A Permanência e a Perpetuidade da Igreja
Charles W. Penrose
É um grande prazer para mim contemplar esta congregação. Viemos aqui de diferentes partes deste estado e dos estados e territórios vizinhos, para que pudéssemos nos associar, como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em conferência geral. Sinto que fomos bem recompensados por tais viagens quanto tivemos de empreender para vir até aqui. O Espírito que prevaleceu nesta conferência, desde o começo, tem sido tal que trouxe conforto, alegria e confiança aos Santos dos Últimos Dias ali reunidos, e aumentou em nossa alma a determinação de que serviremos ao Senhor, de que guardaremos Seus mandamentos, de que sustentaremos Seus servos que Ele designou para guiar e dirigir os assuntos de Sua Igreja na terra, e de que nos colocaremos numa condição tal que o Senhor possa nos usar para a realização de Seus propósitos, para a edificação de Seu reino, para a difusão da verdade e da retidão, e para ajudar a preparar o caminho para a vinda d'Aquele a quem cabe reinar sobre toda a terra. Estou certo de que toda pessoa presente que conhece algo das operações do Espírito do Senhor teve, em seu coração, um testemunho de que o Senhor está com Seus servos, de que Seu poder acompanha seus ministérios, e de que estão realmente e verdadeiramente engajados na obra do Senhor, e não apenas na obra do homem. ¶
Uma observação feita pelo Élder John Henry Smith foi, tenho certeza, muitíssimo apreciada por aqueles que o ouviram, e recomendou-se à minha alma: a de que o Senhor, nos últimos dias, haveria de estabelecer um reino que "não seria deixado a outro povo", que não seria vencido pelo mundo, mas permaneceria para sempre, e que seria dado "ao povo dos santos do Altíssimo", e eles o possuiriam como reino eterno. Ora, entendemos, no início, quando obedecemos ao Evangelho de Cristo e nos tornamos membros desta Igreja, que essa promessa se relacionava com a obra em que nos engajávamos. Que seria diferente das dispensações anteriores. Que, enquanto o estabelecimento da Igreja e do reino de Deus em tempos anteriores fora tal que era temporário e foi vencido pelos poderes do mal — o mundo, a carne e o diabo —, esta obra dos últimos dias haveria de continuar e permanecer. Que não deveria cessar, mas que estava estabelecida aqui permanentemente. Aplicamos a nós mesmos a observação do Profeta Isaías a respeito da grande obra dos últimos dias, de que a verdade que o Senhor nos revelou "não se desviaria de nós nem de nossa semente, nem da semente de nossa semente, desde agora e para todo o sempre." Entendemos que, enquanto aquelas dispensações anteriores duraram apenas por um tempo, e então a maldade entrou como um dilúvio e se espalhou pela terra, a dispensação da plenitude dos tempos, que o Senhor introduziu por meio de Seu servo Joseph Smith, haveria de continuar e prevalecer sobre todo poder debaixo dos céus eternos, para estabelecer a verdade e a retidão na terra, para vencer os poderes do mal, e cumprir os propósitos de Deus no estabelecimento de Seu reino e na vinda de Jesus Cristo, nosso Senhor, para reinar como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Que, enquanto em tempos anteriores os poderes do mundo haviam vencido os santos, nos últimos dias, na última dispensação, o povo e o reino de Deus haveriam de prevalecer sobre os reinos deste mundo e os poderes das trevas, até que Satanás e suas hostes fossem amarrados e o mal fosse exterminado da terra, e a retidão viesse, e "um rei reinasse em justiça e os príncipes governassem segundo o juízo." ¶
Não era este o entendimento que tínhamos desde o próprio princípio de nossa trajetória na Igreja? E não tem o Senhor fortalecido essa fé em nossa alma pela maneira como fez esta obra prevalecer e progredir na terra? Quando contemplamos as congregações dos santos nesta conferência e percebemos o fato, repetidamente afirmado aqui, de que somos apenas representantes do grande corpo da Igreja localizado em diferentes partes do mundo, podemos exclamar como fez alguém quando a linha telegráfica foi concluída: "Que coisas Deus realizou!" Ele nos trouxe de longe; Ele nos congregou aqui, nas montanhas, em cumprimento daquilo que predisse por meio do Profeta Joseph, de que, antes de o Senhor vir, "Sião florescerá nos outeiros e nas montanhas regozijar-se-á." Sião, que trouxe boas novas, como o Profeta Isaías predisse, subiu ao alto monte, e, como tanto ele quanto Miqueias predisseram, o povo de Deus veio das nações distantes. Reuniram-se nas alturas das montanhas. Vieram para cá "para aprender os caminhos do Senhor e andar em Suas veredas." Estão construindo a casa do Senhor, tal como Ele previu, "no cume dos montes." ¶
Tem-se feito um esforço, já há algum tempo, para fazer crer a alguns dos Santos dos Últimos Dias que, em certo período da história da Igreja, houve um grande hiato, que a Igreja se desorganizou, por assim dizer, porque Joseph, o Profeta, morreu, martirizado com seu irmão Hyrum pela palavra do Senhor e pelo testemunho de Jesus, e que, por o quórum da Primeira Presidência ter se desorganizado, a Igreja se desorganizou e foi rejeitada. Ora, meus caros irmãos e irmãs e amigos, se assim fosse, então as esperanças plantadas em nosso peito pelo poder do Espírito de Deus, no início, foram vãs, as promessas feitas à Igreja no começo não eram verdadeiras. Deus declarou que havia estabelecido Sua Igreja sobre a terra "nos últimos dias, pela última vez", e que ela haveria de prevalecer e não seria vencida. A ideia de que a desorganização de um quórum do santo sacerdócio desorganizou a Igreja é, em si mesma, um absurdo, e poderia ser rejeitada por todo Santo sensato. Mas sabeis que há influências más soltas na terra, e diferentes espíritos têm saído a enganar os filhos dos homens, e nós, que somos os servos do Senhor, deveríamos estar bem informados a este respeito, para que possamos dissipar dúvidas e incertezas, e explicar aquilo que possa parecer um tanto misterioso a algumas pessoas que não estão plenamente na luz, porque nem todos temos o mesmo grau de fé. Certamente, creio que as congregações aqui reunidas não têm a menor dúvida em sua mente. O espírito que prevaleceu aqui testifica disto. A unanimidade com que os servos de Deus, designados e chamados a liderar o povo nos últimos dias, foram aceitos e endossados pela congregação, sem uma voz dissidente, testifica disto. Mas há outros que não estão à altura, não estão no padrão, e precisam ser encorajados, e precisam ter as coisas explicadas a eles, e devemos estar prontos a expor, explicar e exortar com toda longanimidade, para que a fé dos santos se confirme, e para que compreendam as coisas como são. ¶
Ora, quando o Senhor estabeleceu a Igreja, como sabeis, era uma coisa pequena. Como disse um dos escritores do Livro de Mórmon, "de pequenas coisas provém aquilo que é grande." Isso se cumpriu, até aqui, na história desta Igreja. No entanto, isto é apenas o começo da magnitude da grande obra dos últimos dias, que há de prevalecer sobre tudo o que é mau e estabelecer o reino de Deus em todo o mundo. Quando a Igreja foi organizada, apenas seis membros estavam presentes em sua organização; pelo menos, esse número tomou parte na organização legal da Igreja, e, se todos os que já haviam sido batizados naquele tempo fossem contados, formariam um número muito pequeno. A Igreja gradualmente cresceu e aumentou. Ilustrou o que o Salvador disse a respeito da obra de Deus. Veio a existir, "primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga." É um crescimento, como são todas as obras de Deus, até onde podemos compreender. Até os mundos começaram com um núcleo, e gradualmente se acumularam e cresceram, tal como Deus ordenou, até preencherem o lugar que Deus lhes designara. O reino dos últimos dias haveria de ser como "a pedra cortada da montanha, sem mãos", que cresceria e aumentaria até se tornar um "grande monte e encher toda a terra." Assim, no dia 6 de abril de 1830, quando a Igreja foi formalmente organizada, e o Profeta Joseph foi aceito como o primeiro Élder na Igreja, e como profeta, vidente e revelador, e o povo foi ordenado a observar todas as coisas que ele trouxesse pelo poder e Espírito de Deus — naquele dia não havia pessoas suficientes na Igreja para organizá-la em sua plenitude. Era como a pequena erva que brota da terra depois de plantada a semente; mas, à medida que os anos passaram, a Igreja aumentou em número, e o Senhor trouxe ao uso os diferentes homens e mulheres que entraram na Igreja, para que pudessem ser utilizados no propósito de difundir o Evangelho e edificar Seu reino nos últimos dias. O Senhor prenunciou que, em certo tempo, haveria de haver Doze que seriam ordenados para possuir as chaves de levar o Evangelho às partes mais remotas da terra. E assim vários quóruns e organizações foram acrescentados. Cresceram daquela organização que o Senhor estabeleceu no início. O germe, a forma, a potência disso já ali estavam, mas ainda não estavam desenvolvidos. Foi preciso tempo, circunstâncias e pessoas para trazê-la a uma condição em que pudesse ser plenamente organizada de acordo com a mente e a vontade do Senhor. ¶
Em primeiro lugar, o Senhor deu ao Profeta Joseph Smith a presidência da Igreja e as chaves desta obra dos últimos dias. O Senhor o testou e provou, para ver se ele permaneceria firme, antes de lhe conferir a plenitude do poder do Santo Sacerdócio para edificar Seu reino em sua plenitude. Lerei um versículo ou dois da seção 28 de Doutrina e Convênios, que mostra como o Senhor conduziu Seu servo no princípio, e que esta obra viria a existir por graus. O Senhor deu um mandamento a Oliver Cowdery já em setembro de 1830, de que ele falaria pelo Espírito Santo, e de que teria as revelações do Senhor para si mesmo e para auxiliá-lo em seus ensinamentos; mas, embora tivesse sido ordenado Apóstolo quando o Profeta Joseph fora ordenado por Pedro, Tiago e João, não deveria dar ordens ao homem que estava à frente. O Senhor disse: ¶
"E não darás ordens àquele que está acima de ti e à frente da igreja; pois dei a ele as chaves dos mistérios e as revelações que estão seladas, até que lhes designe outro em seu lugar." ¶
Aqui está estabelecida a possibilidade de que, se Joseph não fosse verdadeiro e fiel em todas as coisas, outro pudesse ser designado em seu lugar; e Oliver foi ordenado a não aconselhá-lo nem tentar comandá-lo, mas a receber a palavra do Senhor tal como viesse por meio dele. ¶
Na seção 35 de Doutrina e Convênios — uma revelação dada a Joseph Smith e Sidney Rigdon — o Senhor disse: ¶
"E dei-lhe as chaves do mistério das coisas que foram seladas, sim, das que existiram desde a fundação do mundo e das que virão, a partir de agora até a ocasião de minha vinda, se ele permanecer em mim; e, se não, porei outro em seu lugar." ¶
Esta revelação foi dada em dezembro de 1830, e há duas ou três mais do mesmo tipo, dadas bem no início da Igreja, enquanto o Profeta Joseph estava, por assim dizer, em prova diante do Senhor. O Senhor lhe deu autoridade e o colocou em posições em que pudesse ser provado e testado, e disse: "Se ele não permanecer em mim, porei outro em seu lugar." ¶
Lerei o versículo 2 da Seção 65: ¶
"As chaves do reino de Deus foram confiadas ao homem na Terra, e dali rolará o evangelho até os confins da Terra, como a pedra cortada da montanha, sem mãos, rolará até encher toda a Terra." ¶
Agora lerei da Seção 43, versículos 3 a 7: ¶
"E isto sabereis com certeza — que não há qualquer outro designado para receber mandamentos e revelações para vós, até que ele seja levado, se ele permanecer em mim. ¶
"Mas em verdade, em verdade vos digo que nenhum outro será designado para receber esse dom, a menos que seja por meio dele; pois, se esse dom for dele tirado, ele não terá poder, a não ser para designar outro em seu lugar; e isto vos será por lei: não recebereis os ensinamentos de qualquer pessoa que os apresente a vós como revelações ou como mandamentos; e isto vos dou para que não sejais enganados, para que saibais que não vêm de mim. ¶
"Pois em verdade vos digo que aquele que for ordenado por mim entrará pela porta e deverá ser ordenado como eu antes vos disse, para ensinar as revelações que recebestes e que recebereis por meio daquele que designei." ¶
Ainda há, vereis, a abertura deixada de que, se Joseph não fosse verdadeiro e fiel e digno de seu chamado, outro pudesse ser designado em seu lugar. Mas quero que noteis este ponto: não haveria de ser designado outro em seu lugar se ele permanecesse no Senhor. ¶
Somente se ele transgredisse e se tornasse indigno de seu chamado é que teria poder para designar outro. Guardai isso em vossa mente. Assim, se dissidentes declaram que outra pessoa foi designada para tomar o lugar do Profeta Joseph, então estão anunciando que o Profeta não permaneceu no Senhor, que transgrediu, e que, portanto, outro teve de ser designado em seu lugar. ¶
Numa revelação dada à Igreja em 11 de setembro de 1831, o Senhor disse: ¶
"Serei misericordioso convosco, pois a vós dei o reino. E as chaves dos mistérios do reino não serão tiradas de meu servo Joseph Smith Júnior pelos meios que designei, enquanto ele viver, caso ele obedeça às minhas ordenanças." — Doutrina e Convênios, Seção 64, versículos 4 e 5. ¶
Aqui foi feita a promessa ao Profeta Joseph Smith de que teria essas chaves enquanto vivesse, se obedecesse aos mandamentos e ordenanças do Senhor. ¶
Nosso testemunho é de que ele viveu e morreu como profeta de Deus, e que selou seu testemunho com seu sangue. O Senhor prometeu que as chaves não lhe seriam tiradas enquanto vivesse, contanto que obedecesse a Suas ordenanças, de modo que, quando o Profeta Joseph foi levado, as chaves estavam com ele, tal como o Senhor prometera que estariam, tanto neste mundo quanto no mundo vindouro. Lerei um versículo da Seção 112. O Senhor diz: ¶
"Ora, digo a ti, e o que digo a ti digo a todos os Doze: Erguei-vos e cingi vossos lombos; tomai vossa cruz, segui-me e apascentai minhas ovelhas. ¶
"Não vos exalteis; não vos rebeleis contra meu servo Joseph; pois, em verdade vos digo, que estou com ele e minha mão estará sobre ele; e as chaves que lhe dei, como também a vós, não serão tiradas dele até que eu venha." ¶
Aqui está a promessa do Senhor, não apenas ao Profeta Joseph Smith, mas também aos Doze, de que as chaves não seriam tiradas do Profeta até que o Senhor viesse: pois, a esta altura, ele já fora testado, provado, e considerado digno. Como ele mesmo disse, estivera nadando em águas profundas e contra a corrente, e lutara contra falsos amigos e aqueles ao seu redor que se diziam seus discípulos, mas que falavam contra ele e se haviam levantado contra ele. Ora, o Senhor disse a ele e aos Doze que as chaves, que lhe haviam sido dadas primeiramente de modo temporário, por assim dizer, até que fosse testado e provado, permaneceriam com ele até que o Senhor viesse, e com os Doze que Ele havia chamado e designado. Portanto, tranquilizai vossa alma nesta segurança, de que o reino, como diz o Senhor, foi dado a Seu povo. Poderia ler-vos uma dúzia de passagens de Doutrina e Convênios mostrando que o reino foi dado à Igreja, e que haveria de permanecer e continuar. O Senhor disse: "Enviei meus servos a podar minha vinha pela última vez, pois eis que esta é a décima primeira hora." Seus servos, que Ele havia chamado à vinha, foram chamados para a última dispensação, e, disse Ele, as chaves não seriam tiradas do Profeta Joseph, pois ele fora testado e provado e considerado digno diante do Senhor, diante dos anjos e diante da Igreja. Não lhe seriam tiradas, nem aos Doze (essa é a promessa) "até que eu venha, diz o Senhor." Assim, as chaves haveriam de permanecer com a Igreja daquele tempo em diante, até que o próprio Senhor viesse e reinasse "em Sião e Jerusalém e gloriosamente diante de Seus anciãos." Como evidência adicional de que esta obra foi estabelecida pela última vez, o Senhor diz, no trigésimo versículo da mesma seção: ¶
"Pois a vós (os Doze), e àqueles que forem convosco designados para ser vossos conselheiros e vossos líderes (a Primeira Presidência), é dado o poder deste sacerdócio para os últimos dias e pela última vez, dias esses que abrangem a dispensação da plenitude dos tempos." ¶
Aqui está a promessa do Senhor a Seu servo Joseph e aos Doze que estavam com ele, de que as chaves lhes foram dadas, e que deveriam possuí-las e exercê-las, e foram dadas no poder deste Sacerdócio pela última vez, nos últimos dias, e para a dispensação da plenitude dos tempos. ¶
Ora, à medida que a Igreja progredia, o Senhor, como antes observei, foi acrescentando organizações e quóruns, até que a Igreja se estabeleceu perfeitamente. A espiga surgiu em sua beleza e glória. A pequena erva havia consideravelmente desaparecido. O "mormonismo", como já disse, é um crescimento. Não é o mesmo hoje que foi ontem; pois está crescendo, tal como a flor que produz suas folhas e seus botões, e depois suas flores. É a mesma planta, mas está continuamente mudando, de acordo com as condições e seu ambiente e a necessidade de se desenvolver em sua beleza e glória. Assim também é na Igreja. Ora, ainda mal chegamos ao grão cheio na espiga. Que todo homem leia as Seções 107 e 124 de Doutrina e Convênios do princípio ao fim. Se não tendes o livro, comprai um; e, se não puderdes comprar um, pedi um emprestado. Na Seção 107, o Senhor revela à Igreja Seu Santo Sacerdócio — dois Sacerdócios, o de Melquisedeque e o Aarônico, que são um só na realidade, mas divididos em dois ramos. Ele diz: ¶
"Deve, necessariamente, haver presidentes, ou seja, oficiais presidentes que procedem ou são designados dentre os ordenados aos diversos ofícios desses dois sacerdócios. ¶
"Do Sacerdócio de Melquisedeque, três sumos sacerdotes presidentes, escolhidos pelo grupo, designados e ordenados a esse ofício e apoiados pela confiança, fé e orações da igreja, formam o quórum da Presidência da Igreja." ¶
Diz o Senhor ali que algum homem deve designar seu irmão, ou seu tio, ou seu filho, para presidir a Igreja? Não. "Três sumos sacerdotes presidentes, escolhidos pelo grupo", apoiados e sustentados pelo voto, pela fé e pela comunhão da Igreja, formam a Primeira Presidência. É assim que a Presidência da Igreja de Jesus Cristo foi estabelecida, pela revelação e mandamento de Deus. É assim que tem continuado, daquele tempo até o presente. Quando o Profeta Joseph foi levado, ele havia permanecido fiel e verdadeiro, e possuía as chaves da dispensação dos últimos dias, e as possui hoje. E, se pensais que ele se afastou deste povo, se pensais que sua influência e seu poder foram retirados dos irmãos aqui, a quem Deus designou para presidir sobre nós na Igreja, estais tristemente enganados. O espírito e o poder de Joseph estão nesta Igreja e com esta Presidência. Joseph, o Profeta, embora tenha partido de nosso meio, possui as chaves da última dispensação, e as possuirá até que o Senhor venha. Mas outros foram designados a agir em seu lugar, no cargo que ele ocupou na carne, e ele ainda possui seu sacerdócio, poder, autoridade e as chaves da dispensação por trás do véu. Ele está realizando ali uma obra muito maior do que poderia realizar na carne. Tem uma esfera de trabalho mais ampla, e mais poder e influência, agora que as enfermidades da carne já se foram. Está revestido do poder do santo sacerdócio, e as chaves dele permanecem com ele. E ele está com este povo, pois "os poderes deste sacerdócio estão inseparavelmente ligados aos poderes por trás do véu"; e eles, unidos, prevalecerão sobre todo poder e influência que possa se levantar contra eles. ¶
Quando o Profeta Joseph foi levado, e o quórum da Primeira Presidência foi assim dissolvido, isso recaiu sobre os Doze. Lede esta seção e vereis que o Senhor deu aos Doze autoridade para possuir as chaves, igual à da Primeira Presidência — isto é, quando a Primeira Presidência estava dissolvida. O quórum dos Doze veio em seguida, e tinham poder para pôr em ordem todos os demais cargos na Igreja. Isso é parte de seu dever, tal como o Senhor ordenou nesta seção. Portanto, os Doze se levantaram, com Brigham Young à sua frente, tendo o Senhor o designado, por revelação, para ser o Presidente dos Doze, como ordenado nesta seção de Doutrina e Convênios. Deus deu a Hyrum ser o homem a possuir as chaves das bênçãos patriarcais sobre toda a Igreja; mas deu a Joseph Smith presidir sobre a Igreja, toda a Igreja — sobre Hyrum assim como sobre os demais. Deu-lhe também seus conselheiros. Então deu os Doze, e colocou Brigham Young à frente dos Doze. Deus sabia o que estava por vir, e assim ordenou as coisas de modo que Brigham estivesse à frente dos Doze; e, quando o Profeta Joseph, e o Profeta Hyrum, o Patriarca, foram levados, os Doze se levantaram em seu lugar, tal como o Senhor havia ordenado. Satanás, então, tinha doze a vencer, em vez de três. Além disso, encontrareis, na mesma revelação, na Seção 107, que, mesmo que todos os Doze fossem levados, então há os Setentas para se levantarem. Isso me faz lembrar do muro do irlandês. Ele o construiu com cinco pés de altura e oito pés de espessura, e, quando lhe perguntaram o motivo, disse que, se o vento viesse e o derrubasse, ficaria mais alto do que antes. ¶
Ora, quanto a esta Igreja — a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias —, o Senhor lançou seus alicerces largos, profundos e altos. Ele a fez inexpugnável. Por quê? Porque Ele havia ordenado, desde o início, que ela seria perpétua, que não seria vencida, que não seria deixada a outro povo, que as chaves do sacerdócio continuariam e permaneceriam até que Cristo viesse e reinasse sobre a terra. Assim o Senhor ordenou, na ordem do sacerdócio, que, quando a Primeira Presidência fosse dissolvida, os Doze sucederiam, possuindo todas as chaves, poder e autoridade para regular a Igreja e organizar os quóruns. Assim foi que o Presidente Young e os Doze conduziram os assuntos da Igreja por algum tempo. Havia uma maioria dos Doze que permaneceu fiel, que estava pronta a cumprir seu dever, e o Senhor diz que "uma maioria pode formar um quórum" quando é impossível tê-los todos juntos. Os lugares vagos foram preenchidos no quórum; e, quando chegou o tempo apropriado, o Presidente Young, que era um Sumo Sacerdote Presidente (assim como todos os Doze — os Sumos Sacerdotes de Deus — um sumo conselho viajante presidente), e seus dois conselheiros, foram apoiados e sustentados pelo voto, pela fé e pela comunhão da Igreja, e formaram a Presidência da Igreja, da maneira que Deus havia designado. ¶
Assim tem sido daquele tempo até o presente, meus irmãos e irmãs. Sempre que ocorreu uma vaga, ela foi preenchida. Pois o poder de crescimento está na Igreja. O poder de regular todos os seus assuntos está na Igreja. O poder de expurgar tudo o que é mau está na Igreja. Não precisamos de pressão externa, ou conselho, ou instrução. Tudo o que é necessário está dentro da própria Igreja. Como nos disse o Irmão Lyman, é algo vivo, um organismo vivo, vivificado pelo poder do Espírito Santo, e é a palavra do Senhor que é proclamada por meio de seus líderes. E assim temos tido o quórum da Primeira Presidência organizado de acordo com a vontade e o mandamento de Deus, daquele dia até o presente. Testifico-vos, diante do Senhor, que a verdade que Deus deu a esta Igreja continuará e permanecerá, que as chaves do santo sacerdócio, enviadas dos céus nos últimos dias pela última vez, não voltarão a ser tiradas da terra; que, assim como o sacerdócio de Arão permanecerá "até que os filhos de Levi ofereçam ao Senhor uma oferta em justiça", assim as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque permanecerão e persistirão até que Cristo, que é o grande Sumo Sacerdote, venha e Se ponha à nossa frente, e seja nosso Rei. ¶
Sei que esta verdade permanece no coração do povo; mas não deveríamos permitir que nenhum de nossos amigos que não estejam fortes no testemunho sejam desviados por qualquer coisa que apareça para diminuir sua fé e enfraquecê-los. Sejamos um só. Temos sido um só nestes vales. Nunca houve um espírito melhor na Igreja, desde que a conheço, e tenho sido um ministro nela por quase 55 anos. Sei que o Espírito de Deus está com este povo, e nunca o desfrutei melhor do que durante esta conferência. O Espírito do Deus vivo esteve presente e inspirou as palavras daqueles que falaram, e elas encontraram um lugar no coração do povo. Os Santos se regozijaram. Por quê? Porque o Senhor está conosco. Meus irmãos e irmãs, esta é Sua obra, não a obra do homem, e Ele a fará prevalecer. Quão absurdo seria que o Senhor, depois de ter estabelecido Sua Igreja sobre alicerces de perpetuidade, permitisse que ela caducasse, que permanecesse adormecida por vários anos, quando as próprias chaves que Ele dera para que a Igreja pudesse ser perpetuada ainda estavam nas mãos dos Doze e dos irmãos a eles associados. A ideia de que o Senhor permitiria que a Igreja adormecesse e entrasse em trevas, quando Ele declarara que permaneceria para sempre, seria loucura. Mas o Senhor tem estado com Seu povo e com Seus servos. Não sabemos que o Senhor estava com o Irmão Brigham quando ele conduziu os Santos para fora da aflição e da escravidão no leste, através das grandes planícies, e plantou a Igreja nestes vales das montanhas, e preparou o caminho para a edificação da grande comunidade e de Sião, que o Profeta Joseph previu, pois ele falou sobre isso e designou homens para irem prospectar a terra, para que "os Santos pudessem se tornar um grande povo no meio das Montanhas Rochosas", para que Sião pudesse florescer nos outeiros? ¶
A Igreja ainda está crescendo. A espiga ainda está crescendo, e o grão cheio na espiga será visto quando Cristo vier. Temos todas as chaves e poderes necessários para isso, bem aqui na Igreja. Sua organização é completa, com uma Presidência, com Apóstolos, Setentas, Sumos Sacerdotes, Élderes, Sacerdotes, Mestres e Diáconos, com as sociedades auxiliares que o Senhor inspirou Seus servos a estabelecer, tanto para os irmãos quanto para as irmãs, para que as mulheres, assim como os homens, tivessem algo a fazer na edificação desta grande obra dos últimos dias. É belo, é glorioso, é perfeito: pois vem das mãos do Todo-Poderoso. Nós somos imperfeitos, somos fracos, nem todos cumprimos plenamente aquilo que Deus colocou sobre nós; mas tentaremos, não é verdade, cumprir nosso dever. Que todo homem aprenda seu dever no Sacerdócio. Que toda mulher aprenda seu dever nas organizações da Igreja. Cumpramos todos nossos deveres como membros da Igreja, reunamo-nos com frequência, participemos do sacramento, lembremo-nos de nossas orações, ensinemos a nossos filhos os princípios do Evangelho de Cristo e plantemos em seu coração aquela fé que nos deu tanta alegria, satisfação e contentamento, e a obra do Senhor avançará e prevalecerá; a verdade será levada a toda nação, tribo, língua e povo, os retos de coração se regozijarão entre as nações, os pobres entre os homens se regozijarão no Santo de Israel, o Senhor envergonhará o escarnecedor e o zombador, a sabedoria deste mundo se reduzirá a nada e o entendimento dos prudentes será escondido, mas os retos e íntegros de coração se regozijarão no Senhor, a verdade prevalecerá, e o reino de nosso Deus virá e Sua vontade será feita na terra como é feita no céu, quando "os mansos herdarem a terra e os perversos forem eliminados para sempre." Que Deus nos ajude a ser fiéis e verdadeiros, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶