O Poder do Testemunho
Orson F. Whitney
"O puro testemunho, derramado pelo Espírito. ¶
Corta como uma afiada espada de dois gumes." ¶
Assim diz o velho hino, e fui fortemente lembrado dessa declaração durante as reuniões da conferência; de fato, tem sido meu privilégio, recentemente, ouvir mais de um poderoso testemunho dos servos de Deus, não somente nesta conferência, mas em outros lugares, e isso me levou a refletir sobre as condições que nos cercam no momento presente. Mais de uma vez, apontou-se que a maioria de nossos missionários, viajando pelo mundo, não são homens de experiência, de eloquência e argumentação, mas meros rapazes que só conseguem testificar, ou que principalmente testificam e exortam. Alguns lamentaram essa condição, e pensaram ver nela uma razão para justificar, em parte, uma predição atribuída a Andrew D. White, dita ao Conde Tolstói, no sentido de que a terceira geração dos Santos dos Últimos Dias se afastaria da fé. Seus avós e pais e mães poderiam estar firmemente enraizados e fundamentados, mas a terceira geração se afastaria. Alguns temeram que a Igreja se enfraquecesse pelo fato de que nossos missionários, em sua maioria, não são homens de experiência, de instrução e erudição, mas os jovens da comunidade. São estes que estão pregando o Evangelho; não alcançam os eruditos, os homens instruídos; não são capazes, pensa-se, de impressionar homens e mulheres de maturidade; e argumenta-se que isso não presságia nada de bom para a causa de Cristo. ¶
Fui levado a refletir que foi o testemunho de um rapaz, um mero jovem, que abriu a dispensação da plenitude dos tempos, e não conheço nada mais poderoso, mais penetrante, mais belo, mais sublime, do que aquele simples e singelo testemunho do jovem Joseph. Pensei que seria bom recordar aquele testemunho, e lê-lo em parte — o testemunho do Profeta Joseph Smith: "Foi na manhã de um belo e claro dia, no início da primavera de 1820. [...] Depois de me haver retirado para o lugar que previamente escolhera, tendo olhado ao redor e encontrando-me só, ajoelhei-me e comecei a oferecer a Deus os desejos de meu coração. Apenas iniciara, imediatamente se apoderou de mim uma força que me dominou por completo; e tão assombrosa foi sua influência que se me travou a língua, de modo que eu não podia falar. Uma densa escuridão formou-se ao meu redor e pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado a uma destruição súbita. ¶
Mas usando todas as forças para clamar a Deus que me livrasse do poder desse inimigo que me subjugara, no momento exato em que estava prestes a sucumbir ao desespero e abandonar-me à destruição — não a uma ruína imaginária, mas ao poder de algum ser real do mundo invisível, que possuía uma força tão assombrosa como eu jamais sentira em qualquer ser — exatamente nesse momento de grande alarme, vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. ¶
Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: 'Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!' ¶
Meu objetivo ao dirigir-me ao Senhor era saber qual de todas as seitas estava certa, a fim de saber a qual me unir. Portanto, tão logo me controlei o suficiente para poder falar, perguntei aos Personagens que estavam na luz acima de mim qual de todas as seitas estava certa, e a qual me unir. ¶
Foi-me respondido que não me unisse a qualquer delas, pois estavam todas erradas; [...] e muitas outras coisas disse-me, as quais não posso, no momento, escrever. Quando tornei a voltar a mim, estava deitado de costas, olhando para o céu. ¶
Alguns dias após essa visão, encontrei-me, por acaso, na companhia de um dos pregadores metodistas, que era muito ativo no já mencionado alvoroço religioso; e, conversando com ele sobre religião, aproveitei a oportunidade para relatar-lhe a visão que tivera. Fiquei muito surpreso com seu comportamento; tratou meu relato não só levianamente, mas com grande desprezo, dizendo que tudo aquilo era do diabo, que não havia tais coisas como visões ou revelações nestes dias; que todas essas coisas haviam cessado com os apóstolos e que nunca mais existiriam. ¶
Logo descobri, entretanto, que minha narração da história havia provocado muito preconceito contra mim entre os religiosos, tornando-se motivo de grande perseguição, a qual continuou a aumentar; e embora eu fosse um menino obscuro, de apenas quatorze para quinze anos de idade, e minha situação na vida fizesse de mim um menino sem importância no mundo, homens influentes preocupavam-se o bastante para incitar a opinião pública contra mim e provocar uma perseguição implacável, e isto se tornou ponto comum entre todas as seitas — todas se uniram para perseguir-me. ¶
Tenho pensado que me sentia como Paulo, quando apresentou sua defesa perante o rei Agripa e relatou a visão que tivera, quando viu uma luz e ouviu uma voz; mas poucos foram também os que acreditaram nele; alguns disseram que ele era desonesto, outros, que estava louco; e foi ridicularizado e injuriado; mas tudo isso não destruiu a realidade de sua visão. Ele tivera uma visão, sabia que a tivera, e toda a perseguição debaixo do céu não poderia fazer com que fosse de outra forma. ¶
Assim era comigo. Tinha realmente visto uma luz e, no meio dessa luz, dois Personagens; e eles realmente falaram comigo, ou um deles falou; e embora eu fosse odiado e perseguido por dizer que tivera uma visão, isso era verdade; e enquanto me perseguiam, injuriando-me e afirmando falsamente toda espécie de maldades contra mim por dizê-lo, fui levado a pensar em meu coração: Por que perseguir-me por contar a verdade? Tive realmente uma visão; e quem sou eu para opor-me a Deus, ou por que pensa o mundo fazer-me negar o que realmente vi? Porque eu tivera uma visão; eu sabia-o e sabia que Deus o sabia, e não podia negá-la nem ousaria fazê-lo; pelo menos eu tinha consciência de que, se o fizesse, ofenderia a Deus e estaria sob condenação." ¶
Nunca ouvi argumento ou discurso igual a esse; e, enquanto tivermos rapazes, jovens, que possam falar pelo poder de Deus, que possam testificar pelo Espírito Santo, não precisamos desesperar. O mormonismo tem em suas mãos as mais poderosas armas que o homem pode empunhar, a autoridade divina e o poder do puro testemunho, que corta como uma afiada espada de dois gumes. O argumento tem sua missão, e Deus pode inspirar um argumento tão prontamente quanto pode inspirar um testemunho; mas há algo peculiar no poder do testemunho. Ele é um pioneiro. O argumento pode vir depois, e preencher as lacunas, construir as pontes e as cidades; mas o testemunho vai adiante, no deserto, abrindo uma trilha, e marcando o caminho. Joseph Smith disse: "Eu vi e ouvi", e quem pode contestar isso, especialmente quando as palavras são acompanhadas pelo poderoso, convincente poder do Espírito Santo? Nenhum argumento pode resistir a isso, e há força e virtude suficientes em tal testemunho para trazer todo o orgulhoso mundo sob condenação, se o rejeitar. ¶
Como Joseph Smith viu a Deus? Muitas tentativas foram feitas para explicar essa maravilhosa manifestação, sendo a mais recente e a mais grotesca aquela que atribuiria a gloriosa visão, e tudo o que dela surgiu, a um ataque de epilepsia! Suponho que essa teoria se baseia, em parte, no fato de que o rapaz, segundo sua própria declaração, encontrou-se "deitado de costas, olhando para o céu". Como ele se ajoelhou para orar, e depois, após a visão, se encontrou de costas, infere-se que sofreu algum paroxismo, que alterou a postura de seu corpo, e que essa mudança foi resultado de um ataque epiléptico. Mas Joseph explica tudo — ele conta o que passou. O poder do maligno caiu sobre ele — apoderou-se dele, e tentou destruí-lo. Seria de admirar que a postura de seu corpo se alterasse? ¶
Enquanto lutava com aquele terrível poder, que lhe travava a língua de modo que não conseguia mais falar, ele continuou a orar em seus pensamentos; pois "a oração é o sincero desejo da alma", e os homens podem orar em segredo tanto quanto em voz alta. Joseph continuou a orar, em segredo, e, no momento em que sentiu que teria de abandonar-se ao desespero, foi libertado, viu uma luz, ouviu a voz, e comungou em visão com aqueles Seres celestiais. Recebeu mais do que pedira. Seu único desejo, aparentemente, ao ir ao Senhor naquele momento, era perguntar qual, dentre todas as igrejas, era a verdadeira, a fim de se unir a ela. Sua pergunta foi respondida, mas essa não foi a maior parte daquela gloriosa manifestação. A parte maior foi a parte que não falou. O que viu foi maior do que o que ouviu. Contemplou o Pai e o Filho, e eram na forma de homem — eram personagens, a quem falou, e que lhe falaram; e ali, e então, foi restaurado à terra, depois de eras de ausência, o conhecimento perdido do verdadeiro Deus. Mas os céticos dizem que ele apenas pensou ter visto essas coisas — imaginou ter contemplado esses personagens; e o comentarista já citado fez a profunda descoberta de que foi durante um ataque de epilepsia que o rapaz se convenceu de ter comungado com seres celestiais. Qualquer coisa, menos receber a simples verdade! Qualquer coisa, menos aceitar a palavra de um profeta, inspirado pelo Espírito do Altíssimo. ¶
Viu Joseph Smith o Pai e o Filho com seus olhos naturais? Não; Joseph Smith foi um homem semelhante a Moisés, pois, assim como Moisés trouxe ao mundo antigo o conhecimento perdido de Deus, que ordenou que os homens não tivessem outros deuses diante dEle — assim Joseph Smith trouxe de volta esse mesmo conhecimento ao mundo moderno. Ao traduzir o livro de Moisés, Joseph verteu, com sua própria mente, esta passagem, em que Moisés descreve a maneira e os meios pelos quais contemplou a Divindade: "Mas agora meus próprios olhos contemplaram Deus; não, porém, meus olhos naturais, mas, sim, meus olhos espirituais, porque meus olhos naturais não poderiam ter contemplado; pois eu teria fenecido e morrido em sua presença." Pérola de Grande Valor, Livro de Moisés, Capítulo 1, Versículo 11. ¶
Sendo Joseph Smith o intérprete dessas palavras de Moisés, podemos razoavelmente concluir que a maneira pela qual ele viu o Senhor foi a mesma maneira pela qual Moisés O contemplara. ¶
Além disso, o próprio Joseph, com Sidney Rigdon, assim testifica: "Nós, Joseph Smith Júnior e Sidney Rigdon, estando no Espírito, no décimo sexto dia de fevereiro do ano de mil oitocentos e trinta e dois de nosso Senhor, pelo poder do Espírito abriram-se nossos olhos e iluminou-se nosso entendimento, de modo a vermos e compreendermos as coisas de Deus [...] De quem testemunhamos; e o testemunho que prestamos é a plenitude do evangelho de Jesus Cristo, que é o Filho, o qual vimos e com quem conversamos na visão celestial." Doutrina e Convênios, Seção 76, versículos 11, 12 e 14. ¶
Eis a explicação disso. Nenhuma imaginação, e nenhuma epilepsia; foi uma visão real, mas vista com olhos espirituais. Não éramos todos nós espíritos antes de tomarmos estes corpos? Não andávamos por vista enquanto no mundo espiritual, guardando nosso primeiro estado, provando nosso direito, demonstrando nossa dignidade para vir aqui e andar pela fé, e guardar, se possível, nosso segundo estado? ¶
Também não se deve esquecer que Joseph Smith possuía os poderes de um vidente — que era "um vidente escolhido", um sem dúvida preparado desde os fundamentos do mundo, para realizar a obra que realizou, e para ver o que viu. Pode haver algo como um poder inerente de videncia, inerente ao espírito, até onde sei; mas, em todo caso, podemos razoavelmente concluir que este homem veio ao mundo para ver, e foi dotado de poder pelo Deus dos céus para esse propósito; e não há necessidade de nenhuma tentativa forçada de explicação. ¶
Há, contudo, algo tão maravilhoso nisso, e esta é uma época que questiona maravilhas e milagres, que os homens gostariam de descartá-los. É maravilhoso demais para o pensamento moderno. Assim como descartariam a divindade de Cristo e afastariam Seus milagres, assim também descartariam as maravilhas que estão nos fundamentos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
E, no entanto, foi "uma obra maravilhosa e um prodígio" que Isaías predisse, quando profetizou a obra do Senhor referente a estes dias — uma obra diante da qual "a sabedoria dos sábios" haveria de "perecer", e "o entendimento dos prudentes" haveria de "esconder-se". Então por que se maravilhar quando os milagres começam, ou melhor, por que rejeitar esses milagres? Depois de ler a Bíblia durante séculos, por que o mundo cristão não está preparado para a maravilhosa obra e prodígio de Deus, e por que rejeita o testemunho de Seus servos a esse respeito? Foi pelo dom da videncia, e pelo poder do Espírito Santo, que Joseph Smith viu o Pai e o Filho. E ele contemplou o anjo Morôni pelo mesmo dom e poder, e dele recebeu as placas do registro do Livro de Mórmon. Ele viu, do mesmo modo, João Batista, e Pedro, Tiago e João, e deles recebeu os Sacerdócios de Aarão e de Melquisedeque, sob cuja autoridade esta Igreja foi organizada em 6 de abril do ano de 1830. ¶
Disseram-me que Joseph Smith tinha tal poder de vidente que, depois de ter recebido do anjo aquelas placas, podia sentar-se na humilde casa de seu pai, enquanto o registro estava escondido a distância, e podia ler o que estava nas placas, e relatá-lo àqueles ao seu redor. ¶
O Presidente Joseph F. Smith, com o falecido Orson Pratt, o Apóstolo, teve uma entrevista com David Whitmer, creio que no ano de 1877, e ele lhes relatou uma experiência maravilhosa que teve, quando foi enviado de Fayette, Nova York, a Harmony, Pensilvânia, para trazer Joseph Smith e seu escriba Oliver Cowdery à casa de seu pai, onde poderiam continuar em paz a obra da tradução. David Whitmer disse: "Quando cheguei a Harmony, Joseph e Oliver vinham em minha direção, e me encontraram a certa distância da casa. Oliver me disse que Joseph lhe informara, quando eu partira de casa, onde eu parara na primeira noite, como eu lera a placa na estalagem, onde eu parara na noite seguinte, etc., e que eu estaria ali naquele dia antes do jantar; e foi por isso que tinham saído a meu encontro. Tudo o que se passou foi exatamente como Joseph dissera a Oliver, do que fiquei enormemente surpreso." ¶
Seis meses depois de a Igreja ter sido organizada, Oliver Cowdery, Parley P. Pratt e outros Élderes partiram em missão aos lamanitas; e, chegando a Kirtland, no norte de Ohio, pregaram ali o Evangelho, e reuniram ao rebanho um número considerável, entre eles Edward Partridge, que se tornou o primeiro Bispo da Igreja; Algernon Sidney Gilbert, Frederick G. Williams, Sidney Rigdon, e meu avô, Newel K. Whitney, com sua esposa, Elizabeth Ann Whitney. Esses discípulos, ao ouvirem que a Igreja provavelmente se moveria para o oeste, começaram a orar pela vinda do Profeta. Ouvi minha avó e meu pai relatarem que, quando o Profeta chegou a Kirtland, dirigia um trenó, e parou em frente à loja comercial de Gilbert e Whitney. Saltou, entrou na loja, aproximou-se do sócio mais jovem, e disse: "Newel K. Whitney, tu és o homem." Meu avô ficou surpreso; nunca tinha visto Joseph Smith antes daquele momento — Joseph nunca o tinha visto com seus olhos naturais — e respondeu: "Estranho, tens vantagem sobre mim; não poderia chamar-te pelo nome, como tu a mim." E o estranho então disse: "Eu sou Joseph, o Profeta. Tu me trouxeste aqui por tuas orações. Agora, o que queres de mim?" ¶
Por que poder reconheceu esse homem notável, Joseph Smith, alguém que nunca vira antes na carne? Por que Newel K. Whitney não o reconheceu? Foi porque Joseph Smith era um vidente, um vidente escolhido; ele de fato tinha visto Newel K. Whitney de joelhos, a centenas de milhas de distância, orando por sua vinda a Kirtland. Maravilhoso — mas verdadeiro! ¶
Outro incidente na experiência de meu avô com o Profeta mostra ainda mais esse poder de videncia. No ano de 1832, depois de Newel K. Whitney ter se tornado Bispo de Kirtland, foram até Independence, Missouri, onde Edward Partridge era Bispo em Sião, e, ao regressarem, o Bispo Whitney sofreu um sério acidente. A carruagem em que viajavam disparou. O Profeta saltou da carruagem e escapou das rodas, mas o Bispo, tentando fazer o mesmo, foi apanhado pela roda, e teve a perna quebrada em vários lugares. Como resultado desse acidente, ficaram detidos várias semanas em Greenville, Indiana, onde se hospedaram em uma estalagem; o Élder Rigdon, seu companheiro de viagem, entretanto, seguiu para Kirtland. Fez-se uma tentativa contra a vida do Profeta por envenenamento, de modo que ele julgou prudente deixar o local o mais rápido possível, e propôs ao Bispo que partissem imediatamente. O que se seguiu está assim registrado na História da Igreja, como compilado e editado pelo Irmão B. H. Roberts. Esta é a própria linguagem do Profeta: "O Irmão Whitney não movia o pé da cama havia quase quatro semanas, quando entrei em seu quarto, depois de uma caminhada no bosque, e lhe disse que, se concordasse em partir para casa pela manhã, tomaríamos uma carroça até o rio, cerca de quatro milhas, e ali haveria uma balsa esperando, que nos levaria rapidamente através, onde encontraríamos uma carruagem que nos levaria diretamente ao desembarcadouro, onde encontraríamos um barco, à espera, e estaríamos subindo o rio antes das 10 horas, e teríamos uma viagem próspera até em casa. Ele se animou, e me disse que iria. Partimos na manhã seguinte, e encontramos tudo como lhe havia dito." — Volume I, página 272. ¶
Casos poderiam se multiplicar, se necessário. Não somente pelo dom da profecia, mas pelo poder da videncia, Joseph Smith foi capaz de prever o futuro. Foi por esse poder milagroso que ele viu o Pai e o Filho. Foi por esse poder maravilhoso que ele e Oliver Cowdery viram Jeová, Moisés e Elias no templo de Kirtland; e pelo qual, também, Joseph e Sidney contemplaram as glórias dos mundos celestial, terrestre e telestial. Por esse poder maravilhoso, o Profeta, com toda probabilidade, contemplou a grande organização da Igreja de Deus no céu; pois, ao organizar os conselhos e quóruns do Sacerdócio, ele disse: "E é de acordo com a visão, que mostra a ordem dos Setenta, que eles devem ter sete presidentes para presidi-los, escolhidos dentre os setenta." — Doutrina e Convênios, 107:93. ¶
Ora, se ele viu os Setentas em visão, por que não os Apóstolos? Por que não a Primeira Presidência? Por que não as estacas e alas, com seus oficiais presidentes, e até mesmo as organizações auxiliares? Quem pode dizer que ele não os viu? Quem pode dizer que esses quóruns do Sacerdócio, essas sociedades e associações auxiliares, a Igreja de Deus em sua totalidade, tal como existe sobre a terra, não é um reflexo da Igreja de Deus no céu, na medida em que se adapta às nossas condições presentes, na medida em que se fez necessário organizá-la aqui; o resultado eventual sendo uma Igreja perfeita, correspondendo em cada particular à Igreja do Primogênito; e isso para que a vontade de Deus seja feita na terra, assim como é feita no céu? ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, nunca vi Joseph Smith; mas creio nele tão firme e fervorosamente como se o tivesse visto; amo-o e reverencio sua memória tanto quanto se o tivesse conhecido na carne. Nunca vi Jesus Cristo como Joseph Smith O viu. Meus dons são diferentes. Talvez eu não seja digno de tal honra. Se vi o Senhor, foi em sonho; mas foi suficiente — foi suficientemente poderoso para mim. Eu O vi, e conversei com Ele, e Ele me disse o que fazer — mas foi apenas um sonho. Eu costumava pensar que, se qualquer bom rapaz fosse orar, o Senhor Se mostraria e falaria com ele tão livremente quanto falou com Joseph. Era um pensamento infantil, e, quando me tornei homem, deixei de lado as coisas infantis. Todos temos acesso a Deus. Todos podemos receber revelação dEle, como o Presidente Smith nos assegurou; mas os homens não são todos iguais; não possuem todos os mesmos dons, os mesmos poderes, os mesmos privilégios. Há um só Espírito, mas uma diversidade de dons e manifestações. E, quando o Senhor responder às vossas orações e às minhas, Ele nos dará, ou nos enviará, ou nos falará, ou de outra forma nos manifestará, de acordo com nossos dons, nossas capacidades — e não as de outra pessoa. Mas todos podemos ter um testemunho de que esta é a obra de Deus. Tenho esse testemunho. Creio que esta é a obra do Senhor. Meu nome pode ser lançado fora como mau por essa crença; aceito a consequência; creio que esta é a obra de Deus; sei que é a obra de Deus; e sei que Deus sabe que eu o sei; e não posso, nem quereria, negá-lo por nada no mundo. Amém. ¶