Relato sobre a Missão Japonesa e os Trabalhos Ali Realizados
Louis A. Kelsch
Meus irmãos e irmãs, ao estar diante de vós por um breve momento, desejo ser inspirado pelo Senhor a dizer somente aquelas coisas que sejam para o nosso bem. Regozijei-me grandemente com os testemunhos que foram prestados durante esta conferência. Meu coração foi alegrado. Regozijo-me em prestar testemunho a vós, e a todos os que lerão a respeito desta conferência, que sei que a obra em que estamos empenhados é de Deus, e que Ele revelou Sua mente e vontade a Seus servos os profetas nestes últimos dias. Sei que Joseph Smith foi um profeta de Deus, levantado nesta dispensação, e que ele deu a mente e a vontade do Senhor aos habitantes da terra; que a autoridade que ele recebeu de santos mensageiros que Deus enviou para conferi-la sobre ele foi conferida sobre irmãos que estão nesta congregação, e que estes homens de Deus possuem o direito e a autoridade de agir em nome de Jesus Cristo em todo o mundo; que este Evangelho que foi restaurado nestes últimos dias vai revolucionar o mundo inteiro, e reunir os filhos dos homens numa só fé, pela qual todo homem e toda mulher saberão que Deus vive e que Jesus é o Cristo, que Joseph Smith é um profeta de Deus, e que ele morreu como mártir. Esta obra continuará a crescer e aumentar entre as nações da terra. O Senhor está à frente, e Ele dirigirá o seu curso. Quer aqueles de nós que foram chamados para trabalhar por Ele sejam fiéis ou não, Ele terá homens, e muitos deles, para realizar Seus poderosos propósitos. Desejo ser um daqueles que serão fiéis até o fim; pois percebo que não é o receber grandes testemunhos e promessas que nos salvará, mas espera-se que aqueles que recebem estas grandes bênçãos usem seu poder e sua força para a realização de Seus propósitos e perseverem fielmente até o fim. ¶
Tive o grande prazer e privilégio de ser chamado como um dos servos de Deus para levar o Evangelho às nações da terra, e, à minha fraca maneira, tentei cumprir as responsabilidades que me foram colocadas. A última missão para a qual fui chamado foi, como já foi declarado pelo Presidente Smith, uma missão ao Japão. Fui chamado para auxiliar o Apóstolo Heber J. Grant e os Irmãos Horace S. Ensign e Alma O. Taylor. Como sabeis, pouco mais de um ano atrás partimos daqui rumo àquela terra; e pareceu-nos, quando chegamos, que éramos de fato estranhos numa terra estranha, pois tudo nos era estranho. O povo, seus costumes, seus hábitos, sua comida — tudo era estranho. Não podíamos falar com o povo senão por meio de intérpretes, exceto com aqueles que eram capazes de compreender a língua inglesa. Tentamos, à nossa fraca maneira, fazer o melhor que pudemos. Conseguimos fazer dois conversos, e tivemos o privilégio de batizá-los. Poderíamos ter batizado muitos, se assim o desejássemos; mas percebemos que eles não conheciam o suficiente desta obra para justificar que os batizássemos no rebanho de Cristo. Creio que há muitas almas honestas naquela terra. Há um grande povo vivendo nas diferentes ilhas do Japão. Os japoneses são muito bondosos, muito sociáveis e extremamente educados. Nunca vi tanta educação e bondade em minha vida como testemunhei entre aquele povo, não só entre si mesmos, mas também para com os estrangeiros. Meu coração se voltou para aquele povo com amor, e tive um grande desejo de pregar-lhes o Evangelho em sua própria língua; mas, por algum motivo, não foi minha sorte fazer isso. Tenho sido perguntado muitas vezes se voltarei ao Japão. Quero dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que fui liberado daquela missão. Não fui capaz de pregar o Evangelho na língua deles, mas o preguei a milhares de estrangeiros ali, e aos japoneses que eram capazes de me compreender. Visitei muitos deles e lhes preguei o Evangelho. Depois que descobri que meu tempo naquela terra seria curto, fiz questão de trabalhar entre os missionários de outras igrejas, pregando-lhes o Evangelho, tentando fazer amizade com eles e fazer com que parassem de falar mal de nós. Creio que tive êxito até certo ponto; pelo menos, vários deles se tornaram amistosos, e alguns me convidaram para visitá-los novamente, o que fiz. Encontrei ali homens que haviam visitado esta cidade, e, apesar de não concordarem com nossa fé, admitiram que tínhamos uma bela cidade, e também admitiram que poderíamos ser salvos tanto quanto eles, se fôssemos fiéis àquilo em que acreditávamos. ¶
Os irmãos e irmãs que ali estão agora estavam se sentindo bem quando parti. Eles desejam cumprir uma boa missão, e permanecer ali até que sejam honrosamente liberados. A língua é muito difícil de aprender, e será necessário que o Senhor auxilie os irmãos e irmãs para que possam adquiri-la. Até que isso se realize, não sinto que muito se fará entre aquele povo; pois pregar o Evangelho por meio de um intérprete é um erro, creio eu; sempre foi, e sempre será, em minha opinião. Isso ficou comprovado no Japão; mas tivemos de ter alguém para falar com o povo, que se aglomerava sobre nós e desejava saber algo sobre nossa fé. Descobrimos que o intérprete não conseguia traduzir algumas palavras para transmitir o sentido correto, e estudiosos de lá nos disseram que é muito difícil traduzir o inglês para o japonês. Há muitas palavras em inglês para as quais eles não conseguem encontrar equivalentes, e, para que compreendam nosso significado, algumas palavras terão de ser explicadas consideravelmente. Por esta razão, sinto que nada de muito importante será feito até que nossos irmãos sejam capazes de falar ao povo em sua própria língua, aproximando-se assim de seus espíritos e aquecendo-os pelo testemunho da verdade. O povo está muito ansioso por conhecer nossa doutrina; mas se a receberão depois que formos capazes de explicá-la a eles, não sei dizer. Só podemos plantar; é Deus quem dá o crescimento. Ainda que venham a entrar na Igreja aos milhares, terão de ser humildes, orantes e diligentes, ou serão vencidos, assim como nós temos de ser diligentes e cuidadosos para evitar ser vencidos. Pois, desde o princípio desta obra, Satanás tem tentado destruí-la. Vós vos lembrais de quando Joseph Smith foi ao bosque perguntar a Deus a qual igreja deveria filiar-se, como o poder das trevas se apoderou dele. Creio que Satanás conheceu Joseph Smith no mundo espiritual; sabia que ele era um homem poderoso, e que buscaria derrubar seu reino; e, portanto, assim que ele foi orar ao Senhor, tentou destruí-lo, e foi somente o poder de Deus que o salvou naquele momento. Depois, a partir daquele momento, Satanás continuamente buscou matá-lo, e finalmente o conseguiu, embora não até que o Senhor o permitisse e chegasse o tempo em que era necessário, presumo, que ele selasse seu testemunho com seu sangue; "porque onde há testamento", diz Paulo, "necessário é que intervenha a morte do testador." Muitos dos Santos perderam suas vidas pela causa do Evangelho, e cada um de nós terá de estar disposto a sacrificar tudo o que temos, e nossas vidas se necessário for, se esperamos receber a mesma bênção. Jesus não buscou fazer Sua própria vontade, mas a vontade do Pai. Teremos de fazer o mesmo. Devemos estar dispostos a fazer a vontade de Deus tal como manifestada por meio de Seus servos. O Presidente Joseph F. Smith e seus conselheiros e os Doze Apóstolos são servos de Deus, e eles nos dão a palavra de Deus. Devemos estar dispostos a atender a essa palavra, exatamente como se o próprio Cristo viesse entregá-la; e, até que estejamos dispostos a ser governados dessa maneira, não faremos o progresso que Deus deseja que façamos. Devemos estar dispostos a ser governados em retidão, e quero dizer-vos que os servos de Deus não desejam exercer nenhuma influência sobre os filhos dos homens senão pelos princípios da retidão e da justiça. Nenhum de vós pode se levantar e dizer verdadeiramente que já foi instruído por algum Presidente da Igreja, ou por algum Apóstolo, a fazer algo que não fosse para o vosso bem ou para o bem da humanidade. Sei que há segurança em sermos humildes e dispostos a sermos guiados pelo Senhor. Se formos obedientes, então Deus nos abençoará. Se estivermos dispostos a ser julgados, seremos bons juízes nós mesmos; mas nunca o seremos até que nos sujeitemos nós mesmos ao poder de Deus. ¶
Agradeço a meu Pai Celestial pelo privilégio de ir à nação do Japão. Tem sido uma grande bênção e conforto para mim. Tem sido uma boa escola para mim. Fui ensinado ali sobre coisas que talvez nunca teria aprendido em nenhum outro lugar. Aquela experiência será um benefício para mim no futuro, e agradeço a meus irmãos que foram inspirados a me enviar àquela terra, e agradeço ao Senhor e a meus irmãos por eu ter sido honrosamente liberado. Desejo continuar a trabalhar por Sião e seus interesses. Desejo ser um servo de Deus, continuar a prestar testemunho, onde quer que eu seja chamado a trabalhar, seja numa função de ala ou em qualquer outra direção. Todos nós receberemos aquilo que merecermos. Sei que esta obra é verdadeira. Testifico que este povo é constituído de cidadãos americanos verdadeiros e leais. Amamos a Constituição; amamos esta nação; amamos sua bandeira. Já o provamos no passado, e somos capazes de prová-lo novamente, se necessário for. Amamos todos os homens e mulheres bons e honrados, sejam eles Santos dos Últimos Dias ou não, a tal ponto que estamos dispostos a deixar nossos lares e tudo o que nos é caro com o propósito de lhes levar o Evangelho. Estamos dispostos a sacrificar nosso tempo e nossos meios no interesse de sua salvação. Contudo, não deveríamos considerar isso um sacrifício. Não é sacrifício ser batizado, quando somos convertidos. Não é sacrifício pagar nossos dízimos e nossas ofertas, quando somos convertidos. Assim é com todos os princípios do Evangelho. Amamos fazer estas coisas, porque nos trazem alegria e satisfação. ¶
Agora, agradeço a meus irmãos por me terem dado este privilégio. Regozijo-me nos testemunhos que foram prestados. Amo meus irmãos e irmãs, e que Deus nos abençoe e una nossos corações, para que nos tornemos um em Cristo Jesus, é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶