Uma Profecia do Livro de Mórmon e a Oposição Futura
B. H. Roberts
Irmãos e irmãs, abri o Livro de Mórmon, com a intenção de ler-vos uma profecia contida naquele livro, que a declaração da força numérica da Igreja trouxe à minha lembrança—O Profeta Néfi, tendo sido abençoado com uma visão do que haveria de suceder na terra quando este registro dos nefitas viesse a surgir, disse: ¶
"E agora desejo profetizar alguma coisa mais sobre os judeus e os gentios—Porque depois que o livro do qual falei [referindo-se a este registro nefita] for revelado e for escrito para os gentios e selado novamente para o Senhor, muitos acreditarão nas palavras que estão escritas; e eles levá-las-ão aos remanescentes de nossa semente." ¶
Ocorreu-me, visto que um dos aspectos desta conferência tem sido a contemplação de nosso crescimento, tal como demonstrado por nossa força numérica, que seria bom chamar a atenção dos Santos, e especialmente de nossa juventude, para o fato de que estes números que agora se podem citar, mostrando a grandeza deste povo que creu no Livro de Mórmon, constituem um fato que prova a inspiração da profecia contida nas páginas deste Livro de Mórmon—Ainda que se admita, por um momento, a teoria do mundo a respeito da origem do Livro de Mórmon — a saber, que teve origem ou com Joseph Smith ou com Sidney Rigdon — aqui, ao menos, está uma predição feita e registrada, e existente, quando o Profeta Joseph Smith estava praticamente sozinho, caçado e perseguido, obrigado a deixar a casa de seu pai e ir quase entre estranhos, onde pudesse, em certa paz, prosseguir a obra de traduzir o Livro de Mórmon — sozinho e sem amigos, ousou registrar esta predição de que muitos ainda haveriam de crer nas palavras deste livro—O fato de que, nas missões da Igreja, e nas estacas de Sião, podemos dizer que há agora 310.000 pessoas vivas que creem neste registro, é um cumprimento daquela profecia que deve ser extremamente desconcertante para aqueles que se recusam a aceitar o Livro de Mórmon como registro divino, e têm de explicar o cumprimento desta predição por outros motivos. ¶
Mas este número de 310.000 mal começa a contar a história—Deveis acrescentar a este número, hoje vivo, todos os fiéis que já faleceram—Não sei quantos possam ser, mas certamente dezenas de milhares morreram na fé absoluta da divindade do Livro de Mórmon e da obra de Deus que dele resultou—Deveis acrescentar também o número daqueles que o aceitaram e se afastaram da Igreja; e a estes deveis acrescentar aqueles que creem no Livro de Mórmon, mas que, em consequência do temor de perder seu bom nome e posição entre os homens, se recebessem a mensagem que ele traz, não tiveram a coragem de expressar a crença que há neles quanto à divindade do Livro de Mórmon—E agora, se ao número atual de membros da Igreja acrescentardes o número daqueles que já morreram; e daqueles que caminharam conosco por uma temporada e depois voltaram aos rudimentares elementos do mundo; e daqueles que creem na obra, mas têm medo dos homens e não fariam o sacrifício necessário para se tornarem membros da Igreja; se acrescentardes tudo isso junto, verdadeiramente esta profecia de que "muitos" hão de crer neste registro, o Livro de Mórmon, está abundantemente cumprida diante de vós neste dia—Mas dificilmente é apropriado dizer que todos aqueles que, em diferentes ocasiões, se afastaram da Igreja se tornaram absolutamente apóstatas em seu espírito—Deveis fazer alguma concessão à fraqueza dos homens—Nem todos os homens são capazes de perseverar até o fim, e, contudo, a crença na divindade desta obra não os deixou de todo—Lembro-me de certos fatos que caíram sob minha própria observação e que me levaram a sentir alguma caridade por aqueles que nem sempre foram fortes o bastante para suportar as provações particulares que lhes sobrevieram—Há alguns anos, emigramos muitas pessoas dos Estados do Sul—Trouxemo-las daqueles climas quentes e terras baixas, e colocamo-las num vale extremamente alto, onde tudo era contrário a seus costumes, e onde foram incapazes de se adaptar às condições em que foram mergulhadas—Sua fé não era bem à altura da tarefa de suportar a mudança de clima e de métodos industriais, e o resultado disso foi que muitos delas voltaram para o Sul; mas todos os que assim caíram à beira do caminho, por não terem sido capazes de suportar aquelas condições, ainda assim guardaram algo da centelha de fé em seu coração, e, com um pouco de cuidado, e alimento, e paciência, em alguns casos fomos capazes de conduzi-los de volta ao rebanho de Cristo—E, como foi em seu caso, assim, suponho, tem sido em outros casos—Quando os Santos foram expulsos do condado de Jackson, no Missouri, alguns deles não foram com o corpo dos Santos, mas se dispersaram entre o povo—Não estavam à altura daquela provação—Quando o êxodo do Estado do Missouri foi imposto à Igreja, nem todos estavam à altura dos sacrifícios então exigidos, e ficaram para trás—Quando ocorreu o êxodo de Nauvoo, houve algumas centenas, talvez milhares, que não foram capazes de enfrentar a marcha pelo deserto e arriscar-se com o povo de Deus—Eram fracos na fé — é preciso dizer isso deles; e sem dúvida não serão contados entre os que serão considerados valorosos pelo testemunho de Jesus—Mas o espírito de apostasia iníqua não entrou no coração de todos aqueles que, assim, nestas várias provações, careceram da força para acompanhar a vanguarda da Igreja em todos os seus movimentos—De tempos em tempos, a fraqueza se apoderou daqueles que puseram a mão no arado, e alguns olharam para trás; mas penso que dificilmente é correto contar todos os que assim caíram à beira do caminho como apóstatas da Igreja de Deus; porque encontrareis alguma da luz do Espírito de Deus ainda ardendo em seu coração, algum amor pela obra, e deveríamos ter uma palavra de bondade e encorajamento para aqueles que possam estar nestas circunstâncias. ¶
Há outra ideia que me veio à mente enquanto escutava os irmãos, que pensei em expressar se fosse chamado, nesta conferência, a fazer algumas observações, e é esta: O Senhor dá a Seu povo períodos de descanso da pressão externa—Creio que estes períodos de descanso da perseguição, embora estejam cheios de perigo, também podem ser tornados muito proveitosos para o povo—Dão-nos a oportunidade de cravar as raízes de nossa fé ainda mais fundo no solo da alma, de modo que, quando as tempestades novamente nos assaltarem, estejamos mais firmemente enraizados e menos suscetíveis de sermos abalados do que antes de nossa fé tomar aquela raiz mais profunda—E as tempestades externas virão—Não passamos por todos os ventos que hão de bater contra nossa casa, nem por todas as inundações que nos hão de assaltar—Pretextos serão encontrados por nossos inimigos para atacar a Igreja de Cristo—A Igreja, embora tenha crescido às proporções mencionadas nesta conferência, ainda é a Igreja militante, e ainda não a Igreja triunfante—Nem podemos esperar que seja inteiramente triunfante até que nosso Rei venha e o Reino de nosso Deus se estabeleça na terra, e reine Aquele a quem pertence o direito de reinar—Somente quando a lei sair de Sião e a palavra do Senhor de Jerusalém poderemos esperar ter aquele descanso que é prometido ao povo de Deus—Assim, por mais pacíficas que estejam as coisas conosco agora, tomo-vos por testemunhas hoje de que haverá renovação de tempestades, e o adversário desta obra não há de carecer de pretextos para atacar o povo de Deus—Mas, por ora, estamos em descanso, e temos abundante prosperidade—Aproveitemos, portanto, este período de descanso, e zelemos para fortalecer a fé da juventude que cresce em nosso meio; para que, quando vierem as tempestades que hão de enfrentar, estejam enraizados e fundamentados na fé e sejam capazes de seguir os passos de seus fiéis pais e mães em Israel—É isso o que desejo ver realizado—Pensei que talvez se pudesse dizer uma palavra com alguma vantagem ao ministério doméstico — aos Élderes em Israel que são chamados a dirigir-se aos Santos e ensiná-los de sábado a sábado—E direi uma palavra aos Setentas, pelo menos, que, em muitas das estacas de Sião, são chamados pela Presidência da Estaca a realizar grande parte do trabalho missionário local—Aos Setentas, então, que assim são chamados a trabalhar na Igreja, e a quem, penso, em conexão com meus colegas Presidentes, tenho especial direito de dirigir uma palavra de conselho e orientação — a eles digo: Lembrai-vos da admoestação que o Senhor Jesus Cristo deu a Seu servo Pedro, quando estava prestes a deixar os Doze, e tendo colocado sobre seus ombros a responsabilidade de estender o conhecimento do evangelho às nações da terra, disse a Pedro: ¶
"Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe ele: Apascenta os meus cordeiros. ¶
"Tornou a dizer-lhe uma segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe ele: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe ele: Apascenta as minhas ovelhas. ¶
"Disse-lhe uma terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito uma terceira vez: Amas-me? e disse-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas." ¶
Assim digo eu aos Setentas empenhados como missionários locais—Se amais a obra, se amais o Senhor Jesus Cristo, então alimentai aqueles a quem sois chamados a ministrar—Alimentai-os com o pão da vida—Regozijo-me, de certa forma, no pensamento de estar em contato próximo com a juventude da Igreja, e quero contar-vos uma das queixas que fazem contra nós — uma das coisas de que se queixam quando são instados a comparecer às reuniões de Sabá — alegam a secura, a aspereza, a infrutuosidade, a falta de alimento espiritual ou intelectual que recebem quando vão à casa do Senhor—E, se é necessário admoestar o povo a comparecer ao serviço do Senhor, é também necessário admoestar o ministério da Igreja de que, quando o povo de fato se reúne, deveria ser alimentado com o pão da vida—É boa coisa tirar um pouco de tempo dos assuntos mundanos e considerar as coisas de Deus, e ter alimento em Sua casa quando Seu povo se reunir. ¶
Ora, tendo dito tanto aos Setentas, e não tomando sobre mim dirigir aquele conselho a mais ninguém, permiti-me dar também uma palavra de conselho ao povo de Deus; pois há dois lados neste assunto—Não importa quão monótono ou seco possa ser o discurso do púlpito, ainda há propósitos a serem servidos na reunião do povo, que deveriam chamar os fiéis Santos dos Últimos Dias à adoração—É verdade que comparecemos ao culto divino para receber admoestação; é verdade que vamos para receber instrução, e para sermos edificados pela palavra que se pregar; mas vamos também por outros propósitos, e até mais elevados do que estes—Deveria lembrar-se em nosso coração que vamos à casa do Senhor com o propósito, primariamente, de honrar e adorar o Senhor, quer os homens saibam pregar sermões intelectuais ou proferir admoestações comovedoras, quer não—Vamos para adorar o Senhor, para honrá-Lo, e para obter vida espiritual, participando dos emblemas do corpo e do sangue do Senhor Jesus Cristo—Então, se vier admoestação e instrução, tanto melhor—Mas, mesmo que houvesse ausência completa de instrução apropriada (o que, naturalmente, não há), ainda assim deveria considerar-se parte nossa reunirmo-nos e honrarmos o Senhor—Lembrai-vos também disto, que todos os pregadores têm algo de bom; e, se por acaso alguns de vez em quando carecerem de bom senso, então Deus toma um texto e vos prega paciência—E agora, se puder haver aqui uma aproximação; se, por um lado, o ministério puder ser mais frutífero, puder fornecer ao povo um suprimento mais rico de alimento espiritual; e, por outro lado, se os Santos se lembrarem de que o propósito primário de ir à casa do Senhor é a adoração pura e santa — haverá, como resultado, mais satisfação em nossas reuniões religiosas públicas—Que o Senhor vos abençoe—Amém. ¶
O coro cantou: ¶
Salve a Claridade da Alegre Manhã de Sião; Alegria às terras que em trevas jazeram. ¶