A Natureza Única e o Registro da História da Igreja
Andrew Jenson
Meus irmãos e irmãs, o assunto que abordarei talvez seja único em sua natureza, e possa diferir um pouco dos princípios abordados pelos outros oradores, e, no entanto, será parte do grande todo, e penso que ficareis satisfeitos em ser lembrados de um dos muitos pequenos deveres que recaem sobre cada indivíduo na Igreja. ¶
Fomos chamados a ocupar diferentes posições na Igreja e designados a trabalhar em diferentes chamados; mas, se apenas fizermos aquilo que o Senhor quer que façamos, e nos dedicarmos com todo o coração, mente e força, o Senhor Se agradará de nós e de nossos esforços, e nos abençoará de acordo. Assim é com os Doze Apóstolos, cujo dever é pregar o Evangelho em todo o mundo; assim é com os Setenta, que são auxiliares dos Doze. E o mesmo se pode dizer dos Sumos Sacerdotes e outros oficiais que presidem em casa, e daqueles que se dedicam a outros trabalhos. Todos nós trabalhamos pela edificação de Sião. ¶
Vosso humilde servo tem-se dedicado, por muitos anos, à elaboração de registros — extraindo dos antigos registros e reunindo, de fontes originais, a história deste povo. Tenho em mãos uma cópia de uma pequena obra intitulada Pérola de Grande Valor, que, entre outras coisas, contém o Livro de Abraão. Nesse livro, encontro registrado que Abraão possuía certos registros, e que, pela leitura desses registros, aprendeu que tinha direito ao Santo Sacerdócio. Com esse entendimento, buscou diligentemente o Deus de seus pais, para que pudesse ser ordenado a esse Sacerdócio. E não buscou em vão, porque Abraão era um homem justo, e o Senhor achou por bem tirá-lo da terra de seu pai (onde o povo, incluindo seus próprios parentes, havia caído na idolatria) e fazer dele um estrangeiro numa terra que depois se tornou a herança de seus descendentes. Este dado histórico é um dos primeiros que temos registrado a respeito do Santo Sacerdócio. Abraão descobriu, pelo registro que possuía, que tinha direito àquele sacerdócio que fora dado à terra por meio do Pai Adão, e que descera em linha direta do pai de toda a humanidade até os dias do próprio Abraão, e Abraão tinha direito a recebê-lo, e o recebeu, como encontramos registrado. ¶
De acordo com uma revelação contida no Livro de Doutrina e Convênios, o Senhor, ao falar do Sacerdócio Patriarcal, diz: ¶
"Essa ordem foi instituída nos dias de Adão e transmitida, por linhagem, da seguinte maneira: ¶
"De Adão a Sete, que foi ordenado por Adão com a idade de sessenta e nove anos e por ele abençoado três anos antes de sua morte (de Adão); e recebeu a promessa de Deus, por seu pai, de que sua posteridade seria a escolhida do Senhor e preservada até o fim da Terra; ¶
"Porque ele (Sete) foi um homem perfeito e sua semelhança era a semelhança expressa de seu pai, tanto que parecia ser como o pai em todas as coisas, dele podendo distinguir-se apenas pela idade. ¶
"Enos foi ordenado com a idade de cento e trinta e quatro anos e quatro meses, pelas mãos de Adão. ¶
"Deus chamou Cainã no deserto quando ele tinha quarenta anos de idade; e ele encontrou Adão quando viajava para Cedolamaque. Cainã tinha oitenta e sete anos de idade quando recebeu sua ordenação. ¶
"Maalalel tinha quatrocentos e noventa e seis anos e sete dias de idade quando foi ordenado pelas mãos de Adão, que também o abençoou. ¶
"Jarede tinha duzentos anos quando foi ordenado pelas mãos de Adão, que também o abençoou. ¶
"Enoque tinha vinte e cinco anos quando foi ordenado pelas mãos de Adão; e tinha sessenta e cinco quando Adão o abençoou. ¶
"E ele viu o Senhor e andou com ele e estava diante de sua face continuamente; e andou com Deus trezentos e sessenta e cinco anos, tendo quatrocentos e trinta anos quando foi transladado. ¶
"Matusalém tinha cem anos quando foi ordenado pelas mãos de Adão. ¶
"Lameque tinha trinta e dois anos quando foi ordenado pelas mãos de Sete. ¶
"Noé tinha dez anos quando foi ordenado pelas mãos de Matusalém." — (Doutrina e Convênios, 106:41-52.) Sem, filho de Noé, foi contemporâneo de Abraão; portanto, a ordenação de Abraão ao Sacerdócio que seus pais possuíam podia facilmente ocorrer, de acordo com a ordem que fora instituída por Deus desde o princípio. ¶
Como outra ilustração, remeto-vos a outro item de registro. Encontro, na história dos judeus, tal como registrada na Bíblia, uma passagem que desejo ler; pois gostaria de causar em vós uma impressão profunda e duradoura a respeito da importância de manter registros. Aqui está um breve relato do retorno dos filhos de Israel do cativeiro babilônico. Descreve como e quando voltaram, e quantos havia em cada tribo ou família que retornou a seus lares, dos quais estiveram ausentes por setenta anos. Mas alguns deles, ao retornarem, encontraram-se num dilema peculiar, e, se prestardes atenção a isto — o capítulo 2 de Esdras, versículos 61 e 62 — compreendereis qual era esse dilema: ¶
"E dos filhos dos sacerdotes: os filhos de Habaías, os filhos de Coz, os filhos de Barzilai, que tomou mulher das filhas de Barzilai, o gileadita, e que foi chamado pelo seu nome. Esses buscaram o seu registro entre os que estavam registrados nas genealogias, mas não se acharam nelas; pelo que por imundos foram excluídos do sacerdócio." ¶
Encontrareis a mesma afirmação no capítulo 7 de Neemias, versículos 63 e 64. ¶
Remeto-vos agora à seção 128 da Doutrina e Convênios, parágrafo 8. Ali encontrareis uma afirmação bastante extraordinária, numa revelação moderna, ou antes, numa comunicação enviada aos Santos em Nauvoo, escrita pelo Profeta Joseph Smith, que dá uma nova interpretação do poder de ligar e desligar. Depois de citar as palavras: "Tudo o que ligardes na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra será desligado nos céus", ele diz: "ou, em outras palavras, sob outro ponto de vista da tradução, tudo o que registrardes na Terra será registrado no céu, e tudo o que não registrardes na Terra não será registrado no céu." ¶
Meus irmãos e irmãs, gostaria de imprimir em vossas mentes este fato: registros têm sido mantidos, e histórias têm sido escritas, do povo de Deus em todas as dispensações já abertas sobre a terra, e nós, como os santos das dispensações anteriores, precisamos manter registros, para que, como eles, possamos comprovar a genealogia de nosso Sacerdócio, e que somos membros da Igreja de Cristo. Isso nos é exigido como um dever. ¶
É verdade o que disse o Presidente Seymour B. Young a respeito do Profeta Joseph Smith, o fundador da obra de Deus nestes últimos dias: que tudo o que hoje possuímos para nos alegrar, alcançamos por meio de Joseph Smith; o Evangelho em sua pureza lhe foi restaurado, e o Sacerdócio, que capacita os homens a agir em nome de Cristo, foi-lhe dado primeiro; depois, outros foram chamados pelo Senhor por meio dele, e, dessa maneira, também obtiveram o Sacerdócio. Mas tudo se fez por instrumentalidade de Joseph Smith. Já se passaram muitos anos desde que esse Sacerdócio foi assim restaurado. É verdade que não precisamos remontar muitas gerações, como a Igreja Católica Romana, que se esforça por provar seu direito ao Sacerdócio que Pedro possuía, por meio da linhagem de cerca de 273 Bispos e Papas. Pois sabemos algo sobre a grande "apostasia", e sabemos também que o Sacerdócio foi tirado da terra e restaurado novamente nestes últimos dias, restauração essa que ocorreu há mais de setenta e sete anos. Mas todos os Santos dos Últimos Dias que hoje possuem esse Sacerdócio o receberam em consequência do fato de que foi restaurado por mensageiros celestiais ao Profeta Joseph Smith em 1829. ¶
Não temos poder algum, por nós mesmos, para oficiar nas ordenanças da Casa de Deus; não temos direito de batizar; não temos direito de impor as mãos para o recebimento do Espírito Santo; não podemos fazer um oficial na Igreja de espécie alguma, seja Diácono ou Mestre, Sacerdote ou Élder, Setenta ou Sumo Sacerdote, ou Apóstolo, exceto em virtude daquela autoridade dada a esta Igreja por meio de Joseph Smith. Portanto, quero dizer isto: desejamos que todos os homens e todas as mulheres que são membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se coloquem em condição tal que possam provar, por meio de registros, que são membros da Igreja; e aqueles que possuem o Santo Sacerdócio deveriam ser capazes de provar como e quando esse Sacerdócio lhes foi conferido. Isto pode parecer, para alguns, uma questão simples, mas é, na verdade, de grande importância. Tem sido debatido em vosso meio, por pelo menos os últimos dezesseis anos, que se exige evidência documental de todo homem que afirme possuir uma porção do Santo Sacerdócio, e de todo membro que afirme ter sido batizado por autoridade divina. Deveriam provar, por meio de registros, que foram propriamente e legalmente chamados e ordenados. Esperamos, portanto, que toda família na Igreja mantenha um registro, no qual sejam feitas tais anotações, para que todo membro do sexo masculino que seja ordenado possa traçar seu Sacerdócio, assim como o antigo Abraão o fez, e que todo aquele que tenha sido abençoado quando criança, ou que tenha sido batizado e confirmado, possa provar esse fato por evidência documental. ¶
A fim de orientar-vos neste assunto, dar-vos-ei um exemplo de como o Sacerdócio que possuímos deveria ser traçado até sua origem. Eis aqui Seymour B. Young, que acabou de dirigir-se a esta reunião; ele ocupa hoje a posição do primeiro Setenta na Igreja, sendo o Presidente sênior de todos os Setenta. É universalmente conhecido pelos Santos por todas as Estacas de Sião, mas temos o direito de saber como o Irmão Young veio a possuir o Sacerdócio, que o torna o que é hoje. Poderia igualmente ilustrar meu ponto com algum outro homem, mas por acaso conheço os fatos deste caso particular, e citarei da Cronologia da Igreja, obra compilada há alguns anos por vosso humilde servo. Queremos provar que Seymour B. Young é um Setenta, e que tem o direito de administrar no chamado pertencente a esse ofício particular no Sacerdócio; e, se pudermos provar que ele tem um direito legítimo à sua posição atual, podemos, pelo mesmo princípio, provar que todo outro Élder na Igreja é um oficial legítimo, desde que os registros necessários estejam disponíveis. Encontro registrado aqui que o Irmão Seymour B. Young foi ordenado Setenta em 18 de fevereiro de 1857, por Edmund Ellsworth, que foi ordenado Setenta em 8 de março de 1843, por Joseph Young, que foi ordenado Setenta em 28 de fevereiro de 1835, por Joseph Smith, o Profeta, que foi ordenado Apóstolo em junho de 1829, por Pedro, Tiago e João, que foram ordenados pelo próprio Salvador. ¶
Sempre que realizamos um ato oficial nesta Igreja, o fazemos em nome de Jesus Cristo, e em virtude do Santo Sacerdócio. Quando batizamos alguém, usamos estas palavras: "Tendo sido comissionado por Jesus Cristo, eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo"; e, ao impor as mãos para o recebimento do Espírito Santo, também nos referimos ao Sacerdócio que possuímos, e realizamos a ordenança em nome de Jesus Cristo. Não nos referimos a nosso próprio poder, porque não temos, como seres humanos, poder algum para conferir dons ou bênçãos celestiais de qualquer espécie a ninguém; mas, em nome de Jesus Cristo e em virtude do Santo Sacerdócio que nos foi conferido, saímos por todo o mundo a pregar o Evangelho a toda criatura, como fizeram os servos de Deus nos dias antigos. Podemos batizar as pessoas para a remissão de seus pecados, se possuirmos o sacerdócio, que é o poder ou autoridade de Deus. O Senhor reconhece o ato, porque reconhece Sua própria autoridade, e assim os pecados são perdoados pelo batismo. Ao colocar as mãos sobre as cabeças daqueles que foram batizados, podemos conferir-lhes o Espírito Santo, porque o fazemos em nome de Jesus Cristo, e porque possuímos o Sacerdócio. Desta maneira, o Espírito Santo tem sido conferido em milhares e dezenas de milhares de casos pelos Élderes desta Igreja. De fato, todo homem e mulher que foi batizado nesta Igreja teve as mãos impostas sobre si para o recebimento do Espírito Santo, e é assim que se tornaram membros da Igreja. Deve, então, estar claro para todos os Santos que estas ordenanças são da maior importância para cada membro individual da Igreja, e confio que, doravante, seja mantido um registro em cada família, no qual estas ordenanças sejam devidamente registradas. Não confieis apenas nos registros públicos, pois às vezes são destruídos ou perdidos, mas mantende vossos próprios registros. ¶
Aos chefes de família que têm filhos sendo abençoados, batizados, confirmados e ordenados aos diferentes graus e ofícios do Sacerdócio, digo: enquanto vossos filhos e filhas forem membros de vosso lar, mantende seus registros, pois, via de regra, eles, jovens e inexperientes como são, não compreendem a importância de manter seus próprios registros. Anotai em vossos registros familiares quando e por quem bênçãos e ordenações são conferidas a qualquer e a todos os membros de vosso lar, para que, quando vossos filhos e filhas deixarem o lar paterno, para estabelecer suas próprias famílias, possais dar-lhes estes importantes dados. Então poderão provar, onde quer que vão, como e quando se tornaram membros da Igreja de Cristo, ou foram abençoados com uma porção do Santo Sacerdócio. ¶
Meu tempo está quase esgotado, e não quero excedê-lo, pois ainda há outros oradores a serem ouvidos nesta reunião. Tinha em mente, ao levantar-me para dirigir-me a vós, que queria imprimir em vós a necessidade de manter registros, e isso me esforcei agora por fazer. Tenho viajado por todas as Estacas de Sião. Visitei quase todos os povoados dos santos duas vezes, e alguns deles muitas vezes, para obter dados históricos; tenho também visitado os diferentes campos missionários por todo o mundo, alguns deles várias vezes, no interesse dos Registros da Igreja, e tenho o prazer de dizer que estamos deixando os registros públicos em boa forma. Os registros da Igreja estão sendo mantidos melhor agora do que jamais estiveram, na história deste povo; e, no entanto, estes registros públicos não são suficientes para o membro individual. Queremos fazer de todos vós historiadores. Desejamos que todo aquele que tem uma família — todo chefe de família — providencie para que algum registro seja mantido na família, independente e à parte dos registros públicos. ¶
Se eu tivesse tempo para dar-vos mais razões para minhas sinceras exortações, poderia dar-vos muitas mais. Há, de fato, numerosas razões pelas quais deveríeis manter estes registros, mas não creio que seja necessário reiterá-las aqui, pois sinto que não duvidais da correção de meu conselho. Em conclusão, permiti-me lembrar-vos mais uma vez das palavras do Profeta Joseph Smith: "Tudo o que registrardes na Terra será registrado no céu, e tudo o que não registrardes na Terra não será registrado no céu." Se mantiverdes registros de acordo com meu conselho, irmãos e irmãs, algum dia futuro ficareis muito satisfeitos com vossas ações. Sereis então sempre capazes de estabelecer vossa genealogia, e, quando vos mudardes de um lugar para outro e vos tornardes membros de alguma outra Ala ou ramo da Igreja, podereis sempre apresentar um registro verdadeiro e aceitável, e nenhuma questão poderá então surgir sobre a validade de vosso sacerdócio ou a validade de vossa condição de membro da Igreja, porque levareis convosco vossos próprios registros ou evidência documental. Amém. ¶