A Vara de José e de Judá — Os Tempos dos Gentios — Apostasia da Ordem Antiga — Restauração do Evangelho Eterno
Orson Pratt
Lerei uma parte de uma profecia, escrita no Livro de Mórmon, no terceiro capítulo do segundo livro de Néfi. O Profeta que proferiu as palavras que estou prestes a ler, e que também citou as palavras de outro Profeta, chamava-se Leí; ele viveu cerca de seiscentos anos antes de Cristo. ¶
"Porque eis que és o fruto de meus lombos; e sou descendente de José, que foi levado cativo para o Egito. E grandes foram os convênios do Senhor, que fez com José. Portanto, José verdadeiramente viu nossos dias. E obteve a promessa do Senhor de que do fruto de seus lombos o Senhor Deus levantaria um ramo justo para a casa de Israel; não o Messias, mas um ramo que seria arrancado e, não obstante, seria lembrado nos convênios do Senhor de que o Messias lhes seria manifestado nos últimos dias, com o espírito de poder, a fim de tirá-los das trevas para a luz — sim, das trevas ocultas e do cativeiro para a liberdade. ¶
"Porque José verdadeiramente testificou, dizendo: O Senhor meu Deus levantará um vidente, que será um vidente escolhido para o fruto de meus lombos. Sim, José verdadeiramente disse: Assim me diz o Senhor: Um vidente escolhido levantarei eu do fruto de teus lombos. E gozará de grande estima entre o fruto de teus lombos. A ele ordenarei que faça um trabalho para seus irmãos, o fruto de teus lombos, que lhes será de grande benefício, levando-os a conhecer os convênios que fiz com teus pais. E dar-lhe-ei o mandamento de não fazer qualquer outro trabalho, exceto o que eu lhe ordenar. E fá-lo-ei grande a meus olhos, porque fará o meu trabalho. E ele será grande como Moisés, o qual eu disse que suscitaria para vós a fim de libertar meu povo, ó casa de Israel. E suscitarei Moisés para tirar teu povo da terra do Egito. Suscitarei, porém, um vidente do fruto de teus lombos e a ele darei poder para revelar minha palavra à semente de teus lombos — não somente para revelar a minha palavra, diz o Senhor, mas para convencê-los da minha palavra, que já lhes terá sido declarada. Portanto, o fruto de teus lombos escreverá; e o fruto dos lombos de Judá escreverá; e aquilo que for escrito pelo fruto de teus lombos e também o que for escrito pelo fruto dos lombos de Judá serão unidos, confundindo falsas doutrinas e apaziguando contendas e estabelecendo paz entre o fruto de teus lombos; e levando-os nos últimos dias a conhecerem seus pais e também meus convênios, diz o Senhor. E da fraqueza será tornado forte, no dia em que minha obra começar entre todo o meu povo para restaurar-te, ó casa de Israel, diz o Senhor. ¶
"E assim profetizou José, dizendo: Eis que o Senhor abençoará esse vidente; e aqueles que procurarem destruí-lo serão confundidos, porque esta promessa que obtive do Senhor para o fruto de meus lombos será cumprida. Eis que estou certo do cumprimento desta promessa. E seu nome será igual ao meu e será chamado pelo nome de seu pai. E ele será semelhante a mim; porque aquilo que o Senhor fizer através de sua mão, pelo poder do Senhor, levará meu povo à salvação. Sim, desse modo profetizou José: Certo estou disto, como estou certo da promessa de Moisés; porque o Senhor me disse: Preservarei tua semente para sempre. E o Senhor disse: Suscitarei um Moisés; e dar-lhe-ei poder numa vara; e dar-lhe-ei habilidade para escrever. Contudo, não lhe soltarei a língua para que fale muito, porque não o farei poderoso no falar. Escrever-lhe-ei, porém, a minha lei pelo dedo de minha própria mão; e preparar-lhe-ei um porta-voz. E o Senhor também me disse: Eu suscitarei um para o fruto de teus lombos e para ele prepararei um porta-voz. E eis que eu o farei escrever o relato do fruto dos teus lombos para o fruto de teus lombos; e o porta-voz dos teus lombos anunciá-lo-á. E as palavras que ele irá escrever serão as palavras que eu, em minha sabedoria, julgar conveniente que cheguem ao fruto de teus lombos. E será como se o fruto de teus lombos lhes clamasse desde o pó; porque lhes conheço a fé. E clamarão desde o pó; sim, clamarão arrependimento a seus irmãos, até mesmo depois de muitas gerações se haverem passado. E acontecerá que seu clamor será ouvido, sim, de acordo com a simplicidade de suas palavras. Por causa de sua fé, suas palavras sairão de minha boca para os seus irmãos, que são o fruto de teus lombos; e à fraqueza de suas palavras eu darei força, em sua fé, para que sejam lembrados os convênios que fiz com teus pais." ¶
Em correspondência com esta profecia, lerei alguns versículos do capítulo 37 de Ezequiel, começando no versículo 15. ¶
"E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: ¶
"Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira, e escreve nele: Por Judá e aos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira, e escreve nele: Por José, a vara de Efraim, e de toda a casa de Israel, seus companheiros. ¶
"E ajunta um ao outro, para que sejam uma vara; e serão uma só na tua mão. ¶
"E quando te falarem os filhos do teu povo, dizendo: Porventura não nos declararás o que significam estas coisas? ¶
"Então lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei a vara de José que esteve na mão de Efraim, e das tribos de Israel, seus companheiros, e as ajuntarei à vara de Judá, e farei delas uma só vara, e elas se farão uma só na minha mão. ¶
"E as varas, sobre as quais houveres escrito, estarão na tua mão, perante os olhos deles. ¶
"Dize-lhes, pois: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações, para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra: ¶
"E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e todos eles terão por seu rei um só rei; e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos." ¶
Li estas duas profecias; uma, registrada no Livro de Mórmon, proferida por José no Egito, escrita em placas de latão e trazida pelos descendentes de José desde a cidade de Jerusalém, cerca de seiscentos anos antes de Cristo, com sua colônia que veio da Palestina e se estabeleceu na costa ocidental da América do Sul, tendo atravessado as poderosas águas sob a direção do Todo-Poderoso; a outra, profecia correspondente, foi escrita pelo Profeta Ezequiel, pouco tempo depois de esta colônia deixar a cidade de Jerusalém. Ezequiel nos informa, neste capítulo, que, antes da grande restituição da casa de Israel, para nunca mais ser dispersa ou dividida em duas nações, o Senhor faria sair a vara de José, escrita para a tribo de José, e a outra, escrita para Judá, e as faria crescer juntas em sua mão, e, quando este grande acontecimento se desse, seria o período em que ele tomaria Israel de entre os gentios, para onde tinham ido, e o congregaria de todos os lados, e o traria para suas próprias terras, e, quando tivesse realizado esta obra, faria deles uma só nação sobre os montes de Israel, e nunca mais se tornariam duas nações, nem seriam, dali em diante, dois reinos jamais. ¶
É muito evidente, para toda pessoa que crê nas Escrituras da verdade, que, no que diz respeito à coligação de Israel e à sua transformação em uma só nação em sua própria terra, esta profecia ainda não se cumpriu; ela está, portanto, entre aqueles grandes acontecimentos que o Senhor decretou e determinou realizar num período de tempo ainda futuro; e ele indicou, neste capítulo de Ezequiel, a maneira e o método pelos quais começará a grande obra da restituição de Israel. Muito se tem feito pelo mundo religioso, no que se refere a dólares e centavos, e à formação de sociedades, para melhorar a condição dos judeus dispersos. Mas quais são os resultados de todos os trabalhos das várias seitas cristãs nesse sentido? Conseguiram coligar os judeus das nações da Terra? De modo algum. Muito poucos judeus são, no momento presente, residentes da Palestina, e não estão convertidos à verdade. Creem na religião de seus antigos pais, e todos os que ali habitam são muito pobres, muitos deles o que se poderia chamar mendigos, sustentados principalmente pela caridade de viajantes e outros visitantes daquela terra, e por donativos de cristãos e judeus caridosos do exterior. Mas todos os judeus que habitam na Palestina não passam de um punhado muito pequeno, comparados com o imenso número de seus irmãos dispersos aos quatro ventos do céu. Além dos judeus assim dispersos, há também as dez tribos, que não são chamadas judias, que foram levadas para fora da terra da Palestina cerca de setecentos e vinte anos antes de Cristo, e que nunca mais habitaram naquela terra desde então. Foram levadas cativas pelo rei da Assíria e conduzidas a seus domínios, e nunca, desde o dia de seu cativeiro, agora quase vinte e seis séculos, elas ou seus descendentes tiveram residência na Terra Prometida. ¶
Antes de seu cativeiro, a casa de Israel estava dividida em dois reinos; um, chamado as Dez Tribos, que tinha sua cidade capital em Samaria, ao norte de Jerusalém. Numerosos reis reinaram sobre elas, desde os dias de Roboão, filho de Salomão, até a época de seu cativeiro. Eram uma nação separada e distinta da nação judaica, que era composta das tribos de Judá e Levi, um pouquíssimo remanescente de José, e uma parte da tribo de Benjamim, que não foi levada com as dez tribos. Cerca de cento e trinta anos depois de as dez tribos serem levadas da Palestina, a nação judaica foi levada em cativeiro por Nabucodonosor, rei da Babilônia, e habitou na Babilônia setenta anos, depois do que retornou à Palestina, reconstruiu sua cidade capital e suas muralhas, e restabeleceu seu Templo, e continuou a habitar na terra de seus pais até a vinda de Cristo, e por cerca de setenta anos depois de sua vinda; e então, em cumprimento de certa profecia, a nação judaica foi dispersa pelo exército romano sob Tito. Cerca de um milhão e cem mil judeus pereceram ao fio da espada, e, segundo a história, cerca de noventa e sete mil foram dispersos entre as nações. ¶
Esta grande calamidade sobreveio à nação judaica em cumprimento de muitas profecias, entre as quais citarei uma de nosso Salvador, registrada no capítulo 21 de Lucas. Diz nosso Salvador — "Porque haverá grande aflição na terra, e ira sobre este povo. E eles cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios até que os tempos dos gentios se completem." Aquela parte desta profecia, referente aos judeus perecerem ao fio da espada, e serem dispersos entre todas as nações, e Jerusalém ser pisada sob os pés dos gentios, teve cumprimento literal; mas há uma declaração de nosso Salvador que ainda não se cumpriu — "Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem." Que os tempos dos gentios ainda não se completaram prova-se pelo fato de Jerusalém ainda estar em poder dos gentios, e sob seu controle. Quando chegar o tempo do cumprimento da profecia registrada pelo Profeta Ezequiel, quando os judeus e as dez tribos retornarem e nunca mais se dividirem em dois reinos, Jerusalém será redimida das mãos dos gentios, e será novamente habitada pelos judeus como nação; não por um pobre e mísero remanescente, dependente da caridade de nações estrangeiras para sua subsistência, mas centenas de milhares das doze tribos retornarão à Palestina, e sua cidade capital será Jerusalém, não Samaria. ¶
Este cumprimento dos tempos dos gentios é algo para o qual desejo chamar a atenção especial de meus ouvintes nesta tarde. De que maneira cumprirá o Senhor esta obra entre os gentios, para que a plenitude de seus tempos se cumpra? Temos um pouco de informação sobre este assunto, registrada no capítulo 11 de Romanos, que torna o assunto muito claro no que se refere às duas grandes classes de povo — os judeus e os gentios. Fala-se deles, naquele capítulo, sob a figura de duas oliveiras, uma — a casa de Israel — representada por uma oliveira cultivada, e a outra — os gentios — por uma oliveira brava. Paulo, ao falar dos ramos de Israel, diz — "E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo oliveira brava, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos. E se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz, a ti. Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Bem! Por incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé; não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; porém para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado. Porém também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar. Porque, se tu foste cortado da oliveira brava natural, e contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira? Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo, para que não sejais sábios em vós mesmos: que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E este será o meu convênio com eles, quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais." Novamente diz ele, nos versículos 30 e 31 — "Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Deus, porém agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles, assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela vossa misericórdia." ¶
Podemos ver, pelas instruções que Paulo deu neste capítulo, que os gentios foram enxertados no lugar da casa de Israel; em outras palavras, os judeus foram quebrados, como nosso Salvador lhes predisse. Disse ele — "Portanto vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a um povo que dele produza os frutos." Isto é, seria tirado dos israelitas e entregue nas mãos dos gentios. O reino assim arrancado dos judeus e transferido aos gentios pode ser chamado reino espiritual, visto que os Santos, a quem o reino foi dado naquele dia, não formavam nenhuma parte constituinte particular das nações da Terra, mas havia aqui um ramo, e ali outro ramo, um num lugar e outro em outro; tendo recebido as bênçãos da plenitude do Evangelho, as bênçãos daquele reino espiritual edificado em seu meio, participaram da seiva da oliveira, embora fossem ramos bravos. Mas, com o tempo, vemos os gentios seguindo o mesmo exemplo de incredulidade; aqueles a quem o reino havia sido transferido de Israel caíram nas trevas, na incredulidade e na apostasia, tal como os judeus haviam feito antes deles. Paulo os adverte ainda mais, neste capítulo, a não se gloriarem. Diz ele — "Não te glories contra os ramos; mas, se te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Tomai cuidado, pois, para que não caiais também no mesmo exemplo de incredulidade." ¶
Tomaram cuidado? Não, não tomaram. Onde está aquele reino que foi transferido aos gentios, que tinha em si Apóstolos e Profetas inspirados? Aquele reino sobre o qual o Senhor derramou o Espírito Santo e todos os seus dons — o dom da revelação, o discernimento de espíritos, a visão de anjos, a cura dos enfermos, a predição de acontecimentos futuros, visões e todos os demais dons que vinham pela operação de seu Espírito sobre os ramos bravos da oliveira, depois de enxertados, pela obediência ao Evangelho, e se tornarem participantes da raiz e da seiva da oliveira cultivada? Onde está esse reino? Em outras palavras, onde está a igreja? Dizem alguns que a igreja continuou desde o período apostólico até o presente século da era cristã. Mas, se assim foi, não consigo encontrá-la; as pesquisas que fiz não me dão indicação alguma da existência do reino que foi transferido às mãos dos gentios. Não conheço outra maneira de distinguir a igreja de Deus senão comparando-a com o padrão dado no Novo Testamento. Posso encontrar, entre alguma das nações gentias, uma igreja com Apóstolos inspirados nela? Se não posso, não tenho autoridade para declarar tal igreja a igreja de Deus. Seus membros podem crer na Bíblia, e podem ser honestos — não disputamos a honestidade dos homens — mas, a menos que tenham esta característica distintiva da Igreja do Deus vivo, não temos o direito de supô-los a verdadeira igreja cristã. Ouçamos o que diz Paulo, no capítulo 12 de Coríntios, a respeito da organização da igreja de Cristo. Encontramos ali que a igreja tinha colocados nela, primeiramente, Apóstolos; em segundo lugar, Profetas; em terceiro, Mestres; depois disso, operação de milagres, cura de enfermos, o falar em diversas línguas, a interpretação de línguas, etc., e todos estes eram auxílios, governos, dons, bênçãos, autoridades e poderes que serviam para caracterizar o verdadeiro reino ou igreja de Deus, distinguindo-o de todos os que careciam desse poder e autoridade. Existiam essa autoridade, esses dons e bênçãos por volta do fim do segundo século da era cristã? Não. Que tinha sido feito deles? O povo havia apostatado inteiramente daquela ordem antiga de coisas. Sem dúvida havia muitos que eram muito zelosos e professavam o cristianismo, e afirmavam ser a igreja de Deus, mas onde estavam seus Apóstolos? Não se achavam em parte alguma entre os homens. Onde estavam os Profetas na chamada igreja cristã, na última parte do segundo século? Em nenhum lugar sobre a face da Terra; o espírito de profecia havia sido inteiramente arrancado pela raiz, e os gentios, pela apostasia e incredulidade, haviam caído tal como os judeus haviam feito antes deles. ¶
Novamente, onde estava a cura dos enfermos, a abertura dos olhos dos cegos, o desimpedimento dos ouvidos surdos, e o coxo saltando como o cervo? Onde estavam todos aqueles antigos dons, como falar em línguas, interpretação de línguas, contemplar anjos, discernir espíritos e as coisas de Deus, tal como a igreja de Cristo fazia no primeiro século? Em nenhum lugar se encontravam; mas, em vez disso, achamos o povo chamado cristão espalhando-se e aumentando no segundo, terceiro, quarto e quinto séculos, mas destituído do espírito, poder e dons que caracterizavam a igreja antiga, a tal ponto que chegaram a negar que pudesse haver mais revelação, e, em vez de haver Profetas para dar revelação dia após dia, semana após semana e ano após ano, de uma geração a outra, foram obrigados, no Concílio de Cartago, realizado no fim do quarto século da era cristã, a reunir os fragmentos das antigas revelações que podiam encontrar, aqui e ali, dispersos em manuscritos entre as várias nações, julgá-los, sem espírito algum de revelação para lhes indicar se eram verdadeiros ou falsos; e os compilaram, e declararam completo o cânon das Escrituras. ¶
Ora, se tivessem tido a antiga igreja cristã, teria havido revelações durante todo o segundo século, bem como no primeiro, e teria havido revelações no terceiro século, e no quarto, e em todos os séculos subsequentes até o período presente, e não teria sido promulgada, entre os filhos dos homens, uma doutrina como a de que o cânon das Escrituras estivesse completo. É uma das doutrinas mais falsas já apresentadas entre os filhos dos homens. Deus nunca teve, sobre a face da Terra, em nenhuma época do mundo, desde a criação e através de todas as dispensações, um povo sem ter entre eles homens inspirados, que pudessem invocar a Deus e receber revelações, e suas revelações eram tão sagradas quanto as que as haviam precedido, e que tinham sido encadernadas em volumes; portanto, o cânon das Escrituras teria sido ampliado a cada século, até o presente, se a Igreja de Deus tivesse continuado sobre a Terra. Mas, como os antigos judeus, os cristãos do segundo século e dos seguintes haviam apostatado, e estavam inteiramente destituídos do Espírito de Deus. Os judeus haviam apostatado, antes de Jesus vir entre eles, a tal ponto que havia entre eles seitas e partidos, tal como encontramos no mundo cristão desde então; e essas seitas judaicas estavam destituídas do espírito de profecia que seus antigos pais possuíam; estavam destituídas do ministério de anjos, e mal existia uma característica que houvesse entre seus pais nos dias de sua retidão. Foi por causa disso que os judeus foram quebrados, e os gentios enxertados, e feitos participantes das riquezas, bênçãos e glórias antes desfrutadas pelos antigos judeus. ¶
"Bem," diz alguém, "devo entender, por suas palavras, que não houve verdadeira Igreja cristã sobre a Terra por muitíssimos séculos passados?" Estas são as minhas opiniões, e são as opiniões dos Santos dos Últimos Dias — cremos que, no que se refere ao hemisfério oriental, não houve verdadeira Igreja cristã por uns dezessete séculos passados. Digo o hemisfério oriental, pois cremos que houve uma verdadeira Igreja cristã neste continente, que perdurou por quase quatro séculos depois de Cristo; mas, no que se refere ao hemisfério oriental, ela existiu apenas de nome, com algumas poucas ordenanças administradas por pessoas sem autoridade. Lemos, nas obras dos chamados primitivos pais cristãos, que, ao se encontrarem destituídos de todo poder de obter nova revelação de Deus, tentaram persuadir, e por fim persuadiram, o povo de que o cânon das Escrituras estava completo, e que Deus não tencionava dar a seu povo mais nenhuma revelação, e essa ilusão perversa continuou por muitíssimas gerações. Era necessário formar alguma desculpa, pois aqueles poucos, entre o povo, que tinham o privilégio de ler a Bíblia, veriam naturalmente as características distintivas entre a Igreja antiga e aquela à qual estavam ligados, e, a menos que houvesse algo para acalmar sua consciência, estariam continuamente fazendo a pergunta — "Por que não temos Apóstolos? Por que não temos Profetas? Por que não temos os dons que caracterizavam a antiga Igreja?" — e, por isso, os mestres religiosos daqueles dias, como nos nossos, foram obrigados a dizer ao povo que o cânon das Escrituras estava completo, e que as antigas Escrituras e as tradições da Igreja eram seus únicos guias. ¶
Talvez pensem que estou deturpando este assunto; se assim pensam, ide ler as obras da Igreja Católica Romana, escritas antes de haver quaisquer dissidentes protestantes que dela se separassem, e achareis que esta doutrina é ali universalmente inculcada. Gostaria de saber, e faço a pergunta, como seria possível transmitir o ministério cristão de geração em geração, e de um século a outro, sem revelação? Não poderia ser feito; seria uma total impossibilidade. Um verdadeiro ministério cristão deve ser chamado por Deus, como Arão foi chamado, assim diz o Apóstolo Paulo, ao escrever aos Hebreus. Declara ele que "ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão." Se voltarmos à parte inicial da Bíblia, acharemos que Arão não foi chamado por revelação dada a seus antigos pais, Abraão, Isaque e Jacó, nem a José no Egito, nem a Noé ou a Enoque, que viveram antes do dilúvio; nenhuma das revelações dadas àqueles antigos servos de Deus chamou Arão ao ministério, mas ele foi chamado por nova revelação, direta do céu, a Moisés, seu irmão, ordenando a Moisés que separasse Arão para o ministério; dando-lhe instruções a respeito de seu dever; e Deus falou tanto a Moisés como a Arão. Foi assim que Arão foi chamado. Ora, olhai o ministério, desde o primeiro século até o presente. Todos os seus membros negaram nova revelação, e declararam que o cânon das Escrituras estava completo. Quem, entre todos eles, foi jamais chamado por nova revelação? Ora, se um homem fizesse tal pretensão, era excomungado da Igreja, a menos que se arrependesse do pecado, como o chamavam. Crer que Deus voltaria a falar e a chamar homens por nova revelação, como Arão foi chamado, era, em sua opinião, heresia, e não deviam crer em nada além do que estivesse encadernado em seus livros antigos. Tomemos, por exemplo, a mais alta autoridade na Igreja de Roma. Os membros dessa igreja dizem que o direito de ocupar a cadeira papal foi transmitido em sucessão ininterrupta desde o Apóstolo Pedro. Ora, tirai a nova revelação, e como poderíeis escolher, entre os milhões que professavam o cristianismo, aquele que deveria ocupar essa cadeira? Não há meio algum de distingui-lo, a menos que fosse chamado por Deus como Arão o foi, e isso introduziria nova revelação, e, portanto, quando esta cessou, a verdadeira autoridade cessou, e o papa não tinha mais autoridade do que um sacerdote pagão, nem podia conferir autoridade a um segundo homem, nem a própria igreja podia dar autoridade sem nova revelação de Deus. A Bíblia não podia dar essa autoridade, pois não há uma palavra sequer, em todo o Antigo ou Novo Testamento, dizendo que tal ou tal homem, de tal nome e em tal período futuro, ocuparia a cadeira de São Pedro; portanto, sem nova revelação, a escolha dos sucessivos papas seria mera adivinhação. ¶
Como é com os protestantes? Vamos aos valdenses, a Lutero, a Calvino, a Henrique VIII, e aos que se dissociaram da Igreja Católica; têm eles autoridade? Investiguemos um pouco sua crença e opiniões. Criam aqueles que nomeei que havia alguma revelação posterior àquela dada na ilha de Patmos? Não; neste aspecto, os protestantes seguiram a mesma heresia da igreja-mãe; ela havia ensinado, por muitas gerações, que o cânon das Escrituras estava completo, e os que dela dissentiram e saíram declararam a mesma coisa, e o povo o creu, e finalmente a Igreja da Inglaterra a incorporou em seus trinta e nove artigos de fé, e nenhuma pessoa, segundo seu credo, deveria receber nada como parte de sua fé religiosa, exceto o que estivesse contido nos livros a que chamavam cânon das Escrituras, que diziam completo e pleno. Jamais acharam, em nenhuma revelação que Deus deu, que nenhuma revelação ou escritura a mais seria dada enquanto houvesse uma Igreja cristã sobre a face da Terra. Esses protestantes, então, foram excomungados da igreja-mãe, não foram? Ouvi alguns dizer, quando perguntados sobre sua autoridade para batizar e pregar, e para administrar a Ceia do Senhor: "Fazemo-lo pela autoridade de nosso sacerdócio e do cargo que ocupamos." "Quem lhes deu esse cargo e autoridade?" "Tal homem." "De onde ele a obteve?" "Obteve-a de outro, que o precedeu." "E, dizei-me, até onde podeis rastrear vosso sacerdócio?" — "Podemos remontá-lo a Martinho Lutero, João Calvino, Henrique VIII, ou a algum daqueles reformadores que saíram da Igreja Católica Romana." "De onde obtiveram o sacerdócio os primeiros a quem chamais reformadores, visto que negavam nova revelação, e não foram chamados por Deus como Arão o foi?" "Ora, obtiveram-no da igreja-mãe, a Igreja Católica Romana." "Mas que dizeis vós, protestantes, a respeito da Igreja Católica Romana?" "Ora, dizemos que ela é aquele grande e abominável poder chamado a mãe das prostitutas e Mistério, a Grande Babilônia, que é um dos poderes mais corruptos sobre a face da Terra, por isso os protestantes, que não podiam suportar toda esta corrupção, saíram dela." "E, contudo, obtendes vosso sacerdócio dessa fonte." Não percebeis, de imediato, o dilema em que caem, quando tentam remontar seu sacerdócio? Numa das homilias da Igreja da Inglaterra, afirma-se que, por oito séculos, todo o mundo cristão, cada homem, mulher e criança nele, esteve nas profundezas da idolatria, de modo que não havia indivíduo algum, durante esse longo período, que tivesse autoridade alguma. Mas, supondo que concedêsseis que a Igreja Católica Romana, que os protestantes denunciaram como tão corrupta, tinha poder para transmitir autoridade, e que, pela autoridade que possuíam, ordenaram Martinho Lutero, João Calvino e outros daqueles primeiros reformadores, tinham eles poder para lhes tirar o sacerdócio, não tinham? Certamente, se podiam conferir autoridade, podiam também retirá-la. Fizeram isso? Sim. Lede as declarações da Igreja Católica Romana a respeito desses líderes protestantes, e vede se não os cortaram de tudo o que lhes fora conferido naquela igreja, todo cargo, toda autoridade e todo poder, e então os denunciaram ao mais profundo abismo do inferno; portanto, ainda que pretendêsseis que a autoridade pudesse ter sido transferida aos protestantes, ela lhes foi tirada. Diz alguém: "Pretendeis descristianizar não somente a Igreja Católica Romana e a Grega, mas também todas aquelas denominações protestantes que delas surgiram?" Certamente que sim, e é em cumprimento do que foi dito por Paulo no capítulo 11 de Romanos, onde declara que, se não permanecerem na bondade de Deus, também serão cortados, isto é, cortados de todos aqueles privilégios abençoados e dons espirituais que caracterizavam a Igreja de Cristo enquanto esteve sobre a Terra. ¶
Sendo esta a condição das coisas, não é de admirar que Deus tenha deixado registrado, neste bom e velho livro, que nos últimos dias voltaria a restaurar o reino à Terra; visto não ter havido, por muitíssimos séculos passados, Igreja cristã com autoridade divina nos quatro cantos do globo, não é de admirar que os antigos Profetas tenham visto um período de tempo em que Deus restauraria à Terra a verdadeira Igreja. Por isso achamos, no capítulo 14 das revelações de São João, que, entre as coisas que ele viu, que haveriam de acontecer no futuro, estava a restauração do evangelho eterno à Terra por um anjo voando pelo meio do céu. Parece, então, que, na décima primeira hora, o último período de tempo, Deus visitaria novamente os habitantes da Terra, enviando um mensageiro das cortes celestiais com boas novas de grande alegria, não para uns poucos que habitassem em algum canto particular da Terra, mas para todo o povo — toda nação, tribo e língua nos quatro cantos do nosso globo. Ide perguntar a qualquer dessas igrejas decaídas — ide à mais antiga entre elas, a Católica Romana, ou a Igreja Grega, e perguntai-lhes se Deus enviou outro anjo com o evangelho eterno, para ser pregado a todas as nações, e o confiou a elas, e vos dirão que não, que não creem que ele algum dia venha a ser enviado dessa maneira, mas que ele permaneceu sobre a Terra desde a época em que foi introduzido pelo Salvador, e que, por conseguinte, não há necessidade de tal restituição, não há necessidade de vir anjo algum para restaurá-lo, pois já o possuem. Dir-vos-ão que possuem a boa palavra de Deus, que já contém o evangelho eterno; mas, se possuem a palavra de Deus, penso ter provado a meus ouvintes, nesta tarde, que não possuem a autoridade para administrá-la, e isso faz toda a diferença. Podem ter a palavra, mas a própria Bíblia diz que a letra mata. A palavra não se destina a salvar, a menos que possamos obedecer a ela. Posso ser batizado, se não há homem algum sobre a Terra autorizado a me batizar? Não. Aquele que não nascer da água e do espírito de modo algum pode entrar no reino de Deus. Como posso participar dos emblemas do corpo partido e do sangue derramado de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a menos que haja algum homem sobre a Terra autorizado a administrar essa ordenança? Não posso fazê-lo. Como posso receber o batismo de fogo e do Espírito Santo, se não há sobre a Terra pessoa alguma que tenha a autoridade de impor as mãos em nome do Senhor Jesus para conferir essa bênção, tal como os apóstolos fizeram nos tempos antigos? Como posso obedecer a qualquer instituição pertencente à Igreja cristã, em que a autoridade é necessária, a menos que essa autoridade esteja sobre a Terra? Portanto, se eles, em seu zelo para com Deus, dizem que possuem o Evangelho, admito-o no que se refere à letra da palavra, mas não têm a autoridade para administrar suas ordenanças, tendo-a perdido, porque perderam o poder da revelação, e o poder do Sacerdócio. ¶
Que devemos, então, buscar e esperar? Devemos esperar que o Senhor o restaure. De que maneira? Exatamente como o predisse pela boca de seus servos. Se Joseph Smith tivesse recebido o Livro de Mórmon sem o ministério de um anjo, e pretendesse que fosse uma revelação de Deus, toda pessoa familiarizada com as Escrituras saberia que ele era um impostor. Como o saberiam? Porque a Bíblia diz que, quando o evangelho eterno for restaurado, sê-lo-á pelo envio de outro anjo voando pelo meio do céu, com a alegre mensagem a ser pregada a todos os habitantes da Terra, a todas as nações, tribos, línguas e povos; portanto, se Joseph Smith tivesse vindo pretendendo que nenhum anjo lhe havia revelado isso, mas que fora inspirado do alto para trazer à luz os registros chamados o Livro de Mórmon, o teríamos de imediato classificado como um dos mais vis impostores, porque isso teria sido contrário às Escrituras. ¶
De novo, supondo que Joseph Smith tivesse negligenciado organizar a Igreja dos Santos dos Últimos Dias segundo o padrão antigo, omitindo Apóstolos e Profetas inspirados, como fizeram todas as seitas, todos os homens sensatos que creem na Bíblia teriam sido obrigados a concluir que, em sua organização, esta Igreja era deficiente, e não concordava com o padrão antigo, e poderiam ter dito — "Não tendes Profetas, não tendes Apóstolos, e por isso vos rejeitamos, Joseph Smith, e a vosso Livro de Mórmon; pois, se fôsseis homem inspirado, enviado por Deus para levantar e estabelecer sua Igreja e reino dos últimos dias sobre a Terra, teríeis entre vós Apóstolos e Profetas inspirados, e vossa Igreja concordaria em tudo com o padrão antigo." Mas, embora Joseph Smith fosse apenas um rapaz de fazenda, e tivesse uma educação muito limitada quando o Senhor o chamou, nada achamos de faltoso na organização da Igreja; achamos que ela concorda, em tudo, com a Igreja tal como organizada antigamente pelo Salvador. Deus até lhe disse o próprio dia em que deveria ser organizada, e também nomeou os vários cargos que nela deveriam existir, e também lhe deu revelação a respeito dos nomes dos indivíduos que deveriam ser ordenados, de tempos em tempos, até haver doze Apóstolos e até o Sacerdócio ser restaurado em todos os seus ramos. E, quando comparamos o Evangelho ensinado por este jovem, achamos que concorda, em cada particularidade, com o Evangelho antigo, tal como registrado no Novo Testamento. Pregou fé no Senhor Jesus Cristo, tal como os antigos; também o arrependimento de todos os pecados, tal como os antigos; ser batizado por imersão na água, para a remissão dos pecados, em nome de Jesus Cristo, tal como os antigos; Deus lhe ordenou impor as mãos sobre os que criam, se arrependiam e eram batizados para a remissão de seus pecados, para que lhes fosse dado o batismo do Espírito Santo, tal como os antigos. Deus prometeu, nesta última dispensação, que os Santos desfrutariam de todos os dons de que gozava seu povo nos dias antigos — que imporiam as mãos sobre os enfermos, e estes se recuperariam; que, em nome de Jesus, expulsariam demônios, abririam os olhos dos cegos, desimpediriam os ouvidos surdos, fariam o coxo andar, e que, por meio deles, Deus manifestaria seu poder nesta Igreja e reino dos últimos dias, tal como fez na Igreja e reino de outrora. Estas promessas foram feitas aos crentes em nossos dias; e além disso, Joseph Smith declarou que, quando obteve as placas do Livro de Mórmon, foi por um anjo voando pelo meio do céu, que o dirigiu, em visão, ao lugar onde essas placas estavam depositadas — o monte Cumora, no Estado de Nova York. Foi também ordenado pelo Todo-Poderoso a traduzir o conteúdo dessas placas com o auxílio do Urim e Tumim, que foram encontrados depositados com as placas, e ele as traduziu segundo o mandamento de Deus. ¶
Deus levantou, antes de esta Igreja ser organizada, outras três testemunhas, e elas contemplaram um anjo em sua glória e poder; viram-no descer dos céus, e ouviram sua voz, e ouviram a voz do Senhor testificar-lhes que a tradução, feita por este jovem, dessas placas, havia sido dada pela inspiração do Espírito Santo, e foram ordenadas a dar testemunho a todos os povos, nações e línguas a quem esta obra fosse enviada. Em todos estes aspectos, há uma perfeita correspondência entre esta obra dos últimos dias de Deus e a Bíblia. ¶
Voltemos agora àquelas passagens das Escrituras que li no início de meu discurso. O capítulo trinta e sete de Ezequiel nos informa que, antes de Deus restaurar a casa de Israel a suas próprias terras, ele faria sair a vara de José, escrita para José, e a poria com a vara de Judá, escrita para Judá, e que faria destes dois registros um só, em suas próprias mãos; e então, receando que os filhos de Israel não entendessem o que Ezequiel quis dizer ao escrever numa vara para José, a vara de Efraim, e depois escrever na segunda vara para Judá, foi-lhe exigido segurar erguidas estas duas varas, depois de as haver unido em uma diante dos filhos de Israel, e então diz o Senhor — "Quando os filhos do teu povo te falarem, dizendo: Porventura não nos mostrarás o que queres dizer com estas duas varas, escritas para estas duas tribos, dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei a vara de Efraim, a vara de José, e a porei com a vara de Judá, e elas se farão uma só em minhas mãos; mas as varas sobre as quais escreveres estarão em tuas mãos perante os olhos deles" — mostrando que aquilo que estava nas mãos de Ezequiel devia tipificar aquilo que o Senhor disse estaria em suas próprias mãos. ¶
Ora, vedes que este registro da tribo de José, chamado o Livro de Mórmon, concorda em todos os seus pormenores, no que diz respeito à doutrina, com o registro da tribo de Judá; portanto, o testemunho de duas nações deve ser uma testemunha, para todos os povos, nações e línguas, a respeito da verdade do cristianismo: e, em vez de acabar com o cristianismo, o Livro de Mórmon — o registro ou vara de José — é um testemunho adicional às grandes e importantes verdades contidas na Bíblia; é um testemunho contra as corrupções que foram introduzidas no mundo sob o nome de cristianismo. ¶
Se tivéssemos tempo, poderíamos remeter-vos a muitas outras profecias que foram dadas e escritas no registro judaico a respeito do surgimento do registro de José nos últimos dias, pouco antes da coligação da casa de Israel. O mundo cristão pode empregar todos os esforços de que é capaz, e gastar todo o dinheiro que quiser, para promover a coligação dos judeus na terra da Palestina, para nunca mais serem divididos, mas não pode realizá-la. Por quê? Porque Deus tem seu próprio modo de cumprir e realizar seus propósitos, e eles devem cumprir-se conforme ele decretou, para que as profecias se cumpram. Lede o capítulo 29 de Isaías. Quase todo o capítulo fala de acontecimentos futuros, declarando como outro livro deveria vir à luz, e que, antes de traduzido, as palavras do livro, não o livro em si, deveriam ser entregues ao letrado, dizendo: "Lê isto, peço-te"; e ele responde que é um livro selado e não pode lê-lo. Depois, o livro é entregue ao que não sabe ler, e pede-se-lhe que o leia, mas ele responde: "Não sei ler." A passagem seguinte diz — "Porquanto este povo" — o povo a quem o livro é revelado — "se aproxima de mim com sua boca, e com seus lábios me honra, mas seu coração está longe de mim, e o temor que me têm é ensinado por preceitos de homens; eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." ¶
Tudo isso se cumpriu quando o Senhor trouxe à luz o Livro de Mórmon. Segundo a predição de Isaías, uma cópia de algumas das palavras ou caracteres das placas foi enviada, por aquele que as encontrou, à cidade de Nova York, e apresentada aos letrados para tradução, mas não puderam traduzi-las. Eram as inscrições dos antigos pais dos índios, e os letrados nada sabiam a respeito delas; eram, para eles, como um livro selado. Então o Senhor ordenou a este jovem que traduzisse o livro, não pela erudição, mas pela inspiração, e, nesse aspecto, a sabedoria dos sábios e letrados pereceu, e uma obra maravilhosa, ainda um assombro, foi realizada. No mesmo capítulo diz que, "naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro." Que livro? Resposta: o livro de que se falou anteriormente. "dentre a escuridão e dentre as trevas os verão os olhos dos cegos. E os mansos terão cada vez mais regozijo no Senhor, e os necessitados entre os homens se alegrarão no Santo de Israel." ¶
Gostaríeis de saber quem colonizou este Território, e edificou entre uma e duas centenas de povoados e vilas hoje existentes dentro de suas fronteiras? São os pobres entre os homens. Os ricos e grandes, os altivos e nobres desprezaram a obra do Senhor; mas os pobres entre os homens, de muitas nações, receberam a mensagem e o testemunho que Deus revelou pelo ministério de um anjo voando pelo meio do céu. Deixaram sua terra natal, e se congregaram aqui, e aqui estão de posse de uma terra rica, e foram levados a "regozijar-se no Santo de Israel." ¶
E então, novamente, que diz o Senhor a respeito da coligação de Jacó, quando este livro vier à luz? Lede um pouco mais adiante, no mesmo capítulo, e achareis estas palavras — "Portanto, assim diz o Senhor, que remiu Abraão, acerca da casa de Jacó: Jacó não será agora mais envergonhado, nem agora se descorará mais a sua face. Mas, vendo ele seus filhos, a obra das minhas mãos, no meio dele, santificarão o meu nome, e santificarão ao Santo de Jacó, e temerão ao Deus de Israel." Não será mais envergonhado! Por quê? Porque o livro de que Isaías fala, que haveria de vir à luz, seria o meio de os coligar e restaurá-los à sua própria terra, e nunca mais se tornariam duas nações e dois reinos. Pergunta alguém — "Por que não ides à casa de Israel? Que tendes feito vós, Santos dos Últimos Dias, nos últimos quarenta anos? Coligastes Israel?" Não, não coligamos; se o tivéssemos feito, as Escrituras não se teriam cumprido. Por quê? Porque os tempos dos gentios devem primeiro cumprir-se, e Jerusalém deve ser pisada por eles, até que seus tempos se cumpram. Que quereis dizer com "seus tempos se cumprirem," e a plenitude dos gentios entrar? Quero dizer exatamente o que o Senhor quer dizer: que este Evangelho, que Deus envia pelo ministério de "outro anjo" do céu, deve ser pregado a todas as nações, tribos, línguas e povos, primeiramente aos gentios; e, quando tiverem terminado com eles, irá a Israel, pois os tempos dos gentios então se terão cumprido; em outras palavras, quando Deus falar a seus servos, e lhes disser — "Basta; fostes fiéis em vosso ministério, avisastes suficientemente as nações, tribos e línguas dos gentios; agora vos chamo a uma obra ainda maior, e vos darei uma nova missão, não para irdes pregar aos gentios, mas ide aos remanescentes da casa de Israel, onde quer que se encontrem, e que vosso testemunho seja para eles. Buscai-os nos quatro cantos da Terra, congregai-os com mão poderosa e braço estendido, e trazei-os de volta à sua própria terra." Quando esse tempo chegar, Israel será coligado, e não antes. ¶
Pergunta alguém — "Por quanto tempo ainda será o Evangelho pregado aos gentios?" Não sei; posso dar-vos certos limites, mas, dentro desses limites, não posso decidir. Deus nos disse, nos primeiros dias desta Igreja, por nova revelação, que os tempos dos gentios se cumpririam na geração então vivendo sobre a Terra. Quarenta e três anos dessa geração já se passaram. Quantos anos mais faltarão até que seus tempos se cumpram, não sei dizer; mas sei que não está longe o dia em que jovens, agora vivendo nestas montanhas, serão comissionados a ir, não aos gentios, pois seus tempos se terão cumprido, mas o Senhor lhes dirá — "Ide, pescai e buscai Israel nos quatro cantos da Terra. Ide aos remanescentes de José que estão na América do Sul, e dispersos por este vasto continente, desde as regiões geladas do norte até o Cabo Horn, na América do Sul; ide e ensinai-lhes o Evangelho, pois são um remanescente da tribo de José: e seu braço se descobrirá naquele dia de tal modo que não rejeitarão a verdade, e serão novamente enxertados em sua própria oliveira, e se tornarão um ramo justo da casa de Israel. ¶
Esse é o destino de nossas tribos indígenas. Muitos poderão ainda sofrer e perecer, mas, quando passar o tempo de sua tribulação, quando o Senhor lhes houver retribuído em dobro por todos os pecados cometidos por seus antigos pais em sua apostasia, e quando os houver visitado em juízo, segundo as profecias contidas neste Livro de Mórmon, e os tempos dos gentios que ora ocupam esta terra se cumprirem, então o Senhor descobrirá seu braço, e redimirá esses remanescentes de Israel, para que herdem as bênçãos prometidas a seus antigos pais. ¶
Não sei se terei tempo de dizer mais alguma coisa sobre este assunto. Àqueles que não estão familiarizados com a vasta quantidade de testemunho, nas Escrituras, a respeito desta obra, digo: lede as antigas profecias, especialmente Isaías; lede os Salmos de Davi, aqueles que falam dos acontecimentos que precederão a segunda vinda de Cristo; lede a profecia de Daniel, a respeito do estabelecimento do reino dos últimos dias, cujo início seria como uma pequena pedra cortada do monte sem auxílio de mãos, rolando e se tornando um grande monte e enchendo toda a Terra, ao contrário do destino do reino antigo, que foi destruído da Terra pela apostasia. O reino dos últimos dias há de crescer em grandeza, poder e glória, até que o reino e o domínio debaixo de todo o céu sejam dados nas mãos dos Santos do Altíssimo, e os iníquos sejam inteiramente varridos da face da Terra. Lede todas estas profecias, e, quando as tiverdes lido e compreendido, sabereis o que creem os Santos dos Últimos Dias, e quais são suas opiniões a respeito do futuro. Amém. ¶