O Evangelho, um Plano Perfeito de Salvação
George F. Richards
O Evangelho, um plano perfeito de salvação, quando seus preceitos são obedecidos. — Uma condição perfeita tornada possível nesta vida pela obediência às leis do Evangelho. — A prática do mal denunciada. ¶
Regozijo-me convosco, meus amados irmãos e irmãs, nos privilégios e bênçãos desta conferência. Regozijo-me em ver a multidão de Santos dos Últimos Dias reunidos nesta bela manhã de Sabá, em caráter de conferência, para adorar o Senhor. Embora seja um tanto constrangedor estar aqui, alvo do olhar de dez ou doze mil pessoas, tenho o prazer de ter esta oportunidade, pois ela proporciona um meio de apresentação aos Santos dos Últimos Dias. ¶
Durante os últimos seis meses, tive o privilégio de visitar dezoito estacas de Sião, e assistir às suas conferências trimestrais; algumas dessas estacas visitei uma segunda vez. Assim, formei amizade com muitos valorosos Santos dos Últimos Dias, e aprendi um pouco de sua fidelidade. Amo o povo à medida que aprendo a conhecer seu verdadeiro caráter. É meu desejo e esperança que, num futuro próximo, eu tenha o privilégio de visitar as outras estacas de Sião. Quero aumentar minhas amizades entre os fiéis Santos dos Últimos Dias, pois amo os homens e as mulheres que adoram a Deus, e amo a religião que mutuamente abraçamos. Desejo conhecer os Santos dos Últimos Dias melhor e mais amplamente do que até agora, e desejo que os Santos dos Últimos Dias me conheçam. Desejo ter sua confiança, suas orações, e seu apoio, para que, se, com a ajuda do Senhor, eu puder dar-lhes ocasionalmente algum bom conselho, não hesitem em aceitá-lo. ¶
O Senhor tem nos abençoado muito generosamente durante as reuniões desta conferência; Seu Espírito foi derramado sobre nós em grande abundância, em grande riqueza e poder; e aqueles que falaram foram guiados por Sua influência. Fomos edificados, consolados e encorajados pelo que ouvimos, e o Espírito do Senhor imprimiu em nossas mentes e corações as verdades que foram ditas. Também fomos edificados pelos pensamentos que surgiram em nossas mentes, como resultado do que ouvimos daqueles que falaram sob os impulsos do Espírito do Senhor. Creio firmemente que uma das fontes mais fecundas de educação espiritual está nos pensamentos que surgem em nossos próprios corações, talvez separados e independentes daquilo que estamos ouvindo. Somos alimentados com o pão da vida pelo Espírito do Senhor, e sinto que assim fomos alimentados nesta conferência. ¶
O Evangelho nos apresenta um quadro belíssimo, e parece-me que o quadro jamais foi tão belo quanto se apresentou à minha mente durante as reuniões desta conferência. O código moral e religioso abraçado no Evangelho do Senhor Jesus Cristo, tal como ensinado pelos Santos dos Últimos Dias, é do mais elevado caráter; emanou do próprio Deus, dos céus acima, e Jesus Cristo, nosso Salvador, foi o Grande Expoente. O Evangelho é sem defeito, é um plano perfeito; é o próprio guia de Deus para uma vida perfeita; e há nele poder infinito, o poder de salvar aqueles que renderem obediência a seus preceitos, ordenanças, leis e doutrinas. É o plano pelo qual nosso Salvador viveu, pelo qual alcançou a perfeição, por meio do qual ascendeu ao Pai, e agora desfruta das glórias de Seu reino. É o plano que, por meio da obediência a ele, nos trará de volta à Sua presença, e nos coroará herdeiros de Sua glória. Isto é o que ele pode fazer por todos os filhos de nosso Pai Celestial. É oferecido para nossa salvação, mas fica a nosso critério aceitá-lo ou rejeitá-lo. A lei é dada; o plano é oferecido, mas não nos aproveitará nada, a menos que o aceitemos. A grande obra missionária de nosso Salvador, Sua expiação, não nos aproveitará nada se não vivermos a lei, exceto que sejamos trazidos da sepultura, como todos os filhos de nosso Pai, pois "assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados." Não podemos esperar ser beneficiados de nenhuma outra maneira; nem podemos esperar ser beneficiados pelo que ouvimos dos servos do Senhor, se não praticarmos os preceitos em nossas vidas; essa é a única maneira pela qual podemos ser beneficiados pelo que ouvimos. Não estamos agora tão necessitados de sermos ensinados no Evangelho, e em nossos deveres como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, quanto estamos necessitados de sermos impressionados com a necessidade de viver a lei, de acordo com a luz e o conhecimento que já recebemos. Alguns de nós podem estar dispostos a ser apenas ouvintes da palavra, e não praticantes dela; e nisso estamos nos enganando. Quando o Salvador pregou aquele famoso sermão no monte, o maior já pregado sobre a terra, Ele julgou necessário advertir o povo de que aqueles que ouvem estas palavras e não as praticam são como um homem tolo que construiu sua casa sobre a areia, e, quando as chuvas desceram, e os ventos sopraram, e as enchentes vieram, e bateram contra a casa, ela caiu, porque foi construída sobre a areia; mas todos aqueles que ouvem estas palavras e as praticam são como um homem sábio que construiu sua casa sobre a rocha, e, quando as tempestades vieram, e os ventos sopraram, e as enchentes bateram contra a casa, ela não caiu, pois foi construída sobre um firme alicerce. O Salvador podia ver a fraqueza do povo, que estava disposto a imaginar apropriado que seus vizinhos vivessem de acordo com a doutrina ensinada, mas considerava que ela não se aplicava a si mesmos. ¶
É um fato, hoje, que muitos não estão vivendo de acordo com a luz que Deus concedeu. Se todos estivessem vivendo à altura da luz que o Evangelho dá, haveria uma grande mudança; uma grande reforma se operaria. Aqueles que assim o fizessem se tornariam mais fortes e mais vigorosos de corpo e mente; sua inteligência seria estimulada, suas mentes iluminadas para compreender a verdade; e transmitiriam a seus filhos qualidades e virtudes que tenderiam a regenerar a raça, restaurando condições anteriores, quando a vida de um homem era como a vida de uma árvore. Se todos estivessem vivendo à altura desse padrão hoje, não haveria tabernas nem botequins em nossas cidades. Seriam obrigados a fechar suas portas por falta de clientela. Não haveria venda de tabaco, de chá, ou de café, e todos os efeitos maléficos resultantes do uso destas coisas nocivas seriam eliminados. Os locais de veraneio teriam de fechar no dia de Sabá, pois o povo se encontraria nas casas de adoração, e as casas de reunião seriam pequenas demais para acomodá-lo. ¶
Se todos os que professam ser Santos dos Últimos Dias vivessem em conformidade com o Evangelho, em todos os aspectos, teríamos de construir tabernáculos de estaca maiores, para acomodar o povo que viria assistir às conferências de estaca para ouvir a palavra do Senhor, adorá-Lo da maneira por Ele designada, participar do sacramento, os emblemas do corpo e do sangue de Cristo, que morreu por nós. Os templos, também, seriam pequenos demais para acomodar o povo que ali se reuniria para trabalhar vicariamente pela redenção de seus parentes falecidos. Se todos estivessem vivendo à altura do elevado padrão do Evangelho de Jesus Cristo, teríamos de construir mais templos; e nosso povo iria aos confins da terra, gastando liberalmente seus meios para reunir as genealogias de seus parentes. Haveria menos dificuldade em conseguir Élderes para irem ao exterior pregar o Evangelho, nessas condições, pois o amor que os homens teriam em seus corações por seus semelhantes os levaria, em maior número, a se voluntariarem para o serviço. Amamos o Deus que adoramos, e damos prova desse amor reunindo-nos em nossas casas de reunião e adorando-O de todo o propósito de coração. Damos prova de nosso amor guardando Seus mandamentos, e amando-nos uns aos outros, sem nos entregarmos à maledicência, nem a falar mal uns dos outros, nem a levantar falso testemunho contra nossos vizinhos. ¶
Se todos nós estivéssemos vivendo à altura do elevado padrão do Evangelho, até mesmo nossos inimigos — aqueles que lutam contra nós — teriam nosso amor e orações, pois o Evangelho de Jesus Cristo nos ensina a amar nossos inimigos, a orar por aqueles que nos odeiam e nos maltratam. Ainda que nos perseguissem, roubassem e pilhassem, nos amotinassem e expulsassem, nos acorrentassem e nos lançassem em masmorras, não sentiríamos amaldiçoá-los, mas, sob a lei do Evangelho, teríamos pena deles, percebendo que, quando o julgamento de Deus for derramado, eles de fato precisarão de nossa piedade. Mesmo que nos matassem por causa do Evangelho, se estivéssemos vivendo à altura deste elevado padrão, nossas últimas palavras seriam, como as do Salvador: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." ¶
Deus tem sido muito gracioso e generoso conosco; Ele nos testificou, por Seu Espírito, que este Evangelho é verdadeiro. Aprendemos, e sabemos com certeza, que as promessas que o Senhor nos fez jamais falharão. Se convocássemos esta congregação e pedíssemos que aqueles que receberam este testemunho se levantassem e o dissessem, haveria uma multidão que poderia se levantar e responder. Há alguns, porém, lamento dizer, que professam saber estas coisas, mas não vivem à altura delas como deveriam. Em suas vidas há um grau de inconsistência, e, quando os inimigos desta obra declaram que entre nós há hipocrisia e engano, mentira e maldade, que não somos fiéis àquilo que professamos, há talvez um grão de verdade nessa acusação. A vida de todos os inscritos nos registros da Igreja deveria ser tal que todo ato desmentisse todas essas calúnias; mas recai sobre a Igreja hoje uma reprovação por causa de fraquezas, inconsistências, falta de fé e de integridade à verdade, manifestas por alguns; para sua vergonha. Que o Senhor seja misericordioso para com aqueles a quem Ele tão abundantemente abençoou, e que ainda são tão ingratos por Suas misericórdias e bênçãos. ¶
É motivo de muito pesar que, entre as estacas de Sião, encontremos ocasionalmente um homem de experiência, que viveu anos na Igreja, e viu as provações pelas quais este povo passou, como o braço de Jeová se manifestou em seu favor, mas que se rebaixa ao uso do tabaco, e se entrega a hábitos impuros, que o tornam impuro diante do Senhor, e seu tabernáculo, consequentemente, um receptáculo inadequado para o Espírito de Deus. Nosso Pai celestial desígnou que Seu Espírito habitasse em nós para nos consolar e animar em nossa marcha adiante pela vida, em tempos de adversidade, para nos dar força e coragem para suportar fielmente todas as provações que possam vir sobre nós, para que mantenhamos nossa integridade até o fim. Este é o propósito do Senhor, que deseja nossa salvação. Ele nos conduziria à vida eterna, mas há alguns rebeldes, que não se deixam conduzir, que quebram Seus mandamentos, desrespeitam Seus desejos; e se tornam receptáculos inadequados para o Espírito de Deus. Vão penosamente pela vida nas trevas, sujeitos aos poderes do mal que estão ao nosso redor, sujeitos às influências daqueles que nos desviariam do caminho. ¶
Que responsabilidade recai sobre os pais em Israel, cujo dever é treinar e ensinar a seus filhos os princípios da vida eterna, e apresentar-lhes exemplos dignos de imitação, e serem como vigias sobre seus lares — como pastores que vigiam seus rebanhos — para que o maligno não entre e envenene as mentes daqueles que Deus lhes deu. Estas responsabilidades pesam grandemente sobre nós, e, se as desconsiderarmos, isso se provará para nossa tristeza. Se perdermos estes filhos que o Senhor nos deu, perdemos, uma a uma, as joias da coroa que o Senhor preparou para nós, se formos fiéis e verdadeiros. Se negligenciarmos nossos deveres, privamo-nos de bênçãos nesta vida e na vida futura. ¶
Devemos estar em guarda contra as influências que vêm até nós, da Babilônia. O Senhor disse: "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas." Não obstante esta exigência, e o conhecimento de que, ao sairmos da Babilônia, adquirimos sua inimizade, de que aqueles que não são dos nossos estão constantemente lutando contra nós, ainda assim há perigo se muito estreitamente ligados a eles; alguns podem ser induzidos a aceitar suas teorias, e adotar suas modas. Há tolos ansiosamente à espera de descobrir o que a Babilônia — "a mãe das meretrizes, a prostituta de toda a terra" — vai introduzir a seguir entre nós, e querem ser os primeiros a adotá-lo. Os Santos dos Últimos Dias devem lembrar-se de que são o sal da terra, o fermento com que toda a massa há de ser fermentada — toda a massa da humanidade; esse é o desígnio e propósito do Senhor a nosso respeito. Devemos adotar modas próprias para nós mesmos, e não seguir as modas que nos são trazidas da Babilônia. ¶
Algumas das modas babilônicas de hoje são de natureza sumamente mortífera, e estão auxiliando Lúcifer em seu propósito de frustrar os desígnios do Todo-Poderoso. Quando entrais nos lares de algumas pessoas modernas do mundo hoje, em vez de encontrar ali crianças, como encontrais nos lares dos Santos dos Últimos Dias, vedes cães de estimação, gatos, canários, coisas que podem ser presas a um cordão e deixadas num canto. Não tendo filhos para cuidar, as senhoras ficam livres para frequentar clubes e reuniões sociais, e ir a locais de veraneio e lugares públicos de diversão com a frequência que desejarem. Tais pessoas ignoram o grande mandamento de que devemos unir-nos em honroso matrimônio, para o tempo e para a eternidade, de que devemos multiplicar-nos e crescer na terra, e enchê-la. Não há mandamento maior — desconsiderá-lo frustraria todo o plano e propósito de Jeová. Vejo com horror o pensamento de cair nesta moda, ou adotar quaisquer dos costumes que nos são apresentados pela Babilônia, e que resultariam em nossa derrocada e destruição. Ah, certamente não podemos ser tão insensatos, tão indiferentes aos conselhos do Santo Sacerdócio. ¶
Testifico-vos hoje, meus irmãos e irmãs, que este Evangelho é verdadeiro, que é o poder salvador, e que aqueles que renderem obediência a seus princípios serão salvos e exaltados na presença de Deus. Não há nada mais verdadeiro; não pode haver nada mais verdadeiro. Este Evangelho é tão verdadeiro quanto as estrelas do céu, tão verdadeiro quanto o sol que brilha ao meio-dia, tão duradouro quanto as colinas eternas, e é sem defeito; é adequado às condições de todos os homens em todas as épocas, em todas as circunstâncias e condições de vida, e não precisa ser modificado, emendado ou alterado. Testifico que Joseph Smith foi um Profeta de Deus; sei-o, embora jamais o tenha visto. Sei-o como Pedro sabia que Jesus era o Cristo — porque Deus lhe revelou isso. Quem pode ver os poderosos resultados da proclamação das verdades do Evangelho, os frutos que vieram da árvore, e então condenar a árvore? É um incrédulo na palavra de Deus quem pode fazer isso. ¶
Rogo que as bênçãos do Senhor estejam convosco, meus irmãos e irmãs. Que Sua paz permaneça convosco em vossos lares. Que as bênçãos de Deus nos acompanhem na continuação desta conferência, rogo humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶