O Reino Não Organizado pelo Homem O Homem Totalmente Incapaz de Organizar o Reino de Deus na Terra sem Revelação Os Nefitas e Lamanitas Tinham Todas as Coisas em Comum Consagração O Perigo do Orgulho A Ordem Unida
Orson Pratt
Há quarenta e quatro anos, hoje, o Reino de Deus foi organizado nesta terra, pela última vez, para nunca mais ser desfeito, nunca mais confundido ou derrubado, mas para continuar daquele tempo em diante, para sempre. Este reino não foi organizado pelo homem, nem pela sabedoria do homem, mas pela revelação de Jesus Cristo, tendo ele guiado e dirigido, por revelação, tudo a respeito de sua organização, e concedido autoridade a seus servos para realizar a obra, sendo eles apenas agentes ou instrumentos em suas mãos. ¶
Todas as outras denominações cristãs, por muitos longos séculos, foram organizadas sem revelação. Os organizadores dessas várias denominações nem sequer pretenderam que Deus lhes tivesse dado qualquer informação do Céu; nem sequer pretenderam que houvesse uma única frase que tivesse sido recebida em seus dias, do Senhor, a respeito da organização de suas instituições. Neste aspecto, os Santos dos Últimos Dias diferem amplamente de todas as denominações cristãs! É uma diferença essencial, uma característica peculiar, e de importância máxima. Toda pessoa, com um pouco de reflexão, pode ver que, sem informação divina, o homem é totalmente incapaz de organizar o Reino de Deus na terra. Ele pode organizar reinos, impérios, repúblicas e vários tipos de governo civil, e uma grande variedade de governos em caráter religioso, e, quando os tiver organizado, estarão sem fundamento e autoridade. O Senhor nada lhes comunica, mas são obrigados a ponderar sobre o que foi revelado em eras anteriores, e obter toda a informação que puderem daquilo que Deus falou antigamente. Mas como é impossível para o povo aprender seus deveres a partir do que Deus disse antigamente a outra pessoa. Poderíamos igualmente, na organização de um governo civil, dizer: "o cânone de leis está selado, não precisamos de legisladores ou congressistas." Se se perguntasse por que não precisamos deles, a resposta seria: "Ó, dependemos das leis feitas por nossos pais; são suficientes para nos guiar." Imaginai apenas o povo desta grande república sendo governado pelas leis promulgadas no primeiro Congresso, depois que os pais revolucionários redigiram a constituição. Pensai apenas em todo o povo agora recorrendo àquelas leis antigas, feitas antes de qualquer um deles nascer, e não tendo mais nada para governá-los! ¶
Isto seria tão coerente quanto supor que Deus, há uns mil e oitocentos anos, deu toda a informação que jamais pretendia dar a respeito do governo de seu reino e de seus assuntos aqui na terra. Sabeis que, nos governos civis, leis são continuamente necessárias, as circunstâncias as exigem. Leis feitas no ano passado nem sempre são adequadas às circunstâncias deste ano, e as feitas há dez anos poderiam ser totalmente inadequadas aos acontecimentos que agora se dão, e daí a necessidade de algo novo, direto do departamento legislativo. Assim é com o reino de Deus. Deus falou aos antigos, mas muitas das palavras que ele falou então não são vinculantes para o povo agora. Alguns poucos dos grandes princípios morais revelados aos antigos são vinculantes para sempre, mas a grande maioria das revelações do Céu era adequada apenas aos indivíduos a quem foram dadas. Tomai, por exemplo, o caso de Abrão. Ele vivia na Caldeia, a terra de seus pais. O Senhor lhe falou, e lhe ordenou que se levantasse e deixasse seu país natal, e viajasse a uma terra estranha, que lhe foi prometida como herança. Ora, pergunto, algum outro povo, na face de toda a terra, estava obrigado a obedecer a esta lei divina dada a Abraão? Não; era adequada a ele, e apenas a ele. Se todos estivéssemos sob esta lei antiga, então cada um de nós teria de ir à Caldeia; e, depois de chegarmos lá, teríamos de deixar aquele país e ir a alguma terra que esperássemos receber como herança, o que seria o cúmulo do absurdo. ¶
Novamente, quando Deus conduziu Abraão à terra da Palestina, achamos que ele não apenas lhe comunicou leis, mas também fez preciosas promessas a respeito dele e de sua semente, que não pertenciam a todas as nações e reinos da terra. Deus ordenou a Abraão, naquela ocasião, que se levantasse, e atravessasse o comprimento e a largura da terra, e fosse a certo lugar elevado, e lançasse os olhos para o oriente, e para o ocidente, e para o norte, e para o sul, pois disse-lhe o Senhor: "Toda esta terra que vês te será dada, a ti e à tua semente depois de ti, em possessão." Sob esta lei, fui eu alguma vez ordenado a ir à terra da Palestina e caminhar pelo comprimento e largura da terra? Jamais. Fostes vós ordenados a fazê-lo? Jamais. Não é uma lei vinculante para nós, nem tampouco foi vinculante para as gerações futuras após os dias de Abraão. ¶
Novamente, quando Deus fez a promessa a Abraão de que ele teria aquela terra em possessão, e sua semente literal depois dele, não se referia a vós nem a mim, nem às gerações da terra que não são descendentes literais de Abraão. ¶
Novamente, quando Deus se revelou a Moisés, e lhe disse que descesse ao Egito e libertasse Israel do cativeiro, essa era uma lei vinculante para Moisés, e somente Moisés. Os Santos dos Últimos Dias não estão sob essa lei, nem tampouco qualquer outro povo. Assim, poderíamos continuar multiplicando exemplos aos milhares, em que Deus falou a indivíduos, e eles, e somente eles, eram as pessoas que deviam atender às suas leis. Novamente, onde ele falou, em alguns casos, à nação de Israel, Israel, e somente Israel, podia obedecer àquelas leis. Mas, às vezes, revelava a um indivíduo ou a um povo certos grandes princípios morais que eram vinculantes para eles, e para todo o povo até os confins da terra, quando lhes eram manifestados. Tais leis são eternas em sua natureza. Às vezes Deus revelava ordenanças, bem como mandamentos e leis. Essas ordenanças eram vinculantes exatamente na medida em que Deus as revelou para o povo observar. Por exemplo, a lei da circuncisão era vinculante para Abraão e sua semente, e devia continuar por certa temporada, mas, com o tempo, devia ser substituída por outra. Deus também revelou, nos dias da introdução do Evangelho, muitas leis eternas, diferentes das que haviam sido reveladas em tempos anteriores. Ele revelou muitas coisas de novo e outra vez, quando veio pessoalmente à terra, coisas que também haviam sido reveladas antes de seus dias. Por exemplo, tomemos a lei da fé e do arrependimento. Estes princípios foram ensinados em toda dispensação, e eram vinculantes para todo o povo nos quatro cantos da terra, e em todas as gerações antes de Jesus vir; eram princípios eternos, e deviam continuar para sempre. Tomemos, novamente, a lei do batismo para a remissão dos pecados. Onde quer que o Evangelho fosse pregado, esta ordenança era vinculante para o povo. Onde quer que homens fossem enviados com a plenitude do plano de salvação para declarar aos filhos dos homens, a lei do batismo acompanhava aquela mensagem, e todo o povo, tanto quanto Israel, era exigido a obedecer àquela sagrada ordenança. ¶
Nos últimos dias, quando Deus estabelece seu reino na terra pela última vez, haverá milhares e dezenas de milhares de preceitos e mandamentos revelados a certos indivíduos, que serão vinculantes apenas para eles. Depois haverá outros mandamentos que serão adaptados a toda a Igreja, e serão vinculantes para a Igreja, e somente para a Igreja. Depois haverá certos mandamentos que serão vinculantes para todas as nações, povos e línguas, e bem-aventurados aqueles que atendem aos mandamentos, instituições e ordenanças que lhes pertencem, e que são adaptados às suas circunstâncias, e que lhes são dados para obedecer. Mas voltemos novamente à Igreja e ao reino. ¶
Quarenta e quatro anos se passaram sobre nossas cabeças, desde que Deus deu mandamento a um jovem, um rapaz, para organizar os crentes batizados numa Igreja, que foi chamada o reino de Deus, não organizada em sua plenitude, pois não havia materiais suficientes naquele tempo para instituir todos os oficiais necessários naquele reino. O reino precisava de Apóstolos inspirados, Setentas, Sumos Sacerdotes segundo a ordem de Melquisedeque; precisava do Sacerdócio de Arão -- o Sacerdócio Levítico, que o antigo Profeta disse que seria restaurado nos últimos dias. O reino precisava de todos os apêndices e bênçãos desses dois Sacerdócios, e não havia então um número suficiente de batizados para tornar a organização perfeita e completa; mas, na medida em que havia indivíduos, a organização foi iniciada, embora houvesse então apenas seis membros. Dois destes eram Apóstolos, chamados por Deus para serem Apóstolos; chamados por nova revelação para serem Apóstolos; chamados pela ministração de anjos para serem Apóstolos; ordenados pela imposição das mãos de personagens imortais dos mundos eternos. Por isso, sendo ordenados por esta alta autoridade, chamados por este alto e santo chamado, e escolhidos para irem e organizarem o reino, e pregarem a mensagem de vida e salvação entre os filhos dos homens, foram obedientes; e os outros quatro indivíduos foram organizados em conjunto com eles, sobre o fundamento que havia sido lançado pelo próprio Senhor, e não sobre um credo que havia sido concebido em algum concílio de homens não inspirados; não sobre algumas regras de fé que foram formuladas por homens não inspirados para os guiar e governar; mas o que receberam foi por revelação direta. Não se deu um único passo sem obter uma revelação a respeito da maneira de proceder em relação ao lançamento deste fundamento. ¶
Quão diferente isto dos metodistas, dos batistas, dos presbiterianos, da Igreja da Inglaterra, e das várias sociedades e denominações que existem por todo o mundo protestante; nenhuma delas foi organizada dessa maneira! Suponde que algumas dessas denominações cristãs acontecessem de obter a forma bastante correta, e ainda assim não tivessem a autoridade, isso faria toda a diferença. A forma com a autoridade é uma coisa, e a forma sem a autoridade e a nomeação e ordenação divina é outra coisa. Uma tem poder, mas a outra não; uma é reconhecida pelo Senhor Todo-Poderoso, mas a outra é reconhecida apenas pelo homem. Penso que podemos ver a diferença entre as igrejas do homem e as Igrejas de Deus, entre a organização do homem e a organização de Deus. Em primeiro lugar, nunca houve um povo, desde que Adão foi colocado no Jardim do Éden até o dia de hoje, que fosse reconhecido por Deus, a menos que fosse fundado, dirigido e aconselhado por ele; a menos que houvesse um Sacerdócio com autoridade dele; a menos que Deus lhes falasse, e lhes enviasse seus anjos. Nunca houve um povo, em nenhuma era do mundo, que Deus reconhecesse como seu povo, sem essas características. Diz alguém: "Quão pouco caridosos sois vós, Santos dos Últimos Dias! Excluís todos nós, não excetuais uma só de nossas igrejas ou boas denominações cristãs, e há gente muito boa e moral nelas." Não disputamos que sejam um povo muito bom e moral; isso é uma coisa, e uma Igreja Cristã é outra. A moralidade é boa em seu lugar, e deve estar na Igreja Cristã. A moralidade pode existir fora da Igreja Cristã, mas ambas não podem existir juntas, a menos que Deus organize a Igreja. ¶
Talvez tenha falado suficientemente longo sobre o assunto da organização da Igreja. Poderia entrar plenamente na investigação destas questões, e dar-vos os pormenores a respeito dos anjos de Deus que desceram do céu e conferiram a autoridade a vasos escolhidos. Poderia contar-vos a respeito do dia que Deus separou, e no qual ordenou que sua Igreja fosse organizada, pois o próprio dia foi mencionado por revelação. Poderia também relatar-vos muitas instruções que foram dadas naquele tempo a todos os membros do reino de Deus. Mas tenho outros assuntos em mente que parecem se apresentar diante de mim. ¶
Provavelmente têm sido dadas dezenas de revelações, de tempos em tempos, durante os últimos quarenta e quatro anos, que não são vinculantes agora, nem tampouco eram vinculantes para todo o povo no momento em que foram dadas. Por exemplo, Deus deu uma revelação, por intermédio de seu servo Joseph, no dia 14 de novembro de 1830, a este vosso humilde servo que agora fala, ordenando-lhe que fosse e pregasse o Evangelho entre as nações da terra, preparando o caminho do Senhor para sua segunda vinda, e que erguesse sua voz, longa e alta, e clamasse arrependimento a esta geração perversa e corrompida. Pergunto a esta congregação se há algum indivíduo presente aqui, além de vosso humilde servo, que esteja sob este mandamento direto? Não. Se fostes ordenados a fazer o mesmo, fostes ordenados por uma revelação distinta. A revelação que me foi dada não foi dada a nenhum outro indivíduo, e não era vinculante para nenhum outro. Assim também a respeito do ajuntamento dos Santos. Estávamos habitando no Estado de Nova York, e, no segundo dia de janeiro de 1831, Deus ordenou que todos os Santos naquele Estado, o Estado em que a Igreja foi organizada, e todos os que habitavam em todas as regiões ao redor, se ajuntassem no Estado de Ohio. É esse um mandamento vinculante para algum desta congregação? Nenhum deles; era apenas adequado às circunstâncias que então existiam, e, uma vez cumprido, já não era mais vinculante para eles. O Senhor deu um mandamento, depois de nos termos ajuntado à terra de Kirtland, de que alguns de seus servos deveriam ir, dois a dois, pregando por Indiana, Ohio, Illinois e Missouri, que deveriam se reunir em conferência geral nas fronteiras ocidentais do Estado de Missouri, e que o Senhor Deus lhes revelaria a terra que lhes seria dada por herança eterna. Estas pessoas foram ordenadas a fazer isto. Este mandamento era vinculante para elas, e somente para elas. Eram os indivíduos ordenados a fazer esta obra -- não era exigido do resto da Igreja. Cumpriram sua incumbência -- tantos quantos foram fiéis passaram, dois a dois, por rotas diferentes, pregando e chamando o povo a se arrepender e ser batizado, confirmando-os à beira da água, e organizando Igrejas. Finalmente, essas pessoas assim ordenadas se reuniram em agosto e setembro nas fronteiras ocidentais do Estado de Missouri, no Condado de Jackson. Então o mandamento foi cumprido; e não era mais vinculante para aqueles a quem foi dado. Assim vedes que o que é adequado para este mês nem sempre é adequado para o mês seguinte, e o que é adequado hoje nem sempre é adequado amanhã. Precisa de nova revelação. ¶
Quando esses missionários se reuniram no Condado de Jackson, o Profeta Joseph, estando com eles, indagou ainda mais, e um mandamento foi dado naquela ocasião, antes que a Igreja se tivesse ajuntado, exceto um pequeno ramo, chamado o Ramo de Coalsville, e esse mandamento devia ser vinculante para todos os Santos dos Últimos Dias que se ajuntassem àquela terra. O que era? Que todo o povo que se ajuntasse ao Condado de Jackson, a terra de sua herança, consagrasse toda a sua propriedade, tudo o que tinha -- nada deviam reter. Seu ouro e prata, sua roupa de cama, móveis domésticos, vestuário, e tudo o que possuíssem devia ser consagrado. Isso colocava o povo num mesmo nível, pois, quando tudo o que um povo tem é consagrado, todos são igualmente ricos. Não há um pobre e outro rico, pois todos nada possuem. Não sei se chamaríeis isso de pobreza; mas têm algo em comum, a saber, aquilo que consagraram, e isto me traz a um item de que me lembrei apenas meio minuto antes de me levantar. ¶
Lerei agora para vós o que ocorreu neste continente americano trinta e seis anos após o nascimento de Cristo. Jesus apareceu aqui, neste continente, e organizou sua Igreja. Escolheu doze discípulos, e ordenou-lhes que fossem pregar o Evangelho, tanto na terra do sul quanto na terra do norte, e assim o fizeram. Este trecho nos dá um pouco de informação a respeito do arrependimento do povo -- ¶
"E aconteceu que no trigésimo sexto ano todo o povo de toda a face da terra foi convertido ao Senhor, tanto nefitas como lamanitas; e não havia contendas nem disputas entre eles; e procediam retamente uns com os outros. E tinham todas as coisas em comum; portanto, não havia ricos nem pobres nem escravos nem livres, mas eram todos livres e participantes do dom celestial." ¶
Ora, não foi isso uma maravilha? Talvez perguntásseis como foi que todos se converteram tão facilmente. Essa seria uma pergunta muito natural a surgir na mente de muitos, pois deviam ter sido um povo muito diferente dos que vivem hoje em dia. Temos pregado, ano após ano, e só convertemos um aqui, outro ali. Mas todos aqueles milhões, habitando tanto a América do Norte quanto a do Sul, foram convertidos ao Senhor. Não foi isso uma maravilha? Se eu explicar um pouco o que ocorreu antes, esclarecerá um pouco a maravilha. ¶
Pouco antes de Cristo ser crucificado na terra de Jerusalém, o povo desta terra havia se tornado extremamente ímpio, e foi-lhes predito por seus Profetas que, quando Jesus, seu Salvador, fosse crucificado na terra de seus pais, viria grande destruição sobre os ímpios desta terra, e que muitas de suas cidades seriam destruídas -- afundariam e seriam queimadas com fogo, e Deus os visitaria com grandes e terríveis juízos, se não se arrependessem e se preparassem para a vinda de seu Salvador, pois esperavam que ele aparecesse após sua ressurreição. Os ímpios não se arrependeram, e todas essas destruições vieram, exatamente como os Profetas predisseram. A escuridão cobriu a face desta terra por três dias e três noites, enquanto em Jerusalém foram apenas três horas. Por três dias e três noites sofreram a escuridão em toda a face desta terra, e muitíssimas de suas cidades, que eram grandes e populosas, afundaram, e lagos surgiram em seu lugar; muitas foram queimadas com fogo, muitas foram destruídas por terríveis tempestades, e grande destruição veio sobre as porções ímpias do povo, que haviam apedrejado e matado os Profetas, e apenas a porção mais justa do povo foi poupada. ¶
Na última parte do ano em que Jesus foi morto, ele desceu entre certa porção do povo neste continente, reunida na parte norte do que chamamos América do Sul. Ele desceu do céu e se colocou no meio deles; e, no dia seguinte, quando uma multidão maior se reuniu, ele veio uma segunda vez, e havia muitos milhares naquela ocasião. Ele apareceu-lhes com frequência depois desse período, no curso de um ou dois anos, e escolheu doze discípulos, e foi tão grande o poder manifestado diante daqueles milhares que, quando saíram para o norte e para o sul, e pregaram a palavra, segundo os mandamentos de Deus, a porção mais justa do povo, que havia sido poupada, e que se humilhara e parcialmente se arrependera, mas não compreendia a plenitude do Evangelho, foi facilmente convertida, e essa é a razão pela qual todo o povo na América do Norte e do Sul foi convertido ao Senhor; e, no trigésimo sexto ano, contando a partir do nascimento de Jesus, não só foram todos convertidos em toda a face desta terra, como foram todos organizados sobre um princípio de fundo comum, e não havia pobres entre eles, e procediam retamente uns com os outros. ¶
Diz alguém: "Fizeram a mesma coisa na terra de Jerusalém." Sim, mas não a mantiveram na terra da Palestina -- parecem ter falhado, pois não temos relato de que este princípio de fundo comum, tal como organizado a princípio, tenha continuado entre os Santos no Continente Asiático. Igrejas foram edificadas em várias partes da Ásia e da Europa, uma aqui, outra ali, e todas parecem ter tido propriedade própria; e creio, eu mesmo, que estavam despreparados, em sua condição dispersa, para entrar nesta ordem de coisas. Havia demasiada iniquidade em Éfeso, na Galácia, em Corinto, e nos vários lugares onde pequenos ramos foram organizados, para entrar neste princípio de fundo comum, e levá-lo a cabo com sucesso. Mas neste continente havia uma excelente oportunidade para todo o povo, milhões e milhões deles estavam na mesma fé. Quão facilmente, então, poderiam ser guiados e dirigidos, e colocar sua propriedade, e organizá-la como um fundo comum; e assim o fizeram, e foram extremamente abençoados e prosperados em sua operação. E vos direi por quanto tempo existiu -- cerca de cento e sessenta e cinco anos. Mas, no ano duzentos e um após o nascimento de Cristo, o povo começou a se exaltar, neste continente, em orgulho e popularidade, e começou a retirar seus fundos deste fundo comum, e a tomá-los em suas próprias mãos, e chamá-los de seus, e continuaram a fazer isso, até que a grande maioria do povo se corrompera e se retirara desta ordem. Então, depois de terem desfeito, em grande medida, este fundo comum, apenas uns poucos indivíduos aqui e ali ainda o mantendo, tornaram-se orgulhosos e arrogantes, e exaltados em seus corações, e olharam com desdém para os que não eram tão prósperos quanto eles mesmos, e desta forma uma distinção de classes foi novamente introduzida, e os ricos começaram a perseguir os pobres; e assim continuaram a apostatar, até que, cerca de trezentos e trinta e quatro anos após Cristo, começaram a ter grandes e terríveis guerras entre si, que duraram cerca de cinquenta anos, durante as quais milhões deles foram destruídos. Finalmente, tornaram-se tão totalmente ímpios, tão plenamente amadurecidos para a destruição, que um ramo da nação, chamado os nefitas, reuniu todo o seu povo em torno do monte Cumora, no Estado de Nova York, no Condado de Ontário; e os lamanitas, o exército oposto, se reuniram, aos milhões, na mesma região. As duas nações levaram quatro anos reunindo suas forças, durante os quais não houve combate; mas, ao fim desse tempo, tendo organizado todas as suas hostes, o combate começou, os lamanitas caindo sobre os nefitas, e destruindo todos eles, exceto uns pouquíssimos, que anteriormente haviam desertado para os lamanitas. ¶
Antes desta batalha decisiva, os nefitas, que haviam mantido registros de sua nação, escritos em placas de ouro, os esconderam no monte Cumora, onde permaneceram desde aquele dia até hoje. Mórmon confiou algumas placas a seu filho Morôni, que era um Profeta e que sobreviveu à nação dos nefitas cerca de trinta e seis anos, e ele guardou essas poucas placas, enquanto todo o restante delas ficou escondido naquele monte; e então Morôni, sendo ordenado por Deus, escondeu as poucas placas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido. ¶
Faço menção a estas circunstâncias com o propósito de vos mostrar que, quando um povo já foi uma vez iluminado, como foram os nefitas, e teve todas as coisas em comum, e foi abençoado com abundância das riquezas da terra, trabalhando juntos em harmonia, até que riquezas foram derramadas sobre eles em vasta abundância, e então se retiram da ordem de Deus, logo trazem rápida destruição sobre suas cabeças. Vemos os nefitas, após tomarem este rumo, descendo cada vez mais em sua iniquidade, entrando na idolatria, oferecendo sacrifícios humanos a seus deuses idólatras, e cometendo toda espécie de abominação que já haviam conhecido ou de que já haviam ouvido falar, tudo porque uma vez haviam sido iluminados, e haviam apostatado da verdade, e se retirado da ordem de Deus, na qual seus antepassados haviam tido longa experiência. ¶
O Senhor deu uma advertência aos Santos dos Últimos Dias, quando lhes disse, numa revelação dada em 1831, para entrarem na mesma ordem a respeito de nossas posses no Condado de Jackson. Antes disso, ele nos fez uma promessa, dizendo que, se fôssemos fiéis, nos tornaríamos o mais rico de todos os povos; mas, se não fôssemos fiéis em guardar seus mandamentos, mas nos exaltássemos no orgulho de nossos corações, talvez nos tornássemos como os antigos nefitas. "Cuidado com o orgulho," diz o Senhor, numa dessas revelações, "para que não vos torneis como os antigos nefitas." ¶
Não tenho dúvida de que vós, Santos dos Últimos Dias, sois o melhor povo na face da terra. Deus vos ajuntou dentre as nações; fostes o único povo, a quem a mensagem de vida e salvação foi enviada, que recebeu os missionários do Altíssimo quando vieram às vossas respectivas nações. Não só recebestes o Evangelho de arrependimento e batismo, mas atendestes àqueles missionários e aos conselhos de Deus, e vos ajuntastes a esta terra. Por isso, tendes feito melhor do que todo outro povo, e fostes abençoados acima de todo outro povo. Mas há perigo, depois de termos sido feitos participantes do Espírito Santo, e de termos tido os dons do Espírito manifestados mais ou menos segundo nossa fé, se nos exaltarmos no orgulho de nossos corações e pensarmos, por termos ajuntado abundância da riqueza deste mundo, que somos um pouco melhores que nosso pobre irmão que trabalha oito ou dez horas por dia no mais duro trabalho. Toda pessoa que tenha o nome de Santo dos Últimos Dias, e que sinta que é melhor do que os pobres, e se distinga deles, e suponha que pertence a uma classe um pouco superior a eles, está em perigo. "Cuidado com o orgulho, para que não vos torneis como os antigos nefitas." ¶
Para que este orgulho seja eliminado, é necessário que haja outra ordem de coisas a respeito da propriedade. ¶
Por que o orgulho existe? Façamos uma pequena indagação a este respeito. Sabeis a razão? Tudo isso surge do amor às riquezas. É isso, geralmente, o que constitui o orgulho. Ora, supondo que todos fôsseis colocados num mesmo nível a respeito da propriedade, por uma consagração plena de tudo o que tendes num fundo comum, haveria, entre esse número, alguém que assim consagrasse tudo o que tinha, e que tivesse algo de que se gabar acima de seu vizinho? Absolutamente não. Ele poderia ter o uso da propriedade, um homem poderia ter talvez cem vezes mais do que outro, para usar como mordomo ou agente deste fundo geral; mas, quando o tiver usado, dele tira seu sustento -- seu alimento, seu vestuário, as necessidades e os conforto da vida, quer maneje centenas de milhares, quer apenas uma pequena mordomia, pois o homem que assume um grande estabelecimento manufatureiro exigiria mais fundos do que aquele que tem uma pequena fazenda, mas os fundos não lhe pertenceriam, ele só teria seu alimento, vestuário e as necessidades e conforto da vida. Mas aqui está outro ramo de negócio, tão importante, no que lhe cabe, quanto este grande estabelecimento manufatureiro. Qual é ele? Fazer argamassa, para erguer nossos edifícios, pois, sem eles, logo sofreríamos. O homem que faz argamassa é, então, tão honrado quanto o homem que assume um grande estabelecimento que requer quinhentos mil dólares para conduzi-lo. Mas, em ambos os casos, o excedente de seu trabalho, depois de retirado dele o necessário à vida, vai para o fundo comum; e o homem que teve a cargo o grande estabelecimento não tem nada de que se gabar sobre o homem que faz argamassa -- um é tão rico quanto o outro. ¶
Mas sei que há muitos Santos dos Últimos Dias que formaram uma ideia ou opinião errônea a respeito deste fundo comum. Alguns, por falta de reflexão, podem supor que todo homem e toda mulher devem ter casas do mesmo modelo para morar, ou não haveria igualdade; devem ter a mesma quantidade de móveis, ou não haveria igualdade. Alguns podem supor que todos devem ter o mesmo tipo de roupa de cama e tudo exatamente igual, ou não haveria igualdade. Mas não é assim que Deus se manifesta em todas as obras de suas mãos. Ide ao campo, ao pasto ou ao prado, e aprendei sabedoria. Buscai de uma ponta do pasto à outra, e vede se conseguis achar duas lâminas de grama exatamente iguais. Não se pode fazê-lo, há um pequeno desvio, uma pequena variedade, e daí vemos que Deus se deleita na variedade. Mas, porque uma lâmina de grama pudesse ser formada um pouco mais agradável aos olhos do que outra, teria a primeira algum direito, se pudesse raciocinar, de dizer: "Estou acima daquela outra?" De forma alguma. Foi feita para certo propósito, e assim a respeito de tudo o mais. Não há dois homens na face da terra com as mesmas feições. Temos as características gerais da forma humana, e não nos parecemos com o original do homem segundo a ideia de Darwin; não nos parecemos com o macaco ou o babuíno, dos quais Darwin diz que o homem se originou. Os homens, no mundo inteiro, têm muitas feições que guardam uma semelhança geral, e sua forma é moldada à imagem do Altíssimo. Mas, quando passais a examinar minuciosamente as feições do homem, vereis algum desvio nas fisionomias de todos os homens, em toda a criação. Ora, não são eles iguais? Fazem essas pequenas características distintivas nas feições que sejam desiguais? De modo algum. Então, porque possa caber a mim fazer argamassa, e a outro homem assumir um grande depósito de mercadorias, sendo ambos agentes, isso não torna o agente mercantil melhor do que o homem que faz argamassa, e eu não esperaria vestir o mesmo tipo de traje que o homem por trás do balcão. Se eu estivesse fazendo argamassa, não desejaria pano fino, seda ou cetim; desejaria traje adaptado à classe particular de trabalho em que estivesse empenhado. Por isso, haverá uma distinção nessas coisas. ¶
Depois, novamente, supondes que, quando nos reunimos, seria agradável aos olhos de Deus que todo homem e toda mulher usassem uma touca ou vestido quacre, ou seguissem o modelo dos Quacres Trementes; que cada uma das senhoras devesse ter uma fita que passasse por baixo da touca, e fosse exatamente do mesmo comprimento? De modo algum. Deus se deleita na variedade; vemo-la em toda a obra de suas mãos, em todo departamento da criação. Portanto, homens e mulheres se vestirão segundo seus gostos, na medida em que possam obter os meios. ¶
Retirais vossos meios do fundo comum, e, se tendes mordomias designadas a vós para administrar, e produzis pouco nessas mordomias, os Bispos que cuidam desses assuntos não começarão a vos perguntar: "Bem, irmão, que tipo de chapéu usaste? Era de palha, e a palha era muito fina ou muito grossa, ou era um chapéu de folha de palmeira que usaste? Gostaria de saber que tipo de faixa de chapéu tiveste? Era uma faixa com um laço, e, se assim era, era mais comprida do que a de teu vizinho?" Nenhuma pergunta desse tipo será feita; mas cada homem, cada família na mordomia, seja o que for que produzam, pode exercer seu próprio julgamento a respeito de muitas dessas coisas, como fazem agora; e, quando vos reunis no domingo, não se espera que o gosto de todo homem e toda mulher seja se vestir exatamente como seus vizinhos, mas ter variedade, e isso a partir dos meios de vossa mordomia. ¶
Mas, quando chegardes a prestar contas dessa mordomia ao Bispo, ao fim do ano, poderão ser feitas algumas perguntas proeminentes e principais, mas não sobre essas pequenas questões. Será perguntado se esbanjastes vossa mordomia desnecessariamente; fostes muito extravagantes em coisas desnecessárias, e negligenciastes outras coisas de importância? Se fizestes essas coisas, sereis considerados mordomos insensatos, e sereis repreendidos; e talvez, se fostes longe demais, possais ser removidos de vossa mordomia, e outra pessoa mais digna possa entrar nela, e sejais dispensados por terdes agido mal. Mas nunca haverá um Bispo, que tenha sobre si o Espírito do Deus vivo, que pergunte se tendes os mesmos fogões, do mesmo tamanho, em vossa casa, e o mesmo tipo de pratos, facas, garfos e colheres que vosso vizinho; mas tereis de prestar contas daqueles itens proeminentes. É assim que vejo esta operação de fundo comum. ¶
Depois, novamente, não sei se a operação de fundo comum que Deus nos ordenou a assumir no Condado de Jackson, Missouri, será adequada no ano de 1874. Comecei meu discurso mostrando que o que era adequado num ano nem sempre era adequado no seguinte. Não sei se aqui em Utah pode ser necessário variar substancialmente dos princípios que foram ordenados a serem observados no Condado de Jackson, Missouri. Não sei se poderemos ser exigidos aqui a não apenas consagrar tudo o que temos, mas até mesmo a nós mesmos, tanto quanto a propriedade que possuímos, de modo que possamos ser dirigidos pelos Bispos e seus conselheiros, ou quem quer que seja designado, a respeito de todas as nossas ocupações diárias. Não sei como será. Não ouvi. Lá no Condado de Jackson, não foram assim dirigidos. Todo homem recebia sua mordomia, e a ocupava, e prestava contas dela de tempos em tempos. Mas não sei se pode ser necessário aqui em Utah que sejamos dirigidos com mais frequência do que uma vez por ano; pode ser que nos seja dito semanalmente, e talvez, em alguns casos, diariamente; e talvez o Bispo ou capataz possa dizer hoje: "Aqui, irmão, gostaria que fizesses tal e tal coisa hoje," e amanhã venha e diga: "Gostaria que parasses com isso agora; temos outra coisa em mãos; vem comigo, porei minhas mãos junto com as tuas, pois, embora me tenhais escolhido por vossa própria voz para assumir o encargo, não sou melhor do que vós, portanto tomarei parte convosco e farei tudo o que puder em conjunto convosco, e vamos a este negócio hoje." Amanhã pode haver outra coisa, e no dia seguinte outra coisa ainda, talvez, segundo o julgamento do Bispo e daqueles designados com ele. Deste modo, poderíamos, talvez, cumprir mais eficazmente a mente e a vontade de Deus aqui neste país desértico, do que se tentássemos imitar o padrão que nos foi dado noutro país. ¶
Não podemos trabalhar aqui como poderíamos no Condado de Jackson, Missouri. Naquele país, não tínhamos de irrigar. Podíamos nos estabelecer num terreno elevado ali, e as chuvas do céu o regavam. Podíamos nos estabelecer no vale, e não havia valas a fazer. Podíamos nos estabelecer em qualquer parte do condado, ou dos condados vizinhos, e as chuvas do céu desciam e regavam nossa terra. E, além disso, havia madeira por toda parte, bosques de madeira, e podíamos sair antes do café da manhã e trazer uma carga de lenha, e, no curso de poucos dias, rachar estacas suficientes para cercar boa parte de um terreno. Aqui temos de trabalhar sob outras circunstâncias. Aqui não temos madeira, de modo que todo homem possa cercar sua pequena fazenda ou mordomia; não temos força suficiente. Se por acaso cultivamos em algumas destas terras elevadas, é muito difícil escavar canais e valas de água para regar nossas pequenas mordomias. Que faremos, então? Unir-nos, ser de um só coração e uma só mente, e que haja um fundo comum, tanto no que diz respeito à propriedade quanto ao nosso próprio trabalho individual. Consequentemente, não precisamos pensar que, porque não estejamos organizados precisamente segundo a lei que foi adaptada ao Condado de Jackson, este aconselhamento carece do Espírito de Deus. Que ninguém comece a pensar assim. Precisais cooperar em vossos trabalhos. Isto é necessário para cercar muitas de nossas fazendas. Precisais cooperar para tirar a água de vossas valas para regar vossa terra, e precisais fazê-lo em muitos outros aspectos. ¶
Por exemplo, estas montanhas, que se erguem tão majestosamente a leste e a oeste, estão cheias de ricos minerais, este é um dos países mais ricos do mundo. Não serão alguns dos Santos dos Últimos Dias, eventualmente, chamados a atuar no departamento da mineração, bem como no da agricultura? Sim. Pode um indivíduo fazer tão bem quanto meia dúzia, ou tão bem quanto cem, na mineração? Pode ser necessária a experiência de uma vasta quantidade de trabalho para desenvolver os recursos destas montanhas, e, nesse caso, a cooperação será absolutamente necessária. ¶
"Mas," diz alguém, "os gentios já fizeram isso." Muito pouco, eu vos asseguro. Aqui e ali abriram uma mina, mas não um milésimo, nem um décimo-milésimo, daquilo que existe e que será desenvolvido depois. Ora, em todos estes departamentos, os Santos dos Últimos Dias devem aprender a ser unidos, e alegro-me em ver, regozijo-me extremamente em ouvir, que o Presidente foi movido, não só antes de deixar Salt Lake City para ir ao Sul, mas enquanto esteve lá, a alterar a ordem de coisas que existiu por muitos anos aqui nestas montanhas, entre os Santos dos Últimos Dias. Em que aspecto? Trazer uma ordem unida de coisas a respeito de sua propriedade e trabalho, e o desenvolvimento dos recursos de nossa terra agrícola; a respeito da criação de rebanhos e manadas, da construção, e do desenvolvimento dos recursos minerais de nossas montanhas. Em todos esses aspectos, o Presidente viu a necessidade de começar a trazer, gradualmente, à medida que o caminho se abra, uma ordem diferente de coisas que aplicará o machado na raiz deste orgulho e distinção de classes. Alegro-me; regozijo-me nisso. Vários dos Ramos da Igreja no Sul já entraram nesta ordem. ¶
Pergunta alguém: "O que é, que tipo de ordem é essa? Contai-nos tudo a respeito." Dir-vos-ia tanto quanto pensasse ser sabedoria, se eu mesmo o entendesse; mas não entendo; tive muito pouca informação a respeito. Baste dizer que sei que a ordem de coisas que pôde ser levada a cabo com sucesso no Condado de Jackson não pode ser levada a cabo aqui, sobre o mesmo princípio, sem uma pequena variação. Não pode ser feito -- as circunstâncias exigem leis diferentes, conselhos diferentes, uma ordem de coisas adequada à condição deste país desértico. ¶
"Vai todo o povo entrar diretamente nisto de uma vez?" "Sim, se quiserem;" mas podeis contar com o fato de que, em todos os casos, sempre que Deus moveu seus servos a introduzir algo para o bem do povo, leva tempo para o povo o receber -- não o recebem todo de uma vez. O Senhor é longânimo -- suporta as fraquezas e tradições do povo por longo tempo. Quando, pela boca de seus servos, aconselha o povo a fazer isto, aquilo, ou aquilo outro, e são um pouco relutantes quanto a isso, ele não sai em juízo como fez com o antigo Israel, e os corta fora aos milhares e dezenas de milhares. Ele não faz isso, mas os suporta, espera ano após ano. Quanto tempo ele nos tem suportado a todos! Quarenta e três anos atrás, fomos ordenados a nos tornarmos um só a respeito de nossa propriedade. Por quarenta e três anos temos estado em desobediência. Quarenta e três anos se passaram sobre nossas cabeças, e ainda estamos longe da unidade. Deus não nos cortou fora, como fez com o antigo Israel, mas nos tem suportado. Ó, quão paciente e longânimo tem sido conosco, talvez pensando: "Porventura, hão de, com o tempo, retornar, se reformar, se arrepender, e obedecer aos meus mandamentos, que lhes dei no primeiro despontar da Igreja. Esperarei por eles, estenderei minha mão a eles todo o dia, e verei se serão obedientes." É assim que o Senhor se sente a nosso respeito. Não deveríamos segui-lo como modelo? Se esta ordem de coisas chegasse a Salt Lake City, se estas diferentes alas começassem a ser organizadas em certa medida, e o povo começasse a se dividir, alguns entrando na ordem e outros se recusando, não deveríamos suportar aqueles que não o fazem? Sim, suportai-os, exatamente como o Senhor nos tem suportado, e não comeceis a pensar que sois melhores do que vossos vizinhos que não entraram na ordem, e vos gabeis de estar acima deles, e os injurieis e persigais, e exerçais vossa influência contra eles, dizendo: "Ó, eles não pertencem à ordem unida de Deus, estão fora dela, e, consequentemente, não temos muito respeito por eles." Não devemos fazer isso, pois talvez, embora pensemos estar sobre fundamento firme, ele possa escorregar de debaixo de nós, e nós também sejamos trazidos a circunstâncias apertadas. Se exercermos paciência, longanimidade e tolerância com o povo até que aprendam pela experiência o que Deus está fazendo em nosso meio, muitos desses ricos podem entrar na ordem, que agora dizem em seus corações: "Esperaremos e veremos se isto há de prosperar." Se forem honestos de coração, finalmente chegarão à conclusão de que o povo na ordem unida é um povo feliz; não se exaltam em orgulho uns sobre os outros, e dirão: "Penso que irei para lá, com tudo o que tenho; me tornarei um deles;" e, dentro em pouco, virão, enquanto outros, talvez, apostatarão inteiramente. Contudo, se quiserem ir, deixai-os ir, não são de particular benefício se sentem vontade de apostatar de algo que Deus estabeleceu para o benefício do povo. Que Deus vos abençoe. Amém. ¶