Propósito de Deus ao Criar o Homem — O Arbítrio do Homem — Deveres dos Que Entraram em Convênio com Deus — Recompensa da Fidelidade — Obra a Ser Realizada Antes da Segunda Vinda de Jesus — Evitar Más Associações
Daniel H. Wells
Sinto o desejo de dar meu testemunho, meus irmãos e irmãs, das doutrinas e princípios do santo Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que, lemos nas Escrituras, é o poder de Deus para a salvação de todos os que nele creem e o obedecem. Disse-se aqui que somos um povo adquirido, e que temos uma missão a cumprir na terra. Isto é verdade. Nosso Pai nos céus tem uma obra a realizar na terra, e fomos chamados a ser colaboradores com ele em levar a cabo seus propósitos entre os filhos dos homens. Este é um privilégio abençoado para nós. Se seus propósitos pudessem ter sido adiantados e estabelecidos sobre a terra sem que ele se tivesse revelado, não teríamos sido chamados, e o anjo não teria vindo a restaurar o Evangelho eterno em nossos dias. Podemos ir ainda mais além, e dizer que, se fosse tão bom para nós permanecer com nosso Pai no mundo espiritual, e não vir a este mundo, para passar pelas provas que nos aguardam, não teríamos sido enviados. Mas fomos enviados com um propósito, e este propósito é que possamos realizar a plena medida de nossa criação, o que não poderíamos fazer sem uma provação terrena. Isto era necessário para nosso progresso, como seres inteligentes, e para o progresso do reino e da glória de Deus. Tivemos uma pré-existência no mundo espiritual, e ali guardamos nosso primeiro estado, ou não teríamos tido o privilégio de vir e tomar corpos e, vivendo segundo os princípios do santo Evangelho, prepararmo-nos para a salvação e a exaltação, e voltar de novo à presença de nosso Pai e participar de sua glória. Nesta conexão entram os princípios da redenção e da ressurreição, por cujo poder nossos corpos e espíritos, depois de terem passado pela provação da morte, serão reunidos e revestidos de imortalidade, e dotados de vida eterna. Digo, se fosse tão bom para nós permanecer no mundo espiritual, não teríamos sido enviados para ser provados com a miséria, a angústia, a tristeza, as corrupções, os males e a morte tão prevalentes na terra; mas foi por bondade para conosco, seus filhos, que nosso Pai nos enviou a esta terra, para que pudéssemos mostrar se seríamos fiéis, em todos os aspectos, aos princípios da verdade e da retidão, e aos mandamentos de Deus, quando em meio ao mal. Todas as exigências de nosso Pai conduzem à bênção e ao benefício daqueles que as observam enquanto vivem aqui, assim como lhes asseguram as bênçãos ao fim da carreira. ¶
O Senhor nosso Deus jamais revelou, e jamais revelará, um princípio, dará um mandamento, ou fará uma exigência a seus filhos na terra, que, se cumprida, não se prove uma bênção para todos, pois nos capacitará a realizar nossa salvação e exaltação, estabelecendo os princípios de verdade, virtude e honra sobre a terra, e estes princípios, pela própria natureza das coisas, devem purificar e elevar os que vivem e governam suas ações por eles. Estes são os únicos princípios que perdurarão e permanecerão para sempre; enquanto o que é de caráter oposto passará. Aqui está a guerra em que estamos empenhados, e que continuaremos a travar, enquanto vivermos na terra. Pois o maligno está pronto, se o ouvirmos, a nos desviar e nos fazer naufragar em nossa santíssima fé; fará com que a luz pareça trevas, e as trevas luz, e nos conduzirá à destruição, se não estivermos continuamente em guarda contra suas artimanhas e sugestões. Mas, se observarmos os princípios do Evangelho e os mandamentos do Senhor nosso Deus, eles nos trarão paz nesta vida presente, assim como na que há de vir. Algumas pessoas parecem pensar que as ocupações tão prevalentes no mundo são tudo o que vale a pena viver, e que nelas encontrarão alegria e felicidade. Mas tais prazeres não são sólidos nem duradouros, e não há nada que se possa considerar alegria e prazer verdadeiros e genuínos, ao alcance da família humana, senão o que se encontra dentro do âmbito do Evangelho eterno. O Evangelho torna homens e mulheres livres — livres do pecado — o maior de todos os tiranos; e não há maior escravo na terra do que o homem que está sob o controle de suas próprias paixões, e que está sujeito ao ditame do espírito do mal, tão prevalente no mundo. Os atos de todas essas pessoas trazem seu próprio castigo, e é rápido e certo; enquanto os que são controlados pelos princípios do Evangelho têm uma alegria e paz, sob quaisquer circunstâncias da vida em que se encontrem, que o mundo desconhece, e que não pode nem dar nem tirar, pois têm uma consciência interior de que seu proceder lhes assegura a confiança do Senhor nosso Deus. ¶
Somos colocados aqui na terra para que sejamos provados. Somos seres muito independentes, temos nosso arbítrio, e podemos escolher o caminho da vida ou o caminho da morte, exatamente como nos aprouver. Se quisermos assegurar a vida eterna, teremos de seguir um curso que conquiste a confiança de nosso Pai nos céus, e, para realizar isto, não devemos cansar-nos de fazer o bem, pois se diz que somente os que perseverarem receberão a recompensa. Perseverar em quê? Ora, nas provações, tentações e dificuldades que possamos ter de enfrentar no caminho que o Evangelho traça. Nosso caminho, como seguidores do Salvador, está cercado de mal por todos os lados, e de influências que, se cedermos a elas, nos trarão sob o poder do opressor. Podem parecer sedutoras, em maior ou menor grau, e de fato o são, pois o poder do mal tem grande influência na terra. A riqueza da terra tem sido, há muito, controlada pelo maligno, e ele a tem outorgado a quem bem lhe pareceu. Talvez isto tenha sido assim ordenado na economia de nosso Pai, para o benefício de seus filhos. Devemos aprender a confiar em Deus. Como se disse aqui esta manhã, devemos viver pela fé. De que serve o homem que, tão logo se lhe apresenta um obstáculo, foge da via e diz: "Não terei mais nada a ver com isto ou aquilo. É verdade que se pretende que venha de nosso Pai nos céus, mas não consigo ver o benefício que me trará observá-lo, e agarrarei o que me oferece benefício imediato, sem me importar com as consequências"? Aquele homem prova a todos que não é digno de receber riquezas eternas. Um Santo dos Últimos Dias deveria viver de modo a poder suportar o olhar escrutinador do Todo-Poderoso, tanto em segredo quanto em público. Este deveria ser seu proceder por todos os dias de sua vida; então, quando chegar o dia em que os ímpios clamarão às rochas que os escondam da face do Senhor, ele se regozijará ao encontrar seu Pai, e se unirá em render louvor e ação de graças a seu nome, pelo privilégio de novamente contemplá-lo. Esta será a sorte dos justos — os que serviram a Deus tanto em suas ações quanto com seus lábios; mas triste, na verdade, será o destino dos que foram hipócritas, que professaram com seus lábios, mas não possuíram em seus corações. Temerão encontrar a face do Senhor, têm certa temerosa expectativa da indignação ardente do Pai. ¶
Ora, é verdade que, enquanto na carne, estamos sujeitos a muitas provações e tentações; mas não somos como aqueles sem esperança. Diz o Apóstolo que somos sujeitos em esperança. Esperança de quê? Os Santos dos Últimos Dias que vivem fielmente sua religião têm a esperança de uma gloriosa ressurreição e vida eterna. Faz parte da experiência dos Santos dos Últimos Dias serem sujeitos à provação, em algumas coisas talvez mais do que os ímpios, para que possam obter ascendência sobre suas próprias paixões e todos os males que os cercam. Nossas paixões nos são dadas com bom e sábio propósito. Estão na base de nossa existência. Dão-nos nervo e energia, e poder para executar e realizar; mas não nos são dadas para serem nossas senhoras. Aqueles dons dados pelo céu — a razão e o intelecto — devem reinar e trazer a paixão à completa sujeição, e assim o farão, se inspirados e dirigidos pelo Espírito de Deus. ¶
Fomos reunidos das nações da terra para que possamos ser ensinados nos caminhos do Senhor. Observou-se aqui, esta manhã, que havia necessidade de uma reforma no mundo. Se não fosse assim, o Senhor não a teria empreendido, e as coisas teriam sido deixadas a seguir como de costume. Mas o Senhor viu a necessidade de uma mudança. Todos se haviam desviado do caminho da vida. A autoridade do Santo Sacerdócio fora levada de volta aos céus com sábio propósito, e também para a vantagem dos filhos dos homens sobre a terra. Melhor para eles estarem sem ela, do que possuí-la e não obedecer a seus altos preceitos; mas, quando chegou o tempo determinado para o Senhor estabelecer seu reino, ele novamente enviou o Evangelho aos filhos dos homens, sabendo que encontraria muitas pessoas de coração honesto que estariam dispostas a receber instrução do céu, e a permanecer firmes no dia de seu poder. O Evangelho há de ir a todas as nações e línguas da terra, para que todos tenham a oportunidade de ser colaboradores com Deus no estabelecimento de seu reino sobre a terra, o qual está destinado a permanecer para sempre e a absorver todos os outros reinos. Isto é inevitável, e se cumprirá no próprio tempo determinado do Senhor. Os Élderes de Israel vão às nações e delas reúnem os de coração honesto, e por meio deles o Senhor está revelando seus propósitos aos filhos dos homens, e as instituições do alto céu. ¶
Esta é a missão dos Santos dos Últimos Dias, e cada um deles que é fiel a seu chamado é um colaborador com o Senhor no estabelecimento de seus propósitos, e encontrará sua recompensa aqui e no além. Não é glorioso saber que estamos empenhados com nosso Pai e Deus, e com seres santos que foram para além do véu, em levar adiante esta grande reforma que o Senhor iniciou na terra? Digo que jamais será confundida, jamais, nunca jamais. Os princípios do santo Evangelho durarão para sempre, e exaltarão a todos cujas vidas e ações são controladas por eles, e que viverem de toda palavra que procede da boca de Deus. Tais pessoas jamais serão vencidas, no tempo nem na eternidade. Não há nada mais certo que isto, porque este Evangelho irá de conquista em conquista, até que todas as nações, tribos, línguas e povos venham a estar sob o cetro de Emanuel, e todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus é o Cristo. O mal trabalhará sua própria derrocada. Os ímpios se devorarão uns aos outros para sua própria destruição, e, no tempo determinado do Senhor, a terra certamente será livrada dos malfeitores, ao passo que os que estiverem baseados na Rocha das Eras perdurarão para sempre. Isto é tão natural quanto qualquer princípio de filosofia que exista, e há de se cumprir. Nosso Pai passou por estas provações, e trilhou os caminhos que estamos trilhando. Guardou seu segundo estado, e alcançou sua exaltação. Temos o privilégio de seguir seus passos. Foi-nos revelado, em nossos dias, quem somos, e o relacionamento que temos com Deus. Aprendemos que Deus é nosso Pai, e que somos seus filhos, seus filhos de fato. Não apenas em sentido espiritual, mas, quando dizemos "Pai nosso, que estás nos céus," queremos dizer exatamente o que dizemos. ¶
Não apenas aprendemos quem somos, mas o propósito de nossa criação e nosso destino futuro. Não me tenho dado muita inquietação a respeito do futuro. Tenho sentido que, se puder desempenhar bem meu papel enquanto atravesso a vida, quer alcance algo no além, quer não, ficarei contente. A paz e a felicidade que tenho, dia após dia, no mais íntimo de minha alma, são sua própria recompensa; e há muito estou convencido de que nada vale a pena ter fora do âmbito do santo Evangelho, e a paz, satisfação e alegria que ele me traz eu não trocaria por tudo o que este mundo pode conceder. Quanto ao futuro, estou convencido de que será inteiramente satisfatório e trará tudo o que eu possa pedir, e mais do que agora posso compreender, se meu proceder, dia após dia, for o que deve ser. Não temo que minha exaltação não venha a ser tão plena e completa quanto eu tiver capacidade para desfrutar. E, quer o seja ou não, tenho uma paz interior, por seguir este proceder, que, em si mesma, é um festim contínuo, que me sustenta e me anima sob toda dificuldade e obstáculo que se apresente diante de mim. ¶
Penso que isto deveria ser atrativo suficiente para atrair todo filho e filha de Adão. Penso que os filhos de nosso Pai não podem se dar ao luxo de rejeitar estas bênçãos. Penso que não podemos nos dar ao luxo de tomar o nome de Deus em vão. Não podemos nos dar ao luxo de afogar nossa razão em bebidas fortes. Não podemos nos dar ao luxo de pecar contra Deus e violar seus mandamentos. Estas práticas custam demasiado. Nenhum homem ou mulher pode se dar ao luxo de andar nos caminhos que levam à morte. Estão cercados de miséria, inveja, ciúme, e de tudo o que produz desconforto, e, ao fim deles, a morte, e a miséria tanto antes quanto depois da morte. Disse Jesus — Não temais aquele que só tem poder para destruir este corpo, mas temei Aquele que pode lançar tanto a alma quanto o corpo no inferno. Tomemos, pois, o caminho que nos salvará aqui e no além. Deixemos ir o corpo, se necessário, se ele se interpõe entre nós e a fé do santo Evangelho e nosso dever para com Deus. Se formos colocados numa posição em que a vida do corpo põe em risco nossa fé no Evangelho, deixemos ir o corpo alegre e voluntariamente. Devemos derramar nosso sangue tão livremente quanto a água que corre, antes de violar nossa fidelidade aos princípios da vida eterna, ou nossos mais santos convênios diante do Senhor, ou antes de negar a palavra depois de termos provado os poderes do mundo vindouro. Conhecer a Deus e a Jesus, a quem ele enviou, é a vida eterna, e, antes de negá-los e voltar de novo às coisas do mundo, como a porca lavada que volta a revolver-se no lamaçal, deixemos ir este pobre corpo. Ele irá, mais cedo ou mais tarde, de qualquer modo, e deveríamos considerar um privilégio dar a vida em defesa dos princípios do Evangelho eterno. Não devemos correr precipitadamente ao perigo, mas devemos tomar um curso sábio e, a qualquer custo, decidir elevar-nos acima dos males que há no mundo, e ser fiéis à verdade, segurando firme a barra de ferro, sem desviar nem para a direita nem para a esquerda; e, se não houver outra alternativa, antes que desviar, deixemos ir o corpo. Será uma feliz troca, e o receberemos de volta coroado de glória, imortalidade e vida eterna. ¶
Ora, Santos dos Últimos Dias, estais dispostos a fazer isto? Ah sim, centenas e milhares, se necessário, marchariam até a boca do canhão, em defesa da verdade e do Sacerdócio, os quais, contudo, não vivem sua religião. Tais pessoas sofrerão perda, se não forem cuidadosas. Não podemos nos dar ao luxo de negligenciar nossos deveres. Queremos alcançar a glória celestial. Não nos sentimos como se pudéssemos ficar satisfeitos com algo menos do que isso. Nenhum Santo dos Últimos Dias, que já tenha refletido sobre estas coisas, sente que pode ficar satisfeito com menos do que a glória celestial. Não poderíamos ficar satisfeitos com uma glória telestial, nem sequer com uma glória terrestrial. Queremos alcançar a mais alta de todas. Partimos rumo a isto, é a meta a que nos dirigimos, e sentimos que nada menos do que isso nos satisfará. Quantos ficarão aquém dela não sei, mas sei que, para alcançá-la, devemos ter cuidado de observar todos os deveres que nos incumbem. Não temos promessa daquela glória, a menos que o façamos. As revelações do Senhor, por meio de seu servo Joseph, nos dizem que quem não puder suportar a lei celestial não herdará a glória do reino celestial. Há muitos chamados Santos dos Últimos Dias que estão ansiosos por obter suas dotações, lavagens, selamentos e unções, e batismos por si e por seus mortos, e que pensariam estar privados de grandes bênçãos se não pudessem ter estes privilégios; e, contudo, agem como se, podendo apenas arrebatar estas bênçãos das mãos dos servos do Senhor, estivessem tudo bem, e pudessem fazer, quanto ao resto, exatamente o que lhes aprouvesse. Poderiam negligenciar pagar seu Dízimo e a observância dos mandamentos do Senhor em geral, e seguir suas próprias vãs imaginações por todos os dias de sua vida. Que erro fatal aqui está! Por vossas próprias obras sereis julgados, sejam elas boas ou más. Um homem pode alcançar todas estas ordenanças, pode manter seu caminho escondido em iniquidade por uma temporada, mas virá o tempo em que todo malfeitor estará diante do Senhor em sua própria nudez deformada, será despojado de sua hipocrisia e subterfúgio de mentiras. A gigantesca superestrutura de Satanás, que por tanto tempo exerceu influência na terra, será varrida, e, naquele dia, todos os que permanecerem em pé o farão por sua própria virtude e integridade. Nenhum homem pode se dar ao luxo de praticar um ato mau. Se não é visto por seus semelhantes, ele mesmo o sabe, e o Senhor o sabe, e são duas testemunhas de sobra — duas testemunhas para estabelecer sua culpa, e ele não pode escapar disso; será conhecido, por assim dizer, sobre os telhados. Portanto, irmãos e irmãs, sejamos diligentes em todas as coisas, mesmo naquilo que se considera pequenas coisas, embora não haja pequenas coisas relacionadas a nossos deveres e chamados como Santos. Não podemos nos dar ao luxo de viver sem pagar nosso Dízimo, porque é uma lei do céu, uma das exigências que o Senhor fez de nós, para nosso próprio benefício. A cobiça é idolatria. Não podemos nos dar ao luxo de ter coisa alguma se interpondo entre nós e o Senhor nosso Deus. Devemos servir ao Senhor com coração perfeito e mente disposta. Se somos tão cobiçosos que não podemos pagar nosso Dízimo, há um obstáculo no caminho, e nos tornamos mornos e indiferentes na causa de Deus. Não importa quão pobres possamos ser; se já fizemos algo na linha de nosso dever no reino de Deus, isto nos trouxe paz e salvação. Jamais nos arrependemos disto depois, a menos que nos afastemos da verdade. Se negligenciamos algum dever, o Dízimo ou qualquer outro, sentimo-nos sob condenação. Não importa quão pobres possamos ser, deveríamos pagar nosso Dízimo; se temos de recebê-lo de volta das mãos dos Bispos, é uma bênção e um benefício para nós. Como observou Joseph F. Smith em Tooele, aquela pobre viúva que paga seu Dízimo receberá de cem a quinhentas vezes mais. Ela certamente o fará, e assim também todo indivíduo. ¶
Mas não são os pobres, de modo geral, que negligenciam seu Dízimo. É mais frequentemente o rico do que o pobre. O homem que tem cem dólares pode dar seus dez. Se tem apenas dez, pode dar um mais facilmente do que outro homem pode dar dez. Se tem dez mil, é mais difícil para ele dar mil, e quanto mais tem, mais difícil lhe é pagar seu Dízimo. Sempre foi assim, presumo; de qualquer modo, é assim no presente. Não podemos nos dar a este luxo. Se esperamos alcançar a glória celestial, devemos suportar a lei do reino celestial. Não há obstáculo em nosso caminho que não possamos superar. Se estivermos determinados, o Senhor nos ajudará. Ele o faz, e sempre o fez, e continuará a fazê-lo. ¶
Quantas vezes fomos beneficiados por seguir o caminho que o Deus dos céus traçou para nós? Quantas vezes ele livrou seus Santos nos tempos passados? Quantas vezes repreendeu, sob a administração de seus servos, a doença de uma criança ou de um membro da família? Não deveríamos, então, ter confiança acrescida para vir novamente, e depositar nossa dependência nele, sabendo e reconhecendo que ele é fiel em cumprir o que prometeu? Tendo pagado nosso Dízimo uma vez, e recebido a bênção, não deveríamos aproximar-nos novamente do altar com renovada confiança e zelo, confiando e depositando nossa fé em Deus para o futuro, sem temer desastre algum que venha sobre nós? Penso que esta é uma boa filosofia; traz sua própria recompensa pela própria natureza das coisas. Então por que não sentir-nos encorajados a ir à reunião e atender aos deveres exigidos de nós, participar do sacramento, afastar sentimentos maus uns contra os outros, e vir à mesa do Senhor com corações puros e mãos limpas, para comemorar os sofrimentos e a morte de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo? Uma grande razão pela qual o Sacramento foi instituído foi para que não o esqueçamos, nem a nosso Pai nos céus, que o enviou. Disse Jesus: "Fazei isto até que eu venha." Ele voltará novamente, certíssimo, em poder e grande glória. Quem estará preparado para recebê-lo? Onde está o povo que será capaz de permanecer firme em sua segunda vinda, quando ele tomar as rédeas do poder em suas próprias mãos? ¶
É razoável supor que Jesus enviará seus mensageiros para advertir o mundo, para que todo o povo possa ter a oportunidade de obedecer ao Evangelho e se preparar para sua vinda? Penso que é razoável supor que ele começará uma obra preparatória na terra antes de fazer sua descida. Esta é a obra, irmãos e irmãs, em que estamos empenhados — preparar-nos para a segunda vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, para que, quando vier, tenha um povo zeloso de boas obras, pronto para fazer sua vontade, em vez de crucificá-lo como fizeram antes. Então, apliquemo-nos com todas as nossas forças, dedicando-nos a nós mesmos, e tudo o que o Senhor nos dá, a ele e a seu reino. Não confiemos nossos caminhos a estranhos, mas sejamos diligentes e fiéis em apoiar todo princípio justo. Este é nosso dever e privilégio. Despojemo-nos dos males tão prevalentes no mundo, do contrário não estamos reunidos para fora do mundo. Disse o Apóstolo — "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas." Se nós, depois de reunidos a Sião, ainda praticarmos os vícios e loucuras do mundo, teríamos igualmente podido ficar lá, pois estes pecados trazem consigo seu próprio castigo. Os juízos do Todo-Poderoso seguem o pecado tão naturalmente quanto causa e efeito em qualquer outra coisa, e as nações ímpias do mundo sentirão a retribuição pelos pecados que cometem, tão certamente quanto têm existência sobre a terra. Não há escape, senão abandonando seus pecados e obedecendo aos mandamentos do Senhor. Não podemos escapar das pragas ameaçadas ao pecador, mesmo aqui em Sião, a menos que nos abstenhamos do pecado e andemos nos caminhos que o Senhor traça para nós. ¶
O Senhor sabia de antemão que muitos dos espíritos reservados para vir a esta nossa geração receberiam seu Evangelho, e permaneceriam fiéis. Todos têm o privilégio de o fazer. O Senhor estendeu o convite a todos os seus filhos aqui na terra. Diz ele — "Convertei-vos, convertei-vos, dos vossos maus caminhos, pois por que razão morrereis?" "Tomai sobre vós o meu jugo, pois é suave, e o meu fardo, pois é leve." "Vinde, bebei das águas da vida livremente, sem dinheiro e sem preço." Este é o convite dado a todas as nações, pelos servos do Senhor, que não saem a proclamá-lo por paga, mas porque receberam o testemunho de Jesus, e podem predizer que os males tão prevalentes entre os homens hão de lhes trazer destruição. A terra está contaminada pelos pecados de seus habitantes, e a destruição certamente os alcançará, a menos que abandonem seus maus caminhos, pois o Senhor não permitirá que isto continue para sempre. Isto não está na economia do céu — ninguém seria salvo, se assim se permitisse. Satanás ganharia a ascendência, e destronaria o Todo-Poderoso, se se pudesse permitir que isto continuasse. Deve haver um ponto de mudança — este chegou, e o caminho de escape está claramente demonstrado aos filhos dos homens. O Deus dos céus o revelou em nossos dias. Somos os beneficiários de sua misericórdia e dos princípios da verdade, e, cumprindo estritamente os princípios do Evangelho eterno, que é o poder de Deus para a salvação, seremos preservados no dia do poder de Deus; mas devemos observar a lei do alto céu. Se um homem persistentemente andar pelo caminho do perigo, ou para dentro do fogo, será queimado, e ele o sabe. Então, por que não tomar um caminho diferente? Quando o Senhor aponta o caminho da segurança, seus Santos devem nele andar, ou sofrerão as consequências. Alguns de nós são cativos de nossas próprias paixões. Pensamos que sabemos melhor, e muitas vezes imaginamos que o Senhor está longe, e que fomos deixados a nos governar por nós mesmos, e cedemos a isto e àquilo por causa de um pequeno prazer transitório, e pensamos que tudo estará bem no além. Não nos importamos particularmente com o futuro, se pudermos cuidar de nós mesmos hoje. Talvez cedamos a algum espírito sedutor, em algum recanto tranquilo, pensando que estaremos protegidos, se cedermos ao mal de vez em quando. Há uma maneira de estar protegido, mas não é persistindo em praticar o mal. Devemos afastar-nos de todo mau caminho; então temos a garantia de que Deus nos perdoará. Homens e mulheres podem praticar o mal, mas, se se arrependerem, podem ser perdoados e receber a administração das ordenanças da casa de Deus, pois a autoridade foi restaurada para administrar todas as ordenanças de salvação. Os homens podem ter seus pecados remidos, tendo a ordenança do batismo administrada. Há algum outro modo pelo qual aquela bênção se possa obter? Não que saibamos; se há, o Senhor não o revelou, e isto basta. Tudo o que temos a fazer para assegurar a remissão dos pecados é arrepender-nos e cumprir a ordenança do batismo. ¶
Fomos chamados de Babilônia pelo mandamento do alto céu, e nosso dever agora é permanecer ombro a ombro por Deus e seu reino, e por todo princípio santo e justo, não importa que oposição possamos encontrar. Que poderia um homem fazer, isolado, em meio a uma nação ímpia? Poderia viver para Deus, se assim o quisesse; mas que influência poderia exercer, em tais circunstâncias, pelo reino de Deus? Nenhuma que fosse reconhecida. Poderia dar seu testemunho, e falar aos que o rodeiam de seus males, e isto condenaria os que o ouvissem, se não atendessem a suas palavras. Mas, quando há uma concentração de tal fé e poder, pela união do povo em comunidades, como vemos aqui nos vales das montanhas, apresenta-se uma barreira mais formidável ao progresso e avanço do mal, e tal unidade e concentração trarão à terra um aumento de poder do Senhor em favor da virtude e da verdade. ¶
Que faz o assim chamado cristianismo de hoje para deter a torrente de corrupção que agora varre toda a face da terra? Comparativamente, nada. Digo isto com toda a caridade, porque há muitos que fazem o possível para deter o progresso do mal; mas ele ainda cresce, e o assim chamado cristianismo é impotente para detê-lo. É maior hoje do que era ontem, maior ontem do que na semana passada, e maior na semana passada do que há um mês, e é incalculavelmente maior agora do que era há cem anos. ¶
É tempo de o Senhor estender sua mão para reunir seu povo, para que possa assegurar um ponto de apoio na terra, onde a retidão possa predominar, e onde a maioria do povo esteja com ele e seu reino. O Senhor estendeu sua mão e começou sua obra para realizar seus grandes propósitos. ¶
Permiti-me dar meu testemunho a meus irmãos e irmãs e a todos os bons amigos. O Senhor falou dos céus, e começou esta obra em que agora estamos empenhados, nos cimos das montanhas. O Profeta, olhando para o futuro, viu que a obra de Deus estaria nos cimos das montanhas nos últimos dias. Testificamos que é isto o que ele viu, aqui nos vales de Utah, Idaho, Arizona e todos os Territórios circunvizinhos. O reino de Deus está conosco hoje, não em sua plenitude, mas está crescendo. Está aqui para provar os filhos dos homens, para ver o que farão com ele. O irmão Heber costumava dizer que esta era a eira de debulhar. Vamos às nações da terra e pregamos o Evangelho, muitos o recebem e se reúnem a Sião. Mas suas provações começam quando aqui chegam, pois esta é a eira de debulhar. Aqui um povo será preparado para a vinda de Jesus, para que, quando ele vier, encontre um lugar onde reclinar a cabeça, e alguns, ao menos, que apoiem os princípios celestiais. Se não formos o povo, outros serão reunidos para este propósito. Testificamos que somos esse povo. É verdade que estamos num estado muito imperfeito, mas esperamos que estejamos progredindo, que sejamos um pouco melhores do que fomos. Muitos Santos dos Últimos Dias podem olhar para trás, para suas vidas passadas, e testificar conscienciosamente perante o céu que são homens e mulheres melhores hoje do que eram um, dois ou dez anos atrás. Esta é uma garantia de que a obra avança e se eleva. Deve ter seu começo nas almas e corações dos homens e mulheres, ou seus frutos não aparecerão. Mas esta obra está produzindo seus frutos, e podem ser vistos por todos. Ninguém é tão cego que não os possa ver, se se despojar do preconceito. A obra agora iniciada aqui se estenderá, e, tão rápido quanto o povo se preparar para a receber, poderá participar dela, pois crescerá e se espalhará até que, em sua grandeza, poder e glória, absorva todas as tribos, nações e línguas, e todos se curvem sob o domínio do Rei Emanuel, e ele reinará como Rei das nações, assim como reina como Rei dos Santos. Os Profetas predisseram isto, e nós o cremos, e testificamos que somos esse povo, e que o Senhor de fato se revelou a Joseph Smith, e o chamou para começar esta obra. Ao chamá-lo, o Senhor não cometeu erro algum. Ele sabia que Joseph antes trocaria sua vida do que se curvar sob a perseguição ou negar a fé. Joseph fez isto; provou que, antes de se desviar de sua integridade para com Deus, morreria. Quem pode contestar isto? Nenhum homem, no tempo ou na eternidade. O martírio de Joseph é um monumento que perdurará para sempre, de que ele preferiu a morte a abandonar os princípios do santo Evangelho e as instituições do céu. Mataram-no por isto, e por nada mais. Sua morte é um testemunho contra esta geração ímpia e adúltera, que terão de enfrentar. Nós, como comunidade, somos suas testemunhas, e um monumento que todo o povo pode contemplar, e, se assim o quiserem, podem compreender que Deus começou sua obra dos últimos dias. ¶
Estes são os últimos dias, e Deus certamente cumprirá seus propósitos. Sua obra está estabelecida, e todos são convidados a ajudar a edificá-la. Recebemos os princípios da vida eterna, e os oferecemos a todos. Não somos assalariados. Livremente recebemos, livremente damos, e nada pedimos por isso. Levamos as boas novas de salvação através das planícies, rios e oceanos, e as proclamamos em todas as ocasiões próprias, em casa e em terras distantes. Nenhum dia ou hora se passa sem que este testemunho seja dado pelos servos do Senhor, e assim tem sido por mais de quarenta anos, e, durante este tempo, a obra do Senhor tem continuamente crescido e ganhado força, lançando raízes para baixo e dando fruto para cima. É maior hoje do que era ontem, e será maior amanhã do que hoje, e continuará assim, não importa o que se traga contra ela. Podemos ser novamente expulsos, como já fomos no passado, mas isto apenas aumentaria nossa importância, nosso poder, número e influência. É vão empreender deter esta obra. Santos dos Últimos Dias podem apostatar, seus homens principais podem desviar-se, mas isto não fará diferença — o Senhor está ao leme, e sua obra segue continuamente para cima e para diante. Alguns podem parar à beira do caminho, mas os vagões rolarão sobre eles e os esmagarão. É de nosso interesse permanecer a bordo do navio Sião, e continuar nossos esforços para nos trazer à sujeição da lei do Senhor, para que possamos ser os honrados instrumentos em suas mãos, ajudando a edificar seu reino na terra. Só podemos fazer isto sendo fiéis aos conselhos dos servos do Senhor, que são inspirados a nos ensinar e conduzir. Ele os colocou em sua Igreja e reino para nos guiar e dirigir. Não escolhemos estes homens — ele os escolheu. Podem também ser nossa escolha, é bem verdade, mas o Senhor os escolheu, e ele é responsável. Mas não precisamos prender nossa fé à manga de homem algum. Não, podemos ir à Bíblia, às revelações de Jesus dadas em nossos dias; e ouvir os sussurros do Espírito em nossos próprios corações, em busca do testemunho de que esta é a obra de Deus. O Senhor revelará a todo indivíduo fiel tudo o que for necessário para convencê-lo de que esta obra é verdadeira. Ninguém precisa depender, para este testemunho, de outros; todos podem tê-lo por si mesmos, e isto será como um poço de água dentro deles, brotando para a vida eterna, revelando-lhes as coisas de Deus, e tudo o que for necessário para os tornar sábios para a salvação. Não precisam depender de meu testemunho, ou do do Presidente Young, ou do Presidente Smith, mas de ninguém senão Deus. Ele dirigirá o curso de todos os que procurarem servi-lo com pleno propósito de coração. Ele lhes mostrará se estamos colocados aqui apropriadamente, ou se algum erro foi cometido quanto ao chamado de Joseph Smith. O testemunho do Senhor dirá se ensinamos coisas de nós mesmos ou do Senhor; aquele testemunho dirá a seus possuidores se os servos de Deus que aqui se apresentam dizem a verdade sobre esta obra ou não. Não precisam depender de ninguém senão de si mesmos e do Senhor para este conhecimento, pois o Senhor está disposto a dar liberalmente a todos, e não repreende. Todo o mundo pode aprender a conhecer o Senhor nosso Pai, que está nos céus, e Jesus Cristo, a quem enviou, se apenas tomarem o caminho que o Senhor traçou. ¶
Santos dos Últimos Dias, como disse antes, não podemos nos dar ao luxo de fazer maldade. Aquele jovem, ou aquele homem idoso, que vai ao desfiladeiro, não pode se dar ao luxo de tomar o nome do Senhor em vão, nem nas ruas nem nos salões da cidade, e, quanto a isso, os Santos dos Últimos Dias não podem se dar ao luxo de frequentar salões de todo, porque as associações são más. Quiséramos a Deus que pudéssemos abolir inteiramente todo lugar deste tipo, pois ali o vício se mostra em suas cores mais sedutoras. Salões de bebida e mesas de jogo deveriam ser banidos da face da terra, porque geram o vício. Conduzem jovens, homens de meia-idade e idosos à prática daquelas coisas que são más. Os Santos dos Últimos Dias não podem se dar ao luxo de frequentá-los. Fariam melhor em manter-se longe deles. Fariam melhor em não tomar o nome do Senhor em vão, não podem se dar ao luxo de ofender o Senhor. Fariam melhor em guardar seus mandamentos, e não fazer nada que seja ofensivo à sua vista. O Senhor não fará de um homem transgressor por uma palavra, de modo algum. Ele olha com compaixão para todos os seus filhos, e ignora muitas de suas fraquezas e loucuras, se descobre que têm o desejo de servi-lo. Mas, ainda assim, o Santo dos Últimos Dias que já ouviu os sussurros do Espírito, e ainda assim se torna tão negligente a ponto de se entregar a estas coisas, prova ao Senhor que não aprendeu bem sua lição — que não aprendeu a honrar o Senhor como deveria, e, em consequência disso, não é tão beneficiário de sua graça quanto poderia ser, e, se persistir no mal, virá o tempo em que as portas serão fechadas, de modo que o Espírito não fluirá a ele, e ficará obscurecido no conselho de sua mente, e haverá dez chances contra uma de que naufrague em sua santíssima fé. ¶
Nenhum homem pode se dar ao luxo de dar este tipo de exemplo diante de seus filhos, e nenhum jovem pode se dar ao luxo de perder a boa influência que, de outro modo, poderia reter desde a juventude até a idade adulta e a velhice; é caro demais. Bendito é o menino ou a menina que tem o privilégio, como todos têm em Sião, de crescer sem pecado, rumo à salvação. Podem fazê-lo, se assim o quiserem, se se deixarem governar pelos princípios do Evangelho eterno, e os tomarem como seu texto e guia de dia e de noite, e sempre temerem o pecado e temerem andar pelos caminhos da degradação. Todos têm este privilégio nos vales das montanhas. Estamos aqui para que possamos ser salvos dos pecados do mundo, e os filhos de Sião possam crescer sem pecado, rumo à salvação. Ah, se apenas considerassem e sentissem maior responsabilidade, e jamais perdessem a pureza de sua infância! Se pudessem fazer isto, que influência poderiam exercer perante os céus! Que poder poderiam trazer para a salvação de Israel no dia da provação, tribulação e dificuldade! A fé de um exército de jovens deste tipo bastaria para resistir a todo inimigo, e espero que venha o tempo em que assim o fará. ¶
Que Deus nos ajude a permanecer fiéis, e a ser mais diligentes e atentos aos ensinamentos que recebemos. Somos ensinados em seus caminhos, para que possamos andar em suas veredas. Então, por que não ser diligentes e fiéis em nelas andar? São os caminhos da paz e da alegria, e conduzem à vida eterna no além. Que todos possamos alcançá-la, oro em nome de Jesus. Amém. ¶