O Cuidado Apropriado com os Filhos
Marriner W. Merrill
Já ouvi dizer que valia a pena para muitas pessoas virem à conferência só para ouvir o canto—Mas muitas outras coisas são tratadas na conferência geral que suprem muitas necessidades e respondem a muitas perguntas entre os Santos—Estamos aqui para o aperfeiçoamento mútuo e para instruções que se aplicarão a nós quando voltarmos para casa—Não tenho dúvida de que, se os Santos dos Últimos Dias em toda a Igreja estivessem plenamente em dia com seus deveres, teríamos condições superiores às atuais—Há um relaxamento da parte de muitos dos Santos dos Últimos Dias—Creio, porém, que os Santos estão melhorando—Ainda assim, há espaço para mais progresso nos assuntos de nossas vidas—Temos uma organização nesta Igreja que o Senhor nos deu—Não foi instituída pelo homem, mas pela inspiração do Espírito Santo—Esta organização tem ¶
se multiplicado um pouco nos últimos anos, e sem dúvida se multiplicará ainda mais no futuro, à medida que avançarmos e nos familiarizarmos melhor com o evangelho—Há muitíssimos de nossos jovens nascidos e criados nestas montanhas que necessitam de nosso cuidado e atenção, assim como do cuidado e atenção de seus pais ¶
Já pensei, algumas vezes, que muitos pais e mães não dão a seus filhos a atenção que deveriam—Eles os entregam às organizações da Igreja; em primeiro lugar, à Primária, e depois a outras associações, à medida que crescem; e os negligenciam em casa—Já ouvi rapazes dizerem que seus pais nunca lhes pediram para orar em família, e já ouvi moças dizerem o mesmo—Isto mostra uma falta de atenção da parte dos pais—Estou bastante convencido de que muitas das organizações da Igreja são negligenciadas—Tomemos, por exemplo, o quórum de mestres—Espera-se que toda ala da Igreja tenha homens eficientes para trabalhar como mestres entre o povo—Creio que esta importante organização na ala é, em muitos casos, materialmente negligenciada—Se os deveres dos mestres fossem cumpridos como o Senhor determinou que deveriam ser, veríamos uma melhora notável no meio do povo—Estes mestres não se limitam às coisas espirituais—Podem falar e aconselhar também sobre as coisas temporais—Em muitos casos, porém, as visitas dos mestres são feitas às pressas, enquanto em outros são adiadas—Se o mestre deve visitar uma vez por mês, ele adia até o último dia antes de o Bispo exigir seu relatório, e então ele se apressa e não dedica o tempo que deveria dedicar—Sei do que falo a este respeito, porque nos primeiros dias fui treinado sob o Irmão Jedediah M. Grant—Quando os mestres do distrito em que ele trabalhava cumpriam todos o seu dever, isso se chamava uma reforma—Tivemos uma verdadeira reforma em toda a Igreja naquela época—Lembro-me muito distintamente de que, na ala onde eu morava, o Irmão Grant, certa ocasião, chamou todos os mestres à tribuna—Reunimo-nos no coreto ao ar livre, e havia uma tábua de cerca de cinco metros de comprimento, colocada sobre alguns postes para servir de tribuna—Éramos doze ¶
da ala, e tivemos de ficar em pé ali, em fila—Ele queria que todos orássemos, cada um por sua vez, começando pela direita e indo até a esquerda—Alguém perguntou depois ao Irmão Grant por que fazia aquilo, e ele respondeu que queria ver se aqueles jovens tinham o espírito de oração, para que pudesse julgar se oravam nos lares dos Santos—Eu era ainda bem menino naquela época, e quando chegou minha vez, hesitei por um instante—O Irmão Grant estava, por acaso, ajoelhado bem atrás de mim, e ele se virou, agarrou-me a perna com a mão e disse: "Agora, ora" Bem, isso quase me tirou toda a vontade de orar—Mas foi uma lição objetiva, e uma que muito me proveitou—Quantos dos mestres que entram em vossos lares reúnem a família e oram com ela, ou pedem que alguém da família ore? Duvido que isso seja muito rigorosamente observado—Ora, é dever do mestre falar sobre todos os assuntos de interesse para os Santos, relacionados com o reino de Deus—É de sua competência indagar da família se paga seus dízimos e ofertas, para que os pobres sejam sustentados e as mãos do Bispo sejam apoiadas—Ao visitar as congregações dos Santos, é muito raro ouvir um élder orar pelo Bispo, ou por seus conselheiros, ou pelos mestres—Os mestres não precisam discutir as condições do tempo, pois isso não faz parte de seu dever—Devem entrar nas casas dos Santos desfrutando do Espírito do Senhor, para que tenham um refrigério do Senhor com aquela família—Eles vão ali para abençoar a família e fazer-lhe o bem, e para fazê-lo com êxito devem concentrar suas mentes no objetivo de seu trabalho no meio do povo—Por estes meios os Santos são instruídos em seus lares—Quando encontramos inválidos nos lares dos Santos que não podem comparecer às reuniões do povo, podemos confortá-los e abençoá-los—Se isto fosse cumprido como o Senhor o determinou, o povo se tornaria cada vez mais unido, e estaria decidido a cumprir seu dever de pagar dízimos e ofertas e de comparecer às suas reuniões—Se os mestres cumprissem ¶
seu dever em cada ala, o povo sentiria que deveria ir às reuniões—Já ouvi pessoas dizerem: "Não vemos um mestre em nossa casa há um ano," ou há seis meses, conforme o caso—Isto não é como o Senhor o determinou, e recai certa responsabilidade sobre os presidentes de estaca e seus conselheiros a este respeito—O Senhor deu uma revelação ao Presidente Taylor, em seu tempo, sobre este assunto—Não importa quão isolados vivam os Santos, eles pertencem à ala de alguém, e devem ser procurados, ainda que leve dois ou três dias para encontrá-los—Lembro-me de quando o Irmão Preston era presidente da Estaca Cache e eu era um de seus conselheiros; levamos exatamente um mês para percorrer a estaca e visitar os Santos, e mesmo assim não conseguimos chegar a todas as alas—A estaca, naquela época, estendia-se de Logan até a linha de Montana—As estacas agora são menores, e estão ao alcance de todo presidente—As alas estão ao alcance de todo bispo, e os mestres podem encontrar o povo, se assim o desejarem—Os bispos e presidentes de estaca deveriam ser despertados para a importância deste assunto, porque, quando o povo é negligenciado, a Igreja é negligenciada, os pobres são negligenciados, os dízimos e ofertas são negligenciados—Portanto, não podemos, como oficiais da Igreja, permitir-nos negligenciar nosso dever—Se o fizermos, o Senhor nos exigirá contas por isso ¶
Creio que um presidente de estaca deveria reunir-se com seus conselheiros pelo menos toda semana—Deveriam sentar-se juntos, cantar e orar juntos, e ver o que o Senhor haveria de sugerir que fosse feito naquela estaca de Sião—Penso que o Apóstolo Lyman defendeu esta ideia—Não sei até que ponto isto é observado, mas digo-vos, meus irmãos, que deveria ser observado em toda estaca de Sião—Então, seguindo a mesma linha, todo bispo da Igreja deveria reunir-se com seus conselheiros e conversar sobre os assuntos pertinentes à ala—Tão certo quanto fizerdes isto, sempre encontrareis algo a discutir que será de interesse e benefício para a ala—Se não correspondemos às expectativas da Presidência da Igreja, é porque falhamos em certa medida—Talvez não falhemos como indivíduos, mas ¶
falhamos coletivamente—Se todos cumpríssemos nosso dever, a Igreja melhoraria e os dízimos e ofertas aumentariam—Sei que aumentaram; mas ainda não aumentaram o suficiente, porque nem todos os Santos em toda a Igreja pagam seu dízimo—Convocamos a todos, estejam ou não na Igreja, a pagarem seu dízimo—Alguns que não estão na Igreja o farão se os convocardes e lhes pedirdes—Representai-lhes que vivem na terra de Sião e que este é o princípio pelo qual a terra há de ser santificada e produzir de sua força, e vereis que pessoas que não estão na Igreja pagarão seu dízimo, e isso seria o meio de trazê-las para a Igreja, porque o Espírito do Senhor operaria sobre elas e Ele Se manifestaria a elas por sonho e por visão, até que vissem a conveniência de se filiarem à Igreja ¶
Estas são questões que ocupam minha atenção de tempos em tempos, e penso que são de importância para a Igreja—Lereis na Doutrina e Convênios que o Senhor, em algum momento, haveria de levantar um homem semelhante a Moisés, para tirar o povo da servidão—Bem, esse homem pode ser o Presidente Snow, até onde sei—O Senhor parece estar operando em sua mente para tentar tirar Seu povo da servidão—O Presidente Snow está trabalhando nisso o tempo todo—Ele deseja tirar a Igreja e o povo da servidão—Portanto, digo, o homem semelhante a Moisés pode ser o Presidente Snow, até onde sei—Não sei quem é—Se não for o Presidente Snow, será algum homem muito parecido com ele, que o Senhor há de levantar de maneira natural ¶
Fiquei muito satisfeito com as observações do Irmão Clawson e do Irmão Lund a respeito da obra do templo—Posso testificar que são verdadeiras—O Senhor Se manifesta a Seus Santos nos templos—Estas manifestações são privadas—Não são divulgadas, mas muitos dos Santos dos Últimos Dias que entraram nestes lugares sagrados tiveram manifestações de Deus em aprovação da obra que estavam realizando por seus parentes falecidos—Não ¶
negligenciemos esta importante obra, em ¶
conexão com os demais deveres pertinentes ao nosso chamado ¶
Oro para que o Senhor abençoe os Santos e encha todos os nossos corações de amor uns pelos outros; que possamos afastar nossas contendas e nossas críticas, e voltar-nos para o Senhor com pleno propósito de coração, para que Ele nos dote ricamente de Seu Espírito; que nossa missão na terra se cumpra em utilidade, para que, ao terminarmos, possa ser dito de nós: "Bem está, servo bom e fiel...entra no gozo do teu senhor"—Que Deus vos abençoe—Amém ¶