Os Frutos do Mormonismo São Bons
Frank Y. Taylor
Rogo, meus irmãos e irmãs, que o Espírito do Senhor dirija minhas palavras esta tarde. Tenho-me interessado pelo que foi dito em todas as sessões da conferência, e pelas observações de nossos presidentes de missão esta tarde. Isso me traz à mente o pensamento de que os frutos do "mormonismo" são bons, particularmente para aqueles que trabalham no ministério, dedicando seu tempo à obra do Senhor. Tenho observado muitas vezes que nenhuma bênção maior poderia vir a um jovem do que ser chamado em missão para proclamar a verdade às nações da terra. Se ele não faz muito bem a outras pessoas, ao menos faz de si mesmo um homem, e volta cheio de dignidade, graça e testemunho da obra do Senhor. ¶
Eu estava viajando na parte sul do estado, há alguns anos, com um homem que era ateu, um bom homem, mas sem fé na obra do Senhor. Ele havia pertencido antes a esta Igreja, e testemunhara sua graça e sua bondade; mas caíra nas trevas, e a luz dentro dele havia se tornado, de fato, muito escura. Estávamos viajando juntos no mesmo trem, e conosco ia um jovem que acabara de voltar de uma missão, a caminho de seu pequeno povoado natal. Entramos em conversa com ele, e o achamos um esplêndido exemplo de juventude e virilidade, limpo e puro ¶
em seus hábitos. Parecia que toda a sua alma estava cheia de luz do sol e bom ânimo. Relatou-nos suas experiências missionárias, seu chamado, e como o havia aceitado com alegria, e ainda assim com que temor foi ao mundo, temeroso de sua falta de conhecimento do mundo e do que aconteceria em seu caso; mas tinha fé, e foi, crendo no Senhor Jesus Cristo, na divindade da missão do Profeta Joseph Smith, e que esta é a obra do Senhor. Deu esse testemunho com fé e coragem, diante da oposição do mundo. Contou-nos de seus altos e baixos, das portas que se haviam fechado diante dele, de muitas coisas más que se haviam dito sobre ele e seus companheiros, sobre a obra, e sobre o povo que vive nestes vales das montanhas. Além disso, relatou alguns dos prazeres que desfrutara em seu ministério, ao proclamar essas coisas, e falou do testemunho que tivera do Espírito do Senhor. Em comum com quase todos os nossos jovens que têm saído a proclamar este Evangelho, testificou que o tempo mais agradável de sua vida foi em seu campo missionário. Meu amigo se divertiu muito com as observações que este jovem tinha a fazer. Ele conhecia outros jovens que voltavam de missões, e testemunhara desenvolvimento semelhante neles. Havia bastante gente na estação para receber este jovem, e as lágrimas de alegria e felicidade que se viram por sua causa, naquele povoado, causaram bastante efeito em meu amigo. Depois que o trem partiu, ele se voltou para mim e disse: ¶
"Não sei o que há nesta vossa fé que produz este resultado maravilhoso. Tenho um rapaz mais ou menos da idade do jovem que acaba de nos deixar, e ficaria contente de vê-lo sair ao mundo como missionário, se ele pudesse voltar com o mesmo espírito, energia, vida e beleza que este rapaz manifesta ao retornar, porque verdadeiramente algo maravilhoso aconteceu em sua vida. Se meu filho pudesse ir sem ter de aceitar vossa fé, e receber a educação que estes vossos rapazes missionários recebem, eu preferiria que ele o fizesse a que passasse o mesmo tempo na melhor faculdade do país." Novamente disse: "Não sei o que há em vossa religião que produz esse resultado, e no entanto testemunho o resultado." ¶
Tentei explicar-lhe o que há nisso que produz este resultado; mas, é claro, ele não aceitou meu raciocínio, porque suas trevas eram tão grandes, devido à falta de fé nesta obra. Eu o conhecia. Era um homem do mundo. Regozijei-me por os frutos deste trabalho missionário serem tão manifestos. É um exemplo entre centenas e milhares de outros de nossos rapazes que saem para proclamar este Evangelho eterno. O mundo deveria apreciar este fato! Mas não conseguem compreender por que os homens que estão mais profundamente interessados nesta obra, que dedicam a maior parte de seu tempo a ela, desfrutam do espírito de seu ministério e trabalho. Mas a verdade se manifesta na boa vida que levam, e os frutos do ministério são bons de contemplar. ¶
Na estaca em que presido temos muitos jovens que saem para proclamar o Evangelho, e, quando partem, noto que classe de jovens são; e, quando voltam, testemunho novamente a maravilhosa transformação que sobre eles se operou. São jovens inteligentes, limpos, afáveis, honrados, e um crédito para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Quisera eu que todos nós pudéssemos ser julgados pelo padrão manifesto no retorno do élder que saiu a proclamar este Evangelho eterno no mundo. Não precisamos envergonhar-nos deles, nem de seu ministério, nem de sua obra, porque acrescentam glória à causa de Deus na terra. ¶
Meu pai, ao me ensinar, estava ansioso, é claro, para que eu honrasse e desse crédito ao nome de nossa família, e fizesse o que é certo, próprio, honroso e reto na vida. Desejava que eu ocupasse, talvez, algum lugar de destaque diante de meus semelhantes; mas o maior fim ao qual ele sentia que qualquer um de nós poderia aspirar era ser um Santo dos Últimos Dias consistente, honrado e íntegro. Nesta realização havia campo, ele sentia, para que as pessoas erguessem a cabeça com honra diante de todos os homens. ¶
Sinto, meus irmãos e irmãs, que este trabalho missionário no mundo é uma experiência gloriosa para nossos jovens. Tenho notado que maravilhosa influência exerce, não apenas sobre aquele que parte, mas a fé aumenta no lar de onde ele sai. Esperam com maravilhoso prazer as cartas que recebem de seu rapaz, e o testemunho que ele dá, as experiências que tem no mundo, e as bênçãos do Senhor que a ele vêm. Um milagre acontece em sua própria vida, quando sai para pregar o Evangelho; enquanto a fé aumenta nos corações de seu pai e sua mãe, de seus irmãos e suas irmãs, e todos se regozijam num testemunho desta obra. Há poucos dias apenas, um homem me visitou. Ele é membro da Igreja. É um bom homem do mundo, mas "não faz muito" na Igreja, embora seja um homem honrado e esplêndido. Seu filho foi chamado em missão, teve fé suficiente para ir, e foi, e os pais se regozijaram, como todos na casa. Havia pureza, virtude, e o espírito do Evangelho entre eles, e regozijaram-se por um jovem daquele lar ser digno de sair e pregar o Evangelho. De vez em quando, este pai vem a mim com uma carta que recebe deste rapaz, e ele pensa que seu filho é um dos homens mais maravilhosos do mundo, porque tem um testemunho do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, e vive uma vida tão boa no mundo. Traz alegria e felicidade aos Santos dos Últimos Dias ter jovens que saem e pregam este Evangelho. Sinto que deveria haver um espírito missionário no coração do povo — que, onde os pais têm rapazes que podem sair e oferecer seus serviços ao Senhor nosso Deus para ensinar Sua palavra às nações da terra, deveriam regozijar-se. Nenhuma mão ou voz de pai jamais deveria se levantar contra a partida de seus filhos, sempre que tiverem oportunidade de sair e pregar este evangelho, porque nenhuma alegria ou felicidade maior pode vir a vossos filhos do que obterem o reconhecimento de que Jesus é o Cristo, e de que a obra em que estamos empenhados é a obra do Senhor, nosso Deus. Deveríamos fortalecer este espírito missionário em nosso meio. ¶
Lembro-me de estar em uma das cidades dos Estados Unidos, numa longa e apinhada via pública, quando vi dois rapazes apressando-se junto com o resto da multidão, e os ¶
distingui. Não sabia particularmente por quê, mas, ao olhá-los, havia algo diferente neles em relação às pessoas ao redor, e concluí que eram missionários Santos dos Últimos Dias. Nunca os havia visto antes, mas me aproximei deles, apresentei-me, e perguntei se eram de Utah, e eis que a resposta revelou que eram rapazes saindo a proclamar o Evangelho. Algo nesses rapazes me atraiu, e cri em minha alma que eram Santos dos Últimos Dias. O que me impressionou foi que havia neles uma pureza diferente. Havia uma ambição, uma esperança, e algo escrito em seu semblante que me impressionou como sendo diferente do seu entorno. Regozijo-me por nossos rapazes terem esta pureza, e por poderem sair ao mundo conscientes de que são limpos, afáveis, e puros dos pecados do mundo. ¶
Ora, esse é o rapaz que prega o Evangelho no mundo; deveria ser igualmente verdade para nossos rapazes e moças aqui em casa. Deveríamos ser exemplos para o mundo inteiro, quanto a essas coisas, e este espírito missionário deveria prevalecer aqui em casa. Oh, que felicidade vem ao rapaz que sai como missionário para pregar este evangelho! Ele suportará bravamente as afrontas e os escárnios do mundo, para ser um ministro do Senhor Jesus Cristo, testificando desta obra e das coisas que o Senhor tem feito por este povo. Sinto que deveríamos exercer um pouco deste espírito missionário em casa. Creio que nossos rapazes e moças em casa deveriam também desfrutar dos frutos que vêm àqueles que estão empenhados no exterior na obra do Senhor, pois há amplo campo para eles atuarem como missionários aqui em casa. Não há um só povoado em nossa terra em que não haja necessidade de trabalhar entre o povo e ensinar-lhe o Evangelho. Bem aqui em casa temos abundância de material, e qualquer número de homens cheios do espírito da obra missionária, e ainda assim temos dezenas de pessoas que pertencem à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e muitas outras pessoas que não são membros desta Igreja, que ficariam felizes com a oportunidade de ouvir este Evangelho e a quem poderiam pregar. Poderíamos fazer muito mais deste trabalho bem aqui em casa. Tenho pensado muitas vezes que há espaço para uma maravilhosa melhora entre nosso povo na questão de pregar o Evangelho de Jesus Cristo em casa, particularmente àquelas pessoas fracas na fé, que não compreendem plenamente a glória e a bondade desta obra. Deveríamos nos esforçar para edificá-las, abençoá-las, e fazer-lhes o bem. Gostaria que nossos missionários, ao voltarem para casa, pudessem fazer um pouco mais deste trabalho entre seus companheiros que não têm a mesma luz e entendimento que eles têm — que saíssem entre aqueles que talvez tenham cometido alguns erros na vida, e que não estão vivendo à altura do que deveriam, e tentassem trazê-los de volta a uma compreensão da verdade, e à atividade e resolução em sua vida e deveres religiosos. Tenho às vezes usado esta expressão com nosso povo; saímos ao mundo para pregar o Evangelho, e temos as portas batidas em nosso rosto, muitas e muitas vezes, e depois de um tempo conseguimos que algumas dessas pessoas aceitem nossos folhetos. Trabalhamos com elas como ¶
deveríamos trabalhar com elas, e gastamos tempo e meios para trazê-las à Igreja, e quando o fazemos, sentimos que realizamos uma obra maravilhosa, e de fato realizamos. Não perguntamos tanto sobre essas pessoas, quanto à sua vida passada, contanto que se arrependam de seus pecados e se renovem nas águas do batismo, para que possam receber o dom do Espírito Santo. Contudo, sinto que muitos missionários voltam para casa e sentem que seu trabalho missionário terminou, e que não há mais oportunidade de trabalhar; mas digo-vos que há centenas e milhares bem aqui nas alas e estacas de Sião que precisam ser trabalhadas, e se nossos missionários exercessem o mesmo espírito de amor, caridade e bondade com elas, como o fazem com as pessoas do mundo, realizariam uma obra maravilhosa. Uma das dificuldades a respeito destas questões é esta, que somos tão propensos a ver os erros nas pessoas com quem estamos familiarizados, a tal ponto que não conseguimos ver muita virtude nelas; mas creio que, se trabalhássemos com o Espírito de Cristo, bem entre nosso próprio povo aqui em casa, poderíamos colher muitas almas preciosas para a obra do Senhor. Somos tão propensos a ver os erros de nossos vizinhos que não conseguimos imaginar que haja algo de bom neles, e concluímos que se corromperam; mas raramente se encontrará alguém que não seja suscetível à influência de algum bom espírito que trabalhe com ele. Muitos jovens já me disseram que nunca foram trabalhados com espírito de bondade, e que seus erros foram exagerados; o que precisam é de algum bom homem que ponha o braço ao redor deles e tente conduzi-los de volta a um caminho melhor. Sinto que, nesta obra, há grande espaço para que os missionários retornados preguem o Evangelho de Jesus Cristo a seus vizinhos. Todos nós que detemos o Sacerdócio do Senhor Jesus Cristo deveríamos exercê-lo para a edificação do reino de Deus, e a disseminação de Sua palavra. Quero dizer-vos que, se fosse meu filho que assim precisasse ser trazido de volta ao caminho certo, eu seria grato ao homem que se dispusesse a exercer esse tipo de espírito para edificá-lo, e fazê-lo sentir de novo o espírito do Evangelho. Creio que não há tipo de trabalho em Sião mais importante do que esse. Deveríamos exercer caridade, e estar dispostos a envidar esforços uns pelos outros, e especialmente por aqueles que precisam de um despertar. Sinto que deveríamos fazer isso entre os Santos dos Últimos Dias em casa, e procurar engrandecer a causa de Cristo aqui, para que possamos ter mais destes rapazes imbuídos deste espírito, e assim testificar a toda a humanidade que os frutos do Evangelho de Jesus Cristo são bons. Deus vos abençoe. Amém. ¶