Discurso de Abertura: Males a Serem Corrigidos
Joseph F. Smith
Meus amados irmãos e irmãs, saudamo-vos nesta manhã, na abertura desta Septuagésima Segunda Conferência Semestral, com calorosas boas-vindas—Alegramo-nos de ver tantos presentes, e sinceramente esperamos que todos tenhamos uma temporada de regozijo e de despertar e fortalecimento de nossa fé e boas determinações. ¶
Lamento ter de dizer que o Presidente Snow sofre de um forte resfriado, e, por causa do tempo inclemente desta manhã, julga prudente não se arriscar a sair; mas, quando o tempo estiver mais agradável — possivelmente esta tarde — todos nos regozijaremos de vê-lo presente conosco—Não há nada de sério com ele, até onde sabemos; mas todos desejamos que ele se cuide, para preservar sua vida por tanto tempo quanto for possível e agradável à vista do Senhor que permaneça conosco. ¶
Há muitos assuntos de importância sobre os quais se poderá discorrer durante nossa conferência, e esperamos que o Espírito do Senhor guie os Apóstolos e outros que possam falar-nos, para que profiram palavras que sejam alimento no tempo apropriado, e para que todos recebamos a instrução, o encorajamento, o conselho e a admoestação que sejam próprios e necessários. ¶
Notamos que há alguns males que parecem estar aumentando um pouco na terra, e desejamos fazer um esforço, na medida em que estiver ao nosso alcance, com a ajuda do Senhor, contra a existência e o aumento dos males entre os Santos dos Últimos Dias—Um destes males é uma tendência crescente, especialmente da parte de nossa juventude, de dar pouca atenção à observância do dia de Sabá, quando não a ignorar de todo—O Sabá é um dia de descanso e de adoração, designado e separado por mandamento especial do Senhor à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e deveríamos honrá-lo e guardá-lo santo—Deveríamos também ensinar este princípio a nossos filhos. ¶
Outro mal de que ouvimos falar com demasiada frequência é a tendência, não somente entre a juventude de Sião, mas também entre os de mais idade, de tomar o nome do Senhor em vão e entregar-se a expressões e epítetos profanos que são contrários à lei de Deus, e que são inteiramente inconsistentes e incompatíveis com a profissão de membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias—Eis que o nome do Senhor é santo, e Deus não terá por inocente aquele que tomar Seu nome em vão—Deveríamos erradicar a profanidade e a vulgaridade, e tudo o que for desse caráter que exista entre nós; pois todas essas coisas são incompatíveis com o evangelho e inconsistentes no povo de Deus. ¶
O uso do tabaco em suas várias formas e, em certa medida, de bebidas fortes, também é lamentável e deplorável, especialmente entre a juventude, e este mal deveria ser erradicado. ¶
O povo de Deus deveria endurecer seu rosto como pederneira contra estas práticas, e deveria zelar para que seus filhos fossem melhor instruídos, e para que um exemplo melhor lhes fosse dado pelos pais, a fim de que os filhos possam crescer sem pecado nestas coisas. ¶
Há também uma tendência entre a juventude, e, lamento dizer, entre alguns dos mais velhos, de demonstrar pouco respeito pela sacralidade do santo Sacerdócio—O que quero dizer com o santo Sacerdócio é aquela autoridade que Deus delegou ao homem, pela qual ele pode falar a vontade de Deus como se os anjos aqui estivessem para falá-la eles mesmos; pela qual os homens são investidos de poder para ligar na terra e será ligado no céu, e para desligar na terra e será desligado no céu; pela qual as palavras dos homens, proferidas no exercício daquele poder, se tornam a palavra do Senhor, a lei de Deus para o povo, escritura, e mandamentos divinos—Não é, portanto, bom que os Santos dos Últimos Dias e os filhos dos Santos dos Últimos Dias tratem levianamente este sagrado princípio de autoridade que foi revelado dos céus na dispensação em que vivemos—É a autoridade pela qual o Senhor Todo-Poderoso governa Seu povo, e pela qual, no tempo vindouro, Ele governará as nações do mundo—É sagrada, e deve ser mantida sagrada pelo povo—Deveria ser honrada e respeitada por eles, em quem quer que seja possuída, e sobre quem quer que se coloque responsabilidade na Igreja—Os jovens e as moças e o povo em geral deveriam honrar este princípio e reconhecê-lo como algo sagrado, que não se pode tratar levianamente nem mencionar de ânimo leve com impunidade—O desrespeito a esta autoridade conduz às trevas e à apostasia, e à separação de todos os direitos e privilégios da casa de Deus; pois é em virtude desta autoridade que as ordenanças do evangelho são realizadas por todo o mundo e em todo lugar sagrado, e sem ela não podem ser realizadas—Também aqueles que possuem esta autoridade deveriam honrá-la em si mesmos—Deveriam viver de tal maneira a serem dignos da autoridade neles investida, e dignos dos dons que lhes foram concedidos. ¶
Novamente, não desejamos encorajar a dispersão de nosso povo para lugares distantes, separando-se e afastando-se dos Santos e das organizações da Igreja—Notamos uma tendência da parte de alguns, que estão inquietos e descontentes, de vender seus lares a quem quer que os compre e mudar-se para a Califórnia ou para algum país distante, onde talvez comprem um rancho ou se estabeleçam em terras públicas, e assim se cortem de todos os benefícios das organizações da Igreja — das reuniões de Sabá, das Escolas Dominicais, das reuniões de quórum, das Associações de Melhoramento, das Associações Primárias, etc—Quando as pessoas se tornam insatisfeitas com seus lares e desejam mudar-se, sugeríamos que se aconselhassem com algumas das autoridades da Igreja—Que os irmãos dirigentes ajudem os jovens que buscam novos lares, e dirijam seu curso de modo que possam se estabelecer, tanto quanto possível, em alas ou ramos onde possam desfrutar dos benefícios e bênçãos do evangelho, e para que seus filhos não cresçam alheios a eles e distanciados da causa de Sião—Estamos numa posição em que podemos ver adiante, em certos aspectos, e somos capazes de aconselhar e orientar nossos irmãos para seu maior bem—Não queremos que prevaleça, entre nosso povo, o sentimento de que todo homem é independente e livre para se mudar e ir quando e para onde lhe apraz, sem consulta, porque isso tenderia a desintegrar, a desmembrar, a destruir a associação, e a dispersar—O evangelho que recebemos ensina o ajuntamento—Esta é uma dispensação de ajuntamento, e não estamos aqui para dispersar, senão na medida em que Deus assim dirigir por meio de Seus servos—Quando o Senhor nos mover a fundar uma colônia ou a estabelecer um povoado em algum lugar distante, então será correto que aqueles do povo que assim puderem se reúnam ali, sob o conselho e a direção do Sacerdócio, e formem povoados ou colônias, estritamente de acordo com o plano revelado nesta dispensação para o estabelecimento de Sião e para a disseminação desta obra na terra—Não pretendemos fazer chamado geral algum ao povo para que se mude para cá ou para lá, nem para que desfaça suas comunidades; mas antes que se concentre e fortaleça as mãos umas das outras, para que possamos nos tornar fortes na terra—Ao nos desmembrarmos e dispersarmos, enfraquecemo-nos, destruímos nossa influência, e nos tornamos como o restante do mundo—Isto não convém—É contrário ao princípio do ajuntamento que o Senhor revelou por meio de Seu servo Joseph, o Profeta—Contudo, vejo claramente manifesta a mão de Deus na formação de nossas colônias ao sul e ao norte, no leste e no oeste—Onde quer que esta colonização tenha sido dirigida e aconselhada pela autoridade do santo Sacerdócio, tem sido estritamente de acordo com a mente e a vontade do Senhor e em cumprimento das predições dos Profetas—Se emigrarmos para alguma parte distante do país, deveríamos fazê-lo com disciplina apropriada, sob direção, com ação concertada, e com perfeito entendimento entre nós — sem que cada homem se torne lei para si mesmo. ¶
Irmãos e irmãs, não desejo prolongar minhas observações, mas estes são alguns assuntos sobre os quais os irmãos do Sacerdócio poderão discorrer durante a conferência, se forem guiados a fazê-lo pelo Espírito do Senhor—Estes, juntamente com a continuação da fidelidade em observar a Palavra de Sabedoria, em obedecer à lei do dízimo, à lei da castidade, promovendo a pureza de vida, e todas as outras coisas boas que pertencem ao nosso progresso, desenvolvimento e permanência na terra, são assuntos dignos de serem discorridos por aqueles que possuem a autoridade do Sacerdócio e são chamados a falar ao povo que vem participar desta conferência—Que Deus abençoe os oradores, e todo o povo; e que a paz permaneça em vossa alma, e o Espírito de Deus vos acompanhe em todos os trabalhos de vossa vida, é minha oração, em nome de Jesus—Amém. ¶