Pulpit

Todas as Nações Creem num Estado Futuro de Existência — Todos Herdam a Maldição na Morte do Corpo — Sião de Enoque Tomada ao Seio de Deus — Esferas Celestial, Terrestre e Telestial — O Batismo na Água É Essencial à Salvação — Autoridade Divina — Casamento Eterno Ordenado por Deus

Orson Pratt

1874-07-19

Espero que a congregação preste atenção e ore para que o Espírito Santo seja derramado sobre todos os que são retos de coração, para que sejamos edificados e instruídos pela inspiração e poder dele, pois este é um dos objetivos que temos em vista ao nos reunirmos, de sábado em sábado, para sermos instruídos nas coisas pertencentes ao reino, e também para participarmos dos emblemas da morte e dos sofrimentos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Encontramo-nos aqui, sobre esta criação, seres inteligentes, e perguntas sem dúvida surgem nas mentes de quase todo homem e toda mulher em relação ao destino futuro da família humana, e qual é o objetivo de sermos colocados aqui nesta terra por uma breve estação e depois partirmos. É uma pergunta feita não apenas por seres inteligentes que creem na revelação divina, mas os pagãos e as nações semi-bárbaras, de fato todos os povos refletem, mais ou menos, sobre o objetivo de sua existência aqui, e o que os aguarda no futuro. A humanidade ganha muito pouca luz sobre este assunto, a não ser pelo meio da revelação divina, por isso encontramos entre todos os povos uma grande variedade de pontos de vista em relação a este assunto. Nossos índios americanos têm algumas ideias de um estado futuro de existência — não conseguem persuadir-se a crer que o homem esteja destinado, ao deixar de lado este tabernáculo mortal, a ser aniquilado, mas olham para um estado futuro, e para os prazeres que desfrutarão depois em seus felizes campos de caça. Alguns povos creem num princípio e outros noutro em relação a este assunto, e a única maneira de o homem ficar satisfeito sobre um assunto de tamanha importância é receber revelação daquela ordem de seres — muito à nossa frente — que têm conhecimento do estado e da condição futura do homem.

Encontramos registrado nas revelações do Altíssimo, chamadas a Bíblia, assim como no Livro de Mórmon e nas várias revelações modernas que Deus deu, que o homem está destinado a viver para sempre. Tendo Deus revelado este fato aos antigos e aos modernos, levantou testemunhas para dar testemunho aos filhos dos homens de que são seres imortais, e que esta mudança que sobre eles vem, denominada morte, não é uma aniquilação de seu ser ou um fim de sua existência, mas é meramente um despojar-se ou deixar de lado o tabernáculo mortal; que o homem vive no mundo eterno mesmo depois que parece estar morto, e que, se for um homem justo, tem alegria e felicidade, mas, se for um homem ímpio, tem o remorso da consciência, e miséria, e infelicidade; e que espera, segundo a revelação divina, receber novamente, a seu tempo, o tabernáculo que deixou de lado por um momento. É semeado em fraqueza, diz o Apóstolo Paulo, é ressuscitado em poder; é deposto como corpo mortal, é ressuscitado como corpo imortal.

Se nós, por estudo ou pesquisa, pudéssemos descobrir algum método ou princípio pelo qual pudéssemos permanecer neste mundo e viver neste tabernáculo para sempre, estaríamos dispostos a fazê-lo com todos os inconvenientes da presente ordem das coisas, e ainda assim ficarmos alegres em nossos corações. Se algum homem pudesse, por pesquisa ou saber, descobrir algum tipo de meio, ou remédio, que desse imortalidade aos filhos dos homens, mesmo em seu estado presente, seria considerado um dos maiores homens que já viveram, e aquele que concedeu a maior bênção a seus semelhantes; seria louvado até os céus, e seu nome seria transmitido entre todos os povos e nações como um dos maiores benfeitores da humanidade; tão fortemente sentimos apego à vida e desejo de viver, que estaríamos muito dispostos a suportar os inconvenientes do estado presente se pudéssemos apenas permanecer e o monstro morte não tivesse poder sobre nós. Mas está na ordem de Deus que o homem morra. O homem trouxe isto sobre si mesmo ao transgredir as leis do céu. Ao estender a mão e comer daquilo que Deus havia proibido, trouxe este grande mal ao mundo. A morte não veio apenas sobre nossos primeiros pais, que cometeram a primeira grande transgressão, mas a maldição foi herdada por todas as suas gerações. Ninguém pode escapar da maldição no que diz respeito ao corpo mortal.

Penso que, talvez, esta afirmação abrangente possa ser contestada nas mentes de alguns. Podem falar-nos de Enoque, que foi trasladado ao céu; podem falar de Elias, que foi arrebatado num carro de fogo, e dizer — "Aqui, ao menos, estão duas exceções à regra geral." Mas o que sabemos sobre a translação? O que revelou Deus, em todas as revelações contidas no Antigo e no Novo Testamento, em relação a um ser trasladado? Temos garantia de que tais seres nunca terão de passar por uma mudança equivalente à da morte?

Nossas novas revelações que recebemos nos informam de um grande número de indivíduos que foram trasladados antes do dilúvio. Lemos que um grande e poderoso Profeta do Deus Altíssimo foi enviado nos dias de Adão, a saber Enoque, a sétima geração a partir de Adão, que viveu contemporâneo com seu antepassado Adão; que em seus dias um grande número de pessoas ouviu o plano de salvação pregado a elas pelo poder do Espírito Santo que repousava sobre Enoque e os que foram chamados com ele; que receberam este plano de salvação e se reuniram, saindo dentre as várias nações da terra onde tinham obedecido ao Evangelho; que foram instruídas, depois de se reunirem numa só, em retidão, por trezentos e sessenta e cinco anos; que aprenderam as leis do reino, e a respeito de Deus e de todo princípio de retidão que era necessário para capacitá-las a entrar na plenitude da glória do céu; foram instruídas a edificar uma cidade, e foi chamada uma cidade de santidade, pois Deus desceu e habitou com aquele povo; ele estava em seu meio, viram sua glória, viram seu rosto, e ele se dignou a habitar entre eles por muitos e longos anos, durante os quais foram instruídos e ensinados em todos os seus caminhos, e entre outras coisas aprenderam a grande doutrina e princípio da translação, pois esta é uma doutrina igual à doutrina da ressurreição dos mortos, que está entre os primeiros princípios do plano de salvação; e podemos também dizer que a doutrina da translação, que está intimamente ligada à da ressurreição, é também um dos primeiros princípios da doutrina de Cristo. Foram instruídos a respeito deste governo, seu objetivo, etc.

De acordo com a luz e o conhecimento que os Santos dos Últimos Dias têm sobre este assunto, revelado nas revelações dadas por meio de Joseph Smith, descobrimos que aquele povo, quando estava plenamente preparado, tendo aprendido a doutrina da translação, foi arrebatado aos céus, toda a cidade, o povo e suas habitações. Quanto da terra foi levado junto com suas habitações não nos foi informado. Poderia ter sido uma grande região. Podeis perguntar — "Onde foi construída esta cidade de Sião nos tempos antigos?" Segundo a nova revelação, foi construída neste grande hemisfério ocidental. Quando falo deste hemisfério ocidental, falo dele como agora existe. Naqueles dias a terra era unida; os hemisférios oriental e ocidental eram um só; mas habitavam naquela porção do nosso globo que agora se chama o hemisfério ocidental, e foram levados desta porção do globo. Sem dúvida, toda a região do país ocupada por eles foi trasladada, ou retirada da terra.

Isto prova que eram seres imortais desde o momento de sua translação? Não; não prova coisa alguma disso. Como havemos de saber alguma coisa a respeito? Não podemos aprender nada em relação a isso, exceto por revelação. Deus nos revelou que são mantidos em reserva, em alguma parte ou porção do espaço; sua localização não nos é revelada, mas são mantidos em reserva para ser revelados nos últimos tempos, para retornar à sua antiga terra-mãe; todos os habitantes que então foram levados haverão de retornar à terra.

Cerca de cinco mil anos se passaram desde que foram arrebatados aos céus. Qual tem sido sua condição durante este tempo? Têm estado livres da morte? Foram mantidos em reserva em resposta às suas orações. Quais eram suas orações? Enoque e seu povo oraram para que um dia de retidão pudesse ser trazido em seus dias; buscaram-no de todo o coração; olharam para toda a face da terra e viram as corrupções que haviam sido introduzidas pelas várias nações, os descendentes de Adão, e seus corações se derreteram dentro deles, e gemeram diante do Senhor com dor e tristeza, por causa da maldade dos filhos dos homens, e buscaram um dia de descanso, buscaram que a retidão fosse revelada, que a maldade fosse varrida e que a terra pudesse descansar por uma estação. Deus lhes deu visões, retratou-lhes o futuro do mundo, mostrou-lhes que esta terra deve cumprir a medida de sua criação; que geração após geração deve nascer e passar, e que, depois de certo período de tempo, a terra descansaria da maldade, que os ímpios seriam varridos, e a terra seria purificada e santificada e preparada para um povo justo. "Até aquele dia", diz o Senhor, "tu e teu povo descansareis, Sião será tomada ao meu próprio seio." A antiga Sião deveria ser mantida em reserva até que chegasse o dia de descanso; "então", disse o Senhor a Enoque, "tu e toda a tua cidade descereis sobre a terra, e vossas orações serão respondidas."

Já se foram, como já afirmei, cerca de cinco mil anos. O que têm estado fazendo? Tudo o que sabemos a respeito deste assunto é o que foi revelado por meio do grande e poderoso Profeta dos últimos dias, Joseph Smith — aquele jovem sem instrução que Deus levantou para trazer à luz o Livro de Mórmon e estabelecer esta Igreja dos últimos dias. Ele nos disse que têm sido anjos ministrantes durante todo este tempo. A quem? Aos da ordem terrestre, se puderdes entender esta expressão. Deus lhes deu os desejos de seus corações, o mesmo que deu aos três Nefitas, a quem concedeu o privilégio, segundo seu pedido, de permanecerem e trazerem almas a Cristo enquanto o mundo existisse. Do mesmo modo, concedeu ao povo de Enoque o desejo de se tornarem espíritos ministrantes para os da ordem terrestre até que a terra descansasse e eles retornassem novamente a ela.

Joseph indagou sobre sua condição, se estavam sujeitos à morte durante aquele período, e foi informado, como encontrareis na história desta Igreja, impressa no Millennial Star e outras de suas publicações, que estes personagens têm de passar por uma mudança equivalente à da morte; não obstante sua translação da terra, certa mudança deve ser operada sobre eles, que é equivalente à morte, e provavelmente equivalente também à ressurreição dos mortos. Mas, antes que aquela mudança venha, ministram em seu ofício aos de outra ordem, isto é, a ordem terrestre. Estranhos talvez não entendam o que queremos dizer com a ordem terrestre. Se tiverem a oportunidade de ler as doutrinas desta Igreja, tal como expostas nas revelações dadas por meio de Joseph Smith, aprenderão quais são nossos pontos de vista em relação a este assunto. Deus revelou por visão as diferentes ordens de seres nos mundos eternos. Uma classe, a mais elevada de todas, é chamada celestial; outra classe, a seguinte à celestial em glória, poder, potência e domínio, é chamada terrestre; outra classe, ainda inferior à terrestre em glória e exaltação, é chamada telestial. Esta classe intermediária, cuja glória é tipificada pela glória de nossa lua no firmamento dos céus, comparada ao sol, são aqueles que outrora habitaram nesta ou noutra criação e, se lhes foi apresentado o Evangelho, não tiveram uma oportunidade plena de recebê-lo; ou não o ouviram todo, e morreram sem ter tido o privilégio. Na ressurreição, vêm com corpos terrestres. Devem ser ministrados, diz a visão, e Deus designou agentes ou mensageiros para ministrar a estes seres terrestres, para seu bem, bênção, exaltação, glória e honra nos mundos eternos.

Enoque e seu povo, entendendo este princípio, buscaram, antes de receber a plenitude de sua glória celestial, ser os instrumentos nas mãos de Deus para fazer muito bem entre os seres da ordem terrestre.

Lemos no Novo Testamento a respeito de certos anjos que estão nos mundos eternos, e a pergunta é feita pelo Apóstolo Paulo — "Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" — não para os que já eram herdeiros da salvação, mas para os que hão de ser — os que haviam de ser redimidos, que haviam de ser trazidos e exaltados. Enoque e seu povo foram designados a este ministério, detendo o Sacerdócio dele, com poder e autoridade para ministrar, a fim de que estes seres possam ser exaltados e trazidos para cima, e herdar toda a glória que desejam receber.

Muito se poderia dizer a respeito destas diferentes ordens de glória, mas sentimos que devemos prosseguir, e falaremos agora algumas palavras sobre a ressurreição dos mortos daqueles que se prepararam plenamente para a mais alta glória, a glória do reino celestial, a mais alta de todas, a mais santa de todas, o reino onde Deus, o Pai, está entronizado em glória e em poder, dirigindo e governando todas as coisas. Existe uma certa lei, que Deus ordenou antes da fundação do mundo, um decreto irrevogável de que os que obedecessem a essa lei teriam esta grande e mais gloriosa de todas as ressurreições, seriam elevados ao poder celestial, tronos e exaltações, onde poderiam habitar na presença de seu Pai e de seu Deus, por todas as futuras eras da eternidade.

Perguntais qual é esta lei que Deus revelou, e que foi predestinada nos conselhos da eternidade, para ser manifestada aos filhos e filhas dos homens para sua exaltação a este mais elevado céu? Desejais conhecer o caminho, as ordenanças, os princípios, pelos quais podemos alcançar aquela mais elevada de todas as exaltações? Começarei e direi a todos, que todo indivíduo que algum dia alcança a plenitude daquela glória, refiro-me aos que chegaram aos anos de entendimento e maturidade, não me referindo de modo algum às criancinhas — deve nascer da água e do Espírito para estar preparado a entrar naquela mais elevada glória de todas. Ninguém chega lá por nenhum outro princípio. Nenhuma ordenança, princípio, lei ou instituição estabelecida pelos filhos dos homens que se desvie desse princípio jamais nos levará ao reino celestial. Temos as palavras de Jesus sobre este assunto, quando falava a Nicodemos — "Na verdade, na verdade te digo que, se alguém não nascer da água e do Espírito, de modo nenhum pode entrar no reino dos céus." É uma impossibilidade, porque a palavra do grande Jeová saiu, e não será revogada, e, a menos que nasçamos da água e do Espírito, não podemos entrar ali.

O que entendemos por nascer da água? O que entendemos, o que Deus nos revelou, assim como aos antigos, é que devemos ser postos debaixo da água e trazidos para fora da água, típico do nascimento, pois este é um nascimento da água. Quem é sujeito apto para este nascimento da água? Ninguém, senão os que verdadeiramente creem no Senhor Jesus Cristo como o Salvador do mundo; os que creem que ele morreu para redimir o mundo e que derramou seu sangue para expiar os pecados do mundo; os que creem nisto e verdadeiramente se arrependem de todos os seus pecados são os únicos sujeitos justificados diante de Deus para descer às águas do batismo, sendo imersos na água e trazidos novamente para fora da água, o que é o novo nascimento da água. De nada adiantará a uma pessoa ser batizada cem vezes se seu batismo não estiver ligado à verdadeira fé em Deus e em Jesus Cristo, e em suas revelações e mandamentos; e, a menos que sinceramente e verdadeiramente se arrependa de seus pecados, reforme sua vida e entre num convênio com Deus para servi-lo em toda retidão, humildade, mansidão e humildade de coração, seu batismo não valeria nada, não seria reconhecido no céu, não seria registrado nos arquivos da eternidade para sua justificação no grande dia do julgamento. Deixai-me ir ainda mais longe, e dizer que, se nos arrependemos e fomos batizados para a remissão de nossos pecados, se não buscarmos também o nascimento do espírito, nosso batismo não nos aproveitará de nada; devem andar juntos — primeiro o nascimento da água e depois o nascimento do espírito.

O que entendemos por nascimento do espírito? Respondo que há um nascimento do espírito, em outras palavras, aquelas pessoas que recebem o Espírito Santo se enchem dele, são imersas nele, são revestidas dele, e, consequentemente, nascem de novo dele, e ficam sem desejos de fazer o mal, seus desejos de fazer o que é errado são removidos, e tornam-se novas criaturas em Cristo Jesus, tendo nascido do espírito, assim como do nascidos da água. Aqui estão, então, certas leis, ordenanças ou princípios, como um começo ou ponto de partida, pelos quais podemos ganhar uma entrada naquela mais elevada glória de que tenho falado.

Outra coisa a ser considerada ao recebermos estas ordenanças — eu poderia ser tão sincero e humilde e tão disposto a arrepender-me de meus pecados; poderia ter tanta fé em Deus e em seu Filho Jesus Cristo, e, contudo, se eu não for batizado por um homem que detenha autoridade divina de Deus, com o direito de me batizar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, meu batismo não será legal, não será o novo nascimento, e não posso entrar no reino de Deus, segundo as palavras de Jesus. O que então requer para constituir um homem que tenha autoridade divina? Pode alguém, por uma mera impressão em sua mente, considerar que tem autoridade divina para batizar seus semelhantes? Não; requer-se um chamado do céu, requer-se uma nova revelação contemporânea aos indivíduos que agem, uma revelação de Deus chamando as pessoas pelo nome, separando-as, ordenando-as e chamando-as para oficiar, ordenando-lhes que administrem. Qualquer outra pessoa que tente administrar o batismo não será reconhecida no céu. Mas um homem que detenha o direito em virtude de seu chamado e ordenação divinos, e em virtude do poder que Deus lhe conferiu e do mandamento que Deus lhe revelou, pode descer e administrar o batismo de água, e será reconhecido no céu; não apenas será registrado na terra entre os Santos na Igreja aqui na terra, mas será registrado nos livros da eternidade, os registros que são mantidos no alto, e naquele dia, quando todos os homens forem julgados pelos livros que estão escritos, verificar-se-á que os livros mantidos aqui na terra concordarão com aqueles livros que são mantidos no céu, e por estes livros as partes serão justificadas, e por estes livros as ordenanças legais que foram administradas serão reconhecidas e admitidas no céu.

Isto suscita outra pergunta do mundo — "Por que sois vós, Santos dos Últimos Dias, tão exclusivos na administração das ordenanças, que não me admitis, a mim, um Batista, para me unir à vossa sociedade com meu antigo batismo? Fui imerso", diz o Batista; "fui sincero, arrependi-me de meus pecados, e, contudo, vós, Santos dos Últimos Dias, não me recebeis em vossa comunhão nem para tornar-me membro de vossa Igreja, a menos que eu seja batizado por uma de vossas autoridades." A resposta é que não reconhecemos, como já afirmei, a autoridade dos Batistas, Presbiterianos, Metodistas, Católicos Romanos, nem de nenhuma sociedade cristã sobre toda a face de nosso globo, para administrar as sagradas ordenanças, a menos que Deus os tenha chamado por nova revelação, assim como Arão foi chamado nos tempos antigos. Foram assim chamados? Perguntai-lhes, e vos dirão que não. Perguntai-lhes se houve alguma revelação posterior ao Antigo e ao Novo Testamento, e todas estas sociedades vos dirão que Deus não deu nenhuma revelação, não levantou nenhum Profeta nem inspirou Apóstolos, não enviou nenhum anjo, nem deu nenhuma visão, desde o dia em que João, o Revelador, o último dos Apóstolos, encerrou seus escritos. Ó que condição terrível devem estar, se este for o caso! E quem, com exceção dos Santos dos Últimos Dias, pergunto novamente, entre todas as nações, tribos, povos, línguas e denominações religiosas, sobre a face de nosso globo, tem alguma autoridade divina? Nenhum; por isso seus batismos são ilegais, suas administrações da Ceia do Senhor são ilegais, e todas as suas administrações em ordenanças não são reconhecidas no céu. Se Deus não disse nada desde os dias dos antigos Apóstolos, não é de admirar que ele tenha ordenado, nestes últimos dias, que não recebêssemos ninguém em nossa Igreja a menos que entrassem pela porta do batismo.

Mas apenas vos contamos alguns dos primeiros princípios do Evangelho do Filho de Deus, que são necessários para preparar a família humana a entrar naquela mais elevada glória de que fala o Apóstolo Paulo — a glória do celestial. Ele diz, no décimo quinto capítulo da primeira epístola aos Coríntios — "Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela; assim também é a ressurreição dos mortos." A glória do sol é a mais elevada, é chamada por Paulo de celestial, e eu vos disse alguns dos primeiros princípios da lei celestial. Se quiserdes herdar uma glória celestial, deveis estar dispostos a submeter-vos à lei celestial, caso contrário ficareis aquém. Mas paramos com estes primeiros princípios? Não, há muitos outros grandes e gloriosos princípios, ligados à lei celestial, que Deus revelou, e estabeleceu como necessários para seu povo receber, a fim de prepará-lo para entrar naquela glória. Nomearei um — o casamento.

Sabemos muito pouco sobre a ordem do céu, no que diz respeito ao casamento, e tudo o que sabemos, Deus revelou. Ele nos disse no Novo Testamento: "O que Deus ajuntou não o separe o homem." Parece, então, que há um casamento em que Deus oficia, ou, em outras palavras, ele oficia por seu poder e autoridade, oficia na união de homens e mulheres em casamento, por isso se chama uni-los de Deus — o que Deus une, não o que o homem une. É uma instituição divina, não pode ser administrada pelo poder legislativo. Pode haver casamentos sob a lei civil; o Congresso, ou as Legislaturas dos vários Estados e Territórios podem aprovar leis que regulem a instituição do casamento, e os casamentos realizados conforme suas disposições seriam legais, no que diz respeito às leis do homem. Mas tem Deus algo a ver com estes casamentos? Tanto quanto ele tem com o batismo quando administrado ilegalmente. Já vos mostrei que um batismo administrado por um homem sem autoridade não vale nada; e um homem e uma mulher unidos em casamento por qualquer lei civil já formulada desde o princípio do mundo estão ilegalmente casados aos olhos do céu; para ser legal ali, deve ser realizado por um homem chamado por revelação e ordenado e mandado a celebrar aquela ordenança.

Agora quero dizer algumas palavras a nossos jovens que habitam em diferentes partes do Território. Ouvi dizer que alguns deles, talvez por falta de compreensão das leis de Deus, permitiram-se casar pela lei civil — por exemplo, por um juiz de paz, vereador ou juiz. Isso será muito bom no que diz respeito às leis da terra, mas tem Deus algo a ver com tais casamentos? Absolutamente nada. Já autorizou ele casamentos a serem solenizados desta ordem? De modo algum. São os filhos nascidos de tais casamentos vossos legítimos filhos e filhas aos olhos do céu? De modo algum; são, em certo sentido, bastardos. Isto é um dito bem duro, não é? São realmente bastardos. Por exemplo, há muitas pessoas idosas que nunca ouviram falar da nomeação e autoridade divinas que Deus enviou do céu em relação ao casamento, que se casaram segundo as leis dos países em que residiam antes de ouvirem falar desta obra. Cumpriram literalmente suas leis, e, no que dizia respeito à lei, isso estava certo. Mas eram eles, legalmente, aos olhos de Deus, marido e mulher? Tanto quanto eu seria filho de Deus e nascido da água, se fosse aspergido por um sacerdote sectário, ou batizado por um sacerdote Batista, tanto quanto isso. Poderíamos reivindicar uma glória celestial, e todos os privilégios e bênçãos e exaltação que Deus ordenou desde a fundação do mundo para serem concedidos aos que cumprem a lei celestial, sem cumprirmos esta lei? Poderiam nossos filhos, na manhã da ressurreição, vir e dizer-nos — "Nós vos reivindicamos como nossos pais legítimos;" "Eu sou teu filho," "Eu sou tua filha, e vós sois meus pais, e portanto reivindico o privilégio de participar de toda a glória de que participais, e de receber tronos e domínios e reinos e poderes e principados em lugares celestiais em Cristo Jesus?" Não poderiam reivindicar nada disso; nem os pais poderiam ter reivindicação sobre estes filhos; nem poderiam ser reunidos e organizados numa capacidade familiar. Por quê? Porque a lei celestial não foi observada. Pergunta um — "Quereis dizer que nos fazeis todos bastardos?" Não aos olhos da lei, mas aos olhos do céu. Estou apontando agora a diferença entre as duas leis — a lei do homem e a lei de Deus, ou a lei celestial. Pais, se quereis ter vossas famílias ligadas a vós numa capacidade social no futuro, deveis tomar providências para assegurá-las obedecendo à lei celestial.

Pergunta um — "Há algum remédio para estes casamentos ilegais em que entramos antes de ouvirmos o Evangelho?" Sim, Deus ordenou, desde antes da fundação do mundo, leis e instituições adaptadas à condição de toda a família humana, as quais, quando reveladas, se forem observadas pelos filhos dos homens, os abençoarão e exaltarão, e, consequentemente, a propriedade de se reunirem. Deus não revelou uma lei em relação ao casamento que possa ser oficiada em qualquer lugar, ao acaso, sem nenhum registro; ele ordenou que, nos últimos dias, em Sião e em Jerusalém, e no remanescente que o Senhor nosso Deus chamar, haverá libertação. Libertação de quê? De todas as nossas antigas tradições tolas, e dos poderes das trevas e de tudo o que é mau. Por esta razão o povo está se reunindo das nações da terra, para que possa ser ensinado na lei da libertação; para que possa ser ensinado, legal e apropriadamente, como se tornar unido como maridos e mulheres aos olhos do céu; e, na medida em que nossos filhos nos nasceram sob os convênios da lei civil, para que nossos casamentos possam ser renovados sob o novo convênio que Deus revelou, e ser registrados e selados na terra e no céu para o benefício de nossos filhos e sua posteridade para todo o sempre. Descobrireis, quando aprenderdes mais sobre a glória celestial, que as palavras de Paulo são verdadeiras, que naquela glória, os que estão em Deus devem eles mesmos estar unidos em casamento; pois diz o Apóstolo Paulo, "nem o homem é sem a mulher, nem a mulher, sem o homem, no Senhor." Este é um princípio eterno, uma lei eterna pertencente àquela glória. Podeis tentar obter a plenitude dela sozinhos, mas não podeis fazê-lo, pois Deus fez disto um ponto de ordem e lei, que todos os seres exaltados àquela mais elevada glória serão unidos no Senhor, como marido e mulher.

Pergunta um — "Quereis dizer que tal relacionamento vai continuar depois desta vida nos mundos eternos?" Sim, o que Deus designou e ordenou na eternidade, em relação às criações e mundos que fez, deve ser cumprido. Não existe tal coisa como uma mulher habitando separada e independentemente, e herdando uma plenitude da glória do céu, nem tampouco um homem; devem estar unidos no Senhor.

Agora começais a entender um pouco do princípio do casamento, tal como creem os Santos dos Últimos Dias. Poderíamos apontar muitos outros princípios da lei celestial, necessários de observar para alcançar a mais elevada glória, mas, como o calor está intenso, não seria sábio deter-vos. Deixai-me dizer a meus jovens irmãos e irmãs, não transgridais a lei do céu. Estas coisas poderiam ser feitas sem condenação muito grande por pessoas do exterior, mas, quando estamos no lugar onde podemos ser ensinados e instruídos nos caminhos do Senhor, se então, de olhos bem abertos, formos e fizermos nossos casamentos celebrados apenas pelas autoridades civis da terra, encontrar-nos-emos sob grande condenação. Deus julgará o povo segundo a luz que tem, e, se fostes devidamente instruídos a respeito de suas leis e ordenanças, não as transgridais, mas observai-as segundo a ordem do céu, como fostes instruídos. Que todos os vossos casamentos sejam, não apenas para o tempo, segundo o sistema gentio de casamento, mas que sejam convênios para a eternidade, e que sejam selados sobre vós por um homem de Deus com autoridade para fazer estas coisas; e que sejam registrados, e que estes registros sejam tais que, quando os livros forem abertos, se verificará que concordam com os registros do céu, então, se fordes fiéis, tereis direito à vossa esposa e a vossos filhos, por toda a eternidade, em virtude dos convênios em que entrastes, e que foram selados na terra, por autoridade divina, e selados no céu em vosso favor. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Todas as Nações Creem num Estado Futuro de Existência — Todos Herdam a Maldição na Morte do Corpo — Sião de Enoque Tomada ao Seio de Deus — Esferas Celestial, Terrestre e Telestial — O Batismo na Água É Essencial à Salvação — Autoridade Divina — Casamento Eterno Ordenado por Deus”, (1874-07-19). Pulpit Vault, 1874-07-pratt-all-nations-believe-in-a-future-state-of-existence. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).