Sacerdócio, Ofertas de Jejum e Crianças
Anthon H. Lund
Enquanto nosso Presidente nos dirigia a palavra, vieram-me à mente estas palavras: ¶
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." ¶
Ocorreu-me que o Apóstolo Pedro, ao dirigir-se outrora aos Santos, contemplava um povo organizado de maneira semelhante aos Santos dos Últimos Dias, e os chamou de "a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa". Aqueles que contemplam a organização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias hão de impressionar-se com o número dos que possuem o Sacerdócio. O Sacerdócio é conferido a todos os membros do sexo masculino que sejam dignos de recebê-lo. Esta é uma grande bênção de que gozam os membros desta Igreja, e ela os torna um povo adquirido, uma geração eleita, possuidora do sacerdócio real. Não há casta sacerdotal em nossa Igreja. Contrariamente à opinião de muitos, tal coisa não existe entre nós, a menos que se queira chamar a Igreja inteira de casta sacerdotal, porque todos participam das bênçãos pertencentes ao Sacerdócio. ¶
Há na Igreja dois Sacerdócios -- o Aarônico e o de Melquisedeque. O Sacerdócio Aarônico é o menor, um apêndice do superior. Ele abrange os ofícios de Diáconos, Mestres e Sacerdotes. Os que detêm esses ofícios são chamados a trabalhar entre o povo, a ensiná-lo, a servi-lo, a vigiá-lo, e a zelar para que não haja dureza de coração nem má vontade entre eles. Chamamos nossos jovens muito cedo na vida para portar o Sacerdócio. Quando têm 12 ou 15 anos, ordenamo-los Diáconos ou Mestres, se forem dignos. Damos-lhes algo para fazer na casa do Senhor. Chamamo-los a cuidar das casas de reunião e a visitar os Santos. Em alguns lugares, os Diáconos cuidam das viúvas, e zelam para que sejam providas de combustível, e cuidam de cortar lenha para elas. Por serem chamados ao Sacerdócio, sentem que esses serviços são honrosos. São também chamados a recolher as ofertas de jejum do povo, muitos dos quais talvez não tenham dinheiro disponível para dar aos pobres. Se não têm o dinheiro, dão provisões e outras coisas de que podem dispor, e de que os pobres necessitam. Em muitas estacas, os Diáconos são chamados a desempenhar ¶
deveres como esses, o que lhes proporciona, em sua juventude, o amor de fazer o bem e de ajudar os pobres. ¶
Permiti-me dizer aqui, a este respeito, que em nossa Igreja prevalece um costume que considero belo. É este: os Santos são chamados a lembrar-se dos pobres quando jejuam. Demonstram sua reverência para com o Senhor no jejum, e preparam-se melhor para aproximar-se dEle em oração, mostrando que podem vencer as fortes necessidades da natureza abstendo-se de alimento por uma, duas ou três refeições. Nosso dia de jejum cai no primeiro domingo de cada mês; e enquanto os membros da Igreja se abstêm nesse dia, pede-se-lhes que se lembrem dos pobres, e que lhes deem ao menos o valor das refeições de que se abstiveram. Se isso for feito conscienciosamente por toda a Igreja, não haverá necessidade de que nenhum pobre sofra. De qualquer modo, não temos grande número de pobres em nosso meio fora dos centros populosos. Em algumas das estacas não há ninguém que precise de sustento. O povo pode não ser abastado, pode não ter muitos bens deste mundo, mas é suficientemente abençoado para não precisar de sustento alheio. Em Salt Lake e nas cidades maiores, onde tantas pessoas se reúnem e dependem do trabalho diário, temos um número considerável a sustentar. Ora, eu admoestaria os Santos que vivem em estacas onde não são chamados a fazer muito para sustentar os pobres, a que não afrouxem seus esforços em recolher ou contribuir com as ofertas de jejum, pois é dever imposto a todos os membros da Igreja lembrar-se dos pobres. O Senhor se compraz naqueles que se lembram dos pobres. E assim se instituiu em nosso meio o belo costume de repartir de nossos bens com os pobres, para alegrar os pobres, no dia que foi separado como dia de jejum e oração. Um dos antigos pais da Igreja escreve que, nos primeiros dias, era costume entre os cristãos, quando jejuavam, tomar o dinheiro que teriam gasto com as refeições de que não participavam, e dá-lo ¶
aos pobres. Este mesmo costume foi revivido em nossa Igreja. Não suponho, contudo, que o Profeta Joseph Smith jamais tenha lido algo desse tipo, mas ele foi inspirado a instituí-lo em nosso meio. Examinando o que os Santos têm feito em relação às ofertas de jejum, penso que há grande necessidade de melhora, e que todos deveriam ser mais conscienciosos em observar os dias de jejum e em lembrar-se dos pobres. Quando fazemos isso para honrar o Senhor e guardar Seus mandamentos, temos direito a Suas bênçãos, e Ele não Se esquecerá de nós. ¶
De um modo geral, os Santos respondem alegremente a todos os chamados que lhes são feitos; e, olhando para trás em nossa história, não se pode deixar de ver que têm sido chamados a fazer muitos sacrifícios. Mas tomai os homens em nosso meio que fizeram os maiores sacrifícios, e geralmente encontrareis os homens que têm sido os mais grandemente abençoados. Desde o princípio da Igreja, o Senhor tem chamado Seu povo a fazer algo. ¶
Nossa religião é uma em que somos chamados a mostrar nossa fé por nossas obras. Os Santos dos Últimos Dias têm mostrado sua fé desta maneira. Quando são chamados a sair entre as nações para pregar o evangelho, não perguntam quanto será sua paga, mas de imediato começam a regular seus assuntos para que possam dirigir-se ao seu campo de missão e desempenhar o trabalho exigido, sem qualquer remuneração. Sentem que devem ao mundo o dever de adverti-lo do que está para vir, de contar-lhe a gloriosa mensagem que o próprio Deus revelou em nossos dias, e de declarar aos homens que há a oportunidade de desfrutar hoje das bênçãos do Evangelho como foram desfrutadas outrora. Portanto, quando são chamados a sair pelo mundo, quase invariavelmente respondem que estarão prontos para partir no tempo designado. Assim, nossos missionários vão às diferentes partes da terra, e os encontrareis na Europa, na Ásia, na África, na Austrália e Nova Zelândia, nas ilhas do mar, e neste nosso grande continente. Onde quer que seja o chamado, eles vão, confiando no Senhor para sustentá-los, e para dar-lhes poder para desempenhar sua missão. Embora não tenham estudado filosofia e não sejam versados nos sistemas dos homens, vão sentindo e sabendo que possuem a verdade, e desejosos de dar a conhecer a todo homem o que receberam. Isso não o fazem por coação ou força, mas por sua própria livre vontade; e quando voltam de suas missões (que geralmente duram de dois a quatro anos ou mais), estão prontos a relatar que o tempo passado em seus campos missionários foi o período mais feliz de suas vidas. Quando seu trabalho está concluído, gostam de voltar para seus lares, porque amam suas famílias e parentes. Não vão em missões porque gostam de estar longe de casa, ou porque gostam de vagar pelo mundo, mas vão porque não há alegria tão grande quanto a que se experimenta ao dedicar-se inteiramente à causa de Cristo. E quão felizes ficam ao encontrar aqueles que ouvirão suas palavras e as receberão com corações honestos! Sentem então que o Senhor os está recompensando por seus trabalhos e pelo sacrifício que fizeram ao deixar o lar e os entes queridos. A ideia absurda tem sido apresentada por nossos inimigos de que nossos Élderes são pagos tanto por cada converso que fazem. Como isso soa ridículo para nós aqui! Quase todo homem em nosso meio já esteve fora em missão. Ele sabe o que recebeu -- ou antes, o que não recebeu. Foi com meios pelos quais trabalhou com suas próprias mãos, e os gastou na edificação do reino de Deus, e toda a paga que espera receber é a íntima convicção de ter cumprido seu dever e desempenhado o chamado que o Senhor lhe fez. Ele sabe que as promessas são para aqueles que estão dispostos a guardar os mandamentos do Senhor e a trabalhar por Sua causa. Eu disse que nossos jovens cedo ¶
recebem o Sacerdócio. Alguns são ordenados Mestres e Sacerdotes e, nessa qualidade, vão entre as famílias dos Santos para trabalhar em seu chamado. Geralmente são acompanhados por uma pessoa mais idosa. As famílias se reúnem, prontas para ouvir os ensinamentos desses portadores do Sacerdócio, e o tempo que passam nos lares dos Santos é dedicado a conversar sobre os temas pertencentes ao reino de Deus e aos deveres dos membros da Igreja. ¶
Além do Sacerdócio Aarônico, temos em nossa Igreja o Sacerdócio de Melquisedeque. Um Élder detém este Sacerdócio. Um Setenta, um Sumo Sacerdote, um Apóstolo, o Presidente da Igreja, todos detêm o mesmo Sacerdócio. Há apenas os dois Sacerdócios, mas há diferentes ofícios dentro do mesmo Sacerdócio. Ouvistes nosso Presidente falar esta manhã sobre a organização da Igreja, estacas e alas, e sobre presidentes de estaca e Bispos de alas. Todos esses homens que detêm o Sacerdócio foram postos a cargo do rebanho de Cristo, e vigiam sobre ele. De um modo geral, dedicam todo o tempo que podem dispor à ministração em prol do bem do povo. Na maioria dos casos, são homens de negócios e têm a necessidade de prover para suas próprias famílias, mas tomam o tempo que podem para cuidar daqueles que o Senhor pôs a seu cargo. ¶
Tais são os Sacerdócios, e tais os ofícios neles contidos. Temos também as organizações auxiliares na Igreja. Não são exatamente partes do Sacerdócio, mas auxiliares a ele. São ajudas de governo. Começamos com as crianças pequenas na associação da Primária. Chamamos boas irmãs em nosso meio para cuidar delas, e, uma vez por semana, reúnem-se com nossas crianças pequenas e as ensinam a respeito do certo e do errado, e a respeito do Salvador crucificado; inspiram seus jovens corações com amor a Deus, e ensinam-nas a cantar louvores a Ele. Esta organização recebe os menores de nossas crianças. Depois, quando chegam a cerca de 14 anos de idade, ingressam na associação de Melhoramento Mútuo. Ali se reúnem uma vez por semana e fazem um curso de teologia e outras matérias necessárias. O objetivo desta organização é edificar os jovens, adverti-los das armadilhas no caminho da juventude, fortalecê-los em sua resolução de servir a Deus, e ensinar-lhes os princípios do Evangelho, para que tenham um fundamento para sua fé. Depois disso, os rapazes ingressam nos quóruns do Sacerdócio, e as moças ingressam nas sociedades de Socorro, que foram estabelecidas pelo Profeta Joseph para o bem do povo. As irmãs da Sociedade de Socorro realizam uma boa obra em nosso meio. Temos as sociedades organizadas em cada ala em Sião e nos ramos no exterior. Elas recolhem recursos para os pobres e cuidam dos enfermos. Em muitos casos encontrareis as irmãs velando dia e noite junto ao leito dos enfermos. De fato, elas são, como o próprio nome da sociedade indica, pessoas de outra organização, não uma organização auxiliar na Igreja. ¶
Antes de concluir, quero falar de outra organização, não uma organização auxiliar do Sacerdócio, mas uma organização pertencente ao sistema escolar da Igreja, refiro-me às classes de religião, que estamos procurando estabelecer em nosso meio. Isso encontra oposição, tanto de fora quanto, lamento dizer, de dentro. O objetivo dessas classes é ensinar a nossas crianças o que não pode ser-lhes ensinado nas escolas distritais, a saber, os princípios do Evangelho. Não desejamos, de forma alguma, interferir nos direitos de nossos concidadãos que não pertencem à nossa Igreja. Não desejamos impor nenhum trabalho dessas classes de religião a seus filhos. Cremos, contudo, que uma educação sem Deus é uma educação falha. Cremos que as crianças devem ser ensinadas na moralidade e na fé em Deus. Mas, como são as leis da terra, isso não pode ser feito em nossas escolas distritais. Devemos manter as escolas públicas livres de toda doutrina teológica. Ninguém precisa temer este nosso movimento. Ele não se destina a ¶
fazer propaganda entre os que não são dos nossos. Mas reivindicamos o direito de ensinar a nossos próprios filhos o que queremos que lhes seja ensinado. Cremos que há grande necessidade de ensinar-lhes moralidade, princípios de conduta reta, fé em Deus, e as doutrinas da salvação. As crianças podem ser ensinadas nas matérias seculares pelos professores mais competentes, mas, se não lhes forem ensinadas a moralidade e a fé, sua educação será deficiente, e não saberão como alcançar o objetivo para o qual vieram à terra. Gostamos que nossas crianças recebam boa educação e se tornem mentalmente fortes, e incentivamos todos os Santos dos Últimos Dias a aproveitar as escolas distritais, as escolas secundárias e as universidades quanto às matérias ali ensinadas, mas sentimos que nossas crianças precisam de mais do que podem obter nessas instituições, e por essa razão estabelecemos as classes de religião. Ora, não temos objeção a que nossos amigos de outras denominações estabeleçam classes e ensinem a seus filhos os princípios em que creem. Nossos amigos católicos nos dão um bom exemplo a esse respeito. Eles não permitem que seus filhos sejam negligenciados na instrução religiosa. Não nos opomos a que outros ensinem a seus filhos, contanto que não ensinem a nossos filhos o que não queremos que lhes seja ensinado. Queremos que nossos filhos recebam o tipo de instrução que sabemos ser de suma importância para eles. Isso é tudo o que há quanto às classes de religião. Não estamos tentando misturar igreja e estado; não desejamos intrometer nossa religião nas escolas estatais; mas reivindicamos o direito de que nossos próprios filhos sejam ensinados nos princípios em que cremos; e para esse fim os reunimos. Em lugares onde há poucos, ou nenhum, não-"mórmons", podemos alugar a casa da escola depois que a escola for dispensada; mas exortamos particularmente os responsáveis pelas classes de religião a não interferirem com os filhos dos não-"mórmons". Quero dizer aos Santos dos Últimos Dias que não subestimem a importância de que seus filhos sejam ensinados nos princípios do ¶
Evangelho desde cedo na vida. Temos escolas da Igreja estabelecidas, mas, de um modo geral, as crianças não vão até terem concluído as séries. Ora, dos sete aos catorze anos de idade é o tempo em que a mente da criança é maleável, e em que se podem fazer nela impressões duradouras. Não queremos que esse tempo passe sem que façamos algo pelo crescimento espiritual da criança; queremos ensinar nossas crianças pequenas a ter fé em Cristo, e tê-las bem fundamentadas em Suas doutrinas. Vejo que é hora de encerrar a reunião. Que o Senhor vos abençoe a todos, é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶