Pulpit

Discurso da Conferência

Charles W. Penrose

Conferência Geral de Outubro de 1910·Sessão da Manhã do Terceiro Dia·1910-10-09

Um só Espírito caracteriza os Santos em todos os países. — Falta de autoridade divina nas seitas da cristandade. — Evidências da autoridade divina conferida aos Santos dos Últimos Dias. — Ordenanças realizadas sob autoridade divina, eternas em efeito. — Ordenanças realizadas sem nomeação autorizada não são válidas.

Já se passaram quatro anos desde que tive o prazer de comparecer a uma Conferência Geral, de olhar para os rostos de meus irmãos e irmãs, e ouvir as instruções de nossos líderes. Meu coração está cheio de

gratidão, nesta manhã, pelo privilégio que agora desfruto. Esta é, para mim, uma visão gloriosa, ver este vasto corpo de Santos dos Últimos Dias, reunido de diferentes partes da terra, aqui congregado para adorar a Deus "na beleza da santidade," com mentes abertas para receber a verdade, com o desejo de aprender os caminhos do Senhor e de ter força para neles andar. Não penso que um espetáculo como o que contemplo hoje possa ser visto em nenhum outro lugar, entre todas as nações da terra.

Enquanto estive ausente, viajei muito pelos países da Europa, visitei todas as partes das Ilhas Britânicas — Inglaterra, Irlanda, Escócia, e País de Gales. (Direi, de passagem, para o benefício de nossos irmãos galeses, que a obra foi reaberta naquele Principado, e no Sul do País de Gales temos vários missionários e certo número de conversos à verdade.) Visitei também a Holanda e a Bélgica, a Suíça e muitas partes da Alemanha, também a Suécia, a Dinamarca, e a Noruega. Em todas as minhas viagens, quando encontrei grupos de Santos dos Últimos Dias, senti entre eles o mesmo espírito que tenho sentido durante esta conferência, neste tabernáculo. Os Santos dos Últimos Dias, onde quer que sejam encontrados, são "batizados por um só espírito em um só corpo," não importa qual seja sua raça ou nacionalidade, não importa qual tenha sido anteriormente sua religião. Saíram do mundo, e foram "batizados em Cristo;" são parte do corpo de Cristo. Seu Espírito está com eles, e eles se regozijam no conhecimento da verdade. Seguiram a exortação do antigo apóstolo: "Acrescentai à vossa fé o conhecimento," etc. Deus lhes deu um testemunho pelo poder do Espírito Santo, e receberam a verdade tal como veio dEle nesta era do mundo.

Há muitíssimas pessoas entre as várias denominações cristãs que têm fé, mas há muito pouco conhecimento real da verdade. Há muitos professores e mestres eruditos de teologia, muitos grandes oradores, homens abençoados por Deus com o dom da fala, e é belo ouvir suas frases tão bem construídas. Sua eloquência é encantadora, mas há uma coisa que todos lhes falta — toda seita, toda denominação, toda seção ou facção da cristandade carece do poder de Deus para administrar em Seu santo nome, por autoridade. Este é um assunto da mais alta importância. Embora todo homem e toda mulher devessem ter o privilégio de expressar sua crença, de transmitir suas ideias a respeito da religião, bem como da filosofia e da ciência, e de tudo e qualquer coisa que edifique a humanidade, embora devessem ter essa liberdade em toda parte, e as pessoas devessem estar dispostas a ouvir suas vozes quando forem capazes de transmitir algum princípio de verdade, faltam-lhes aquela autoridade divina que Deus deu a Seus servos nos tempos antigos, e que, tenho o prazer de saber, Ele restaurou na época e era em que vivemos. É uma coisa pregar a doutrina de que Jesus é o Cristo, e outra coisa ser autorizado a administrar em Seu nome. Há milhões de pessoas que não parecem compreender esta distinção — que os homens podem

pregar e discursar, e podem escrever e proferir ensaios sobre assuntos religiosos, mas isso não lhes dá direito algum de administrar ordenanças que Deus instituiu, em Seu santo nome.

Quando Jesus Cristo enviou Seus apóstolos a pregar o evangelho a todo o mundo, a toda criatura, Ele lhes deu autoridade para administrar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Receberam um testemunho de Deus de que estavam dotados dessa autoridade e poder. Jesus, o Filho, falava em nome do Pai, e o Espírito Santo foi enviado sobre eles para testificar a suas almas de que assim estavam autorizados. O próprio Cristo, somos informados, não "se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei, e te chamei para seres sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." Cristo disse a Seus apóstolos, que escolheu para O representarem no mundo: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, lhes são retidos." "Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu." Esta é uma autoridade muito grande; este é poder divino; isto é sacerdócio. O santo sacerdócio é autoridade divina, assim como o Espírito Santo é luz divina; e os servos do Senhor, enviados por nosso Salvador nos tempos antigos, como lemos no Novo Testamento, foram dotados dessa autoridade e revestidos dessa luz. Foram instruídos pelo Salvador sobre como esse poder deveria ser usado. Nem todos os ensinamentos do Salvador a respeito

deste assunto estão registrados no Novo Testamento, nem em nenhum outro livro de que eu tenha conhecimento; mas Ele conversou com eles e lhes explicou como esse poder deveria ser exercido, seus limites, e a extensão da autoridade. Depois de Sua ressurreição, somos informados, Ele esteve com eles por cerca de quarenta dias. O registro de Seus ensinamentos a Seus apóstolos, e àqueles associados a eles neste santo ministério, não foi preservado, até onde sabemos. Se esses ensinamentos alguma vez foram registrados, serão trazidos à luz nestes últimos dias, nesta grande "dispensação da plenitude dos tempos, na qual o Senhor tornará a congregar em um todas as coisas que estão em Cristo, tanto nos céus como na terra." Essas coisas não estão agora em nossa posse; até onde sabemos, não estão registradas; mas podemos facilmente compreender, pelas ações e ensinamentos dos apóstolos, que não somente foram revestidos dessa autoridade, mas receberam instruções sobre como deveria ser exercida, limitada, e estendida. Ele estabeleceu Sua Igreja e conferiu estes poderes:

"Para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo:

"Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo:

"Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engodo dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente,

"Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo."

Assim nos informa Paulo, no quarto capítulo de sua epístola aos Efésios. Ora, este poder e esta autori-

dade eram reconhecidos no céu; ali está a força e a beleza e a eficácia disso. Quando um desses servos de Deus, ordenado pelo Salvador, ou ordenado pelos apóstolos ou por outros que foram ordenados pelo Salvador, administrava em nome do Senhor Jesus Cristo, ou, como no caso do batismo e uma ou duas outras ordenanças, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, suas ações eram reconhecidas nos céus. Eram tão válidas quanto se tivessem sido realizadas por Jesus Cristo mesmo, ou pelo Pai que O enviou. Ali está o poder, e a força, e a majestade deste sacerdócio ou autoridade divina; que tudo o que é devidamente feito por um homem autorizado de Deus, devidamente nomeado e ordenado a seu ofício e chamado, é registrado nas alturas e ali reconhecido, e tem vigor e efeito nos céus tanto quanto na terra.

Esta autoridade permaneceu na Igreja durante seu primeiro período, mas, por centenas de anos, segundo as próprias confissões das denominações cristãs modernas, não tem havido tal poder na terra. Todas as denominações protestantes da cristandade repudiam a ideia de que tenha sido transmitida por continuidade e por sucessão desde os dias dos apóstolos. De fato, não há igreja, nem jamais houve igreja, seja no protestantismo, seja na denominação ou organização mais antiga, em que houvesse um apóstolo inspirado, um profeta vivo, um vidente, um revelador, um homem revestido da autoridade que Cristo deu a Seus antigos apóstolos. Esta é a grande falta em toda a cristandade. Admiramos a eloquência dos grandes pregadores cristãos; admiramos a pureza da vida de muitíssimas pessoas cristãs; deleitamo-nos com a

música que compuseram; amamos a poesia que escreveram, e frequentemente a citamos. Reconhecemos seus cânticos, sua música, sua escultura, suas pinturas, sua arte e ciência, e suas grandes obras mecânicas e outras, em benefício da humanidade; mas, ao mesmo tempo, reconhecemos este fato poderoso — que entre eles não tem havido, por muitos séculos, autoridade alguma de Deus ao homem para administrar ordenanças em Seu nome. Portanto, seus batismos, suas confirmações e outras ordenanças que são administradas nas várias igrejas cristãs, embora possam ser boas coisas para reunir as pessoas em várias organizações, em unidade, em concórdia e amor fraternal, que existem em certa medida, não são reconhecidas nos céus, porque Deus não as nomeou. Por que deveriam ser reconhecidas nas alturas quando, segundo suas próprias confissões, não tem havido comunicação de Deus, do Pai, do Filho, do Espírito Santo, desde os dias dos primeiros apóstolos; que todas essas coisas foram abolidas e não são necessárias, mesmo nestes tempos? Ora, uma vez que o Senhor não as nomeou, uma vez que Ele não deu a autoridade que se exerce entre essas várias seitas conflitantes, por que deveria Ele aceitar suas ofertas?

Gostaria de ler-vos alguns versículos de escritura, nesta manhã, sobre este assunto. Encontrá-los-eis na centésima trigésima segunda seção da Doutrina e Convênios. Talvez isso não seja reconhecido como escritura por todos os meus ouvintes, mas os Santos dos Últimos Dias consideram as revelações de Deus nos últimos dias de pelo menos

tanta importância quanto qualquer coisa que Ele revelou nos dias antigos. Aceitamos a Bíblia como contendo revelações de Deus em dias antigos; aceitamos também o Livro de Mórmon como contendo a palavra de Deus para o povo neste continente americano. Mas, no livro de Doutrina e Convênios, temos várias revelações, dadas pela mesma fonte, pelo mesmo poder, pelo mesmo dom, nesta era, a homens dotados de autoridade semelhante à que possuíam os antigos, e, portanto, consideramos as palavras da Doutrina e Convênios como escritura. Vou ler dois ou três versículos desta seção:

"Eis que minha casa é uma casa de ordem, diz o Senhor Deus, e não uma casa de confusão.

"Aceitarei eu uma oferta, diz o Senhor, que não seja feita em meu nome?

"Ou receberei de vossas mãos aquilo que não determinei?

"E determinarei algo, diz o Senhor, a menos que seja por lei, como eu e meu Pai estabelecemos para vós antes da fundação do mundo?

"Eu sou o Senhor vosso Deus; e dou-vos este mandamento: Ninguém virá ao Pai senão por mim ou pela minha palavra, a qual é a minha lei, diz o Senhor.

"E tudo que existe no mundo, quer seja ordenado por homens, por tronos ou principados ou poderes ou coisas de renome, sejam quais forem, que não for por mim nem pela minha palavra, diz o Senhor, será derrubado e não permanecerá depois que os homens morrerem; nem na ressurreição nem depois da ressurreição, diz o Senhor vosso Deus.

"Pois todas as coisas que permanecem são por mim; e todas as coisas que não são por mim serão abaladas e destruídas."

Há muito mais ligado a isto que não desejo abordar aqui, nesta manhã: é para este santo poder e autoridade que desejo dirigir a atenção desta

congregação. Por que deveria o Senhor aceitar as ofertas dos homens — suas ordenanças, suas instituições, aquilo que originaram pela sabedoria humana? Reconheceria algum governo na terra os atos de homens que não foram nomeados por esse governo? Reconheceria alguma corporação, ou firma, ou indivíduo, envolvido em negócios, os atos de pretensos agentes que não haviam recebido autoridade alguma daquela pessoa, firma, ou corporação? Quando lemos as sagradas escrituras que foram escritas antigamente e dadas aos hebreus, descobrimos que, desde o início, o Senhor chamou certos indivíduos para agir em Seu nome, e que aquilo que fizeram por Sua autoridade Ele reconheceu, mas aquilo que foi realizado por pessoas que não tinham essa autoridade Ele não aceitou. Não tinham força, nem virtude, nem efeito no mundo eterno, e, segundo a revelação que acabei de ler, não terão efeito na ressurreição dos mortos, nem depois dela.

Uma coisa muito importante ligada a isto, para os Santos dos Últimos Dias, é que a ordenança do casamento para a eternidade foi revelada pelo Senhor, nesta era do mundo, por meio do Profeta Joseph Smith, pela qual homens e mulheres que receberam o evangelho, se arrependeram de seus pecados, foram batizados para a remissão dos pecados, e receberam o Espírito Santo pela imposição de mãos, podiam ser selados para o tempo e a eternidade, de acordo com a santa ordem de Deus, instituída no princípio, quando Deus deu Eva a Adão, antes de se tornarem mortais pela transgressão. Esta é uma importante ordenança pertinente à salvação da humanidade, e abre um campo de reflexão que é muito gratificante. Alegra o

coração, remove a escuridão da mente, capacita-nos a olhar para as coisas de um ponto de vista eterno: que, embora a morte possa vir e separar um homem de sua esposa, contudo, se foram selados pela santa ordenança que o Senhor instituiu, para o tempo e para a eternidade, sua união continuará na ressurreição dos mortos e depois dela. Adão e Eva se reunirão à frente de "uma multidão, vivificada e ressuscitada dos mortos;" e outros que forem abençoados com a mesma ordenança e privilégio, e tiverem sido selados pela autoridade deste santo sacerdócio que Deus restaurou, se reunirão na ressurreição e serão marido e mulher, e terão seus filhos reunidos ao seu redor, se esses filhos tiverem andado no caminho certo, para o começo de seu reino e glória pelos mundos sem fim. Ora, esta ordenança, como tudo o que o Senhor revelou, quando solenizada, deve ser administrada por autoridade. Se é feita em nome de Jesus Cristo, e Ele não a autorizou, é nula. Se é feita em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e eles não a autorizaram, chega ao fim e não terá virtude ou efeito no mundo por vir, nem nos céus hoje. Isto deveria ser compreendido pelos Santos dos Últimos Dias, e nenhum homem deveria tomar sobre si autoridade que não lhe foi conferida, quer esteja dentro da Igreja, quer fora dela.

O mundo, como disse, tem estado destituído desta autoridade por centenas de anos. Graças a Deus há um caminho aberto pelas revelações do Todo-Poderoso, pelo qual a salvação virá a milhões e milhões de pessoas, tanto pagãos

quanto cristãos, que não tiveram oportunidade de obedecer à verdade em seu tempo. A obra será realizada por eles por sua posteridade, e a salvação virá a todos os que forem dignos dela. Virá por meio da expiação realizada por Jesus Cristo, e de acordo com os planos que Ele revelou, de modo que todas as coisas sejam feitas por Sua autoridade, pela autoridade dos céus, e o que é feito na terra, por essa autoridade competente, será reconhecido nas alturas. Presto-vos meu testemunho de que este poder e esta autoridade foram restaurados na época e na era em que vivemos. Acrescento meu testemunho ao de meus irmãos que explicaram, nesta conferência, como o santo sacerdócio foi restaurado, como homens que o detinham antigamente vieram e ordenaram Joseph Smith e Oliver Cowdery. Primeiramente, o sacerdócio que João Batista detinha lhes foi conferido, e depois a autoridade divina detida por Pedro, e Tiago, e João, que estavam à frente da dispensação depois que Cristo deixou a terra. Foi-nos dito como vieram e outorgaram as chaves de sua autoridade a esses homens, e como isso tem sido transmitido até o dia de hoje. Nosso testemunho não é somente de que Joseph Smith recebeu esta autoridade divina, na única maneira pela qual poderia ser devidamente restaurada, mas de que aqueles que o sucederam neste ministério têm detido as mesmas chaves de poder e autoridade, ininterruptamente até o presente dia. Deus nos deu a certeza (deu-a a nós no princípio desta obra) de que esta Igreja e reino que Ele organizou não haveria de passar; não haveria de ser vencida pelo mundo, pela influência e pelos poderes

dos homens, mas que haveria de permanecer e continuar até que tudo debaixo dos céus eternos fosse trazido em sujeição, voluntariamente, à lei de Deus, e todo joelho se dobrasse, e toda língua confessasse que Jesus é o Cristo, para a glória de Deus, o Pai. Sei que isto é verdade. Presto-vos meu testemunho, perante esta congregação e perante os céus, de que o Senhor restaurou esta autoridade divina à terra, de que ela está nesta Igreja e reino, e de que o homem que está à sua

Advirto meus amigos, meus irmãos, para que jamais tentem administrar em algo para o qual não foram nomeados, pois, se o fizerem, não apenas descobrirão que aquilo que fizeram é nulo, mas também serão encontrados em transgressão. É coisa temível tomar sobre nós autoridade que o Senhor não restaurou. Eu jamais tentaria descer às águas do batismo e administrar essa ordenança a nenhum indivíduo, se não estivesse seguro, além de qualquer dúvida, de que detinha a autoridade para dizer: "Tendo sido comissionado por Jesus Cristo, batizo-vos em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." E nenhum homem tem o direito de usar esses nomes sagrados ou de agir naquela autoridade divina, a menos que a tenha recebido da maneira apropriada. A casa de Deus é uma casa de ordem e não uma casa de confusão, e Ele não aceitará uma oferta, ou uma ordenança, ou uma nomeação que Ele não tenha estabelecido e autorizado por Sua palavra, que é Sua lei, por meio daqueles que detêm as chaves; e há, segundo esta revelação, apenas um homem de cada vez, na terra, que detém as chaves daquele poder selador. Ora, lembremo-nos disso, meus irmãos e irmãs, e,

enquanto olhamos para o mundo saindo da linha apropriada de conduta ao realizar ordenanças para administrar as quais não foram nomeados, tenhamos o cuidado de não sairmos do caminho estreito e entrarmos em caminhos desviados e proibidos.

Testifico-vos que sei que esta obra é a obra de Deus; sei que prevalecerá; sei que contém a verdade eterna do Deus Todo-Poderoso. Sei que o Senhor ama o que é verdadeiro, e bom, e puro, e santo, e Ele não pode olhar para o pecado com grau algum de permissividade, e, portanto, devemos andar em Seus caminhos, guardar Seus mandamentos, e ser honrados, retos, e verazes em todo aspecto. Devemos nos manter dentro de nossos próprios limites: um diácono ou um mestre não tem o direito de batizar ou de impor as mãos para o dom do Espírito Santo. O Senhor limitou a autoridade nessas duas ordens do sacerdócio menor àquilo que foi revelado. Da mesma maneira, nenhum homem tem o direito de administrar em algo para o qual não foi nomeado. Que cada homem aprenda seu dever e o cumpra o melhor que puder. Testifico que o Espírito de Deus é derramado sobre Seu povo, em toda parte, onde guardam Seus mandamentos. Estive até o ponto mais setentrional da Noruega, muito além do Círculo Ártico, e encontrei ali santos possuídos do mesmo espírito que encontrei na Inglaterra, e na Alemanha, e em outras partes que mencionei, e que estão aqui hoje. Sei que esta é a obra de Deus, e que Seu povo se regozija diante dEle no conhecimento da verdade, pois Deus lhes deu o testemunho, a suas almas, pelo poder e dom do Espírito Santo; e

Ele dará o mesmo testemunho a todos os que sincera e fervorosamente O buscarem e desejarem a verdade.

Que Deus abençoe esta congregação, todos os que aqui estão, sejam ou não membros da Igreja. Que nossas mentes estejam abertas para receber a palavra do Senhor, dada em dias antigos ou dada em tempos modernos; pois o dia está próximo em que a luz, e a verdade, e a revelação fluirão dos céus, e aquilo que já recebemos são apenas gotas do grande dilúvio que há de vir. Louvado seja o Senhor por todas as Suas misericórdias. Agradeço-Lhe, nesta manhã, em meu coração, por Sua bondade para comigo. Durante o tempo em que estive ausente, viajando quase continuamente por terra ou por mar, fui preservado de acidentes, de dano, de doença, e de perigo de toda espécie; e, no meio desta congregação, louvo-O, nesta manhã, com toda a minha alma. Testifico que sei que Joseph Smith foi um Profeta do Deus vivo, que seus sucessores também foram inspirados pelo Todo-Poderoso, e que hoje temos um homem à nossa cabeça que detém as chaves do poder selador, com autoridade para dirigir todos os cargos na Igreja de Cristo.

Quero dizer, antes de me sentar, que encontrei muitos de meus "rapazes," como os chamamos, no velho mundo, que viajaram no ministério — bons e fiéis jovens, e alguns homens mais velhos, bons e fiéis servos do Senhor. Irmãos, agora que estamos em casa, continuemos com o arreio posto; não nos deixemos entrar na escuridão; não afrouxemos nossos esforços, mas sejamos ardentes e determinados em todo momento e em toda circunstância, em toda posição, para cumprir nosso dever, para sermos limpos e puros perante o Senhor, tal como éramos quando

estávamos em nossas missões. Sirvamos ao Senhor com todo o nosso coração, e guardemos nossos convênios, e busquemos guiar outros no caminho certo. Que Deus nos ajude a todos a fazê-lo — por causa de Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “Discurso da Conferência”, Conferência Geral de Outubro de 1910, Sessão da Manhã do Terceiro Dia (1910-10-09). Pulpit Vault, 1910-10-charles-w-penrose-conference-address. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).