Resolver as Dificuldades em Particular e Honrar o Sacerdócio
Matthias F. Cowley
Meus irmãos e irmãs, regozijo-me muito com os ensinamentos desta conferência, e com a maneira como o Presidente Smith tem sido guiado a conduzir a conferência. Gostaria de dizer aos Bispos que é um bom exemplo para vós seguirdes. É impossível que a obra do Senhor seja levada adiante pela inteligência do homem, ou por qualquer arranjo premeditado realizado de maneira mecânica. Assim como o Presidente da Igreja tem sido guiado a conduzir nossa conferência, também deveria cada Presidente de Estaca conduzir sua conferência de estaca, e cada Bispo conduzir sua conferência da ala, bem como suas reuniões em geral. Não quero dizer com isso que devais seguir isso em detalhe mecânico, mas que devais seguir os sussurros do Espírito Santo; pois é isso o que se tem feito durante esta conferência, como sem dúvida nas conferências do passado. Regozijamo-nos em ouvir os testemunhos de nossos irmãos que presidem sobre as Estacas. Regozijo-me em estar associado a homens como eles são; e se eu tivesse tanta certeza de minha salvação quanto tenho da salvação de homens como os que se apresentaram diante de nós esta tarde, ficaria sumamente satisfeito. São homens de Deus, e nós que vivemos nas Estacas de Sião deveríamos buscar conselho junto a estes homens, e não, quando temos dificuldades a resolver, recorrer sempre a um dos Doze Apóstolos, ou a um do Conselho presidente dos Setentas, quando estes estão na Estaca. Deveríamos resolver nossos problemas bem ali na Ala onde ocorrem, e deveria haver uma observância mais estrita da lei de Deus quanto ao ajuste das dificuldades. Onde há diferenças entre irmãos e irmãs, eles deveriam tentar resolvê-las da maneira indicada pelo Salvador — entre si mesmos, no espírito de oração; não com a determinação de mostrar quão errado está o irmão, mas, no Espírito do Senhor, buscar reconciliar-se com o irmão. Se isso não bastar, então chamem os Mestres da Ala, e deixem que ajam como pacificadores; pois bem-aventurados são os pacificadores. E quando os Mestres encontrarem uma dificuldade numa família, não lhes cabe contá-la a mais ninguém, nem divulgá-la pelas ruas. Deveriam guardar tais coisas com a máxima sacralidade. ¶
O Senhor estabeleceu Sua lei sobre este assunto, bem como sobre todos os outros assuntos que afetam o bem-estar da Igreja. Na Seção 42 do Livro de Doutrina e Convênios, está escrito: ¶
"E se teu irmão ou tua irmã te ofender, aparta-te com ele ou ela a sós; e se ele ou ela confessar, reconciliar-vos-eis." ¶
Isto é, não se deve insistir nisso nem falar a respeito depois que estiver resolvido. Todo homem deveria considerar-se comprometido em sua honra, depois de uma dificuldade resolvida, a não reavivá-la nem ressuscitá-la entre o povo de Deus, mas deixá-la resolvida para sempre. Quando os Mestres encontram dificuldades existentes em famílias que podem resolver sem as relatar ao Bispo, não é um dever aos olhos de Deus que o Bispo sequer saiba delas. De fato, não suponho que o Bispo queira saber das falhas do povo, se puderem ser corrigidas sem seu conhecimento. O Senhor estabeleceu a doutrina de que a confissão deve ser tão ampla quanto a ofensa. Se eu ofender meu irmão, devo reparar o mal com meu irmão; e é hipocrisia ir pedir o perdão de Deus antes de me reconciliar com meu irmão e fazer-lhe restituição. O Senhor diz: "Se alguém ofender publicamente, será repreendido publicamente, para que se envergonhe. E se não confessar, será entregue à lei de Deus. ¶
"Se alguém ofender em segredo, será repreendido em segredo, para que tenha oportunidade de confessar em segredo a quem quer que tenha ofendido e a Deus, para que a igreja não fale com reprovação a seu respeito." ¶
O objetivo é salvar as pessoas; tornar o mais fácil possível para que se arrependam e façam restituição por seu erro; não divulgar a história de sua má ação e criar um escândalo público, mas resolver o assunto de acordo com a lei de Deus. ¶
Em outra revelação, o Senhor diz: ¶
"sempre foi ordenado aos élderes da minha igreja, desde o princípio — e sempre o será — dirigirem todas as reuniões conforme inspirados e guiados pelo Santo Espírito." ¶
Esta é a lei de Deus para todo Bispo, para todo presidente de estaca, e para o presidente de todo quórum ou associação na Igreja. Devem ser guiados pelo Espírito Santo. Esta conferência tem sido sumamente interessante, porque tem sido conduzida pelo Espírito do Senhor por meio do homem que preside sobre nós nesta ocasião. Posso dizer que é a conferência mais interessante da Igreja a que já assisti. ¶
Outra coisa: O Senhor certamente colocou profetas e apóstolos, evangelistas, pastores e mestres na Igreja, como Paulo descreve, para a obra do ministério e para a edificação do corpo de Cristo; mas Ele colocou os Bispos e as autoridades das estacas na Igreja para o aperfeiçoamento dos Santos, tanto quanto os Apóstolos, ou o Conselho dos Setentas, ou o Bispado Presidente, ou a Presidência da Igreja, que estão à frente; e deveria haver um aprimoramento em todas as estacas quanto ao ajuste de todos os assuntos que afetam a salvação dos Santos de Deus nas respectivas estacas. Suponho que o Presidente da Igreja recebe alqueires de cartas escritas por homens e mulheres que, desconsiderando o Bispo e a presidência da estaca, passam por cima desses oficiais para apresentar seus casos ao Presidente ou para lhe fazer perguntas, algumas das quais do caráter mais tolo. Isso está totalmente errado. Desejo aconselhar os Santos dos Últimos Dias a resolver estas questões em casa, tanto quanto possível. Quando o Sacerdócio de Deus é confiado pelo povo, haverá uma medida maior do Espírito do Senhor acompanhando os ministérios de nossos Bispos e presidentes de estaca por toda a Igreja. Não creio que a Presidência da Igreja esteja sob nenhuma obrigação de fazer aquilo que deveria ser feito pela autoridade local, e não sei se têm alguma promessa de serem abençoados pelo Senhor ao fazer trabalho que deveria ser feito pelos Bispos e presidentes de estacas. Estou impressionado com isso, porque tenho sido perguntado, em várias estacas de Sião, muitas questões que poderiam ser facilmente respondidas pelo Bispo da ala, e tenho sido chamado a resolver dificuldades que deveriam ser facilmente resolvidas bem ali em casa. Os Santos dos Últimos Dias deveriam compreender isso e sentir a responsabilidade disso. O Sacerdócio de Deus é a representação de Deus, por assim dizer, na terra. Não é a individualidade pessoal do homem que honramos, mas a autoridade de Deus que ele detém. Deus estabeleceu Sua obra sobre a terra, e designou homens para serem os recipientes de Sua santa vontade e, por meio de sua administração, expressar essa vontade aos Santos dos Últimos Dias. O Salvador disse a Seus discípulos: "Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem vos despreza, a mim me despreza; e quem a mim me despreza, despreza aquele que me enviou." Quando este princípio for compreendido e devidamente posto em prática, haverá mais do poder de Deus no meio dos Santos dos Últimos Dias, haverá um laço de união mais forte entre eles, e haverá uma obra maior e mais eficaz realizada por todas as estacas e alas pelo Sacerdócio local. Desejo dizer a todo homem na Igreja, jovem e idoso, que o maior desejo de seu coração deveria ser honrar o cargo no Sacerdócio que ele possui, e não ter constantemente em mente a grandeza do chamado de outra pessoa. É toda a autoridade de Deus, o único Sacerdócio, e não pode ser separado. O Sumo Sacerdote detém o Sacerdócio de Melquisedeque; o Setenta detém o mesmo, assim como o Apóstolo, e ele tem direito ao poder de Deus em seus ministérios entre o povo. Ouvi o Presidente Woodruff dizer muitas vezes que nunca desfrutou tanto do Espírito de Deus como quando era Sacerdote, pregando o Evangelho, creio eu, no Arkansas. Foi o mesmo com João Batista, e com Filipe; eles desfrutaram do espírito e do poder do Deus Todo-Poderoso, e, no entanto, oficiavam no Sacerdócio Menor. Temos direito à mesma bênção, se vivermos por ela. Penso que seria bom se todo Bispo reunisse todo o Sacerdócio em sua Ala, e selecionasse, entre os Sumos Sacerdotes, os Setentas e os Élderes, homens suficientes para atuar na capacidade de Sacerdotes. Tenho perguntado, nas Estacas de Sião por onde tenho viajado, a respeito de um quórum de Sacerdotes, e encontrei muito poucos. Contudo, o Senhor estabeleceu isso como um dos ofícios do Sacerdócio Menor, e declarou especificamente que eles são os ministros do Evangelho para o povo. ¶
Tivemos instruções aqui ontem à noite, dadas pelo Presidente Smith, a respeito de nossa responsabilidade para com as autoridades das Alas e Estacas. Fui ensinado nesta doutrina toda a minha vida. Nasci e me criei no mesmo quarteirão que o Irmão Frank Y. Taylor e o Irmão John W. Taylor, e eu costumava atuar na função de Mestre na casa do Presidente John Taylor. Não era muito bem qualificado, é verdade. Creio que a única qualificação que eu tinha era um espírito disposto e um coração obediente; mas o Senhor me abençoou em meus trabalhos. Sempre que entrávamos na casa do Presidente Taylor como Mestres, ele deixava de lado todas as outras coisas que exigiam sua atenção, e reunia sua família, sentava-se conosco, e ouvia o que tínhamos a dizer. Em certa ocasião, um jovem, a quem se pediu que questionasse o Presidente Taylor a respeito do cumprimento de seus deveres como membro da Igreja, disse que não queria. Por quê? Porque, disse ele, é um homem tão melhor e maior do que nós. O Presidente Taylor lhe disse que era seu dever questioná-lo. "Por quê", disse o jovem, "não creio que ocuparíeis o cargo que ocupais se não cumprísseis vosso dever como membro da Igreja." O Presidente respondeu: "É vosso dever descobrir se cumpro ou não meu dever como membro; se ensino a meus filhos os princípios do Evangelho, e pago meu dízimo, e atendo à minha família e às minhas orações secretas." ¶
Quanto mais os homens conhecem o Sacerdócio de Deus, mais o respeitam. Digo ao povo: buscai o Sacerdócio de Deus, e deixai de lado feiticeiros, necromantes, hipnotizadores, espiritualistas e todas essas coisas; pois dentro da Igreja de Deus há tudo o que é suficiente para nossa salvação nesta vida e nossa exaltação na vida futura. Deus vos abençoe. Amém. ¶