Pulpit

Cessai de Trazer e Edificar Babilônia Separai-vos dos Pecadores e do Pecado Não Viemos com Nenhuma Nova Doutrina Devemos Ser Um Sem Obras Não se Pode Provar que a Fé Existe Chegou o Tempo de Organizar os Santos O Tempo e as Energias dos Santos é Tudo o que se Deseja Pesquisas Geológicas do Professor Marsh Demonstração Científica da Verdade do Livro de Mórmon

Brigham Young

1874-04-18

Sou grato por desfrutar do privilégio de me reunir com os Santos aqui nesta manhã. Enquanto tento falar, oro para ter o espírito do santo Evangelho, e ter forças para proclamar seus ensinamentos para minha própria satisfação e para a vossa. Também oro para que deis atenção estrita. Esta oração vos é oferecida, meus irmãos e irmãs. Orai para que o Espírito abra vossas mentes, ilumine vosso entendimento, me fortaleça, e assim me ajude, para que eu fale as palavras da verdade a vós, e para que vossos corações estejam preparados para recebê-las.

Minhas observações desta manhã destino como um texto para meus irmãos e irmãs falarem e agirem. Não viemos a vós com nenhuma nova doutrina, nem com uma nova Bíblia, de forma alguma. Contudo, a doutrina que agora pregamos, a fim de trazer uma união entre os Santos, parece ser tão nova para eles quanto foi a pregação dos Élderes quando primeiro chegaram às suas várias vizinhanças e os chamaram a ouvir e obedecer aos primeiros princípios do Evangelho de Cristo. Posso dizer, com toda gratidão e agradecimento, que nunca vimos o dia, desde que primeiro conhecemos Joseph e a Igreja e o reino de Deus na terra, em que os corações do povo estivessem tão bem preparados para receber as maiores bênçãos do reino como estão agora. Estamos felizes em dizer isto, pois é verdade; isto é encorajador, e me enche de esperança e consolação, que, depois de trabalhar e labutar com Joseph, e desde sua morte, para unir os Santos dos Últimos Dias, esta é a primeira vez que vemos que podemos trazer seus corações à união. Isto deveria ser encorajador para cada Santo dos Últimos Dias, e deveria nos ensinar que o Senhor é misericordioso conosco, que ainda se lembra de nós, que ainda está buscando por nós, e que está enviando sua voz -- a voz de seu Espírito -- aos corações de seu povo, clamando-lhes -- "Parai! Parai vosso curso! Cessai de trazer e edificar Babilônia em vosso meio." É dever de cada um de nós refletir sobre o cargo e chamado que possuímos, e ver se estamos fazendo a vontade do Senhor, e, se não estamos, deveríamos parar e começar de novo a estabelecer o reino de Deus na terra.

Lerei agora uma porção da Escritura, do capítulo 14 do Apocalipse de João, começando no versículo 6: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." Lerei também do capítulo 18 do Apocalipse, começando no versículo 4: "E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela."

Perguntarei aos Santos dos Últimos Dias: Cremos nós, como povo, que o anjo referido no versículo 6 do capítulo 14 do Apocalipse de João voou pelo meio do céu, que esteve na terra, chamou Joseph, entregou as revelações do Senhor, restaurou o Sacerdócio, etc.? Cremos nós, como Santos dos Últimos Dias, que este anjo esteve na terra, e que confiou o Evangelho aos filhos dos homens? Certamente não estaríamos aqui hoje, se não cremos nisso, e isso, também, de todo o coração. Esta é a resposta dada, por si mesmo e por si mesma, por cada Santo dos Últimos Dias: "Cremos, mui firmemente, que o Evangelho foi revelado nestes últimos dias a, e por meio de, Joseph Smith, o Profeta; que o Sacerdócio e suas chaves lhe foram concedidos, e por meio dele a outros; e que a proclamação saiu às nações da terra -- 'Sai dela, povo meu,' etc., como mencionado naquela porção da Escritura contida no Apocalipse, capítulo 18, versículo 4."

Foi esta proclamação ouvida por algum dos habitantes da terra? Sim, os Santos dos Últimos Dias mui seguramente creem que esta Escritura se cumpriu no surgimento da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Com o tempo, o clamor será, como profetizado por João, o Revelador: "Babilônia caiu." Isto está no futuro; mas este povo crê que a voz do anjo foi ouvida, chamando os honestos de coração em toda nação a saírem da confusão e discórdia, e das transgressões dos filhos dos homens. O clamor lhes chegou -- "Separai-vos dos pecadores e do pecado." Se nós, como povo, não tivéssemos crido nisso, não estaríamos aqui hoje. "Não sejais participantes de seus pecados, para que não recebais de suas pragas, pois seus pecados chegaram até o céu, e Deus se lembrou de suas iniquidades." Cremos nisso, consequentemente tenho de dizer ao povo, não viemos com nenhuma nova doutrina; cremos nisso desde que fomos batizados para a remissão dos pecados. Saiu o povo das nações? Sim. Nos separamos das nações? Sim. E que mais fizemos? Perguntemo-nos: Não trouxemos Babilônia conosco? Não estamos promovendo Babilônia aqui em nosso meio? Não estamos fomentando o espírito de Babilônia que agora está espalhado por toda a face da terra? Faço a mim mesmo esta pergunta, e respondo: Sim, sim, em certa medida, e não há Santo dos Últimos Dias que não sinta que temos demasiada Babilônia em nosso meio. O espírito de Babilônia é demasiado prevalente aqui. O que é? Confusão, discórdia, contenda, animosidade, vexação, orgulho, arrogância, vontade própria e o espírito do mundo. Estão essas coisas no meio dos chamados Santos dos Últimos Dias? Sim, e sentimos isso.

Pergunto agora a meus irmãos e irmãs que desfrutam do Espírito do Senhor, se não temos viajado tão longe quanto deveríamos viajar por este caminho -- a estrada larga para a destruição, a grande via, o portão amplo pelo qual tantos passam? O portão é largo, o caminho é espaçoso, e muitos são os que entram por ali; e muitos que se chamam Santos dos Últimos Dias se apressam para ver quão rápido podem entrar. O espírito de confusão está no meio deste povo, e temos viajado por este caminho tão longe quanto podemos viajar e ainda sermos Santos. É esta a experiência dos Santos dos Últimos Dias? Posso responder que é; e agora, que o Senhor está movendo seus servos para trazer os Santos a uma unidade, há um espírito repousando sobre eles, e, se falardes com eles, dirão, de imediato: "Sim, isto é certo, devemos ser um. Esta é a doutrina que Joseph ensinou, e as revelações que primeiro foram dadas por meio de Joseph eram para a Igreja se ajuntar. Fomos então ordenados a sair dos ímpios, e a consagrar o que tínhamos, colocá-lo aos pés dos Bispos, receber nossa herança, melhorá-la, e sermos um -- sermos como a família do céu na terra." Este é o espírito do povo, e dizem: "Graças ao Senhor, orei por isto durante anos e anos. Aguardei e esperei por isto, e sou extremamente grato por ter chegado."

Citarei agora outra porção da Escritura, com a qual penso que estais bastante familiarizados, se ledes a Bíblia. É uma das últimas petições que o Salvador apresentou a seu Pai nos céus, enquanto estava na terra -- uma breve oração que fez em favor de seus discípulos. Tinha muito poucos, pois, apesar de seus muitos milagres e obras maravilhosas, poucos pareciam se apegar e confiar nele em todos os momentos e sob todas as circunstâncias; mas havia uns poucos que desejaram e que de fato permaneceram com ele até sua morte, isto é, ficaram um pouco afastados; disseram -- "Vamos ver o que farão com ele." Mas antes de Pedro o negar, e antes de ser preso pelos soldados, ele ofereceu uma breve e simples oração a seu Pai. Havia estado conversando e exortando seus irmãos, e mostrando-lhes a necessidade de viver segundo a fé que lhes havia ensinado, e apresentou esta petição -- "Pai, faze estes meus discípulos um, como nós somos um, eu em ti, tu em mim, e eu neles, para que todos sejamos um; e não oro apenas por estes, mas por todos os que creem em mim por seu testemunho." Esta é uma oração simples. Aquele que a ofereceu quis dizer algo, ou não? Se quis dizer algo, o que quis dizer? Quanto quis dizer, e como calculou que seus discípulos interpretariam esta breve oração em suas vidas, em seu andar, fé e prática depois de lhes ser tirado? Até que ponto, quanto e em que quis que fossem um? Pode algum de vós nos mostrar exatamente o que ele quis dizer? Se dizeis que quis dizer que todo aquele que crê nele deveria ser um em sua crença, isso é sectarismo. Tomai a Igreja mãe -- a "Santa Igreja Católica" -- e a oração de seus membros é que todos sejam católicos: "Pai, oro a ti para fazer todo o povo santos católicos." Esta é a fé e a oração dos católicos, e o sentido que dão à petição de Jesus. O mesmo com os calvinistas; e, quando se apresentam diante do trono da graça, o peso de sua petição é -- "Oro a ti, Pai, para fazer este povo um, como nós somos um; influencia-os a deixar a Igreja Católica, a se revoltar e sair daquela mãe ímpia, aquela ímpia meretriz, aquela ímpia Igreja, e a se declararem crentes naquela pura e santa doutrina de que Deus decretou todas as coisas que acontecem." Ide aos que creem na doutrina do livre-arbítrio, o que, sabeis, compreende muitas das assim chamadas sociedades cristãs do mundo, e eles vêm com uma tempestade dupla e retorcida -- "Deus Todo-Poderoso, faze-os todos metodistas! Sim, sejamos todos metodistas." Oro a ti, Pai, para tirares o véu da mente deste povo, para que vejam que é graça livre e livre-arbítrio! Deus seja louvado, sejamos todos metodistas." É assim que os seccionistas explicam e definem o sentido daquela memorável oração do Salvador, de que seus seguidores fossem um; e desculpai-me pela minha maneira de ilustrá-lo -- fiz isso para ilustrar os fatos exatamente como são.

Quis Jesus dizer isso, ou não? Teve ele alguma alusão a um aqui à direita, e a outro à esquerda, cada um clamando -- "Eis que aqui está Cristo, e eis que ali está Cristo, ele não está lá?" E outro apontando para este lado, e outro para aquele, e assim por diante para todo ponto da bússola? Que retrata tudo isto diante da mente do ser racional, do filósofo, daquele que tem o espírito de revelação, e que entende as palavras de vida e tem as chaves de vida para o povo; e para todos os que creem nas revelações do Senhor Jesus nos últimos dias? Confusão sobre confusão, discórdia, contenda, animosidade, vexação, perplexidade, guerra até a faca, e matando-se uns aos outros. Ó, o número de guerras cristãs que já houve na face da terra! Podemos dizer com bastante prontidão e veracidade que os verdadeiros cristãos -- os membros da verdadeira Igreja de Cristo na terra -- nunca pegam na espada, exceto para se defenderem.

Irmãos e irmãs, queremos entender o que o Salvador quis dizer quando orou para que seus discípulos fossem um. Um na fé? Sim. Um na doutrina? Sim. Um na prática? Sim. Um nos interesses? Sim. Um na esperança? Sim, e tudo concentrado no reino de Deus na terra e em seu estabelecimento, no cumprimento das Escrituras, no ajuntamento dos Santos, e na salvação dos habitantes da terra. Esta é a unidade e a união que o Salvador quis dizer. Deixai-me aqui fazer a pergunta: Desejou o Salvador que fôssemos um a respeito da fé nele, do arrependimento do pecado, do batismo para a remissão deste, da imposição das mãos para o dom do Espírito Santo, dos dons e graças do Espírito do Senhor, de que houvesse na Igreja primeiramente Apóstolos, depois Profetas, pastores, mestres, auxílios, governos, diversidades de línguas, o dom de profecia, o dom de discernimento de espíritos; também o dom da fé, de modo que, se fosse administrado veneno, não deveria prejudicar o crente; e, se houvesse necessidade de pegar serpentes, deveria ser feito sem perigo? Sim, tudo isso está incluído na unidade pela qual o Salvador orou; e alguns dos dons que enumerei foram testemunhados pela maioria de nós. Eu mesmo já vi cascavéis manuseadas como manuseiríeis um pedaço de corda. Lembro-me de certa noite, indo para Missouri, no ano de 1834, estendendo nossos cobertores sobre a alta grama da pradaria, que era bastante espessa e densa, que uma cascavel estava sob minhas mãos e me avisou de sua presença por seus guizos. Chamei um dos irmãos que estava ajudando, e, virando o cobertor, disse-lhe -- "Toma esta serpente e leva-a embora, e dize-lhe para não voltar mais; e para dizer a seus vizinhos que não venham a nosso acampamento esta noite, para que não sejam mortos." Ele pegou a serpente e a carregou várias varas para longe do acampamento, e lhe disse para ficar longe, e dizer a seus vizinhos para não entrarem no acampamento, pois poderiam ser mortos se o fizessem. Muitas circunstâncias assim já ocorreram na experiência dos Élderes desta Igreja; mas não precisamos parar para relatá-las, pois é bem sabido que os dons do Evangelho estão nesta Igreja, tais como cura, fé, falar em línguas, discernir espíritos, profecia, etc., e não preciso me deter neles agora.

Farei agora a pergunta: onde está o indivíduo que pode traçar a linha e nos mostrar que, quando Jesus orou para que seus discípulos fossem um, quis dizer uma unidade apenas em coisas espirituais, e que não devia se estender aos assuntos temporais? Traçará algum de vós essa linha e no-lo dirá? Pois estou certo de que não tenho sabedoria suficiente para definir a linha entre coisas espirituais e temporais. Nada sei de fé no Senhor sem obras correspondentes; devem andar juntas, pois, sem obras, não podeis provar que a fé existe. Poderíamos clamar, até o dia de nossa morte, que amamos o Salvador, mas, se negligenciássemos observar seus ditos, ele não creria em nós. Temos suas próprias palavras para provar isto. Havia muitos que pretendiam pensar bastante dele enquanto esteve aqui na carne; mas ele disse a seus discípulos -- "Se me amais, guardai meus mandamentos." Esta era a prova que exigia, então obras e fé andavam juntas. O mesmo princípio se aplica aos pais e filhos. Se algum de vós tem um filho que diz -- "Amo-te, mamãe, ó, amo-te muito;" vós, para testar a sinceridade das professas do filho, dizeis: "Bem, então, meu filho, deixarás de fazer o que me desagrada. Vem cá, e te darei um pequeno trabalho para fazer;" ou "Desejo que te sentes naquela cadeira, e deixes aquela louça em paz;" ou "Não rasgues aquele pano, minha filha; se me amas, vem sentar-te ao meu lado." "Ó, amo-te muito," diz a menininha, mas continua a rasgar o pano, ou a espetar alfinetes e agulhas na carne das outras crianças. "Mamãe, amo-te muitíssimo." "Bem, então," diz a mamãe, "não deves afligir nem causar dor à tua irmã, ou ao teu irmão; és má em fazer isso, e deves parar com esta travessura." Mas a criança continua sua travessura, ainda declarando que ama sua mãe, embora não faça uma única coisa que sua mãe deseja que ela faça. Tal criança precisa de correção; se palavras suaves não bastarem, a severidade deve. Não é isto um fato? Tendes filhos mais velhos que professam ser muito afeiçoados a vós; dirão: "Pai, penso muito bem de ti," e, contudo, tomarão um rumo que é penoso, incômodo e desagradável, e bem contrário a vossos sentimentos e desejos. Acreditará um pai nas professas de tais filhos? Não muito, penso eu. Para usar outra comparação: suponde que uma jovem senhora ame ternamente um jovem cavalheiro, que declara a outros que a estima igualmente, e que ficaria muito feliz de lhe expressar seus sentimentos, mas nunca a visita; ora, embora possa declarar a outros quanto a ama, a jovem dirá -- "Não creio numa só palavra disso, pois sei que ele mo faria saber, se fosse verdade." Poderia declarar até o Juízo Final que a amava, mas, a menos que lho dissesse e o provasse por suas obras, ela diria -- "Isso é tudo tolice, ele não quer dizer o que diz." Nem vós, nem eu, creremos que alguém nos ama e deseja promover nossa alegria e conforto, enquanto essa pessoa agir contrariamente a isso; nem Jesus o creria. E, a menos que estes Santos dos Últimos Dias parem agora, e se ponham a trabalhar, e provem por seus atos que são discípulos do Senhor Jesus, ele os vomitará.

Fomos tão longe quanto nos é permitido ir no caminho em que agora viajamos. Um homem tem o olho numa mina de ouro, outro está por uma mina de prata, outro está por comercializar sua farinha ou seu trigo, outro por vender seu gado, outro por criar gado, outro por conseguir uma fazenda, ou construir aqui e ali, e negociar e comerciar uns com os outros, exatamente como Babilônia, tirando vantagem onde puderem, e todos indo exatamente como o resto do mundo. Babilônia está aqui, e estamos seguindo os passos dos habitantes da terra, que estão num perfeito mar de confusão. Sabeis disso? Deveríeis saber, pois não há nenhum de vós que não o veja diariamente; é um espetáculo diário diante de meus olhos e dos vossos, ver os Santos dos Últimos Dias tentando tirar vantagem de seus irmãos. Há Élderes nesta Igreja que tomariam a última vaca da viúva, por cinco dólares, e depois se ajoelhariam e agradeceriam a Deus pelo bom negócio que fizeram.

Cheguei a esta conclusão, que tenho pregado por anos e anos e anos, e Joseph a pregou até o momento de sua morte, de que o povo deve deixar Babilônia e a confusão para trás, e ser os servos e servas do Senhor; devem ser sua família. Saíram de Babilônia, e devem se preparar para permanecer em lugares santos, preparatórios à vinda do Filho do Homem. Tenho observado e esperado, tão constante, séria e fielmente quanto qualquer mãe já observou seu filho pequeno, para ver quando este povo estaria pronto para receber a doutrina, ou as primeiras lições ou revelações dadas quando a Estaca Central de Sião foi primeiro localizada, para consagrar sua propriedade, e serem de fato os servos e servas do Senhor, e trabalharem com todo o coração para fazer sua vontade e edificar seu reino na terra; e nunca vi o tempo em que pudéssemos organizar uma pequena sociedade, ou uma pequena ala; mas, graças a Deus, chegou o tempo, o Espírito do Senhor está sobre o povo.

É para nós uma nova doutrina que o povo de Deus deva e precise ser um em tudo? É uma doutrina antiga; direi que é tão antiga quanto os montes, tão antiga quanto as montanhas, tão antiga quanto este mundo? Sim, posso dizer que é tão antiga quanto meu Pai nos céus; é uma doutrina eterna; é de eternidade a eternidade. Perguntai a vós mesmos: Esperais ir ao céu quando partirdes desta vida? "Sim, sim, vou para o Paraíso de Deus; vou habitar com os Santos do Altíssimo na presença do Pai e do Filho." Quantos interesses haverá ali? Quantos locais, ou lugares centrais de depósito para as afeições, trabalhos e riquezas de todos os que ali habitam? Tudo em um, tudo para Deus, tudo para sua glória e seu reino, e a extensão de seus domínios pela imensidão do espaço, reinos sobre reinos, cada coração e cada fôlego, cada voz e cada olho, e cada sentimento para a glória de Deus. Então perguntemo-nos -- Vai o Senhor ter uma Igreja na terra? Vai o Senhor ter um reino na terra? Certamente, Daniel viu isso nos dias de Nabucodonosor, e deu uma descrição, ou antes, uma indicação, a respeito do estabelecimento daquele reino, quando os reinos deste mundo seriam entregues aos Santos do Altíssimo, e possuiriam o reino e a grandeza do reino para todo o sempre.

Vamos entrar no reino? Vamos estar preparados para a vinda do Filho do Homem? Vamos estar preparados para entrar na plenitude da glória do Pai e do Filho? Não enquanto vivermos segundo os princípios de Babilônia. Agora cada homem é por si mesmo. Um diz: "Esta é minha propriedade, e estou por aumentá-la." Outro diz: "Isto é meu." Outro: "Farei como me agrade; irei aonde me agrade e quando me agrade; farei isto, aquilo, ou aquilo outro; e, se tiver vontade de produzir grãos aqui e levá-los ao mercado e os dar de graça, isso não é da vossa conta." Será dito a todas essas pessoas, que professam ser Santos dos Últimos Dias -- "Nunca vos conheci; nunca fostes Santos."

Ora, desejo dar-vos um pouco de nossa recente experiência a respeito do Salvador e suas doutrinas. Organizamo-nos nesta Ordem Unida, começando em St. George. Mil pensamentos surgem em minha mente, ao olhar para o assunto em geral. "St. George! Vais me mandar para St. George? Ora, é como me mandar para fora do mundo!" Mas não devo falar disto: baste dizer que St. George é um dos lugares mais belos nesta pequena fazenda -- este mundo que ocupamos -- esta pequena fazenda do Senhor, um dos lugares mais escolhidos na face da terra. Vejo mais riqueza naquele pequeno lugar do que em qualquer outra localidade, de seu tamanho, neste Território, ou nestas montanhas; e sempre vi.

Organizamos ali um pequeno Ramo, ou, antes, posso dizer, um razoavelmente grande. Preguei bastante em St. George. Parecia ser o único lugar onde podíamos começar nossa obra; eram o único povo que podíamos organizar; mas organizamos ali. Deus pretende tornar o povo de um só coração e uma só mente de segunda-feira de manhã a segunda-feira de manhã novamente, e que tudo o que fazem na terra promova sua causa e reino, e a felicidade e salvação da família humana. "Bem," disseram eles, "não entendemos; cremos que deveríamos ser um, e que deveríamos entrar na ordem de Enoque. Entendemos muito bem que Enoque era tão puro e santo que sua cidade foi levada, e correu o dito de que Sião fugiu. Isto cremos tão firmemente quanto vós." Depois alguns outros diriam: "Não se organizará uma só ala depois que os irmãos passarem além da borda da bacia." Organizamos toda ala ou cidade ao sul da borda da bacia, e as deixamos em razoavelmente boa ordem de funcionamento, na medida em que haviam avançado. O único problema com eles era: "não entendiam." Diziam: "É certo, e as Escrituras nos falam disso; mas não entendemos o modo de sua operação." Um homem veio até mim, um velho "mórmon," a quem conheço há mais de quarenta e dois anos, exatamente quando estávamos organizando, e disse -- "Irmão Brigham, preguei por ti o tempo todo. Fiz o mesmo pelo irmão Joseph. O irmão Joseph pregou esta doutrina; não é estranho que o povo não a veja?" "Então," disse eu, "estás pronto a pôr teu nome?" Sua resposta foi -- "Vou pensar sobre isso." Não entendeis plenamente vossa própria fé, nem as doutrinas que pregais ao povo, se não entendeis esta doutrina; e não estais tão prontos a entrar nela quanto estaríeis para deixar este corpo mortal e entrar no céu, se Deus vos chamasse, ou para fazer qualquer outro dever. Baste dizer que Deus estabelecerá esta ordem na face da terra, e, se não o ajudarmos, outros o farão, e eles desfrutarão dos benefícios dela.

Quando chegamos deste lado da borda da bacia, achamos o povo mais disposto do que ao sul da borda da bacia a se apresentar e se organizar, pois sentiam que temos viajado tão longe quanto podemos em nosso caminho atual, sem irmos à destruição. Um Bispo me escreveu -- "Por favor, vinde e nos organizai. Estou feliz por virdes por este caminho, queremos ser organizados. Sei que temos de consagrar a alguém, e prefiro consagrar ao Senhor do que ao diabo. Temos de consagrar a um ou a outro, e muito em breve também." É um Bispo muito bom; está cheio do espírito desta obra, e não consegue deixar de falar a respeito.

Agora queremos organizar os Santos dos Últimos Dias, cada homem, mulher e criança entre eles, que tenha o desejo de ser organizado, nesta santa ordem. Podeis chamá-la a Ordem de Enoque, podeis chamá-la sociedade, ou o que quiserdes. É a Ordem Unida do Reino de Deus na terra; mas a chamamos a Ordem de Enoque, sobre o mesmo princípio que achais na revelação a respeito do Sacerdócio, que, para evitar a repetição demasiado frequente do nome da Divindade, é chamado o Sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque. Esta ordem é a ordem do céu, a família do céu na terra; são os filhos de nosso Pai aqui na terra, organizados num só corpo ou uma só família, para operar juntos.

Como indivíduos, não queremos vossas fazendas, não queremos vossas casas e lotes urbanos, não queremos vossos cavalos e vosso gado, não queremos vosso ouro e vossa prata, nem nada do tipo. "Bem, então, que quereis?" Queremos o tempo deste povo chamado Santos dos Últimos Dias, para que possamos organizar este tempo sistematicamente, e tornar este povo o mais rico povo na face da terra. Se somos o povo de Deus, devemos ser o povo mais rico na terra, e essas riquezas devem ser mantidas em Deus, não no diabo. Deus nos diz como podemos realizar isto, tão claramente e tão certamente quanto disse a Josué e ao povo de Israel como causar a queda dos muros de Jericó. Deviam marchar em torno dos muros uma vez por dia, por sete dias, depois sete vezes num só dia, e, na última vez que rodearam os muros, tocaram suas trombetas com toda a força, e caíram os muros de Jericó. Não entendemos tudo a respeito disso; se entendêssemos, entenderíamos que era tão simples quanto qualquer um dos atos do Senhor: tão simples quanto ser batizado para a remissão dos pecados. Queremos agora organizar o povo. Diz alguém -- "Não quereis meu dinheiro e meus bens?" Queremos que os coloqueis no reino de Deus, nos cofres que estão preparados, nos arquivos, no cofre-forte, na instituição, para ajudar a aumentar os meios para o reino de Deus na terra. E o que teremos quando entrarmos nesta ordem? O que precisamos para comer, beber e vestir, e estrita obediência às exigências daqueles que o Senhor designa para guiar e dirigir; para que nossas irmãs, em vez de importunarem seus maridos por um dólar, cinco dólares, vinte e cinco dólares, para um belo vestido, touca, ou enfeites para si mesmas ou suas filhas, possam ir trabalhar e aprender a fazer todas essas coisas para si mesmas, sendo organizadas em sociedades ou classes para esse propósito. E os irmãos serão organizados para fazer sua lavoura, criação de rebanhos, e criar gado, ovelhas, frutas, grãos e vegetais; e, quando tiverem produzido esses produtos, cada partícula seja recolhida num armazém ou armazéns, e cada um tenha o que é necessário para o sustentar. Mas o povo deixará de ir aqui, ali e acolá, dizendo -- "Ando atrás do ouro," "ando atrás da prata," ou isto, aquilo e aquilo outro. Deixarão esta tolice e disparate, pois já se empobreceram demais tomando um rumo tão insensato. Olhando para os assuntos de um ponto de vista temporal, e à luz da estrita economia, tenho vergonha de ver a pobreza que existe entre os Santos dos Últimos Dias. Deveriam valer milhões e milhões, e milhões sobre milhões, onde não valem um dólar. Deveriam gastar seus meios em tolice e disparate? Não, nem um dólar disso, mas colocar tudo no fundo geral para o benefício do reino. Organizai os irmãos e irmãs, e que cada um tenha seus deveres a cumprir. Onde carecem de casas, e for conveniente, o plano mais econômico que se pode adotar é ter edifícios erguidos grandes o bastante para acomodar várias famílias. Por exemplo, digamos que há cem famílias neste lugar que não têm casas adequadas para morar. Erguemos um edifício grande o bastante para acomodá-las todas confortavelmente, com toda conveniência para cozinhar, lavar, passar, etc.; e então, em vez de cada uma de cem mulheres se levantar de manhã para cozinhar o café da manhã para o pai e os rapazes maiores, para que possam ir a seu trabalho, enquanto as criancinhas choram e precisam de atenção, o café da manhã de todos pode ser preparado por cinco ou dez mulheres, com um ou dois homens para ajudar. Alguns podem dizer -- "Isto seria confusão." De forma alguma, isso a eliminaria. Outro diz -- "Será uma grande provação para meus sentimentos, se sou obrigado a ir tomar café da manhã com todos estes homens e mulheres. Estou fraca e enjoada, e não como muito, e quero meu café da manhã preparado em paz." Então construí quartos laterais, às dúzias ou vintenas, onde podeis comer sozinhos; e, se desejardes convidar três ou quatro para comer convosco, tende vossa mesa, e tudo o que pedirdes vos será enviado. "Bem, mas não gosto desta confusão de crianças." Que as crianças tenham sua própria sala de jantar, e que certo número das irmãs seja designado para cuidar do berçário e ver que tenham alimento apropriado, em quantidades apropriadas e em horários apropriados, de modo a preservar sistema e boa ordem, tanto quanto possível, para que se estabeleça em suas mentes juvenis o amor à ordem, e aprendam a se comportar. Depois, que haja bons mestres nas salas de aula; e tende belos jardins, e levai os pequenos para fora e mostrai-lhes as belas flores, e ensinai-lhes, em sua infância, os nomes e propriedades de cada flor e planta, ensinando-os a compreender quais são adstringentes, quais catárticas; esta é útil para tingir, aquela é célebre por sua combinação de belas cores, etc. Ensinai-lhes lições de beleza e utilidade enquanto são jovens, em vez de deixá-los brincar na lama, fazendo bolinhas de barro, e levando o barro em seus chapéus, e sujando seus vestidos, e cultivai seus poderes mentais desde a infância. Quando forem suficientemente velhos, colocai ao seu alcance as vantagens e benefícios de uma educação científica. Deixai-os estudar a formação da terra, a organização do sistema humano, e outras ciências; tal sistema de cultura e disciplina mental nos primeiros anos é de incalculável benefício para seu possuidor em anos maduros. Tomai, por exemplo, as jovens senhoras agora diante de mim, bem como os jovens rapazes, e formai uma classe de geologia, de química ou mineralogia; e não confineis seus estudos apenas à teoria, mas deixai-os pôr em prática o que aprendem dos livros, definindo a natureza do solo, a composição ou decomposição de uma rocha, como a terra foi formada, sua provável idade, e assim por diante. Todos esses são problemas que a ciência tenta resolver, embora algumas das visões de nossos grandes eruditos sejam, sem dúvida, muito especulativas. No estudo das ciências que mencionei, nossos jovens aprenderão como é que, ao viajar por nossas montanhas, frequentemente vemos conchas marinhas -- conchas de ostra, amêijoa, etc. Perguntai a nossos rapazes e moças agora para explicar essas coisas, e não são capazes de fazê-lo; mas estabelecei classes para o estudo das ciências, e se familiarizarão com os vários fatos que fornecem a respeito da condição da terra. É dever dos Santos dos Últimos Dias, segundo as revelações, dar a seus filhos a melhor educação que se possa obter, tanto dos livros do mundo quanto das revelações do Senhor. Se nossos jovens estudarem as ciências, deixarão de cavalgar cavalos velozes pelas ruas, e outras tolices e disparates de que agora são culpados, e se tornarão membros úteis e honrados da comunidade.

Tenho-me interessado muito ultimamente pelos estudos e pesquisas dos geólogos que têm investigado o caráter geológico da região das Montanhas Rochosas. O Professor Marsh, do Colégio Yale, com uma turma de seus alunos, passou, penso, quatro verões seguidos no estudo prático da geologia nestas regiões montanhosas. Qual é o resultado de suas pesquisas? Há um resultado, até agora, que particularmente me agrada. Há alguns aqui que conhecem um homem chamado John Hyde, de Londres, antigo membro desta Igreja, que apostatou e voltou atrás; e seu grande argumento contra o Livro de Mórmon era que ele afirmava que os antigos jareditas e, talvez, os nefitas, que anteriormente viveram neste continente, tinham cavalos, ao passo que é bem sabido que os cavalos eram desconhecidos aos habitantes aborígenes da América quando foi descoberta por Colombo, e que não havia cavalos aqui até serem importados da Europa. Ora, desde que o Professor Marsh e sua turma começaram suas investigações, encontraram, entre os restos fósseis dos animais extintos da América, nada menos que quatorze tipos diferentes de cavalos, variando em altura de três a nove pés. Estas descobertas fizeram os alunos do Professor Marsh se sentirem quase como se pudessem comer estas montanhas, e seu entusiasmo por estudar a geologia das regiões ao redor do Forte Bridger se elevou ao mais alto ponto. Em suas pesquisas por estas montanhas, formaram a opinião de que havia outrora um grande mar interior aqui, e pensam ter descoberto a saída por onde a água irrompeu e formou o Rio Green. Aqui, nestes vales e nestas cadeias de montanhas, podemos seguir a antiga linha d'água. Esta descoberta do Professor Marsh é particularmente agradável a nós, "mórmons," pois ele, até agora, demonstrou cientificamente que o Livro de Mórmon é verdadeiro.

Aqui está o reino de Deus; quereis entrar nele, ou não? Quereis as bênçãos futuras deste reino, ou não? Tende vossa escolha; mas a quem quer que escolherdes obedecer, dele sereis os servos, seja Jesus ou o diabo; agradai-vos, tende vossa escolha. Mas todos sabem que não podemos servir a dois senhores aceitavelmente; se amarmos um, odiaremos o outro, e, se nos apegarmos a um, desprezaremos o outro. Devemos ser pelo reino de Deus, ou não. Mas organizaremos esta santa ordem aqui antes de partirmos. Damos o convite a todos vós para virdes e serdes organizados. Sejamos um; levemos a cabo a ordem que Deus estabeleceu para a família do céu.

Deus vos abençoe.

Como citar este discursoBrigham Young, “Cessai de Trazer e Edificar Babilônia Separai-vos dos Pecadores e do Pecado Não Viemos com Nenhuma Nova Doutrina Devemos Ser Um Sem Obras Não se Pode Provar que a Fé Existe Chegou o Tempo de Organizar os Santos O Tempo e as Energias dos Santos é Tudo o que se Deseja Pesquisas Geológicas do Professor Marsh Demonstração Científica da Verdade do Livro de Mórmon”, (1874-04-18). Pulpit Vault, 1874-04-young-cease-to-bring-in-and-build-up-babylon. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).