O Amor Ilimitado de Deus por Seus Filhos
Rulon S. Wells
Certamente temos ficado impressionados, nas observações que foram feitas, com o amor ilimitado que o nosso Pai no céu tem manifestado para com Seus filhos. Não somos devedores ao Senhor por cada bênção que desfrutamos? Não é verdade que Lhe devemos a própria existência que temos na terra, o poder de viver e ter um ser, de nos associarmos uns com os outros, de comunicarmos as nossas opiniões, os nossos pensamentos e reflexões, até mesmo o poder de pensar e dar expressão ao pensamento? Sem estes preciosos dons não haveria alegria, não poderíamos ter deleite, não poderíamos ter felicidade nesta terra. Nosso convívio social seria interrompido; não haveria tal coisa a ser experimentada ou desfrutada. Parece-me que é salutar deixarmos nossas mentes se voltarem à contemplação dos maravilhosos dons que recebemos de nosso Pai Celestial. Parece-me que é salutar meditarmos sobre estas coisas até que possamos nos convencer plena e completamente de que toda felicidade, que toda bênção, flui Dele. Devemos estar cheios de gratidão para com nosso Pai, reconhecê-Lo como o Doador de todo bem; e devemos suplicar-Lhe que nos ajude a apreciar Suas bênçãos assim como fluem de Suas mãos generosíssimas. Não podemos dizer demais a respeito do amor de Deus por Seus filhos. Ele enviou o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que Nele cresse não perecesse, mas tivesse a vida eterna. Neste caso, meus irmãos e irmãs, encontramos a maior manifestação do amor de Deus por Seus filhos. ¶
Nas observações feitas na reunião de abertura de nossa conferência, o Presidente Joseph F. Smith nos falou de sua determinação de dedicar sua vida ao serviço de Deus. Fiquei impressionado com isso, e sinto-me agora impressionado com o fato de que há uma lição objetiva para os Santos dos Últimos Dias: enquanto somos beneficiários desse amor incomparável que vem do céu, o que faremos a respeito disso? Para usar as palavras do Presidente Smith, "que faremos" para mostrar que apreciamos as bênçãos que Deus está derramando tão generosamente sobre nós, Seus filhos? Este mesmo sentimento foi seguido por seus conselheiros, e parece-me que é um apelo aos Santos dos Últimos Dias para que demonstrem gratidão ao seu Pai Celestial. ¶
Lemos no Livro de Doutrina e Convênios palavras como estas: "E em nada ofende o homem a Deus ou contra ninguém está acesa sua ira, a não ser contra os que não confessam sua mão em todas as coisas e não obedecem a seus mandamentos." O pecado do mundo é a ingratidão para com Deus. Contra ninguém está acesa a ira de nosso Pai Celestial, exceto contra aqueles que tanto O esquecem, que não O reconhecem em todas as coisas, que Ele é o Doador de todo bem, que dependemos Dele por tudo o que recebemos. Parece-me que deveria haver uma resolução da parte de todos os Santos dos Últimos Dias para se expressarem exatamente como o Presidente Smith fez nesta manhã, e demonstrarem em suas vidas que se propõem a dar ao Senhor o melhor que há neles; em outras palavras, que devemos servir continuamente ao Senhor, dedicando nossas vidas, nossas energias, nossos talentos, tudo o que temos, e tudo o que somos, ao serviço de Deus. Desejo chamar a atenção para o fato de que, se não servirmos a Deus em todas as coisas, é provável que sirvamos ao adversário; e é exatamente onde deixamos de servir a Deus que tal perigo começa. Faça o que fizer, cada momento do meu tempo é dedicado ou ao serviço de Deus ou ao serviço de mamom; dificilmente há um meio-termo. Devemos servir ao Senhor em tudo o que fazemos, pois o Senhor exige serviço constante a Ele. E não é isso o que se quer dizer quando o Senhor ordenou a Seus filhos que "orassem sem cessar"? Não é essa a condição do coração, esta oração incessante; e não estamos sempre na atitude de orar? A oração é o sincero desejo da alma. Quais são os vossos desejos, meus irmãos e irmãs? Desejais o triunfo de Sião? Desejais ver a verdade prevalecer? Desejais ver o reino de Deus estabelecido na terra? Se desejais, e o fazeis o tempo todo, é uma oração de retidão ao Senhor. Mas se, por um só momento, perderdes esse desejo, então de fato tereis cessado de orar a Deus, mas tereis começado a ceder ao adversário. Não deveríamos, então, escolher hoje a quem serviremos, a Deus ou a mamom? Que seja a nossa determinação servir ao Senhor com plena intenção de coração, e fazer disso um verdadeiro serviço ao Senhor. ¶
O que o Senhor exige de nós? Já paramos alguma vez para ler as Escrituras e descobrir o que é que Deus exige de Seus filhos, em apreço às grandes bênçãos que recebemos Dele? "Filho, dá-me o teu coração." Há bastante significado nisso. O coração é o órgão da vitalidade, o órgão da vida; e quando o Senhor disse "Dá-me o teu coração," quis dizer: Filho, dá-me a tua vida, para que seja dedicada ao serviço de Deus. É isso que significa. Não se segue necessariamente que, por devermos servir a Deus continuamente, devamos nos ocupar, em todos os momentos, no que comumente se conhece como a obra da Igreja. Ó não; temos os nossos afazeres a cumprir. Mas em cada um deles podemos servir a Deus, e deveríamos zelar para que tudo o que fazemos seja, em realidade, um serviço ao Deus Altíssimo. Ele o exige de nossas mãos, e não aprovará nenhum desvio desse caminho. Não devemos olhar o pecado com qualquer grau de tolerância. Encontramo-nos na mortalidade, em posse de fraquezas e imperfeições, mas continuemos lutando, servindo ao Senhor, guardando Seus mandamentos, e seremos purificados do pecado. Mas se afrouxarmos por um só momento, o adversário está ganhando terreno. Então lutemos a boa luta e guardemos a fé, rejeitando o mal a cada passo, e jamais nos rendendo. Toda rendição é um serviço ao maligno. Não podemos, em momento algum, obter permissão para servir ao maligno; não deveríamos ter tal desejo em nossos corações. Podemos servir a Deus, não somente em nossas casas de adoração, mas podemos servi-Lo no campo; na bancada, na oficina; em todo afazer da vida, em nossas diversões, em tudo a que pomos as mãos para fazer. Se houver trabalho designado a nós que não possa ser feito em harmonia com a vontade de Deus, então não o façamos. Se houver diversões que sejam contrárias ao espírito de retidão, então não participemos desse tipo de diversão; apenas naquelas ocupações, prazeres e passatempos em que possamos exercer o nosso serviço a Deus devemos nos ocupar. ¶
Meus irmãos e irmãs, tenho uma fé inabalável nesta obra. Sei da verdade do mormonismo tal como foi revelada por meio do Profeta Joseph, e espero que todos os presentes possuam esse testemunho, pois é o poder de Deus para a salvação, se apenas formos fiéis e verdadeiros. O Senhor tem feito a Sua parte por nós; zelemos para que façamos a nossa parte, para que sejamos merecedores da salvação e exaltação em Sua presença que é prometida aos fiéis, peço-o por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶
Sou eu; disse algumas coisas que lamento terem sido ditas e impressas. Nunca sei exatamente como começarei nem como terminarei. ¶
Tenho pensado ultimamente, e durante o meu tempo de reflexão, tenho buscado na escritura e em algo que me convença de que eu estava pensando na direção certa, e que isso era aprovado por aqueles que estão em autoridade. Vou ler-vos um trecho; não é original; há muito pouco que seja original: ¶
"Quero chegar aos corações do povo. É uma coisa abençoada que o coração tenha um instinto que lhe diga quem tem o direito de ensiná-lo. O mundo pouco se importa com teóricos e teorias — pouco se importa com escolas e homens de escola, pouco se importa com qualquer coisa que um homem tenha a dizer que não tenha sido previamente destilada no alambique de sua própria vida. Venho a vós com sapatos gastos e empoeirados pela caminhada na estrada da vida, com o rosto bronzeado pelo sol impiedoso, e músculos enrijecidos pelo conflito com os males desta era. * * Não bato à porta do coração humano com mãos enluvadas, e um traje emprestado para a ocasião." ¶