Pulpit

As Capacidades e Poderes Aumentados do Homem em seu Estado Futuro

Orson Pratt

1874-01-27

Fui solicitado pelo irmão Richards a dirigir-me à Associação Literária dos Rapazes, organizada aqui em Ogden, juntamente com quaisquer outras pessoas que estivessem presentes na ocasião. Faço-o de bom grado, embora deva dizer, no início de minhas observações, que não tive tempo algum para amadurecer o assunto sobre o qual me proponho falar esta noite; outros deveres têm sido tão numerosos, inclusive os da Assembleia Legislativa, que mal tive um momento de folga para dedicar à sua consideração. O assunto sobre o qual foi proposto que eu me dirigisse a vós é: As Capacidades e Poderes Aumentados do Homem em seu Estado Futuro. É um assunto de natureza teológica, e não pode ser tratado inteiramente do ponto de vista científico, pois tudo o que sabemos a respeito do estado futuro do homem nos vem por revelação divina, e de nenhuma outra forma; portanto, seremos obrigados, pela própria natureza do assunto, a recorrer às revelações que Deus deu, tanto antigas como modernas, a respeito do estado futuro do homem, e das capacidades de que será dotado no mundo vindouro. Contudo, pode haver, ligadas a este assunto, muitas ideias científicas a título de ilustração.

Encontramo-nos aqui neste mundo, desfrutando de inteligência, luz e verdade, em certa medida, muito acima de qualquer criatura que Deus fez. Colocado aqui na Terra, entre as miríades de suas criaturas, o homem parece ser proeminente, de fato a obra-prima da criação, um ser dotado de inteligência e capacidade de raciocínio, e de maior ou menor poder sobre todos os outros seres e criaturas sobre a face da Terra. Mas, ainda assim, apesar de seus poderes e faculdades intelectuais, o homem, em sua condição presente, é um ser pobre, fraco, frágil e caído, sujeito a aflições, dores, acidentes e enfermidades, e, depois de algum tempo, passa desta cena de ação.

A pergunta surge naturalmente entre todos os povos, se este ser chamado homem existe depois que este corpo se desfaz e retorna à mãe terra, e se a parte inteligente do homem continua a existir, ou se morre com o corpo. Há muitas razões para supor que o homem existirá num estado futuro. Aqueles que creem num Ser Supremo, capaz de produzir o homem e a Terra em que habita, poderiam quase sem o auxílio da revelação concluir naturalmente que o homem, sendo obra das mãos daquele Ser Supremo, não foi destinado a desaparecer e ser esquecido com o término desta breve existência, mas foi destinado a viver no futuro. Mas, quando examinamos os registros sagrados sobre este assunto, encontramos abundância de evidências e provas para nos satisfazer plenamente de que, quando depositamos estes corpos para descansar na sepultura, se somos Santos, os depositamos com a expectativa e com plena certeza e esperança de que serão ressuscitados e voltarão a viver, numa forma mais perfeita do que a que possuem no momento presente. Esperamos isso, temos esperança nisso, oramos por isso, buscamos de todo o coração estar preparados para este estado futuro de existência e para a primeira ressurreição.

Quando examinamos a revelação divina sobre o assunto da ressurreição, achamos que toda parte deste tabernáculo mortal que é depositada na sepultura, na medida necessária para constituir um corpo perfeito, será ressuscitada. Somos informados a este respeito em várias revelações, mas especialmente no Livro de Mórmon; e suponho que os jovens que organizaram esta Associação creem naquele registro sagrado e divino, bem como na Bíblia, e também no Livro de Doutrina e Convênios, portanto dirigir-me-ei a eles como a pessoas que neles creem.

No Livro de Mórmon achamos Alma discursando sobre a ressurreição dos mortos, e também Amuleque, e ambos testificam que os corpos que depositamos na sepultura voltarão a se levantar, que toda parte será restaurada à sua perfeita estrutura; ambos os Profetas declaram que todo membro e junta serão restaurados, ainda que o corpo se desfaça e retorne à mãe terra, e os ossos — as partes mais sólidas do sistema humano — se dissolverão e voltarão ao pó. Declaram que os materiais serão reunidos e reconstruídos, que osso se juntará a osso, e que a carne que agora reveste esses ossos, e os tendões e a pele que cobrem a carne também serão restaurados. O Profeta Ezequiel, no capítulo 37 de sua profecia, diz que ossos e carne, tendões e pele sairão todos e se formarão do pó num tabernáculo perfeito, e tudo será restaurado à sua perfeita estrutura; e tão particularmente discorrem os Profetas Amuleque e Alma sobre este assunto, que declaram que nem sequer um cabelo da cabeça se perderá.

Alguns talvez suponham que, como o tabernáculo humano é composto de certos elementos familiares, tais como hidrogênio, oxigênio, carbono e os vários princípios elementares que existem ao nosso redor, quando o corpo se dissolve e esses vários elementos se espalham e são levados aos quatro ventos, como no caso da cremação de um corpo, e esses elementos entram na composição de vegetais, e os vegetais são comidos por animais, servindo para aumentar sua carne, e novamente esses animais são comidos por seres humanos, que essas transferências contínuas de matéria de um estado e condição para outro excluiriam a ideia da ressurreição do mesmo corpo novamente. Mas há várias coisas a considerar a respeito disso. Temos uma revelação no Livro de Doutrina e Convênios, chamada "A Folha de Oliveira," que diz — "Vós que fostes vivificados por uma porção da glória celestial recebereis, naquele dia, mesmo a plenitude; sim, recebereis vosso corpo, que é o mesmo corpo que agora tendes." Isto parece tão claro que somos obrigados a admitir que receberemos os mesmos corpos.

Ora, o fato de que as partículas que compõem nosso corpo passam por tantas transmutações depois que deixamos esta existência mortal, entrando na carne de animais, depois ajudando a formar o corpo de seres humanos, quase pareceria, especialmente à mente dos incrédulos, contrário à ideia de uma ressurreição; e não creio que toda partícula alguma vez incorporada nos sistemas de criaturas humanas seja ressuscitada com elas, não tenho tal ideia. Mas uma quantidade suficiente das partículas que uma vez foram incorporadas no sistema será usada pelo Todo-Poderoso na ressurreição para fazer tabernáculos perfeitos e completos para os espíritos celestiais habitarem. A ideia de que toda partícula que já entrou na composição de nosso corpo mortal será ressuscitada é inconsistente; pois quem não sabe que um homem frequentemente muda de peso? Por exemplo, quando é criancinha pesa apenas algumas libras; continua a aumentar em carne por meio do alimento de que participa, e não apenas em carne, mas também no tamanho de seus ossos, até atingir talvez cento e noventa libras, além das dez ou doze libras que pesava na infância. Depois definha por alguma enfermidade longa e persistente, e, depois de vários meses debilitado, pesa-se e descobre que perdeu sessenta ou setenta libras de carne. Para onde foram? Para algum lugar; desapareceram. Depois se recupera de sua enfermidade e começa a se restabelecer, alimentando-se de várias espécies de nutrição, e, com o tempo, pesa talvez duzentas libras. Outro ataque de doença o acomete, e ele perde de novo cinquenta ou sessenta libras de peso, e assim, no curso de uma longa vida, por intervalos de doença e saúde, talvez umas mil e duzentas ou mil e quinhentas libras de matéria tenham deixado seu corpo, e sido renovadas novamente pelo alimento que comeu.

Além disso, temos o hábito de tomar facas ou tesouras e aparar nossas unhas de tempos em tempos, tanto que podemos afirmar com segurança que, no curso de um ano, cortamos ou aparamos dos dedos das mãos e dos pés, conforme o caso, talvez uma polegada de unha; nessa proporção, um homem que vivesse até os setenta e dois anos de idade aparia setenta e duas polegadas de unha, o que equivale a seis pés. Ora, podemos supor que, quando um homem se levantar dentre os mortos, virá com unhas de seis pés de comprimento? (risos). Não consigo conceber tal coisa, e, contudo, isso é uma parte do corpo, e os homens, na ressurreição, terão unhas tal como as têm aqui, mas espero que sejam de comprimento razoável, e uma porção suficiente das unhas de seus dedos das mãos e dos pés será ressuscitada para formar unhas bonitas e adequadas nos dedos das mãos e dos pés, enquanto todo o resto será excedente e desnecessário.

Além disso, temos o hábito de cortar o cabelo. Este costume geralmente começa na infância, digamos aos três ou quatro anos de idade, e continua por toda a vida, e, no curso de um ano, talvez quatro ou cinco polegadas de cabelo sejam cortadas da cabeça e descartadas. Ora, em setenta e dois anos, se um homem não perdesse o cabelo por completo, ele cortaria talvez algo como vinte e quatro pés de cabelo e barba. Podemos supor que, na ressurreição, viremos com o cabelo e a barba com uma vara de comprimento? Não espero tal coisa. Quando, portanto, lemos no Livro de Mórmon que todo cabelo da cabeça será restaurado, não espero que toda a matéria que foi incorporada no cabelo ou na barba seja restaurada, mas espero que uma quantidade suficiente do material que uma vez existiu no cabelo e na barba seja restaurada, para que a pessoa pareça bem-apessoada, pois o cabelo é um ornamento.

Dizem alguns, se é verdade ou falso não pretendo dizer, que, independentemente de doença e de perder e recuperar a carne, um homem robusto, uma vez a cada sete anos, elimina a maior parte dos materiais de seu corpo; que até mesmo os próprios ossos de nosso corpo cedem material que é eliminado, e tanto assim que, quando uma parte de um osso é removida, é substituída pelo processo comum de se alimentar, etc. Isso pode ou não ser assim, não pretendo afirmar, embora seja geralmente aceito por homens de ciência, médicos e aqueles que fizeram experimentos, que este seja o caso. Ora, supondo que seja verdade, um homem que vivesse até os setenta e sete anos trocaria todo o seu corpo onze vezes no curso de sua vida. Supomos que, quando o homem se levantar na ressurreição, possuirá toda a carne que ganhou e perdeu com a doença e recuperou com a saúde, e tudo o que perdeu e recuperou nessas mudanças setenárias? Se assim fosse, possuiria uma ou duas toneladas de matéria em seu sistema físico, como tabernáculo para o espírito habitar. Não suponho, por um só momento, tal coisa, mas tudo isso, exceto a quantidade realmente necessária para formar um tabernáculo perfeito e proporcionado para o espírito habitar, será matéria excedente.

Que se torna dessa matéria excedente? Os animais, aves e peixes, e todas as criaturas vivas hão de ser ressuscitados, e, se o homem incorporou em seu sistema, no curso de sua vida mortal, nove décimos mais matéria do que a necessária para formar um corpo ressuscitado perfeito, por que não deixar que essa matéria excedente vá para onde pertence — para os animais do campo, para as aves dos céus e os peixes do mar, para que recebam seus tabernáculos, e sejam ressuscitados? Dizem alguns que há certas porções do corpo que não se dissolvem. Se há, nada sei a respeito. Os ossos se dissolvem, e a carne, os tendões, a pele, os dentes e o cabelo, e toda parte do corpo humano com que estamos familiarizados retorna ao pó. Se assim é, deve haver uma restauração, pois, se o corpo não se dissolvesse, não poderia haver restauração.

Passemos agora adiante, e perguntemos a respeito da condição do corpo depois de sua ressurreição: estará ele então sujeito à dor, à doença e à tristeza? Não; somos informados nas Escrituras, sobre as quais fundamos nossos argumentos, que, quando os novos céus e a nova Terra forem feitos, Deus fará novas todas as coisas, e não haverá mais tristeza nem dor, nem tampouco morte, mas a dor, a tristeza, o pranto e a morte serão eliminados; consequentemente, o corpo imortal estará livre de todos aqueles males que vieram pela queda. Examinemos outra coisa a respeito do corpo imortal. Será absolutamente necessário receber nutrição por meio de alimento? Não pergunto se os seres imortais participarão de alimento — isso é outro assunto — mas será necessário participar de alimento para sustentar e preservar o corpo imortal? Lemos que seres imortais comeram alimento, que até mesmo nossos primeiros pais, Adão e Eva, antes de caírem, enquanto ainda eram imortais, tiveram permissão de entrar no Jardim do Éden, e que tinham alimento vegetal para comer, e que lhes foi permitido comer de todos os frutos do jardim, exceto um. Mas era isso absolutamente necessário para que permanecessem seres imortais? Duvido muito. A imortalidade estava impressa em seu próprio sistema, e estariam vivos até hoje se não tivessem transgredido os mandamentos de Deus, quer tivessem comido alimento ou não. No princípio, os animais do campo se alimentavam de vegetais. No primeiro capítulo do Livro de Gênesis lemos — "E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente, que está sobre a face de toda a Terra, e toda árvore em que há fruto que dá semente; ser-vos-á para mantimento. E a todo animal da Terra, e a toda ave dos céus, e a tudo o que se arrasta sobre a Terra, em que há alma vivente, toda erva verde para mantimento tenho dado." Naqueles dias, enquanto Adão e Eva eram imortais, os animais, aves e peixes não se destruíam uns aos outros, o que indicaria imortalidade. Se, naqueles dias, o leão comesse o cordeiro, o lobo, o cabrito, e feras vorazes devorassem seus semelhantes, teria sido indicação de que a mortalidade já existia então na Terra; mas não havia tal coisa como mortalidade quando o homem foi primeiramente colocado no Jardim do Éden. Nem o animal do campo, nem a ave dos céus, nem o peixe do mar estavam então sujeitos à morte, mas todos, como o homem, eram imortais, e, contudo, participavam de alimento, mas seu alimento era de natureza vegetal.

Lemos que, depois que Jesus ressuscitou dos mortos, apareceu a seus discípulos enquanto pescavam, e os chamou para a praia e disse — "Filhinhos, tendes algum peixe?" Logo perceberam que era o Senhor quem lhes havia aparecido, e vieram para a praia, e assaram peixe numa fogueira de brasas, e Jesus comeu com eles, sendo, contudo, um ser imortal. Mas se lhe era necessário comer para se sustentar é outra questão. Mas podem seres imortais viver sem alimento? Sim, até mesmo os filhos da mortalidade podem viver sem alimento quando o Senhor julga conveniente. Por exemplo, Moisés, em duas ocasiões diferentes, quando subiu ao monte, ali esteve quarenta dias e quarenta noites, e a Escritura diz expressamente que ele não comeu nem bebeu durante esse tempo. Ora, se uma pessoa na mortalidade pôde ser sustentada por quarenta dias e quarenta noites, em duas ocasiões, como foi Moisés, por que seria necessário a uma personagem imortal comer para preservar a vida? Penso que comem, talvez, porque é um prazer, e pode ter certas tendências benéficas de que nada sabemos; mas, sendo elevados à imortalidade, dificilmente parece provável que essa imortalidade dependa de comer e beber para sua preservação. No testemunho de nosso Salvador a seus Apóstolos, aprendemos que os seres ressuscitados comerão e beberão, pois diz ele — "Vós, que me seguistes na regeneração, assentar-vos-eis sobre doze tronos, julgando as doze tribos de Israel, e comereis e bebereis à minha mesa." Quando será isso? Durante o Milênio, depois da ressurreição desses doze Apóstolos, e, quando Jesus descer dos céus, eles descerão com ele, e, quando ele se assentar em seu trono, num dos aposentos do Templo, os doze Apóstolos se assentarão em seus tronos, cada um com uma tribo distinta de Israel sobre a qual reinará; e, quando o jantar, ou a ceia, conforme o caso, estiver pronto, eles se assentarão à mesa do Senhor, e comerão e beberão em sua presença. Poderíamos dizer muito mais a respeito deste assunto, mas, se algo foi revelado para provar que a imortalidade depende de comer e beber, tal como nossa vida mortal depende disso, não tenho conhecimento disso.

Há outro assunto que naturalmente surge ao refletirmos sobre o estado futuro do homem, e suas capacidades físicas e mentais nesse estado, e é este: precisará o homem, depois da ressurreição, de dormir? Penso que não. Muitos, talvez, argumentarão que as coisas desta vida são típicas daquelas que ocorrerão no mundo vindouro. Nego isso em algumas coisas. Há muitas coisas que, tal como foram originalmente concebidas e organizadas, eram típicas de coisas vindouras ou de como existirão no futuro; depois há muitas coisas que não são típicas do mundo vindouro. Por exemplo, morremos aqui; é isso alguma evidência de que morreremos no futuro? Oh, não; a morte é consequência das imperfeições introduzidas pela Queda; não estava no corpo quando nossos primeiros pais foram colocados no Jardim do Éden. O homem trouxe a morte sobre si mesmo, e ela, e outros males introduzidos por esse acontecimento, serão eliminados, e, portanto, não existirão num estado futuro. O sono nos revigora aqui nesta vida, e passamos cerca de um terço de nosso tempo nessa condição, sendo absolutamente necessário à nossa existência na mortalidade; pois, sem ele, logo pereceríamos e morreríamos. Mas, por ser assim aqui, diremos que será necessário num estado futuro? Penso que não. Parece-me inconsistente, e como uma imperfeição na grande obra do Criador, supor que, por cerca de um terço de toda a eternidade futura, seres inteligentes hão de esquecer até mesmo sua própria existência no sono, nada sabendo do que se passa ao seu redor, durante um terço dos milhares e milhões de eras vindouras. Não parece razoável.

Tendo dito tanto a respeito do corpo imortal e de seus poderes e faculdades aumentados, permitam-me perguntar ainda mais: estará este tabernáculo, depois da ressurreição, sujeito às mesmas leis universais da natureza que agora regem as coisas terrestres, e não apenas as terrestres, mas também as celestiais, isto é, os céus e o sistema planetário acima de nós? Estará a humanidade, em outras palavras, presa e limitada por aquelas leis que agora prevalecem? Queimará o calor um ser imortal e produzirá dor, tal como queima o tabernáculo da mortalidade? Penso que não. Mesmo aqui neste mundo, filhos da mortalidade foram colocados em condições em que estiveram sujeitos ao calor mais intenso, como no caso de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, as três crianças hebreias, que foram colocadas numa fornalha onde o fogo havia sido aceso sete vezes mais quente do que o costume; provavelmente o calor mais intenso que sabiam produzir foi preparado para esses homens de Deus, tão grande de fato que aqueles que os lançaram nas chamas foram consumidos por elas ao fazê-lo, mas os três hebreus não foram afetados por ele. Ora, se filhos da mortalidade podem assim prevalecer contra o elemento do fogo, a ponto de este não ter poder sequer para chamuscar um cabelo de sua cabeça, quanto maior será o poder daqueles que são imortais! Portanto, não creio que o calor tenha qualquer tendência a dissolver, destruir, ferir ou produzir qualquer efeito desagradável sobre eles, como tem conosco aqui neste mundo. Aqui, então, haverá um aumento de poder e capacidade, no que se refere ao corpo, além daquele que temos nesta vida.

Além disso, achamos que aqui, nesta vida, estamos presos por outra lei, a saber, a lei da gravitação, que tem tanto poder e influência sobre nós que, com todo o esforço que possamos fazer com nossas energias corporais, só podemos erguer-nos alguns poucos pés, por um salto, acima da superfície da Terra, e, ao pormos em ação alguns elementos da natureza, por exemplo, inflando um balão com gás hidrogênio, ou algum gás muito mais leve do que a atmosfera comum que respiramos, uma pessoa consegue ascender umas seis ou sete milhas ao ar. Mas isso é em obediência a certas leis com que estamos bem familiarizados, empregando certos materiais mais leves do que a atmosfera, que os sustenta, tal como faz com a fumaça. Ora, estarão os filhos da imortalidade sujeitos à lei da gravitação? Quando lhes aprouver caminhar sobre a Terra — ato realizado em virtude da lei da gravitação — poderão fazê-lo. Temos um exemplo disso em nosso Salvador, caminhando depois de sua ressurreição com dois de seus discípulos, e conversando com eles sobre muitos assuntos; também quando desceu a este continente americano e caminhou entre os nefitas, andando um pouco e ajoelhando-se sobre o chão e orando a seu Pai, mostrando que, por aquele momento, estava sujeito à lei da gravitação, isto é, permitiu que ela tivesse poder sobre ele. Mas lhe foi dado um poder superior, pelo qual podia controlar a lei da gravitação universal como bem lhe aprouvesse, como no caso de sua ascensão do Monte das Oliveiras, contrária às leis da gravitação, e uma nuvem o recebendo, ocultando-o da vista de seus discípulos que ficaram olhando aquela cena.

Além disso, achamos que, além do Salvador imortal, homens mortais tiveram poder sobre a gravitação, de modo que puderam subir, como disse o Profeta Isaías, "com asas como águias." Temos um exemplo no caso de Filipe, que batizou o eunuco: assim que realizou aquela ordenança, foi arrebatado pelo Espírito do Senhor, e se viu em Azoto. Isto foi sem dúvida um milagre, realizado diante daquele notável homem que acabara de ser batizado, para confirmar sua fé, pois, ao ver um homem assim arrebatado, ele sem dúvida se convenceria de que se tratava de um homem que possuía poderes semelhantes aos de Deus.

Além disso, temos um exemplo no caso de Néfi, que viveu neste continente pouco antes da vinda de Cristo. Foi ordenado a sair e avisar o povo dos terríveis julgamentos que estavam prestes a cair sobre eles, se não se arrependessem; e o Senhor lhe deu poder de que, se dissesse a este templo — "Fende-te em dois" — assim seria feito; e, se dissesse a este monte — "Remove-te" — assim seria feito; e tudo o que selasse na Terra seria selado no céu, e todo julgamento que pronunciasse em nome do Senhor sobre aquele povo se cumpriria segundo sua palavra. Ele saiu em meio aos nefitas, de cidade em cidade, e tão grande era sua maldade que não se arrependeriam de seus pecados, mas procuravam destruí-lo; mas, tantas vezes quantas se reuniam em multidões para se lançar contra ele e destruí-lo, o Espírito do Senhor o tomava e o levava para outro lugar, para que também os pudesse avisar. Ora, se um homem, num estado de mortalidade, pode obter tal poder e influência junto a Deus, a ponto de prevalecer contra e vencer a lei da gravitação, que nos prende à superfície da Terra, quanto maior poder terão os seres imortais!

Além disso, somos, pelas leis que nos cercam, limitados em nossa audição. Que homem já ouviu um som a cinquenta milhas de distância? Pode ter havido tais casos, mas, de modo geral, presumo que há muito poucos homens sobre a superfície de nosso globo que já ouviram um som que percorreu trinta milhas através de nossa atmosfera; portanto, a faculdade da audição, através dos órgãos do tabernáculo mortal, por meio da atmosfera, que transmite o som, é extremamente limitada em sua ação. Mas essa faculdade estará assim limitada no estado imortal? Penso que não. Penso que haverá facilidades para ouvir, não apenas a uma distância maior, mas também através de um meio mais perfeito, transmitindo o som com velocidade imensamente maior do que agora viaja através de nossa atmosfera. Todos sabemos que o som é transmitido, ao nível do mar, onde o ar é denso, a cerca de mil cento e oitenta pés por segundo, levando quase cinco segundos para percorrer uma milha, o que é um movimento muito lento, ainda que muito rápido em comparação com o movimento de nossos vagões ferroviários. A experiência demonstrou que, com um meio mais perfeito para conduzi-lo, o som viaja muito rapidamente. Por exemplo, coloquem o ouvido sobre um tubo, cuja outra extremidade esteja debaixo d'água, e façam soar um sino, colocado debaixo d'água a algumas milhas de distância, e se descobrirá que o som viajará através das partículas de água muito mais rapidamente do que através da atmosfera.

Além disso, unam-se sucessivamente peças de madeira, estendendo-se por uma ou duas milhas, e façam um som na extremidade da madeira mais distante de vós, e descobrireis que ele chegará a vosso ouvido numa velocidade muito mais rápida do que aquela em que o som viaja através da atmosfera. Além disso, tomem-se hastes de metal e liguem-nas entre si, e façam-se um som na extremidade distante de vós, e se descobre que, em alguns metais, o som viajará muitas vezes mais rápido ao longo das hastes de metal do que através da atmosfera; portanto, vedes que a velocidade do som depende, na verdade, da natureza dos elementos ou substâncias através das quais é conduzido.

Ora, como saber se o corpo imortal não pode ser tão construído que existam certos fluidos — fluidos, talvez, com os quais não estamos familiarizados — interpondo-se entre um mundo e outro, e entre uma estrela e outra — certos fluidos elásticos e sutis, de natureza tão fina que não podemos vê-los com o olho natural, ou percebê-los por qualquer um dos sentidos do corpo mortal, mas o ouvido imortal pode ser tão construído que essa substância refinada transmitiria o som com a velocidade da própria luz? Pode haver tais coisas na natureza; não podemos dizer que não existem. Sabemos, no que diz respeito à luz, que ela é transmitida de mundo a mundo pelas vibrações das ondas de um éter luminoso interposto entre um mundo e outro; consequentemente, se essas ondas podem avançar por milhares e milhares de milhões de milhas, isso nos prova que todo o espaço está preenchido por um éter que não podemos ver, e, contudo, sabemos que ele deve existir, a fim de transmitir a luz.

Ora, supondo que esse mesmo tipo de éter, ou alguma outra substância, que talvez não afetasse em todos os casos o olho, mas que seria, contudo, suscetível às impressões do som, então sons, vozes ou ruídos num mundo poderiam ser transmitidos, por esse meio, aos seres imortais em outro mundo. Não há nada de inconsistente nisso. Pode ser inconsistente segundo nossas ideias limitadas; mas não é inconsistente com o poder daquele Ser Todo-Poderoso que controla todos esses materiais. Para vos provar isso, permitam-me remetê-los àquela revelação no Livro de Doutrina e Convênios chamada a "Folha de Oliveira." Lemos ali que, quando o primeiro dos sete anjos soar sua trombeta, todas as nações, tribos e línguas da Terra o ouvirão. Será o som tão mais alto que qualquer som que agora ouvimos, que chegará a todas as nações e línguas da Terra e todos os homens o ouvirão? "Todo ouvido," diz a revelação, ouvirá o som daquela trombeta; será algo que todas as tribos, povos, línguas e nações sobre a face de toda a Terra poderão perceber e entender. Ora, deve haver algum meio pelo qual esse som é transmitido, diferente de nossa atmosfera; ou, em outras palavras, o Senhor, por seu poder miraculoso, fará com que esse som se propague pela atmosfera de maneira diferente da que hoje se propaga, pois, se o som daquela trombeta levasse cinco segundos para percorrer uma milha, seria necessário muito tempo para percorrer oito, dez ou quinze mil milhas, a fim de alcançar os ouvidos das diferentes nações da Terra. Não prova isso, então, que Deus, naquela ocasião, afetará o ouvido do homem, ou agirá sobre algum material relacionado a nosso globo, de modo que o som seja transmitido com mais rapidez do que no momento presente? Ora, se essa mudança se efetua entre os filhos da mortalidade, que não poderemos esperar entre os filhos da imortalidade? Não é razoável crer que, entre eles, não haverá apenas capacidades ampliadas de audição, mas também facilidades ampliadas pelas quais o Senhor se comunicará com o povo de diferentes mundos?

Além disso, tomemos o sentido da visão. Embora esse sentido não seja limitado como a audição, é limitado no que se refere a corpos opacos. Que homem, entre todos os filhos da mortalidade, sem o poder miraculoso do Espírito de Deus repousando sobre ele, é capaz de ver as profundezas de nosso globo? Nenhum homem vivo, naturalmente, pode ver através de nada que seja opaco, e nenhum homem, naturalmente, pode penetrar com seu poder de visão no interior da Terra. Ela não é transparente aos órgãos visuais dos seres mortais, nenhuma luz, aparentemente, dela procede, e afeta o nervo óptico do homem, de modo a produzir o sentido da visão. O homem, neste estado, só pode ver aqueles objetos dos quais a luz pode ser irradiada ou refletida. Seremos assim limitados em nossa percepção quando recebermos nosso corpo imortal? De modo algum. Os seres imortais terão sua capacidade de ver tão ampliada, que poderão ver no interior da Terra com a mesma facilidade com que veem as coisas ao seu redor, ou os corpos que giram no espaço. Remeto-vos à revelação moderna para provar que os seres imortais serão capazes de ver através de corpos opacos, e em materiais dos quais a luz natural não irradia, como é o caso aqui entre os filhos da mortalidade. Aqueles entre meus ouvintes que estão familiarizados com a pequena obra chamada "A Pérola de Grande Valor" — um livro muito precioso, porque contém muitas ideias importantes dadas por revelação — se lembrarão da revelação dada a Moisés. Ele perguntou a Deus a respeito da criação deste céu e desta Terra, e obteve a informação hoje contida no Livro de Gênesis a respeito da criação do mundo. Mas, antes disso, teve uma grande visão a respeito da Terra, informando-nos a revelação, em substância, o seguinte: "Moisés foi novamente revestido da glória de Deus, e viu cada partícula da Terra, e não houve uma partícula dela que ele não visse, discernindo-a pelo Espírito de Deus." Ora, esta foi uma visão muito extensa. Ele viu algo que vós e eu nunca vimos, a menos que tenhamos tido visão semelhante. Pensai apenas num homem, aqui num estado de mortalidade, tendo permissão de olhar para dentro da Terra, que tem cerca de oito mil milhas de diâmetro, e vendo não apenas grandes porções de seu interior, mas discernindo cada partícula dela. Não houve uma só partícula que ele não visse, discernindo-a pelo Espírito de Deus.

Ora, como saber se o Espírito de Deus, que existe em conexão com os elementos, não é capaz de vivificar a visão de um indivíduo, de modo que possa ver até o próprio centro da Terra sólida, com toda a facilidade aparente com que pode ver objetos próximos a ele em sua superfície? Ora, por exemplo, que ser humano já viu uma partícula última dos elementos da natureza? Podemos ver seus compostos; podemos ver as partículas quando reunidas em volume suficiente para afetar nossa visão. Podemos construir instrumentos que ampliem o olho de uma mosca comum e o façam parecer com doze pés de diâmetro; podemos olhar numa gota d'água e ver criaturas aparentemente de duas ou três polegadas de comprimento ali flutuando, enquanto a olho nu nada podemos ver. Se, então, nenhum homem vivo, sem o auxílio do Espírito de Deus, jamais conseguiu detectar sequer um desses átomos elementares ou partículas de matéria, quão grande deve ter sido a ampliação da visão de Moisés — um homem ainda na mortalidade — para lhe permitir discernir cada partícula da Terra, tanto dentro quanto em sua superfície! Se um homem, num estado de mortalidade, pôde ter sua visão tão ampliada a ponto de ver todas essas partículas de uma vez, o que se pode esperar quando formos imortais, e inteiramente livres de todos os defeitos da mortalidade? Podemos esperar que o ser imortal tenha sua visão tão ampliada, que possa não apenas contemplar com toda a facilidade cada partícula desta Terra, mas as partículas de milhões de mundos como este. Não vejo nada que impedisse um ser imortal de ter sua visão ampliada muito além da ampliação que o mortal Moisés recebeu, antes de obter conhecimento desta criação.

Outra coisa me ocorre em conexão com isto. Ledes, nessa mesma "Pérola de Grande Valor," a respeito da vastidão do número das criações do Todo-Poderoso. A linguagem é algo como isto — "Enoque contemplou o Senhor e as hostes celestiais chorando sobre os habitantes caídos deste mundo, e admirou-se disso, e disse ao Senhor: 'Como podes chorar, sendo tu santo, e de toda a eternidade a toda a eternidade, e, se fosse possível ao homem contar todas as partículas desta Terra e milhões de terras como esta, isso não seria sequer o começo do número de tuas criações, e tuas cortinas ainda estão estiradas, e, contudo, estás ali, e teu seio está ali, e, de todas as criações que fizeste, tomaste Sião a teu próprio seio.'" O Senhor deu a Enoque a razão pela qual os céus choravam e derramavam suas lágrimas como chuva sobre os montes; disse-lhe que era em consequência da maldade dos habitantes da Terra. E o Senhor disse — "Homem de Santidade é o meu nome, e Sem-Fim é o meu nome; e posso estender minha mão e segurar todas as criações que fiz, e meus olhos podem trespassá-las também."

Não vedes, então, os poderes e faculdades aumentados que o Todo-Poderoso possui? Suas criações são tão numerosas que o número de partículas que compõem esta Terra não seria sequer o começo delas, e, contudo, o olho do Senhor pode trespassar todas essas criações, e ele pode segurá-las, por assim dizer, em sua mão. Não fisicamente, não segurá-las na palma da mão como podemos segurar uma bola ou uma laranja; mas, pelo poder que possui, pode segurá-las, e seus olhos podem trespassá-las. Não seria isto uma visão muito mais extensa do que aquela que Moisés teve, sob a influência do Espírito do Senhor? Ora, sim; ele conseguiu ver as partículas desta única criação, um mero grão de poeira entre as obras de Deus, enquanto o Senhor era capaz de trespassar todas essas criações de que fala Enoque. Não mostra isso uma capacidade aumentada naqueles que são imortais, num estado futuro? Em outras palavras, entre os que habitam nos mundos celestiais? Certamente que sim.

Ora, seremos feitos semelhantes ao Senhor, ou somos alguma outra espécie de seres, tão desconectados dele que nunca devemos esperar alcançar esse elevado padrão? Como é isso? Quem somos nós? Somos informados, pela revelação divina, de que somos filhos de Deus; somos informados, na visão recebida pelo Profeta Joseph, a respeito dessas diferentes criações, que "os habitantes delas são filhos e filhas gerados por Deus." De fato! Filhos e filhas gerados por Deus? Os habitantes dessas criações? Sim. Isso concorda com o que o Novo e o Velho Testamento, e as várias revelações que Deus deu, claramente declaram — que Deus é o Pai de nosso espírito. Um escritor do Novo Testamento diz — "Amados, agora somos filhos de Deus" — isto é, nesta vida — "e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Porém sabemos que, quando se manifestar, seremos semelhantes a ele." Não diferentes dele, não tão separados dele que um seja finito e o outro infinito; mas "seremos semelhantes a ele."

Isto é consistente e razoável. Toda espécie de ser com que estamos familiarizados gera sua própria espécie, e a prole desta, seja homem, quadrúpede, ave ou peixe, finalmente cresce e se torna semelhante a seus pais. Esta é uma lei universal da natureza, pelo que sabemos; portanto, se somos filhos e filhas gerados por Deus, se somos sua descendência, ele é nosso Pai, e por que separar o homem de todo o resto da criação, e dizer que ele nunca pode tornar-se semelhante a seu Pai? Se todos os outros seres se tornam semelhantes a seus pais, por que não haveríamos nós de alcançar o mesmo? E, se nosso Pai e Deus pode trespassar todas essas criações mencionadas por Enoque, e seu olho discernir o que se passa no meio de todas elas, por que não poderiam seus filhos tornar-se semelhantes a ele nesse aspecto? Foi isso que quis dizer o discípulo amado João, o Revelador, um dos Apóstolos de Cristo. Diz ele — "Agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser, mas, quando se manifestar, seremos semelhantes a ele." Ele sabia isso, embora não compreendesse todas as capacidades perfeitas do homem neste estado. Embora estejamos aqui presos pelas leis da natureza, contudo, percebendo que somos filhos daquele Ser Todo-Poderoso que controla a natureza universal, e todos os mundos de que se fala, esperamos elevar-nos, e que os atributos que nosso Pai eterno possui serão plenamente desenvolvidos em nós, e que também seremos capazes de penetrar a imensidão do espaço e contemplar a obra das mãos de nosso Pai.

Diz-se a nosso respeito que estaremos na presença de Deus quando nos tornarmos seres imortais e perfeitos. Não estamos agora em sua presença; a Queda baixou um véu entre nós e nosso Pai e Deus. Este véu não impede que o olho do Todo-Poderoso veja e discirna a conduta de seus filhos, mas nos impede, enquanto neste estado de mortalidade, de contemplar sua presença, a menos que rasguemos o véu por nossa fé e obediência e, como o irmão de Jarede, tenhamos permissão de voltar à sua presença. Mas, para estar na presença de Deus, é absolutamente necessário que nossa Terra seja arrastada de sua órbita atual no sistema solar e levada a alguma distância imensa no espaço? É isso realmente necessário? Que devemos entender por "estar na presença de Deus"? É necessário, para isso, que estejamos nas suas imediações, ou a poucos metros ou pés dele? Penso que não. Estamos agora sofrendo sob as imperfeições da queda, e, por causa dessa queda, um véu nos exclui de sua presença; mas, removidos os efeitos da queda, e capaz a humanidade de novamente contemplar a face de seu Pai e Criador, estarão em sua presença.

Retornará o espírito dos homens, antes de receberem seu corpo ressuscitado, à presença de Deus? Sim. Lede o que Alma disse a seu filho Corianton sobre este assunto, descrevendo o estado do espírito entre o tempo da morte e a ressurreição. Diz ele — "Foi-me dado saber por um anjo que o espírito de todos os homens, logo que morrem, sejam eles iníquos ou justos, voltará para casa, para junto daquele Deus que lhes deu vida" — isto é, voltam à sua presença. Os iníquos, porém, são novamente lançados nas trevas exteriores, a luz do semblante de seu Senhor lhes é novamente retirada, um véu se estende entre eles e seu Pai e Deus. Mas como é com os justos? Quando voltam e contemplam a face de seu Pai, continuarão na luz de seu semblante, e terão o privilégio de vê-lo. Voltaram ao seu antigo lar, àquele Deus que lhes deu vida, às moradas e lugares familiares onde habitaram eras e eras antes de virem para cá. Voltaram para se reunir com conhecidos familiares, e sua memória será tão aumentada e aperfeiçoada, depois que deixarem este corpo, que as coisas de seu antigo estado e condição lhes serão frescas, e olharão para este pequeno grão chamado tempo, no qual habitaram setenta, oitenta ou noventa anos, como apenas um sonho ou uma visão noturna, durante o qual as coisas de eras passadas ficaram excluídas de sua memória; mas, quando voltarem ao seu antigo lar, terão viva lembrança de todas essas coisas, e do semblante familiar de seu Pai, e do semblante de seu Filho Unigênito, e dos semblantes dos milhões sobre milhões de espíritos irmãos e irmãs com quem outrora viveram. E a memória dos iníquos, depois que deixarem este corpo, será tão aumentada que terão, diz Alma, uma viva lembrança de toda a sua culpa. Aqui esquecem muitas coisas em que desagradaram a Deus; mas naquela condição, ainda antes da ressurreição, terão viva lembrança de toda a sua culpa, o que acenderá neles uma chama como a de um fogo inextinguível, criando em seu peito um sentimento de tormento, dor e miséria, porque pecaram contra seu próprio Pai e seu próprio Deus, e rejeitaram seus conselhos.

Voltar, então, à presença de Deus, é ser colocado numa condição em que sua presença pode ser vista. Não significa, em todos os casos, que as pessoas que voltam à sua presença sejam imediatamente colocadas a alguns metros, ou côvados, ou a curta distância de sua pessoa. Há alguma revelação que prove isto? Sim. Já citei o que o Senhor disse a respeito de todas essas criações. Disse que, de todas elas que fez, tomou Sião a seu próprio seio. Ora, se ele tomou Sião a seu próprio seio, de entre todas essas inumeráveis criações, poderiam todas se concentrar num pequeno ponto de alguns côvados de diâmetro, a fim de entrar em sua presença? Ora, não. Se cada Sião não ocupasse mais espaço do que uma partícula de nosso globo, ainda assim, visto que os mundos são mais inumeráveis do que as partículas de milhões de terras como esta, como poderiam todos caber num espaço tão pequeno, a ponto de se aproximarem da pessoa do Senhor? Não poderiam fazê-lo. Mas basta dizer que o véu é removido, e, não importa quão distante possa estar um mundo redimido, ele estará na presença de Deus.

Para tornar isto mais familiar, permitam-me trazer uma ilustração bem conhecida entre os filhos da mortalidade. Por exemplo, inventamos, dentro do presente século, métodos de comunicação por telégrafo, por meio dos quais, com as devidas facilidades, nós, nesta sala em Ogden, podemos conversar com o povo de Londres, e eles, por meio dos fios instalados no fundo do grande Oceano Atlântico, podem responder em cerca de dois segundos. Esta maravilhosa invenção diminuiu, em certa medida, a distância entre os habitantes de Ogden e os de Londres, não é assim? O povo do século passado, e dos séculos anteriores, teria de esperar longo período de tempo antes de poder obter uma comunicação de Londres; mas agora bastam uns poucos segundos. Suponhamos que estivesse dentro do alcance do poder do homem — o que não está — ouvir tão bem quanto conversar por meio da linha telegráfica. Supondo que, por tal meio, pudéssemos ouvir o povo de Londres; ou que houvesse uma facilidade para tanto, como a mencionada na Doutrina e Convênios, quando o primeiro anjo soar, pela qual o povo de toda a Terra ouvirá as palavras que ele proferir: digo, supondo que houvesse tal princípio em operação, de modo que pudéssemos realmente ouvir as palavras proferidas pelo povo de Londres, não diminuiria isso também as impressões de distância? Ora, supondo ainda mais que houvesse um princípio diferente de nossa luz natural, um princípio de luz de natureza mais refinada, que pudesse penetrar de Londres até este ponto, de modo a afetar nossos olhos, permitindo-nos ver pessoas ali, então poderíamos vê-las e ouvi-las a oito ou nove mil milhas de distância. Não estaríamos em sua presença? Seria realmente necessário viajarmos oito ou nove mil milhas para entrarmos na mesma sala com eles, a fim de entrarmos em sua presença? Consideraríamos estar em sua presença se pudéssemos vê-las; e, se, além disso, pudéssemos comunicar-nos com elas e fazê-las nos ouvir, sentiríamos toda a familiaridade e sociabilidade que sentiríamos se estivéssemos a poucos passos delas. Considero a condição das coisas, a este respeito, num estado futuro, algo semelhante a isso. Se vós ou eu vivêssemos numa das estrelas mais remotas já vistas pelos mais poderosos instrumentos telescópicos inventados pelo homem, de onde a luz, viajando à imensa velocidade de cento e noventa e duas mil milhas a cada batida do pulso, levaria seiscentos mil anos para alcançar este sistema planetário; digo, supondo que vivêssemos num desses corpos muito remotos, e supondo que houvesse um princípio permeando todo o espaço que transmitisse aos olhos imortais com muito mais rapidez do que a luz natural, e que cento e noventa e duas mil milhas por segundo fossem consideradas um movimento muito lento, comparado com aquela luz ainda mais refinada que resplandece da pessoa de nosso Pai e Deus; e supondo que nossos olhos fossem tão construídos e adaptados que pudéssemos contemplar a luz de seu semblante sem atravessar esse espaço, ou num tempo muito menor do que seiscentos mil anos, mas ainda assim levando certo tempo para percorrer toda essa distância, não estaríamos na presença de Deus? Se cada mundo tivesse de ser removido para sua presença, um a um, e todos os seus habitantes, quantos milhões sobre milhões de eras seriam necessários antes que todos pudessem, sucessivamente, entrar em sua presença de modo a ficarem próximos dele? Se cada mundo rolasse para sua presença sucessivamente, e depois desse lugar a outros, estaríamos fora de sua presença quase continuamente, pois todos esses mundos que nomeei não são sequer o começo, nem mesmo o começo, do número de suas criações, e, contudo, se tivessem de vir e ser sucessivamente levados a sua presença, de modo a ficarem próximos dele pessoalmente, se cada um permanecesse ali apenas cinco minutos, não há homem que possa calcular ou compreender algo a respeito da duração quase infinita que teria de transcorrer antes que pudessem entrar novamente, pela segunda vez, em sua presença. Portanto, há algo mais perfeito na construção das obras do Todo-Poderoso, que admite o homem em sua presença, seja qual for a parte do universo em que exista — podemos ter o véu removido, e sua presença se tornar visível.

Podem eles conversar com ele, estando situados a estas imensas distâncias de sua pessoa? Sim. Como? Por meio daquelas faculdades mais perfeitas que Deus dará ao homem imortal. É tão fácil para seus filhos, quando aperfeiçoados e feitos semelhantes a ele, conversar com ele a essas imensas distâncias, e para seus olhos trespassarem todas essas criações, quanto o é para seu Pai e Deus fazê-lo.

Vemos, assim, que o homem é um Deus em embrião, concordando com o que o Senhor nos revelou na visão dada a Joseph — "Serão deuses, sim, os filhos de Deus," crescendo semelhantes a seu Pai, seu corpo formado segundo seu glorioso corpo. Os atributos e faculdades de que o homem é dotado num estado mortal são semelhantes aos de Deus por natureza, mas são enfraquecidos e incapazes de qualquer grande expansão, por estarem encerrados neste frágil corpo mortal; mas, quando formos libertos da mortalidade, temos a promessa de que nos tornaremos semelhantes a ele, e, se ele pode abranger em sua compreensão e visão todas essas inumeráveis criações, também aqueles que forem feitos semelhantes a ele poderão fazer o mesmo.

Há muitas outras coisas que seria proveitoso considerar, ao discutirmos as capacidades e poderes aumentados do homem em seu estado futuro, além das qualidades físicas de que falei. Há seu conhecimento aumentado, e o aumento proporcional de poder que o acompanhará; o grande princípio criativo, a obra mecânica realizada por nosso Pai e Deus ao construir criações, e ao redimi-las e glorificá-las; aquele grande princípio de conhecimento pelo qual nosso Pai e Deus pode fazer sair, de uma massa informe de pó, um tabernáculo imortal, no qual entra um espírito imortal. Todos esses princípios de sabedoria, conhecimento e poder serão dados a seus filhos, e lhes permitirão organizar os elementos, formar criações, e fazer sair do pó seres inteligentes, que estarão sob seu cuidado e controle. Poderíamos falar destas coisas, se tivéssemos tempo esta noite; de fato, é um assunto quase inesgotável em sua natureza. Quando começamos a falar dele, mal sabemos por onde começar, e, tendo-nos lançado nele, mal sabemos onde terminar, pois não tem fim.

O homem está destinado a toda a duração futura — destinado a agir na capacidade de um ser celestial. As faculdades que agora possui em embrião são pouco compreendidas, mas ocasionalmente as vemos desenvolvidas entre homens santos, como no caso de Enoque, Moisés e Abraão, que tinham o Urim e Tumim, e que puderam contemplar muitas dessas criações de que falei. Entre os muitos atributos e poderes que o homem possuirá num estado futuro, mencionarei o de ser capaz de compreender mais de uma coisa ao mesmo tempo. Aqui estamos presos a uma coisa de cada vez, e, enquanto um homem atende e procura compreender uma coisa, quase perde de vista tudo o mais, exceto algumas poucas coisas que lhe são muito familiares. Se empreende resolver um problema matemático, não pode, ao mesmo tempo, resolver mais cem problemas, e chegar a uma conclusão a respeito deles. Tem de concentrar sua mente num assunto e ir apresentando as demonstrações passo a passo, a fim de chegar a certas conclusões.

Terá o homem, num estado futuro, faculdades aumentadas a este respeito? Sim. Nosso Pai Celestial nota cada cabelo da cabeça dos filhos dos homens que cai ao chão; nem um só de vossos cabelos cairá ao chão, diz Jesus, sem que vosso Pai que está nos céus o note. Se ele estivesse notando um cabelo caindo de minha cabeça, poderia ao mesmo tempo notar a queda de um cabelo de vossa cabeça? Sim; e, se o cabelo estivesse caindo da cabeça de cada indivíduo sobre a Terra ao mesmo instante, poderia notar tudo isso, pois possui esta faculdade aumentada, pela qual pode abranger em sua visão miríades de coisas ao mesmo tempo.

Poderíamos também falar da faculdade de voltar às eras passadas da eternidade, e compreender obras que estiveram em progresso por milhões de eras, e também da faculdade de ver e compreender o que ocorrerá nas eras futuras da eternidade, por milhões de anos vindouros. Aqui profetizamos em parte, e aqui temos conhecimento em parte; aqui contemplamos uma coisa de cada vez; aqui podemos compreender o futuro em certa medida. Mas "vemos por espelho, em enigma"; então veremos face a face; então o conhecimento em parte será eliminado, pois o passado, o presente e o futuro, e milhões sobre milhões de criações, virão diante de nós, e serão igualmente compreendidos pela visão do homem imortal.

Não vos deterei por mais tempo. Que Deus abençoe esta Associação, e esperamos que possa exercer uma influência salutar não somente sobre os rapazes de Ogden, mas também sobre as moças, e sobre os de meia-idade e os idosos, e que busquem toda oportunidade de desenvolver as qualidades semelhantes às de Deus de que são dotados, para que, num tempo vindouro, os rapazes aqui, cheios do espírito de sabedoria e entendimento e do conhecimento de Deus, possam levar avante seu reino vitoriosamente, e estar preparados para o tempo em que o conhecimento e a glória de Deus cobrirão a Terra como as águas cobrem o grande abismo. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “As Capacidades e Poderes Aumentados do Homem em seu Estado Futuro”, (1874-01-27). Pulpit Vault, 1874-01-27-pratt-the-increased-powers-and-capacities-of-man. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).