Reverência e Cuidado na Administração do Sacramento
George Albert Smith
Apreciando a importância do Sacramento. — Reverência e cuidado em sua administração. — Ensinamentos da escritura a respeito do Sacramento. — A sacralidade dos convênios. ¶
Desejo que minhas palavras a vocês sejam ditadas pelo Espírito de nosso Pai Celestial, pois o breve tempo concedido a um orador é tão valioso que opiniões individuais valem pouco, a menos que sejam inspiradas pelo Senhor. ¶
Regozijei-me por ter sido permitido comparecer a esta conferência, e por encontrar tantos de nossos irmãos e irmãs. Para mim tem sido um tempo de renovação, e desfrutei, mais do que posso expressar, das instruções e do espírito da Conferência. ¶
É meu privilégio viajar e visitar de lugar em lugar na Igreja, e entre as evidências de fidelidade que tenho observado, em muitos lugares, está o aumento da frequência dos membros da Igreja em suas reuniões sacramentais. Sinto que uma compreensão da sacralidade do sacramento da Ceia do Senhor é importante para os membros da Igreja. Participamos de alimento físico — isto é, participamos de pão e água etc., para nutrir o corpo físico. É igualmente necessário que participemos dos emblemas do corpo e do sangue de nosso Senhor ressuscitado para aumentar nossa força espiritual. Observa-se que homens e mulheres que passam ano após ano sem participar da Ceia do Senhor, perdem gradualmente o Espírito de nosso Pai Celestial; perdem sua companhia onde tiveram oportunidade de participar daquela bênção, mas deixaram de aproveitá-la. O sacramento é de grande importância. O próprio Senhor ordenou que participássemos desses emblemas. Há muitas pessoas que creem ser necessário ser batizado, e ter outras ordenanças do Evangelho realizadas em seu favor, e ainda assim se tornam indiferentes e descuidadas quanto ao sacramento da Ceia do Senhor. Foi considerado de tal importância por nosso Pai Celestial que, por meio de Seu Filho amado, e dos apóstolos e profetas, conforme registrado nas escrituras, os Santos foram admoestados a dele participar regularmente. Três dos evangelistas se referem a ele, e constatamos que a escritura, em muitos lugares, ensina sua importância, tal como foi ensinado pelo próprio Senhor quando Ele habitou na carne. Nosso Pai Celestial não nos dá mandamentos ou conselhos que não sejam de importância. Ele nos ensina para nossa edificação, para nosso crescimento e desenvolvimento, e se seguirmos Seu conselho isso nos preparará para voltar à Sua presença. Por isso me regozijo por os Santos estarem mais fiéis em observar esta exigência de nosso Pai. Espera-se que a cada dia de sábado nos reunamos e participemos dos emblemas do corpo e do sangue de nosso Redentor ressuscitado. Voltei-me para uma passagem da escritura no décimo primeiro capítulo de Primeira Coríntios, começando no vigésimo terceiro versículo, que diz o seguinte: ¶
"Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; ¶
"E tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. ¶
"Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. ¶
"Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. ¶
"Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. ¶
"Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice. ¶
"Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. ¶
"Por causa disso há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem." ¶
Quando me lembro destas palavras que nos foram dadas como a revelação da vontade de nosso Pai, regozijo-me ao encontrar nossos irmãos e irmãs vindo ao santuário e participando desses emblemas conforme indicado — dignamente; mas desejo chamar a atenção de vocês para o fato de que há perigo se o fizermos indignamente. Antes de participar deste sacramento, nosso coração deve estar puro; nossas mãos devem estar limpas; devemos estar despidos de toda inimizade para com nossos semelhantes; devemos estar em paz com nossos próximos; e devemos ter em nosso coração o desejo de fazer a vontade de nosso Pai e de guardar todos os Seus mandamentos. Se fizermos isso, participar do sacramento será uma bênção para nós e renovará nossa força espiritual. ¶
Em conexão com este assunto, noto que há uma grande melhoria entre nós como povo. Creio que nossa compreensão da importância desta exigência está aumentando e melhorando o tempo todo; que somos mais cuidadosos em ter os utensílios que contêm esses emblemas escrupulosamente limpos, e que tudo o que se refere ao sacramento é como nosso Pai Celestial o quer — limpo, agradável, e puro. ¶
O Senhor indicou a importância do sacramento de outra maneira. Há certos oficiantes do Sacerdócio que não têm permissão para oficiar nesta ordenança. O Diácono ou o Mestre não pode administrar o sacramento, e aqueles que não possuem o Sacerdócio, não podem atuar nessa capacidade. O Senhor certamente enfatizou sua importância ao designar aqueles que podem oficiar. Nosso povo tem sido ensinado a receber o sacramento com a mão direita; cremos que isso é apropriado, e correto, e aceitável a nosso Pai. O sacramento não deve ser recebido com a mão enluvada; ninguém deveria recebê-lo dessa maneira irreverente. Devemos participar dele em humildade, com preparação de mãos limpas e coração puro, e com o desejo de sermos aceitáveis a nosso Pai; então o receberemos dignamente, e nos regozijaremos na bênção que nos vem por causa disso. ¶
O Senhor falou a respeito deste assunto na Escritura; refiro-me à Bíblia, ao Livro de Mórmon, e a Doutrina e Convênios. Encontro no Livro de Mórmon, capítulo 9, que Mórmon, ao ensinar o povo, os admoesta como segue: ¶
"Vede que não sejais batizados indignamente; vede que não participeis indignamente do sacramento de Cristo." ¶
Ele considerou que era de importância suficiente para enfatizá-lo, e assim ensinou o povo a esse respeito. ¶
Encontramos também referência a este assunto no décimo oitavo capítulo de Terceiro Néfi, onde o Salvador está instruindo o povo neste continente, assim como havia ensinado Seus discípulos no velho mundo, a observar o sacramento. Diz o seguinte: ¶
"E depois que a multidão comeu e fartou-se, disse ele aos discípulos: Eis que um dentre vós será ordenado e a ele eu darei poder para partir o pão e abençoá-lo e distribuí-lo ao povo de minha igreja, a todos os que crerem e forem batizados em meu nome. ¶
"E sempre procurareis fazer isto tal como eu fiz, da mesma forma que eu parti o pão, abençoei-o e dei-o a vós." ¶
Cremos que o sacramento não é o corpo e o sangue literais de nosso Senhor; em outras palavras, não cremos na doutrina da Transubstanciação. O versículo seguinte diz o seguinte "E isto fareis em lembrança de meu corpo, o qual vos mostrei. E será um testemunho ao Pai de que vos lembrais sempre de mim. E se lembrardes sempre de mim, tereis meu Espírito convosco." ¶
Assim ensinou o Mestre, e há outras coisas neste capítulo, pertencentes ao mesmo assunto, que não tomarei tempo para ler. Além disso, constatamos que em nossos próprios dias o Senhor nos deu revelação sobre esse assunto. Na seção 20 de Doutrina e Convênios, o Senhor nos dá instruções sobre o assunto. Naquela revelação, começando no septuagésimo quinto versículo, Ele diz: ¶
"É conveniente que a igreja se reúna amiúde para partilhar do pão e do vinho, em lembrança do Senhor Jesus; e o élder ou o sacerdote administrá-los-á; e desta maneira deverá administrá-los: Ajoelhar-se-á com a igreja" [Não diz que a igreja deve se ajoelhar, mas que ele se ajoelhará com a igreja] "e invocará o Pai em solene oração, dizendo —" ¶
Notem a bela oração que se segue. É a mesma contida no Livro de Mórmon, com exceção de uma única palavra: ¶
"Ó Deus, Pai Eterno, nós te rogamos em nome de teu Filho, Jesus Cristo, que abençoes e santifiques este pão para as almas de todos os que partilharem dele, para que o comam em lembrança do corpo de teu Filho e testifiquem a ti, ó Deus, Pai Eterno, que desejam tomar sobre si o nome de teu Filho e recordá-lo sempre e guardar os mandamentos que ele lhes deu, para que possam ter sempre consigo o seu Espírito. Amém." ¶
A oração e a bênção sobre a água são um tanto semelhantes. Quão sagrados, quão profundamente sagrados, são os pensamentos expressos na oração sacramental. Admoesto vocês, meus irmãos, que, quando oficiarmos na administração do sacramento, repitamos, se possível, as palavras exatas dadas por revelação, e que o façamos com o Espírito do Senhor. Quando repetimos essas orações, devemos sentir os sentimentos expressos pelas palavras que pronunciamos. Então digo também àqueles que participam do sacramento, devemos considerar seriamente os convênios que fazemos com nosso Pai. Prestemos estrita atenção a esses convênios, e cuidemos para que comamos e bebamos dignamente, para as bênçãos de nossa alma e para o aumento de nossa força espiritual. Estas bênçãos são para vocês, meus irmãos e irmãs, que são da família da fé. Apreciemo-las, e vivamos de modo digno delas, para que por nossa vida possamos exemplificar nossa crença. Que nenhum de nós esteja sob condenação por participar do sacramento indignamente, sendo assim privado da companhia do Espírito de nosso Pai. ¶
Que o Senhor nos abençoe; que Seu Espírito continue a ser derramado sobre nós. Que amemos uns aos outros, como nosso Pai ordenou que fizéssemos. Se pudermos participar do sacramento dignamente, poderemos amar uns aos outros, assim como nosso Pai ordenou; lembrando-nos de que Ele nos disse: "Se não sois um, não sois meus." Que sejamos um. Que sejamos Dele de fato — exemplos de Sua causa e de Sua verdade, sempre prontos a ensiná-la e expô-la com bondade e amor, para o convencimento de Seus filhos que dela não sabem. Ensinemo-los a verdade por preceito e exemplo, para que, por causa de nossa fidelidade em assim fazer, nossas vestes estejam livres do sangue da geração em que vivemos; e quando formos ao nosso lar eterno, sejamos ali bem-vindos por causa de nosso trabalho no interesse dos filhos de nosso Pai. ¶
Que o Senhor acrescente Suas bênçãos, e que Sua paz esteja sobre nós, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶