O Dever como o Serviço Mais Aceitável a Deus
David O. McKay
Um dos maiores benefícios derivados de nos reunirmos é a experiência de pensamentos e sentimentos novos e belos. Esses pensamentos e sentimentos nem sempre são os expressos pelo orador. As palavras não transmitem o pensamento — apenas o evocam; mas aqueles que, ao ouvir, experimentam novos pensamentos, ou nobres sentimentos, sempre recebem uma das maiores bênçãos que vêm aos que se reúnem. Vocês concordarão comigo que esta conferência tem sido particularmente fecunda em despertar em nossa mente os mais nobres pensamentos, os mais elevados e puros sentimentos. ¶
Uma passagem da Escritura tem-se apresentado repetidamente à minha mente desde que o Presidente Smith enfatizou ao Sacerdócio o Evangelho de Fazer. Essa passagem é esta: ¶
"Escolhei hoje a quem sirvais." ¶
Creio, com o Professor Stephens, cujo pensamento foi expresso no belo cântico que acabamos de cantar, que, ao fazer esta escolha, a juventude de Sião agirá sabiamente. ¶
"Há de a juventude de Sião vacilar em defender a verdade e o direito? ¶
Enquanto o inimigo ataca, havemos de recuar ou evitar a luta? Não! 'Fiéis à fé que nossos pais estimaram; fiéis à verdade pela qual mártires pereceram; ao mandamento de Deus — alma, coração e mão — fiéis e verdadeiros permaneceremos para sempre.'" ¶
Se cada um dos vinte mil indivíduos que hoje estão reunidos nestes terrenos sagrados disser a si mesmo, "Hoje escolho servir ao Senhor," que exército poderoso haveria em defesa do direito! Por que não fazer esta escolha? Recentemente, ouvi o testemunho de um dos presidentes de estaca neste sentido: "Nunca sou mais feliz do que quando estou no cumprimento de meu dever." Não há nada na vida que traga mais felicidade do que viver retamente — do que servir a Deus. Então por que não podem as vinte mil pessoas aqui hoje — não, por que não pode todo o Israel escolher hoje servir ao Senhor? A linha entre a verdade e o erro tem sido claramente marcada durante toda esta conferência, e aos membros da Igreja de Cristo é dada a escolha entre a verdade ou o erro. A Igreja, embora esteja no mundo, não é do mundo. Há dois exércitos distintos; estão frente a frente. A Igreja representa a verdade, o inimigo é o erro. ¶
"Escolhei hoje a quem sirvais." Há uma poderosa hoste reunida nestes terrenos hoje, e havia uma poderosa hoste reunida muitos anos atrás na cidade de Siquém. Israel havia se reunido ali para ouvir as últimas palavras de seu grande líder, Josué. Cento e dez anos ele havia visto de vida; havia liderado Israel fielmente através de muitas provações; havia visto suas vacilações, e conhecido sua rebeldia. Naquela ocasião memorável, ele lhes pregou as palavras de Vida, lembrando-lhes as muitas manifestações de Deus em seu favor. Ele voltou aos dias de Abraão, quando os filhos seguiam deuses estranhos. Contou-lhes como Deus havia tirado seu pai Abraão daquela idolatria; como a mão do Senhor havia tirado Israel do Egito; como Ele lhes havia dado terras que não haviam conquistado; como lhes havia dado cidades que não haviam edificado. ¶
"Agora, pois," continuou ele, "temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade; e deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais além do rio e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor." ¶
Se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, então escolhei hoje a quem sirvais. "Mas," disse o velho Profeta, pouco antes de sua morte, "eu e a minha casa serviremos a Jeová." Então ele deu ao povo sua escolha: ¶
"A quem servireis?" E eles clamaram a uma só voz: "Serviremos ao Senhor." "Lembrem-se," disse ele, "são vocês que fazem esse convênio." ¶
"Não podereis servir ao Senhor: porquanto é Deus santo, é Deus zeloso, ele não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados. ¶
"Se deixardes ao Senhor, e servirdes a deuses estranhos, então se voltará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos fazer bem." ¶
"E o povo disse a Josué: Não, antes ao Senhor serviremos." ¶
"E Josué disse ao povo: Sois testemunhas contra vós mesmos de que vós escolhestes ao Senhor, para o servir. E disseram: Somos testemunhas." ¶
E o convênio feito pelo povo naquele dia foi colocado no livro da lei do Senhor, e um altar foi construído ali como memorial do convênio. Josué despediu-se deles, e seguiu o caminho de toda a terra. Aquela geração guardou seus convênios. Vocês podem ler o registro de Israel desde o Êxodo até o Cativeiro, e não encontrarão uma geração que serviu ao Senhor tão fielmente quanto aqueles que fizeram convênio com o velho Profeta Josué, naquele dia. ¶
Irmãos e irmãs, devemos escolher a quem serviremos. Digo que não podemos continuar servindo, parte do tempo, ao inimigo, e parte do tempo, à Igreja. Não podemos fazer isso. O Senhor disse claramente: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom." Estas palavras são verdadeiras; e creio que devemos tomá-las tão literalmente quanto o Profeta Joseph Smith tomou as palavras de Tiago: ¶
"E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente." ¶
O Profeta acreditou nessas palavras, e as tomou pelo seu significado. Assim creio que devemos tomar as palavras de Cristo, e saber que não podemos servir a dois senhores. Escolhamos hoje a quem serviremos. ¶
A verdade de que não podemos servir a dois senhores é enfatizada em "Caim," de Byron, e sinto-me levado a mencioná-la aqui para ênfase. Caim é tentado por Lúcifer; e depois que o Diabo o conduziu, dizendo-lhe que o Evangelho não é nada, que Adão foi enganado, que o Senhor é apenas um Deus cruel, Caim diz: ¶
"Ensinar-me-ás tu todas as coisas?" "Sim," diz Lúcifer, "sob uma condição." ¶
Caim: "Diz qual." ¶
Satanás: "Que te prostres e me adores, a mim, o senhor." ¶
Caim: "Não és tu o Senhor que meu pai adora?" ¶
Satanás: "Não." ¶
Caim: "Seu igual?" ¶
Satanás: "Não. E nada tenho em comum com Ele. Não; nem quero ter nada a ver com Ele. Preferiria ser qualquer coisa, acima, abaixo, preferiria ser qualquer coisa a estar sujeito ao Seu poder. Habito à parte; contudo sou forte, e muitos há que me seguem, e muitos ainda hão de seguir. Sê tu um dos primeiros." ¶
Caim respondeu: "Nunca ainda me curvei ao Deus de meu pai, embora meu irmão, Abel, muitas vezes implore que eu ofereça sacrifícios com ele." ¶
Lúcifer rapidamente o apanha: "Não te curvaste a Ele?" ¶
Caim: "Não o disse eu? Preciso dizê-lo? Não te ensina isso teu poderoso conhecimento?" ¶
Então estas palavras — e Byron nunca proferiu verdade maior. ¶
Satanás: "Aquele que não se curva a Ele curvou-se a mim." Aquele que não se curva a Deus curvou-se a Lúcifer. ¶
"Mas," diz Caim, "não me curvarei a nenhum dos dois." ¶
"Ainda assim," responde o tentador, "és meu adorador; aquele que não O adora é meu igualmente." ¶
Esta verdade se harmoniza com a escritura. "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro." ¶
A quem serviremos, meus irmãos e irmãs — todo o Israel aqui reunido, o sacerdócio, os chefes de família — os Élderes de Israel? "Escolhei hoje a quem sirvais." ¶
Creio que não se poderia encontrar em toda a Igreja um único jovem que, se lhe fosse dada a escolha, diria: "Escolho servir ao mundo" — nem um sequer. Pois bem, então por que é que servimos ao mundo? É por ignorância, ou fraqueza, resultado da ignorância. O dever dos Santos dos Últimos Dias — os Élderes e líderes — é ensinar os jovens a servir a seu senhor. Isso não é difícil. Não há uma única grande coisa que possamos fazer para servi-Lo. Não é apenas na condição de membro que Cristo deseja serviço. Ele pode, hoje como antigamente, levantar das pedras filhos a Abraão. Não é serviço de lábios o que Ele deseja. Falando das igrejas do mundo, o Senhor disse a Joseph Smith: "Eles se aproximam de mim com os lábios, mas seu coração está longe de mim." Não é serviço de lábios — o que é, então? Fidelidade ao dever, esse é o serviço. ¶
Lembro-me agora da responsabilidade que recaiu sobre aqueles soldados que seguiram o General Wolfe pelas poderosas alturas de Quebec naquela noite estrelada de setembro. Qual era o dever de cada soldado naquela noite? Nada de grandioso — cinco mil deles remando furtivamente rio abaixo, e depois se içando silenciosamente pelos galhos das árvores na encosta. Qual era o serviço exigido daquele poderoso exército? Ora, o serviço da ordem e do silêncio. Um único soldado naquela noite poderia ter frustrado todo o plano do General Wolfe. Mas cada um tinha um dever — o de ficar quieto, o de permanecer em posição, até que, antes do amanhecer, todo o exército estava de pé nas planícies de Abraão, pronto para tomar o forte. Assim é neste grande exército do Sacerdócio; cada homem tem apenas um pequeno dever a cumprir; mas, oh, o cumprimento dele pode significar tudo para o quórum ao qual pertence! Pode significar muito para a Igreja. ¶
Há exemplos na história em que pequenos atos simples expressaram o espírito de toda uma nação. Um me vem à mente agora. Certa vez durante a Revolução, o General Greene havia sido derrotado; estava sozinho, sem dinheiro, faminto, com os pés doloridos. Ele entrou numa hospedaria, e o proprietário disse: "Olá, General Greene! Sozinho?" "Sim, sozinho, faminto, e sem dinheiro." A senhora da casa pôs diante dele um café da manhã quente — simples, mas o melhor que tinha, e então, fechando silenciosamente a porta atrás de si, trouxe e colocou na mão do General, uma bolsa. "Aqui está!" disse ela; "é tudo o que tenho, mas está à sua disposição; pegue." Havia pendurado bem acima da lareira daquela humilde hospedaria, o retrato de Jorge III. O General Greene se levantou, virou o quadro para a parede, e em seu verso escreveu esta linha: "Esconde teu rosto, Jorge, e envergonha-te." Por quê? Porque aquele pequeno ato simples continha em si a expressão do espírito da Revolução. O espírito da liberdade foi expresso por aquela mulher num pequeno ato de serviço a seu país. ¶
É por isso que o General Greene disse: "Esconde teu rosto, Jorge, e envergonha-te." Assim pode ser nesta Igreja; algum pequeno ato de um diácono, um mestre, um sacerdote, um élder, um sumo sacerdote, um setenta, um apóstolo, ou qualquer um — algum pequeno ato pode manifestar seu serviço à sua Igreja e expressar aquela lealdade que todo jovem sente, que todo jovem deseja expressar, e que pode ser melhor manifestada pelo serviço na obra do Senhor. Escolhamos hoje, por todo o Israel, dizer com Josué de antigamente: Não sei o que vocês possam escolher. Se não desejarem servir ao Senhor, escolham outros deuses; sigam o espírito do mundo, se quiserem; "mas eu e a minha casa serviremos ao Senhor." ¶
Que Deus nos ajude neste desejo; que Ele nos inspire nesta determinação; e nos faça sentir hoje que é nosso dever ensinar os jovens a servir a Deus. Outro dia, um jovem veio a mim e disse que, embora tivesse vivido na ala por vinte anos, de fato toda a sua vida, nunca havia recebido o Sacerdócio até três meses antes daquele dia. Ele não havia frequentado suas reuniões, é claro; havia sido criado sob a influência do mundo, e aquela influência o havia arrastado para baixo. Mas até mesmo aquele jovem, naquele dia, disse isto: "Agora, quero servir à Igreja," e voltou para sua ala com essa determinação. Embora tivesse sido indiferente, o jovem não estava perdido; seu coração estava certo; mas ele não sabia antes daquele momento como servir à Igreja. Ele está hoje com um sentimento dentro de si de que servirá à ala, e fará o que o bispo quer que faça; além disso, frequentará seus quóruns, e será fiel a eles. Creio que há centenas de jovens que precisam que se lhes mostre o caminho, e vocês verão que não vacilarão, que serão: "Fiéis à fé que seus pais estimaram; fiéis à verdade pela qual mártires pereceram; ao mandamento de Deus, alma, coração e mão, fiéis e verdadeiros permanecerão para sempre." ¶
Peço as bênçãos de nosso Pai sobre a juventude de Israel e sobre todos os Santos em toda parte, para que possamos escolher servir a Deus e guardar Seus mandamentos, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶