Relatório sobre a Obra do Templo, o Casamento e a Fuga do Endividamento
John R. Winder
Sinto-me muito grato nesta manhã por ter mais um privilégio de me reunir convosco em conferência, e tenho me alegrado com o que vi e ouvi durante os últimos dois dias. ¶
Lembro-me nesta manhã de um acontecimento ocorrido há exatamente dez anos — a dedicação do Templo de Salt Lake pelo Presidente Wilford Woodruff; e refleti um pouco sobre algumas das coisas que aconteceram desde então. Dois presidentes da Igreja — o Presidente Woodruff e o Presidente Snow — faleceram; um Primeiro Conselheiro — o Presidente George Q. Cannon; um Presidente dos Doze Apóstolos — o Presidente Franklin D. Richards; e um Apóstolo. Mas, meus irmãos e irmãs, eles não perderam o interesse na obra em que estamos agora empenhados. Desde a dedicação do Templo de Salt Lake, foram realizadas naquela casa cerca de oitocentas mil ordenanças, ou cerca de oitenta mil por ano. Enquanto o mundo ridiculariza e zomba do que fazemos nos templos, desejo dizer-vos a todos, e podeis dar testemunho disso, que toda ordenança, toda cerimônia ali realizada tem caráter sagrado e santo. Toda ordenança ali realizada torna melhores os pais, as mães, os filhos, os maridos e as esposas, melhores cidadãos do estado e melhores cidadãos dos Estados Unidos. Nada ocorre naquela casa de que precisemos nos envergonhar; mas tudo o que ali se passa é para o aperfeiçoamento de todos os que participam. Presumo que há milhares agora ouvindo minha voz que poderiam testificar da verdade do que digo. ¶
Há uma coisa de que às vezes nos arrependemos, e é com relação a nossos jovens que, ao se prepararem para entrar em matrimônio, deixam de vir à casa do Senhor para que a cerimônia ali se realize; porque sabemos que, se estiverem preparados para entrar naquela casa, receberão ordenanças que lhes serão de grande benefício enquanto viverem. Também lamentamos às vezes saber que algumas de nossas irmãs contraem alianças com aqueles que não são de nossa fé. Tem-se dito que somos demasiado exclusivistas nesse assunto. Estava lendo um artigo num jornal ontem, e recortei dele um trecho para mostrar que não somos os únicos exclusivistas nesse aspecto. Este artigo tinha por título "Casamentos Mistos Proibidos no Futuro", e o recorte diz o seguinte: ¶
"Chicago, 4 de abril. ¶
"O correspondente do Record-Herald em Nova York diz: Devido ao recebimento de ordens da Propaganda em Roma, o Arcebispo Farley não oficiará o casamento de Reginald Vanderbilt e da Srta. Catherine Neilson. Instruções positivas foram recebidas pela hierarquia católica romana dos Estados Unidos, proibindo-lhes de oficiar quaisquer outros casamentos em que uma das partes contratantes não seja católica romana." ¶
Assim, irmãos e irmãs, vedes que não estamos sozinhos nesta questão. Sabemos, por experiência passada, que quando nossas irmãs entram em compromissos matrimoniais com aqueles que não são de nossa fé, isso, via de regra, resulta em infelicidade. Portanto, queremos exortar aos presidentes de estacas, Bispos e demais oficiais em toda parte que usem sua influência junto a nossos jovens quanto a este assunto, para que ordenem suas vidas de modo a estarem preparados para vir à casa do Senhor quando desejarem entrar no sagrado e santo estado do matrimônio, e sejam dignos de uma recomendação para o templo de seus Bispos, assinada pelo presidente da estaca. ¶
Desejo sustentar as observações feitas por nosso presidente na abertura desta conferência, com referência ao endividamento. É lamentável, mas tenho conhecimento de que muitos de nosso povo, mesmo agora, estão hipotecando suas casas e fazendas para obter dinheiro com o propósito de se lançarem em alguma especulação. É perfeitamente aceitável que, se tivermos algum recurso além de nossas casas e fazendas, nos lancemos em algum empreendimento em que pensemos poder ganhar algo para nós mesmos, se assim o desejarmos; mas, quando se trata de tomar dinheiro emprestado e hipotecar nossas casas, isso é passível de se revelar muito desastroso. Poderia citar vários de nossos irmãos que, no período de "boom", hipotecaram suas casas e se lançaram em especulações e empreendimentos que se revelaram fracassos desastrosos, e hoje estão sem lar para abrigar suas esposas e filhos. Tomemos isto como advertência, meus irmãos e irmãs. Sei que o que o Presidente Smith disse ontem é oportuno e apropriado. Dizem alguns que teremos uma era de prosperidade. Muito bem; que venha a prosperidade, e se, nesse período, pudermos livrar-nos de dívidas, nos alegraremos por estarmos livres delas. Mas se, por outro lado, sobrevier um tempo de adversidade, e estivermos sob o jugo da dívida, qual será o resultado? Provavelmente perderemos nossas casas e nossas fazendas. Espero, portanto, que levemos a sério o que foi dito a este respeito. É importante que o façamos. ¶
Não sei quantas mais conferências o Senhor me permitirá desfrutar convosco; mas sei que Ele tem sido muito misericordioso comigo, e prolongou meus dias além do que eu poderia esperar. Em breve completarei 82 anos, e me alegro em pensar que o Senhor me preservou de modo que tenho mais este privilégio de estar diante de vós. ¶
Agora, meus irmãos e irmãs, ao saírmos desta conferência, saiamos com a determinação, cada um de nós, de que "eu e a minha casa serviremos ao Senhor." Tenho uma forte impressão de que os missionários não serão retirados das nações da terra, e que os templos não serão fechados, mas que a obra progredirá e continuará, a partir de agora, com maior força e vigor do que jamais teve antes. Que o Senhor nos ajude a todos a sermos fiéis e verdadeiros, até o fim, é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶