Obtendo um Testemunho e Adquirindo Inteligência
George F. Richards
Regozijo-me convosco, meus amados irmãos e irmãs, nos privilégios e bênçãos desta outra conferência da Igreja, e na posse do bom Espírito que tem estado conosco até aqui nestas reuniões da conferência. Regozijo-me na condescendência de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, em que Ele veio à terra na plenitude dos tempos e Ele mesmo ensinou aos filhos dos homens o grande plano de vida e salvação, plano este instituído antes da fundação desta terra. Ele, tanto quanto foi possível, fez uma lição objetiva de cada princípio do Evangelho, vivendo-o e prestando-lhe obediência Ele mesmo. Ele viveu uma vida perfeita, cumpriu completamente Sua missão, e nos pediu apenas que façamos o que Ele fez, que cumpramos nosso dever conforme nos é dado a conhecer. É desígnio do Pai que o Evangelho seja ensinado a todos os filhos dos homens, para que aprendam a vontade do Pai, e saibam quais exigências lhes são feitas para obterem a vida eterna. Pela misericórdia de nosso Pai Celestial, todos os Seus filhos terão esse privilégio. Regozijo-me por termos um registro tão completo da missão do Salvador, e de Seus ensinamentos, como o contido no Novo Testamento. Aprecio o conhecimento adicional que nos veio a respeito do grande plano de salvação pela vinda do Livro de Mórmon, pelas revelações contidas no Livro de Convênios, e pelas palavras de inspiração que nos têm vindo de tempos em tempos pela boca de Seus servos, a quem Ele honrou com o Santo Sacerdócio e a autoridade de pregar o Evangelho e administrar as suas ordenanças. ¶
Regozijo-me por terem havido tantos dos filhos de nosso Pai que ouviram a verdade, que estiveram dispostos a aceitá-la, e a fazer os sacrifícios que lhes foram exigidos, pois certamente isso tem exigido grande sacrifício. Nossos pais e mães, muitos dos quais ouviram o Evangelho no mundo, abandonaram seus lares, suas ocupações, o amor e a amizade de seus pais e irmãos e irmãs, e tudo o que lhes era caro nesta vida, e lançaram sua sorte com um povo desprezado, e fizeram esses sacrifícios por causa do amor que tinham pelo Evangelho e pelo testemunho que o Senhor lhes deu da veracidade desta obra. O Senhor tem dado testemunho a todo filho e filha fiel que prestou obediência aos princípios do Evangelho de que esta obra é verdadeira, de que não há outro plano concebido, nenhum outro caminho sob os céus, pelo qual a humanidade possa obter a salvação e a vida eterna. Não há caminho para a exaltação exceto por meio da obediência aos princípios que são ensinados pelos Santos dos Últimos Dias, revelados nesta última dispensação por meio do profeta Joseph Smith, os mesmos princípios, na mesma ordem, tal como foram ensinados pelo próprio Jesus, tendo o mesmo poder salvador. Aqueles que prestaram obediência implícita a esses princípios sabem com certeza que a obra é verdadeira; e não apenas obtiveram esse conhecimento e força e coragem do Senhor, que lhes permitiu fazer os sacrifícios que lhes foram exigidos, mas muitos entregaram suas vidas pela verdade do Evangelho e pelo testemunho que o Senhor lhes deu. Regozijo-me por termos hoje uma multidão de homens e mulheres de integridade semelhante. Não tenho dúvida de que todos aqueles que o presidente Smith mencionou em seu discurso de abertura nesta conferência, todos aqueles oficiais, com muito poucas exceções, se é que alguma, estariam dispostos a entregar suas vidas, se necessário, pela salvação dos filhos dos homens, e para que eles mesmos possam obter a vida eterna. ¶
É coisa rara encontrar um homem nesta Igreja, em plena comunhão, que se recuse a fazer qualquer coisa que lhe seja pedida. Por quê? Porque ele tem um entendimento inteligente do plano de vida e salvação. Sabe que é a obra de Deus, e que o homem não se elege a si mesmo para um cargo, nem determina para si mesmo a parte que há de desempenhar neste reino, mas espera-se de todo homem que ouviu a palavra e teve os privilégios do Evangelho que dê seu tempo, seus talentos, seus recursos — tudo o que tem, se necessário — para a edificação do reino, a salvação da família humana, mas não presta uma obediência cega. ¶
É ideia equivocada, prevalecente no mundo, que a perpetuidade desta obra dependa de as autoridades manterem as massas do povo na ignorância. A verdade é o exato oposto, do contrário por que teríamos todas estas organizações auxiliares e quóruns do sacerdócio na igreja, para a educação da nova geração? O estabelecimento delas na fé depende de seu conhecimento do Evangelho. Nosso maior temor a respeito de nossos filhos em Sião é a possibilidade de crescerem na ignorância do Evangelho eterno, pois é apenas essa classe — com poucas exceções — que abandona a fé. Possivelmente alguns que tiveram um pouco de fé no Evangelho foram vencidos pela tentação e caíram da graça; não tiveram fé suficiente para produzir o arrependimento em seus corações, para se humilharem e recuperarem sua posição. Pode ser que tenhamos perdido alguns de nossos filhos e filhas por essa razão, mas nunca os vemos se unindo a outras igrejas e denominações. Estão certos de que temos o verdadeiro Evangelho e a verdadeira Igreja de Cristo, com todo o seu poder salvador. Quanto àqueles que receberam o testemunho do Evangelho, nosso temor é que possam se tornar indiferentes, que não se unam às organizações auxiliares, e que nem sempre recebam, junto ao lar, as instruções a respeito desta obra que deveriam receber, e, por não terem retido um conhecimento do Evangelho, seus olhos podem se cegar. Mas sabemos que, onde nossos filhos e filhas são virtuosos e retos, e têm conhecimento do Evangelho, eles o amam; ele apela ao seu juízo e inteligência, e dificilmente abandonarão a verdade por uma falsidade. Cremos que nossos jovens devem ser educados nas escolas distritais e nas faculdades, pois cremos que a inteligência obtida dessas fontes é necessária para capacitá-los, à medida que crescem, a assumir as responsabilidades que agora recaem sobre os ombros de seus pais. Esta educação é necessária para torná-los mais proficientes em pregar o Evangelho no exterior, e em ministrar entre o povo em casa. Acima de tudo, cremos na formação religiosa de nossos filhos, e damos ao mundo evidência de que somos sinceros nesta declaração. ¶
Não vejo como o povo do mundo pode consistentemente acusar os Santos dos Últimos Dias de serem insinceros, ou que nossa união e força sejam causadas pelo suposto fato de que somos ignorantes quanto aos métodos, desígnios e propósitos das autoridades da Igreja. Antes de entrarem na Igreja, homens e mulheres são ensinados nos princípios do Evangelho Eterno, nos princípios da retidão, e são informados a respeito do curso de vida que se espera que sigam como membros da Igreja; e, sem um convênio de sua parte de observar e guardar os mandamentos do Senhor, de viver vidas retas e puras, e fazer uma reforma completa, não são recebidos na Igreja. Não há maneira de se tornar membro desta Igreja exceto pela fé em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho Jesus Cristo, e pelo arrependimento do pecado. Devemos confessar nossos pecados; devemos vir com corações quebrantados e espíritos contritos, e dar evidência de que nosso arrependimento é genuíno, de que somos sinceros no que estamos empreendendo; quando fizermos isso, e tivermos prestado obediência ao princípio do batismo, recebemos, como resultado, a remissão dos pecados. Segue-se, então, a imposição das mãos para o dom do Espírito Santo, e recebemos luz e inteligência, e o cumprimento da promessa do Senhor de que conheceremos a doutrina; assim nos tornamos melhores por termos recebido o Evangelho, se formos fiéis aos nossos convênios. ¶
O fato de que nem todos nós somos fiéis em todas as circunstâncias é evidência da necessidade de haver oficiais na Igreja cujo dever seja encorajar o povo a obras de retidão, não forçá-los ou obrigá-los a fazer algo a respeito do qual não se converteram. Não se pede a nenhum homem ou mulher que faça algo de que não estejam primeiro plenamente convencidos ser a coisa certa e apropriada para a salvação de sua alma. Trabalhamos com homens e mulheres com toda bondade e gentileza, e com amor não fingido. Fazemos tudo o que podemos, oramos por eles, aconselhamo-nos com eles, e os ajudamos a progredir; esse é o método dos oficiais na Igreja, não forçar homens e mulheres a uma linha de dever. Os homens entram nesta Igreja por sua própria livre vontade e escolha, e podem sair dela tão facilmente, se pensarem que cometeram um erro. Agradeço ao Senhor que há muito poucos que, tendo abraçado o Evangelho com toda sinceridade, jamais tiveram qualquer desejo de retroceder seus passos; aqueles que se afastaram fizeram-no por causa de sua própria desobediência às leis da retidão, não porque tenham descoberto nos princípios do Evangelho, tal como ensinados pelos Santos dos Últimos Dias, algum erro, ou algo que tenda a degradar a humanidade. Devem reconhecer que esses princípios são enobrecedores. ¶
Se todos nós prestássemos obediência implícita aos princípios do Evangelho, seríamos de fato um povo feliz. Os efeitos nocivos do uso de bebidas fortes seriam evitados se todos prestássemos obediência a esta Palavra de Sabedoria, à qual se fez referência nesta tarde, e assim com as demais leis. Um dos maiores argumentos em favor da fidelidade da parte do povo, na observância da Palavra de Sabedoria, é que ela dá evidência a nosso Pai celestial, e uns aos outros, de nossa disposição de obedecer a Seus desejos. Não nos importa discutir quanto aos efeitos de beber um pouco de bebida alcoólica, ou fumar um cachimbo ou charuto, ou beber chá e café. Quando o Senhor ordenou a Adão que construísse um altar e oferecesse sacrifícios em Seu nome, ouvimos falar de Adão discutindo com o Senhor? Adão não disse: Não vejo necessidade de oferecer um sacrifício, e gostaria de saber por que essa exigência me é feita. Quando o anjo veio a Adão e perguntou por que ele oferecia sacrifícios, qual foi sua resposta? Ele disse: "Eu não sei, exceto que o Senhor me mandou"; e então o anjo lhe explicou este assunto. Quando o Senhor ordenou a Abraão que oferecesse seu filho em sacrifício, não ouvimos falar de Abraão parlamentando com o Senhor e querendo saber por quê. Bastava-lhe saber que era a vontade e a palavra do Senhor para ele. Ele se dispôs a fazer o que o Senhor exigia; fez o sacrifício em espírito, e este foi aceito pelo Senhor. E assim, a obediência à vontade do Senhor é o princípio que devemos aprender. Esta simples Palavra de Sabedoria, adaptada ao mais fraco daqueles que possam ser chamados "Santos," é dada para que possamos manifestar ao Senhor, nesta pequena coisa, se somos ou não obedientes e dispostos a fazer o que Ele exige de nós. Como questão de obediência inteligente — não obediência cega — devemos observar a guardar a Palavra de Sabedoria. Pela mesma razão, devemos observar a guardar santo o dia de sábado, e o nome de nosso Pai Celestial, e Seu Filho Jesus Cristo, e prestar obediência inteligente a toda exigência que nos seja feita. ¶
Amo os Santos dos Últimos Dias. Rogo a Deus que os abençoe e os mantenha na fé. Tive o prazer de conviver com muitos deles durante o ano passado, tendo viajado mais de vinte mil milhas, visitando os Santos nas estacas de Sião e no campo missionário. Encontrei-os no mundo, e nas estacas de Sião, tão fiéis ao Evangelho quanto os mais fiéis desses homens e mulheres aqui próximos à sede da Igreja. Conheço sua integridade; ouvi seus testemunhos; ouvi seus presidentes falarem bem deles. Vi-os nas organizações auxiliares trabalhando como abelhas numa colmeia. Sei algo da força dos veteranos de Sião, e da fé e integridade da juventude de Sião, e não duvido deles. Há uma porcentagem muito pequena dos rapazes e moças, filhos e filhas dos Santos, que serão infiéis à fé de seus pais. Nossos jovens são, em grande medida, como disse, fiéis e verdadeiros, e assim continuarão, e o Senhor prosperará Sião, e abençoará Seu povo. Sião triunfará; a verdade prevalecerá, e os propósitos de Deus se consumarão na terra. Que o Senhor nos ajude a todos a sermos fiéis, rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶