A Responsabilidade dos Talentos e o Uso e Abuso da Riqueza
Rulon S. Wells
Meus irmãos e minhas irmãs, confio que possa desfrutar do Espírito do Senhor enquanto estiver diante de vós esta manhã. Sinto-me regozijado pelo privilégio que tenho de dar meu testemunho diante de uma congregação tão grande; desejo endossar de todo o coração os comentários feitos por meus irmãos que me precederam. Regozijo-me no progresso que se tem feito na obra do Senhor, no crescimento de Sião e na extensão de suas fronteiras. Regozijo-me no avanço que está sendo feito pelo povo de Deus. ¶
Enquanto os irmãos falavam esta manhã sobre a responsabilidade dos Setenta de serem testemunhas especiais de nosso Senhor nas nações da terra, pensei que grande coisa seria se todo o povo, e particularmente todos os que possuem o Sacerdócio, apenas percebessem a responsabilidade que recai sobre eles como indivíduos, e se cada homem sentisse que ele, por sua parte, estava decidido a desincumbir-se dessa responsabilidade. Quando um homem é ordenado ao Sacerdócio, não importa a qual ofício, com essa ordenação vem uma responsabilidade; e seria melhor para ele que nunca tivesse recebido tal ordenação, a menos que magnifique o chamado para o qual foi chamado. Se um homem é abençoado com riqueza e com os bens deste mundo, com isso vem uma responsabilidade; e seria melhor para ele ter permanecido na pobreza todos os seus dias do que possuir riquezas e não prestar contas adequadas de sua mordomia. Todo homem que foi dotado de um dom, seja o dom da inteligência, o dom da oratória, o dom do canto, ou qualquer outro dom, com essa investidura vem uma responsabilidade, e ele será responsabilizado por cada dom e talento que lhe foi colocado ao alcance. E a quem muito é dado, muito será exigido. Ao visitar uma das alas não muito distante de Salt Lake City, ouvi falar de um rapaz que fora designado mestre em um dos quarteirões, e ele estava se queixando. Disse que não podia se dar ao luxo de sair a ensinar todos os meses, porque cada vez que ia lhe custava $1,50. Pensei então como aquele homem apreciava tão pouco a responsabilidade que lhe fora confiada. Ele de fato lamentava $1,50 de seu tempo em magnificar o Sacerdócio ao qual havia sido ordenado pela autoridade de nosso Pai celestial. Deveria haver em todo homem um ardente desejo de cumprir as obrigações que lhe são impostas. Todo homem deveria procurar desfrutar do espírito de seu chamado. Se for Setenta, deveria desfrutar do espírito missionário. Se for mestre, deveria desfrutar do espírito de sair entre o povo e ensinar-lhe seus deveres, e zelar para que não haja iniquidade na Igreja. Certa vez, um rapaz estava sendo interrogado sobre estar em condições de cumprir uma missão estrangeira, e disse aos irmãos que faziam a investigação que estava endividado, e por essa razão foi dispensado por ora. Ao sair, o rapaz fez o seguinte comentário: "Escapei muito bem dessa. Disse aos irmãos que estava endividado; e, além disso, pretendo estar sempre endividado." Tenho a satisfação de dizer que há apenas poucos casos deste tipo, mas este era um rapaz que possuía o Sacerdócio de Setenta e não desfrutava do espírito de seu chamado. Quero dizer que seria melhor para ele, a menos que se arrependa desse sentimento, que lhe pendurassem ao pescoço uma pedra de moinho e o afundassem no fundo do mar. Todo homem que foi chamado como Setenta deveria desfrutar do espírito de missionário. Pode ser que não seja chamado no momento presente para ir às nações. Não precisa ir pedir uma designação no campo missionário. Mas deveria haver em seu coração um desejo de levantar a voz e clamar arrependimento a esta geração. Se não tem esse sentimento no coração, não desfruta do espírito de seu chamado. Não devíamos alegrar-nos por escapar da oportunidade de ir ao mundo proclamar a mensagem do evangelho àqueles que não conhecem a Deus. ¶
Se me perguntassem o que é que desperta nos homens e nas mulheres a maior quantidade de energia, e que provoca toda esta atividade que vemos no mundo, minha resposta seria: é o dinheiro. Homens e mulheres lutam pelas riquezas deste mundo. Trabalham de manhã cedo até tarde da noite, desgastam seus corpos, na tentativa de obter dinheiro. E não somente farão isso, mas mentirão, trapacearão, roubarão, matarão por dinheiro! É o desejo de riquezas que hoje desperta a maior quantidade de energia dos homens e das mulheres no mundo. Mas entre os Santos dos Últimos Dias, aquilo que deveria despertar as melhores forças de vida que temos, a maior quantidade de energia e atividade, é fazer a vontade do Pai. Certa vez, um missionário, filho de um homem rico, disse-me: "Irmão Wells, a Bíblia diz que o dinheiro é a raiz de todos os males, mas dê-me um pouco dessa raiz." Conversei com o jovem por alguns instantes, e contradisse a afirmação. Disse-lhe que o dinheiro não era a raiz de todos os males, e que a Bíblia não dizia isso; que o dinheiro é uma grande bênção, quando as pessoas sabem utilizá-lo, e pode ser feito o meio de realizar um grande bem. Templos podem ser erguidos para a adoração do Altíssimo, edifícios como este Tabernáculo podem ser construídos, os pobres podem ser alimentados, e o sofrimento pode ser aliviado, mediante o emprego do dinheiro. O próprio dinheiro, eu disse, era uma bênção nas mãos daqueles que sabiam usá-lo. A Bíblia não dizia que o dinheiro era a raiz de todos os males, mas dizia que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Quando os homens entregam seus corações ao ouro, e adoram a Mamom em vez de a Deus, é então que ele se torna a raiz de todos os males, e desvia homens e mulheres dos caminhos da verdade e da retidão para os caminhos do mal. ¶
Que o Senhor abençoe os Santos dos Últimos Dias; que Ele nos encha de ambição para magnificarmos nossos chamados e nos desincumbirmos da responsabilidade que sobre nós recai. Se formos ricos, que Ele ponha em nossos corações fazer algo pelo progresso de Sua obra aqui na terra e pelo estabelecimento do reino de Deus. Que Ele encha nossos corações do desejo de que, quando deixarmos esta esfera de ação, não deixemos imensas fortunas sobre as quais nossas famílias venham a apostatar, mas que Ele ponha nos corações de nossos irmãos e irmãs mais abastados o desejo de dotar as instituições de Sião. Que Deus nos abençoe. Amém. ¶