Desenvolvimento da Obra do Senhor e Melhoria Contínua
Marriner W. Merrill
As reuniões da conferência, até agora, têm sido muito interessantes para mim. Tenho ouvido com grande interesse os relatórios dos presidentes de missão e dos presidentes das Estacas de Sião. Estamos aqui, meus irmãos e irmãs, para sermos alimentados espiritualmente, e para sermos instruídos quanto a nossos deveres temporais. Até agora, penso, todos temos ficado satisfeitos com o que ouvimos e com o espírito que se manifestou. De fato, podemos dizer que tivemos um refrigério da parte do Senhor. Temos sido beneficiados e enriquecidos pelos vários assuntos tratados. Quão vasta é a obra do Senhor! E como ela está crescendo e espalhando-se, apesar das dificuldades que têm sido lançadas em seu caminho! Quando olhamos para trás, digamos 50 anos (há muitos aqui, suponho, que podem recordar 50 anos atrás), e observamos o progresso realizado em 50 anos, é maravilhoso contemplá-lo. Embora, nesse tempo, vinte de nossos Apóstolos e Presidentes da Igreja tenham passado para o outro lado, vemos hoje que a Igreja está mais forte e o povo mais numeroso do que nunca. Há mais interesse manifestado no avanço desta obra na terra do que jamais houve em nossa história. Assim vemos a mão do Senhor manifesta para com este povo em seu crescimento e desenvolvimento na terra. Qual será o crescimento e desenvolvimento daqui a mais cinquenta anos? Sem dúvida há pessoas aqui que viverão para ver mais cinquenta anos, e a obra desenvolvida daqui a cinquenta anos. ¶
Temos grande motivo para dar graças e louvor a nosso Pai Celestial por Sua bondade para conosco, e por Sua misericórdia em moderar os elementos nestes altos vales montanhosos. Bem me recordo de quando se dizia que certos vales destas montanhas não produziriam os cereais da terra, por causa de sua altitude e das geadas; mas esse dito se reduziu a nada. Recordo-me muito distintamente de ter ido com o Presidente Young em sua primeira viagem ao Vale de Bear Lake. Vários na companhia, depois que chegamos e acampamos, previram que jamais se cultivaria grão algum no Vale de Bear Lake, por ser demasiado frio. Mas descobrimos que o Senhor moderou os elementos. Lembro-me do que o Presidente Young lhes disse na primeira reunião. Ele disse: "Viestes para um vale frio e alto; mas se permanecerdes aqui e vos contentardes, e servirdes ao Senhor, ficareis ricos." Ele lhes assegurou que poderiam cultivar grão; mas, se não puderdes cultivar grão, disse ele, podeis cultivar lúpulo, e enriquecer cultivando lúpulo. Descobrimos que os elementos foram moderados em todos os vales altos. No vale de Cache, todos nós nos amontoávamos, sabeis, nas terras baixas. Lembro-me de o Presidente Kimball dizer, certa vez que ali esteve, que chegaria o dia em que quereríamos amontoar-nos em direção às montanhas e cultivar a terra nos altos socalcos. Esse dito se confirma hoje. Ide ao vale de Cache e podeis ver o vale cultivado em lugares quase até o topo das montanhas, enquanto a parte baixa do vale é abandonada ao pasto. ¶
O Senhor tem estado com Seu povo. Ele tem estado com Seus servos. E tem-me parecido, ao observar o progresso da obra do Senhor, como se cada administração que tivemos fosse um pouco mais forte do que a anterior; mas talvez não seja o caso. Pode ser apenas que, no desenvolvimento da obra do Senhor, tenham surgido coisas novas. O Senhor não prometeu que revelaria tudo de uma vez. Disse que daria linha por linha, preceito por preceito, aqui um pouco e ali um pouco; e à medida que a obra do Senhor se desenvolve, novos aspectos são apresentados ao povo. Coisas são reveladas de tempos em tempos que não eram necessárias há meio século. ¶
Ora, tomando em consideração nossa condição e nossas circunstâncias, há ainda espaço para melhoria entre os Santos dos Últimos Dias? Apesar dos bons relatórios que ouvimos das várias Estacas de Sião, permiti-me perguntar: há ainda oportunidade de melhoria na Igreja de Cristo? Ora, certamente que há. Ainda não chegamos todos à unidade da fé. Ainda não chegamos todos a um entendimento perfeito do evangelho. Aprendemos um pouco hoje e um pouco amanhã, avançamos passo a passo e continuamos aprendendo um pouco mais sobre a obra de Deus. ¶
O Senhor deu a Seu povo uma organização perfeita, como não se encontra em nenhum outro lugar do mundo. Foi relatado por alguém, desde que a conferência começou, que não havia pobres em uma das Estacas de Sião. Quando ouvi isso, pensei comigo mesmo que aquela Estaca estava em condição bastante ruim. O Salvador disse: os pobres sempre os tendes convosco. Minha experiência na Igreja tem-me ensinado que, se não se encontram pobres, é porque não se fez uma busca completa na Estaca; pois creio que há pobres em todas as Estacas de Sião. Há certa classe de pessoas entre nós que não farão suas necessidades conhecidas. Sofrerão, e sofrerão muito, antes de deixar seus vizinhos saberem de sua condição. Tenho servido como bispo por dezoito anos na Igreja, e tenho constatado, em minha administração, que há casos desse tipo, em que as pessoas não revelam sua condição. Tais pessoas precisam ser procuradas; e depois cuidadas, pelos sacerdotes, ou pelos mestres, ou por alguém, para que sua situação seja conhecida. Garanto que, se todas as Estacas de Sião fossem cuidadosamente examinadas, constatar-se-ia que há pobres em toda parte; talvez não tão extensamente em algumas Estacas quanto em outras, mas há pobres. A organização que o Senhor nos deu atende à condição de todo membro da Igreja, e também à condição dos não membros da Igreja, porque eles, vivendo entre nós, devem ser cuidados, devem ser vigiados, e tratados com bondade. ¶
Temo que haja uma deficiência, meus irmãos e irmãs, quanto às labutas do Sacerdócio Menor. Temo isso porque sei, por experiência, que é necessário um trabalho constante e um cuidado vigilante constante da parte do bispo para manter o Sacerdócio Menor em bom funcionamento. Ora, toda família na Igreja, e toda família no distrito, seja ela da Igreja ou não, deve ser visitada. São filhos do Senhor, e devem ser cuidados. Devem ser visitados pelo menos uma vez por mês. Podemos nós, bispos ou presidentes de estaca, dizer, e dizer com verdade, que o rebanho sobre o qual o Senhor nos designou para presidir é visitado, cuidado, vigiado e provido? Se podemos, então estamos em condição feliz, e estamos fazendo exatamente o que o Senhor deseja que façamos. Mas, se falharmos neste importante assunto, então é hora de considerarmos, de aconselharmo-nos juntos como Sacerdócio, como quórum do Sacerdócio, e ver em que podemos tornar nosso trabalho mais valioso e mais proveitoso para os Santos dos Últimos Dias. Os mestres, sabeis, têm jurisdição geral. O ofício de mestre é importante na Igreja. Recordo-me de uma vez em que fui, como mestre, à família do Presidente Kimball, e o Presidente Kimball ali estava. Claro, sendo eu um menino, senti-me acanhado, e muito tímido ao falar na casa de um membro da Presidência da Igreja; mas não demorou muito para que o Presidente Kimball me fizesse sentir-me perfeitamente à vontade, a falar ali como falaria com qualquer outra pessoa, por causa do espírito e da bondade que manifestou. Ele disse: "Quero que pregueis o evangelho à minha família. Se virdes algo fora de ordem, quero que lhes faleis a respeito; seja dentro ou fora de casa, dizei-lhes; aconselhai-vos com eles a respeito; deliberai com eles a respeito." Ora, isso sempre foi uma lição para mim. Sempre me lembrei disso. Os mestres devem aconselhar-se com o povo a respeito de seus interesses. Não que devam ter uma simples rotina de perguntas a fazer em cada família; isso não é necessário, e o Senhor tampouco vos guiará dessa maneira; mas Ele vos guiará a dizer, em cada família, aquilo que for adequado e apropriado. O Senhor estará com todo mestre que for humilde e orante. Ora, concluo, por minha própria experiência, que a melhor coisa no mundo que o mestre pode fazer antes de sair é retirar-se a um lugar secreto e dizer ao Senhor que sai em cumprimento de seu dever, para trabalhar como ministro do evangelho entre o povo. Se fizerdes isso com humildade, o Senhor estará convosco e vos dirigirá em vossos trabalhos. Ora, não deixeis de visitar ninguém em vossas andanças. Não estejais com tanta pressa que a família mais remota do distrito deixe de ser visitada e cuidada. Podeis sentir em vosso coração que aquelas pessoas não prestam, que não são dignas, que não vos receberão amavelmente, e assim por diante; mas pode haver ali crianças sobre as quais vossa influência pode ter grande efeito, e não podeis permitir-vos negligenciá-las. Não podemos permitir-nos negligenciar nosso dever para com essas pessoas. Ora, estas coisas se aplicam à Presidência da Estaca tanto quanto ao Bispado. ¶
Há uma coisa muito boa sobre a qual os mestres poderiam falar ao povo, que é a respeito de contrair dívidas. Alguns de nosso povo têm tido grande desejo de contrair dívidas, talvez com o propósito de aparentar tão bem quanto seus vizinhos. Em minha opinião, chegou a hora em que devemos desistir de contrair dívidas. Não devemos hipotecar nossos lares. Este é um assunto sobre o qual, certamente, penso que os mestres deveriam falar. Espero que se possa dizer, doravante, que os Santos dos Últimos Dias não hipotecarão suas propriedades, seus lares, seus bens móveis, nem coisa alguma que possuam. Em certas circunstâncias pode ser uma necessidade; mas, via de regra, é uma coisa má, e devemos abandoná-la. Tenho visto pessoas expulsas de seus lares, devido à execução da hipoteca. Tiveram de deixá-la ir por metade de seu valor, porque raramente se pode tomar emprestado sobre uma propriedade o valor integral dela, e desse modo suas árduas economias se dissipam. Não hipotequeis vossos lares. Houve um tempo em que não havia hipotecas em todo o Utah; mas hoje não é assim. Não suponho que haja Estaca de Sião que hoje esteja livre disso. É hora, portanto, de começarmos a considerar seriamente nossa condição, e cessarmos de contrair dívidas. Paguemos nossas hipotecas e nossas obrigações o mais rápido possível; e a maneira mais rápida e fácil de fazê-lo é que cada homem pague seu dízimo e suas ofertas ao Senhor. Pois tudo pertence ao Senhor, e Ele nos fez mordomos sobre o que colocou em nossas mãos. Então paguemos nossas obrigações ao Senhor, não importa o que nosso vizinho possa dizer a respeito. Todo homem na Igreja deve pagar seu dízimo, e pagá-lo quando o tiver. Não adieis o pagamento do dízimo sobre o salário de verão até o outono, porque isso não é um bom modo de agir. Quando receberdes vosso salário mensal, pagai vosso dízimo imediatamente; e fazei o mesmo com o que quer que recebais de qualquer fonte. Se fizerdes isso, o Senhor abrirá vosso caminho e vos ajudará a sair da dívida. Façamos a resolução de não mais contrair dívidas, e o Senhor nos ajudará a cumpri-la. Não queremos apenas sair da dívida nós mesmos, mas queremos ver a Igreja livre de dívidas, para que as mãos da Presidência sejam de tal modo liberadas que possam usar quaisquer meios necessários para o desenvolvimento da obra do Senhor e a edificação de Sião. Se tivéssemos hoje em nossa posse os juros que pagamos sobre capital externo, isso nos ajudaria consideravelmente. ¶
Outra coisa: não façamos exigências demais à Presidência da Igreja. Os presidentes de estaca e bispos de ala estão continuamente pedindo à Igreja que os ajude para este ou aquele propósito. Bendita seja vossa alma, a Presidência da Igreja estaria disposta a ajudar a todos se estivesse em seu poder; mas não está em seu poder no presente. Portanto, se temos uma capela para construir, ponhamo-nos a construí-la sem pedir ajuda à Igreja. Se pudéssemos aproveitar o trabalho que se desperdiça em todas as Estacas de Sião, poderíamos construir todas as capelas de que precisamos. Vós, irmãos que precisais de capelas em vossas alas e estacas, procurai aproveitar esse trabalho na construção delas. Sei, por experiência, que isso pode ser feito. Então não precisareis pedir nada à Igreja. ¶
Estes são alguns dos detalhes que nos afetam em nossas alas e estacas. Seria bom que os bispos e presidentes tomassem nota do que é dito pelos oradores, e, onde as observações se aplicarem às suas circunstâncias, as apliquem. Estamos reunidos de todas as partes para obter informação e instrução, e não deixemos passar essas coisas sem dar-lhes atenção. ¶
Testifico-vos, meus irmãos e irmãs, que esta é a obra do Senhor. Tem feito bem à minha alma ouvir os irmãos testificarem que sabiam que esta era a obra de Deus. Não é nossa obra, mas o Senhor nos deu o privilégio de dela participar. Joseph Smith, o grande profeta da última dispensação, tem cuidado vigilante sobre nós hoje, assim como tinha enquanto esteve na terra; e ele tampouco está tão longe assim. O Profeta Brigham também, e os demais líderes de Israel que partiram para o outro lado, estão vigiando o povo de Deus; e não sintamos que estão distantes, além dos limites do tempo e do espaço, porque não estão muito longe. Esta é a obra de Deus. Joseph foi um grande profeta. Ele introduziu esta dispensação da plenitude dos tempos, e ela avança gradualmente. Espalhou-se pelas montanhas e nos vales, e continuará a fazê-lo. Deus edificará Seu reino e sustentará Seus servos. Cuidemos para que não sejamos encontrados reclamando ou criticando, mas que se diga de nós que sustentamos a obra de Deus e nossos irmãos. Deus vos abençoe, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶