Pulpit

Deus é Luz—Deus Nosso Pai—Deus uma Pessoa—O Espírito Santo—A Terra Como Parte do Universo—O Propósito da Experiência—A Ressurreição—Sião Tirada de Cada uma das Criações—Faculdades Espirituais

Orson Pratt

1878-01-01

Estas palavras encontram-se no quinto versículo da primeira epístola de João: "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma."

Visto que Deus é representado como um ser cheio de verdade, cheio de conhecimento e inteligência, tendo poder todo-poderoso, naturalmente suporíamos que fosse também um Deus de luz, isto é, cheio do princípio da luz; e que não há nada demasiado profundo para ele compreender, ou demasiado grande para seu entendimento alcançar. Sendo ele cheio de luz, não pode haver nele treva alguma. De fato, é chamado por Tiago o "Pai das luzes." Em outras palavras, sua prole, seus filhos, seus filhos e filhas, participam de uma porção daquela luz que habita no Pai; do mesmo modo que nossos filhos, nascidos a nós, participam, em certos aspectos, da luz e inteligência que habita em seus pais. Todas as criaturas que conhecemos, que têm vida e ser e poder de se mover sobre a terra, têm um grau de luz, um grau de entendimento, e esse grau de luz ou entendimento lhes é concedido, segundo o decreto do céu, e segundo a condição em que se encontram, para cumprir o objeto de sua criação.

O Senhor não confia a plenitude da luz a nenhuma de suas criaturas neste mundo; nem mesmo seus próprios filhos e filhas têm esse privilégio, enquanto neste estado mortal de existência. Parece estar de acordo com o grande propósito de Jeová colocar seus próprios filhos aqui nesta criação e conceder-lhes um grau muito pequeno de luz e verdade. Exige-se-lhes que melhorem este grau de luz, acrescentando-lhe entendimento, conhecimento e verdade. Alguns, ao refletirem sobre este assunto, poderiam perguntar: "Se o Senhor é um ser todo-poderoso, que possui todo poder, e é cheio de inteligência, conhecimento e verdade, e se somos seus filhos, por que não nos concedeu a plenitude desta luz no princípio de nossa existência neste mundo? Por que nos deu pouco a pouco? Por que não nascemos com entendimento de todas as coisas passadas, todas as coisas presentes, e todas as coisas futuras?" Para minha mente, estas perguntas se respondem facilmente. O Senhor determinou, ao colocar seus filhos aqui nesta criação, que não apenas alcançassem grande conhecimento, entendimento e sabedoria, mas que se mostrassem aprovados em toda esfera em que fossem colocados. Onde pouco se dá, pouco se exige. E tendo determinado, em seu próprio propósito e mente, que fossem agentes de si mesmos, propôs-se pô-los à prova em seu arbítrio, com um pequeno grau de luz e verdade no princípio, para ver como se comportariam em relação ao grau de inteligência concedido; em outras palavras, para ver se fariam bom uso dela, exercendo seu arbítrio ao fazer o que é correto, apegando-se ao que é bom, e resistindo a todo tipo de mal. E então, achando-os dignos, concederia um grau maior de luz, e lhes concederia maior conhecimento a respeito de si mesmo, e de seus propósitos, e de seus caminhos, e das obras de suas mãos. Se fôssemos criados com plenitude de conhecimento, seria muito difícil para nós conceber como seria possível usar este arbítrio corretamente perante o Senhor. É verdade que estaríamos de posse de vasta quantidade de informação a respeito do passado, presente e futuro, mas, sendo agentes de nós mesmos, poderíamos, talvez, usar este conhecimento de modo a causar grande dano. Portanto, o Senhor determinou que nos fosse confiada apenas uma pequena informação, com um arbítrio para usá-la segundo sua mente e vontade.

Somos os filhos e filhas de Deus, tanto quanto as crianças, presentes nesta tarde, são filhos e filhas de seus pais, e da mesma forma que somos filhos de nossos pais terrenos, assim são os filhos dos homens a prole do Todo-Poderoso. Ele é nosso Pai em pleno sentido da palavra, e por ele fomos gerados, e a ele nascemos, não nesta provação, mas no mundo anterior à existência deste—em nosso primeiro estado. Ali nascemos, ali fomos gerados, ali recebemos existência espiritual à imagem de Deus; estávamos então sem carne, sem ossos, sem a organização que agora possuímos. Quando falo de existência espiritual, não me entendais mal, não me refiro ao tipo de existência de que falam os escritos de muitos teólogos, nos quais os espíritos dos homens são representados como não ocupando espaço algum, e como não tendo relação alguma com duração ou tempo. Tal existência é inconcebível; é absurda em sua própria natureza, supor que possa haver alguma existência, seja em forma imortal, seja na forma presente de corpo e espírito, como pessoas que não ocupam espaço algum; é um dos maiores absurdos jamais inventados por seres inteligentes. Contudo, isso está incorporado nos artigos de fé de algumas sociedades cristãs, e especialmente em seus escritos teológicos. Procuram tornar a existência espiritual tão misteriosa quanto possível, e frequentemente declaram nosso Pai e Deus ser uma pessoa e, contudo, segundo seus artigos de fé, dizem que ele é sem corpo, partes ou paixões, como se pudéssemos conceber a existência de algo sem corpo ou partes.

Alguns de vós, meus ouvintes, especialmente a nova geração crescendo nestes vales, talvez se surpreendam quando vos digo que há milhões de cristãos (assim chamados) que creem que Deus não ocupa espaço algum, isto é, como corpo, e ainda assim é uma pessoa. Lede os 39 Artigos da Igreja da Inglaterra, se duvidais do que digo, e ali encontrareis exatamente isso; também os Artigos dos Metodistas, que são mais ou menos copiados dos da Igreja da Inglaterra. Na disciplina metodista, lê-se: Cremos em um Deus, consistindo de três pessoas, sem corpo, sem partes, sem paixões.

Ao ler estas coisas quando rapaz, e não tendo refletido muito, pensei que, naturalmente, era um dos mistérios que não nos era permitido compreender. Não percebi então o absurdo da ideia, incorporada como um dos artigos de fé de um grande e numeroso corpo religioso. Mas depois de crescer, e refletir sobre estas coisas, e começar a tentar apreender em minha mente e compreender, em certa medida, um ser consistindo de outros dois seres além de si mesmo, e contudo sem corpo, não pude fazê-lo. Era uma contradição em minha mente, algo que não parecia consistente; especialmente quando, para tornar a coisa tão clara, em sua estimativa, que ninguém pudesse entendê-los mal, declararam que ele não tem partes. Consequentemente, não ocupa parte alguma do espaço finito ou infinito. Contudo, por mais minuciosamente que dividamos uma polegada cúbica de espaço, ainda que separada em milhões de partes, cada uma dessas minúsculas porções são partes da polegada cúbica; e quando se fala daquilo que não tem partes, então se chega à representação do nada; então se chega ao Deus cristão moderno, tal como representado em sua disciplina, e em seus artigos de fé. Muitas vezes me perguntei como é que há tantos que creem nestas ideias absurdas; homens de inteligência, homens que desdenhariam crer em tais princípios ligados à filosofia natural e às ciências de nosso tempo, e contudo tão equivocados em suas mentes, e tão infatuados por falsas religiões, a ponto de conceberem a existência de um ser que não tem partes.

Agora deixai-me dizer algo a respeito daquele ser, o objeto de nosso texto. "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma." Existe ele como pessoa? Sim. Tem ele um Filho chamado seu Unigênito? Sim. Teve seu Filho um corpo? Sim. Temos, nesta tarde, estado celebrando a Ceia do Senhor, comemorando seu corpo partido, que foi crucificado por nós. Teve ele partes? Sim, e essas partes ocupavam espaço, tal como todos os filhos dos homens? Sim. Tinha ele a estatura comum dos homens? Sim. Tinha dimensões? Sim, um corpo e partes. E contudo nos dizem realmente que Deus consiste de três pessoas sem corpo ou partes. É Jesus uma dessas três pessoas? Assim vos dirão, e que estas três têm um só corpo. Como crucificaram os judeus a alguém que não tinha nada a ser crucificado? Não me culpeis por falar destes absurdos. Mas o que dizem as Escrituras a respeito destas questões. Paulo, falando de Jesus, diz que era "o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa." O mártir Estêvão, em seu último testemunho ao morrer, disse: "Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus." Quantas pessoas viu Estêvão? Duas; e o Filho estava em pé à direita do Pai. Temos, portanto, testemunho de que o Pai tem uma mão direita, e seria, portanto, justo inferir que tem também uma mão esquerda. Mas permiti-me remeter-vos a um período muito antigo, pouco antes, e imediatamente depois de o homem primeiro aparecer sobre nossa terra; entre outras coisas que dele se dizem, encontrareis estas palavras: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança." E depois diz: "E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou." Portanto, sempre que tivemos algum relato de seres celestiais aparecendo ao homem na terra, sempre vieram na forma de homem. Por exemplo, o Senhor e outras duas personagens celestiais apareceram a Abraão, que lhes rogou que permanecessem até que se preparasse algo para comerem; e nos é dito que "uma vitela tenra e boa" foi morta e preparada, e bolos também foram preparados, os quais, juntamente com manteiga e leite, constituíram a refeição, e que comeram. Podeis conceber ideia mais ridícula do que a de uma pessoa sem corpo ou partes sentar-se a uma refeição e comer? Podeis dizer que eram anjos; mas encontrareis, lendo todo este capítulo de que citei, a saber, o 18º de Gênesis, que, depois da refeição, seguiram seu caminho em direção a Sodoma, acompanhados por Abraão, e que dois dos personagens foram à frente, deixando o Senhor em conversa com Abraão, ambos na mesma forma humana.

Somos também informados de que setenta dos Anciãos de Israel, em certa ocasião, subiram ao Monte Sinai, onde "viram o Deus de Israel;" e descrevem sua pessoa, e também a aparência do chão sobre o qual estava. Jacó também nos diz que viu Deus face a face; e temos muitas declarações feitas por muitos dos antigos Profetas, no sentido de que o viram. Isaías fala de tê-lo visto, e diz que as orlas do seu manto enchiam o Templo; era acompanhado por uma numerosa hoste de seres celestiais.

Em todas estas referências, o Senhor aparece como homem, viram-no como homem, e os que o viram descrevem-no como homem, tendo cabeça, olhos, ouvidos, boca, etc., em comum com a família humana, seus filhos. A diferença, contudo, entre o homem e Deus não consiste tanto na forma pessoal, quanto na vasta e imensurável quantidade de conhecimento e informação em posse do Pai, ao passo que nós, sua prole, temos pouco, uma quantidade muito limitada, comparativamente a mesma que nossos filhinhos: têm poder de mover seus membros, e essa informação aparentemente é tudo o que têm; suas mentes são bem limitadas, na verdade, e têm de aprender pela experiência real. Primeiro aprendem algo que lhes diz respeito; têm de aprender a natureza de sua visão, e ela não é correta a princípio, mas pela experiência aprendem a comparar as coisas, e também a encontrar as distâncias das coisas. Por exemplo, uma criancinha, levada à porta e vendo a lua brilhando nos céus, estende sua mãozinha para alcançar aquele luminar; não conhece a distância dos objetos, até aprender pela experiência. E assim parece que fomos colocados nas condições iniciais de conhecimento, e temos de cultivar este conhecimento por graus—de um grau a outro, até chegarmos à idade adulta; e alguns continuam a cultivar conhecimento e informação até ficarem velhos e grisalhos. Mas alguns aprendem muito mais depressa do que outros, seja por vantagens naturais, seja por método. Mas há certa escola muito superior a quaisquer escolas estabelecidas entre os homens. É esta. O Senhor nos ensinou que, se nós, seus filhos, apenas nos arrependermos de nossos pecados—quando falo de arrependimento, refiro-me a uma reforma, um abandono do pecado; quando o fazemos de todo o coração, e somos imersos em água para remissão de nossos pecados, temos a promessa de que o Espírito Santo nos será dado. Esta é uma bênção que o homem natural não conhece; mas quando se torna homem espiritual, no que se refere ao aprendizado, entra em posse de um poder que nunca conhecera antes em grande medida; em outras palavras, é batizado com o Espírito Santo. Que faz isto pela educação dos filhos dos homens? Muito mais do que fazem nossas academias. Nossos filhos têm, com árduo estudo, ano após ano, de adquirir seu conhecimento nestas instituições humanas; é necessário pensar arduamente, raciocinar, adquirir pouco a pouco, e frequentemente são necessários muitos anos de aplicação constante para se tornar o que se chama um homem instruído—um homem que compreende as ciências, que trabalhou seu caminho através dos vários departamentos da matemática, e talvez geologia, e mineralogia, e todas as ciências, tais como se ensinam usualmente nas universidades. Mas o homem cheio do Espírito Santo tem vantagem sobre os estudantes formados em nossas universidades. Por quê? Porque pode aprender mais em dez minutos, a respeito de muitas coisas, do que outro, não tão favorecido, em toda a sua vida. De fato, pode aprender algumas coisas pelas operações do Espírito Santo que nenhum homem ou mulher natural poderia aprender, por mais dotados que fossem. Podereis perguntar onde poderiam aprender estas coisas? Respondo, pelas revelações do Espírito Santo, que traz à luz muitas coisas passadas, e mostra coisas futuras. O Senhor é tão capaz de mostrar a um de seus discípulos, que der os passos necessários para ser ensinado, o que sucederá daqui a um ano, ou dez anos, ou cem, ou mil ou mais anos, quanto os diretores de nossas universidades são de ensinar pessoas a respeito de coisas presentes. Deus não está confinado ao presente, ou às coisas que dizem respeito imediatamente a seus discípulos, ou aos que possam entrar na universidade que preparou, mas abre o passado e o futuro às mentes dos homens, tal como Jesus prometeu a seus discípulos, quando estava prestes a deixá-los. "Porém, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas falará tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas que hão de vir."

Supondo, então, que os filhos de Deus, considerados dignos de possuir o Espírito Santo, obedecessem a todos os seus mandamentos, e se tornassem reveladores, e supondo que perguntassem sobre a condição e formação da terra, quando o Senhor a fez rolar à existência, também sobre as mudanças que sobre ela vieram, quão fácil seria para o Senhor mostrar-lhes, num momento, quase num piscar de olhos, tudo a respeito disso, dando toda a história de sua condição, antes e quando foi primeiro formada. Os geólogos podem estudar, ano após ano, todas as melhores obras que puderem obter, sobre os fenômenos geológicos de nosso globo; podem especular e dizer que a terra tem vários milhões de anos, fundamentando suas especulações em aparências geológicas; podem dizer que deve ter passado por mudanças sucessivas durante milhões de anos. Mas, afinal, o que realmente sabem? Podem ter uma ideia muito imperfeita a respeito da superfície da terra; mas nada sabem a respeito das profundezas, sob esta camada superficial—o grande interior; têm apenas uma vaga ideia de certas localidades muito limitadas—alguns riscos de superfície, quase infinitesimais em espessura. Destes dados incertos, tiraram suas conclusões a respeito da idade da terra.

Supondo que pessoas, sob a influência do Espírito do Deus vivo, contemplassem quantas destas mudanças foram trazidas, e quão grandes revoluções sucederam, desde que a terra foi pela última vez organizada a partir de materiais pré-existentes e eternos; supondo que contemplassem a terra sólida emergindo gradualmente de seu envoltório aquoso, e se tornando uma só terra, as águas reunidas em um só lugar—não em dois lugares, não em oceanos, mares e lagos diferentes, mas em um só lugar, deixando a terra seca num só lugar. Supondo ainda que vissem, pelo poder do Espírito Santo, esta terra seca, depois de alguns milhares de anos, separar-se em grandes continentes, não por fenômenos graduais e longos, na natureza de períodos geológicos, mas pelo poder imediato do grande Criador; supondo, novamente, que o oceano mudasse de localização, e terra, em muitos lugares, viesse à luz. Supondo, ainda, que contemplassem em visão montanhas afundarem, formando vales profundos, e vales se elevarem, formando altas montanhas. Supondo, ainda, que vissem muitas partes destes continentes afundarem, e lagos aparecerem nas partes afundadas; e supondo também que contemplassem grandes e importantes mudanças, em diferentes épocas, operadas sobre a terra seca, e sobre as partes chamadas oceano, mudando de lugar gradualmente.

Ora, um geólogo diria que todas estas coisas, e todas estas revoluções, foram trazidas por mudanças graduais e lentas; ao passo que o homem de Deus, ensinado pelo Espírito Santo, diria que estas coisas se realizaram em período comparativamente curto de tempo. Qual dos dois estaria mais correto, o homem que especula com o pouco que pode descobrir do exame superficial de nosso pequeno globo, ou o homem que, pelo poder do Deus vivo, penetra em visão nas profundezas da terra, e também contempla as várias revoluções que sucederam sobre a superfície da terra?

Depois, quando se chega aos fenômenos astronômicos, ensina-se-nos que há mudanças climáticas muito lentas, que ocupam períodos muito longos, durante os quais os hemisférios norte e sul de nosso globo são alternadamente afetados por extremos de calor e frio. É verdade que há causas de caráter astronômico que, se permitidas atuar por imensos períodos, necessariamente produziriam extremos alternados de temperatura nos dois hemisférios polares. É também verdade que diferenças de temperatura nos dois hemisférios necessariamente diminuiriam o gelo polar em um, e o aumentariam no outro; assim resultaria necessariamente uma mudança contínua do nível do mar—uma mudança no centro de gravidade da terra—uma elevação do oceano no hemisfério mais frio, uma correspondente retirada do oceano no mais quente, dando origem a períodos glaciais e interglaciais de grande extensão.

Mas todos estes grandes fenômenos também poderiam ser trazidos, em poucos milhares de anos, simplesmente mudando alternada e simplesmente o ângulo entre os planos da órbita da terra e o equador. Aquele que formou o universo segura em suas próprias mãos a chave reguladora. Por seu poder todo-poderoso foi organizado; por sua lei é governado; por sua boa vontade e prazer passa por grandes mudanças; por seu decreto passará e será renovado. Qual dá mais informação, aquela que vem de Deus, diretamente pelo poder de seu Espírito—revelação do céu—ou aquela que vem de mera especulação, baseada em algum dado incerto, que pode estar correto, e pode não estar? Diria: dai-me o privilégio de ser ensinado do alto, dai-me o privilégio de ser ensinado por aquele ser que conhece e compreende tudo o que pertence a esta criação, e conhece as mudanças pelas quais passou, e há quanto tempo a terra permanece em sua condição presente, ou quase em sua condição presente.

Inferimos deste bom livro, chamado a tradução da Bíblia do Rei Tiago, que há alguns milhares de anos a terra foi formada. E muitos supuseram que foi então formada do nada. Dificilmente preciso dizer a esta congregação que tal disparate não se encontra nas Escrituras; mas nos credos dos homens pode-se encontrar esta ideia proposta, de que Deus criou todas as coisas do nada. Ora, como sabem os fundadores destes credos, bem como os que neles creem, que ele fez tal coisa? Têm eles alguma revelação, desde o primeiro capítulo de Gênesis até o fim das revelações de São João, que declare ou dê a entender que o Senhor fez a terra do nada? Nenhuma. Isto é adição do homem; é uma tradição formada por artigos de fé e disciplina não inspirados para governar as pessoas em suas ideias religiosas; ao passo que a palavra de Deus nada diz do tipo. Os materiais dos quais esta terra foi formada são tão eternos quanto os materiais da gloriosa pessoa do próprio Senhor. Ora, ele consiste de um corpo e partes, e não apenas de partes, mas também de paixões. Tem a paixão do amor, tanto que é chamado um Deus de amor: portanto, este disparate a respeito de Deus não ter partes nem paixões está entre as invenções da sabedoria humana. Este ser, ao formar a terra, não a formou de algo que não tinha existência, mas a formou de materiais que tinham existência desde toda a eternidade: nunca tiveram princípio, nem tampouco uma partícula de substância agora existente jamais terá fim. Há tantas partículas agora quantas havia em qualquer período anterior de duração, e haverá enquanto durar a eternidade. A substância não teve princípio; dizer que as leis não tiveram princípio seria outra coisa; algumas leis podem ter sido eternas, enquanto outras podem ter tido um legislador. Mas a terra foi formada de materiais eternos, e foi feita para ser habitada, e Deus a povoou com criaturas de sua própria formação.

Houve muitas pessoas neste mundo tão limitadas em sua informação e conhecimento, em consequência da tradição e de falsos credos e catecismos, que realmente creem que nossa terra é a única criação que existe na qual habitam habitantes, que as estrelas foram feitas para brilhar em benefício de nossa terra, que o sol e a lua foram feitos especialmente para nós, e que a terra é o grande padrão central, e que todas as coisas foram feitas para seu benefício. Mas tenho a felicidade de dizer que estas ideias estão rapidamente saindo de moda, e que as pessoas estão começando a aprender que Deus não é tão limitado em seu poder a ponto de se confinar a uma criação tão pequena e insignificante quanto a de nossa terra. Há uma infinitude de espaço, ilimitado em toda direção. Em outras palavras, quando digo ilimitado, quero dizer que nos é impossível fixar quaisquer limites a esse espaço. Tem esse espaço materiais existentes nele? Sim. (Até onde nossos telescópios conseguem penetrar, e alguns deles vão muito longe, na verdade.) Tomai o refletor de seis pés de Lord Ross, e apontai-o para aqueles céus, e encontrareis novos sistemas, novos universos, por assim dizer, revelados. Que são estes mundos? São globos poderosos. Dizer que são como nosso globo não seria correto; pois se fossem apenas pequenos pontos como nossa pequena terra, não poderiam ser vistos. Mas são sóis poderosos, como nosso sol naquele firmamento. Nosso sol é mais de um milhão e duzentas mil vezes maior do que nossa terra; e aqueles corpos distantes que se veem—alguns a olho nu, e outros com o auxílio de poderosos instrumentos, são mundos de grande magnitude. Para que propósitos foram formados todos estes mundos poderosos? Que objetivo teve o Senhor em vista em sua criação? Foi para satisfazer a algumas pessoas que haveriam de habitar esta pequena terra, que o Senhor os fez cintilar naqueles céus, para brilharem à noite? Foi esse o principal objetivo que teve em vista? Não; teve um objetivo maior e mais glorioso do que esse. Criou mundos sem número, isto é, que não podem ser numerados por nós; milhões sobre milhões foram descobertos com o auxílio de instrumentos, mas estes são apenas o começo da imensidão dos mundos existentes; e os fez para serem habitados por sua própria prole, ou seus próprios filhos, seus próprios filhos e filhas, seres inteligentes destinados a serem criados e eventualmente feitos como ele. Sabeis que nossos filhos se tornam semelhantes a seus pais em muitos aspectos; e sabeis, também, que é a esperança de todos os pais que seus filhos, se viverem, e forem devidamente educados e treinados, cresçam para se tornarem bons homens e mulheres, e que possuam a mesma inteligência, senão mais, que seus pais. E também vemos outros tipos de seres trazidos à existência à semelhança de seus pais; o leão gera um leão, não um cordeiro; e assim com toda espécie de seres que existem, cada um gera seu próprio semelhante. E por que não nós, a obra-prima das criações de nosso Pai, cresceremos até àquela plenitude de conhecimento e verdade eternos que ele mesmo possui. Se ele é cheio de luz, e nele não há treva alguma, por que não seus filhos, se forem devidamente educados e ensinados, e se provarem aceitáveis e dignos diante dele, serem, no devido tempo, criados e feitos semelhantes a ele, no mesmo princípio em que todas as outras coisas geram seu semelhante. É verdade, somos agora seres caídos, nos afastamos de nosso Pai, transgredimos suas santas leis, fomos lançados em circunstâncias infelizes, em consequência da transgressão de nossos primeiros pais, no Jardim do Éden, e por isso a treva reina sobre esta pequena criação, e tomou posse da humanidade; mas, visto que eram imortais quando colocados no jardim, e a morte não tinha poder sobre eles, assim deve ter sido sua prole (se lhes fosse permitido tê-la) imortal e não sujeita à morte. Mas pela queda veio a morte; pelo pecado e transgressão os homens se tornaram sujeitos à morte, e por consequência este nosso mundo se tornou um mundo caído. Nossos primeiros pais estavam na presença imediata de Deus, seu Pai; podiam contemplá-lo e conversar com ele face a face, antes da transgressão. Mas como tudo mudou! Não foram apenas expulsos do jardim, mas da presença de seu Criador e Deus; expulsos da presença de seres celestiais—lançados num mundo de trevas, ali para aprender por triste experiência muitas lições, que talvez nós nunca pudéssemos ter aprendido, se ainda continuássemos a habitar em nossa condição anterior.

Ora, isto, sem dúvida, foi feito com sabedoria. Quando ocupávamos nosso primeiro estado, habitando na presença do Pai, antes de este mundo ser criado, estávamos sem corpos de carne e ossos, mas possuindo partes e paixões então tanto quanto agora; ali estávamos como espíritos inteligentes, em nossa presente forma e figura, mas embora não tivéssemos corpos de carne e ossos, aquela substância espiritual da qual nossos espíritos foram formados tinha uma forma, e essa forma era à semelhança e imagem de Deus, o Pai. Mas se tivéssemos continuado a habitar ali por incontáveis milhões de anos, nunca poderíamos ter aprendido, naquele estado de existência, muitas coisas que estamos sendo ensinados neste mundo caído. Poderíamos ter visto outros mundos formados: poderíamos ter tido alguma ideia, talvez, de sua condição e de sua miséria e infelicidade, e poderíamos ter tido alguma ideia das terríveis calamidades que sucederam aos corpos de outras criações caídas; mas há muitas coisas que seres inteligentes não podem aprender sem as vivenciar. Por exemplo, podemos aprender muitas coisas por nossos poderes reflexivos, sem o auxílio dos sentidos naturais; poderíamos, pela razão, descobrir alguns problemas obtusos da matemática; poderíamos, também pela razão, compreender mais ou menos as revoluções e o mecanismo de nosso sistema celestial; poderíamos, por um processo puro de razão, descobrir todos os princípios da geometria, e o cálculo diferencial e integral e muitos outros princípios da matemática. Mas há algumas coisas que talvez nunca descubramos pelo processo da razão. Por exemplo: suponde que fôssemos criados no mundo celestial sem conhecimento daquilo que chamamos dor, poderíamos aprender a senti-la vendo outros sofrerem? Não, não mais do que uma pessoa nascida num calabouço e ali mantida até atingir a idade adulta, sem o menor raio de luz, poderia, naquela condição, ser instruída a respeito do princípio da luz. Por que não poderia ser instruída? Porque é algo que jamais experimentou. Dizei-lhe que a luz produz belas cores, tais como vermelho, azul, verde, etc., o que saberia a respeito destas cores? Nada; sua experiência não fora chamada a apreendê-las; um raio de luz jamais penetrara seu calabouço. Mas quando lhe for permitido experimentar a natureza da luz, quando vir as várias cores, então aprenderá algo que jamais poderia deduzir por raciocínio. Assim conosco. Nós, em nosso primeiro estado de existência, nunca tendo visto miséria entre nenhum dos seres imortais, e nunca a experimentando em nossas personagens espirituais, como poderíamos saber algo a respeito dela? Não creio que pudéssemos possivelmente compreender a natureza dela. Não poderíamos deduzir por raciocínio a diferença entre felicidade e miséria. Por quê? Por falta de experiência. Foi por esta razão que Deus o Pai fez com que a árvore que dava o fruto proibido fosse colocada no jardim. Esta árvore não foi colocada além do alcance de Adão, mas foi encontrada em lugar conspícuo—no meio do jardim, para que o homem, por seu arbítrio, pudesse trazer sobre si sua própria miséria, e por esse meio pudesse distinguir entre felicidade e miséria. O Senhor preparou tudo, e fez referência especial à árvore do conhecimento do bem e do mal, proibindo a Adão que dela comesse, dizendo que no dia em que comesse do fruto daquela árvore certamente morreria. Mas então, que sabia Adão a respeito da morte? Tal penalidade não poderia ser compreendida por ele; o único modo possível de a conceber era por visão, e é provável que nada soubesse a respeito. Mas ele era seu próprio agente, e exerceu essa condição de agente estendendo sua mão e participando do fruto: tanto ele quanto sua esposa comeram o fruto, e assim transgrediram a lei de Deus. Então a terra se tornou caída, e todos os seus habitantes herdaram os efeitos da queda, por meio destes dois seres caídos. A morte não é algo que trazemos sobre nós mesmos, mas certamente morremos porque nossos primeiros pais se tornaram mortais; antes disso eram imortais. Tornaram-se mortais ao participar do fruto proibido, transgredindo a lei do céu, e somos os herdeiros destas calamidades e destas penalidades, do mesmo modo que os filhos são suscetíveis a doenças parentais, e frequentemente herdam, por muitas gerações, males que seus antepassados possuíam. Aprendemos aqui bastante experiência: aprendemos o que é ser miserável, aprendemos o que é ser infeliz, e podemos agora contrastar a miséria com a felicidade; e podemos dizer em nossos corações, se eu pudesse apenas livrar-me da doença, e da dor, e da tristeza, os efeitos desta morte, como eu a apreciaria! Frequentemente damos expressão a tais sentimentos, quando estamos profundamente aflitos. O Senhor pretende libertar-nos, se guardarmos seus mandamentos, depois de termos sofrido suficientemente por este estado de doença e fraqueza, este estado de sofrimento e tristeza, que temos suportado por tantos anos. Pretende trazer-nos triunfantes da sepultura, levantar nossos corpos do túmulo, restaurando nossos espíritos a corpos imortais, como estava Adão no Jardim do Éden, e fazer-nos imortais e eternos em nossa natureza. Então saberemos, por experiência, como apreciar e distinguir entre felicidade e miséria, e sermos como os deuses, conhecendo o bem e o mal. É necessária esta lição? Sim, suponde que o Senhor vos designasse um reino; suponde que vos dissesse: "Filho, ali estão materiais que podes organizar, por meu poder, num mundo; e podes colocar nele tua própria prole, como fiz eu com a minha, sobre o mundo em que habitaste." Que tipo de pessoa serias se não tivesses experiência? O quê? Ir e criar um mundo, e depois povoar esse mundo com tua própria prole, e não conhecer a diferença entre o bem e o mal, entre a doença e a saúde, entre a dor e a felicidade, não tendo conhecimento algum destas coisas por experiência? Creio que tal pessoa não seria apta a receber a confiança de um mundo que devia sofrer e passar pelas mesmas provações que nossa criação agora está experimentando.

Como Santos dos Últimos Dias, aguardamos o futuro com grande satisfação prazerosa, quando sairmos da sepultura, e nossos corpos vis forem transformados e conformados segundo seu corpo mais glorioso; e isto é o que as Escrituras estabelecem e testificam. Portanto, quando os materiais de nosso corpo se reunirem novamente para serem reorganizados, nossos corpos serão um pouco diferentes do que são agora. O sangue não fluirá então nas artérias e veias do homem e da mulher imortais; pois o sangue conduz à morte—conduz à mudança; mas em vez de sangue fluirá o puro Espírito do Deus vivo. Isto é referido no capítulo 37 da profecia de Ezequiel, como segue:

"Veio sobre mim a mão do Senhor, e me levou para fora no Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram muito numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos. E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.

"E porei tendões sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor.

"Então profetizei como se me deu ordem; e houve um ruído enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso.

"E olhei, e eis que vinham tendões sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele por sobre eles; porém não havia neles espírito.

"Então ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, e viverão.

"E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo." Foi uma visão da ressurreição. A interpretação é dada no versículo seguinte. Os filhos de Israel, naquele tempo, mais ou menos descriam na ressurreição, que era ensinada por seus Profetas; e começaram a dizer em seus corações, "Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança: nós estamos cortados."

"Portanto (diz o Senhor) profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel." Quando o Senhor levantar os filhos de Israel de suas sepulturas, o fará precisamente como Ezequiel o viu em visão. Os materiais que formam os ossos se reunirão: primeiro, a anatomia ou arcabouço, a maior parte do sistema; depois a carne, depois a pele, e então o Espírito do Deus vivo entrará neles, e viverão como seres imortais, não mais sujeitos à morte. E quando partirem, em vez de irem a um céu inconcebível, tal como se encontra nos artigos e credos dos homens—um "céu além dos limites do tempo e do espaço," lugar supostamente além do infinito, virão de fato aqui e serão trazidos à terra de Israel, como seres imortais, homem e mulher. Terão reis e sacerdotes entre eles, e reinarão sobre a terra. E se quiserdes saber por quanto tempo, podeis aprendê-lo da revelação que João teve. Diz ele, "mil anos." Mas que "os outros mortos não reviveram até que os mil anos se acabaram." Depois destes mil anos aqui referidos, esta terra morrerá; passará por uma mudança semelhante à de nossos corpos; passará, como mundo organizado, mas nenhuma partícula, contudo, será destruída ou aniquilada; toda existirá, e quando for ressuscitada novamente, será uma nova terra. Então aqueles seres imortais que subirem de suas sepulturas, no princípio dos mil anos, descerão novamente do céu sobre a nova terra; e a terra será eterna; e os seres que a habitarem serão eternos. E a terra não terá mais necessidade da luz de um luminar como nosso sol, nem de luz artificial alguma, pois será um globo de luz; pois quando Deus tornar esta terra imortal, fá-la-á gloriosa como os habitantes a quem for permitido nela viver. Tornar-se-ão imortais, e serão coroados com coroas de glória, e a luz irradiará de suas pessoas e semblantes; assim a terra irradiará sua luz, e brilhará em esplendor celestial. Não direi como o esplendor de nosso sol, pois não é um corpo celestial. Embora a luz do sol seja muito gloriosa, não se comparará à desta terra, quando se tornar celestial e eterna, e for iluminada pela presença de Deus o Pai. É duvidoso que os filhos da mortalidade, em outros mundos, jamais contemplem a luz desta terra, depois de ser feita eterna, a menos que consigam vislumbrá-la por visão. Deus habita num mundo de luz demasiado glorioso para olhos mortais contemplarem, a menos que auxiliados pelo Espírito do Deus vivo.

Deixai-me dizer algumas palavras sobre estes diferentes mundos de que falei. Estendem-se pela imensidão do espaço, são infinitos em toda direção, e são habitados. Duvido muito que algum destes mundos seja celestial. Não creio que pudéssemos contemplá-los, a não ser por visão, se fossem celestiais. São mundos em vários estágios de progressão, alguns mais gloriosos que outros, habitados por seres preparados para neles habitar, seres que são filhos e filhas de Deus, ou filhos e filhas de seus filhos. Se Deus é nosso Pai, e nos tornarmos como ele, poderemos ter nossos atributos grandemente ampliados, suficientemente para nos preparar a ocupar uma esfera maior de existência, para nos tornarmos governantes e criadores sob o comando de Deus, sendo um com ele, como o Pai e o Filho são um, para cumprir sua lei e propósitos eternos. Não apenas existem mundos presentes, mas mundos sem número existiram desde todas as eras da eternidade, em seus vários estágios de progresso, desde a duração infinita do passado, e são povoados pelos filhos de Deus—sua própria prole, ou a prole daqueles que se tornaram Deuses. Além disso, estes mundos existirão para sempre, e não há fim, por assim dizer, aos materiais que ainda serão organizados em mundos, pois os materiais são infinitos em quantidade; não podem ser esgotados. E comunicam-se estes mundos uns com os outros? Por que não; está o Senhor limitado no processo de comunicação? Vemos que o homem, pobre, fraco, caído homem, é agora capaz de se comunicar de uma extremidade do mundo em que vivemos até a outra; e por que não se comunicariam seres imortais de mundo a mundo. Se fossem limitados, então participariam mais da natureza da mortalidade. Mas não são limitados em suas comunicações. Há uma faculdade na humanidade que, quando iluminada pelo Espírito de Deus, não apenas pode penetrar em visão através de milhões de milhas de espaço, mas também pode ouvir através de milhões de milhas de espaço. De fato, o progresso do homem, neste o século dezenove, nos mostra, de modo muito impressionante, o que pode haver, no futuro, em nosso estado mais perfeito. Que coisa maravilhosa foi para todo o mundo, poucos anos atrás, comunicar seus pensamentos, por meio de fios elétricos, enviando-os de cidade em cidade, de estado em estado, e depois através do grande oceano até países estrangeiros, e isso quase instantaneamente! Se dissessem às pessoas, uns cinquenta anos atrás, que tão maravilhosos desenvolvimentos sucederiam, em tão pouco tempo, teriam rido e até zombado da ideia; mas agora é fato consumado. Quem, há uns dois anos, teria suposto que os sentidos do ouvido pudessem ser despertados por sons transmitidos a algumas centenas de milhas de distância? E, contudo, isto se faz agora com o auxílio do telefone; e embora a descoberta ainda esteja apenas em sua infância, a voz humana é ouvida distintamente, e prontamente reconhecida a essa distância.

Ora, supondo que fôssemos seres imortais, e estivéssemos sobre um mundo celestial, numa parte distante do espaço, e outros habitassem outro mundo celestial, a incontáveis milhas de distância de nós, poderia haver um processo pelo qual pudéssemos comunicar-nos uns com os outros, e ideias serem trocadas, de mundo a mundo, sem adotar o lento progresso da comunicação pela luz ou eletricidade. Bem, dirá alguém, "pensei que a luz se transmitia mais rapidamente do que tudo o que pudéssemos conceber." A luz procede de um luminar a outro, à razão de 185.000 milhas por segundo. Pode algo ser mais veloz do que isto? Supondes que o Senhor nos revelaria todos os seus recursos? Creio que não; creio que quando os filhos dos homens se tornarem imortais e eternos, seus privilégios serão ampliados; e aquelas forças da natureza, e leis das quais temos um entendimento tão limitado, tornar-se-ão grandemente multiplicadas e ampliadas. Pode haver um processo de comunicação por meio de luz celestial, celeste, que ultrapasse em muito a luz natural que procede daqueles luminares em nossos céus. Pode ser que esta luz natural viaje muito lentamente, comparada com a luz que procede dos mundos celestiais, onde quer que estejam situados. Então, novamente, se seres imortais em mundos celestiais podem ouvir, e ver, e comunicar-se uns com os outros, não seria isso tão agradável quanto se estivessem associados juntos na mesma sala? Que diferença poderia fazer, visto que a distância não lhes é impedimento algum? Este é o destino destes mundos que cintilam no firmamento do céu; finalmente chegarão àquele estado de existência aperfeiçoada, a menos que percam seus privilégios pela transgressão; todos os que não perderem estes privilégios serão exaltados a eles; e serão santificados; ficarão cheios de luz, como o mar de vidro que João o Revelador viu, sobre o qual os redimidos tiveram permissão de habitar, a quem viu e ouviu, cantando os cânticos de Moisés e do Cordeiro. Que estado e condição feliz, não apenas para estudar estas coisas relativas a este pequeno mundo que habitamos, mas para estender nossas pesquisas aos mundos vizinhos, aprendendo as leis, instituições e governos dos povos que os habitam, também sua história, e tudo o que lhes pertence, e depois estender ainda mais nossas pesquisas. Deixai-me citar aqui uma das revelações dadas antigamente a Enoque, e revelada de novo, nestes últimos dias, a Joseph Smith. Enoque, sabemos, foi favorecido com uma grande e gloriosa visão; viu os diferentes mundos, e viu o Senhor e outras personagens gloriosas, que choravam pelos filhos e filhas caídos deste mundo. Isto surpreendeu Enoque; ficou surpreendido além da medida, ao pensar que houvesse tantos mundos em existência, e todos passando por certas mudanças e graus de mudanças, e contudo o Senhor chorasse pelos filhos e filhas caídos deste pequeno planeta. Assim perguntou a respeito, indagando como era que os céus choravam e derramavam suas lágrimas como chuva sobre os montes; dizendo, Tu és santo desde toda a eternidade até toda a eternidade; e fosse possível ao homem contar as partículas desta terra e um milhão de terras como ela, isso não seria nem o começo do número de tuas criações, e contudo tu ali estás e teu seio ali está, como podes chorar! Era maravilhoso para ele, por que choraria o Senhor por uma criação tão pequena, quando havia tantas outras. O Senhor então lhe falou a respeito da iniquidade do povo que existiu antes do dilúvio; falou-lhe de suas abominações e práticas pecaminosas. E depois lhe diz ainda que seus olhos podiam penetrar todas as criações que fizera, mostrando quão poderosos são os olhos do grande Jeová, que pode contemplar todas estas criações, por mais numerosas que sejam, e pode ver tudo o que nelas sucede.

Há uma coisa ligada a esta mesma revelação, à qual desejo também chamar vossa atenção; é a respeito da condição caída de muitas destas criaturas. Não obstante os inumeráveis mundos que foram criados, de cada uma destas criações o Senhor tirou Sião (em outras palavras, um povo chamado Sião) para seu próprio seio. Que significa isto? Não devemos entender que todas estas criações eram mundos caídos? Por que não os tomou a todos? Porque não eram todos dignos, porque, sendo caídos, não guardaram seus mandamentos, porque não exerceram seu arbítrio para adorar a Deus; por essa razão não os tomou a todos. Não os qualificou e fez um em si mesmo, como Jesus é um com o Pai; não os fez semelhantes a ele em todos os aspectos, para saírem e fazerem novas criações e povoá-las. Menciono estas coisas para mostrar que temos, nas revelações que Deus deu, muitas indicações de que há mundos além do nosso que são caídos; também que podemos ver que o Senhor tem um grande método para a salvação dos justos de todos os mundos—que Sião é escolhida e tirada de todos eles. E raciocinando por analogia, não poderíamos, com propriedade, crer que estas criações caídas, depois de cumprido seu destino temporal, serão mudadas, e se tornarão as moradas celestiais de suas respectivas Siões? Consideremos, por um momento, os planetas de nosso sistema solar, a saber, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno—os grandes planetas primários de nosso sistema; foram estes feitos por nada? Não. Que nos disse o Senhor, Santos dos Últimos Dias, a respeito destes planetas? Diz que todos estes são reinos, aos quais deu leis. E compara estes mundos, ou reinos, a um homem que tem um campo, e enviou seus servos a cavar nesse campo. Ao primeiro disse, "Vai e trabalha no campo, e na primeira hora virei a ti, e verás a alegria do meu semblante. E disse ao segundo: Vai tu também para o campo, e na segunda hora te visitarei com a alegria do meu semblante; e ao terceiro e assim até o décimo segundo. E o senhor do campo foi ao primeiro na primeira hora; e permaneceu com ele toda aquela hora, e ele foi alegrado com a luz do semblante de seu Senhor; e então se retirou do primeiro, para que pudesse visitar também o segundo, e assim até o décimo segundo." Esta retirada de um, para ir a outro, é algo que explicarei. Por que era necessário que houvesse uma retirada da presença do Senhor ao visitar os diferentes mundos? Creio que era necessário, no que diz respeito à mortalidade, e indica que os habitantes destes diferentes planetas são caídos, como nós. Não o diz, em tantas palavras, mas posso ver que devem ser caídos, e por essa razão o Senhor retira sua presença deles, e os visita em sua hora, tempo e estação, e depois se retira deles, deixando-os a ponderar em seus corações os mandamentos que lhes foram dados. Se fossem seres imortais e celestiais em sua natureza, o Senhor não agiria assim com eles, pois então estariam sempre em sua presença, quer sejam seres de um mundo ou de outro, quer os mundos em que habitam sejam tão numerosos quanto as areias à beira-mar; quando se tornam celestiais, o véu que obscurece a visão dos mortais é removido, e não faz diferença se um mundo está a um milhão, cem milhões, ou um milhão de milhões de milhas de outro, se o véu é tirado, ainda estão na presença um do outro.

Há uma faculdade espiritual de ver, diferente da visão natural, um poder de discernir através do espaço, pelo qual seres celestiais podem ver incontáveis milhões de milhas de distância, tão facilmente quanto os mortais podem ver dez pés com sua visão natural. Estar na presença de Deus, então, é simplesmente ter o véu retirado, o que se fará quando nos provarmos dignos da glória celestial. Se os mundos de que falei, pertencentes ao sistema planetário, fossem mundos celestiais, ocupados por habitantes celestiais, estariam todo o tempo na presença de seu Pai, e não poderia haver retirada do primeiro, para visitar o segundo, etc., segundo a revelação que citei. Seu método de transmitir inteligência é muito mais rápido do que o da luz. A luz, quão lenta! Apenas 185.000 milhas por segundo. Levaria três anos e meio, a essa velocidade, para a luz vir de uma das estrelas fixas mais próximas. Muito tempo para esperar, especialmente se estivésseis com pressa de obter resposta a alguma mensagem que enviásseis; teríeis de esperar três anos e meio para a mensagem ir, e provavelmente o mesmo tempo para a resposta voltar. Ora, o Senhor tem poderes além daqueles que conhecemos. Tem poderes onipotentes. Confiou-nos, seus filhos de mortalidade, apenas o conhecimento de alguns dos princípios e leis mais grosseiros desta criação caída, e quando, por meio de árduo estudo, investigamos a relação de uma lei com outra, pensamos ser homens instruídos; mas creio que, quando aprendermos naquela grande universidade as ciências das quais o Senhor nosso Deus é o grande Mestre, aprenderemos mais rapidamente e compreenderemos com mais facilidade as coisas de seu reino, do que agora compreendemos as coisas do tempo. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Deus é Luz—Deus Nosso Pai—Deus uma Pessoa—O Espírito Santo—A Terra Como Parte do Universo—O Propósito da Experiência—A Ressurreição—Sião Tirada de Cada uma das Criações—Faculdades Espirituais”, (1878-01-01). Pulpit Vault, 1878-01-pratt-god-is-light-god-our-father. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).