Contentamento no Sul—As Bênçãos de um Templo—Necessidade de Castigo—A Redenção da Terra—O Mundo Cristão Preocupado com o Sacerdócio—Os Que Perseguem Serão Visitados—As Dez Virgens—Os Sábios Compreenderão
Brigham Young
Sou grato a meu Pai Celestial pelo privilégio de me reunir novamente convosco, e tenho o prazer de dizer que estou tão bem satisfeito com meus labores durante os últimos seis meses quanto com qualquer outro labor de minha vida. Aqui deixai-me perguntar: estais vós, meus irmãos e irmãs, satisfeitos com os labores que realizastes durante o mesmo período? Esta é uma pergunta que tereis de responder por vós mesmos, à vossa própria consciência. Se tendes feito bem, sereis abençoados, e vos sentireis satisfeitos; se vos permitistes fazer aquilo que é errado para convosco mesmos ou para com qualquer outra pessoa na terra, ou para com as providências de Deus, ou para com nosso Pai Celestial, vossas consciências vos julgarão. ¶
Sei que desejais ouvir algo de nossos labores no Sul. Direi que tivemos um tempo abençoado, tal tempo como nenhum outro povo na terra desfrutou por muitos séculos, do qual tenhamos conhecimento. Tivemos a permissão de desfrutar privilégios pela posse dos quais temos nos esforçado e labutado por muitos anos. Por quase meio século, temo-nos esforçado para termos o privilégio de entrar num Templo de Deus, ali para oficiar e receber as ordenanças de sua santa casa, tanto por nós mesmos quanto por nossos amigos que dormiram sem o Evangelho. Este privilégio e bênção não temos desfrutado senão há muito poucos meses. O sentimento experimentado por aqueles que participaram das bênçãos administradas no Templo é algo que não pode ser descrito ao vosso entendimento. Apenas aqueles que compartilharam conosco as ordenanças do Templo sabem por si mesmos a satisfação que há em perceber que somos de fato cooperadores com nosso Senhor e Salvador; que temos uma humilde parte na grande obra da salvação; que temos o privilégio de receber e obedecer à verdade, e de assegurar para nós mesmos aquela felicidade que somente o Evangelho proporciona; e não só de realizar essas ordenanças por nós mesmos, mas de fazer a obra necessária por nossos pais e antepassados que dormiram sem o Evangelho, para que também possam participar das águas da vida, e ser julgados como os homens na carne. Este é um privilégio, uma bênção, que ninguém pode sentir, a menos que a possua. Estamos felizes de saber, por nossa fé e sentimentos por meio do espírito de revelação dentro de nós, que nossos labores foram aceitos pelo Senhor. Desfrutamos grandemente da companhia uns dos outros; os idosos, os de meia-idade e os jovens se regozijaram e se alegraram nesta gloriosa obra. ¶
Quando observo os jovens, nossos jovens irmãos e irmãs, que estão mais ou menos desfamiliarizados com os grandes princípios da vida e da salvação, desejaria que pudessem desfrutar do que alguns de nossos jovens desfrutaram neste último inverno; suas mentes se separariam das trivialidades e tolices deste mundo fraco, e se voltariam para coisas mais sagradas, para os princípios calculados para exaltá-los e enobrecer todo sentimento e desejo do coração. ¶
Os Santos dos Últimos Dias apresentam um espetáculo estranho para aqueles que desfrutam do espírito de revelação. Ver-lhes seguindo o espírito deste mundo e satisfazendo a cobiça dos olhos e da mente, como o restante da humanidade que nunca desfrutou do espírito do Evangelho de vida e salvação; e ainda assim não tão estranho quando percebemos o poder do inimigo e os milhares de laços que ele arma para os pés dos incautos, para desviar o povo das coisas de Deus. Contudo, quando contemplamos o grande objeto de nossa vida, nosso estarmos aqui sobre a terra, sendo trazidos aqui expressamente para receber aquela experiência pela qual podemos discernir entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, e obter aquela experiência que os anjos têm, que os deuses têm, e que todos os seres exaltados têm, e lembrar que fomos postos de posse daqueles princípios que nos fazem sábios para a salvação, que nos rebaixássemos aos atos pecaminosos e reflexões pecaminosas que muitos fazem, é maravilhoso e estranho. Quando penso nestas coisas, sou impressionado com a grande importância desta vida e de nos exercitarmos nos privilégios que Deus nos concedeu, para prepararmos nossos corações, mediante a obediência ao Evangelho do Filho de Deus, para uma alta posição, para uma alta exaltação nos mundos vindouros, tal como não podemos receber enquanto revestidos deste tabernáculo mortal. Mas, ainda assim, nesta vida podemos receber pouco a pouco, e mais e mais, crescendo em graça e no conhecimento da verdade, até que nossas mentes sejam capazes de compreender muitas das grandes coisas da eternidade; e assim preparar nossos corações, vencendo o pecado e as fraquezas da humanidade, para aquela exaltação já à espera dos retos. ¶
Às vezes fico tão exercitado que castigo o povo muito severamente; mas direi aos Santos dos Últimos Dias que não tenho castigo para ninguém, a menos que o mereça, e se eu mesmo for considerado culpado dos mesmos erros, recebo para mim mesmo uma porção da repreensão que dou aos outros. Mas meus sentimentos são muito agudos; o que vejo e ouço muitas vezes me causa tristeza e espanto, e sinto-me a exclamar: "Ó Senhor, tem misericórdia de nós, teu povo!" Quão fácil é para nós esquecermos o Senhor que expiou por nós, e nos afastarmos de seus caminhos, cedendo às falsas influências que continuamente incitam nossas mentes a cobiçar as coisas deste mundo em sua condição corrupta. Tudo isto é estranho para a mente aberta a ver e compreender as coisas de Deus e as coisas da eternidade como elas são. Se possuíssemos aquele poder, aquela influência sobre nós mesmos, uma porção apropriada daquela estabilidade que pertence aos céus, uma vez abraçada a verdade não haveria necessidade de sermos castigados, nenhuma necessidade de sermos chamados a nos abster disto ou daquilo que é errado; mas a fraqueza da carne é tão grande que precisamos continuamente da influência de nosso Pai, por meio de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, para nos manter na verdade, a fim de que não nos afastemos dela e finalmente vaguemos pelas trevas do mundo, abandonando Deus e a fé que abraçamos. ¶
É espantoso que os homens assim procedam quando consideramos as coisas como são, e testemunhamos o contínuo amor e bondade de nosso Pai Celestial, ao falar novamente dos céus, revelando-se a si mesmo e a seu Evangelho eterno aos filhos dos homens, assim como as ordenanças, leis, regras e regulamentos de sua Casa, que afetam a salvação tanto dos vivos quanto dos mortos. ¶
Como está com meus irmãos e irmãs aqui? Estão despertos para as coisas de Deus? Se estiverem, não precisaremos exortá-los de dia em dia, de semana em semana. Irmãos, estendereis vossas mãos e erguereis estes Templos, estes edifícios nos quais podemos entrar e oficiar por nós mesmos e nossos progenitores, em preparação para a vinda do Filho do Homem, cuja vinda se aproxima? Edificaremos a Sião de Deus antes de entrar no milênio de descanso, quando a iniquidade for tirada da terra? Então os Santos dos Últimos Dias poderão sair sem serem perseguidos por seus inimigos, e opostos por todos os lados pelos espíritos sedutores que constantemente os tentam a se afastar das coisas de Deus para seguir as coisas de um mundo caído. Então os Santos desfrutarão o privilégio de construir seus Templos sem serem molestados, redimirão seus amigos, e se prepararão para o tempo em que as nações venham à presença de Deus, o Pai, para serem julgadas segundo os atos praticados na carne. Há alguns dos irmãos e irmãs que compreendem as coisas como são, e que estão prontos e dispostos a dedicar seu tempo e seus meios para a salvação da família humana. Se há corações ou espíritos nesta cidade, ou em outro lugar, que estão temerosamente se perguntando se seremos ou não destruídos, ou se esta Igreja perdurará e se tornará o poderoso poder na terra, de acordo com as predições dos servos de Deus, direi a todas essas almas trêmulas: não precisais nutrir tais temores. Precisais ter apenas um temor, e este diz respeito a vós mesmos, para que não abandoneis a luz que o Senhor vos concedeu e vagueis pelas trevas, retornando aos rudimentos mesquinhos do mundo, cobiçando novamente as coisas do mundo em seu estado pecaminoso. A terra é do Senhor, e a sua plenitude; até mesmo as próprias coisas que somos tão tentados a cobiçar, por desejos luxuriosos, são em si mesmas puras e santas, pois são do Senhor; mas desejamos possuí-las de maneira iníqua, e não segundo a vontade de Deus. Este é o pecado que está sobre o homem. Tudo o que vemos, e que pertence a esta pequena terra, pertence ao Senhor, e tudo será dado aos seus Santos, e eles o desfrutarão para todo o sempre. Mas, no presente, a terra geme sob o pecado, em consequência da maldade dos filhos dos homens, e anseia por ser libertada, tal como os Santos que dormiram, que o Apóstolo João viu e ouviu, quando era exilado na Ilha de Patmos. Quando será a terra redimida, quando virá Jesus receber a Igreja como noiva, quando virá reinar Rei das nações, como agora reina Rei dos Santos, quando banirá a iniquidade da terra, e quando os Santos terão poder para vencer o pecado? Quando aprendermos a santificar o Senhor Deus em nossos corações. À medida que aprendermos a conformar nossa vontade individual à sua vontade, vencendo o pecado dentro de nós mesmos, teremos poder para subjugar o pecado naqueles que nos cercam, e desta maneira toda a terra será redimida da maldade. A maldição que foi trazida sobre a terra por meio da Queda será removida pela fé e virtudes dos Santos. Quando nos tornarmos santificados na verdade, e nossa fé, mediante o Evangelho do Filho de Deus, se tornar suficientemente poderosa, seremos capazes de remover os espinhos, os cardos e as ervas daninhas nocivas que crescem imediatamente ao nosso redor, e de abençoar e santificar nossos jardins e fazendas, de modo que produzam espontaneamente os frutos e flores, os cereais e vegetais que sustentam a vida; e sobre este princípio, à medida que a retidão se estender, toda a terra será eventualmente redimida e santificada, quando todas as coisas serão como eram no princípio, quando o Senhor terminou a terra e declarou tudo "muito bom." Esta é a natureza da grande obra dos últimos dias em que estamos empenhados, e, não fosse pela confiante certeza que temos de realizá-la com sucesso, eu tremeria, e o temor poderia entrar em meu coração. ¶
Por que todo o mundo cristão está preocupado com vosso humilde servo? Dizem que Brigham Young não é digno de viver, que não deveria ser permitido que permanecesse sobre a terra. Removê-lo-iam se tivessem poder para isso? Sim, muitos que se autodenominam cristãos se juntariam ao ato, e muitos outros consentiriam em sua morte! Não os de espírito elevado e honrado da terra, e aqueles que servem a Deus e a seu Cristo; mas o fanático, o hipócrita, o ímpio e o profano o fariam. Por quê? Simplesmente porque representam seu senhor, o diabo, que está travando uma guerra contra os céus, e seus corações se opõem a Deus e a tudo o que o representa. Este conflito sempre existiu, e existirá até a cena final. Se eu tivesse que depender de minha própria sabedoria e poder, em conjunto com os de meus companheiros de trabalho, poderia bem tremer e temer. Mas não dependo de sabedoria humana ou poder humano. Ocupo a posição em que Deus, nosso Pai Celestial, me colocou, e, enquanto me exercito nos deveres que ele me confiou, buscando edificar seu reino e estabelecer a retidão sobre a terra, mantendo o domínio por ele e pela família de Cristo, não tremo, não temo, nem me importo com os insultos do mundo, pois o Senhor é meu baluarte, meu escudo e meu libertador. Mas não conseguiram alguns dos ímpios remover outros da terra? Sim, mataram José e Hyrum Smith, sob a fé empenhada do Estado de Illinois; e em Haun's Mill, Missouri, massacraram cerca de dezoito de nossos irmãos e irmãs, homens, mulheres e crianças inocentes, sem a menor causa ou provocação; e, além disso, os perpetradores desses e de outros assassinatos jamais foram levados à justiça; de fato, a imprensa da nação defendeu a destruição do "mormonismo," e, na morte dos líderes de nossa Igreja, todo o consolo que a opinião pública ofereceu às suas famílias enlutadas, assim como aos membros da Igreja sobre os quais presidiam, foi que aquilo poria fim ao "mormonismo." Mas irá o Senhor ignorar e esquecer tais crimes? Não, pois o sangue dos inocentes continuamente clama a ele por vingança, que ele administrará em seu devido tempo. Ele já perturbou esta nação e deu ao povo tempo para pausar e considerar sua conduta; e, se não se arrependerem, afastando-se de suas corrupções e maldade, ele só precisa dizer aos inocentes, e aos Santos dos Últimos Dias: "Esperai um pouco, esperai um pouco, e sua taça estará cheia até transbordar." Já disse a meus irmãos e irmãs, e digo-o agora: Ide ao Condado de Jackson, e ao Condado de Caldwell, onde vidas de Santos dos Últimos Dias foram tiradas e de onde foram expulsos; ide à região de Haun's Mill, onde tantos foram massacrados por terem chegado à parte ocidental do Missouri, e por se dizer que eram "mórmons," e descobrireis que nós, em todas as nossas perseguições, não sofremos tanto quanto os personagens que executaram juízo sobre os inocentes. Se me perguntassem hoje se nós, como povo, sofremos perseguição, diria: "Não, nada digno de menção." Isto sempre foi o caso com os retos, e sempre será. Pois, quando suas vidas são tiradas pela causa do Evangelho, vão para o Pai, para o paraíso do descanso, onde estão livres da influência e do poder de homens pecadores e ímpios. Mas quão diferente é com os ímpios e profanos! Quando morrem, seus sofrimentos, que não podem ser descritos, apenas começam. Mas já recebemos o suficiente para compreender que os ímpios são uma vara nas mãos de Deus para castigar seus filhos? Se não recebestes, é tempo de o aprenderdes, pois é assim mesmo; e, se somos castigados, é com um propósito, provavelmente para nos trazer a um senso de nosso dever, para que possamos conhecer o trato do Senhor para conosco. Mas fomos alguma vez destruídos? Não, nem Deus permitirá que o sejamos, enquanto desejarmos ser seus servos, e fazer a obra que nos foi dada a fazer. Embora fosse necessário que Jesus sofresse na cruz pelos pecados do mundo, ainda assim poder-se-ia dizer daqueles que tomaram parte ativa no ato, assim como daqueles que consentiram nele em seus corações: "Ai daqueles por quem veio esta ofensa." Muitos dos Profetas selaram seu testemunho com seu sangue, para que seu testamento pudesse ir adiante com força, e não retornar vazio. Como nos dias antigos, assim nos dias modernos. Quando José Smith selou seu testemunho com seu sangue, seu testamento, a partir daquele momento, estava em vigor para todo o mundo; e ai daqueles que lutarem contra ele. O que faremos com eles? Nada, senão pregar o Evangelho. Podem mentir sobre nós quanto quiserem. Se cuidarmos fielmente de nossos próprios assuntos, vivermos nossa religião, fizermos o bem a todos os homens, pregarmos o Evangelho às nações da terra, ajuntarmos os de coração honesto, edificarmos e estabelecermos Sião na terra, enviarmos o Evangelho à Casa de Israel, e vivermos e servirmos a Deus em todas as coisas, tudo estará bem conosco, não temos motivo algum para temer. Quando o Senhor julgar necessário que seus servos selem seu testemunho com seu sangue, a fim de que sua palavra seja fortalecida e tenha maior força na terra, que assim seja; eles são recebidos nos braços de Jeová, regozijam-se na companhia daqueles que esperam pacientemente até que a trombeta soe, quando as nações adormecidas despertarão e seus corpos ressurgirão para se reunirem com seus espíritos, e os fiéis entrarão numa plenitude de sua glória. Com eles tudo está bem, tudo está certo. ¶
Mas vivemos nossa religião? O único temor que tenho é que não somos tão fiéis quanto deveríamos ser. Cedemos à paixão, cedemos à tentação; ao passo que deveríamos viver de modo que o Senhor pudesse fortalecer a posição de seu povo e multiplicar os retos, quão rapidamente e em que grau não cabe a mim dizer. Mas, se os Santos dos Últimos Dias fossem tão retos e tão santos quanto somos capazes de ser, colocando em prática a doutrina que recebemos, tenho certeza de que o Senhor poderia apressar sua obra, e a abreviaria em retidão; ela se consumaria muito mais rapidamente do que ele pode fazer em nossa condição presente. Os atos e a condição do povo aqui na terra devem ser considerados, o mesmo é guardado em memória perante o trono de Deus, pois ele exige de seu povo que aja com ele em todas as coisas pertinentes à edificação de seu reino sobre a terra. Mas sua graça está sempre pronta, seu Espírito está sempre à espera, e a luz que Jesus trouxe ao mundo está sempre com o povo, ensinando-lhe o certo do errado. Ele é a luz do mundo, que alumia todo homem que vem ao mundo, e, se aos sussurros de seu Espírito e a seus ditames se desse ouvidos e fossem obedecidos, todos os homens em toda parte cresceriam na verdade muito mais rapidamente do que nós, Santos dos Últimos Dias, o fazemos. É motivo de mortificação saber que homens e mulheres que estão nesta Igreja de vinte a quarenta anos ainda são tão propensos às fraquezas da carne. O que vejo? Se não o testemunho com meus próprios olhos, ouço a respeito por meio daqueles que o fazem — homens, muitas vezes de longa data na Igreja, bebem um pouco, praguejam um pouco, fumam ou mascam um pouco, e indulgem seus apetites naquelas coisas contra as quais o Senhor nos advertiu, e que ele disse não serem boas para o homem. Podem também gastar seu tempo vagando por estas montanhas em busca de ouro e prata, podem se misturar e associar com aqueles cujas vidas são registros de vício e imoralidade, e que estão prontos a se opor a Deus e a difamar o caráter de seus servos. Podem os Santos de Deus, os Élderes em Israel, que são exercitados pelo poder e espírito de seu santo chamado, que têm dentro de si o dom da vida eterna, podem eles ser culpados de tais coisas e permanecer aprovados diante de Deus? Não, não podem; e digo: vergonha a tais homens, são um desdouro para si mesmos, e seus atos são um desdouro para o nome de Santo. É um desdouro também para as irmãs, assim como para os irmãos, que têm sede das vãs modas e práticas tolas do mundo. Cessai de vos moldar segundo aqueles que não conhecem a Deus. Como se compararia tal conduta com a conversação e o comportamento dos anjos que esperamos encontrar? Desejariam eles adotar as práticas e modas do mundo ímpio? Não, têm aspirações mais elevadas e mais santas, vivem acima da vaidade; assim deveriam ser os Santos dos Últimos Dias. Nossos corações deveriam ser puros, nutrindo apenas aquelas coisas que são decorosas, castas e louváveis diante dele. Este é o curso de vida que ele espera de nós. ¶
Tenho muitas reflexões, especialmente quando sozinho; converso comigo mesmo sobre estas coisas eternas, coisas nas quais os frívolos, os vãos, e aqueles que se ocupam apenas das coisas deste mundo, nunca pensam. Quanto à sociedade do céu, sua conversação e comportamento, considerai a magnitude e grandeza do caráter dos seres santos, contemplai a extensão da eternidade e a vida que está diante de nós, e então quão insignificante parece este mundo tal como é agora! Ainda assim, em nossa humanidade, em nossa condição caída, aquela influência divina está mais ou menos conosco, e, se quisermos nos preservar para habitar com os santos do céu e ter alegria em nosso ser, devemos aderir fielmente e praticar os princípios da vida eterna; e, ao fazê-lo, ele acrescentará, para nosso conforto e prazer, todas as coisas necessárias pertinentes a esta vida. ¶
Não temais quanto ao sucesso desta Igreja e reino. Antes, temei que não sejais considerados dignos de ser contados entre os santificados quando Jesus vier reunir suas joias; antes, temei que sejais achados na condição das cinco virgens loucas, cujas lâmpadas se apagaram e que estavam despreparadas para encontrar o noivo porque não tinham óleo. Lembrai-vos, Santos dos Últimos Dias, havia cinco sábias e cinco loucas, uma divisão igual, e ainda assim todas eram virgens. A aplicação é justa e tem relação direta conosco, como Santos dos Últimos Dias. Os sábios entre nós tomarão cuidado, ouvirão as instruções e conselhos dos servos de Deus, se moldarão segundo Cristo, e terão sede das coisas de Deus, e nossas lâmpadas estarão preparadas e acesas, e estaremos prontos para encontrar o noivo quando ele vier, e os que estiverem prontos entrarão com ele para as bodas; e se a porta será ou não fechada aos que não estiverem tão bem preparados é um assunto que pertence unicamente a ele, e ele pode fazer exatamente o que lhe aprouver a respeito. Quero ter óleo em meu vaso, de modo que, caso eu, em consequência da fraqueza da carne, cochile um pouco, ao me levantar minha lâmpada esteja preparada, pronta para arder. Este é, sem dúvida, o vosso desejo. Então vivei para isso; não mistureis vossas vozes com os ímpios, não busqueis as coisas ilusórias deste mundo em seu estado presente. Mas não vai o Senhor dar a terra e suas riquezas a seus Santos? Sim, essa é a promessa, e ele a proferiu pela boca de muitos de seus Profetas. Mas quando passará esta herança para as mãos de seu povo? Quando tivermos santificado o Senhor em nossos corações, santificado nossos corpos e espíritos na verdade, e nos tornarmos puros e santos, livres do egoísmo e de todo pecado; e até termos alcançado este estado de perfeição, nunca precisaremos esperar que estas coisas nos sejam confiadas, pois ele não o fará. Quando o julgamento for dado aos Santos, será por causa de sua retidão, porque julgarão até mesmo como os anjos e como os Deuses, e não como os ímpios fazem no presente, que não se importam com Deus nem com a justiça, que não se importam com a verdade nem com a misericórdia, o amor nem a bondade, que julgam segundo a maldade de seus corações. Sou muito grato por não ser nossa província, em nossa condição presente, julgar o mundo; se o fosse, arruinaríamos tudo. Não temos sabedoria suficiente, nossas mentes não estão repletas do conhecimento e poder de Deus; o espírito precisa contender com a carne um pouco mais, até ter êxito em subjugar suas paixões, até que toda a alma seja trazida à perfeita harmonia com a mente e a vontade de Deus. E devemos também adquirir a discrição que Deus exerce, sendo capaz de olhar para o futuro, e de descobrir e conhecer os resultados de nossos atos no futuro distante, mesmo na eternidade, antes de sermos capazes de julgar. ¶
Vivamos de modo a estarmos prontos para qualquer dispensação da providência. Diz-se que ele virá como um ladrão de noite. É melhor estarmos na torre de vigia, esperando prontos por ele, do que adiarmos o tempo, pois, porventura, poderíamos adiá-lo até que fosse tarde demais. ¶
Tenho algo a dizer aos Santos dos Últimos Dias sobre seus assuntos temporais, como deveríamos viver temporalmente, cuidando devidamente daquilo que nos foi confiado, e usando-o para o benefício de nós mesmos e de outros, o que vos direi em alguma ocasião futura. ¶
No segundo sábado e domingo de maio, dias 12 e 13, teremos aqui uma reunião de dois dias, ou, se preferirdes chamá-la assim, uma Conferência Distrital desta Estaca de Sião, à qual vós, e tantos quantos possam conveniente comparecer, estais convidados. Se vierdes com mãos limpas e corações puros, cheios de fé, para que o Senhor possa derramar seu espírito sobre nós, teremos um tempo de regozijo. Deus vos abençoe. Amém. ¶