Observações de Encerramento
George Q. Cannon
O espírito que se desfruta nesta conferência é um sentimento muito doce e celestial; ele produz pura felicidade e contentamento, e nossos corações se enchem de alegria. Estas são as evidências do favor de Deus; de que Ele nos aceita e aprova nosso proceder. Tem havido bastante curiosidade indulgida por diferentes membros da Igreja quanto ao espírito de revelação e como ele se manifesta. É verdade que, na Igreja, o Senhor tem dado, entre outros dons, o dom do ministério de anjos, também o dom de visões e sonhos, e algumas pessoas imaginam que a Igreja é guiada por Deus por meio do ministério de anjos. Ora, anjos de fato ministram aos homens em nossos dias, e podemos testificar disso. Podemos testificar que Jesus, nosso Senhor e Redentor, visitou a terra e ministrou aos homens. Alguns podem testificar disso por sua experiência pessoal. Mas a Igreja é guiada pelo dom da revelação por meio do Espírito Santo. E como se sabe que algo vem de Deus, o que vem, às vezes com poder, às vezes com a suave e branda voz do Espírito? Sabe-se por seus frutos. Surgem questões sobre vários assuntos; existem e se expressam diferenças de pontos de vista; pois os homens que Deus escolheu para liderar o povo são homens de pensamento independente e de caráter positivo, e não concordam sem estarem convencidos; mas há um modo pelo qual a verdade e o correto sempre podem ser conhecidos. A escuridão não é uma das manifestações de revelações de Deus; é a luz -- a luz que remove a escuridão e a dúvida da mente humana -- essa é a evidência de que algo é correto ou de que é revelação de Deus. Se lerdes o que o Profeta Joseph teve revelado a ele a respeito de Oliver Cowdery, relacionado com a obra da tradução, obtereis uma chave para o espírito de revelação que Deus colocou em Sua Igreja. Assim como o irmão B. H. Roberts citou esta manhã, o Senhor disse à Igreja que deveriam receber as palavras de Seu servo Joseph "como de minha própria boca". É desse modo que a Igreja de Cristo é guiada; é isso que constitui sua força; é isso que lhe tem dado seu sucesso. Os homens se admiram com seu sucesso, mas, se pudessem ver como o Senhor opera e como Ele faz as coisas acontecerem para realizar certos fins, entenderiam. Ora, se não fosse assim, estaríamos preocupados até a morte. Jamais poderíamos suportar a pressão se tivéssemos de cuidar desta obra, ou se tivéssemos de nos entregar a temores a seu respeito; isso mataria o homem mais forte que já viveu. Mas não é necessário nos preocuparmos, ou nos incomodarmos; é apenas necessário fazer nossa parte e deixar o resultado com Deus. Ele cuidará de Sua obra. Ele não adormeceu; Ele não foi de viagem; Ele não Se esqueceu desta obra que estabeleceu. Nem na hora mais escura, nem no dilema mais profundo, Ele Se esquece de nós. Podemos ir dormir e descansar sem nos preocuparmos com a obra de Deus. E não creio que isso mantenha os servos de Deus acordados. Dificuldades financeiras podem ter preocupado alguns; mas, no que diz respeito à própria obra, isso não perturba os servos de Deus. Eles sabem que Ele está cuidando dela; e quando o fardo parece pesado e opressivo, o único caminho então é pedir a Deus que o torne leve e alivie o fardo, e Ele nunca deixa de fazê-lo em Seu próprio tempo e modo. Não há razão alguma no mundo pela qual não devêssemos viver, senão para sempre na carne, ao menos até que todos estejamos satisfeitos com a vida. Eu ia dizer que, se eu viver até então, serei muito velho; pois sou muito apegado à vida. Há tantas oportunidades para trabalhar que eu gostaria de viver e trabalhar; e suponho que todos temos esse sentimento. ¶
Tivemos um bom momento nesta conferência, e quero dizer algumas palavras que estão em meu coração. Quero que vós, meus irmãos e irmãs, tenhais paciência com a Primeira Presidência. Considerai-nos homens honestos. Considerai-nos homens verdadeiros. Considerai-nos homens que não são intrigantes, nem urdidores de planos, nem cheios de artimanhas. Não penseis em nós como homens maus -- homens sempre prontos a tirar proveito. Que direito tendes de nutrir tal pensamento a respeito de qualquer um de nós? Que direito tem qualquer homem ou mulher nesta congregação, ou na igreja, de ter tal opinião a respeito de Wilford Woodruff, ou de George Q. Cannon, ou de Joseph F. Smith? Já fizemos alguma coisa em nossas vidas que forneça o menor fundamento para tal visão de nosso caráter? Declaro-vos, na presença do Senhor Todo-Poderoso e de todas as santas hostes, que jamais fizemos nada em nossas vidas que justifique qualquer suspeita dessa natureza. Percorrei toda a nossa vida, em segredo e em público, e em nossas transações com os filhos dos homens, e não podereis apontar onde fizemos mal intencional. Não digo isso para me vangloriar, mas por causa do que tem ocorrido nos últimos meses. Ao mesmo tempo, sob outra luz, sentimos que somos indignos da responsabilidade e da honra que Deus, em Sua sabedoria, viu por bem colocar sobre nós. Ora, quero dizer a todos vós que aqui estais -- e desejaria que todo Israel pudesse ouvir minhas palavras -- ide desta conferência levando convosco um sentimento de confiança e amor pela Primeira Presidência desta Igreja, bem como pelos Doze Apóstolos, e, se assim o fizerdes, Deus vos abençoará. Se não o fizerdes, não direi quais serão as consequências. Não desejo predizer o mal; mas digo que Deus vos abençoará se amardes os homens a quem Ele ama, e que Ele escolheu, de entre todo Israel, para estes cargos. Eles não se escolheram a si mesmos; não buscaram os cargos por si mesmos. O Senhor sabe disso; e muitos de vós deveríeis saber. Já é ruim o bastante ter o mundo a combater. Tenho estado disposto, ao longo de minha vida, a batalhar e a suportar tudo o que os homens quisessem lançar sobre mim que não pertencesse à Igreja; mas fui ferido até a própria alma quando meus irmãos e minhas irmãs disseram coisas falsas a meu respeito, e a respeito de meus irmãos -- pois a reputação deles me é tão cara quanto a minha própria. É aí que fere; é aí que corta; é aí que dói. Ora, tenho sentido como se pudesse lutar contra o mundo inteiro, se ao menos estivesse fazendo o que Deus deseja que eu faça. Sofri de temor mental como muito poucos homens no mundo; mas não sofri do outro temor. Agradeço a Deus por isso; e agradeço-Lhe que os homens que estão à vossa frente são homens cujos joelhos jamais tremeram, cujas mãos jamais tremeram, cujos corações jamais falharam na hora do perigo e da provação. O Senhor tem ficado ao lado deles e os tem tornado valentes na verdade. Ora, sabendo-o vós ou não, eu o sei, e presto testemunho disso nesta tarde. Não temos tergiversado com a palavra de Deus; não temos transigido com o inimigo da Igreja de Cristo; mas, quando o perigo tem chegado, temos estado prontos para enfrentá-lo e encará-lo, e a suportar todas as consequências, com o Senhor a nos ajudar. Ora, devemos estimar esses homens. Somos indignos das bênçãos de Deus se não o fizermos. Tive alguma experiência antes de ser membro da Primeira Presidência, viajando com o Presidente Young, e ouvindo queixas de pessoas casadas. É surpreendente como um homem pode ser paciente com sua esposa quando a ama, mas, se não a ama, tende a suspeitar dela, e talvez a ser rude e severo com ela. Assim, por outro lado, quando uma mulher se torna alheia a seu marido, e seu afeto se afasta dele, como ela se torna maravilhosamente desconfiada, e como distorce e interpreta mal as palavras e os atos de seu marido, por causa do ciúme. Sua mente se enche tanto de ciúme que ela ilustra a verdade das palavras de Shakespeare. ¶
"Ninharias, leves como o ar, são para o ciumento confirmações fortes como provas da santa escritura." ¶
Sim, ninharias que não seriam notadas ordinariamente, para uma pessoa ciumenta, e especialmente onde não há amor, ou onde o amor não é forte o suficiente para superar o ciúme, tornam-se tão fortes como provas da santa escritura. Já vi isso ilustrado muitas vezes. ¶
Ora, se nos amais, não tereis ciúmes de nós, não suspeitareis de nossos atos, não nos atribuireis motivos falsos, não distorcereis nossas palavras e lhes dareis interpretação errônea; mas tereis confiança em nós. Deveríamos ser confiáveis. O Senhor confiou em nós, e não podeis vós confiar em nós? Não podeis ter confiança suficiente em nós para crer que daremos conselho correto em todos os assuntos? Se não o fizerdes, então nossa declaração de hoje não terá utilidade. Seria inútil se vos levantásseis para dizer: "Oh! não vedes como eles favorecem aquele homem?" "Não vedes como discriminam contra aquele outro homem?" "Não vedes que permitem que aquele homem faça isso, e restringem aquele outro? Aquele homem é republicano e este é democrata -- ou aquele homem é democrata e este é republicano." Assim nos atribuiríeis motivos falsos, e coloriríeis nossa conduta, e nos olharíeis com olhos suspeitos, vigiando alguma evidência de injustiça de nossa parte. Deixai-me hoje vos advertir, na presença do Senhor e em nome de nosso Senhor e Mestre, contra isso, e sede cuidadosos; pois Satanás se esforçará para incutir estas ideias e pensamentos em vossas mentes, a fim de enfraquecer a influência do Sacerdócio do Filho de Deus. É muitíssimo injusto conosco, é muitíssimo iníquo, porque podemos ver o que outros nem sempre podem ver; podemos ver razões para certo curso de conduta que outros não conseguem ver. Vós, homens que tendes grandes famílias, entendeis isso. Um filho pode pensar: "O pai não é justo; ele deixa meu irmão ou minha irmã fazer tal coisa ou ter tal coisa, e por que não posso eu fazer o mesmo ou ter o mesmo?" Ora, o pai sabe as razões pelas quais age como age. Poderíamos igualmente impugnar a providência de nosso Pai Celestial pelo mesmo princípio, se o levássemos longe o bastante. O Senhor abençoa alguns homens de várias maneiras, e outros não recebem essas bênçãos, embora aparentemente sejam igualmente dignos. E os incrédulos impugnam a justiça do Pai Eterno por causa disso -- como o veem -- essa discriminação em Seu tratamento a Seus filhos, e escarnecem da ideia de haver um Deus, porque, medido por seu mesquinho e falível padrão, Ele não corresponde ao que julgam que Ele deveria alcançar. ¶
Como digo a vós novamente, tende confiança em nós, crede que somos honestos, e dizei: "Não, não consigo compreender isso; não está de todo claro para mim; mas sei que não há nada errado. Se eu entendesse, sei que estaria tudo certo." É assim que devemos falar. Pensais que eu duvidaria de um homem que conheço? Não. Sempre creio o bem a respeito dele. Se não consigo entender algumas de suas ações, penso: bem, se soubesse as razões, entenderia, e isso seria conciliável com minhas ideias sobre a justiça de seu caráter. É assim que sinto a respeito de todos os meus amigos. Relutei em crer que agem por motivos ou sentimentos impróprios. Por essa razão, jamais quero ouvir uma declaração unilateral, nada ex parte, porque é impossível chegar a uma conclusão correta sem ouvir ambos os lados. ¶
Confio que o Senhor imprimirá estes pensamentos em todos os nossos corações, para que possamos sentir e perceber a verdade destas coisas. ¶
Há outro assunto ao qual gostaria de aludir, se o tempo permitir. É este: tendes ouvido falar de nos empenharmos em empreendimentos e nos esforçarmos por fazer algo para fornecer emprego ao povo e fazer com que o povo deste Estado assumisse a posição que julgamos que lhe cabe. Temos nos empenhado em buscar a mente e a vontade de Deus a respeito disto; e temos nos empenhado em ter cuidado a cada passo, para que não houvesse erro, nem conclusão errada, nem ação errada. Se algum homem já buscou isso, creio estar justificado em dizer que nós o buscamos. Ora, estamos entrando nestes empreendimentos por propósitos sábios. Primeiramente, falando pelos Santos dos Últimos Dias, não parece correto que o povo se reúna em Sião e depois se disperse pela terra. Esta é uma dispensação de recolhimento. Sentimos que Deus vos confiou a nós como um rebanho é confiado a um pastor. Os olhos dos Santos dos Últimos Dias naturalmente se voltam em busca de conselho e ajuda às autoridades de sua Igreja, nas horas de aflição e sofrimento. É, portanto, motivo de sincero pesar para nós ver homens e mulheres -- fossem Santos dos Últimos Dias ou não -- ociosos em nossa terra, sem emprego, e dependentes da Igreja ou da caridade individual para aquilo que é necessário para sustentar a vida. Segundo o relatório lido nesta conferência, há um número excessivo de dependentes da Igreja para assistência. Deveríamos reduzir esse número por todos os meios ao nosso alcance, e colocar ao alcance de cada pessoa -- não apenas dos Santos dos Últimos Dias, mas de todo cidadão de Utah -- a oportunidade de ganhar seu próprio sustento. Mal consigo conceber algo nos assuntos humanos que seja tão doloroso para homens e mulheres que foram enérgicos e industriosos, ser reduzidos à penúria e a uma condição de dependência; e devemos ser misericordiosos para com os que estão nessa condição. Algumas pessoas ficam desamparadas, e é preciso sustentá-las. Quando se oferece ajuda a tais pessoas, deve ser feita da maneira mais delicada, para não ferir a sensibilidade dos pobres. Creio que há homens e mulheres que quase preferiam passar fome a sair e tornar públicas suas necessidades. Sentem o que chamaríamos de orgulho. Bem, é um orgulho apropriado sentir-se independente; e é contrário a todas as nossas práticas passadas fazer qualquer coisa que tivesse o efeito de reduzir as pessoas à pobreza extrema. Os residentes desta estaca deveriam ganhar seu próprio sustento, por algum meio honroso de emprego. ¶
Estas razões têm tido grande peso para nós, e temos conversado e aconselhado muito a respeito delas, além de orado a respeito. Ora, o Senhor, em Sua bondade, parece estar abrindo o caminho para que obtenhamos emprego. Temos, como sabeis, um grande empreendimento em Ogden. Alguns dos irmãos que foram até lá, segundo entendo, voltaram insatisfeitos e se afastaram porque as condições não lhes convieram totalmente. Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para gerar emprego para nosso próprio povo. Não queremos que pessoas de longe venham e tomem o pão que deveria ser ganho pelos residentes deste Estado. Mas alguns disseram que não estavam satisfeitos com as condições. Isso é lamentável. O contratante deseja empregar residentes do Estado. Diz que gosta de nossos cidadãos; já os teve trabalhando para ele antes, e eles lhe deram inteira satisfação, pois são pacíficos e tranquilos e cumprem seu trabalho. Vários homens foram enviados para lá outro dia, e encontrei um deles na rua. Ele me disse: "Bem, muitos de nós voltamos." Perguntei-lhe a razão. Disse ele: "não gostamos do homem" -- uma espécie de subcontratante, creio eu. Perguntei-lhe se ele exigia dos homens algo impróprio. "Não, mas não gostamos dele." Por isso, ele e outros haviam abandonado o trabalho. Considero isso algo muito injustificável. Se há trabalho ali, parece-me que deveríamos aproveitar a oportunidade de trabalhar. Não queremos nenhum trabalhador oprimido; não queremos que se exerça tirania alguma sobre eles; mas este contratante pode obter os homens sem retirá-los de nossos povoados. Há muitos vindo para cá que de bom grado aceitarão emprego. Talvez não fiquem muito tempo; talvez causem alguma insatisfação em certos aspectos; mas podem ser obtidos. ¶
Quis dizer isto a esta conferência antes que encerrássemos. Nossos irmãos deveriam ver isto sob a luz em que desejamos que o vejam -- vê-lo um pouco de nosso ponto de vista. Queremos que se forneça emprego ao povo. Queremos que os negócios se reanimem. Queremos controlar o que devemos controlar. Queremos obter a influência que pertence a um povo que possui um crédito sem paralelo por integridade, honestidade e boa administração. Queremos colher os benefícios deste caráter e deste crédito, que o Presidente Young começou, e que tem sido cuidadosamente edificado ao longo de quarenta e oito anos. Queremos que os cidadãos de Utah -- toda a comunidade -- tenham o benefício deste crédito, e não vejam estranhos vindos de longe fazer o que deveríamos fazer nós. E, se vos dispuserdes a agir com a união que se tem demonstrado em nossos trabalhos nesta conferência, e vos decidirdes a permanecer unidos, isso nos dará poder e influência na terra, e os homens nos respeitarão e nos honrarão. ¶
Fez-se alusão pelo irmão John Henry Smith à circulação de nossos periódicos. Ocorreu-me, enquanto ele falava, que finalmente chegou o dia, creio eu, em que deveríamos usar a imprensa como jamais a usamos. É um poderoso motor para o bem, se usado corretamente. Nossos inimigos o têm usado da maneira mais eficaz contra nós, e Satanás parece estar determinado a excluir toda linha de verdade da circulação no mundo. Creio que, em vez de este poderoso motor ser usado para nossa destruição, deveríamos usá-lo para a salvação de nossos semelhantes, disseminando a verdade e circulando-a em cada canto do globo habitável. Confio que esse dia chegou; e devemos alargar nossos corações e nos tornar liberais nestas coisas, e usar o papel e a tinta para o propósito para o qual, sem dúvida, nosso Grande Criador os concebeu -- fazer o bem à humanidade. ¶
Meus irmãos e irmãs, rogo a Deus, em nome de Jesus, que vos abençoe a todos, que vos abençoe em todas as vossas relações na vida, e vos encha continuamente do Espírito Santo. Nenhuma bênção melhor poderia eu pedir em vosso favor, ou no meu próprio, do que esta. Amém. ¶
O coro e a congregação cantaram: O Espírito de Deus como um fogo está ardendo. ¶