Evidências Relativas à Autenticidade Divina da Bíblia e do Livro de Mórmon, Comparadas
Orson Pratt
Está escrito em algum lugar deste livro — a Bíblia — que "pela boca de duas ou três testemunhas se estabelecerá toda palavra". Estas palavras foram registradas na lei de Moisés, e citadas por nosso Salvador, mas em que parte dos Evangelhos estão registradas não me lembro. Ocorreram-me à mente exatamente quando me levantei. Parece ter sido o método pelo qual Deus tratou os filhos dos homens, desde que passaram a existir na terra, revelar certos princípios, e confirmá-los por tantas testemunhas quantas lhe parecessem apropriadas. ¶
Nosso Pai, o Criador desta terra, tem poder, se assim o julgasse apropriado, de dar vasta quantidade de evidência aos filhos dos homens, quanto à divindade de uma mensagem que ele pudesse, a qualquer tempo, oferecer-lhes. Seria assunto muito simples, se assim o julgasse apropriado, inscrever, nos próprios céus, em letras de luz, testemunho e evidência tão conspícuos, poderosos, claros e fáceis de compreender, que todas as nações, línguas, tribos e povos de nosso globo saberiam a verdade de imediato, e não teriam dúvida alguma quanto ao assunto. Mas o Senhor não julgou apropriado tratar assim a família humana. Parece exigir, em primeiro lugar, fé sobre evidência boa, sólida e substancial, em vez de conceder o conhecimento de imediato. ¶
Há grande diferença entre fé e conhecimento. Dizem-me que existe um país chamado China nas fronteiras orientais da Ásia; mas eu nunca lá estive; nunca vi aquele país; não posso dizer, muito positivamente, que tal país existe, senão pelo testemunho de outros me é informado que assim é. Creio nesse testemunho, mas não é um conhecimento perfeito para minha própria mente, obtido por minha própria experiência. E assim quanto a dez mil outros fatos ou acontecimentos. Somos, em muitos, na verdade em quase todos os casos, obrigados a crer sem um conhecimento. O juiz que se assenta num tribunal de justiça para decidir sobre a liberdade e a vida de seus semelhantes não decide por um conhecimento; mas, pelo testemunho e evidência apresentados diante dele, pronuncia sentença de prisão ou morte, porque a evidência é suficiente para respaldá-lo em proferir tal sentença. ¶
Uma pessoa não pode ser testemunha daquilo em que meramente crê. Deus exige da humanidade, ou de certos indivíduos entre a humanidade, que sejam testemunhas por ele — testemunhas de sua existência — para que possam dar testemunho a outros. É importante e necessário que tenham conhecimento das coisas sobre as quais este testemunho é dado; por isso, em alguns poucos casos entre os habitantes de nosso globo, houve homens levantados a quem foi concedido conhecimento quase imediatamente, e sabiam, muito perfeitamente, a respeito das coisas que deviam comunicar a seus semelhantes. Eram verdadeiras testemunhas, e sobre sua evidência e testemunho o mundo tem sido condenado, e será julgado no grande dia do juízo. Por exemplo, o Senhor nosso Deus revelou um sistema ou plano de salvação à família humana, exigindo que todos os homens se arrependam de seus pecados, se afastem de tudo o que é mau, reformem suas vidas, e creiam em Jesus Cristo como o Salvador do mundo, que morreu para expiar os pecados da humanidade; que creiam em seu Pai como o grande Ser Supremo, o Criador de todas as coisas; que creiam naquilo que Deus ordenou, pertencente ao Evangelho, destinado à salvação da humanidade, tais como as ordenanças do batismo, e a confirmação pela imposição das mãos, e a administração da Ceia do Senhor. Todos estes são princípios e ordenanças que Deus revelou aos filhos dos homens, dando a conhecer a certos indivíduos que estas são divinas, e ordenando-lhes que fossem dar testemunho delas a outros. Ora, quando um homem se levanta diante de uma audiência e diz, com toda ousadia e toda humildade, que Deus existe, pode surgir a pergunta — "Como sabes que ele existe?" Em resposta, diz à sua audiência: "Ele existe porque a Bíblia o diz, as obras da Natureza declaram que deve haver um Ser Supremo, a sabedoria manifesta nas obras da criação mostra seus atributos — sua bondade, sua sabedoria, e a adaptação dos vários princípios na natureza a outros princípios mostram que deve ter havido um Projetista todo-sábio." "Mas," pergunta um indivíduo ao orador, "sabes algo sobre este ser cujos atributos, dizes, as obras da natureza declaram, e podes nos dizer se ele é um ser pessoal, ou um espírito amplamente difundido que existe por toda a natureza?" Se não puder dar outro testemunho além deste, meramente referindo-se à Bíblia ou às obras da Natureza, seus ouvintes podem dizer: "Temos a mesma evidência nós mesmos, e teu testemunho não é melhor do que o nosso." Mas, se ele se apresentar como servo do Deus Altíssimo, e declarar que sabe que Deus existe, porque recebeu uma revelação nesse sentido, Deus lhe falou, e seus olhos foram abertos para contemplar sua pessoa e sua glória, e que ouviu sua voz, então o testemunho daquele homem é maior do que o testemunho dos que dependem meramente do que Deus disse em eras passadas, escrito na Bíblia, e maior do que o que decorre de contemplar a beleza, glória, simplicidade e sabedoria que caracterizam as obras da Natureza. Tal testemunho, como mencionei, onde uma pessoa pode dar testemunho do que seus olhos viram, e do que seus ouvidos ouviram, a respeito do Todo-Poderoso, do que Deus lhe revelou, condenará o mundo. Pessoas podem fingir-se testemunhas de Deus, e pregar cinquenta, sessenta, ou oitenta anos aos ouvidos do povo; mas, se jamais receberam este testemunho, sua evidência não terá efeito algum no dia do juízo. Tenho ouvido, no curso de minha vida, muitos ministros cristãos de diferentes denominações, muitos deles sem dúvida sinceros, dizerem às suas congregações: "Serei rápida testemunha contra vós no dia do juízo." Perguntai a estes ministros cristãos: "Já recebestes vós mesmos alguma revelação de Deus?" "Ah, não." "Já vos falou Deus alguma vez?" "Ah, não." "Já tivestes alguma visão celestial?" "Ah, não." "O Espírito Santo já vos deu alguma nova revelação?" "De modo algum." "Quando falou Deus, pela última vez, à família humana?" Diz o ministro cristão: "Ele nada disse por cerca de mil e oitocentos anos; a última coisa que disse ou falou à família humana está registrada no Novo Testamento." Tal ministro poderia pregar todos os dias de sua vida, e, no que toca à sua evidência ou testemunho, isto não condenaria um só indivíduo. Tais homens não são testemunhas de Deus. Ele jamais os enviou, jamais lhes falou ou revelou algo por meio deles; jamais viram sua face nem ouviram sua voz, consequentemente não sabem mais sobre ele do que o povo na congregação a quem se dirigem. Quando, portanto, falamos, na linguagem de nosso texto, que "pela boca de duas ou três testemunhas se estabelecerá toda palavra"; quando estas testemunhas são testemunhas divinas, enviadas a dar testemunho de coisas divinas, devem ter conhecimento destas coisas; não meramente fé, não uma ideia ou opinião especulativa, mas devem saber, tão bem quanto sabem de sua própria existência, das coisas sobre as quais falam, e das quais dão testemunho ao povo. Então, no grande dia do juízo, Deus dirá a este povo: "Não vos declarei minhas palavras por meio de meus mensageiros, que vos enviei, a quem me revelei, e que tinham conhecimento das coisas de que davam testemunho?" E isto condenará o povo. ¶
Para aplicar isto a um assunto particular, que agora me ocorre à mente, tomarei o Livro de Mórmon, por exemplo. Este livro afirma ser uma revelação divina; afirma ser os escritos de uma sucessão de antigos Profetas, tal como a Bíblia contém as revelações e escritos dados em diferentes eras a homens inspirados; e, enquanto a Bíblia contém os escritos de homens inspirados que viveram no hemisfério oriental, o Livro de Mórmon afirma ser os escritos de homens inspirados que viveram em tempos antigos no hemisfério ocidental. Um é chamado, se assim podemos dizer, a Bíblia do Oriente; o outro pode ser chamado, com toda propriedade, a Bíblia do Ocidente, sendo ambos da mais alta antiguidade. ¶
Ora, se estes livros são divinos, que evidência é necessária para nos convencer deste fato? Se o Livro de Mórmon é realmente uma revelação divina, contendo os escritos de antigos Profetas que habitaram este continente americano antes e depois de Cristo, é importante que todo homem e mulher nos quatro cantos da terra o compreenda; pois, se é a palavra do Senhor, seremos julgados pelo Livro de Mórmon tanto quanto pela Bíblia oriental. Se não é um registro divino nem a palavra do Senhor, é absolutamente necessário que o saibamos, para que o possamos rejeitar, e rejeitá-lo compreensivamente. Tomai-o de qualquer modo, então, seja ou não uma revelação de Deus, é igualmente importante que o saibamos. ¶
Ora, que evidência temos de que o Livro de Mórmon é uma revelação divina? Trarei alguma evidência sobre este assunto. Antes de este livro ser permitido a ser apresentado aos habitantes da terra, o Senhor levantou testemunhas. Antes de ser impresso, no ano de 1829, três testemunhas foram levantadas para dar testemunho dele. Ora, como puderam estas testemunhas obter conhecimento de que este livro era divino? Foi-lhes apenas dito que assim era pelo Profeta Joseph Smith, que traduziu o livro das placas metálicas tiradas de certo monte no Estado de Nova York? Era esta toda a informação que tinham antes de começar a dar testemunho ao mundo da divindade do livro? Se fosse tudo isto, então todos os que conheciam Joseph Smith poderiam ser testemunhas. Mas nos é dito, na parte inicial do livro, a natureza de sua evidência e testemunho. Diz-se-nos que David Whitmer, Martin Harris e Oliver Cowdery, no ano de 1829, antes de este livro ser publicado, viram um anjo de Deus descer do céu, e tomar as placas das quais foi traduzido, e ele as exibiu diante dos olhos destes três homens, virando-as folha por folha. Viram o anjo descer; viram sua gloriosa personagem; contemplaram a luz e a glória de seu semblante; viram as placas em suas mãos, e viram as gravuras sobre as páginas destas placas. Enquanto o anjo fazia isto diante deles, ouviram uma voz nos céus, declarando-lhes que as placas haviam sido traduzidas corretamente, e ordenando-lhes que dessem testemunho disto a todas as nações, tribos, línguas e povos a quem esta obra fosse enviada. Prefixaram, por isso, seu testemunho a este livro, que os que obtêm o livro podem ler a seu bel-prazer; não temos tempo, nesta ocasião, para o ler. ¶
Que maior testemunho a respeito da ministração de anjos já deu alguém à família humana, do que o que mencionei? Lemos sobre anjos ministrando em tempos antigos, em várias ocasiões, e para certos propósitos — às vezes aparecendo em grande glória, e às vezes retendo sua glória. Por isso está escrito por um dos Apóstolos — "Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos," mostrando que os anjos, às vezes, retiveram sua glória, e apareceram como homens comuns, e que foram hospedados como tais. Em outras instâncias, sua glória foi exibida diante daqueles a quem se revelaram, e estes deram testemunho das coisas que ouviram da boca de seus divinos visitantes. ¶
Surge aqui uma pergunta: Há algum testemunho no Antigo ou no Novo Testamento mais digno de ser recebido do que o destas três testemunhas modernas? Vivem os anjos hoje como viviam em tempos antigos? Todos dirão que ainda vivem. São eles os mensageiros do Altíssimo agora, como eram em tempos antigos? Sim. Diz alguém, "Supomos que estão sujeitos ao comando de Deus agora como estavam em tempos antigos." Há algo na Bíblia que indique que viria um período ou dia em que a ministração de anjos não mais seria necessária? Não, nem uma sílaba em toda a Bíblia que indique tal coisa. Pelo contrário, achamos que o Apóstolo Paulo, ao falar de anjos, diz — "Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" Ora, se há algum herdeiro da salvação sobre a terra no século dezenove, por que não seriam estes espíritos ministradores enviados a ministrar-lhes? E, se enviados, por que reteriam sua glória e sua presença pessoal daqueles a quem ministram? Por que não se revelam como o fizeram em tempos antigos, pessoal e corporalmente, para que o olho do indivíduo a quem ministram os possa contemplar? Não vemos coisa alguma que indique, em grau algum, que estes privilégios devam ser retidos dos filhos dos homens. Muitos, no presente período, creem no testemunho registrado nas Escrituras a respeito das antigas ministrações de seres chamados anjos. Não sabem por que creem nisto, senão porque é popular, e está registrado na Bíblia que apareceram. Perguntai a estas pessoas se creem na ministração de anjos no tempo presente, e vos dirão "não". Não podem dar razão alguma pela qual não creem em sua ministração agora, senão porque é impopular. É popular crer na ministração de anjos, antigamente, mas impopular crer em tal coisa nos tempos modernos; consequentemente, o povo segue a mente popular e crê nas administrações destes mensageiros celestiais em dias antigos, mas rejeita administrações da mesma natureza nos últimos dias. ¶
Se pessoas levantadas em tempos antigos tiveram conhecimento, pela ministração de anjos, a respeito da mensagem que comunicaram à família humana, e seu testemunho condenou a geração a quem foram enviadas, pergunto: não condenará o mesmo conhecimento, comunicado da mesma maneira, em nossos dias, a esta geração, visto que a mensagem não é recebida? Julgai isto por vós mesmos. ¶
Quando o Livro de Mórmon foi impresso, no início do ano de 1830, com os nomes destas testemunhas anexados a ele, e apresentado à família humana, tinham o testemunho, não apenas destas três testemunhas, mas também o testemunho de Joseph Smith, o tradutor, quanto à ministração de anjos, e quanto à existência destas placas. Eis aqui, então, a boca de pelo menos quatro testemunhas que Deus deu a esta geração. Além destas quatro, temos aqui registrado que outros oito homens, homens com quem sou, ou fui, bem familiarizado, alguns dos quais já falecidos. Outras oito pessoas, além destas quatro, souberam da existência das placas metálicas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido. Seu testemunho também é prefixado a esta obra, seus nomes dados. Testificam que viram estas placas, que as manusearam com suas próprias mãos, que viram as gravuras sobre as placas; que as tomaram em suas mãos, e que souberam com certeza da existência daquelas placas. Não deram testemunho de que tinham visto um anjo, mas deram testemunho do que sabiam, a saber, a existência das placas, que Joseph Smith, o tradutor, era a pessoa que lhes exibiu as placas, e que os caracteres ou letras contidos nas placas tinham a aparência de obra antiga e de curiosa manufatura, e dão seu testemunho da maneira mais positiva a este respeito, declarando na sentença final que dão testemunho destas coisas, e "não mentimos, sendo Deus testemunha disso." Eis aqui, então, o testemunho de doze testemunhas, quatro das quais viram um anjo de Deus. Não é isto suficiente para justificar os filhos dos homens a terem fé no Livro de Mórmon? A fé não é um conhecimento, mas a fé é a evidência das coisas que não se veem. Ora, eu talvez não tenha visto as placas, vós talvez não tenhais visto as placas, mas temos a evidência ou testemunho de coisas não vistas, por grande número de testemunhas que as viram. ¶
"Mas," diz alguém, "suponhamos que estas testemunhas fossem pessoas interessadas, e desejassem combinar-se para enganar os filhos dos homens." A mesma suposição poderia ser feita a respeito das testemunhas antigas, os Doze Apóstolos, por exemplo. Foram escolhidos pelo Senhor para dar testemunho do Evangelho a todas as nações, e, com exceção de Judas, não havia entre eles uma só pessoa desinteressada, nem mesmo o designado para ocupar o lugar de Judas; e estes homens deram testemunho das verdades mais importantes já reveladas à família humana. Fizeram-no com conhecimento perfeito. O mundo incrédulo dirá que eram testemunhas interessadas, exatamente como o mundo diz a respeito das testemunhas do Livro de Mórmon. Não daria muito por uma testemunha que não fosse interessada; não daria muito pelo testemunho de um indivíduo que viesse e dissesse: "Vi um anjo de Deus, mas, ainda assim, não estou interessado em nada do que ele me disse." Não, deixai que aquele homem que recebe uma comunicação do Todo-Poderoso, e que sabe com certeza das coisas que traz e das quais dá testemunho ao mundo, deixai-o estar interessado em seu testemunho, e mostrar ao mundo, por suas obras, que é uma testemunha interessada. ¶
Diz alguém, "Temos algumas testemunhas desinteressadas quanto à verdade da Bíblia." Nego-o, não tendes nenhuma. Tendes oito escritores no Novo Testamento, mas não eram todos testemunhas interessadas? Sim. "Mas," diz alguém, "não havia muitos não ligados à antiga Igreja que viram os milagres de Jesus?" Se viram, não temos seu testemunho, nem um sequer. Achamos registrado nos Atos dos Apóstolos que, quando Pedro e João curaram o coxo que estava sentado à porta Formosa do Templo, havia uma grande multidão ao redor que viu este milagre, mas tendes o testemunho e evidência de algum daquela multidão? Não, não tendes; nenhuma tal evidência ou testemunho chegou até nossos dias. Mas temos o testemunho do escritor dos Atos dos Apóstolos de que assim foi. Ele o diz, e temos de crê-lo por seu testemunho. Assim quanto aos quinhentos que viram Jesus depois de sua ressurreição. Paulo declara que foi visto de quinhentos irmãos de uma vez. Mas transmitiu algum destes quinhentos irmãos seu testemunho ao século dezenove? Nem um: tudo depende do testemunho de um escritor. Aquele escritor diz que quinhentos homens viram Jesus depois de sua ressurreição. Assim quanto a todos os milagres registrados, ditos realizados por nosso Senhor e Salvador; assim quanto a todos os milagres realizados depois de sua ascensão ao céu, por seus servos e os que criam em seu nome. Temos apenas o testemunho de oito testemunhas para a verdade do Novo Testamento, e eram todas interessadas. ¶
Novamente. Sabemos que houve pessoas que se combinaram para enganar seus semelhantes, e como havemos de saber se estas testemunhas do Livro de Mórmon eram homens desta classe, ou se eram realmente testemunhas das coisas de Deus? Não podemos sabê-lo à primeira vista; é impossível a vós e a mim sabermos este fato, a menos que obtenhamos nosso conhecimento do céu. Podemos crê-lo, ou a seu testemunho, mas não podemos sabê-lo, nem a seu testemunho. Ora, o modo que eu faria, se fosse um estranho e realmente desejasse saber se o Livro de Mórmon era uma revelação divina ou não, examinaria a natureza desta evidência a que me referi, e depois examinaria o conteúdo do livro. Se achasse o livro contraditório em sua história, profecias ou doutrinas, consideraria estas doze testemunhas, cujos nomes estão prefixados ao livro, impostoras; mas, se, depois de cuidadosa leitura deste livro, não achasse contradições nem inconsistências nas profecias intercaladas por suas diferentes partes, se achasse que a doutrina era simples e clara e fácil de compreender, e não contraditória, então a próxima coisa para mim seria comparar estas profecias com as da Bíblia, e as doutrinas do Livro de Mórmon com as de Jesus e seus Apóstolos. Se não achasse contradições entre os dois registros, mas que o mesmo Evangelho é ensinado em ambos, e que ambos contêm a mesma grande cadeia de profecia a respeito dos acontecimentos dos últimos dias, apenas mais plenamente exemplificada e ilustrada, talvez em linguagem diferente, no Livro de Mórmon do que na Bíblia, não teria evidência alguma para condenar o livro, ou as testemunhas nele contidas. ¶
Além disso, se achasse certas promessas no Livro de Mórmon, no sentido de que todas as pessoas, em todo o mundo, que o recebessem, e a mensagem que Deus enviou pela administração de seus servos, e se arrependessem de seus pecados, e fossem batizadas por imersão para a remissão de seus pecados, e tivessem as mãos impostas sobre elas em confirmação, receberiam o Espírito Santo; visto que não pude achar testemunho algum contra o livro, mas tudo isto a seu favor, se eu me arrependesse de meus pecados, certamente não haveria mal nisso. Se eu reformasse minha vida de todo mal, segundo as exigências do livro, não haveria mal nisso; se eu saísse e fosse batizado, por aqueles com autoridade, para a remissão dos pecados, não vejo mal nisso. Se eu tivesse as mãos impostas sobre minha cabeça, por estes mensageiros, para o batismo de fogo e do Espírito Santo, não veria mal algum neste ato exterior. Se eu não recebesse o perdão de meus pecados, e não recebesse o batismo de fogo e do Espírito Santo, pensaria que não havia divindade no livro, ou então que havia alguma falha de minha parte, uma coisa ou outra. E, se eu me examinasse e achasse que sinceramente me arrependi de meus pecados, que nada me faltou de minha parte, e realmente recebi as manifestações do Espírito Santo, como fizeram nos dias antigos, então teria um testemunho por mim mesmo, independentemente destas doze testemunhas, e independentemente da correção da doutrina contida no livro, comparada com a Bíblia: independentemente destas evidências externas, eu mesmo teria um testemunho de Deus, pelo batismo de fogo e do Espírito Santo, de que o livro era verdadeiro. ¶
"Mas," pergunta alguém, "como havemos de saber quando recebemos o batismo de fogo e do Espírito Santo?" Penso que toda pessoa pode sabê-lo, pois há certas manifestações que acompanham o Espírito Santo, de natureza tal que não podem ser confundidas. Mencionarei algumas delas. Não me refiro àquelas manifestações de que às vezes ouvimos falar sob o nome de "espíritas batedores", "giradores de mesa", "médiuns escreventes," etc., mas me refiro àquelas manifestações genuínas, reais, tal como registradas na Bíblia. A um, diz Paulo aos Coríntios, é dada a palavra de Sabedoria pelo Espírito, a outro é dada a palavra de Conhecimento pelo Espírito, a outro é dado o discernimento de espíritos pelo mesmo Espírito; a outro é dado o operar de milagres, a outro é dado o dom de profecia, a outro é dado curar os enfermos, falar em línguas, a interpretação de línguas, etc. Todos estes vêm pelo mesmo Espírito, sendo dados a todo homem, não a um ou dois, não meramente às testemunhas, mas a todo homem na Igreja, segundo o Espírito quiser. ¶
Ora, então, se eu recebo o dom do Espírito Santo, ou se meus irmãos o recebem, esperaria que recebêssemos as manifestações destes dons, um recebendo um dom e outro outro, segundo o padrão bíblico. Se não recebêssemos estes dons, poderíamos então duvidar de que tivéssemos recebido o Espírito Santo. Somos ordenados nas Escrituras a provar os espíritos, pois há muitos espíritos que se espalharam pelo mundo, que são espíritos falsos. Provai-os: por que regra? Provai-os pela palavra escrita, e vede se temos os dons registrados no Novo Testamento. Se os temos, podemos ter certeza de que o Espírito Santo nos foi dado. Por exemplo, se uma pessoa recebe o batismo de fogo e do Espírito Santo, e os céus se abrem a ela, não está enganada. Se o Senhor a inspira a impor as mãos sobre uma criança enferma ou uma pessoa enferma, e ela ordena que a doença seja removida, sabe que Deus está com ela, e que ele atende às súplicas e orações que oferece em nome de Jesus, em favor do enfermo. Se uma pessoa tem a visão de sua mente aberta para contemplar o futuro e saber o que em breve virá a acontecer, e vê estas coisas se cumprirem, de tempos em tempos, tem toda razão para crer que realmente recebeu o Espírito Santo. Assim quanto a falar em línguas. Se um homem iletrado, sem educação, que jamais compreendeu língua alguma senão sua língua materna, é inspirado no mesmo momento a levantar-se e testificar em língua desconhecida, e a proclamar as maravilhosas obras de Deus, ele sabe se sua língua foi usada por um poder sobrenatural, ou se é apenas balbucio de seu próprio coração. Sabe-o muito bem por si mesmo; e assim poderíamos continuar por todos os dons mencionados na Bíblia. Se contempla anjos, e eles descem diante dele em sua glória, e ouve o som de suas vozes, contempla a luz de seus semblantes e a glória que irradia de suas personagens, sabe-o por si mesmo; consequentemente isto o constitui uma testemunha, tanto quanto os que proclamaram este Evangelho antes dele. ¶
Perguntarei aos Santos dos Últimos Dias — aqueles agora sentados diante de mim, por toda esta vasta audiência —, como sabíeis que Joseph Smith era um Profeta de Deus, quando morastes na Inglaterra e jamais tínheis visto o homem? Como o sabíeis na Suécia, na Dinamarca, na Noruega, Suíça, Itália, Austrália, e nas várias partes da terra de onde emigrastes? Como sabíeis que Joseph Smith era um Profeta de Deus, antes de atravessardes o poderoso oceano e chegardes a esta terra? Aprendestes este fato por um conhecimento vos concedido pelo dom e poder do Espírito Santo em vossos próprios países natais. Ali fostes curados, e vistes a manifestação do poder de Deus em curar os enfermos de tempos em tempos. Ali tivestes a visão de vossas mentes abertas para contemplar coisas celestiais. Ali ouvistes a voz do Todo-Poderoso falando-vos por revelação, e testificando-vos das coisas do céu. Muitos de vós experimentastes aqueles grandes e abençoados dons, mencionados no Novo Testamento, antes de emigrardes a esta terra. Viestes aqui, então, não para obter conhecimento da verdade desta obra, mas porque já tínheis conhecimento dela, e para serdes mais plenamente aperfeiçoados nos caminhos de Deus, e ensinados mais plenamente nas coisas pertencentes à vida e felicidade eternas, do que poderíeis ser em vossas próprias terras. Portanto, não dependeis agora do testemunho de duas ou três testemunhas, ou das doze testemunhas do Livro de Mórmon; mas temos vasta nuvem de testemunhas levantadas entre todas as nações, tribos, línguas e povos a quem esta obra foi enviada. Estão afluindo dos confins da terra a estas montanhas, como pombas às suas janelas, todas dando o mesmo testemunho — que Deus falou, e que o Livro de Mórmon é verdadeiro, pois o Senhor lho revelou. Além disso, no princípio desta Igreja, o Senhor disse a seus servos — "Ide e dai testemunho do Livro de Mórmon e das doutrinas nele contidas, e apoiarei vosso testemunho com sinais, com dons," etc. Supondo que esta promessa não tivesse sido cumprida, haveria hoje algum tabernáculo neste deserto? Nenhum, de modo algum. Estaria este deserto habitado agora por cem ou cento e cinquenta mil pessoas? De modo algum. Haveria agora uma grande estrada construída através deste continente, de oceano a oceano? De modo algum. É porque Deus confirmou a promessa que nos fez no princípio desta Igreja, que estes grandes acontecimentos se cumpriram. Nenhum povo teria tido a fortaleza, coragem e empreendimento para vir mil e quatrocentas milhas da assim chamada civilização, a estes ermos e desertos montanhosos, para cultivar a terra e realizar a obra que foi realizada por este povo, a menos que tivesse conhecimento do céu, a respeito da verdade desta grande obra. Deus cumpriu sua promessa quando disse a seus servos — "Em nome de Jesus curareis os enfermos, abrireis os olhos dos cegos, destapareis os ouvidos dos surdos." É por causa do cumprimento desta promessa que fostes reunidos e realizastes a obra que foi realizada aqui neste país, e, por causa deste ponto de apoio entre os dois grandes oceanos, uma espécie de pousada intermediária, outros se aventuraram a vir a estes ermos montanhosos, e o Território e regiões circunvizinhas começam a se estabelecer. Por meio destas facilidades, sem dúvida, a estrada de ferro foi construída algo como um quarto de século antes do que teria sido de outro modo. ¶
Quando contrastamos a evidência que temos quanto à divindade do Livro de Mórmon com a evidência que esta geração tem da Bíblia, discernimos que o Livro de Mórmon contém vasta quantidade de evidência, milhares e milhares de testemunhas de sua divindade, contra apenas uma que o mundo cristão tem da divindade da Bíblia. "Como assim?" podereis indagar. Estes próprios Élderes e missionários que foram às nações mantiveram seus diários, e registraram os milagres que Deus realizou por suas mãos. Estas são testemunhas vivas. Os que viram estes milagres ainda estão vivos. Ora, quantas testemunhas tendes de que milagres foram realizados nos dias de nosso Salvador, ou nos dias de seus Apóstolos que o sucederam? Não tendes ninguém fora da Igreja, senão os que, como Josefo, deram seu testemunho por ouvir dizer. Dentro da Igreja, tendes seis testemunhas. Há oito escritores no Novo Testamento, mas apenas seis destes oito deram algum testemunho a respeito da realização de milagres, mas o credes por seu testemunho. O Livro de Mórmon, presumo, tem mais de seis mil, senão sessenta mil testemunhas de sua divindade, e dos milagres realizados nestes últimos dias. Qual é o maior? Já alguém que já vistes, no tempo presente, teve algum anjo enviado a ele, que lhe mostrasse as tábuas nas quais a lei de Moisés foi escrita, ordenando-lhe que desse testemunho da divindade daquela lei? Não: ninguém no mundo cristão pretende coisa alguma deste tipo. Então, não é o testemunho a favor do Livro de Mórmon superior ao que possuís a favor da lei de Moisés? Sim. Podemos vos mostrar testemunhas, homens ainda vivos, a quem um anjo apareceu e lhes disse que o Livro de Mórmon era um registro divino. O mundo cristão não tem tal evidência a favor da Bíblia, e não pode, por testemunha viva alguma, comprovar a divindade da Bíblia. Além disso, temos outra vantagem; o Livro de Mórmon foi traduzido diretamente do original. Ora, tendes, seja no Antigo, seja no Novo Testamento, algum livro traduzido diretamente do original? Nem um. Há algum sequer traduzido de uma cópia de segunda mão? Nem um. Presumo que não haja livro compilado na Bíblia que não tenha passado por muitas centenas de transformações antes de cair nas mãos dos tradutores do Rei Jaime. Como sabeis que estes copistas copiaram corretamente? Não tendes acesso aos originais. É verdade que tendes Bíblias hebraicas, mas não são originais; são apenas cópias. Foram multiplicadas, antes de a arte da impressão ser inventada, por muitas gerações, e as cópias que estavam na posse dos tradutores do Rei Jaime tinham, talvez, sido transmitidas através de mil outras cópias de data mais antiga, e como podeis ter certeza de que eram corretas? Somos informados por alguns de nossos arcebispos e homens doutos, que passaram toda a vida reunindo cópias de manuscritos antigos dos quais traduzir a Bíblia, que finalmente desesperaram de obter uma cópia correta da obra. Um arcebispo, mencionado nas Enciclopédias, tinha reunido vasto número de cópias da Bíblia em hebraico, tão antigas quanto possível de obter. Mas, ao vir compará-las, achou cerca de trinta mil leituras diferentes. Quase todo texto se lia de modo diferente numa cópia do que em outra. Finalmente, desistiu da ideia de fazer tradução alguma, não sendo original nenhuma de suas cópias; e, consequentemente, quando os tradutores da Bíblia inglesa realizaram aquela obra, fizeram-no segundo o melhor juízo que tinham, e sem dúvida a fizeram bem, na medida em que a sabedoria humana o permitia, dadas as circunstâncias. Ora, então, a diferença entre a Bíblia do Ocidente — o Livro de Mórmon — e a Bíblia do Oriente — o Antigo e o Novo Testamento — é que uma foi tirada diretamente do original, a outra de uma multidão de manuscritos que diferiam quase em todo texto. Parece, então, que, quando Deus viu a família humana neste grande estado de incerteza e trevas quanto à revelação divina, não seria nada mais do que consistente supor que ele traria à luz, por seu próprio poder, como fez, revelação adequada e apropriada às circunstâncias, revelação em que pudéssemos confiar, sendo comprovada por testemunhas levantadas especialmente para dar testemunho dela, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, ou de tantas quantas lhe parecessem boas, se estabelecesse toda palavra, para que os filhos dos homens não tivessem desculpa a respeito destes assuntos. ¶
Poderíamos continuar este assunto e vos mostrar o cumprimento de muitas das profecias no Livro de Mórmon. Está impresso agora há mais de quarenta e três anos. Durante este tempo, muitíssimas das profecias nele contidas se cumpriram; profecias, além disso, que sagacidade humana alguma poderia ter percebido de antemão. Quem teria pensado que, neste nosso próprio país, sob instituições americanas, onde a liberdade religiosa prevaleceu de um extremo ao outro do país; quem teria pensado, quando o Livro de Mórmon foi impresso, que o sangue dos Santos clamaria do solo desta terra americana livre, por causa de seus perseguidores? E, contudo, tudo foi predito no Livro de Mórmon. Outras seitas surgiram e se multiplicaram às centenas na face desta terra, algumas das quais experimentaram um pouco de perseguição; mas quem já ouviu falar de serem massacradas a sangue frio, como dezenas e dezenas deste povo o foram, desde que o Livro de Mórmon foi impresso? Foi-nos dito por revelação, quarenta e três anos atrás, quando esta Igreja foi organizada, que seus membros seriam perseguidos, e caçados de cidade em cidade e de sinagoga em sinagoga, e que o sangue dos Santos clamaria do chão por vingança sobre as cabeças de seus assassinos. Cumpriu-se isto? Cumpriu-se. Foi-nos dito no Livro de Mórmon, que foi impresso muitos anos antes de se cumprir, que, se esta nação não recebesse esta divina mensagem quando Deus a trouxesse à luz nos últimos dias, ele traria a plenitude de seu Evangelho e seu Sacerdócio de dentre a nação. Não sabíamos como isto se cumpriria, durante os primeiros dezessete anos depois de o livro ser impresso. Podíamos ler a profecia, mas como Deus a cumpriria, não sabíamos, até que o tempo de seu cumprimento chegasse; então foi revelado que este povo deveria fugir e deixar a nação a quem havia dado seu testemunho por muitos anos. Quando aqui chegamos, a profecia se cumpriu literalmente. Assim poderíamos continuar e relatar profecia após profecia que se cumpriu em confirmação da divindade desta obra dos últimos dias. O mesmo testemunho acompanha a Bíblia. Cremos que é verdadeira por causa das profecias nela que se cumpriram. ¶
Muitas outras profecias contidas no Livro de Mórmon, ainda a se cumprirem, são tão grandes e maravilhosas quanto quaisquer já cumpridas. Uma das profecias contidas no Livro de Mórmon, dada antes de existir alguma Igreja dos Santos dos Últimos Dias, que se cumpriu notavelmente, foi que os servos de Deus sairiam com este livro a todas as nações, tribos, línguas e povos, e reuniriam dentre aquelas nações um grande povo. Isto se cumpriu, e os habitantes deste Território são testemunhas da verdade desta predição ou profecia. Se Joseph Smith fosse um impostor, como saberia que esta obra iria além de sua própria vizinhança? Como saberia que viveria para ser proclamada às diferentes partes do Estado onde se originou, ou onde as placas foram encontradas? Como saberia que seria pregada aos habitantes deste grande governo, e depois atravessaria as águas, a outras nações, tribos, povos e línguas? Tal profecia, proferida por um impostor, seria muito improvável de se cumprir. Contudo, tal profecia foi proferida; tal profecia se cumpriu, e as nações da terra, assim como os Santos dos Últimos Dias, são testemunhas de seu cumprimento. Temos visto este povo vir, ano após ano, atravessando o oceano, primeiro em veleiros, depois em vapores, às centenas e aos milhares, até que agora são quase uma pequena nação aqui, nos cimos das montanhas. Amém. ¶