Obediência à Verdade
Anthon H. Lund
Peço sinceramente uma parte em vossa fé e orações. Desejo falar-vos sob a influência do Espírito Santo, pois qualquer outra influência não nos edificaria. Regozijo-me em ver esta grande assistência em nossa conferência. Isso nos manifesta que os Santos desejam reunir-se e receber a palavra do Senhor. ¶
Interessei-me muito, nesta manhã, pelas observações de nossos irmãos que nos falaram. O presidente Smith disse-nos para sermos livres, e não escravos do pecado. Em certa ocasião, nosso Salvador, dirigindo-se aos judeus que criam nele, disse-lhes: "Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." Disseram-lhe eles: "Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?" Jesus respondeu-lhes: "Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado." Em outras palavras, o escravo do pecado. O Senhor nos ordenou que soltássemos as ligaduras da impiedade e quebrássemos todo jugo. Ora, queremos desfrutar da bênção contida nas palavras de Jesus: "A verdade vos libertará." O Senhor quer que sejamos livres. De fato, um dos propósitos de virmos a esta terra era sermos feitos livres, e aprender o uso correto da liberdade, ou do livre-arbítrio. O Senhor não quer que sejamos escravos, nem mesmo servos, no sentido de estarmos em cativeiro; mas quer que sejamos Seus filhos e filhas livres. Quer que aprendamos o uso correto do livre-arbítrio. O homem que se abstém do pecado e da indulgência em prazeres pecaminosos não é servo nem escravo; é um homem livre. São demasiados os que não compreendem isso, e que carecem da coragem moral de usar seu livre-arbítrio e fazer aquilo que sabem ser correto. São demasiados os que temem o que outros dirão. Santos dos Últimos Dias, não temais o que outros possam dizer; mas temei o que Aquele que conhece os mais íntimos pensamentos de vosso coração há de pensar e julgar a vosso respeito. O homem que escolhe permanecer na palavra de Cristo, não apenas ouvindo-a, mas praticando-a, ainda que isso lhe custe a boa opinião de muitos, conhecerá a verdade, e a verdade o libertará verdadeiramente. Devemos examinar a nós mesmos, e descobrir se a verdade nos libertou, ou se ainda somos escravos daquelas influências que sabemos não serem de Deus. Estamos fazendo as coisas que Deus proibiu? Se assim for, é tempo de soltarmos as ligaduras da impiedade e quebrarmos todo jugo. É tempo de sairmos do cativeiro, e sentirmos em nós mesmos que somos verdadeiramente livres. ¶
Quando o Evangelho nos foi pregado pela primeira vez, estávamos cheios de dúvida e de trevas. Ao obedecer à palavra de Deus, recebemos a certeza de que havíamos feito um convênio com Ele, e de que Ele nos havia aceitado. A dúvida e as trevas nos deixaram. A luz do Espírito Santo encheu todo o nosso ser, e sentimos que éramos livres. Temos continuado a ser livres assim? Não temos, em demasiadas ocasiões, cedido à tentação e nos entregado àquilo de que havíamos convencionado manter-nos livres? Temo que demasiados de nós encontrarão isso em sua própria história. Minha exortação é: aprendamos a conhecer a nós mesmos, e a saber como estamos perante nosso Pai Celestial; e, sabendo disso, moldemos nosso caminho de modo a alcançar Seu favor. ¶
Regozijamo-nos no fato de que a obra de Deus cresce na terra, e de que Ele tem estado com Seus servos em seus labores para promulgar as boas novas de salvação aos homens. Nossos missionários foram a quase todas as terras, e proclamam a vontade de nosso Pai Celestial, dizendo aos homens que se aproxima rapidamente o tempo em que Cristo virá pela segunda vez. Quando veio pela primeira vez, Ele desceu abaixo de todas as coisas para redimir a humanidade, mas virá em glória à terra, com Seus santos anjos, para encontrar-Se com Seus Santos. Esse tempo se aproxima. Muito ainda há de ser feito, sem dúvida, antes que Cristo venha reinar sobre a terra. Não sabemos quanto tempo levará; mas sabemos disto: a obra em que estamos empenhados é a obra preparatória para a Sua vinda. Convocamos o mundo inteiro a arrepender-se, a voltar-se para Deus, a ter fé nEle, a guardar Seus mandamentos, e a fazer as coisas que Ele ordenou para a salvação; e então viver de tal maneira que possam dizer com verdade que tomaram sobre si o nome de Cristo. ¶
Nós, os Santos dos Últimos Dias, participamos do sacramento domingo após domingo, e cada vez que o fazemos, celebramos um convênio com o Senhor de que tomaremos sobre nós o nome de Cristo, e sempre nos lembraremos dEle, e guardaremos Seus mandamentos. Este convênio não deve ser um convênio vão. Não devemos participar levianamente dos santos emblemas da carne e do sangue de Cristo; mas, ao participar, devemos formar em nossa mente uma firme resolução de cumprir aquilo que quem abençoa o pão e o conteúdo do cálice pronuncia. Quando dizemos amém às suas palavras, fazemo-las nossas, e devemos mostrar em nossa vida que temos a intenção de guardar o convênio que celebramos. ¶
O Evangelho de Cristo, conforme nos foi revelado, é o mesmo de outrora. Quando a João foi mostrado que um anjo viria com o evangelho, não lhe foi dito que seria um evangelho novo, mas sim o evangelho "eterno" — sempre novo, e, contudo, eterno; o mesmo evangelho, sem nenhuma mudança nele. Quão agradecidos estamos, irmãos e irmãs, de que o Senhor tenha sido tão gracioso conosco a ponto de ouvirmos as boas novas do evangelho e recebermos um testemunho de sua verdade. Mostremos nossa gratidão a nosso Pai Celestial guardando Seus mandamentos e cumprindo todo dever que nos é exigido. É o caminho mais seguro para a felicidade; de fato, não há outro caminho pelo qual possamos ser felizes senão guardando os mandamentos de Deus. Escolhei qualquer outro caminho; senti em vosso coração que podeis fazer o que quiserdes — tendes vosso livre-arbítrio — e não tardará muito até que descubrais que são verdadeiras as palavras do Mestre quando disse: "Todo aquele que comete pecado é servo do pecado." Não há nada que cresça mais depressa em ninguém do que a indulgência no pecado. Ela mostra a uma pessoa quão fraca ela é. Aqueles que estão afundados na degradação às vezes se lembram de quando eram inocentes e bons, e desejam então voltar àquele estado; mas, ao tentarem alcançá-lo, sentem quão fracos são, pois se tornaram escravos do pecado. Isso não deveria ser o nosso caso. Depois de termos feito convênios com o Senhor, devemos mostrar-nos suficientemente fortes para cumpri-los. ¶
O Senhor, por intermédio do Profeta Joseph Smith, instruiu Seu povo a abster-se de certas coisas em sua alimentação, e, se o fizessem, certas bênçãos lhes eram prometidas. Se eu vos perguntasse: Credes que o Profeta recebeu essa revelação de Deus? Sei que responderíeis que sim; e, no entanto, quantos de nós há que não a guardam? Aludo agora à Palavra de Sabedoria. É difícil guardá-la? Sim, para aqueles que se entregaram às coisas proibidas. Estes descobriram que as ligaduras se tornaram tão fortes que dificilmente conseguem rompê-las. Mas o Senhor nos ordena que façamos isso. Mostremos que temos força. Se não a tivermos, oremos a nosso Pai Celestial pedindo força para resistir a essas coisas, de modo que possamos sentir em nosso coração que estamos procurando viver de acordo com os mandamentos de Deus. A ciência dá provas de que os conselhos contidos naquela revelação são verdadeiros e para o maior bem do homem. Ora, visto que cremos não só que é uma palavra de sabedoria, mas que é a vontade de Deus, resolvamos guardá-la. Abstende-vos do uso do tabaco, tão prejudicial à constituição do homem. Abstende-vos das bebidas fortes, e do uso do chá e do café, e do uso excessivo de carne. Seja o que for que esteja contido nesse mandamento, façamos dele a regra de nossa vida. Nos arrependeremos de fazê-lo? Lembro-me de que meu tio me disse, quando eu não quis aceitar essas coisas — e ele por acaso me ofereceu quase todas elas — "Talvez seja melhor não as usar, mas estás perdendo muitos prazeres da vida ao te absteres delas." Não sinto que seja esse o caso. Se não nos acostumamos a elas, não sentiremos sua falta. Aqueles que se acostumaram ao uso de tais coisas e se abstêm delas sentirão maior respeito por si mesmos e mais força para vencer outras fraquezas. ¶
Meu conselho aos Santos dos Últimos Dias é que guardem a Palavra de Sabedoria, que se lembrem também de seus convênios, levem vidas santas e puras, e guardem os mandamentos contidos na lei e dados no evangelho. Lembrai-vos dos pobres, guardai o dia de sábado com santidade, pagai vossas ofertas de jejum, e não deixeis que vossas doações para sustentar os pobres sejam esquecidas. Lembrai-vos de vosso dízimo, e de todo dever que vos é exigido; e, se o fizerdes, podereis aproximar-vos de nosso Pai Celestial com confiança e segurança, como um filho a seu pai natural, e pedir as coisas que desejais, e elas serão vossas. Deus vos abençoe a todos. Amém. ¶