Pulpit

Antiga Profecia, Relativa ao Tempo da Restituição de Todas as Coisas, a Ser Cumprida

Erastus Snow

1873-09-14

"Mas nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e concorrerão a ele os povos.

"E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e nós andemos pelas suas veredas; porque a lei sairá de Sião, e a palavra do Senhor, de Jerusalém.

"E julgará entre muitos povos, e castigará nações poderosas e longínquas, e converterão as suas espadas em enxadas, e as suas lanças, em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.

"Mas assentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do Senhor dos Exércitos o falou.

"Porque todos os povos andarão, cada um no nome do seu deus; mas nós andaremos no nome do Senhor nosso Deus, eternamente e para sempre.

"Naquele dia, diz o Senhor, congregarei a que coxeava, e recolherei a que eu tinha expulsado, e a que eu tinha maltratado;

"E da que coxeava farei um remanescente, e da que fora desterrada para longe, uma nação poderosa; e o Senhor reinará sobre eles no monte Sião, desde agora e para sempre." — Miqueias 4:1-7.

Li esta Escritura em audiência da congregação, crendo, como creio, que é uma profecia com referência direta aos últimos tempos, e ao dia e era agora introduzidos sobre a terra. Há muitas coisas nas Escrituras judaicas cujo cumprimento se tornou matéria de história. Há muitas outras coisas que foram faladas pela boca de Deus, por meio de seus servos os Profetas, que ainda restam a cumprir-se. É assunto de grande importância, para minha mente, poder discernir aquelas coisas pertencentes ao futuro, que Deus revelou, que ainda estão por acontecer. Ele revelou, de antemão, ao mundo antediluviano, a aproximação do dilúvio, e lhes deu oportuna advertência, enviando seus servos entre eles, chamando-os a se arrepender de seus pecados e a se preparar para o que estava para vir sobre a terra. Predisse a Abraão a servidão que sua semente teria de suportar na terra do Egito, sua libertação final pela mão de Moisés, e seu estabelecimento na terra prometida de Canaã. Moisés, e outros Profetas levantados depois dele, predisseram as bênçãos que, pela fé e obediência, seriam derramadas sobre Israel, e os flagelos e juízos que lhes cairiam por causa da incredulidade e desobediência. Quem quer que leia as profecias de Moisés contidas em Deuteronômio, do capítulo 28 ao 33, perceberá ali claramente pressagiados os grandes acontecimentos na história da semente de Abraão, desde aquele tempo até o tempo de sua restauração à sua herança prometida, a que se refere o capítulo de que citei em Miqueias. Todos estes grandes acontecimentos têm sido objeto de profecia, e foram muito claramente apontados, e talvez por ninguém mais clara e nitidamente do que pelo próprio Moisés, enquanto foi líder de Israel.

Os tratos de Deus com a família humana têm sido objeto de profecia e revelação, e mais especialmente com os descendentes de Sem, a prole de Abraão, Isaque e Jacó, e não apenas o Povo Escolhido, mas as nações com as quais estavam identificados, e com quem estavam mais ou menos ligados e aliados numa capacidade nacional. Todas estas coisas têm sido objeto de profecia; mas o peso da profecia, desde o princípio do mundo até o tempo presente, parece centrar-se em nosso dia — o tempo da restituição de todas as coisas, tão frequentemente mencionado pelos Profetas de Deus. Referindo-nos ao capítulo 3 dos Atos dos Apóstolos, achamos que o Apóstolo Pedro, falando aos judeus maravilhados reunidos, fitando-o a ele e a seu irmão João, no momento em que curou o coxo à porta Formosa do Templo, e lhes falou de Jesus, a quem tinham crucificado, e a quem o Pai ressuscitara dos mortos, do que eram suas testemunhas, disse-lhes que este mesmo Jesus fora recebido nos céus, e permaneceria à mão direita de Deus até o tempo da restituição de todas as coisas faladas por todos os Profetas desde que o mundo começou. Então ele, Jesus, descerá novamente. Desta Escritura entendemos que Pedro e seus irmãos Apóstolos compreenderam a doutrina da restituição de todas as coisas, e que se cumpriria nos últimos dias, preparatória à segunda vinda do Salvador.

Este foi também um tema para anjos, assim como para profetas. Lemos no capítulo 1 dos Atos dos Apóstolos que Jesus conduziu seus discípulos ao Monte das Oliveiras, e ali ergueu as mãos e os abençoou; e, no ato de lhes dar sua última comissão — ir a todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo —, uma nuvem o encobriu, e ele ascendeu de sua vista; e, enquanto estavam com os olhos fitos no céu após ele, dois anjos se puseram junto a eles, vestidos de branco, e lhes disseram — "Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir."

O tempo da restituição de todas as coisas não tem sido apenas tema de anjos, Profetas e Apóstolos, mas de todos os Santos cujo entendimento tem sido iluminado pelo Espírito de revelação do alto. O capítulo que li, em Miqueias, o traz até os últimos dias, e é talvez um pouco mais explícito do que algumas outras profecias. Diz que "nos últimos dias o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e concorrerão a ele os povos." "O monte da casa do Senhor" — esta é uma frase peculiar, e foi provavelmente usada pelo Profeta porque era modo comum de expressão em Israel nos dias de Davi e de muitos dos Profetas várias centenas de anos depois dele, pois, ao falarem do Monte Moriá, sobre o qual foi construído o Templo de Salomão, falavam dele como o monte da casa do Senhor. Moriá é uma colina na cidade de Jerusalém, na qual Davi localizou o sítio do Templo, e na qual seu filho Salomão o construiu, e foi chamada o monte da casa do Senhor. Este Templo sofreu espoliação às mãos dos gentios, que fizeram incursões contra Israel de tempos em tempos, mas foi reparado e mantido intacto até os dias do Salvador. Enquanto ele estava na terra, predisse sua total destruição, por causa da incredulidade do povo. Disse ele, Mateus 24:2, que viria o tempo em que não ficaria pedra sobre pedra daquele Templo. O Profeta Miqueias predisse o mesmo, no capítulo que precede aquele de que li. Diz ele — "Ouvi agora isto, vós, chefes da casa de Jacó, e vós, príncipes da casa de Israel, que abominais o juízo e perverteis tudo o que é direito, edificando Sião com sangue, e Jerusalém, com injustiça. Os seus chefes dão as sentenças por suborno, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Porventura não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá. Portanto, por causa de vós, Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa, em altos de um bosque."

Esta última predição se cumpriu literalmente. Tornou-se matéria de história que Jerusalém se tornou montões de ruínas, e que o monte da casa do Senhor se tornou como os altos de um bosque, e foi lavrado como um campo. É matéria de história que o próprio sítio daquele maravilhoso Templo foi lavrado como um campo, e sua destruição foi tornada tão completa que toda pedra de fundação foi levantada; e, para que não restasse vestígio algum ao qual os judeus pudessem se apegar, o Imperador Romano fez com que fosse lavrado como um campo, cumprindo assim literalmente as palavras do Profeta e as palavras do Salvador. Este ai e esta destruição foram preditos e sobrevieram àquele povo, e foram por fim dispersos, por causa de sua iniquidade, e por causa das corrupções de seus príncipes, juízes e governantes. Mas há de acontecer, nos últimos dias, diz o Senhor por meio de Miqueias, que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e concorrerão a ele os povos. Eis aqui uma promessa à qual a casa de Israel pode se apegar, e à qual pode prender sua fé, pois Deus não esconderá para sempre sua face de seu povo; mas fará escolha de um lugar ou lugares nomeados, e ali edificará sua casa, e povos de todas as nações concorrerão a ela.

Este monte da casa do Senhor, que há de ser estabelecido no cume dos montes, parece estar, na mente do Profeta, localizado em lugar diferente da casa anterior, que se localizava naquela colina em Jerusalém. Este, nos últimos dias, diz o Profeta, "estará no cume dos montes." Notai a expressão: não no cume de um monte, nem no cume do monte mais alto, mas "nos cumes dos montes" — usa-se o número plural; em outras palavras, no meio dos lugares altos da terra. Não nas margens do litoral, pois a única razão pela qual falamos de montes na superfície da terra é por causa de sua elevação acima do nível geral do oceano.

O monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes nos últimos dias, e povos de todas as nações concorrerão a ele. E por quê? Qual será seu objeto e propósito em fugir de todas as nações? Dirão — "Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, e ele nos ensinará seus caminhos, e nós andaremos por suas veredas, porque a lei sairá de Sião, e a palavra do Senhor, de Jerusalém." Aqui aprendemos o objeto do povo ao fugir de todas as nações para o monte da casa do Senhor: é para que possam aprender seus caminhos e andar por suas veredas. "O Senhor julgará entre muitos povos," diz Miqueias, "e castigará nações poderosas e longínquas, e converterão suas espadas em enxadas, e suas lanças em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. Congregarei a que coxeava, recolherei a que foi expulsa, a que maltratei, mesmo a semente escolhida de Abraão, a casa de Israel que foi dispersa e despojada e expulsa. Congregarei a que foi dispersa, e da que foi lançada para longe farei uma nação poderosa, e o Senhor reinará sobre eles no monte Sião, desde agora e para sempre."

Isaías usou linguagem quase idêntica no capítulo 2 de suas profecias. Ezequiel, no capítulo 37, usou linguagem semelhante, predizendo o tempo da restauração da casa de Israel e o ajuntamento do povo de Deus, e que o Senhor reinará sobre eles, e que um reinado de paz será estabelecido sobre a terra.

Que esta e outras profecias de caráter semelhante ainda restam a cumprir-se deve parecer evidente a toda mente reflexiva, pois, desde que estas profecias foram dadas, jamais houve um tempo em que as nações converteram suas espadas em enxadas, suas lanças em foices, viveram em perfeita paz umas com as outras, e andaram nos caminhos do Senhor. Mas foi predito pelos Profetas que tal período há de chegar. A mesma coisa foi também predita pelo Salvador, e pelos anjos que prometeram sua segunda vinda. Notai o objeto do ajuntamento — as nações dirão: "Subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, pois ele nos ensinará seus caminhos, e aprenderemos a andar por suas veredas." Como se realizará isto? Porque a lei sairá de Sião, e a palavra do Senhor, de Jerusalém. Como pode ser isto, a menos que Deus comece a se revelar a seu povo e a ministrar em seu meio como nos dias antigos, por sua própria voz, a voz dos Profetas, o Espírito de revelação e a ministração de anjos?

Estou ciente de que muitas pessoas de nosso tempo procuram dar alguma construção mística e ilusória às profecias na Bíblia, e há uma disposição de ignorar o sentido simples e óbvio das declarações dos Profetas, e de lhes dar alguma interpretação particular. Mas o Apóstolo Pedro, no primeiro capítulo de sua segunda epístola, escrevendo a seus irmãos sobre este assunto, diz que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular, mas os santos homens de outrora falaram movidos pelo Espírito Santo. Para que pudessem compreender estas profecias, o Apóstolo aconselhou seus irmãos a lhes dar atenção como a uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva se levante em seus corações.

É verdade que os Profetas nos falaram de sonhos e visões que tiveram, e, em algumas instâncias, o Senhor os explicou ou interpretou, e como tal devemos recebê-los. Mas onde ele não se dignou a dar a interpretação, devemos esperar até que o faça, pois não cabe aos homens dar sua própria interpretação particular a eles. Está escrito: "As interpretações pertencem a Deus," e, onde lhe aprouve interpretar, convém-nos aceitá-la, e, onde não lhe aprouve fazê-lo, convém-nos esperar até que o faça, e não tentar impor à humanidade nossa interpretação particular do que Deus revelou. Onde predições claras são proferidas, devemos recebê-las como receberíamos os escritos de qualquer outro autor — segundo o sentido simples e óbvio da linguagem.

Como, então, pergunto, podem estas profecias se cumprir, nos últimos dias, a menos que Deus fale novamente dos céus? Onde será estabelecido o monte da casa do Senhor no cume dos montes, a menos que Deus manifeste onde edificará sua casa e estabelecerá sua Sião nos últimos dias? Como sairá a lei de Sião, e a palavra do Senhor de Jerusalém, nos últimos dias, induzindo o povo a concorrer a ela de todas as nações, a menos que Deus fale novamente dos céus, como fez nos dias antigos?

Como Santos dos Últimos Dias, aceitamos as palavras dos antigos Profetas e cremos que se cumprirão literalmente. Tornou-se Jerusalém literalmente um montão de ruínas? Foi a semente de Abraão literalmente escravizada e oprimida pelos egípcios? Foram eles literalmente libertados e tirados daquela terra com mão forte e grande poder? Trouxe-os Deus literalmente à terra de Canaã, que prometera a Abraão? Foram eles literalmente destroçados e dispersos daquela terra? Veio o Salvador, nascido de uma virgem, como os Profetas predisseram, literalmente? Sofreu ele por nossos pecados e suportou tudo o que os Profetas dele falaram, literalmente? Lançaram seus inimigos sortes sobre sua veste e dividiram suas vestimentas entre si, literalmente? "Foi ferido o pastor e as ovelhas se dispersaram" quando Jesus foi crucificado, literalmente? Sim, em todos estes pormenores, a história registra, com a mais minuciosa exatidão, o cumprimento literal da profecia. Foi a casa do Senhor derrubada, e o próprio fundamento dela lavrado como um campo, literalmente? Sim; então que razão temos para esperar algo diferente de um cumprimento literal da próxima parte da mesma profecia, que prediz o estabelecimento da casa do Senhor no cume dos montes, o ajuntamento de povos de todas as nações a ela, que o Senhor castigará nações poderosas e longínquas, e que as nações converterão suas espadas em enxadas, suas lanças em foices, que viverão em paz e não mais aprenderão a guerra, e o Senhor reinará sobre eles, desde agora e para sempre?

Tal poderosa revolução, como aqui indicada pelo Profeta, jamais poderá ser efetuada sobre a terra sem a voz de Deus, sem Profetas e Apóstolos, e o poder do Espírito Santo operando poderosamente entre os filhos dos homens; e, quando chegar aquele período, será o mencionado pelo Profeta Joel, que diz — "Acontecerá, nos últimos dias, diz Deus, que derramarei meu espírito sobre toda a carne, e então vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos velhos sonharão sonhos, vossos jovens verão visões, e sobre meus servos e servas derramarei meu espírito naqueles dias, diz Deus." Assim Moisés realizará o desejo que expressou quando Deus tomou o espírito que estava sobre ele e o pôs sobre os setenta Élderes de Israel, e todos começaram a profetizar. Quando dois destes setenta que permaneceram no acampamento sentiram o mesmo espírito repousando sobre eles e começaram a profetizar, o servo de Moisés correu a ele na tenda, e disse — "Eldade e Medade profetizam no acampamento, meu senhor Moisés, proíbe-lhos." E Moisés lhe disse: "Tens tu ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse seu Espírito sobre eles."

Joel prediz a vinda de um tempo em que o povo do Senhor todo se tornará Profetas, e até os servos e servas receberão o Espírito e profetizarão. Jeremias fala de tempo semelhante, mas usa linguagem um tanto diferente. Diz ele — "Derramarei meu espírito sobre toda a carne, e então ninguém dirá a seu vizinho, Conhecei ao Senhor, pois todos o conhecerão, desde o menor até o maior, e verão face a face, quando o Senhor trouxer de volta Sião." Aqui o Profeta Jeremias prediz, assim como Miqueias, um tempo em que o Senhor trará de volta Sião, e diz que, quando trouxer de volta Sião, verão face a face, e não mais usarão o provérbio de que os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos se embotam, mas cada homem morrerá por sua própria iniquidade, e os dentes de quem come uvas verdes se embotarão, e todo homem terá a oportunidade de conhecer o Senhor, aprender seus caminhos, e andar em suas veredas.

Devemos entender, por estes ditos da Escritura, que Deus derramará o Espírito Santo sobre os ímpios, os obreiros da iniquidade — assassinos, feiticeiros, fornicadores, adúlteros, perjuros, enganadores e mentirosos? Não entendo assim os Profetas, o Salvador e seus Apóstolos. Entendo, na linguagem do Apóstolo, que o Espírito Santo não habita em Templos profanos; e que, se seu Espírito é derramado sobre o povo tão geralmente, será porque seus corações estão preparados para o receber, porque seus ouvidos foram abertos à palavra de Deus, e a fé neles foi gerada. Ouviram o chamado do Todo-Poderoso, e receberam a mensagem de salvação a eles enviada.

Mas serão todos os povos assim convertidos ao Senhor? Será o rei em seu trono, os juízes que julgaram por suborno, os profetas que adivinharam por dinheiro, os sacerdotes que ensinaram por interesse, o assassino, o idólatra, o abominável, aqueles que oprimiram e governaram a humanidade com vara de ferro, que disseram às almas dos homens: "Curvai-vos, para que passemos por cima de vós"? Serão todos estes convertidos ao Senhor dos Exércitos, e receberão destas bênçãos? Prouvera a Deus que fosse possível! Mas os Profetas não predisseram assim. Eles, e o Salvador, e os Apóstolos, todos predisseram que "castigará os reis da terra sobre a terra, e os exércitos do alto nas alturas, e serão juntamente amontoados." Predisseram que juízos cairão rapidamente sobre os ímpios que não se arrependerem, e serão eliminados e perecerão da terra; e severos e terríveis juízos virão sobre as nações que não se arrependerem, e que não escutarem a voz de Deus.

Malaquias, em seu último capítulo, diz: "Mas o dia vem, que arderá como fornalha; e os soberbos e os que praticam a impiedade serão como restolho. O dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de modo que não lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas a vós, que temeis meu nome, o sol da justiça se levantará com cura em suas asas, e saireis e crescereis como bezerros do cevadouro, e pisareis os ímpios, pois serão cinza debaixo das plantas de vossos pés, no dia em que eu fizer isso, diz o Senhor dos Exércitos."

Assim aprendemos, meus amigos, que a voz de advertência de Deus sairá entre as nações, e ele as advertirá por meio de seus servos; e por trovão, por relâmpago, por terremoto, por grandes tempestades de granizo e por fogo devorador; pela voz do juízo e pela voz da misericórdia; pela voz dos anjos e pela voz de seus servos os Profetas; ele as advertirá, reunindo os justos dentre os ímpios, e os que não atenderem a estas advertências serão visitados com severos juízos, até que a terra seja varrida como pela vassoura da destruição; e os que restarem, em todas as nações, línguas e reinos do mundo, atenderão à voz de advertência e aceitarão a salvação a eles enviada pelo Senhor, por meio de seus servos. A lei do Senhor sairá a todos estes, de Sião, e juízes sairão entre eles, de Sião; e a todos os dispostos serão ensinados os caminhos do Senhor, e serão batizados para a remissão de seus pecados, e receberão o Espírito Santo pela imposição das mãos dos servos de Deus. Grande e glorioso será aquele dia. Os velhos sonharão sonhos, os jovens verão visões, e até os servos e servas profetizarão, e da boca dos pequeninos e das crianças de peito o Senhor aperfeiçoará seu louvor.

Não somos o único povo que crê nestas coisas, e olha adiante, com ansiosa expectativa, para o glorioso reinado de retidão e paz sobre a terra. Tem sido a fé e a esperança de todos os justos sobre a terra, o tema de suas profecias e dos cânticos dos inspirados cantores de Israel. É a esperança destas coisas, e a fé gerada em nossos corações, de que o Senhor estendeu novamente sua mão para recobrar os remanescentes da casa de Israel, e para cumprir as gloriosas coisas que predisse pela boca de seus Profetas, que nos reuniu nestas montanhas. Foi a fé e a esperança que induziu os pioneiros, vinte e seis anos atrás, a enfrentar os selvagens e penetrar por um deserto sem trilhas e uivante. A fazer as estradas pelas montanhas, a construir pontes sobre os riachos, e a suportar todos os perigos de estabelecer o povo de Sião nas Montanhas Rochosas, quando não havia seres humanos senão o selvagem incivilizado, a mil milhas ou mais de distância deles, quando havia mil milhas a oeste, mil ao norte, mil ao sul, e treze centenas a leste até o povoado mais próximo. Foi esta fé na obra dos últimos dias, a segurança que recebêramos de que Deus falara dos céus, que nos impeliu a esta grande obra. Foi porque Deus falara dos céus, por sua própria voz, a seu servo Joseph Smith, pela voz de seu Filho, e pela voz de anjos, chamando seu povo a se reunir das nações ao coração das montanhas, que hoje estamos aqui. Posso pousar meus olhos sobre muitos nesta congregação, e conheço muitos mais por todo este Território, que ouviram estas coisas da boca do Profeta Joseph Smith.

Quando os pioneiros deixaram os confins da civilização, não buscávamos uma terra na Costa do Pacífico, nem uma terra ao norte ou ao sul; buscávamos uma terra que fora apontada pelo Profeta Joseph Smith no meio das Montanhas Rochosas, no interior do grande continente norte-americano. Quando o líder daquela nobre companhia de pioneiros partiu com seu pequeno grupo do Rio Missouri, foram, como Abrão, quando deixou a casa de seu pai — não sabendo para onde ia — apenas Deus dissera: Sai da casa de teu pai para uma terra que te mostrarei. Aquela companhia de pioneiros partiu, não sabendo para onde ia, apenas sabiam que Deus os ordenara ir a uma terra que lhes mostraria. E, sempre que ao Profeta Brigham Young, o líder daquela companhia de pioneiros, se fazia a pergunta — "Para onde vais?" — a única resposta que podia dar era — "Mostrar-vos-ei quando lá chegarmos." As orações daquela companhia de pioneiros, oferecidas dia e noite, continuamente, a Deus, eram para que os guiasse, como prometera, a uma terra que, pela boca de seu servo Joseph, declarara que lhes daria por herança. Disse o Profeta Brigham — "Já a vi, já a vi, em visão, e, quando meus olhos naturais a contemplarem, a reconhecerei." Eles, portanto, como Abrão de outrora, viajando pela fé, não sabendo para onde iam, apenas sabiam que Deus os chamara para saírem dentre seus irmãos, que os odiaram, desprezaram e perseguiram, e os expulsaram de suas posses, e não queriam que entre eles habitassem. E, quando chegaram a esta terra, disse o Profeta Brigham — "Este é o lugar onde, em visão, vi descansar a arca do Senhor; este é o lugar onde plantaremos as solas de nossos pés, e onde o Senhor colocará seu nome entre seu povo." E disse àquela companhia de pioneiros — "Organizai vossos grupos de exploração, um para ir ao sul, outro ao norte, e outro para ir a oeste, e explorai a terra, em seu comprimento e sua largura, aprendei as facilidades para colonização, para pastagem, água, madeira, solo e clima, para que possamos relatar a nossos irmãos quando voltarmos;" e, quando os grupos foram organizados, disse-lhes ele — "Achareis muitos lugares excelentes para colonização. Em toda parte, nestas montanhas, há localidades onde o povo de Deus pode habitar, mas, quando voltardes do sul, oeste e norte a este lugar, direis comigo: 'este é o lugar que o Senhor escolheu para começarmos nossos povoados, e deste lugar nos espalharemos e possuiremos a terra.'"

É esta fé que trouxe a multidão que se seguiu a esta terra, ano após ano, desde então até o tempo presente. Esta é a obra e a missão que recai sobre os Santos dos Últimos Dias. "Saí de Babilônia, ó povo meu, para que não sejais participantes de seus pecados, para que não recebais de suas pragas. Reuni-vos ao meio das montanhas, onde o Senhor estabelecerá sua casa e colocará seu nome, e vos ensinará seus caminhos, e onde aprendereis a andar em suas veredas." Não somos chamados a ser do mundo, a participar do espírito e seguir as modas do mundo, a cobiça dos olhos e a soberba da vida. Não somos chamados a pôr nosso coração no mundo e nas coisas dele — no ouro, na prata das montanhas, nas coisas preciosas que há na terra, no gado sobre mil colinas, nem em casas ou terras, ou coisa alguma que pertença à terra. Somos chamados a pôr nosso coração no Deus vivo, que nos chamou para ser seu povo, e para adorá-lo com pleno propósito de coração. Se ele nos der casas e terras, bens e haveres, ouro e prata e as coisas preciosas da terra, recebamo-los com ação de graças, e santifiquemo-los e consagremo-los e dediquemo-los à edificação de Sião, a casa de nosso Deus, ao ajuntamento de seus Santos, à pregação de seu Evangelho até os confins da terra, e à realização da grande obra a que Deus nos chamou nos últimos dias.

Benditos são todos os que se lembram do alto chamado de Deus a que foram chamados. Benditos são os que buscam aprender os caminhos do Senhor e andar em suas veredas. Benditos são os que buscam magnificar o alto chamado de Deus que está sobre eles como Élderes de Israel, dar testemunho da verdade, e exemplificá-la em suas vidas e conduta; que agem com justiça, amam a misericórdia, andam humildemente diante de seu Deus, visitam os órfãos e as viúvas em sua aflição, e se conservam sem mácula do mundo. Benditos são todos estes, filhos e filhas de Sião, pois prosperarão, e seus filhos depois deles. Tornar-se-ão salvadores no Monte Sião, e serão achados dignos de permanecer firmes quando ele aparecer, e seus nomes e suas gerações depois deles serão tidos em honrosa memória nos Templos do Senhor nosso Deus. Mas ai dos hipócritas em Sião, e dos soberbos e altivos, e dos que amam o mundo, nele põem seu coração, e adoram casas e terras, ouro e prata, bens e haveres e as coisas deste mundo! Ai dos que se recusam a dizimar-se, e assim santificar ao Senhor esta terra, que ele lhes deu por herança! Ai dos que poluem a terra de Sião por suas devassidões, assassinatos, roubos e prática de iniquidade, que se recusam a consagrar de seus bens ao Deus de toda a terra, e a lhe render o dízimo que exige como juro de sua mordomia!

Que a paz de Deus repouse sobre os justos! Que os ignorantes cheguem ao entendimento! Que os tolos aprendam sabedoria! Que o poder de Deus repouse sobre os que assumiram os altos chamados de ministros e juízes em Israel! Que a graça abunde sobre todo o Israel de Deus, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoErastus Snow, “Antiga Profecia, Relativa ao Tempo da Restituição de Todas as Coisas, a Ser Cumprida”, (1873-09-14). Pulpit Vault, 1873-09-snow-ancient-prophecy-relating-to-the-time-of. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).