Todo Santo Tem Direito a um Testemunho
Francis M. Lyman
Aprecio, como um privilégio muito grande, esta oportunidade de me reunir com uma congregação tão grande de Santos dos Últimos Dias e, possivelmente, com alguns de nossos amigos e vizinhos que não são Santos dos Últimos Dias. ¶
Tivemos uma reunião muito proveitosa esta manhã, e o tom principal nos foi dado a respeito da edificação de nosso estado e das regiões do país já ocupadas pelos Santos dos Últimos Dias. Há muito tempo sinto a necessidade de aconselhar nossos irmãos e irmãs a permanecerem em casa, a permanecerem em nosso estado de Utah e em outras regiões próximas que foram escolhidas para o recolhimento dos Santos dos Últimos Dias, onde estacas foram organizadas, e onde alas, em grande número, foram estabelecidas. Não é uma coisa boa termos o espírito de vagar de um estado para outro, ou de uma estaca para outra, ou de uma ala para outra. Ocorre, ocasionalmente, que mudanças são necessárias, mas, como regra, é melhor permanecer estabelecido e firmado, desenvolvendo nossas fazendas e nossos negócios, estabelecendo lares, e nos tornando cidadãos sólidos e estáveis de nosso país comum. Creio que é um mau hábito no qual os irmãos às vezes caem, o de se mudarem, vagarem por aí, e perderem sua posição e comunhão na Igreja, e fazerem novas amizades em vez de permanecerem firmados e fixados no país — especialmente, como sugerido pelo Presidente, esta manhã, em nosso próprio país. Utah ainda não está densamente povoado. Não há cidade, nem condado, no estado, de que me lembre no momento presente, que esteja densamente povoado. Há bastante espaço em nosso estado — no vale de Salt Lake, no vale de Weber, no vale de Utah, em Juab, Sanpete, Millard, Beaver, Iron, e em toda a parte sul do estado, bem como na parte norte. ¶
Em toda parte há bastante espaço em Utah, mas está se enchendo rapidamente com nossos amigos e vizinhos vindos de fora, e será bom para nós, meus irmãos e irmãs, atendermos ao conselho dado esta manhã, de permanecermos em casa e nos estabelecermos, para que possamos ocupar esta terra e desenvolver os recursos de nosso país. Não precisamos ir ao exterior em busca de facilidades de mineração; não precisamos ir ao exterior em busca de mineração de carvão, de ouro, de prata, de chumbo, ou de cobre. Temos perspectivas tão boas e oportunidades tão lucrativas neste estado quanto se pode encontrar em qualquer um de nossos estados vizinhos. A cada tanto surgem aberturas e oportunidades nas linhas agrícolas; novas regiões estão sendo abertas, e a água está sendo melhor controlada. Creio que estarei perfeitamente seguro ao dizer que, para o futuro, nossa grande obra será cuidar da água que temos e utilizá-la adequadamente, para que as terras de nosso estado sejam devidamente irrigadas. Há bastante umidade; o país é desejável, e é fértil, e, se não for ocupado pelos Santos dos Últimos Dias, será ocupado por nossos amigos que não são Santos dos Últimos Dias, porque é convidativo. Todas as medidas e pontos de superioridade em nosso estado estão sendo apreciados, e nossos amigos estão vindo com seu capital. Não nos opomos a que venham; não temos objeção a isso, mas queremos permanecer aqui nós mesmos e partilhar com eles as coisas boas de que estes vales das montanhas são tão fecundos. ¶
Queremos permanecer em casa. Nossa missão nos leva muito ao exterior para pregar o Evangelho, mas encontraremos um vasto campo para pregar o Evangelho bem aqui em casa, para aqueles que não podem ir ao exterior. Temos no campo, agora, um exército de cerca de dois mil homens, ou mais, e esperamos manter esse exército nesse padrão — o exército permanente da Igreja de Jesus Cristo. Queremos mantê-lo em dois mil homens, ou perto disso; e, possivelmente, aumentá-lo conforme pudermos. Ao ouvirmos os relatórios dos presidentes de missão, quando vêm nos ver duas vezes por ano, ao menos os presidentes de missão nos Estados Unidos, descobrimos que todos querem mais missionários. Não há região do país que esteja satisfeita. Todos estão pedindo mais irmãos: queremos mais falantes de alemão; queremos mais élderes escandinavos, ou que falem a língua daquele país; e élderes que falem holandês, francês e espanhol podem ser usados com grande vantagem. Precisamos de muita ajuda, e pensei neste assunto quando olhei para a congregação, esta manhã, e vi uma percentagem tão grande de irmãos. Não creio jamais ter visto a congregação tão bem provida de homens quanto esta manhã. Se a tempestade manteve algumas das irmãs longe, ou não, não sei dizer, mas, de qualquer forma, os irmãos enfrentaram a tempestade e pareciam estar aqui em número muito grande. Quero pedir a meus irmãos, com quem estou particularmente interessado, os Setenta, que se preparem para esta obra. Queremos que estejais prontos para o trabalho missionário. Queremos que os bispos nos forneçam bastantes Setenta, pois os Setenta estão a seu serviço, prontos para serem chamados. Queremos que nossos irmãos, particularmente os Setenta, estejam livres de dívidas e em condições de pregar o Evangelho. Precisamos muitíssimo de homens experientes e treinados. Os irmãos se queixam de que estão recebendo uma percentagem grande demais de jovens que nunca estiveram no campo missionário antes, jovens de vinte anos ou menos, e daí até vinte e cinco, que não tiveram treinamento algum, exceto o que tiveram em casa. Pedimos aos bispos e irmãos presidentes que, quando for feita requisição de dez, vinte, trinta ou quarenta homens, nos envieis pelo menos um terço de homens treinados, experientes e provados. A menos que o façais, nossos presidentes de missão não ficarão satisfeitos. Queremos ver o tempo em que o campo esteja bem ocupado por homens que sejam Setenta, consagrados e dedicados a este chamado e ministério, tendo recebido treinamento, para que possam sair ao mundo representando o Senhor, sendo Suas testemunhas — homens que sabem que o Senhor vive, pois todo Setenta que tiver cumprido razoavelmente bem seu dever tem direito a esse testemunho; assim como todo élder e todo sumo sacerdote tem direito ao mesmo testemunho, de saber que Deus vive, de saber que Jesus é o Cristo, que Ele vive, e que Ele é o Redentor do mundo. Todos os Santos dos Últimos Dias têm direito a este testemunho e testificação. ¶
Se houver dúvidas ou receios no coração de qualquer um dos Santos dos Últimos Dias, a respeito da verdade do Evangelho tal como revelado por meio do Profeta Joseph Smith, gostaria de dizer que a culpa é nossa. Isso seria evidência de que não cumprimos plenamente a vontade do Senhor, pois todos os que fazem a vontade do Senhor, entendemos, conhecerão da doutrina. Não apenas conhecerão da doutrina, mas conhecerão da divindade da Igreja; conhecerão de sua autoridade. Conhecerão o Pai; terão um testemunho, pois o Filho lhes dará testemunho do Pai, e o Pai lhes dará testemunho do Filho; e o Espírito Santo dará testemunho, a todos os santos, do Pai e do Filho. Assim, nenhum Santo dos Últimos Dias jamais precisa ficar sem um testemunho. Já ocorreu, às vezes, de élderes, excessivamente conscienciosos, terem temido prestar testemunho de que sabiam que o Evangelho era verdadeiro, de que sabiam que o Profeta Joseph fora enviado por Deus. Temeram prestar testemunho de algo que não sabiam ser verdade. Ora, todos os Santos dos Últimos Dias têm direito a um testemunho e a saber, e pensei, justamente em conexão com isto, em ler um ou dois versículos da seção 93 da Doutrina e Convênios: "Em verdade, assim diz o Senhor: Acontecerá que toda alma que abandonar os seus pecados e vier a mim, e invocar o meu nome, e obedecer à minha voz, e guardar os meus mandamentos verá a minha face e saberá que eu sou; E que eu sou a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem ao mundo; E que eu estou no Pai e o Pai em mim; e o Pai e eu somos um —" ¶
Todo Santo dos Últimos Dias tem direito a este testemunho e testificação. Se não recebemos este testemunho e testificação, meus irmãos e minhas irmãs, quero que todos vos lembreis de que a culpa é nossa, e não do Senhor; pois todos têm direito a esse testemunho, por meio da fé e do arrependimento, abandonando todo pecado, do batismo por imersão para a remissão dos pecados, e do recebimento do Espírito Santo pela imposição das mãos. Ora, se algum de nossos irmãos e irmãs viveu por anos sem realmente saber, sem estar plenamente satisfeito e plenamente convencido, tão certo quanto de qualquer outra coisa na vida, de que esta obra é de Deus, se lhes faltou aquele testemunho e testificação, a culpa é sua, pois não é possível que um homem faça a vontade do Pai e não conheça a doutrina. Se fizermos Sua vontade, saberemos. Não podemos evitar saber, mais do que podemos evitar qualquer outra coisa. Sabemos pelo que vemos, ouvimos, sentimos e provamos, se nossos sentidos estão envolvidos e convencidos; e assim é com todo aquele que fez a vontade do Pai. Zelemos, meus irmãos e irmãs, para que não fiquemos satisfeitos até estarmos tão estabelecidos no Evangelho, com um conhecimento da verdade, que sejamos inabaláveis e estáveis — não como o vento e as ondas que vêm e vão, mas serenos, assentados e estabelecidos em nossa fé, de modo que nada possa ocorrer para suscitar questionamentos em nossos corações e mentes a respeito do Evangelho do Senhor Jesus, ou a respeito de nosso Pai Celestial, mas que saibamos que Ele vive, que saibamos que Jesus é o Cristo, nosso Redentor e Salvador, e que possamos perceber o que Ele fez por nós. Ele não nos impôs exigências, nem nos deu mandamentos que não pudéssemos guardar, pois é bem possível cumprirmos toda exigência que Ele nos fez; e assim podemos nos aproximar da ordem que Ele deu, de que Seus discípulos deveriam ser perfeitos como nosso Pai nos céus é perfeito. ¶
Sem dúvida, nosso Pai Celestial, bem como o Filho e os justos que nos precederam, cumpriram seu dever, e fizeram o melhor que puderam. Isso é o que se exige de nós. Nossas responsabilidades são grandes; as exigências que nos são feitas no mundo hoje são muito rigorosas; embora sejamos modestos, e hesitemos em nos apresentar diante de congregações de pessoas, como é o caso de muitos de nossos irmãos e muitas irmãs também, para defender o Evangelho em casa e no exterior, ainda assim há um sermão mais eloquente que todos somos competentes a pregar onde quer que estejamos, em nossos próprios lares e famílias, em nossas próprias vizinhanças, e no exterior, e esse é o sermão do exemplo correto e apropriado. Podemos ser morais, íntegros, verdadeiros e fiéis. Podemos amar uns aos outros; podemos tratar uns aos outros com justiça; e não podemos agradar a Deus sem que todas estas virtudes sejam desenvolvidas em nós. Não podemos agradar ao Senhor com uma só virtude, embora o apóstolo Paulo tenha feito esta declaração de que, sem fé, é impossível agradar a Deus. Não é possível agradar ao Senhor apenas com fé. Uma fé genuína e viva nunca vem sozinha; sempre produz obras; move as inteligências, e as requer e as impele a obras de retidão. De modo que, se Paulo declara que sem fé é impossível agradar a Deus, penso que posso dizer, com igual segurança, que sem obras é impossível agradar a Deus. Também posso dizer que, sem fé, não trabalharemos, e não temos trabalhado sem fé; temos trabalhado apenas na proporção da fé que temos. Nossas obras no futuro determinarão a medida de nossa fé, pois, se os homens têm fé, trabalham. Se os homens têm fé no princípio da oração, orarão; se no princípio do dízimo, cumprirão sua obrigação de dízimo; pagarão seu dízimo exatamente de acordo com a medida de sua fé. Isso é o que eu e vós temos feito no passado, e é o que faremos no futuro, de acordo com a medida de nossa fé. Assim cumpriremos essa exigência, de acordo com a medida de nossa fé. Assim nos arrependeremos de nossos pecados, e praticaremos a retidão, serviremos ao Senhor e O honraremos, e faremos bom uso das oportunidades que Ele coloca em nosso caminho. ¶
Não apenas o campo deve ser preenchido com missionários no exterior, pois esse parece ser o campo designado particularmente aos Setenta e aos élderes — espera-se que os Setenta, particularmente, saiam ao campo e sejam élderes viajantes por toda a sua vida —, mas o campo maior, isto é, o campo que pode ser ocupado por números maiores, e sempre o será, é o campo doméstico. Está se tornando mais importante, em razão do processo de recolhimento, não apenas o recolhimento que fazemos como Santos dos Últimos Dias, mas o recolhimento de outras pessoas para dentro de nossas fronteiras, para nossa vizinhança, e para nossa nação — pois estão vindo de todas as nações e de todos os povos. Devem receber o Evangelho e ser ensinados nele nos Estados Unidos, assim como no mundo exterior. Devem recebê-lo nos estados e territórios, onde quer que os Santos dos Últimos Dias estejam localizados, e ele será levado a outras partes. É nosso dever pregar o Evangelho. Esse é nosso principal chamado — pregar o Evangelho pela palavra, pregá-lo por nossa conduta ao longo de toda a nossa vida. Nada é mais forte, nada é mais real, ou mais confiável e substancial do que o bom exemplo que os homens estabelecem em sua vida. ¶
Quero dizer apenas uma palavra de elogio a nossos irmãos que estão à frente de nosso trabalho missionário no exterior, a nossos irmãos que estão à frente de nossas estacas de Sião e de nossas alas e quóruns, e a todos os irmãos e irmãs que estão à frente das diversas associações. Creio que a Igreja nunca esteve em melhor condição do que está hoje, que estamos fazendo bom progresso, bom avanço, e que o segredo de nosso sucesso e aperfeiçoamento reside, de maneira muito material, no fato de que os irmãos e irmãs presidentes lideram por seus bons exemplos — não apenas em sua pregação e em seu ensino e coisas semelhantes, mas estão vivendo vidas melhores. Creio que estamos vivendo melhor e fazendo melhor do que jamais fizemos antes. Creio que mais de nós somos sóbrios, firmes e temperantes; mais de nós somos fiéis e estamos nos esforçando para estabelecer bons exemplos diante dos departamentos que nos são confiados. Essa é minha observação em minhas viagens, e creio que é a observação de meus irmãos que viajam por todas as estacas de Sião. Creio que o mesmo é verdade a respeito de nossos irmãos no exterior, em todos os campos missionários. As rédeas estão sendo mantidas bastante firmes e seguras, e nossos irmãos estão sendo mais bem treinados e são mais fiéis. O treinamento e a instrução que recebem em casa exercem sua influência sobre eles e os estão preparando para o ministério. Estamos no ministério em casa o tempo todo; há um campo de trabalho em toda parte. Não precisamos ter problema algum porque não podemos ir ao exterior. Alguns podem estar ansiosos por ir ao exterior, e há bastante trabalho no exterior. Daremos boas-vindas a todos os irmãos que puderem ser fornecidos; podemos empregar todos os que os bispos puderem nos enviar. Podemos empregá-los a todos e dar-lhes bastante oportunidade no exterior; e, quando isso for feito, e todo homem estiver satisfeito em ir para o campo, teremos o maior exército, a grande maioria de todo o sacerdócio e de todo o povo, aqui em casa, no campo missionário doméstico. ¶
Quero exortar meus irmãos e irmãs — não apenas os bispos e os irmãos presidentes e as irmãs líderes, não apenas os homens proeminentes em posições oficiais, e aqueles nos quóruns do sacerdócio —, não apenas eles, mas todo Santo dos Últimos Dias é chamado a estabelecer um bom exemplo e a pregar o Evangelho por exemplo e preceito. Espera-se que usemos nossas línguas para falar, e devemos trabalhar fielmente aqui em casa, tão fielmente quanto se estivéssemos no exterior, e nossas vidas deveriam ser tão irrepreensíveis aqui em casa quanto seria possível se estivéssemos no campo missionário. ¶
Todo homem que recebeu o sacerdócio tem uma missão e um ministério a cumprir — desde o último diácono ordenado até o primeiro homem que detém o sacerdócio e ocupa a mais elevada posição na Igreja. É tão necessário que o diácono seja puro e reto, cumpra seu dever e seja ativo em seu campo de trabalho, sob a direção do bispo que preside sobre ele, quanto é necessário que os irmãos que ocupam posições de responsabilidade nas alas, e estacas, e nos quóruns presidentes da Igreja, cumpram os deveres que lhes competem. Será necessária uma vida tão boa para salvar um de nós quanto para salvar o Profeta. Devemos servir ao Senhor e honrá-Lo; devemos ser puros em nossos pensamentos, em nossas palavras, em nossa conduta, e procurar estar em comunhão com Ele e honrá-Lo continuamente. Se os homens fizerem isso, terão alegria nesta vida. Teremos um gosto do céu antes de lá chegarmos; de fato, teremos um pequeno céu aqui — e é bom que ele comece aqui. Se tivermos um pequeno gosto dele aqui, teremos bastante fé no céu do futuro. Tenho o prazer de dizer que estamos rodeados de material esplêndido, homens esplêndidos, um esplêndido corpo de jovens que estão sendo desenvolvidos e treinados — tanto os que vão para o exterior quanto os que ficam em casa. Nossas organizações, nossas associações auxiliares, nossas instituições educacionais de ensino superior, e nossas esplêndidas escolas distritais. ¶
Grandes esforços estão sendo feitos para a educação do povo, e nossas oportunidades são tão boas quanto se pode encontrar em qualquer estado ao nosso redor; de fato, penso que nos comparamos bem com os Estados Unidos nesse aspecto, e temos exemplares de rapazes e moças tão bons quanto se pode encontrar; são saudáveis, fortes, e com boas constituições. Se apenas forem cuidados e devidamente treinados, para que amem a literatura, amem aprender, amem trabalhar — pois é preciso trabalho árduo, e muito dele —, tornar-se-ão homens e mulheres úteis e retos. É preciso muito estudo e dedicação para nos prepararmos para a obra em que se espera que nos empenhemos. Devemos aprender do Senhor, e conhecê-Lo; aprender de Seu Espírito, e conhecer suas operações, para que não sejamos enganados pelos homens, para que não sejamos enganados pelos espíritos que andam soltos na terra. O Senhor está perto, e pronto para nos sustentar, para nos inspirar, e para nos qualificar para as responsabilidades que recaem sobre nós. ¶
Agradeço ao Senhor pelas condições que prevalecem hoje — as condições que são corretas, agradáveis e apropriadas a Seus olhos. Há condições que lamentamos, naturalmente, e suponho que haverá por muito tempo. Presumo que há condições que o Senhor sempre lamentou nos homens caídos; e Ele está ansioso por sua salvação, assim como nós estamos ansiosos pela salvação de nossos próprios filhos. Mas temos nosso arbítrio, e, Santos dos Últimos Dias, se nos examinarmos, descobriremos que obtivemos a medida de fé de acordo com a maneira como nos dedicamos e exercemos nosso arbítrio a serviço do Senhor. Nossa fé crescerá com o cultivo; nosso amor pela literatura, nosso amor pelo aprendizado, nosso amor pela inteligência, pela sabedoria, pelo discernimento, pela moralidade e pela pureza, todos aumentarão com o cultivo. Se vivermos como deveríamos viver, por alguns anos, torna-se fácil para nós vivermos uma vida apropriada e crucificarmos os apetites que nos afligiram e nos causaram problema e tristeza; e logo seremos capazes de controlar nosso temperamento, nossas paixões, e toda influência maligna que nos aflige, e podemos exercer tal controle que podemos exigir de nós mesmos fazer exatamente o que é correto, quer as outras pessoas façam o que deveriam ou não. É dever dos Santos dos Últimos Dias fazer o que é certo; e o certo prevalecerá. Prevalecerá com os indivíduos; prevalecerá com a comunidade; e se encontra, creio, bastante geralmente na maioria dos homens e mulheres. Amam o certo, amam a verdade — creio eu. Nem sempre são esclarecidos; nem sempre compreendem a verdade e a entendem; nem sempre são capazes de discerni-la e conhecê-la, mas aquilo que pensam ser certo, justo e apropriado, creio, prevalece na mente dos filhos dos homens. De fato, creio que todos os homens, como regra, são mais bons do que maus. Creio que há mais bem no homem do que iniquidade, mais retidão, mais amor à verdade e à caridade, à justiça e à misericórdia. Creio que estas virtudes prevalecem, nos homens, bastante geralmente; ainda que haja, sem dúvida, vícios muito sérios entre as pessoas; mas, como regra, tenho fé nos homens, fé na humanidade, e me dá fé quando descubro que o Senhor teve fé em Seus filhos, e que está bastante bem determinado que não muitos deles serão, no final, perdidos. Cruzamos o caminho em nossa peregrinação, em nosso caminho tortuoso enquanto viajamos, mas finalmente seremos trazidos de volta, e o Senhor nos declarou que quase todos os Seus filhos serão salvos. Há apenas poucos que serão absolutamente perdidos, e que irão com os filhos da perdição. Quase todos serão salvos em algum grau de glória e salvação, exatamente de acordo com o que tiverem merecido. Isso é o que finalmente receberemos. ¶
O Senhor deu Sua vida e derramou Seu sangue e preparou o caminho para Seu povo. Ele fez isso por todos — não apenas pelos Santos dos Últimos Dias, mas por todos os filhos de Deus. Não há um sequer nascido na terra que não tenha direito a receber e desfrutar da salvação, e o Senhor abençoará, redimirá e salvará a todos os que puderem ser salvos. Enquanto os homens se arrependerem, se reformarem e melhorarem, o Senhor se lembrará deles; Ele não os esquecerá, e jamais serão perdidos de vista; mas bem-aventurados são os que buscam o Senhor cedo e andam retamente diante d'Ele. Como citou o Presidente, esta manhã: "Os que cedo me buscam me acharão, e não serão abandonados." Essa é a palavra do Senhor. Que coisa esplêndida é quando os rapazes e as moças buscam o Senhor cedo, e quando começam, desde cedo na vida, a servi-Lo regularmente. Vem tão naturalmente para eles quando são ensinados por seus pais e conduzidos pelo exemplo de seus pais e pelo espírito do Senhor. Pois Seu Espírito lhes é conferido desde cedo na vida; é quase a primeira coisa a que têm direito de receber — o Espírito do Senhor, das mãos de Seus servos, quando começam a vida. O próprio Jesus estabeleceu este exemplo, pois em Seus dias as criancinhas eram trazidas a Ele, e Ele as tomava em Seus braços e as abençoava, para que tivessem favor e comunhão com o Senhor, e recebessem Sua assistência em sua infância. Ele providenciou que fossem cuidadas, para que Satanás jamais pudesse levar embora as criancinhas, mas que fossem preservadas e redimidas por Seu sangue e Sua oferta. Devemos nos tornar como elas; devemos ser conduzidos pelo Espírito do Senhor; devemos ter direito ao perdão e liberdade do pecado e da transgressão. Temos uma grande luta nesta vida, mas nossa obrigação e compromisso com o Senhor tem sido servi-Lo até o fim de nossos dias mortais. Procuremos fazer isso, ou, antes, façamo-lo! Tenhamos fé de que podemos fazê-lo, e então não haverá dificuldade séria alguma, pois é mais fácil e melhor ser salvo do que ser condenado. Naturalmente, é um caminho descendente, suponho, ser condenado; e um caminho ascendente ser salvo; mas é mais fácil e melhor percorrer o caminho ascendente do que o descendente, no pecado e na transgressão. Sirvamos ao Senhor e O honremos; demos um bom exemplo ao mundo, para que encontrem entre nós o povo mais temperante e prático que se possa encontrar — em assuntos de negócios, em assuntos espirituais, em assuntos da Igreja. Preguemos o Evangelho ao mundo; sirvamos ao Senhor e vivamos de acordo com o que professamos. Guardemos o dia de sábado como santo, e façamos todas as coisas que Ele nos ordenou, para que tenhamos direito a desfrutar do Senhor os dons do Espírito Santo. Essa é a exortação que sinto apresentar a esta grande reunião de Santos dos Últimos Dias nesta ocasião. Creio que é boa doutrina para nossos amigos também. O caminho foi preparado, e o Senhor ordenou de tal maneira que todos os que O servirem e guardarem Seus mandamentos conhecerão a doutrina. Verão Sua face e saberão que Ele é. Todos conheceremos o Pai e o Filho, por meio de nossa devoção e fidelidade até o fim desta nossa vida mortal. Assim vos exorto, meus irmãos e irmãs, e rogo que Deus possa nos abençoar e nos conduzir suavemente pelos caminhos da retidão e da verdade. Não pequemos mais, pois não é necessário, e é bem possível fazermos exatamente o que é correto. Confio que possamos fazê-lo e desfrutar do derramamento do Espírito do Senhor abundantemente, em todos os nossos trabalhos e ministério, em casa e por todo o mundo, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶