Pulpit

Palavras

Wilford Woodruff

Conferência Geral de Outubro de 1896·Sessão da Tarde de Segunda-Feira·1896-10-05

Não pretendia ocupar mais tempo nesta conferência, mas há um assunto, ou dois, sobre os quais me sinto no dever de falar, e espero que os Santos me deem suas orações e sua fé, para que eu seja capacitado a cumprir meu dever; a fim de chegar aos princípios e ao assunto sobre o qual desejo falar, sinto-me inclinado a desviar-me, em alguns aspectos, de meu curso geral de testemunho.

Há dois poderes sobre a terra e no meio dos habitantes da terra — o poder de Deus e o poder do diabo. Em nossa história, tivemos algumas experiências bastante peculiares. Sempre que Deus teve um povo sobre a terra, não importa em que época, Lúcifer, o filho da alva, e os milhões de espíritos caídos que foram lançados fora do céu, guerrearam contra Deus, contra Cristo, contra a obra de Deus e contra o povo de Deus. E não são omissos em fazê-lo em nossos dias e geração. Sempre que o Senhor pôs Sua mão para realizar alguma obra, aqueles poderes trabalharam para derrubá-la. Tenho uma pequena experiência nesse sentido, à qual desejo me referir. Muitos de vós provavelmente já leram a história do primeiro anúncio do Evangelho na Inglaterra, sob a presidência de Heber C. Kimball, em 1837. Pouco antes disso, atravessei o Lago Ontário com um homem chamado Russell, do Canadá para os Estados Unidos. Aquele homem andava pelo vapor quase dia e noite, gemendo e lamentando-se. Qual era o problema? Ele tinha uma classe de espíritos que permaneciam com ele dia e noite, angustiando-o. O que ele havia feito para que tivessem poder sobre ele, não sei. Quando um homem cumpre seu dever e guarda os mandamentos de Deus, aqueles espíritos não têm poder sobre ele, embora possa ser, em certa medida, angustiado pela ação deles. Esse homem foi para a Inglaterra, e aqueles espíritos foram com ele. Ele esteve com os Apóstolos ali, e enquanto realizavam uma conferência, ele estava tão perturbado por aqueles espíritos que o irmão Heber C. Kimball, Orson Hyde e os irmãos que ali estavam impuseram as mãos sobre ele e expulsaram aqueles espíritos malignos dele. Quando o deixaram, atacaram o irmão Hyde, e ele caiu ao chão como se tivesse sido golpeado na cabeça com um porrete. O irmão Kimball e os irmãos imediatamente impuseram as mãos sobre ele, e os espíritos malignos o deixaram. Então caíram sobre o irmão Kimball e tentaram dominá-lo. Mas a visão de sua mente estava aberta, e ele os viu na sala. Rangiam os dentes contra ele; mas o dominaram? O irmão Kimball possuía o Apostolado e estava à frente daquela Missão, e Deus lhe deu poder sobre aqueles espíritos, e eles foram repreendidos e o deixaram. Este foi o começo de seus trabalhos ali. Em 1840, quando os Apóstolos foram enviados à Inglaterra, tivemos uma experiência semelhante. A história de minhas viagens em Herefordshire, Gloucestershire e Worcestershire está publicada e é conhecida da Igreja. Depois de trabalhar ali por cerca de oito meses, os irmãos Heber C. Kimball e George A. Smith me convidaram a ir a Londres. Todos vós sabeis que tipo de homens eram os irmãos Kimball e Smith. Tinham poder e trouxeram um grande número de pessoas para a Igreja. Nós três entramos na cidade de Londres para tentar abrir portas naquela grande cidade. O primeiro homem que nos abriu suas portas para nos receber foi um homem chamado Morgan. No próprio dia em que entramos naquela casa, ela estava cheia de espíritos malignos, que procuravam nos destruir. Sentimos o poder deles dia após dia. Não nos prejudicaram particularmente naquela ocasião, mas sabíamos que estavam conosco. O incidente a que agora vou me referir ocorreu depois que o irmão Kimball havia retornado a Manchester. O irmão George A. Smith e eu ficamos ali. Certa noite, ficamos acordados até por volta das 11 horas, conversando sobre o Evangelho de Cristo, e depois fomos deitar. O quarto em que dormíamos era pequeno; havia cerca de três pés e meio entre nossos catres. Aqueles espíritos se reuniram naquele quarto e procuraram nos destruir. Caíram sobre nós com a determinação de tirar nossas vidas. A angústia, o sofrimento e o horror que repousaram sobre mim, jamais experimentei antes nem depois. Enquanto estava nessa condição, um espírito me disse: "Ora ao Senhor." Bem, um homem, naquele tipo de combate, quando está quase sendo sufocado até a morte, encontra-se em posição peculiar para orar. Não obstante, pus-me a orar com todo o poder que tinha. Sabia que morreríamos, a menos que Deus abrisse alguma porta para nossa libertação, porque estávamos sendo sufocados até a morte, e orei ao Senhor, em nome de Jesus Cristo, que preservasse nossas vidas. Enquanto orava, a porta se abriu e três mensageiros entraram, e o quarto se encheu de luz igual ao brilho ardente do sol ao meio-dia. Aqueles mensageiros estavam todos vestidos em vestes de seres imortais. Quem eram, não sei. Impuseram as mãos sobre mim e meu companheiro, repreenderam os poderes malignos, e fomos salvos. Daquela hora até o dia de hoje, não apenas nossas vidas foram salvas, mas aqueles poderes foram repreendidos pelos anjos de Deus, de tal modo que nenhum élder, desde então, foi atormentado por eles em Londres.

Menciono isto porque há nele um princípio. Desde o dia em que o Profeta Joseph Smith foi chamado pelo anjo de Deus e as placas do Livro de Mórmon foram postas em suas mãos, esses espíritos malignos trabalharam para sua morte, e por fim seu sangue foi derramado pelo poder do diabo. Sabeis a esse respeito. Isso está diante dos céus e da terra, e há de ser resolvido. Aqueles espíritos estão onde quer que estejam os Santos de Deus, e continuarão nisso até que Aquele que possui as chaves da morte e do inferno amarre aquela antiga serpente, ponha sobre ele um selo e o encerre por mil anos. Esses espíritos malignos estão ao nosso redor. Seguem todo élder de Israel, em casa e no estrangeiro. Tentam-me; tentam-vos, e o farão enquanto habitarmos na carne e eles tiverem seu arbítrio e poder. Por quê? Porque sabem que o Sacerdócio está aqui; sabem que a autoridade está aqui para selar bênçãos sobre as cabeças dos filhos dos homens, e para pregar o Evangelho às nações da terra, a fim de que se preparem para a vinda do Senhor Jesus Cristo. Sabendo disso, se puderem obter algum poder sobre vós e sobre mim, exercê-lo-ão.

Houve aqui certa conversa a meu respeito, e a respeito de meus conselheiros, e dos Doze Apóstolos, e da posição que ocupamos como líderes do povo. Estou no Apostolado há cinquenta e sete anos. Passei por todas as apostasias nesta Igreja, se me é permitido usar essa expressão, desde o dia da organização dos Doze Apóstolos. Certa vez, dois Apóstolos vieram a mim, enquanto eu estava em Kirtland, e me disseram que Joseph Smith era um profeta caído, e que desejavam colocar outro homem em seu lugar — Oliver Cowdery. Queriam saber o que eu faria a respeito disso. Eu disse: "Todo homem que erguer sua mão contra o Profeta de Deus irá para o inferno, a menos que se arrependa de seus pecados." Bem, cerca de metade deles se arrependeu; os outros não, e perderam sua coroa e glória, e outros homens tomaram seus lugares.

Meus irmãos e irmãs, há algo que pesa em minha mente e que desejo dizer. Chegamos aqui a um ponto, quanto às circunstâncias, em que é meu dever tratar disso como Presidente da Igreja. A Primeira Presidência e os Doze Apóstolos jamais estiveram mais unidos, como corpo, do que estão hoje. Nossos espíritos estão unidos. Cremos juntos, trabalhamos juntos, oramos juntos; e cremos uns nos outros, porque todos estamos procurando fazer a vontade de Deus. Este é o caso de todos nós, com uma única exceção. Essa exceção é o irmão Moses Thatcher. Muitas pessoas se maravilham e se perguntam por que nada é feito a respeito dele. Alguns disseram que tínhamos medo de Moses Thatcher. Não tenho medo de Moses Thatcher, nem de qualquer outro homem que respire o fôlego da vida, quando se trata de uma questão de dever. Mas tenho medo de desobedecer a Deus, ou de deixar de cumprir qualquer dever, em qualquer posição para a qual seja chamado na Igreja. Muito se tem dito a respeito do irmão Moses Thatcher, e muitos se perguntaram por que nada foi feito a respeito dele. Bem, direi que este é um assunto que pertence aos Doze Apóstolos. Ele é membro daquele quórum, e é claro que é dever deles tomar a cargo essa obra e cuidar dela até que esteja resolvida. Mas senti, como Presidente da Igreja, que era meu dever não deixar esta conferência passar sem dizer algo sobre este assunto. O irmão Moses Thatcher tem estado muito doente. Preparativos foram feitos pelos Doze Apóstolos para resolver esta dificuldade com ele em conselho; mas ele tem estado na condição de que falo. Qual é a dificuldade com o irmão Thatcher? A dificuldade é que ele não tem estado, em espírito, com seu quórum, há anos. Não tem estado unido a eles, quase que posso dizer, desde a morte do Presidente Taylor. Não se trata de sua recusa em assinar aquela declaração de princípios apresentada na última conferência pelos líderes de Israel. Isso é um assunto de consequência comparativamente pequena. Digo aqui — e digo a verdade — que o irmão Thatcher não tem estado em comunhão conosco por uma série de anos. Não tem se reunido com seu quórum. Passou dias e dias nesta cidade, quando estava perfeitamente capaz de circular e tratar de negócios, e não se reuniu com eles — nem em suas reuniões sacramentais, nem em outras reuniões. Ora, isso não pode continuar assim. Como já disse, esses espíritos malignos afetam os homens. Há um espírito que o afeta, e não um bom espírito. Quanto à sua posição junto ao seu quórum, ele deveria ter se reunido com eles e conversado sobre estas coisas; mas não o fez. Reuniu-se com eles comparativamente poucas vezes desde a morte do Presidente Taylor.

Irmãos e irmãs, estas são verdades. Os Apóstolos sabem que ele deixou de se reunir com eles em ocasiões em que podia e devia tê-lo feito. Tem estado em desacordo com eles em muitas coisas que ocorreram. Tem trabalhado por si mesmo e para si mesmo, e não para a Igreja. Ora, quero dizer que nem Moses Thatcher, nem qualquer outro homem sobre a face da terra, pode se colocar no caminho desta Igreja. Já tivemos quóruns quase inteiros de Apóstolos que estiveram no caminho, e tiveram de ser removidos dele, porque o reino de Deus não pode parar por ninguém — nem por Wilford Woodruff, nem por Moses Thatcher, nem por qualquer outra pessoa. A menos que trabalhemos com os Santos de Deus, com o Sacerdócio de Deus e com a organização de Sua Igreja, não podemos ter poder nem influência algum. Faço este testemunho porque é meu dever. Tenho pensado muito em Moses Thatcher. Tive grande participação em sua entrada no quórum dos Apóstolos. Tinha grande respeito por sua família. Tenho por qualquer homem que preste seu testemunho do Evangelho e do reino de Deus. Mas ele interrompeu isso. Tomou um rumo diferente a este respeito, e ocupa hoje essa posição. Menciono isto porque ele não está em condições de ser julgado. O reino do Senhor há de prosseguir. Se eu tomasse posição contra meus conselheiros e contra os Doze Apóstolos, e não estivéssemos unidos, eu não poderia ir com eles. Mas o Senhor está conosco, e com Seu povo. O que quer que se exija de nossas mãos, queremos cumpri-lo. Espero que o pouco tempo que passamos aqui na carne, antes de entrarmos no vale da sombra da morte, sigamos um rumo em que estejamos satisfeitos quando viermos a encontrar o Senhor, e Joseph Smith, e os patriarcas e profetas. Encontraremos essas pessoas na manhã da primeira ressurreição. Muitos deles já têm seus corpos ressuscitados, e aqueles que não têm terão seus corpos levantados do túmulo em condição imortal. Quem pode sacrificar a vida eterna, e uma parte na primeira ressurreição, para permanecer com suas esposas e filhos na glória celestial, pela honra desta vida ou para satisfazer a ambição? Eu não posso me permitir fazê-lo, nem vós tampouco. Saudaremos o irmão Moses Thatcher com todo sentimento de nossos corações quando ele se reunir conosco, se unir a nós, se arrepender de seus erros, e ajudar a levar avante a obra de Deus como deveria fazer. Sem isso, ele não pode ir conosco.

Deus vos abençoe. Testifico aos céus e à terra que esta é a igreja e o reino de Deus. Temos de viver nossa religião e estar unidos, a fim de levar avante o reino e receber aquelas bênçãos que estão do outro lado do véu para nós. Rogo que Sua bênção e Seu espírito repousem, não apenas sobre a Primeira Presidência, os Apóstolos e todo o Sacerdócio e os Santos, mas também sobre Moses Thatcher, para que seus olhos sejam abertos para ver, seus ouvidos para ouvir, e seu coração para compreender sua posição e dever perante Deus e os homens.

Como citar este discursoWilford Woodruff, “Palavras”, Conferência Geral de Outubro de 1896, Sessão da Tarde de Segunda-Feira (1896-10-05). Pulpit Vault, 1896-10-woodruff-remarks-2. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).