Responsabilidade dos Pais e Influências Mundanas
Francis M. Lyman
Alguns que têm o Espírito do Evangelho também possuem o espírito mundano. — Responsabilidade dos pais e instrutores: o livre-arbítrio dos filhos. — Os E.U.A. reuniram o melhor povo de todas as nações. — Nação favorecida do Senhor; o povo deveria ser reto. ¶
Regozijei-me sobremaneira convosco, meus irmãos e irmãs, durante esta conferência. Parece-me que tem sido uma das conferências mais inspiradoras e edificantes que já desfrutamos. O tempo tem estado bom, e as congregações têm sido grandes e atentas. Estou certo de que verdadeiramente fomos alimentados espiritualmente, e instruídos, e agora estou bastante preparado para a condução dos negócios remanescentes da conferência, e para o seu encerramento. ¶
A obra do Senhor está tão profundamente fixada nos corações dos Santos dos Últimos Dias, que está segura entre os homens. Pode ainda não ter atingido sua maioridade, ou se tornado suficientemente forte para ser muito notável entre as igrejas e povos da terra, mas certamente está tão firmemente estabelecida que jamais será abalada, nem removida. Não será removida de seu lugar, pois o Senhor a sustentará; e Ele sustentará a cada um de nós, individualmente, por meio de nossa fé, e por termos feito a vontade do Senhor. Não apenas reconhecemos os resultados nas obras do povo, mas conhecemos a doutrina. O Senhor tem-nos favorecido, assim como teria favorecido todos os homens, se estes tivessem recebido Suas bênçãos, se estivessem dispostos a ouvir a verdade e recebê-la. Não que tenhamos sido particularmente mais favorecidos do que o restante do mundo teria sido, se estivessem dispostos, se tivessem aberto seus corações e seus ouvidos, e tivessem escutado. Poderiam ter sabido como sabemos, e poderiam ter reconhecido a verdade da doutrina, assim como reconhecer as boas obras citadas aqui por nosso bispo. ¶
Gostaríamos que pudessem citar muitas mais boas obras do que as que ouvimos, em relação a nós, individualmente e como povo, pois há amplo espaço para nossa melhoria. Devemos corrigir os problemas de que nos queixamos a respeito de nossos filhos, e que encontramos em nós mesmos. Às vezes temos de reconhecer que somos um pouco como o mundo, que nos desviamos de nossas professadas crenças e das doutrinas de vida e verdade. A menos que sejamos cuidadosos, podemos nos afastar, em algum ponto, do caminho estreito e apertado. ¶
Embora tenhamos de reconhecer estas coisas, contudo, está sendo estabelecido, e já está estabelecido agora, nos corações da grande maioria dos Santos dos Últimos Dias, um claro entendimento das doutrinas que são tão difíceis de compreender para o mundo, pela razão explicada pelo bispo — que eles não têm o espírito desta obra, mas têm o espírito do mundo. Nós também temos o espírito do mundo em quantidade bastante generosa, de modo que compreendemos, como o mundo compreende, as coisas do mundo; entendemos e concordamos a respeito delas, e, como o mundo, participamos mais ou menos e nos deixamos absorver por esse espírito mais do que deveríamos. Deveríamos estar mais completa e inteiramente sob a influência e inspiração do Espírito Santo; mas estamos melhorando nesse aspecto. Digo que os Santos dos Últimos Dias estão melhorando, e não tenho certeza de que não haja também melhoria no mundo. Há muitas pessoas boas no mundo, que são retas, que são humildes e fiéis de acordo com seu entendimento da verdade. ¶
Nosso problema é, tanto quanto o de outros, que temos o nosso livre-arbítrio, e nossos filhos, assim como nós, têm o seu livre-arbítrio; e embora possamos, possivelmente, colocar diante deles exemplos razoavelmente bons, e sermos solícitos por eles, orando e ansiosos por sua salvação, contudo eles fazem sua própria escolha — vossos filhos e os meus, e nossas filhas, fazem exatamente o que bem entendem. Creio que é geralmente compreendido, e defendido, que, se fôssemos melhores pais, melhores pais e mães, atendêssemos mais fielmente aos nossos deveres de ensinar nossos filhos e formá-los, teríamos filhos melhores. Presumo que há muita verdade nisso; mas às vezes boas pessoas, bons pais, têm rapazes maus e moças más. Compreendo que o Senhor tem mais rapazes e moças maus do que qualquer outro; contudo, Ele ensina, e instrui, e inspira, e está pronto a fazer tudo o que puder por eles; e não estamos nós também prontos a fazer o que pudermos por nossos filhos? Embora possamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, dar bons exemplos, dar boas instruções, esforçarmo-nos por observar o dia do Sábado nós mesmos, e fazer com que nossos filhos façam o mesmo, ainda assim uma porcentagem deles pode ser imprudente, e alguns podem seguir para a destruição, e como resultado nossos corações podem ficar partidos. Pais e mães ternos ficam muito angustiados com a rebeldia de seus filhos. É nosso dever cuidar de nossos filhos, zelar por eles, fazer todo o bem que pudermos por eles, e, quando tivermos feito tudo isso, ora, alguns deles, sem dúvida, se perderão — pelo menos não farão o que queremos que façam. Exercerão seu livre-arbítrio, e alguns deles poderão dar ouvidos ao espírito do mal que há no mundo. Não obstante estas dificuldades, é nossa obrigação envidar todos os esforços ao nosso alcance pela salvação de nossos filhos, pois são filhos de Deus. Foram confiados a nós, e somos responsáveis por ensiná-los, formá-los e conduzi-los, por nosso exemplo e preceito, nos caminhos da retidão. Quando tivermos cumprido fielmente o nosso dever, e formos perfeitos, assim como nosso Pai no céu é perfeito, tanto quanto pudermos — o que creio que possamos razoavelmente bem ser, se assim o quisermos — então a responsabilidade recai sobre os próprios filhos. Os pais não permanecem sob condenação quando cumpriram seu dever a respeito de seus filhos. A obrigação recai primeiro sobre os pais, mas também recai sobre os bispos e oficiais presidentes nas alas, nas estacas de Sião, e na Igreja, sobre os irmãos presidentes principais, e sobre as irmãs principais e dirigentes nas associações — uma grande responsabilidade recai sobre eles tanto quanto sobre os pais; todos devem cumprir seu dever, para que os jovens da Igreja sejam completamente formados e instruídos. ¶
Cuidemos daquilo que o Senhor nos confiou. Ele nos deu tudo o que desfrutamos, a Igreja, o povo, nossas famílias, o nosso país. Agradeçamos ao Senhor por este país, do qual falamos tão elogiosamente, e por seu governo — um governo esplêndido, um país esplêndido; e, contudo, há dificuldades e problemas nas cidades, nos estados e na nação. Temos de lutar com grandes questões, grandes dificuldades, mas temos a melhor parte do mundo, o melhor governo, e o melhor povo — pois temos o melhor povo dentre todas as nações; reunimos neste país gente de todas as nações. A nossa é uma nação de reunião, assim como um povo de reunião. Não sei se há alguma outra nação — não me ocorre agora nenhuma outra nação que esteja reunindo gente de todas as outras nações da terra. Todas as nações da terra parecem estar contribuindo para edificar esta nação que o Senhor parece ter mantido em reserva; isto é, Ele parece ter atrasado o estabelecimento desta nação, o desenvolvimento deste lado do mundo. Ele reservou este país para a realização de Seus propósitos. Estão se reunindo a este continente, e estão se reunindo a este povo, como a nenhuma outra denominação religiosa. Temos representadas aqui quase todas as nações civilizadas da terra — se ainda não estão todas representadas agora, estarão dentro de pouco tempo. O elemento mais seleto parece estar se mudando do velho mundo, dentre outras nações, para se reunir neste novo lado do mundo — embora às vezes seja considerado o lado velho do mundo; tem sido velho há tanto tempo que parece ter voltado a ser jovem. Estamos desenvolvendo uma nação, e estamos desenvolvendo um povo, religiosamente, tal como não se conhece em nenhuma outra parte da terra. ¶
Sendo assim favorecidos do Senhor, e sendo chamados como Seus instrumentos, cabe-nos ser fiéis e diligentes. Fomos chamados por Deus; Ele nos inspirou; Ele abriu nossos olhos e nossos ouvidos, e nos capacita a compreender. Parece que Ele ainda não conseguiu fazer com que outros de Seus filhos vejam, embora seus olhos finalmente venham a se abrir. Agradeçamos ao Senhor por termos tido nossos olhos abertos cedo, e por termos agora o privilégio de ajudar a edificar o reino de Deus, de espalhar pela terra os princípios da verdade e da retidão, de cuidar dos fundamentos desta Igreja que o Senhor estabeleceu em nossos dias. ¶
É uma coisa maravilhosa sermos membros desta Igreja. Os irmãos às vezes dizem quanto apreciam sua condição de membros desta Igreja. Ora, não há nada maior, nada mais admirável no mundo, pois estamos associados aos conselhos, às direções, e à inspiração e autoridade divinas do Pai, a quem todos os homens são responsáveis. Ele inspirou Seu profeta Joseph Smith a lançar os fundamentos desta obra, de forma tão segura que jamais será perturbada; isto é, jamais será derrubada; e a obra jamais será entregue a outro povo, pois o povo que agora a possui, e sua posteridade, e aqueles que vêm em nosso auxílio, sustentarão esta obra, e ela jamais será derrubada, pois Deus assim o disse. Ele está sustentando e dirigindo esta grande obra. Vós e eu somos Seus instrumentos, e seremos maravilhosamente honrados e abençoados em nossa salvação, e na salvação de nossa posteridade, se formos fiéis. Cumpramos o nosso dever; façamo-lo fielmente, completamente, e bem, para que jamais sejamos condenados, nem envergonhados — por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém. ¶