A Oposição a Deus Entre a Humanidade—A Intolerância Religiosa uma Consequência—A Incredulidade Resultado do Afastamento da Ordem Revelada—A Ordem Unida
Daniel H. Wells
Há uma oposição a que o Senhor tenha na terra um povo, chamado pelo seu nome e que faça a sua vontade. Assim tem sido desde o princípio. O Senhor nunca teve um povo que fosse recebido de braços abertos pelo mundo, admirado, estimado e respeitado; pelo contrário, foram perseguidos ou totalmente destruídos da face da terra. Os ímpios sempre prevaleceram sobre os bons; poder-se-ia quase dizer que o primeiro homem mau matou o primeiro homem bom. Os Santos dos Últimos Dias tiveram de passar pela mesma experiência, e quando chega um tempo de paz relativa, como às vezes acontece, tendem a perguntar: "Qual é o problema? Perdemos nossa fé, para que o Adversário assim nos deixe em paz?" Virá, contudo, um tempo, na história dos Santos, em que serão provados pela paz, pela prosperidade, pela popularidade e pelas riquezas. ¶
O mundo olha com terror para aquele período em que os propósitos do Senhor quanto à construção de Templos predominarem, quando se estabelecer a paz universal e for empunhado o cetro da retidão. O mundo não gostaria de ver predominar na terra nenhum poder religioso, e com razão, considerando-se a tirania e o despotismo que marcaram a história do domínio religioso. Vemos, em dias passados, que várias influências religiosas empunharam o cetro da maneira mais iníqua, escravizaram a vontade humana, e os homens foram forçados a submeter-se às medidas mais opressivas. As guerras religiosas foram mais terríveis em seus efeitos, causaram mais derramamento de sangue e sofrimento do que todas as outras juntas. Um alívio gradual, mas seguro, do domínio e do ditame religioso foi trazido, até que as nações da terra se tornassem livres. Não é de admirar, pois, que o povo veja com maus olhos qualquer elemento religioso que ganhe ascendência sobre o outro. Como diz o velho ditado: "Criança queimada tem medo do fogo." ¶
Neste país não há poder religioso predominando, mas agora que o reino de Deus está estabelecido, essa oposição se manifesta e é sentida em grau ainda maior do que antes. O mundo tem inveja de seu poder crescente e, por isso, sua oposição amarga e implacável. Tão opostos têm sido os homens ao aumento e à difusão da religião como poder político que, em muitos lugares, não se permite que pessoa alguma que ocupe cargo religioso ocupe posição de confiança ou lucro sob o governo. Foi por essa mesma razão que o nome de Deus não é mencionado na Constituição dos Estados Unidos. Os Pais Puritanos sofreram opressão religiosa e, em vez de serem obrigados a curvar a cabeça ou o joelho ao mencionar o nome de Jesus Cristo, ou serem compelidos a colocar a cruz em suas igrejas, como era e ainda é costume da igreja católica romana, buscaram em outro lugar a tolerância que não podiam obter em sua terra natal; mas, singularmente, com o passar do tempo, quando as colônias foram fundadas, mostraram-se relutantes em conceder a outros, de fé diferente da sua própria, aquela liberdade religiosa pela qual eles mesmos haviam abandonado a pátria, e expulsaram das colônias todos os que diferiam deles em ponto de vista religioso. ¶
Além dessa intolerância, há outra razão pela qual a religião se tornou tão desagradável para muitas pessoas, e pela qual as nações baniram a religião de seus conselhos. É porque esses mestres e professores de religião estão sem o conhecimento de Deus, e suas ideias e doutrinas têm sido tão diferentes da palavra escrita, que pessoas razoáveis dizem: "Embuste!" e fogem para o outro extremo, tornando-se incrédulas. Depois de presenciarem a contenda e a variedade de formas, e sendo incapazes de obter certeza a partir de tais fontes a respeito das realidades do futuro, dizem: "Não sabemos nada a respeito disso; viveremos vidas moralmente boas e tudo estará bem." ¶
A maior dificuldade que os élderes têm de enfrentar no mundo é essa incredulidade tão difundida, provocada pelas presunções dos assim chamados mestres religiosos. Ora, o Senhor restaurou o seu Santo Sacerdócio, a sua mente e a sua vontade — o glorioso evangelho, que é "o poder de Deus para salvação" — e, temendo perder o poder que exercem sobre a mente dos homens, esses mestres e sacerdotes autoproclamados se uniram para se opor a ele. Ora, para entender os princípios do evangelho verdadeiro e eterno, devemos examiná-los pelo espírito de Deus, pois "as coisas de Deus ninguém sabe, senão o Espírito de Deus." Um homem não pode entender as coisas do homem com o espírito de um cavalo ou de um boi; como, então, pode um homem entender as coisas de Deus senão pelo espírito de Deus — um grau mais elevado de inteligência? Por esse Espírito, a Bíblia, com todas as suas aparentes inconsistências, torna-se clara à mente humana. As pessoas têm deturpado, têm transformado a verdade em mentiras e pervertido o evangelho de Cristo. Quando um Santo dos Últimos Dias se conforma às ordenanças do evangelho e recebe o Espírito Santo, a Bíblia lhe parece um livro novo, ainda que, em sua infância, possa tê-la lido repetidas vezes. A luz e a inteligência do Espírito iluminaram seu entendimento, de modo a habilitá-lo a formar uma concepção justa e correta de suas verdades sagradas. ¶
Através da grande variedade de formas, sistemas e credos, a incredulidade tem sido produzida. O verdadeiro plano, tal como revelado aos Santos dos Últimos Dias, é suficientemente amplo para salvar todos os homens, mas os planos e credos dos homens não são amplos em grande medida, mesmo que fossem verdadeiros. Tomai os católicos, por exemplo; condenam à perdição todos, exceto a si mesmos, contrariando o sentido do termo católico, que é universal; mas tornaram-se sectários. O plano concebido em nosso estado pré-existente tem sido ignorado, mas nesta dispensação foi restaurado, e podemos ver como ele é amplo o suficiente para prover a salvação dos filhos dos homens. Deve ser pregado a todas as nações, e aqueles que o aceitarem poderão ser redimidos e exaltados. Por que, então, deveria o povo temer o governo de Deus? Ele há de vir e reinar. Quando for estabelecido em sua grandeza, glória e poder, será o governo mais eficiente e completo sobre a face da terra. As pessoas têm medo do governo de Deus, até mesmo alguns mórmons (não direi Santos dos Últimos Dias), com receio de que algum homem ou homens obtenham autoridade indevida. Algumas pessoas na Igreja pensam que um Apóstolo ou um Bispo não têm o direito de interferir nas coisas temporais; que seu ofício é apenas cuidar dos assuntos espirituais, e que os assuntos temporais eles próprios podem tratar. É bem possível que alguns desses homens entendam de assuntos financeiros melhor do que os servos do Senhor; mas não se deve esquecer que o espírito de Deus e o Santo Sacerdócio habilitam os homens para todas as posições da vida. As pessoas podem, por meio dessas influências, adquirir inteligência superior para administrar as coisas deste mundo, e isso deve ser feito antes que as riquezas eternas sejam conferidas a este povo, porque a luz do céu é superior à do mundo. Os reinos desta terra hão de se tornar os reinos de nosso Deus e de seu Cristo. Espero que esse governo venha por meio do Santo Sacerdócio, e que exerça poder nas coisas temporais, políticas e em todas as outras — um governo que estenda a todos os homens seus direitos e privilégios. ¶
A confusão reina sobre toda a face da terra. Vede as combinações e a guerra travadas umas contra as outras; o capital contra o trabalho, e o trabalho contra o capital; há milhares de extensos hectares de terra não cultivados, e, ainda assim, há homens que passam fome. Ouvimos falar de organizações desfilando pelas ruas, com estandartes nos quais se leem as palavras: "Dai-nos Pão, Trabalho ou Sangue!" Não deveria haver greves por salários mais altos — nenhuma contenda entre o capital e o trabalho. O trabalho dos homens deveria garantir o sustento, e, se tudo fosse regulado, como seria sob o governo de Deus, não haveria tempos difíceis, nem queixas, nem greves, nem guerra. ¶
Há bastante terra desocupada neste país, e qualquer homem pode obter um pedaço dela. "Mas," diz alguém, "não tenho junta de animais, nem semente para plantar, nem dinheiro com que comprar nenhum dos dois. Que posso fazer?" Podeis tomar posse de um pedaço de terra, obter vossos documentos de cidadania; e no momento em que o fizerdes, tereis o direito de requerê-lo, e tereis dois ou três anos para pagar pela terra. Nenhuma outra pessoa poderá ir ao Escritório de Terras e tirar-vos essa terra. Para começar, podeis trabalhar para o vosso vizinho e, por vosso trabalho, obter o privilégio de usar sua junta, seu arado e sua semente, e depois cuidar dela vós mesmos. Tereis então pão suficiente para vós e vossa família por um ano. Um homem, por esse caminho, forma o núcleo de sua prosperidade, riqueza e independência relativa. Subsequentemente, ele reúne ao seu redor as comodidades da vida; obtém uma vaca, um ou dois porcos, e algumas galinhas. Essa posição na vida é muito mais autossuficiente e independente do que o emprego por dia, semana ou mês nas cidades ou nos centros comerciais superlotados. Ali, quando cessa o trabalho de um dia, cessa o sustento; mas quando tendes vossa própria fonte de sustento, e vosso trabalho temporariamente falha, ainda tendes bastante grão e outros produtos da fazenda com os quais vos sustentar. ¶
O Presidente Young deu mais casas aos pobres do que todas as sociedades do mundo, e lançou o fundamento de uma grande nação — um reino — o próprio reino de Deus. Todas essas estacas de Sião estão se fortalecendo com os santos de Deus. São os forasteiros que vêm aqui para Utah que edificam o país? Não; a prosperidade material de Sião é atribuível somente aos labores dos Santos, guiados e dirigidos pelo Todo-Poderoso. São eles que se encontram nos recantos e cantos — em todas as direções — onde quer que haja uma fonte ou um pedaço de terra — edificando, fazendo a terra produzir seus frutos, e fortalecendo e ampliando as fronteiras de Sião. Faz bem ao meu coração ver os povoados se estendendo, até mesmo aos recantos mais remotos do Território. Além disso, essa classe de Santos dos Últimos Dias, que estão se ramificando e desenvolvendo as regiões remotas do país, são geralmente os mais fiéis, trabalhadores e diligentes da comunidade. Algumas pessoas pensam que o Senhor não está mostrando os sinais de sua vinda; ficam desanimadas; esperam ver algum grande apóstolo descer do céu com os mistérios do Reino. Ora, a igreja e o reino de Deus hão de ser edificados por nossos esforços práticos. A diligência deveria ser empregada em Sião, e o trabalho do povo deveria ser posto ao melhor uso prático possível. Isso tem tudo a ver com o reino de Deus, e é aqui que precisamos de revelações de Deus — para nos ensinar como edificar sua obra temporal. Não produzimos ração suficiente para nossos animais; não cultivamos tanto quanto deveríamos, e não sabemos como cultivar aquilo que temos. Todas essas coisas deveriam ser conhecidas, pois contribuem para a edificação do reino de Deus. Precisamos de inteligência para guiar a mão que cultiva. Sustento que edificar o reino de Deus é fazer um metro de tecido, construir escolas, cultivar a terra, e aplicar praticamente todo plano concebível de vida necessário ao nosso sustento comum; e para realizar essas coisas devemos ter a inteligência que vem do céu — isto é, se desejamos superar nossos semelhantes. Até que saibamos como realizar e aplicar corretamente todas essas coisas, o Senhor nunca nos entregará as riquezas da terra. Do jeito que estamos, não temos Espírito do Senhor suficiente para nos qualificar para essa grande bênção. Assim que ele encontrar um povo que retenha o que lhe é dado, ele o concederá, e quando souber que o aplicará para sua glória. Por que não pudemos estabelecer a Ordem Unida entre o povo? Porque não sabíamos como fazê-lo, e não vi homem algum que soubesse, e pela razão de que não estávamos preparados para recebê-la. Quando o Senhor descobrir que tem um povo que não as entregará ao diabo nem as desperdiçará, então ele concederá as riquezas eternas, mas isso não será feito, e não pode ser feito de forma consistente, até que ele tenha um povo que as utilize para a glória de seu reino. ¶
Penso que os Santos estão no caminho do progresso. Seus labores estão sendo dirigidos para o bem-estar de Sião; mas ainda há muito trabalho desempregado que pode ser aproveitado para esse fim. Deveríamos abrir novas indústrias, quando outras deixarem de empregar todo o material disponível. Quando um ramo estiver sobrecarregado, abri outro e, assim, encontrai meios de emprego para os que dele necessitam. Pensou-se que a maquinaria que poupa trabalho e as ferrovias nos prejudicaram. Não é assim; os homens deveriam dedicar-se a outra coisa, e assim continuar, voltando constantemente nossa atenção para algo que renda melhor e realize mais. ¶
Virá o tempo em que o fio será cortado, mas penso que poderíamos viver se o fio fosse cortado amanhã. Podemos produzir tudo, exceto talvez o que se chama de luxos; ainda assim sofreríamos muito incômodo. Há muitas coisas de que teríamos de passar sem, e, se o fio fosse cortado, teríamos de fazer muitas coisas que agora negligenciamos fazer. Não deveríamos ser para sempre dependentes da Babilônia. Chamai-as de coisas pequenas, se quiserdes, mas são tão essenciais à edificação do reino quanto o são a qualquer outro reino sobre a terra. A maldade é permitida apenas para provar homens e mulheres — para provar sua integridade. Se pudéssemos ter aprendido e realizado todas as coisas tão bem no mundo espiritual quanto aqui na terra, pensais que o Senhor nos teria enviado a este mundo de tristeza e maldade? Jesus teve de passar por essas provações, a fim de obter uma exaltação. Que apliquemos, pois, nossos labores às circunstâncias e exigências que nos cercam, e sirvamos a Deus — se cremos que há um Deus — e usemos todas as nossas capacidades para a realização de seus propósitos, para que possamos avançar rumo à glória e à exaltação em seu reino, o que Deus conceda. Amém. ¶