Os Santos Crescendo em Fé e Boas Obras
Joseph F. Smith
DISCURSO DE ABERTURA. ¶
Os Santos crescendo em fé e boas obras. — Esforços fúteis dos inimigos da Igreja. — Relato interessante de recente viagem a países europeus. — Locais históricos nos EUA, e recordações a respeito deles. — Sede fiéis à fé, e uni-vos na defesa e edificação de Sião. ¶
Sinto-me muito grato nesta manhã pelo privilégio que tenho de contemplar os rostos de meus irmãos e irmãs reunidos aqui na abertura de nossa Septuagésima Sétima Conferência Semestral, e, como em todas as ocasiões passadas em que nos reunimos em nossas conferências, espero sinceramente que o espírito de paz, o amor pela verdade, e o desejo de fazer o bem sejam primordiais em tudo o que se disser ou fizer durante esta conferência. É também gratificante ver o número reunido nesta primeira sessão. Isso mostra um interesse em nossa obra e na causa de Sião que fala bem daqueles que estão presentes; e creio sinceramente que a fé dos Santos dos Últimos Dias está aumentando, juntamente com seu conhecimento e seu amor pela verdade, e que o povo está se firmando cada vez mais em suas convicções da verdade do Evangelho que foi restaurado nestes últimos dias. ¶
Tudo parece apontar para o avanço contínuo da causa de Sião. A terra tem sido abençoada em grande medida pelo favor do Senhor durante a última estação, e a maioria de nosso povo colheu fartas colheitas e prosperou não apenas espiritualmente, mas também temporalmente. Penso que possuímos a evidência de que as boas obras dos Santos dos Últimos Dias não estão diminuindo, mas, ao contrário, estão de fato aumentando, e nós — com muito poucas exceções — estamos hoje tão determinados quanto sempre estivemos, ou quanto qualquer membro da Igreja jamais esteve, a continuar a batalhar a boa batalha e guardar a fé. ¶
Desejo expressar meus sentimentos de boas-vindas aos Santos dos Últimos Dias que estão aqui hoje, e aos que assistirão a esta conferência, e dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que amamos a verdade e a obra do Senhor hoje ainda mais do que nunca. Não estamos desanimados, não estamos desencorajados, não somos pusilânimes. Cremos no Senhor, e sabemos que Ele é poderoso para salvar, que Ele guiou os destinos deste povo desde o primeiro momento até o presente, e que não é em consequência da sabedoria dos homens que escapamos das tramas, esquemas e maquinações de nossos inimigos, e que nos foi permitido viver e crescer na terra, e nos tornarmos o que somos, mas é por meio da sabedoria, misericórdia e bênção dAquele que governa os destinos, não apenas dos homens, mas das nações. Devemos tudo a Deus; estendemos-Lhe nossa gratidão e agradecimento pelas manifestações de Seu amor, cuidado e proteção. ¶
Eu ia dizer que nada devíamos a nossos inimigos; esse foi o primeiro pensamento que me surgiu na mente, mas o reterei. Penso que devemos algo também a nossos inimigos pelo avanço da causa de Sião; pois, até hoje, tudo o que foi feito, ou tentado, para frustrar os propósitos de Deus e malograr Seus desígnios, tem sido dirigido para o bem de Sião e para a difusão da verdade. E assim continuará a ser até o fim, pois eles estão lutando contra a obra de Deus, e não contra a minha, nem a de nenhum homem. ¶
Muito recentemente, com a aprovação de alguns de meus irmãos que estavam presentes quando o pensamento me ocorreu — e não me ocorreu senão poucas horas antes de eu chegar a essa conclusão — parti com um amigo para visitar um pouco os países do leste. O pensamento surgiu primeiro em minha mente num sábado à noite, e amadureceu, no que diz respeito à minha determinação de deixar minha casa por um pouco, no dia seguinte. Deixei minha casa para descansar — não que eu esperasse obter descanso físico, mas uma mudança às vezes é descanso para os homens constantemente ocupados em deveres extenuantes e, por vezes, muito onerosos. Como pode ser de interesse para alguns de meus irmãos e irmãs, gostaria de esboçar brevemente minha visita. Ao partirmos daqui, paramos primeiro em Omaha, e, como já viajei pelas planícies nos dias de minha infância, e de novo nos dias de minha juventude, com juntas de bois, juntas de mulas e assim por diante, decidi que seria interessante fazer uma visita ao antigo acampamento de Israel em Winter Quarters, na margem do Rio Missouri, o que fizemos no dia 24 de julho, o Dia dos Pioneiros. ¶
Tivemos o privilégio de reunir-nos com alguns dos Élderes empenhados na obra missionária ali, e com os poucos santos que vivem em torno de Omaha e vizinhança, e tivemos uma celebração deveras régia do Dia dos Pioneiros. Reunimo-nos sob a velha árvore histórica, dita ter sido plantada pela mão do Presidente Brigham Young, e que agora é uma das maiores árvores da vizinhança, e ali nossos amigos estenderam seu banquete, do qual partilhamos com eles. Convivemos com eles com grande prazer, respondendo às indagações que nos faziam. ¶
Fizemos em seguida uma pequena parada em Chicago e tivemos uma visita muito agradável com alguns de nossos filhos que ali estudam, embora nossa estadia tenha sido muito breve. Não ficamos muito tempo em Nova York, pois só chegamos ali poucas horas antes de o navio zarpar. Nossa travessia do Atlântico jamais foi tão agradável — nem uma ondulação no oceano, nem nada que tornasse a viagem mais desagradável do que navegar num lago — um mar plácido e calmo. ¶
Desembarcamos em Antuérpia no dia 7 de agosto, e de lá visitamos a cidade de Roterdã, e, no dia seguinte, a cidade de Amsterdã, na Holanda. Em Amsterdã, assistimos a uma conferência dos Santos dos Últimos Dias, e ali encontramos um ramo animado da Igreja. Tivemos o prazer de nos reunir com os jovens rapazes que saíram de Sião para proclamar o Evangelho àquele povo, e, como alguns de seus pais talvez estejam presentes aqui hoje, desejo dizer-lhes que têm grande razão de orgulhar-se de seus rapazes. Não creio — falando agora da reunião que tivemos com todos os Élderes nos campos missionários que visitamos — não creio que se possa encontrar em todo o mundo igual número de jovens rapazes igualmente nobres e de excelente espírito, quanto são os vossos rapazes que estão atualmente no campo missionário, e penso que isso se pode dizer deles quase como um todo — pouquíssimas exceções, no máximo. ¶
De Amsterdã voltamos a Roterdã e realizamos outra conferência com os Santos dos Últimos Dias, e alguns estranhos e amigos que foram convidados a entrar, e que aproveitaram a oportunidade. Tivemos um tempo excelentíssimo com eles ali. Aqui encontramos outro ramo florescente da Igreja, e os Élderes (todos jovens rapazes, ativos, enérgicos, fiéis, virtuosos e nobres) estão fazendo tudo o que está a seu alcance, tanto pelo exemplo quanto pelo preceito, para espalhar a palavra da verdade entre aquele povo. Daqui, visitamos a Alemanha, parando alguns dias na cidade de Berlim. Aqui, novamente, nos reunimos com os Santos dos Últimos Dias e com os Élderes, tantos quantos puderam se reunir naquela missão, e tivemos outro tempo muito agradável. Aqui encontramos algumas condições excelentes, mas também algumas condições desfavoráveis, que lamentei encontrar. Direi brevemente: alguns de nossos jovens que foram a Berlim estudar música ou seguir outras ocupações, por sua negligência em cumprir seus deveres, por seu descuido em ir às reuniões dos Santos, por se manterem afastados dos Santos dos Últimos Dias, não estão exercendo uma influência sadia ou boa sobre o povo daquele país. Quero dizer-vos isso, e o digo com pesar. Alegam que precisam estudar e praticar todos os dias e que, quando chega o domingo, se não têm que continuar sua prática, estão tão fatigados que não conseguem ir à reunião. Ora, se algum de vós tem filhos nessa condição, aconselho-vos a estimulá-los a cumprir todo o seu dever e dar bom exemplo diante do povo do mundo neste sentido. Realmente penso que o envio de nossos filhos a Berlim para estudar por anos é consideravelmente exagerado, e não creio que, via de regra, muito bem venha a resultar aos nossos filhos que ali vão. ¶
De Berlim fomos a Zurique, na Suíça, e realizamos uma conferência. De lá fomos a Lucerna, e de lá a Berna, onde novamente nos reunimos com os Santos em conferência e tivemos uma visita excelentíssima e interessante, não apenas com nosso povo em geral, mas com estranhos que nos visitaram. Também realizamos reuniões com os Élderes, em algumas ocasiões tendo até 50 ou 75 presentes conosco de uma só vez. De lá voltamos à Inglaterra, desembarcando em Dover no retorno, passando por Paris, na França, onde ficamos um par de dias. Em Londres, novamente nos reunimos com nosso povo em conferência. Também nos reunimos com muitos dos Élderes daquela missão, todos os quais, até onde pude julgar, pareciam estar de excelente espírito e fé, dispostos, prontos e ativos no cumprimento de seus labores missionários. Tivemos uma boa conferência em Londres, e, depois, uma excelentíssima reunião com os Élderes da missão. De Londres visitamos a Escócia e assistimos a conferências em Edimburgo e Glasgow, onde também tivemos um tempo agradável com o povo e com os Élderes daquela parte da missão britânica. Voltando ao sul, da Escócia, passamos por Liverpool, e assistimos a outra conferência de nosso povo em Blackburn, em Lancashire, e também realizamos ali uma reunião de sacerdócio. Aqui encontramos as mesmas condições no que dizia respeito a nossos Élderes — um grupo nobre de jovens rapazes, brilhantes, inteligentes, ativos, honrados, retos, limpos, puros, e tão excelentes quanto já se encontrou em qualquer parte do mundo. ¶
Após uma breve visita a Liverpool, voltamos a Londres. Passamos alguns dias visitando naquela grande cidade os lugares de interesse. De lá voltamos a Dover e tomamos novamente o vapor rumo à nossa terra natal. ¶
Ao chegar a Nova York, no dia 18 de setembro, fizemos os arranjos o mais depressa possível e visitamos Vermont, o lugar de nascimento do Profeta Joseph Smith, e passamos ali um par de dias. Encontramos que grande melhoria fora feita sob a direção do Irmão Junius F. Wells. Os terrenos foram belamente demarcados, o chalé memorial concluído e pronto para ocupação, e tudo ali estava bonito e atraente. Bom número de nossos vizinhos que assistiram às cerimônias de dedicação no dia 23 de dezembro passado, ao saberem que eu estava ali, fizeram-me a honra de vir cumprimentar-me e apertar minha mão. Fizeram-nos uma visitinha muito agradável. O tema principal de sua conversa era: "Não nos tireis o Sr. Wells." Querem que o Sr. Wells permaneça com eles. ¶
Daqui, visitamos a histórica Colina Cumorah, e a antiga propriedade familiar do Patriarca Joseph Smith e sua família. Também visitamos o bosque onde a primeira oração de infância do Profeta Joseph Smith foi oferecida, e onde as primeiras manifestações da aprovação do Céu foram feitas ao homem nestes últimos dias, com referência à abertura da dispensação em que a plenitude do Evangelho de Jesus seria restaurada ao mundo, e a autoridade do Santo Sacerdócio novamente conferida ao homem. Dizer que a visita a lugares como estes não inspira pensamentos sérios e sentimentos peculiares, ao menos em meu peito, não seria verdade. ¶
Há algo de sagrado nesses lugares, para mim, e para todos, penso eu, que aceitaram a missão divina de Joseph Smith, o Profeta, e que estão imbuídos do espírito do Evangelho que ele foi instrumento, nas mãos do Senhor, em restaurar à terra. Para mim, é agradável e inspirador visitar os lugares frequentados por aquele grande e bom homem, e seus associados nos primeiros dias da Igreja, e mesmo antes de a Igreja ser organizada. Visitamos Palmyra, perto da colina onde as placas do Livro de Mórmon foram encontradas e mostradas ao Profeta Joseph pelo anjo Morôni, e onde lhe foram dadas por ele; verdade essa que todo Santo dos Últimos Dias terá de aceitar para reconhecer a autoridade divina do homem que deu este testemunho ao mundo, e que foi instrumento em revelar a plenitude do Evangelho aos filhos dos homens. ¶
De Palmyra, visitamos Kirtland, Ohio, e observamos novamente o terreno outrora ocupado como morada dos Santos dos Últimos Dias. Onde, muitos anos atrás, um povo próspero e diligente habitava em números razoavelmente grandes, hoje encontramos uma pequena povoação dispersa. O campo está quase deserto. A população atual se aproxima de 400 ou 500 pessoas. O templo ainda permanece de pé como monumento ao sacrifício deste povo, outrora pobre mas fiel, que naqueles primeiros dias sacrificou não apenas seus meios e seu tempo, mas seu conforto e o conforto de suas famílias, com o propósito de construir aquela casa em obediência ao mandamento de Deus. Os que hoje a possuem compreendem pouco os objetivos e propósitos pelos quais os templos de Deus são construídos. Pouco compreendem o principal princípio, a principal doutrina, ou a principal razão e causa que torna necessário erigir templos a Deus. Esses princípios são rejeitados por aqueles que hoje possuem o edifício. É simplesmente usado por eles como uma casa de reunião comum e um lugar para a escola dominical. Enquanto for usado mesmo para este propósito, não temos razão para nos queixar, e não nos queixamos. Fomos além disso; já superamos aquele edifício. Hoje, não temos uso para ele, pois o Senhor nos mostrou um caminho ainda melhor e maior, e, no que me diz respeito, aqueles que o possuem são perfeitamente bem-vindos a ele, embora a maneira pela qual vieram a possuí-lo seja, para mim, extremamente questionável. ¶
De Ohio, não seguimos o curso da Igreja para o Missouri e do Missouri para o estado de Illinois. Passamos por cima dessa parte das migrações dos Santos, indo direto a Carthage, o cenário do martírio. Tinha o desejo de ver aquele lugar, pois nunca o havia visto antes; e senti que gostaria de ver o local onde o sangue daqueles homens inocentes foi derramado pelo testemunho que deram ao mundo da missão divina para a qual foram chamados — um mandamento de Deus para restaurar a plenitude do Evangelho e o caminho da vida e da salvação ao mundo. Não tentarei expressar-vos, nem no menor grau, o que senti naquele solo. Não permanecemos ali por muito tempo, mas fomos a Nauvoo, o último lugar de repouso dos Santos dos Últimos Dias na parte oriental de nossa terra, na época próxima da fronteira ocidental dos Estados Unidos. ¶
Foi motivo de grande deleite e prazer visitar as cenas de minha infância, e percorrer a cidade deserta e ver as várias casas que eu lembrava de minha infância. Visitamos o lugar outrora chamado a "Mansão", o lar do Profeta Joseph Smith, tão alterado e mudado hoje, ao menos internamente, e tão velho e deteriorado por fora, que alguém familiarizado com ele nos primeiros dias mal o reconheceria como o mesmo lugar. A antiga propriedade que foi primeiro construída na margem do rio, ocupada pelo Patriarca Joseph (o pai do Profeta Joseph) e sua família nos primeiros dias, ainda está de pé, mas em condição das mais negligenciadas, quase prestes a desmoronar-se. ¶
Visitamos o local onde os corpos do Profeta Joseph e de seu irmão foram sepultados, depois de seu martírio, e também os de seus irmãos, Don Carlos e Samuel. Reconhecemos, tão precisamente quanto possível, o local em que seus sagrados restos foram depositados após sua morte, tendo os corpos do Profeta e do Patriarca sido removidos duas ou três vezes para satisfazer o capricho de alguém, a fim de impedir que seu paradeiro fosse conhecido — história essa que sou grato por ter, pois a recebi de uma testemunha ocular. ¶
Também visitamos a Casa Nauvoo, o lugar onde o manuscrito original do Livro de Mórmon foi colocado pela mão do Profeta Joseph Smith, juntamente com um exemplar encadernado do Livro de Mórmon, a Doutrina e Convênios e outras publicações da Igreja existentes naquela época; e com petições aos governadores dos vários estados, da parte dos Santos dos Últimos Dias, por reparação dos danos que haviam sofrido às mãos do Missouri. Estas e outras relíquias foram ali depositadas e, em anos posteriores, exumadas e removidas pelo Sr. Bidamon, que na época estava de posse da propriedade. ¶
Também visitamos o local onde outrora esteve a casa em que a revelação sobre o casamento plural foi primeiramente escrita por Wm. Clayton, sob ditado do Profeta Joseph Smith; e também onde as Investiduras foram primeiramente reveladas e dadas por ele. Também visitamos o lugar onde a revelação sobre o casamento plural, dada por meio do Profeta Joseph Smith, foi primeiramente lida ao sumo conselho da estaca de Sião, em Nauvoo, por Hyrum Smith, e recordamos alguns dos fatos históricos ocorridos dentro daquelas paredes. Apontei a meus amigos o local na margem do Rio Mississippi onde o Profeta desembarcou com seu irmão, de um pequeno bote, quando se entregaram nas mãos da turba para irem ao seu martírio em Carthage. Visitamos outros lugares de interesse, mas seria demais para mim tentar expressar meus sentimentos ao visitar estes antigos, hoje quase apagados, locais de interesse. Encontramos em Nauvoo um sentimento muito amistoso da parte do povo que encontramos. Todos pareciam ser amigáveis conosco, contentes em nos conhecer, e ficamos muito encantados com o espírito que encontramos naquele outrora favorecido e florescente lugar. Depois de nossa visita ali, voltamos para casa de trem. ¶
Quero dizer a meus irmãos e irmãs que voltei para casa fisicamente muito melhorado do que estava quando parti. Ora, percebo, é claro, que isto é um assunto muito trivial e de muito pouco interesse para vós. Ao mesmo tempo, foi uma viagem repleta de grande interesse para mim mesmo, e foi, creio, proveitosa para mim, não apenas fisicamente, mas espiritualmente. Volto a vós, a meu lar, a meus deveres e a meus labores com o povo dos Santos dos Últimos Dias, determinado, como sempre estive, a ser fiel ao povo de Deus, a meus convênios e a todos os homens; a honrar o Santo Sacerdócio que me foi conferido; e não me importo, nem quero dar atenção, ao ridículo absurdo, à tolice insensata, e às ímpias calúnias que são lançadas contra mim e meu povo, por corações maus e mentes pervertidas. Que Deus lide com eles como Lhe parecer bom. Não vos deixeis perturbar por estas coisas nem um pouco. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, não previa ocupar tanto tempo, quando me levantei, e espero que me perdoeis por abusar assim de vossa paciência. Regozijo-me no testemunho que recebi e na certeza que sinto em minha alma de que Deus está satisfeito com a maioria de Seu povo. Pode haver alguns tolos entre nós, pessoas superficiais que olham apenas para a superfície, que não vão até a verdade — até os fatos. Pode haver os que são influenciados por algum tempo pelo clamor popular, que podem ceder em certa medida às coisas que parecem permear certos setores, mas, quando despertarem para sua condição e para a verdade real, muitos dos poucos assim influenciados e desviados contra a verdade e contra a razão e a retidão estarão dispostos a arrepender-se em pano de saco e cinzas. Não é meu propósito estar aqui a tentar fazer alguma desculpa ou oferecer alguma defesa de meu próprio proceder, de minha própria vida e labores. Estou disposto a deixar-me a mim mesmo, e meus labores e minha vida, nas mãos de Deus, e ao julgamento de meus amigos e do povo de Deus. Se prejudiquei algum homem espiritual ou temporalmente, em qualquer sentido ou de qualquer forma, rogo-lhe que venha a mim e me faça saber em que o prejudiquei ou lhe causei algum mal, e percorrerei mais da metade do caminho — percorrerei toda a distância, se necessário, para reparar isso com ele. ¶
Estou pelo reino de Deus. Meus irmãos e eu, confio, estamos unidos nisso, e, se necessário, penso que podemos deixar de lado qualquer diferença que possa existir entre nós, e unirmo-nos naquilo que é bom e certo e apropriado para a defesa do povo de Sião e para a continuação de sua edificação. Não creio que haja qualquer ruptura séria ou qualquer dificuldade séria existindo entre os Santos dos Últimos Dias em lugar algum. Penso que tudo o que é necessário é que vejamos a luz e andaremos na luz; que compreendamos nossos deveres e os cumpriremos, não importa quais sejam nossos sentimentos privados. O Senhor vos abençoe, a paz esteja convosco. ¶
Quero dizer a estes presidentes de estaca aqui presentes: tendes toda minha confiança; tendes meu amor. Oro por vós todos os dias de minha vida, e confio que vos lembreis de mim e de meus irmãos em vossas orações. Compreendemos as responsabilidades que recaem sobre vós no cumprimento de vossos deveres. Sois pais para o povo; essa grande responsabilidade recai sobre vós; vossos labores são múltiplos e às vezes muito difíceis. Percebemos os fardos que tendes de carregar, a paciência que tendes de exercer e demonstrar no cumprimento de vosso dever, a fim de evitar dar ofensa, e a fim de reconciliar o povo sobre o qual presidis com aquilo que é certo, sem usar medidas drásticas. Compreendemos isso, e tendes nossa simpatia, nossa comunhão, nosso amor, e a força que possais obter de nossa fé e orações, para que presidais em retidão sobre vossas diferentes estacas de Sião, e para que vossos irmãos associados convosco estejam unidos a vós, e para que trabalheis juntos naquilo que é certo e apropriado para a edificação de Sião e a defesa do povo de Deus. ¶
Vejo diante de mim vários jovens rapazes a quem foi confiada a presidência de missões no exterior, e quero dizer-vos que, no que diz respeito ao meu conhecimento destes homens, são homens segundo meu próprio coração, homens verdadeiros, fiéis, diligentes no cumprimento de seus deveres, aceitáveis e honrados aos olhos de Deus e do homem. Nós os amamos e admiramos sua coragem em se ausentarem de seus lares por anos a fio, sacrificando seus interesses e prazeres pessoais, pelo bem do povo no exterior e por Sião. Nós os admiramos e dizemos a eles, como aos presidentes de estaca de quem tanto depende: Deus vos abençoe, a todos e a cada um, e vos fortaleça no cumprimento de vossos deveres. Vemos os conselheiros destes homens da mesma maneira, e diríamos a eles, a todos e a cada um: permanecei unidos a vossos oficiais presidentes, sede unidos em tudo o que tenda a edificar Sião e a derrotar o propósito de seus inimigos, seja qual for esse propósito. ¶
Acima de tudo, permiti-me dizer aos conselheiros dos presidentes de estacas e de missões, e aos Bispos e seus conselheiros — permiti-me dizer a todos vós: vivei vidas exemplares, de modo que cada um possa dizer ao povo: "Vinde e segui-me; segui meu exemplo; obedecei a meus preceitos; estai em união comigo, e segui-me enquanto sou designado a liderar, aconselhar e orientar, à medida que eu sigo a Cristo." ¶
Que todo homem viva de modo que seu caráter possa suportar o mais rigoroso exame, e que possa ser visto como um livro aberto, de modo que não tenha nada de que se encolher ou se envergonhar. Que todos os homens elevados a posições de confiança na Igreja vivam de tal maneira que ninguém possa apontar suas falhas, porque não terão falhas; de modo que ninguém possa justamente acusá-los de proceder mal, porque não fazem mal algum; que ninguém possa apontar seus defeitos como "humanos" e como de "mortais fracos", porque estão vivendo de acordo com os princípios do Evangelho, e não são meras "criaturas humanas fracas", desprovidas do Espírito de Deus e do poder de viver acima do pecado. É assim que todos os homens deveriam viver no reino de Deus. ¶
Deveríamos dar o exemplo; deveríamos ser fiéis à fé, como o Irmão Stephens nos canta; fiéis à fé! Deveríamos ser fiéis a nossos convênios, fiéis a nosso Deus, e fiéis uns aos outros e aos interesses de Sião, não importa quais sejam as consequências, não importa o que resulte. Posso dizer-vos que o homem que não é fiel a Sião e aos interesses do povo será o homem que, mais cedo ou mais tarde, se encontrará excluído e em lastimável condição espiritual. O homem que permanece com o reino de Deus, o homem que é fiel a este povo, o homem que se mantém puro e sem mácula do mundo, é o homem que Deus aceitará, que Deus sustentará, que Ele apoiará e que prosperará na terra, quer esteja desfrutando de sua liberdade, quer esteja confinado em celas de prisão; não faz diferença onde esteja, ele há de sair-se bem. ¶
Que o Senhor abençoe meus irmãos e minhas irmãs empenhados na obra do ministério. Aqui estão nossas irmãs empenhadas na obra da Sociedade de Socorro, com as quais tive o prazer de me reunir ontem à noite. Aqui estão irmãs ligadas às associações de Melhoramento Mútuo, e também aquelas ligadas à obra da Primária e aos interesses de nossa escola dominical, bem como os irmãos associados a estas organizações. Todos têm nossas bênçãos, porque temos confiança neles. Cremos que conhecem a verdade por si mesmos e não precisam pedir luz emprestada a ninguém. Sabemos que sua integridade é inquestionável; sabemos que amam a Deus e a verdade e que amam a obra mais do que seu próprio interesse pessoal. Conhecemos muitos deles e sabemos que estes são seus sentimentos. Nós os amamos; têm nosso respeito, nossa plena confiança; as bênçãos do Senhor os acompanharão. Assim tem sido no passado e Ele continuará a abençoá-los enquanto continuarem a sustentar o Sacerdócio de Deus que foi colocado na terra para guiar a Igreja e aconselhar nos assuntos do reino de Deus. ¶
O que quero dizer com o Reino de Deus é a organização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, sobre a qual o Filho de Deus preside, e não o homem. É isso que quero dizer. Quero dizer o Reino do qual Cristo é o Rei, e não o homem. Se algum homem se opuser a que Cristo, o Filho de Deus, seja Rei de Israel, que se oponha e vá para o inferno tão depressa quanto quiser. ¶
Sustentemos a Cristo, Seu povo, e Sua causa de retidão e redenção; sustentemo-nos uns aos outros no que é certo, e admoestemo-nos bondosamente uns aos outros quanto ao mau proceder, para que possamos ser amigos e salvadores no Monte Sião, uns pelos outros, e para que possamos ajudar os fracos e fortalecê-los, encorajar os que duvidam e trazer luz a seu justo entendimento, tanto quanto possível, para que possamos ser instrumentos nas mãos de Deus de sermos salvadores entre os homens. Não que tenhamos poder para salvar os homens. Não temos; mas temos poder para mostrar-lhes como podem obter a salvação por meio da obediência às leis de Deus. Podemos mostrar-lhes como andar a fim de serem salvos, pois temos o direito de fazer isso, temos conhecimento e compreensão de como fazê-lo, e é nosso privilégio ensiná-lo e reforçá-lo, tanto pelo exemplo quanto pelo preceito, entre nossos associados onde quer que estejamos no mundo. ¶
Quero dizer de meus Conselheiros na Presidência que não há homens melhores no mundo hoje; e são leais a vós; são leais ao povo de Deus; são leais a seus convênios e aos interesses de Sião, e estão trabalhando fielmente para a realização de todo o bem que for possível realizar por meio de sua influência e de seu arbítrio e labores fiéis. Posso dizer o mesmo de meus irmãos, os Doze, e outros associados conosco no Santo Sacerdócio. Que o Senhor os abençoe e os sustente em bem proceder e em apoiar e sustentar a obra de Deus e a autoridade que Ele revelou e restaurou a Seus filhos no mundo. Ora, que o Senhor vos abençoe, e que a paz abunde em vossos corações e lares; que a bênção da prosperidade vos acompanhe em vossas saídas e entradas e em tudo a que puserdes as mãos em retidão, é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶