Revelação Imediata e Testemunho
Rulon S. Wells
Meus irmãos e irmãs, é muito inspirador para mim observar a congregação dos Santos dos Últimos Dias numa conferência geral da Igreja. Isso aumenta minha fé e me faz alegrar, porque é uma evidência de que Deus está com Seu povo. É uma manifestação do amor que há no coração do povo pelas preciosas verdades do evangelho eterno. É uma evidência de que o evangelho está dando frutos entre os Santos dos Últimos Dias, e de que um povo está sendo formado com o desejo de conhecer a vontade e a mente do Senhor. Eles vêm do extremo norte e do extremo sul, do leste e do oeste, e de todas as estacas de Sião. Representantes de todos os povoados dos Santos dos Últimos Dias vieram até aqui para adorar o Senhor nosso Deus, e para serem ensinados em Seus caminhos. ¶
Naturalmente, há muito espaço para melhoria; mas não conheço nenhum povo que tenha, no coração, um desejo tão grande de vencer suas fraquezas e imperfeições, e de crescer no conhecimento de Deus, como os Santos dos Últimos Dias. Somos provavelmente o único povo que crê na revelação imediata de Deus; pelo menos, nunca entrei em contato com nenhuma outra comunidade que creia tão generalizadamente que Deus manifesta Sua vontade divina ao homem ou à mulher individualmente, e que, mediante a observância das leis que foram reveladas, e dos mandamentos que foram dados, podemos crescer no conhecimento do nosso Pai Celestial. Não conheço nenhuma outra comunidade que busque obter a salvação inculcando a doutrina de que "a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro." Somos o único povo que conheço que se empenha em chegar a um conhecimento de Deus, para que possamos de fato obter a vida eterna. Como evidência deste desejo, o povo vem de todas as partes de Sião para ouvir os oráculos vivos de Deus, aqueles que foram chamados e ordenados para estar à frente deste povo e para lhes transmitir a palavra do Senhor. Quando observo a grande multidão, não somente neste edifício, mas no grande Tabernáculo, e ao ar livre neste quarteirão, como mencionou o Irmão McMurrin, e vejo nossas ruas literalmente repletas das multidões que vieram à cidade da estaca central de Sião, para que fossem ensinadas nos caminhos do Senhor, digo-vos, meus irmãos e irmãs, que isso é para mim uma ocasião inspiradora; e me enche de desejo e de ambição de saber mais, e de avançar e crescer no conhecimento de Deus. Isso emociona todo o meu ser, do alto da cabeça às plantas dos pés, porque percebo que estes sentimentos não somente enchem o meu peito, mas estão no coração desta grande multidão de Santos dos Últimos Dias. ¶
"E assim, pelos seus frutos os conhecereis." O que o evangelho de Jesus Cristo está fazendo por nós? De que maneira estamos sendo melhorados pela obediência às leis de Deus, contidas nos princípios do evangelho, e dadas a conhecer por meio de Seus servos de tempos em tempos? Estamos nos abstendo daquilo que é proibido, e estamos buscando fazer obras de justiça? Creio que uma grande e gloriosa obra está sendo realizada nesse sentido entre os Santos dos Últimos Dias, e que há em seu coração o desejo de vencer suas pequenas fraquezas e falhas. ¶
Há pouco tempo tive ocasião, como frequentemente tenho, de conversar com meus próprios filhos. Desejei mostrar-lhes a diferença entre um homem honesto e um ladrão. Sabeis, é claro, que há uma grande diferença entre estas duas condições, e como é fácil aprender a distinguir os dois tipos de homem. Podeis ver um homem caminhando pela rua, um homem conhecido por suas boas obras, e o conheceis por sua conduta diária, e alguns dirão: "Ali vai um homem honesto." Ora, como descobriram que ele era um homem honesto? Há muitos homens de quem não damos este testemunho. Não nos sentimos à vontade para falar de alguns homens e dizer que são homens honestos, simplesmente pelo fato de nunca terem sido flagrados praticando um ato desonesto — de forma alguma. Muitos ladrões nunca foram descobertos. Há muitos homens e mulheres desonestos, e, no entanto, nunca foram condenados, pois ninguém jamais o descobriu; mas, por algo em sua conduta e em sua vida, ninguém jamais diria deles que são honestos. Com o homem honesto é diferente; há algo em seu caráter que se manifesta por si mesmo. A honestidade emana de todo o seu ser. Podeis ver, em cada ato de sua vida, que ele é honesto e reto. Ele não faz nada de maneira dissimulada; isso não nasce nele, e não se manifesta em sua vida diária. É o evangelho que está desenvolvendo estes traços de caráter nos Santos dos Últimos Dias. É a observância da lei do dízimo que está ajudando a desenvolver atributos nobres nos filhos dos homens. Aprendemos a vencer nosso egoísmo e nossa ganância por lucro, à medida que vivemos de acordo com as leis do evangelho. É isso que o evangelho fará por nós. Observando os princípios que nosso Pai nos revelou, somos capacitados a manifestar as características positivas da honestidade, e não as características negativas da desonestidade. Vivemos acima da lei quando manifestamos honestidade, integridade e virtude; estes atributos são característicos dos Santos dos Últimos Dias. Esse é o efeito que o evangelho está produzindo em todos os que se esforçam por viver de acordo com seus ensinamentos divinos. Regozijo-me neste evangelho que recebemos, porque ele nos eleva e nos aproxima do nosso Pai celestial; e quando estes frutos se manifestam entre os Santos dos Últimos Dias, temos motivo para nos alegrar. ¶
Há muitos homens desonestos, e muitos que são ladrões. Ora, eu não gostaria de acusar de ladrão um rapaz que trabalha numa loja simplesmente porque ele possa colocar a mão num barril de castanhas e pegar e comer uma delas. Se esse rapaz fizesse isso na presença de seu patrão, provavelmente se poderia dizer que ele teve o consentimento tácito de seu patrão; mas, se ele espera uma oportunidade em que ninguém esteja olhando, e pega e come uma dessas castanhas, esse é o ato de um ladrão. Se uma pessoa, com a intenção de enganar e de roubar, e com tais pensamentos no coração, toma aquilo que não lhe pertence, isso é um ato dissimulado, e ela é uma ladra. Muitas pessoas desenvolveram essa qualidade, embora não tenham sido descobertas nem presas; são ladras; todos os que conhecem e convivem com tal indivíduo sentirão que há algo em sua natureza que impede a confiança. Não se pode confiar nele. Um patrão não lhe confiaria seu dinheiro, nem lhe daria o controle de seu negócio. ¶
Ora, temos lido recentemente nos jornais sobre pessoas chamadas de furtadores de lojas, que entram em lojas e, quando ninguém está olhando, colocam algum artigo debaixo da capa ou o escondem de alguma maneira e o levam embora. Certa "senhora" de quem ouvi falar tomou, sem ser vista, um belo e valioso chapéu, no valor de cerca de $30, de um determinado armazém de fazendas. O chapéu fez falta naquela mesma noite, e todos os balconistas foram indagados se o haviam vendido, mas disseram que não. No domingo seguinte, um dos empregados da loja avistou na igreja uma senhora usando exatamente aquele chapéu na cabeça. Na segunda-feira seguinte, o fato foi relatado, e uma conta de $30 foi enviada à senhora, e um cheque voltou muito prontamente. Poderia mencionar às senhoras o fato de que há certas vantagens em tirar o chapéu na igreja. (Risos.) Não gostaria, porém, de insinuar que há aqui senhoras usando chapéus que não lhes pertencem. Esse é um caso em que uma ladra veio à luz. Há outras suspeitas de fazer o mesmo. Por quê? Porque há algo em sua conduta que não inspira confiança. ¶
Ora, o evangelho nos ensina a amar a honestidade pela honestidade em si, a amar a virtude pela virtude em si, e a exibir as qualidades positivas que compõem nosso caráter individual. Uma pessoa que tem esta reputação e a confiança do povo, e em quem se vêem por toda parte as manifestações da honestidade, será digna de confiança, e ninguém suspeitará dela de fazer algo errado; considerar-se-ia absolutamente impossível que uma pessoa desse tipo fosse culpada de um ato desonesto. É isso que gosto de ver demonstrado e exibido entre os Santos dos Últimos Dias. ¶
Também tenho um testemunho de que esta é a obra do Senhor em que estamos empenhados. Sei que Joseph Smith foi um Profeta enviado de Deus. Por toda parte vemos a evidência de sua missão divina. Algumas dessas evidências foram apontadas aqui pelo Élder McMurrin, e fiquei muito satisfeito com o testemunho que ele deu. Um testemunho assim pode ser desfrutado por todos nós. Quão gratos devemos sentir-nos ao nosso Pai Celestial, nós que nascemos sob o novo e eterno convênio, pelo grande privilégio que tivemos, e pelas bênçãos de que desfrutamos. Eu também sou grato por meus pais terem abraçado o evangelho e terem vindo para a terra de Sião; e por terem sacrificado tudo o que possuíam no mundo e se identificado com o povo de Deus. Tenho orgulho do fato de meu pai ter prestado obediência aos princípios do evangelho. Tenho orgulho da herança que ele me deixou. Ó, como desejaria poder fazer com que outros sentissem o mesmo que eu sinto quanto ao privilégio de ter nascido em Sião. ¶
Obtivemos os testemunhos que temos de nossos pais? Não. Os testemunhos que obtivemos vieram por meio da inspiração do Espírito de Deus, pois "ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus." Há alguns dias, eu conversava com um irmão, um bom Santo dos Últimos Dias — pelo menos, eu sempre o havia considerado um bom Santo dos Últimos Dias, e ele é geralmente tido como tal — e ele me disse, para meu grande espanto, que era um tanto cético quanto a os Santos dos Últimos Dias terem o conhecimento de que esta é a obra de Deus. Disse ele: "Levantamo-nos e testificamos que sabemos que esta é a obra de Deus, que sabemos que Joseph Smith foi um Profeta de Deus; mas sou um pouco cético quanto a isso." Disse ainda: "Quando fui em minha missão, fiz questão de nunca dizer que sabia que estas coisas eram verdadeiras." Eu disse: Pois bem, irmão, alguns homens chegaram a um conhecimento absoluto dessas coisas. "Bem, é possível," disse ele, "mas duvido muito que tenham chegado." Passamos a falar dos filhos da perdição, e ele disse que não acreditava que Judas soubesse que Jesus era o Cristo. Eu disse: Talvez não; mas Pedro o sabia, porque nosso Pai lho havia revelado, e se Pedro tivesse feito o que Judas fez, não há dúvida de que se teria tornado um filho da perdição. Então eu disse que havia também o Profeta Joseph Smith, que viu o Pai e o Filho. Ele disse: "Sou um pouco cético quanto a isso." Fiquei espantado. Este homem, que se dizia Santo dos Últimos Dias, sentia que não podia crer nisso de todo o coração. Disse que, quando estava em sua missão, só testificou uma vez que aquelas coisas eram verdadeiras; disse que não pôde deixar de fazê-lo naquela ocasião. Declarou-me que cria de todo o coração que aquela era a obra de Deus; que estava disposto a morrer por ela, se necessário, e a fazer qualquer coisa na terra para promovê-la; mas disse que não afirmaria saber que o evangelho era verdadeiro. Na ocasião mencionada, disse que não pôde deixar de fazê-lo; sentiu em todo o seu ser que, se não declarasse que Joseph Smith era um Profeta de Deus, seria condenado. Eu lhe disse que teria sido condenado se não tivesse dado esse testemunho, e que a razão pela qual sentiu e falou como falou foi porque tinha o Espírito de Deus, pois ninguém poderia saber aquilo sem ter o Espírito de Deus. Presumi que ele assim aprenderia que a razão pela qual não o sabe agora é porque não tem o Espírito de Deus. ¶
Meus irmãos e irmãs, vivamos de tal maneira e modo que possamos desfrutar do Espírito de Deus em todo tempo, para que tenhamos um testemunho da verdade, e nunca duvidemos de que o Pai e o Filho apareceram ao Profeta Joseph no início desta grande obra dos últimos dias. Devemos sentir-nos gratos em nosso coração por termos este testemunho conosco. Que Deus nos ajude a ser fiéis até o fim, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶