Pulpit

Observações aos Jovens

William C. Dunbar

1874-01-04

No último domingo à noite, pedi ao Bispo o privilégio de dar uma pequena lição aos jovens, e aos velhos e de meia-idade sobre os jovens. É algo novo para mim pedir o privilégio de falar, pois minha fraqueza geralmente me leva a recusar falar quando me é pedido; mas, visto que assumi a tarefa, confio que serei auxiliado por aquele Espírito que ilumina o entendimento, e que, nesta ocasião, ditará coisas que serão para nosso bem.

Ouvi alguns dizerem que pensavam que fazíamos alarde e falávamos demais sobre a nova geração; mas, quando levamos em conta as circunstâncias em que estamos colocados como Santos dos Últimos Dias, veremos que não é esse o caso. Estamos ligados ao reino de Deus, estabelecido nestes últimos dias para nunca mais ser derrubado. Não estamos ligados a um sistema de religião que expirará quando nós expirarmos, mas a um que existirá quando já não estivermos aqui, e há a perspectiva de que muitos de nós partiremos desta vida antes que se passem muitos mais anos. Há milhares e dezenas de milhares de nós que abraçamos o Evangelho logo após a Igreja ser organizada pelo Profeta Joseph Smith, e que agora estamos chegando a uma idade em que devemos naturalmente esperar não viver muito mais na terra; por isso, na mente de todos os que refletem, há uma ansiedade a respeito dos jovens. Por quê? Porque têm ansiedade de que o reino de Deus se perpetue; têm ansiedade a respeito dos jovens, percebendo que a responsabilidade de levar adiante este reino e seus princípios logo há de recair sobre seus ombros, quando terão de pregar o Evangelho e administrar as leis e ordenanças do reino de Deus, e levar adiante seus princípios enquanto viverem na terra; por isso a ansiedade dos velhos membros da Igreja de saber que seus filhos estão em posição de poderem desempenhar os deveres que lhes cabem tão bem quanto, senão melhor do que, seus predecessores.

Temos ao nosso redor uma multidão de crianças crescendo. Temos o hábito de chamá-las de crianças e de tratá-las como tal, e todo o tempo nossos discursos a elas são como se dirigidos a crianças; mas de repente chegou ao nosso conhecimento que algumas dessas crianças chegaram aos anos de responsabilidade. Alguns de nossos filhos, por exemplo, são tão velhos quanto nós mesmos éramos quando saímos a pregar o Evangelho, e vemos ao nosso redor uma multidão de jovens rapazes e moças que foram batizados quando tinham oito anos, e que, quase sem que percebêssemos, chegaram aos anos em que começam a pensar e agir por si mesmos. Entre eles há aqueles que têm o conhecimento, pelo dom do Espírito Santo, de que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a Igreja e a obra de Deus, e talvez uma grande parte deles tenha esse conhecimento. Depois, há muitos deles que dizem não ter esse conhecimento, mas creem que o "mormonismo" é verdadeiro porque o pai e a mãe dizem que é; isto é, creem por educação, e não por convicção e por compreendê-lo por si mesmos. Entre essas crianças a que me refiro há um pequeno número que entrou em contato com certas influências, e que está se tornando cético e incrédulo quanto aos princípios da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Podemos fechar os olhos a essas coisas, mas são fatos, e a pergunta é: Como devemos tratá-las? Se soubéssemos que havia dois gentios nesta reunião, arranjaríamos nosso discurso de modo a ser adequado a eles, e deixaríamos todo o resto da congregação, que já conhece esses princípios, sentar e escutar. Mas parece-me que temos de tomar um novo rumo a respeito de nossa pregação. Devemos nos adaptar às circunstâncias, e lembrar que há entre nós os do tipo que mencionei. É verdade que nossos filhos foram criados e fundamentados, por assim dizer, nos princípios do "mormonismo": cresceram e mal ouviram outra coisa. Não são estas crianças pequenas aqui com quem estou tão preocupado, mas sim os jovens rapazes e as jovens moças, de dezesseis a vinte e dois ou vinte e três anos, que saem para a vida por si mesmos. Talvez as irmãs vão prestar serviço em várias partes da cidade e entre vários tipos de pessoas; e os jovens rapazes vão aprender ofícios -- aprender a ser carpinteiros, pedreiros, ferreiros, ou alguma outra ocupação. Têm de sair para a vida, e encontram muitas influências agora que não se achavam em nosso meio anos atrás; pois entre nós agora há aqueles que se esforçam ao máximo para minar a educação que temos dado a nossos filhos. Quando digo educação, refiro-me à formação religiosa que lhes temos dado. Há homens em nosso meio que consideram ter uma missão a cumprir, e essa missão é minar nossa religião. Há muitos entre nós agora que não creem, e nada se importam, com nossa religião. Alguns destes vieram cavar nas montanhas, extrair a prata e ganhar uma fortuna; nada se importam com religião de qualquer tipo. Há outros aqui que consideram ter a missão de minar o "mormonismo", e que pensam que a única maneira de fazê-lo é minando a educação de nossos jovens. Dizem: "Só podemos alcançar os jovens, no que diz respeito à fé no 'mormonismo'; mas, se conseguirmos tornar a nova geração cética, o 'mormonismo' será coisa do passado, e quase esquecido na próxima geração." Há uma classe de assim chamados homens religiosos cujo alvo é tornar nossos jovens céticos; há o apóstata, que é ou infiel ou deísta, trabalhando para alcançar o mesmo objetivo; há também o gentio, que é deísta ou livre-pensador, e não crê em Deus nem numa vida futura; e todos eles sentem que é sua missão especial minar o que temos feito durante os últimos vinte anos para estabelecer na mente da nova geração a verdade dos princípios que abraçamos, e que sabemos serem verdadeiros.

Ora, se tomou todo o conhecimento que temos, todo o testemunho que recebemos do Todo-Poderoso, para nos conduzir até o presente momento; se tomou o poder do Espírito Santo e o Espírito de Deus para nos capacitar a permanecer firmes e resistir às várias influências opostas pelas quais fomos atacados desde que obedecemos ao Evangelho, tomará o mesmo testemunho e o mesmo entendimento para capacitar a nova geração a levar avante este reino triunfantemente, apesar de toda a oposição combinada que possa ser levantada contra ele. Daí a necessidade, meus irmãos e irmãs, de nos exercitarmos a respeito dos jovens, e daí a razão por que deveriam ter conhecimento dos princípios de verdade que recebemos, para que, ao partirmos desta vida, possamos colocar nossas mãos sobre eles e abençoá-los, e separá-los para a obra que estamos quase concluindo. Então os pais em Israel poderão dizer -- "Aqui estão nossos filhos, que levarão adiante o que começamos;" e as mães poderão dizer -- "Aqui estão nossas filhas, que levarão adiante o que iniciamos." Sob tais circunstâncias, os sentimentos dos moribundos serão de alegria e prazer, pois saberão que deixam atrás de si uma multidão em cujos corações está indelevelmente impressa a convicção da divindade desta obra.

Fico satisfeito quando ouço um jovem ou uma jovem testificar que sabe que este é o reino de Deus; mas não ficaria satisfeito de ouvi-los testificar que sabiam, se não sabiam; não ficaria satisfeito de ouvi-los dizer que creram, se não creram. Poderia me causar tristeza ouvir meu filho ou minha filha, ou vosso filho ou vossa filha, dizer: "Não sei que o 'mormonismo' é verdadeiro," ou "não creio que seja verdadeiro," ou vê-los num estado de espírito entre um e outro, sem saber no que crer; mas, ao mesmo tempo, prefeririria que dissessem honestamente exatamente o que é fato, do que dissessem hipocritamente uma coisa e quisessem dizer outra. Não gostaria de ver isso entre crianças, ou entre homens e mulheres. Mas, se uma pessoa está realmente doente e podemos descobrir qual é a doença, então podemos aplicar o remédio; se, porém, o paciente insiste que não está doente, e que nada tem, não podemos tocá-lo. Por isso digo: se conhecemos as circunstâncias em que estamos colocados, sabemos que remédio aplicar. Um jovem ou uma jovem fará esta pergunta, por exemplo, que é muito natural -- "Pai, ouço-te dizer que todas as seitas do mundo cristão estão erradas, exceto os 'mórmons'; mas ainda assim descubro, quando frequento a igreja Episcopal, Católica Romana ou Metodista, que citam da mesma Bíblia da qual tu citas. Como é que estão errados?" Recordais-vos, irmãos e irmãs, de como éramos quando o Evangelho chegou pela primeira vez aos nossos ouvidos? Uma das primeiras perguntas que fizemos ao Élder que nos pregou foi -- "Dizes que só o 'mormonismo' está certo, mas como é que todas essas outras seitas e partidos, que dizem crer em Deus, na Bíblia e em Jesus Cristo, estão errados, e só tu estás certo?" Isto era uma espécie de mistério para nós, causava uma dúvida em nossas mentes, e não conseguíamos entender exatamente. Isto me traz à lembrança uma figura muito frequentemente usada pelos Élderes ao pregar o Evangelho no país de origem nos primeiros dias. Para explicar este aparente mistério à mente dos novos conversos, comparavam o Evangelho e a Igreja de Jesus Cristo, e sua organização, a um relógio, com toda a sua maquinaria complicada, incluindo rodas, eixos e pinos, mostrador, ponteiros e mola principal. Todos esses, propriamente combinados, marcarão corretamente a hora do dia. "Mas," diziam os Élderes, "suponde que venha um homem e tire uma dessas rodas, e outro homem tire outra roda, e outro tire outra roda; um homem tira um pino, e outro tira outro pino; um homem tira um eixo, e outro tira outro eixo; um tira o mostrador, outro tira um ponteiro, e outro tira outro ponteiro, e assim por diante, até que, finalmente, todo o relógio se divide, digamos, entre seiscentas pessoas diferentes, cada uma das quais diz -- 'Tenho o relógio, e posso dizer a hora do dia.'" Diz o relojoeiro -- "Pensais que sou tão tolo a ponto de crer que qualquer um de vós pode dizer a hora do dia? Um relógio não pode dizer a hora, a menos que esteja combinado e unido, cada roda e eixo em seu lugar, com a mola principal em boa ordem. É preciso a máquina inteira para dizer a hora do dia, e, quando um homem diz -- 'Tenho o relógio,' e só tem uma roda, um eixo, ou um pino, o mostrador, a mola principal, ou a caixa, ele não diz a verdade, saiba ele disso ou não."

Assim é, meus jovens amigos e irmãos e irmãs, a respeito da Bíblia; toda seita religiosa toma aquela parte dela que lhe convém, e todas dizem crer nela, e que têm o plano de salvação. Por exemplo, uma seita ou partido tomará a fé em Jesus Cristo, e dirá que isso é tudo o que é necessário para a salvação do homem. Outra seita talvez tome o batismo, e diga que a fé e o batismo são necessários para a salvação, e descarte outra coisa; e assim vereis todo o mundo cristão, embora professe crer no mesmo Salvador e na mesma Bíblia, opostos uns aos outros. E então vêm os "mórmons," e dizem -- "Todas essas seitas estão erradas, e nós estamos certos." Dizem às seitas -- "Ora, não tendes o relógio, tendes apenas uma das rodas, um dos pinos ou ponteiros, ou tendes apenas a caixa, e nada há dentro dela, e é preciso a caixa com todo o seu conteúdo devidamente arranjado para dizer a hora do dia corretamente; em outras palavras, se quiserdes ensinar ao povo como ser salvo no reino de Deus, deveis ensiná-lo a obedecer a cada princípio do plano de salvação." Isso é precisamente o que fazem os Élderes desta Igreja, e é isso que faz a grande distinção e diferença entre eles e os assim chamados mestres religiosos de hoje.

Ora, para ilustrar isto. Frequentais uma igreja ou uma capela, e talvez ouçais um ministro pregar do capítulo 16 do Evangelho de São Marcos, onde os Apóstolos são ordenados a ir e pregar o Evangelho a toda criatura, com a promessa de que aquele que crer e for batizado será salvo, etc. Alguns de nossos jovens não têm lido muito a Bíblia. É verdade que muitos dos que frequentam a Escola Dominical a leem, mas, de modo geral, a classe a que me refiro não frequenta a Escola Dominical. Consideram-se velhos demais, que sabem demais, ou que é meio humilhante conviver com crianças; e, com poucas exceções, aqueles a quem me refiro não são do tipo que leu a Bíblia; mas descobrireis, por mais que nos envergonhe admiti-lo, que prefeririam ler o Ledger, o Bowbells, ou algum outro livro desse caráter, do que a Bíblia, e, consequentemente, quando ouvem um ministro seccionista citar dela que aquele que crer em Jesus será salvo, dão por certo que ele está lendo a Bíblia, quando, se tivessem lido e estudado suas páginas por si mesmos, saberiam que ele cita apenas parte dela. Não é singular que os ministros seccionistas, de modo geral, consigam esquecer aquela pequena palavra "batismo" ao exortarem os pecadores a se arrependerem e serem salvos? Não é singular que os teólogos de hoje, de modo geral, embora tenham feito da Bíblia seu estudo, e tenham ido à faculdade com o propósito de estudar como explicar seu conteúdo, parem antes do tempo e digam: "Aquele que crer será salvo," omitindo tudo sobre o batismo?

Qual é a diferença, a este respeito, entre o mestre "mórmon" e o mestre seccionista? O mestre "mórmon" lê tudo -- o texto e o contexto -- e declara ao povo que aquele que crer e for batizado será salvo; e aquele que não crer será condenado. Não é singular que homens que professam ser servos de Deus e ministros da salvação, ao citarem a Escritura, citem apenas parte dela? Este é o curso seguido pelos ministros de quase toda denominação na Cristandade. Um tomará um eixo ou uma roda, e deixará todo o resto da maquinaria; outro fará o mesmo, e assim por diante, e, se examinássemos o todo, talvez descobríssemos que todos os princípios do Evangelho estão espalhados entre eles, mas todos rejeitam algumas partes dele.

No dia de Pentecostes, quando uma grande multidão de pessoas estava reunida em Jerusalém, os Apóstolos do Salvador, que haviam sido investidos de poder do alto, declararam-lhes clara e inequivocamente o caminho da vida e da salvação. Em resposta às perguntas sinceras e ansiosas de muitos naquela ocasião, Pedro, o chefe dos Apóstolos, disse -- "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo," etc. Mas como é citada esta Escritura por aqueles que tomam apenas uma roda ou um eixo? Dizem -- "Arrependei-vos e sereis salvos;" ou "Crede em Jesus e sereis salvos;" mas, de um jeito ou de outro, seja por memória defeituosa, seja por outra causa, deixam de citar o resto.

Aqui está a diferença entre os seccionistas e nós, os chamados "mórmons." Tomamos o capítulo inteiro, queremos o relógio inteiro. Sabemos que não podemos dizer a hora corretamente se só tomarmos parte dele, e sabemos que não podemos obter a salvação plena no reino celestial de Deus, a menos que obedeçamos ao Evangelho inteiro, que é o poder de Deus para a salvação de todos os que creem nele o bastante para obedecê-lo.

O Apóstolo Paulo, ao escrever aos Coríntios, estabelece a organização da Igreja, tal como estabelecida por seu fundador, Cristo. Diz que na Igreja são colocados Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres. Para quê? Para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, e para o aperfeiçoamento dos Santos, até que todos cheguemos à unidade da fé. O Apóstolo também diz que há na Igreja uma diversidade de dons, tais como línguas, a interpretação de línguas, cura, conhecimento, fé, sabedoria, etc. Ora, quanto disso um seccionista escolhe ao citá-lo? Toma Pastores e Mestres, mas descarta Apóstolos, Profetas, dons, auxílios, línguas, curas, etc.; de fato, alega ter o relógio inteiro, quando, ao mesmo tempo, tem apenas um pequeno pino ou eixo, e descarta a parte principal da maquinaria.

Já pensastes nessas coisas, meus irmãos e irmãs? Se lêssedes a Bíblia e o Novo Testamento, chegaríeis a um entendimento delas, exatamente como nós chegamos. Como foi isso? A maioria de nós foi treinada a ler a Bíblia, e, quando ouvimos os Santos dos Últimos Dias pregarem, dissemos -- "Isto é diferente de tudo o que já ouvimos antes. A Bíblia parece um livro novo, nunca soubemos que havia tais coisas nela. Nossos ministros nunca nos ensinaram esses princípios, e, quando os mencionamos a eles, dizem que já não vigoram, e não são mais necessários;" em outras palavras, dizem que um relógio não precisa de mola principal agora; era necessário, há 1800 anos, que um relógio tivesse uma mola principal e uma variedade de rodas e pinos, todos unidos numa só caixa, mas agora não é necessário, pois se pode dizer a hora do dia com um dos ponteiros, ou um pino, ou com a caixa vazia. Nós que havíamos lido o Novo Testamento, ao ouvirmos os Élderes explicarem a organização desta Igreja, pudemos ver imediatamente que estava de acordo com o padrão das Escrituras, e que era diferente das igrejas da Cristandade; mas a razão pela qual nossos jovens rapazes e moças às vezes ficam num dilema ao ouvirem os seccionistas pregarem é que não leram as Escrituras, e, por isso, quando ouvem um homem no púlpito fazer uma afirmação, não conseguem dizer se ele cita o todo ou apenas parte da passagem, e daí a necessidade de se familiarizarem mais com a Bíblia.

Quando eu tinha uns dezessete anos, ouvi pela primeira vez este Evangelho pregado pelo Élder Orson Pratt. Ele citou dos Atos dos Apóstolos, e, embora eu tivesse dentro de mim outra palavra de testemunho de que o que ele dizia era correto, de que ele era um servo de Deus, e de que Joseph Smith havia recebido a ministração de anjos, quando ele citava das Escrituras eu não podia dizer se era assim ou não, porque nunca havia lido a Bíblia. Nunca me foi permitido lê-la, por razões que declarei esta tarde, mas fui direto para casa e li a Bíblia, e descobri que o que ele disse era verdade. Depois fui a outro lugar de culto, e ouvi um homem citar o mesmo capítulo, mas, de um jeito ou de outro, ele deixou de citar a passagem inteira, e citou apenas um pequeno trecho dela. Isso levou alguns de nós a investigar, e o fizemos exatamente como faríamos com qualquer outro ramo do conhecimento. Nenhum jovem pensaria em ler Robinson Crusoé para se familiarizar com a geografia, nem leria a história da Escócia para dominar a álgebra; e nenhum jovem ou jovem moça pensaria em estudar qualquer ramo de ciência ou arte lendo romances. Mas, se realmente desejassem adquirir algum ramo de conhecimento, é claro que procurariam obras que tratassem daquele assunto, e fariam disso um assunto de estudo sério. Conheci um homem que não fez outra coisa senão estudar gramática, desde os quinze anos até os vinte e cinco. Costumavam chamá-lo de "Velho Sintaxe," como apelido. Assim é com nossos jovens -- não devem esperar estudar o "mormonismo" lendo romances, mas devem ler a Bíblia, o Livro de Mórmon, a Doutrina e Convênios, o Millennial Star, as Obras de Orson Pratt, a Voz de Aviso, e muitos outros. Estas são as obras que nossos filhos devem estudar, se algum dia hão de descobrir por si mesmos a verdade dos princípios do "mormonismo." E, além de fazer isso, devem também orar ao Todo-Poderoso pelo testemunho de seu Santo Espírito. Como foi que nós, agora envelhecendo na obra, obtivemos conhecimento de sua verdade? Muitos de nós, depois de ouvir o testemunho dos servos de Deus, fomos para nossos aposentos, e alguns de nós trabalhamos por meses com o Todo-Poderoso antes de obter esse conhecimento. Oramos: "Senhor, se o testemunho deste homem é verdadeiro, faze-o saber a nós, por algum meio ou outro;" e finalmente recebemos impressões que nos induziram a nos arrepender e sermos batizados, e nos foram impostas mãos para o dom do Espírito Santo; e ainda assim trabalhamos, e oramos, e contendemos pela fé uma vez entregue aos Santos, até que Deus, em sua misericórdia, se manifestou a nós de tal maneira que soubemos que esta era sua obra e reino.

Ora, se um jovem se levanta e testifica que sabe que este é o reino de Deus, talvez outro jovem faça graça e diga: "Como sabes disso?" Talvez não consiga explicar, pois as revelações de Deus à mente e alma do homem nem sempre podem ser explicadas, tanto quanto Colombo não podia explicar quando afirmava que havia um vasto continente ainda não descoberto, ou quanto o filósofo não podia explicar aos incrédulos que o globo era redondo e não plano; não conseguiam entendê-lo sem estudar as leis naturais como ele havia feito. O testemunho do Espírito Santo e as revelações de Deus dão conhecimento à mente daquele sobre quem são conferidos, mas ele não pode explicar suas operações a outros. Nas Escrituras nos é dito que as coisas do homem são conhecidas pelo espírito do homem, e as coisas de Deus somente pelo Espírito de Deus, e a promessa àqueles que obedecem ao Evangelho é que hão de conhecer por si mesmos sua verdade, e esta é a única condição pela qual o cumprimento desta promessa pode ser obtido. Disse Jesus -- "Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo."

Nossos filhos foram batizados quando tinham oito anos, mas isso foi mais pelo nosso arbítrio do que pelo deles. O dom do Espírito Santo foi conferido a eles, e aquele Espírito está dentro deles, e, se compreendessem seus sussurros e ditames, creio que admitiriam saber muito mais do que agora pensam saber; e, se atendessem a seus ensinamentos, isso os conduziria no caminho da vida eterna. Mas há uma grande diferença entre os "mórmons" e o resto do mundo religioso quando chegamos aos princípios fundamentais de toda religião, a saber, a crença em Deus. O mundo seccionista diz que crê em Deus, mas que ele não tem corpo, partes nem paixões, e, contudo, há três pessoas na Trindade -- Pai, Filho e Espírito Santo. Se frequentásseis as Escolas Dominicais de nossos amigos que não são dos nossos, provavelmente ouviríeis esses princípios ensinados. Mas isso não está de acordo com a Bíblia, pois ela ensina que Deus fez o homem à sua própria imagem. Se quiserdes saber qual é a aparência do Todo-Poderoso, olhai para o homem, só que ele está numa condição decaída e vestido de humanidade. Jesus disse que era a expressa imagem e semelhança de seu Pai. Os "mórmons" creem nisso, mas os seccionistas creem num Deus sem corpo, partes e paixões; creem em Jesus assentado à destra de um Deus sem corpo, partes e paixões; creem num Deus que ama os justos, e que se ira contra os ímpios todos os dias, mas que, contudo, não tem corpo, partes nem paixões. Não digo isto com o propósito de escarnecer, nem coisa parecida, mas simplesmente afirmo os fatos tais como são. Os "mórmons" creem nessas coisas exatamente como a Bíblia lhas conta; creem que Deus é um Ser grande e exaltado, cheio de conhecimento e entendimento, que criou esta terra, mas não do nada. Um dos princípios ensinados pelo mundo religioso da Cristandade é que a terra foi feita do nada, em seis de nossos dias. Não é de admirar, como disse o Irmão Maeser no outro domingo à noite, que as pessoas considerem que a ciência e a religião são opostas uma à outra. A verdadeira ciência e a verdadeira religião não são opostas uma à outra; a falsa religião e a verdadeira ciência são opostas uma à outra, e é exatamente esse fato que tem feito a incredulidade se espalhar com tanta rapidez nos últimos anos. À medida que os homens se familiarizam com as leis da natureza, que são as leis de Deus, são compelidos a deixar de lado a falsa religião, e, consequentemente, dizem que a religião é toda tolice. Por exemplo, o químico descobre que não pode trazer uma partícula de matéria do nada, nem pode aniquilar uma partícula, e por isso não crê que o mundo tenha sido criado do nada. Quando um homem desce às entranhas da terra e, por meio da ciência, se familiariza com as leis que governam os materiais ali contidos, entende que a terra não poderia ter sido feita do nada; entende também que não poderia ter sido feita em seis de nossos dias, e, consequentemente, em vez de descartar a ciência, cuja verdade pode demonstrar, descarta a religião, cuja verdade não pode demonstrar. Mas, se estivesse na posse da verdadeira religião, não teria de descartá-la, nem teria de abandonar sua ciência, pois harmonizariam.

Nós, Santos dos Últimos Dias, não cremos que o mundo tenha sido criado do nada, mas que foi criado exatamente segundo o mesmo princípio pelo qual um construtor cria uma casa, isto é, há matéria em existência, e ele a organiza e muda sua condição conforme as circunstâncias para as quais deseja usá-la; o construtor transforma os tijolos, a madeira e outros materiais numa casa ou outra estrutura; o Todo-Poderoso, por seu poder e sabedoria, toma a matéria existente e a combina, e faz um mundo; e coloca as estrelas, o sol e a lua no firmamento, dando a cada um as leis pelas quais seus movimentos são regidos. Se o entendêssemos, veríamos que tudo foi feito segundo verdadeiros princípios científicos. A verdade científica e a verdade de Deus são exatamente a mesma coisa; por isso, quando um homem se familiariza com a ciência ou as leis da natureza, tem de descartar sua crença num Deus sem corpo, partes e paixões, e, na estimativa do mundo religioso, torna-se um infiel. Mas, suponde que obedecesse ao Evangelho como ensinado pelos Santos dos Últimos Dias, qual seria então a consequência? Sua ciência e religião se ajudariam e se sustentariam mutuamente, e o capacitariam a testificar da mão maravilhosa de Deus, não só ao revelar os verdadeiros princípios da salvação, mas também ao revelar as leis da natureza ou os princípios da ciência, e abraçaria ambas como emanações do mesmo grande Ser Divino.

Aqui, meus jovens irmãos e irmãs, está outra grande distinção e diferença entre os Santos dos Últimos Dias e o resto do mundo religioso, e, se estudásseis a Bíblia às vezes -- não digo que seja necessário descartar todo outro livro e estudar somente a Bíblia -- chegaríeis a um entendimento desses princípios por vós mesmos, e então saberíeis por que vossos pais e mães declaram saber que o "mormonismo" é verdadeiro.

Tenho me esforçado por deixar algumas indicações, para mostrar a necessidade de nossos jovens tomarem um rumo pelo qual possam alcançar o mesmo senso realizado da verdade do Evangelho e da obra de Deus que seus mais velhos possuem. Se um filho ou uma filha pertencente a algum de nós dissesse -- "Pai, sei que sempre me ensinaste a crer que Joseph Smith foi um verdadeiro profeta, e dizes que Deus to revelou, mas a mim não o revelou, e eu não o sei," ficaremos zangados com eles, e recorreremos à coerção para fazê-los crer como cremos? Não, podemos lamentar ouvi-los fazer tal declaração, mas não devemos nem ficar zangados nem usar linguagem áspera para com eles, pois isso poderia levá-los a fazer exatamente aquilo que estamos tão ansiosos por evitar. Devemos tratá-los como homens e mulheres, ou como seres racionais e inteligentes, e raciocinar com eles, e trabalhar com eles e orar por eles, exatamente como se fôssemos enviados para pregar o Evangelho ao mundo. Este é o rumo que creio que nós, os pais e mães de Israel, devemos seguir com a nova geração.

Disse tudo o que desejava dizer nesta ocasião. Que Deus nos abençoe! Que o espírito do Evangelho repouse sobre nossos jovens, para que sejam levados a investigar seus princípios e a chegar a um entendimento deles por si mesmos, para que estejam preparados para as responsabilidades que hão de recair sobre aqueles que nos sucederão na condução da obra do Senhor, e possam ser capacitados a levá-la adiante triunfantemente, é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoWilliam C. Dunbar, “Observações aos Jovens”, (1874-01-04). Pulpit Vault, 1874-01-dunbar-remarks-to-the-young. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).