Como o Vizinho Mais Próximo do Antigo México
Andrew Kimball
Como o vizinho mais próximo do Antigo México, o povo dos Santos dos Últimos Dias, e aqueles que não são de nossa fé, na Estaca St. Joseph de Sião, tiveram bastante contato com nossos irmãos e irmãs refugiados daquele infeliz país. Imediatamente ao receber a notícia do Presidente Smith sobre a aflição de nosso povo, convidamos o comitê a enviar quantos desejassem à nossa estaca, e cuidaríamos deles. Em poucas horas, nossos Bispos, por meio dos professores em exercício, verificaram que poderíamos cuidar de mil pessoas em toda a estaca, se necessário, e que seriam recebidas em nossos lares. Na chegada daquelas pessoas infelizes à nossa estaca, foram imediatamente atendidas e providas com as necessidades básicas da vida. Não satisfeitos com isso, pois sabíamos que custaria muito mantê-las e pagar seu transporte, telegrafamos imediatamente a nossos Congressistas do Arizona, e insistimos que obtivessem do governo uma verba para nos ajudar. Assim, auxiliados pelos Senadores de Utah, os Senadores e Representantes do Arizona conseguiram obter do governo dos Estados Unidos uma verba de cem mil dólares para pagar o transporte destas boas pessoas para onde desejassem ir. Um pouco depois, apelamos a nossos Congressistas, e eles obtiveram o privilégio de reservar vinte mil dólares dos cem mil para a manutenção destas pessoas, e um pouco depois nos enviaram algumas tendas dos depósitos do governo em Hachita. Um funcionário do governo dos Estados Unidos está agora visitando casa por casa entre esses refugiados, e provendo-os com as necessidades básicas da vida. ¶
Temos pensado muito em como as condições mudaram. Certa vez, há muitos anos, um Presidente dos Estados Unidos, quando apelado por nosso povo, disse ao Profeta Joseph Smith e a seus seguidores: "Vossa causa é justa, mas nada posso fazer por vós." Hoje, todo o Congresso dos Estados Unidos se aqueceu de sentimentos de compaixão pelos refugiados "mórmons" do México. O Representante Howell me disse que não houve dificuldade nenhuma em obter a verba, que poderíamos conseguir quase tudo o que quiséssemos em benefício daquele povo. O Governador do Arizona me escreveu, e enviou uma bela e generosa contribuição, e disse: "Sr. Kimball, estamos prontos ¶
a ajudá-lo de qualquer maneira. Garanto-lhe a influência que tenho como Executivo deste Estado para qualquer coisa que desejarem que façamos. Emitirei uma proclamação, se assim o desejarem." Agradeci-lhe cordialmente, e disse que procuraríamos cuidar de nosso próprio povo. Ele renovou a mesma oferta mais tarde. Muitos que não são Santos dos Últimos Dias ofereceram assistência. Realizamos o trabalho quase inteiramente, além dos meios fornecidos pelo governo, em receber e cuidar de nosso povo. O Senador Ashworth me escreveu de Washington, e disse: "Sr. Kimball, o exemplo que seu povo demonstrou é a mais forte representação de magnanimidade, de generosidade e de hospitalidade que já vi; é um exemplo para nosso estado e nação, e para o mundo." ¶
Pensei numa passagem das escrituras a respeito da conversa entre Rute e Noemi, na ocasião da separação de Rute de sua sogra, quando ela disse: "Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores, irei eu, e onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus." A exemplificação deste sentimento, este belo e doce espírito de parentesco, é um dos mais fortes testemunhos do evangelho do Senhor Jesus Cristo, que inculca os princípios do amor fraternal e da bondade uns para com os outros. Quis chamar a atenção desta conferência para isto. O Presidente Smith e o Presidente Lyman recomendaram que os refugiados do México agora se espalhem entre as várias estacas de Sião. Recomendo e espero que os irmãos e irmãs em todas as várias estacas de Sião levem este princípio a sério, ¶
e permitam que estas pessoas se mudem para vossas estacas de Sião, enquanto ainda dispõem dos meios para se mudarem. Custa algo mudar-se do México para o Norte, e agora que eles têm os meios que foram destinados a esse propósito, esperamos que abrais vossas portas a eles. Não podemos cuidar de todas estas pessoas no Arizona por muito tempo, e não é saudável para elas ficarem ociosas. Em nossos distritos agrícolas, a estação da colheita está quase terminada, e não haverá nada para elas fazerem. O inverno se aproxima, e peço-vos, irmãos e irmãs em toda a Igreja, que agora abrais vossos lares a estes infelizes refugiados, e que escrevais sobre isso ao Presidente daquela estaca, ou a mim, pois temos muitos sob nossa supervisão neste momento. Enviemos algumas destas famílias aflitas a vós, para que sejam absorvidas pela Igreja, e não lhes faltem os confortos e as necessidades da vida. Menciono isto a vós que estais aqui reunidos, não porque não queiramos recebê-las por mais tempo, mas não é conveniente que tantas delas fiquem juntas sem emprego; simpatizam umas com as outras, e olham para trás, para seus lares abandonados. Isso vos entristeceria ver as fotografias que vimos nos últimos dois ou três meses, em consequência do terrível desastre que lhes sobreveio. ¶
Um daqueles bons irmãos, que passou 15 anos de sua vida procurando proclamar o evangelho e trazer o povo mexicano a um conhecimento da verdade, que estava bem estabelecido em seu lar e mal podia se dar ao luxo de deixá-lo, me contava como dois daqueles rebeldes entraram em sua casa, e, com um revólver apontado para seu corpo, disseram- ¶
lhe que abrisse sua casa e lhes mostrasse os tesouros de seu lar. Este bom irmão os acompanhou pelos oito cômodos de sua casa, e eles vasculharam tudo. Encontraram um baú, cuja chave sua esposa havia levado consigo, e estavam prestes a matá-lo porque ele não conseguia abrir aquele baú; então trouxeram um machado e o abriram à força, e dele tiraram as economias, arduamente conquistadas, desta boa família: $500,00. ¶
Quando o primeiro trem cheio destas pessoas chegou à nossa estaca, os levamos à casa de reuniões, e os distribuímos entre o povo. Levei uma família para minha casa, e ficaram lá, comendo à minha mesa por vários dias, e então consegui uma tenda e os acomodei confortavelmente no quintal de minha casa. Menciono apenas esta circunstância, que é apenas uma entre centenas. Havia por volta de quatro mil destas pessoas, que estavam confortavelmente instaladas; tinham belos lares. Quase temos vergonha de pensar que muitos de nós, nos Estados Unidos, com as vantagens que temos, não estamos cercados dos confortos que estas boas pessoas tinham naquele país estrangeiro, por causa de sua diligência e economia. A família que veio para minha casa havia deixado 130 acres de terra bem cultivada e trabalhada; a boa esposa fazia queijo, obtendo 25 centavos por libra por ele. Sua manteiga estava rendendo um dólar por libra em moeda mexicana (50 centavos em nossa moeda), e tinham suas galinhas, e pomar, e todo conforto de que pudessem desfrutar. Esta família havia crescido, desde a infância, nos Estados do Sul, e há 17 anos havia partido de lá para o México. Vi aquela boa e doce mulher sair ao jardim, e chorar amargamente. Haviam deixado um lar que fora muito sagrado para eles, tornado assim por 17 anos de trabalho árduo, e por todas as associações que um lar pode proporcionar, e possuíam todo conforto que pudessem desejar, e, subitamente, em poucos momentos, pegaram o que puderam colocar num baú, e partiram, deixando tudo o mais para trás — um grande bando de galinhas, cerca de 20 esplêndidas vacas leiteiras, um campo ondulante de trigo, seu jardim e tudo o mais. Tiveram de chegar a uma condição de absoluta dependência. Em muitos casos, aquelas boas pessoas, em resposta às nossas perguntas — "Por que não vos vemos em nossas reuniões?" — disseram: "Não temos roupas adequadas para aparecer na sociedade de nossos irmãos e irmãs em Thatcher." Recorremos à nossa Sociedade de Socorro, e elas fizeram roupas para eles. A maior parte destas pessoas ainda está em El Paso, Texas; outras no campo da missão do Presidente Robinson, e em nosso país, a Estaca St. Joseph de Sião, e a Estaca Maracopa de Sião. ¶
Ora, irmãos e irmãs, estas pessoas deveriam, por todos os meios, mudar-se para o Norte. Muitas delas vêm de uma altitude de 6.500 pés, onde se vestiam com roupas quentes, como vós hoje, e desceram a nosso vale, onde é muito quente, e sofreram ali por causa do calor. Deveriam, por todos os meios, ser trazidas para o Norte. Não temais prejudicá-las convidando-as ao Canadá, como sugerido pelo Élder Woods em sua carta de ontem. Não temais convidá-las a Idaho, ou a qualquer outra localidade, pois podem se adaptar a qualquer clima ou condição onde se estabeleçam. Abri vossos corações e sentimentos, irmãos e irmãs, e absorvamos entre nós o povo desta desorganizada Estaca de Sião, para que tenham emprego, e sintam que não são dependentes, e Deus vos abençoará por isso. Lembrai-vos do esplêndido princípio sugerido na conversa entre Rute e Noemi: "porque o teu povo é o meu povo, e o teu Deus o meu Deus." ¶
Que o Senhor nos abençoe, meus irmãos e irmãs, com o esplêndido sentimento de companheirismo e amor que se exemplifica nos discursos desta conferência. Que sua influência penetre fundo em nossos corações, para que sejamos instrumentos nas mãos de Deus, perpetuando os princípios de amor fraternal e companheirismo para com toda a humanidade, para que o mundo, juntamente conosco, glorifique a Deus por realizar esta grande obra e maravilha nos últimos dias, e isto peço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶