já convivi em minha vida, são os homens que estão em autoridade na Igreja de Cristo. Sei do que estou falando. Ora, onde está o defeito? Convido cada um de vós a ir para casa e encontrá-lo, e prometo que, se encontrardes algum grande defeito em algum lugar, ele estará bem em vosso próprio lar. Se puderdes administrar vosso próprio lar, e cuidar de vossa própria vida, não tereis tempo para encontrar defeitos. ¶
Ora, rogo ao Senhor que vos abençoe. Ide agora mesmo para casa. Sei onde está meu problema, e estou tentando curá-lo. Estou aprendendo esta lição, de que não adianta eu tentar governar uma família até governar a mim mesmo. ¶
Não esqueçais a devoção particular; aprendei a orar em vosso lar e a entrar em comunicação com Deus, como meu pai fazia, bem ali na Gordon Avenue, naquele pequeno cômodo, onde meu pai se comunicava com Deus, e Deus lhe respondia. Tenho isso por escrito. Sou testemunha viva de que se cumpriu. ¶
Vou contar-vos uma história, e depois pararei. Meu pai tinha homens trabalhando para ele por muitos anos, e tinha um a quem chamava de Cel. Smith. Foi nos dias de dificuldades e pobreza, e os homens tinham grande dificuldade. Empregavam muitíssimas pessoas, os irmãos empregavam, isso era parte de sua religião. Ele empregou o coronel, que tinha sido soldado na Grã-Bretanha, e, numa ocasião, ele foi a meu pai pedir um par de sapatos, e suponho que meu pai estava um tanto rabugento, e lhe respondeu de maneira um pouco abrupta, talvez. Então o coronel foi para casa sentindo-se mal, e, quando orou naquela noite, fez uma queixa a Deus contra meu pai, dizendo que "Teu servo Heber" não o estava tratando bem. Quando ele passou por aquele pequeno lugar na Gordon Avenue, na manhã seguinte, meu pai saiu e disse: "Robert, por que reclamaste de mim? Vem cá e pega teus sapatos, e não faças isso de novo." Ora, como ele sabia que o Cel. Robert Smith, que morava lá embaixo, na Décima Nona ala, tinha apresentado uma queixa contra ele? Não pensais que podemos entrar em termos amigáveis com Deus? Não em termos familiares, mas em termos amigáveis. Digo-vos, Deus responderá vossas orações. Se havia uma coisa que eu sabia melhor do que outra, quando viajava pelo Sul, era que Deus responde orações, e abranda o coração das pessoas para convosco. Que o Senhor vos abençoe. Amém. ¶