A Lealdade dos Jovens e os Árduos Trabalhos da Primeira Presidência
Reed Smoot
Os jovens da Igreja leais a ela e às autoridades. — Esforços fúteis dos opositores da obra de Deus. — Árduos trabalhos da Primeira Presidência. — Provações necessárias. — Os Santos serão fiéis, e vitoriosos. ¶
Desejo, meus irmãos e irmãs, expressar minha gratidão a meu Pai Celestial pelo privilégio que tenho de estar diante desta imensa congregação de Santos dos Últimos Dias, e de expressar-lhes, nos poucos momentos de que disponho, alguns dos pensamentos que passaram por minha mente durante esta conferência. Estou, de fato, grato por minha posição na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Estou, de fato, grato pela posição hoje ocupada nos assuntos do mundo pela Igreja e pelo povo; e "não me envergonho do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, pois é o poder de Deus para salvação." Creio, com toda a minha alma, e com todo o entendimento que Deus me deu, que esta é Sua obra, e que ela é destinada a redimir a terra, a trazer luz a seus habitantes, a tornar as pessoas melhores, e a fazer deste planeta um lugar apto para a segunda vinda do Senhor e Mestre. ¶
Tive grande prazer em visitar as diferentes partes de nosso estado, misturando-me com o povo, vendo as condições que os cercam, e notando sua lealdade à obra de Deus. O Irmão John Henry Smith, ao falar da lealdade dos homens e mulheres de cabelos grisalhos diante dele, tocou meu coração. Digo também que, não apenas são leais a esta obra, mas, se sou algum juiz, os jovens são tão leais às autoridades e às instituições da Igreja quanto o foram nossos pais no passado, e como o são hoje. Nossos irmãos têm testificado da lealdade que se manifesta em nossa igreja para com as autoridades, e especialmente para com a presidência. Sinto-me como que a testificar-vos, e a todos, que esta grande obra de Deus está nas mãos de homens honestos, íntegros, tementes a Deus. Ataques nos são feitos de todos os lados. Muitos alegam que não estão atacando o povo "mórmon", nem os princípios do Evangelho em que creem, mas são os líderes que condenam e a quem criticam. Também estão tentando trazer desconfiança das autoridades à mente dos Santos dos Últimos Dias. Por que atacam o princípio do dízimo? Por que tentam fazer-vos crer que cada centavo pago por vós, para o avanço da obra de Deus sobre esta terra, é administrado por homens desonestos e gasto, não na própria obra, mas para o engrandecimento e benefício pessoal de homens? Se eu tivesse o poder de alcançar o coração de todo Santo dos Últimos Dias honesto, e se tivesse a confiança de toda alma que ouvisse minha voz, testificaria deste fato, que, no que diz respeito ao dízimo da Igreja, nem um só centavo é gasto incorretamente, ou desviado do canal em que se destinava a ser usado. Ó, quão natural é para nossos opositores tentar apresentar algum argumento que possa trazer desconfiança à mente das pessoas, e causar apostasia em nosso meio. Pensam ter encontrado um argumento condenatório na coleta e no uso do dízimo, e, ao chamar atenção para isso, apoiam-se nos apelos que fazem ao egoísmo do povo. Mas o maligno hoje claramente vê e sabe, tão bem quanto, ou talvez melhor do que nós, que esta grande obra de Deus está avançando, espalhando-se por terras estrangeiras, e alcançando os confins mais distantes do mundo. É, portanto, natural que seus emissários gritem "fraude, fraude." Somos informados de que a Igreja está construindo capelas e estabelecendo sedes nas ilhas do mar, e em todos os grandes países da Europa. Lugares respeitáveis de adoração, e lares para presidentes de missões, também estão sendo estabelecidos em algumas das principais cidades de nosso grande país. O Diabo vê essas coisas acontecendo, e sabe que algo precisa ser feito para retardar a obra, se possível, e incitar o grito de "fraude, fraude" é uma maneira que ele tem de atacá-la. Ele pensa, com isso, trazer desconfiança à mente do povo; mas fracassará nisso tão certamente quanto o sol nascerá amanhã de manhã. Creio que os Santos dos Últimos Dias, que têm em si o Espírito de Deus, nunca tiveram mais confiança num homem, ou num grupo de homens, do que têm hoje na presidência da Igreja. Gostaria que todos pudessem ler o coração e compreender os pensamentos da presidência, e de todos os demais que estão tentando, à sua humilde maneira, liderar e dirigir os assuntos deste povo. Sinto que, se vos fosse possível fazê-lo, não apenas os amaríeis como no passado, mas teríeis por eles um amor ainda maior; e a confiança que teríeis neles seria tal que poderíeis orar por eles com toda a vossa alma, e sustentá-los, e pedir as bênçãos de Deus sobre eles no importante trabalho que estão tentando realizar nesta dispensação. ¶
Algumas pessoas pensam, como já ouvi expressar, inspiradas pela fonte de toda deturpação e falsidade, que o presidente da Igreja não trabalha, e que ele e seus conselheiros não dão a atenção que deveriam à obra do Senhor. Gostaria que esses homens tivessem mais força física do que têm, pois vos testifico que ela está esgotada ao máximo. Vou ao escritório deles e vejo quase um braço cheio de correspondência trazida várias vezes ao dia. Encontro o Presidente Winder, com oitenta e três anos de idade, lendo em voz alta quase toda carta, e, junto com o Presidente da Igreja, e o outro conselheiro, atendendo a cada pequeno detalhe trazido ao seu conhecimento de todas as partes desta grande Igreja. Ao falar sobre este assunto, sinto-me levado a pedir aos irmãos aqui presentes, que ocupam posições de liderança na Igreja, assim como a todos os membros das diferentes estacas de Sião que escrevem cartas à presidência, que, se for absolutamente necessário escrever, façam as cartas tão curtas quanto possível, mas não escrevam a menos que seja necessário. Aconselharia o povo a ir primeiro a seu Bispo, e, se possível, obter dele o conselho e a orientação de que necessitam; se não puderem obtê-los dele, então recorrer à presidência da estaca, e, se se tornar absolutamente necessário apelar à Primeira Presidência, tornar a comunicação tão breve quanto possível, pois esses irmãos trabalham quase até a morte. Sinto-me levado a pedir ao bom povo da Igreja que se lembre disso quando forem tentados a escrever longas cartas à Presidência. Tenho absoluta confiança na maioria dos jovens da Igreja e em seu entendimento da verdade do Evangelho. Tendo nascido no Convênio e sido criados entre os Santos, tenho absoluta confiança de que não serão enganados nem desviados por deturpações. Sinto que, quando pararem para considerar e comparar as coisas como são hoje com as condições do passado, serão levados a dizer que, no que lhes diz respeito, serão leais e verdadeiros aos pais e mães que lhes deram vida. ¶
Meus irmãos e irmãs, espero que nunca vos desanimeis, e que nunca sintais que Deus vai abandonar este povo, pois Ele jamais o fará enquanto formos orantes e sentirmos, em nossa alma, fazer Sua vontade, de acordo com a sabedoria e a luz que Ele nos deu. Tenho pensado muito, ultimamente, na história da Igreja, e por vezes me pergunto se nossa posição, como povo, é hoje diferente do que tem sido desde o princípio da Igreja. Ao estudar a história do povo, verifico que é quase a mesma de sempre, com poucas exceções. Sempre que há um grande avanço, e quando o maligno vê a Igreja progredindo um pouco mais rapidamente do que o usual, isso o incita a maior ação. Leio aqui a palavra do Senhor a Joseph, o Profeta, enquanto estava na Cadeia de Liberty, Condado de Clay, Missouri, em março de 1839. Naquela ocasião, as perspectivas lhe pareciam muito sombrias. Ele, o Profeta de Deus, estava sendo perseguido de todos os lados, e toda espécie de acusação era feita contra ele. Seu coração estava pesado. Refletia sobre como poderia ser que tais coisas viessem a acontecer a um homem que tentava servir o bom Mestre, e, nesse estado de espírito, o Senhor lhe deu estas palavras: ¶
"E se fores lançado na cova ou nas mãos de assassinos, e receberes sentença de morte; se fores lançado no abismo; se vagas encapeladas conspirarem contra ti; se ventos furiosos se tornarem o teu inimigo; se os céus se cobrirem de escuridão, e todos os elementos se unirem para obstruir o caminho; e acima de tudo, se as próprias mandíbulas do inferno escancararem a boca para tragar-te, sabe, meu filho, que todas essas coisas te servirão de experiência, e serão para o teu bem." ¶
Creio, com todo o meu coração, que nossas provações nos são dadas com o mesmo propósito. Devemos ser um povo provado. Devemos ser provados três vezes, como os Santos de antigamente. Creio que todas as provações nos são dadas para experiência, tal como o Senhor permitiu que fossem dadas a Joseph nos primeiros dias da igreja. Nessa mesma ocasião, o Senhor lhe disse: "E teu povo nunca se voltará contra ti pelo testemunho de traidores." Digo-vos, Presidente Joseph F. Smith, que os Santos nesta vasta congregação (e eles são apenas representativos das comunidades em que vivem) jamais se voltarão contra ti pelo testemunho de traidores. ¶
Meus irmãos e irmãs, tudo que me importa é que possamos viver como Deus quer que vivamos, observando todas as exigências que nos são feitas, e cumprindo o dever que nos incumbe; então tudo estará bem, tão certamente quanto Ele falou dos céus. Ao viajar entre o povo e ver o sentimento de lealdade e verdade existente, sinto-me levado, em minha alma, a dizer: Deus abençoe os Santos dos Últimos Dias em todos os seus interesses, em seu cesto e em seu celeiro. Deus os abençoe com forte testemunho, para que conheçam a voz do verdadeiro pastor. Sinto, em minha alma, que a conhecerão. Não importa o que aconteça, nem quem venha em nosso meio pensando que haverá um afastamento da Igreja, e que possam ter êxito em recolher os que se perderam. Digo que nunca houve um tempo em que o povo testificou com mais fervor, e com um sentimento mais profundo de amor por nosso Pai Celestial e por Sua obra, do que testifica no momento presente. Dou-vos meu testemunho de que esta obra é a obra de Deus, e Ele a fará triunfante no final; nós a amaremos, e lhe seremos leais, e a seus interesses; e seremos leais a toda instituição sobre a terra que tenha por objetivo o progresso da humanidade. Continuaremos a ser bons cidadãos desta nação; sustentaremos e oraremos por ela. Seremos homens e mulheres verdadeiros para com nossa Igreja, para com nosso país, e para com nosso Deus. Que Deus vos abençoe, peço-o em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶